Evangelho segundo São João 14,1-12.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?
Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?».
Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim».
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: "Mostra-nos o Pai"?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai.
Tradução litúrgica da Bíblia
Beato Maria Eugénio do Menino Jesus
(1894-1967)
Carmelita, fundador de Notre Dame de Vie
«O bom Jesus»
Como entrar no seio da Trindade
Durante a sua vida pública, Nosso Senhor revela e explica progressivamente a sua mediação: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida», diz (Jo 14,6). Filho de Deus, gerado eternamente como Verbo do Pai e revelado no tempo como Verbo Encarnado, Jesus transporta em Si a luz incriada que é Deus e toda a luz que Deus quis manifestar ao mundo, a vida que está dentro da Trindade e a vida que Deus deseja derramar nas almas. Nele estão todos os tesouros da sabedoria e da graça, e é da sua plenitude que nós os recebemos.
A nossa graça é filial; esta é uma nota essencial. Recebemos um espírito filial «pelo qual exclamamos: "Abbá, Pai"» (Rm 8,15). No seio da Santíssima Trindade, ou somos filhos ou não somos. Ora, o Pai tem apenas um Filho, o seu Verbo. O ritmo eterno da vida no interior da Santíssima Trindade é imutável: Deus Pai, através do seu autoconhecimento, gera o Verbo que O exprime; o Pai e o Filho, através de uma espiração comum de amor, dão origem ao Espírito Santo. Nem os séculos nem a eternidade alterarão este movimento. Como podemos nós entrar nele e participar nele, como exige a nossa vocação sobrenatural? Só através de uma adoção e de uma ligação tal, que cria uma certa unidade com uma das Pessoas divinas.
O Verbo encarnou, assumiu uma humanidade que atraiu a Si, cativa feliz, para a glória que o Verbo tinha antes de o mundo existir. Através desta santa humanidade de Cristo, o Verbo alcança e atrai todos os que se deixam alcançar pela sua graça. O Cristo inteiro, difuso e completo, é colocado, pela sua unidade com o Verbo, sob a paternidade eternamente fecunda do Pai da luz e da misericórdia, e com Ele espira o amor do Espírito Santo, o qual, sendo Espírito do Pai e do Filho, se torna, consequentemente, o Espírito da Igreja e nosso.