domingo, 21 de agosto de 2016

Homilia da Assunção de Maria (21.08.16) “Assunção de Maria”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Maria do povo
             Há um grande carinho do povo de Deus para com uma mulher, Maria de Nazaré, que fez parte do povo e vive com ele e para ele. Estamos acostumados a ver imagens e pinturas de Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa. São de rara beleza. Mas nos esquecemos que sua imagem mais autêntica é de sua humanidade que é nossa humanidade. Por maiores que sejam os privilégios que tenha recebido, nada diminui seu ser mulher do povo, identificando-se com cada mulher. Certamente que as imagens e pinturas são bonitas e expressam nosso carinho e nossos sentimentos. A melhor imagem da Mãe de Deus e nossa, contudo, está no rosto queimado da mulher trabalhadora do campo e da cidade. Não é socialismo colocar Nossa Senhora como uma mulher do povo e pobre. Ser de Nazaré significava ser muito pouco. Já disseram sobre Jesus: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1,46). Nazaré era realmente, conforme estudos de arqueologia, um lugar muito pobre. Não diz que são maus, mas são humildes e simples, de beleza diferente. O Antigo Testamento diz que desse “resto fiel” viria a salvação. Só eles permaneceram fiéis a Deus. A simplicidade de Maria condiz bem com as palavras que diz: “O Senhor olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,46). Essa pequenez e humildade não são atitudes somente espirituais, mas reais. São os humildes. Fugir da Maria simplesinha, mulher do povo, é um jeito de não assumir o compromisso com o povo. O evangelista fala dela com muita simplicidade, pois foi isso que compreendeu a partir de seu contato pessoal ou através dos relatos dos contemporâneos. Falar de sua Assunção é apontar nosso futuro.
Maria de Deus
            Deus tem um carinho especial para cada uma de suas criaturas. Deus é todo para cada uma. Todos são amados intensamente por Deus. Dele, não temos nada a receber, pois em Cristo já nos deu tudo (Rm 8,32). Quis que todos fôssemos seus filhos adotivos, filhos do coração. A todos deu os dons necessários para a vida e a salvação. A cada um deu dons para sua missão nesse mundo. Cada um participa do grande projeto de Deus de acordo com um plano misericordioso do Pai para participarmos da redenção e construção do mundo e de sua Igreja. Assim Maria, como todo ser humano, como todo cristão participa do plano de Deus e recebe uma missão particular. Ela foi escolhida para ser a Mãe de seu dileto Filho. É um dom e uma missão. A Igreja não inventa dogmas, verdades sobre Maria. Ela simplesmente reconhece o que a sagrada Tradição ensinou. A Escritura, entendida no seu sentido pleno, justificou. Encontramos no Antigo Testamento as profecias que ensinam o futuro Messias. Ensinam também sobre a vida da Igreja.  Por isso podemos nos apoiar nas Escrituras para conhecer o Mistério de Cristo e de tudo que a Ele se refere. Não é a letra, mas a Vida Divina que dá vida a essas letras. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4,12). Por isso podemos dizer que ela foi levada ao Céu.
Rogai por nós
            Maria faz parte do Corpo de Cristo, faz parte também de sua vida e vitalidade. Ela, membro mais perfeito depois de Cristo, tem nesse Corpo de Cristo parte na saúde que o fortalece. E ela o faz por sua intercessão misericordiosa. Cristo é o único Mediador (1Tm 2,4). Maria participa dessa mediação enquanto parte de seu Corpo. Ela o faz como mediação suplicante. Com todo povo de Deus é intercessora: reza pela vida desse corpo. Tirar Maria do Mistério de Cristo é negar a Palavra. Subindo ao Céu leva nossa humanidade.
Leituras: Apocalipse 11,19ª;12,1-3-6ª.10ª; Salmo 44;1Cor 15,20-27ª;Lucas, 1,39-56
  
1.     Maria é uma mulher simples. As pinturas são belas, mas a verdadeira Maria está em Nazaré, nas condições de mulher do povo. Nazaré era terra humilde.

2.     Deus ama todas as pessoas. Cada um participa do projeto de Deus de acordo com seu plano. Para isso recebe dons e missão. A Escritura nos ilumina.

3.     No Corpo de Cristo Mediador é mediadora na intercessão misericordiosa.
            
            No Céu com os pés na terra

            A gente fala muito de Nossa Senhora. Se a gente a conhecesse mais, mais ainda falaria. Por que ela tem essa presença tão forte na Igreja Católica?  Quem de fato ama Jesus e O tem como seu Salvador vai amar muito aquele que deu para nós esse Homem Deus tão grande. Quem gosta do fruto, não corta a árvore.  Ela continua intimamente unida a seu Filho como na gestação. Jesus, como era um bom filho, seguia os mandamentos de Deus com perfeição amando seu pai e sua mãe, como o Pai do Céu manda.
            Dizer que Maria foi levada ao Céu depois do fim de sua vida, é um dogma da Igreja Não sabemos como morreu. Ou foi levada para o Céu. Tanto coisa como outra são boas. Lembremos que Elias, um grande profeta, foi levado ao Céu num carro de fogo.
            A Igreja não inventou essa verdade, pois a comunidade dos primeiros cristãos são as testemunhas desse fato e ensinaram para nós, antes de os evangelhos serem escritos. Faz parte da sagrada Tradição que é também uma fonte da fé. A Igreja ensina que “Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi levada em corpo e alma ao Céu”. Ela é a mulher gloriosa de que fala o Apocalipse.
            O ensinamento tem fundamento na Palavra de Deus, pois todos ressuscitaremos. E Maria, sendo a primeira em corpo e alma, garante que o ensinamento de Jesus funciona e é para todos. A promessa da ressurreição já é realidade em Maria.
            No seu canto, minha alma engrandece o Senhor, ela conta que todas as gerações a chamarão bem-aventurada. Não por ela, pois Deus é quem age.
Ela ensina também que o caminho do Céu passa pelo cuidado dos necessitados. Quem diz ter religião e não procura modificar o mundo para socorrer os humilhados, não conhece a Deus. É do mal.

A gente vai para o Céu com os pés na terra.

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