terça-feira, 25 de agosto de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Todos são santos”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Santos no Pai
 
Temos a alegria de “celebrar numa só festa méritos de todos os Santos” (Oração). É uma festa quase como repescagem. Não podemos nos fixar no termo: Como não temos esse santo no calendário, damos essa oportunidade de ninguém ficar fora. A festa vai além de calendário e entra no senso próprio da Igreja Santa. Mais que nos lembrar dos santos, lembra a nós nossa condição de processo de santificação. Lemos no prefácio: “Festejamos, hoje, a cidade do Céu, a Jerusalém do alto, nossa Mãe, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor”. Santidade consiste em ser no Pai. Fazemos coisas, mas para sermos no Pai. A Igreja sempre privilegiou os santos. Primeiro os mártires que deram a vida, depois os monges que entregaram a vida na oração e trabalho. São Bento dizia: “Ora et Labora”: reza e trabalha. Depois passamos pelos santos e santas que dedicaram suas vidas a Deus em uma atividade concreta. A grande atividade dos fiéis cristãos é a vida na comunidade Igreja a favor do mundo dos necessitados. Todo santo foi caridoso e se envolveu com a libertação de todos os sofrimentos. Mesmo envolvidos em tantas atividades, tinham seu tempo para Deus. Aqui lembramos as profissões e de modo particular a vida de família. Esses compõem o cortejo que canta em torno do Cordeiro. E cada um foi desenhado o coração do Pai. Não há necessidade do conhecimento intelectual, mas a vivência do amor. Assim Deus marca sua imagem em nós. Não há necessidade de uma vida de Igreja, mas Igreja que é vida
Mãos puras e inocente o coração 
Ninguém tem direito a fechar o Céu a ninguém. João viu 144 mil assinalados... e uma imensa multidão vinda de todas as nações, tribos, povos e língua, e que ninguém podia contar’ (Ap 7,9). Admira-me que nós e outros, temos a mania de criar critérios de quem vai para o Céu. “Todos lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14). E os pecados? Deus já os perdoou em Cristo em sua morte. Não podemos fazer uma religião do Inferno, do Pecado, da Desgraça. Lemos em Romanos: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20). Paulo é claro: O dom da graça supera infinitamente o pecado. Vivemos séculos sob o tacão do pecado. Não é assim que a Palavra ensina. Deus não tem mais nada para fazer por nós, pois já nos deu tudo em Jesus Cristo. Que falta nos dar? Paulo insiste: “Onde abundou o pecado, superabundou a Graça (Rm 5,20)”. Notamos que, na vida espiritual, damos mais valor ao pecado que à graça. Somos preocupados em vencer certos pecados e não em deixar crescer em nós a graça. Tiramos as folhas secas, mas não fortalecemos a árvore em suas raízes e em seu tronco.
Por sua intercessão 
Pedimos na Eucaristia que a graça de Deus nos santifique para que, da mesa de peregrinos, passemos ao banquete do Reino (Pós-comunhão). Rezamos aos santos porque estão junto do Pai. Que podem por nós? Participam do poder de Deus e o que se refere a eles se refere a Deus. Nessa comunhão estamos em união a todos do Corpo de Cristo, os dos Céus, os da terra e os do Purgatório, isto é, o processo de purificação. Nesse ponto temos dificuldades de explicação, pois conhecemos pouco do Mistério do Corpo Místico de Cristo. Todos estamos Nele e nos acolhemos uns aos outros e nos fortificamos. Mais que celebrar os santos desconhecidos e esquecidos, celebramos uma Igreja Santa e frágil. 
Leituras: Apocalipse 7,2-4.9-14; 
Salmo 23; 
1 João 3,1-3; Mateus 5,1-12ª) 
1. Todo santo foi caridoso e se envolveu com a libertação de todos os sofrimentos. 
2. Deus não tem mais nada para fazer por nós, pois já nos deu tudo em Jesus Cristo. 
3. Mais que celebrar os santos esquecidos, celebramos uma Igreja santa e frágil. 
Meu santo sumiu! 
Eu tinha um santinho que estava sempre comigo. Eu não saia de casa sem El(Ele). Era minha segurança. Já estava com sinais de uso. Era meu santo. Sumiu. Onde foi parar? Não há mais santo? Para que serve o santo se não está aí para me garantir? É uma questão importante em nosso relacionamento com os santos. Eles não são imagens, amuleto, garantia de nossos apertos. Eles são nossos irmãos que estão junto de Deus e rezam por nós. Por que rezam? Para que estejamos unidos a Deus. 
Homilia da Sol. de Todos os Santos (07.11.2021)

EVANGELHO DO DIA 25 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 23,23-26.
 
Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Devíeis praticar estas coisas, sem omitir as outras. Guias cegos! Coais o mosquito e engolis o camelo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, que por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Catecismo da Igreja Católica
§§ 1455-1458 
«Limpa primeiro o interior do copo» 
A confissão dos pecados, mesmo de um ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita a nossa reconciliação com os outros. Pela confissão, o homem encara de frente os pecados de que se tornou culpado; assume a sua responsabilidade e, desse modo, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, para tornar possível um futuro diferente. A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência: «Quando os cristãos se esforçam por confessar todos os pecados de que se lembram, não se pode duvidar de que os apresentam todos ao perdão da misericórdia divina. Os que procedem de modo diverso, e ocultam conscientemente alguns deles, esses não apresentam à bondade divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote. Porque, "se o doente tem vergonha de descobrir a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que ignora"» (Concílio de Trento; São Jerónimo). Segundo o mandamento da Igreja, todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves ao menos uma vez ao ano. Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (cf Lc 6,36): «Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque te acusas das tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz» (Santo Agostinho; cf Jo 12,13).

Santa Maria Troncatti Virgem -Festa: 25 de agosto

(*)Corteno Golgi, Brescia, 16 de fevereiro de 1883
(+)Sucúa, Equador, 25 de agosto de 1969 
Maria Troncatti nasceu em Corteno Golgi em 16 de fevereiro de 1883. Cresceu feliz e trabalhadora em sua grande família, lavrando nos campos, nos pastos da montanha e cuidando de seus irmãos mais novos, na atmosfera calorosa e amorosa de seus pais exemplares. Atenta à catequese paroquial e aos sacramentos, a jovem Maria desenvolveu um profundo senso cristão que a abriu para os valores de uma vocação religiosa. Por obediência ao pai e ao pároco, porém, esperou até os 18 anos para ingressar no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, fazendo sua primeira profissão em 1908 em Nizza Monferrato.

Beata Maria do Trânsito de Jesus Sacramentado – 25 de agosto

“Agora que temos tempo, façamos o Bem”
 Madre Trânsito 
Maria do Trânsito Eugenia das Dores Cabanillas nasceu em 15 de agosto de 1821 em Santa Leocádia, atual Carlos Paz (Córdoba, Argentina). Seu pai, Felipe Cabanillas Toranzo, descendente de uma família de Valência (Espanha) emigrou para a Argentina durante a segunda metade do século XVII e conseguiu reunir uma certa fortuna econômica no seu novo ambiente, mas se notabilizou principalmente pela sua profunda religiosidade católica Em 1816, o Sr. Felipe Cabanillas se uniu em casamento com a jovem Francisca Antônia Luján Sánchez, de quem teve onze filhos. Três morreram prematuramente, quatro se casaram e os outros se consagraram a Deus: um como sacerdote secular e três como religiosos em vários Institutos, continuando assim uma longa e gloriosa tradição familiar.

Santa Patrícia de Constantinopla, Virgem - 25 de agosto

Santa Patrícia nasceu em Constantinopla no início do século VII. Filha de família nobre, seu pai era Constante II (668-685), imperador de Constantinopla e descendente de Constantino, o grande, o imperador que decretou o Cristianismo como religião oficial do Império Romano. Santa Patrícia foi educada por uma ama de nome Aglaia, que era cristã. Muito cedo fez voto de virgindade. Seu pai, porém, sem saber das intenções da filha, como era costume na época arranjou-lhe um nobre casamento. Patrícia explicou a seu pai suas intenções, que de imediato ele não aceitou. Patrícia então fugiu com Aglaia, e mais algumas amigas que tinham o mesmo ideal, levando parte de seus bens. Ela foi para as ilhas gregas e depois para Nápoles, Itália. Em Nápoles ela passou a ajudar as igrejas da cidade com seus bens, não só na decoração com ornamentos dignos, como também com utensílios essenciais para as celebrações litúrgicas.

Santa Ebba de Coldingham, Princesa, Abadessa - 25 de agosto

A Santa Ebba que hoje é comemorada é chamada “a velha”, para não confundi-la com sua homônima, que como ela foi abadessa de Coldingham e foi morta pelos dinamarqueses em 870, e é conhecida como “a jovem”. Ebba era uma princesa, filha do rei Etelfredo de Bernicia e de Acha de Deira. Etelfredo tinha invadido o reino vizinho de Deira em 604. Assumindo o trono, ele uniu Deira com Bernicia tornando-se o primeiro rei de Nortumbria. Para consolidar seu poder sobre Deira tomou como esposa a princesa Acha da casa real de Deira. No entanto, quando Etelfredo invadiu Deira ele depôs o príncipe Edwin, herdeiro do trono e irmão de Acha, que fugiu para o exílio. Edwin refugiou-se na corte do rei Redevaldo da Anglia Oriental e, com o seu apoio, em 616, levantou um exército contra Etelfredo. Na batalha Etelfredo foi derrotado e morto. Edwin então ganhou o trono de Nortumbria.

Santa Ermínia (Ermina), venerada em Reims-Festa: 25 de agosto

Em 1384, uma camponesa pobre e iletrada chamada Hermínia mudou-se para a cidade de Reims com seu esposo idoso. A época em que ela viveu era afligida por guerras, pragas e pelo cisma no interior da Igreja Católica, e a vida de Hermínia poderia facilmente não ser notada entre as rupturas da História. Porém, após a perda de seu esposo, as coisas tiveram uma reviravolta: nos últimos dez meses de sua vida, Hermínia foi atormentada por visões noturnas de anjos e demônios. Durante seus horrores noturnos ela era atacada por animais, surrada e sequestrada por demônios disfarçados, e exposta a espetáculos carnais; em outras noites, ela era abençoada por santos, visitada pela Virgem Maria. Ela confessou estas coisas estranhas a um frade agostiniano conhecido pelo nome de Jean le Graveur, que relatou tudo com detalhes vívidos. Em uma Vita escrita por Radulfo, vice-prior de um mosteiro próximo a Reims, é relatado que Hermínia era pobre de dinheiro, mas rica de paciência e de humildade. Hermínia faleceu no dia 25 de agosto de 1396. Foi sepultada na nave da Igreja de São Paulo, onde atualmente se vê o coro dos monges, sob uma pedra branca com sua imagem e uma breve inscrição.

LUÍS IX Rei de França, Santo 1214-1270

Faleceu em Cartago, no norte da África.
São Luís nasceu no castelo de Poissy, a 30 quilómetros de Paris, a 25 de Abril de 1214 ou 1215, dia de procissões solenes do dia de São Marcos. A sua infância terá sido influenciada pela figura do seu pai que, unindo o zelo pela religião à bravura marcial que lhe valeu o cognome de o Leão, subjugou os cátaros do sul da França. Particularmente zelosos da sua educação, os pais de Luís IX deram-lhe bons preceptores: Mateus II de Montmorency, Guilherme des Barres, conde de Rochefort, e Clemente de Metz, marechal da França, inspiraram-lhe os sentimentos de um rei cristianíssimo e filho da Igreja. Com a morte do seu pai em 8 de Novembro de 1226, Luís IX subiu ao trono aos 12 anos de idade. Foi sagrado na catedral de Reims por Jacques de Bazoches, bispo de Soissons, em 30 de Novembro do mesmo ano. Por testamento de Luís VIII, a mãe do jovem monarca assumiu a regência de França com o título de «baillistre», guardião da tutela do rei.

São José Calasanz, Sacerdote -Festa: 25 de agosto

(*)Peralta del Sal, Aragão, Espanha, 31 de julho de 1558
(+)Roma, 25 de agosto de 1648 
Nascido em 1557 em Peralta de la Sal, Espanha, José tornou-se sacerdote aos vinte e seis anos. Ocupou importantes cargos em diversas dioceses espanholas. Em Roma, comovido com a pobreza em que viviam as crianças abandonadas, fundou uma nova ordem religiosa com o objetivo de proporcionar educação aos mais pobres e, assim, combater o analfabetismo, a ignorância e o crime. Nasceram as "Escolas Pias", e seus religiosos eram chamados de "Piaristas". O santo escreveu: "É uma missão nobilíssima e uma fonte de grande mérito dedicar-se à educação das crianças, especialmente das pobres, para ajudá-las a alcançar a vida eterna. Quem se torna seu mestre e, por meio da formação intelectual, se compromete a educá-las, sobretudo na fé e na piedade, de certa forma cumpre o próprio ofício de seu anjo da guarda para com as crianças e é altamente merecedor de seu desenvolvimento humano e cristão."

Beato Miguel Carvalho, sacerdote jesuíta, fundador -Festa: 25 de agosto

(*)Braga, Portugal, 1577 (ou 1579) 
(+)Omura, Japão, 25 de agosto de 1624 Nascido em Portugal, numa família nobre, ingressou na Companhia de Jesus movido pelo desejo de proclamar o Evangelho em terras remotas. Ao chegar ao Oriente, recusou-se a ser dissuadido pelos severos decretos do xogunato Tokugawa, que proibiam o cristianismo e ameaçavam missionários estrangeiros de morte. Para alcançar seu rebanho disperso, embarcou para o Japão disfarçado de soldado, aceitando os riscos extremos de uma missão clandestina. Capturado, suportou um longo e angustiante aprisionamento numa cela exposta às intempéries, onde forjou um profundo laço espiritual com religiosos de outras ordens. Seu martírio na fogueira, compartilhado com quatro companheiros de fé, representa um dos ápices do testemunho cristão no Extremo Oriente. 

ORAÇÕES - 25 DE AGOSTO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
25 – Terça-feira – Santos: Luís de França, José de Calazans, Patrícia
Evangelho (Mt 23,23-26) Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, ...e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei.”
Jesus dizia que eles eram hipócritas, palavra que em grego significava ator, que usava uma máscara para representar um personagem. Não podemos ser falsos, representar o papel de discípulos, sem viver o que Deus nos propõe: “a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. Tenho de me examinar a fundo, ver se se vivo na verdade ou nas aparências, se me prendo a valores ou procuro palcos.
Oração
Senhor Jesus, nessa passagem (Mt 23,13-36) repetis sete vezes a palavra hipócritas. Quereis que eu seja verdadeiro, honesto e sem fingimentos nem aparências. É assim que vos quero seguir. Perdoai-me as incoerências e a fraquezas por medo do que podem dizer. Ajudai-me a vos seguir na justiça, misericórdia e fidelidade”. Amém.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “A Vida Ressurge”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Eles vivem
 
Por mais que não se creia na vida eterna, os mortos são uma presença permanente. Estão em nossa memória, como se estivessem aqui. Todos os povos tiveram seus ritos funerários como expressão dessa continuidade. A origem da celebração de Finados traduz,cristamente, essa mentalidade. Não se trata de culto aos mortos, mas culto com os mortos que vivem em Deus. Todo culto se refere a Deus que leva consigo tudo o que é criado por Ele. A celebração tem algo muito próprio: No mistério de Cristo, morto e ressuscitado, unimos os que deixaram essa vida e estão vivendo a glória que lhes é reservada. Glória é a manifestação de Deus. Quando falamos com Deus levamos tudo o que se nos refere. Rezar pelos mortos é falar com todos os que estão em Deus. É bom lembrar que, no que se refere à vida eterna, podemos dizer muito pouco. É outra dimensão. Penetramos nos Céus em Deus. Cuidado em querer organizar o “outro lado”. Temos muito que fazer aqui. Nosso Céu, agora, é o amor que dedicamos aos irmãos. Assim o salmo nos inspira: “Ao Senhor eu peço somente uma coisa, e só isso que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo em seu templo” (Sl 26). A primeira leitura nos descortina a grande mudança que o futuro nos prepara: “O Senhor dará neste monte, para todos os povos um banquete de ricas iguarias... Eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces” (Is 25,6ª.7). Esse momento é de esperança. 
Jesus acolhe 
A liturgia desse dia é pouco “funeral”. Ela que vem nos ensinar o que significa o grande amor de Deus por nós, manifestado em Cristo: “A vontade do Pai que Me enviou é que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas os ressuscite no último dia” (Jo 6,39). E mais ainda: essa vontade de estar conosco, que motivou a Encarnação, se traduz em nos dar aquilo que seremos. João ensina: Deus nos manifestou seu amor chamando-nos de filhos, e de fato o somos. Quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é (1Jo 3,1-2). Notamos quanto Jesus nos comunica de sua vida. Ele nos atrai e nos acolhe. Celebrar os mortos é reformular a vida em sua dimensão maior que é asua continuidade em Deus. João insiste: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos Filhos de Deus! E nós o somos. Se o mundo não nos conhece é porque não conheceu o Pai” (Id 1). Celebrar os mortos não deve ser mais um dia aziago, de algo que não vai bem. Mas é se alegrar de poder ter junto de Deus, como celebramos no dia 1º, a imensidão daqueles que já vivem na glória. Celebrando, lembramos o que seremos. Penso que já é tempo de tirar da celebração de Finados o clima fúnebre. Certo que vem a saudade. Não podemos perder a dimensão de morte que a vida tem. É dor. A saudade dói. 
Por que rezamos pelos mortos 
A Igreja sempre rezou pelos mortos. Como era natural, não precisou explicar. Rezamos para sua purificação. Nós, católicos, cremos na Bíblia que ensina que somos Corpo de Cristo. Cristo é a Cabeça e nós os membros (1Cor 12,27). Se, como Igreja visível, somos um só corpo, quanto mais como Igreja Total, todos em Cristo, na unidade com o Pai. Na caminhada para o Pai, temos os membros mais frágeis que necessitam de nossa oração, nossa vida espiritual com Deus. Assim comunicamos Vida em Cristo. Não deixemos de rezar pelos mortos, porque um dia, nós também precisaremos de oração. Estamos em caminho. Santa Mônica dizia: “Lembre-se de mim no altar de Deus”.
ARTIGO PUBLICADO EM OUTUBRO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 24 DE AGOSTO

Evangelho segundo São João 1,45-51. 
Naquele tempo, Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem ver». Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?» Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: "Eu vi-te debaixo da figueira", acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Bento XVI 
Papa de 2005 a 2013 
Audiência geral de 04/10/06 
(trad. © Libreria Editrice Vaticana) 
«Vem ver»: 
o apóstolo Bartolomeu-Natanael 
conhece o Filho de Deus 
Tradicionalmente, o apóstolo Bartolomeu é identificado com Natanael: um nome que significa «Deus deu». Este Natanael provinha de Caná (cf Jo 21,2), portanto é possível que tenha sido testemunha do grande «sinal» realizado por Jesus naquele lugar (cf Jo 2,1-11). A identificação das duas personagens é provavelmente motivada pelo facto de este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo evangelho de João, ser colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos apóstolos narrados pelos outros evangelhos. Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara «Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Como sabemos, Natanael tinha um forte preconceito: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?». Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia obscura como era precisamente Nazaré (cf Jo 7,42); mas, ao mesmo tempo, realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-Se encontrar precisamente onde não O esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus, na realidade, não era exclusivamente «de Nazaré», pois tinha nascido em Belém (cf Mt 2,1; Lc 2,4) e, em última análise, provinha do Céu, do Pai que está no Céu. A história de Natanael sugere-nos outra reflexão: na nossa relação com Jesus, não devemos contentar-nos com as palavras. Na sua resposta, Filipe faz um convite significativo: «Vem ver». O nosso conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva: o testemunho de outrem é certamente importante, porque normalmente a nossa vida cristã começa com o anúncio, que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas. Mas depois devemos deixar-nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus.

Beato Miroslav Bulesic

Devemos dizer que a beatificação de hoje de Don Miroslav Bulesic, sacerdote e mártir, é a festa da paz sobre a guerra, da fraternidade sobre a divisão, do perdão sobre o ódio, da caridade divina sobre a maldade humana. É uma mensagem positiva, evangélica, profundamente divina, que move nossos corações para fazer somente o bem. Don Miroslav praticou ao pé da letra as palavras de Jesus: "Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). Don Miroslav considerava a todos "amigos" e não "inimigo". O seu é um testemunho da caridade: "Ninguém tem maior amor do que dar a vida pelos seus amigos" (Jo 15:13). O Bulesic é um verdadeiro herói da Igreja na Croácia, que nos anos quarenta sofreu uma perseguição virulenta.

Santa Maria Miguel do Santíssimo Sacramento Desmaisières Virgem, fundadora-Festa: 24 de agosto

(*)Madri, Espanha, 1 de janeiro de 1809
(+)Valência, Espanha, 24 de agosto de 1865 
María Micaela Desmaisières y López de Dicastillo nasceu em Madri, em 1º de janeiro de 1809, em uma família nobre. Recebeu uma educação condizente com sua posição social, o que lhe permitiu ingressar na alta sociedade madrilenha. Dividida entre os deveres inerentes à sua condição social e a religiosidade que a atraía, iniciou uma intensa jornada ascética e caritativa. Um encontro com uma jovem sifilítica no Hospital de San Juan de Dios, em Madri, abriu seus olhos para o sofrimento de mulheres e meninas vítimas da prostituição, que corriam o risco de retornar às ruas após serem libertadas. Ela abriu uma casa para elas, com a intenção de servir como internato e refúgio, mas teve que partir após um ano a pedido de seu irmão, um diplomata de carreira, para cuidar da esposa.

Santa Joana Antida Thouret virgem, +1826

Joana Antida Thouret nasceu perto de Besançon, na França, no dia 27 de novembro de 1765. Francisco e Cláudia eram seus pais, tiveram quatro filhos e ela foi a primeira. Joana cresceu muito bonita, de natureza melancólica, tinha a saúde delicada, um caráter gentil e era muito caridosa. Desde a infância manifestou sua vocação religiosa. Tinha vinte e dois anos de idade, quando foi fazer seu noviciado no Convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. Naquela época era normal a noviça ser submetida aos trabalhos pesados da comunidade. Assim foi com Joana que, em função da mudança de clima e do grande esforço físico, acabou adoecendo gravemente. Temendo ser enviada de volta para a casa paterna, rezou muito pedindo a Deus para cura-la. Foi atendida através de uma dedicada enfermeira que a tratou com medicação especial. Em 1788 recebeu o hábito religioso das vicentinas. Depois disso, Joana andou pelo mundo pregando a palavra de Deus, fazendo caridade, tratando dos doentes, mas principalmente sendo perseguida. Havia estourado a Revolução na França, o clima anticlerical tornava a vida dos religiosos um verdadeiro terror. Muitos sacerdotes, religiosos e fiéis a Igreja foram denunciados, perseguidos, torturados e condenados à morte por guilhotina.

Santa Emília de Vialar, Fundadora - 24 de agosto

 Em agosto de 1835 um navio francês atracava majestosamente no porto de Argel, “a cidade branca". Ao som de marchas militares, entre gritos da multidão e o estrondo da artilharia, quatro humildes religiosas desembarcam e passam pela fila de soldados que apresentam armas. Entretanto, aquelas honrosas demonstrações não eram para elas. Toda aquela movimentação era causada pela chegada do novo governador geral, Mal. Clauzel, que havia vindo no mesmo navio.   Com ele também fizera a travessia o Barão de Vialar, irmão de Emília, fundadora de uma nascente instituição, as Irmãs de São José da Aparição, que nos primeiros passos de sua existência já se sente com brios para levar à África maometana a mensagem de Cristo, “desfraldando diante dela todas as formas da caridade”. Emília de Vialar havia nascido na graciosa cidade de Gaillac, banhada pelas águas do Tarn, no Languedoc. A cerimônia do batismo foi celebrada no dia 12 de setembro de 1797 na igreja paroquial de São Pedro, sem a alegria dos sinos, pois por ordem do Comitê da Saúde Pública eles haviam sido fundidos, convertendo-se em canhões.   Emília era a mais velha dos três filhos.

Beata Maria Encarnação Rosal, Fundadora – 24 de agosto

Maria Vicenta Rosal nasceu em Quetzaltenango, Guatemala, em 26 de outubro de 1820, num lar cristão e cresceu num ambiente de profunda fé. Seus pais, Manuel Encarnación Rosal e Gertudis Leocadia Vásquez, deram o melhor de si para dar-lhe a formação e a cultura que combinavam com as características de um lar cristão e da sociedade guatemalteca em que viviam.   Ela aprendeu com seus pais e irmãos mais velhos “a fé como um modo de viver, que é a piedade filial para com Deus, a orientação amorosa a Cristo na Eucaristia”, uma profunda devoção a Nossa Senhora e grande caridade os pobres e necessitados, a quem ela costumava ajudar generosamente. Aos 15 anos, Vicenta fez amizade com uma menina hondurenha, Manuela Arbizú, que movida pela graça de Deus, falou a Vicenta com grande entusiasmo sobre o ideal de servir a Deus na vida consagrada, e inesperadamente, ela mencionou as freiras de Belém. O nome de Belém atraiu a atenção de Vicenta. Depois de obter as respostas para todas as suas perguntas sobre a vida das freiras, ela consultou seus pais e o diretor espiritual. Viajou pela Guatemala a fim de cumprir seu desejo de ser consagrada a Deus. Ela chegou a Beaterio de Belém em 1 de janeiro de 1838.

Bartolomeu de Cana Apóstolo, Santo + 51

Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos doze primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos. Bartolomeu nasceu em Caná, na Galiléia, uma pequena aldeia a quatorze quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra "bar" que dizer "filho" e "tholmai" significa "agricultor". Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. Seu melhor amigo era Filipe e ambos eram viajantes. Foi o apóstolo Filipe que o apresentou ao Messias. Até esse seu primeiro encontro com Jesus, Bartolomeu era cético e, às vezes, irônico com relação às coisas de Deus. Porém, depois de convertido, tornou-se um dos apóstolos mais ativos e presentes na vida pública de Jesus. Mas a melhor descrição que temos de Bartolomeu foi feita pelo próprio Mestre: "Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fingimento".

ORAÇÕES - 24 DE AGOSTO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
24 – Segunda-feira – Santos: Bartolomeu, apóstolo, Emília, Maria Micaela
Evangelho (Jo 1,45-51) “Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: – Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”.
Filipe é muito explícito; deixa claro que está falando de Jesus, filho de José, de alguém que muitos conheciam. Diz, porém, que esse filho de José é alguém especial, aquele que foi anunciado por Moisés e pelos profetas. Nas palavras de Filipe transparece a alegria de quem fez um grande descoberta, e encontrou resposta para o que esperava e vinha procurando havia muito, muito tempo.
Oração
Senhor, dai-me essa sede de vós que existia no coração de Filipe. Iluminai meu coração para que vos conheça e reconheça cada vez mais intimamente. Que minha alegria por vos encontrar seja contagiante, e eu saiba anunciar-vos a outros como o Salvador esperado. Ajudai-me a viver do vosso jeito, e eu vos poderei fazer conhecido não só por palavras, mas por toda minha vida. Amém.