domingo, 15 de março de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Deus não se faz esperar”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Os gritos dos pobres
 
“Jesus contou aos discípulos uma parábola para mostrar-lhes a necessidade de orar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). Há críticas a respeito da oração de pedido, sobretudo se são para coisas materiais ou a situações muito humanas, como no caso da parábola da viúva era desprotegida. Até nisso dependemos de Deus. Jesus explica a oração como uma súplica insistente. A viúva, com sua insistência, convence o juiz a cuidar de sua causa. Deus não se cansa com nossas insistências. Pelo fato de seus escolhidos não terem outra defesa que sua bondade, não vai deixar de lado sua causa e o fará logo, não deixando esperar. As Sagradas Escrituras sempre colocam Deus como protetor dos fracos e pobres. O que venceu o juiz foi a insistência da pobre viúva. As viúvas, com a morte dos maridos, ficavam totalmente desamparadas. O fiel cristão está desprotegido na sociedade, mas tem certeza da pressa de Deus em atendê-lo. Assim deve ser a oração. Não para dobrar Deus, mas para sermos sempre insistentes. A insistência é um modo de oração. Rezar não é falar muitas coisas para Deus, mas muitas vezes a mesma coisa (Beato Charles de Foucauld). E Deus fará justiça bem depressa. A oração insistente é ouvida por Deus que sempre atende e logo. A atitude de Moisés em oração pelo sucesso da batalha é dada como modelo de oração. Assim permanece em oração o tempo todo, com a ajuda de Aarão e Ur que lhe sustentam os braços. A oração participada tem mais valor. Jesus diz uma coisa complicada: “O Filho, quando vier, encontrará fé sobre a terra? (Lc 18,8). Sem a oração a fé desfalece. 
De onde vem nosso socorro? 
A oração permanente é o requisito fundamental para nossas vitórias. É a garantia. O altar é a pedra sobre a qual se firmam os que buscam a Deus em sua oração. O Salmo 120 mostra que o socorro vem de Deus. Essa sempre renovada confiança é a garantia de ter ajuda. Moisés pede a vitória sobre o inimigo. Temos um inimigo muito mais forte porque pode penetrar as decisões de nossa vida. Por isso o salmista diz que levanta os olhos para os montes, para o alto. Lá está Aquele que fez o céu e a terra, por isso pode continuar fazendo tantas coisas. Deus nos guarda constantemente: “Ele não deixa tropeçarem os meus pés e, não dorme quem te guarda e te vigia... O Senhor te guardará de todo o mal, Ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre!”(Sl 120). A proposta permanente de Deus para o sustento de nossa fé é estar sempre cuidando de nós. Nossa resposta é a permanente atitude de estar sempre buscando sua proteção e sua ajuda. Somos fracos, mas temos onde nos escorar. 
A Palavra que reza 
Paulo escreve a seu querido discípulo, a quem nomeara como supervisor de uma grande área de seu ministério, que insistisse muito na formação das comunidades, sobretudo pela pregação. Timóteo sempre fora fiel aprendiz da Palavra. “As Sagradas Escrituras têm poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”. Não basta um conhecimento superficial, como uma bíblia de enfeite. Ela é inspirada por Deus. Na Palavra encontramos o caminho da oração. Rezamos pela Palavra e a Palavra nos ensina a rezar. Por isso Paulo diz a Timóteo que proclame a Palavra e insista. Por isso temos que ouvir a Palavra que nos conduz à oração insistente, pois insistente deve ser nossa oração seja insistente. Moisés ensina a não abaixar os braços. Ensina também que devemos ajudar uns aos outros na oração comum. Ela tem força de vencer as batalhas. 
Leituras: Êxodo 17,8-13; Salmo 120;
2 Timóteo 3,14-4,2; Lucas 18,1-8. 
1. A oração insistente é ouvida por Deus que sempre atende e logo. 
2. A oração permanente é o requisito fundamental para as vitórias. 
3. Temos que ouvir a Palavra que nos conduz à oração insistente. 
Escolinha de Jesus 
Jesus ensina o be-a-bá da oração a seus discípulos. Tudo em Jesus é fácil de compreensão, pois Ele parte da vida comum. Os fatos do dia a dia podem explicar o que quer ensinar. Hoje ensina que a oração tem algo de chato. Chato, não pelo assunto, mas pela insistência. Jesus rezava muito. Pelo que conhecemos Dele, insistia em repetir as mesmas coisas, como vemos em sua dolorosa agonia no Jardim das Oliveiras. Aprendemos, quando estudávamos que a repetição é a mãe dos estudos. Repetindo fixamos o conhecimento. Assim também, buscando sempre, podemos fixar em nós os ensinamentos de Jesus. Ensina também a rezar sempre, não para convencer Deus de nossas necessidades, mas de nos convencer da necessidade de buscar sempre a Deus. 
Homilia do 29º Domingo Comum (20.10.19).

EVANGELHO DO DIA 15 DE MARÇO

Evangelho segundo São João 9,1-41. 
Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?». Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras daquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo». Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; «Siloé» quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver. Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?». Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu». Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram os teus olhos?». Ele respondeu: «Esse homem que se chama Jesus fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: "Vai lavar-te à piscina de Siloé". Eu fui, lavei-me e comecei a ver». Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele?». O homem respondeu: «Não sei». Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?». E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizes daquele que te deu a vista?». O homem respondeu: «É um profeta». Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?». Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador». Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo». Perguntaram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?». O homem replicou: «Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos?». Então insultaram-no e disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas este, nem sabemos de onde é». O homem respondeu-lhes: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer». Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?». E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?». Ele respondeu-Lhe: «Quem é, Senhor, para que eu acredite nele?». Disse-lhe Jesus: «Já O viste: é quem está a falar contigo». O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor». Então Jesus disse: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos». Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós também somos cegos?». Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: "Nós vemos", o vosso pecado permanece». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Beato Columba Marmion 
(1858-1923) 
Abade 
 A compunção do coração 
«Os que não veem ficarão a ver»
«Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós» (1Jo 1,8). 
Esta é uma afirmação luminosa para as almas grandes, as almas santas; pois, estando mais próximas de Deus, que é o Sol da justiça e santidade imaculada, apercebem-se com mais clareza das imperfeições que as maculam; o brilho, a vivacidade da luz divina em que habitam faz que as suas mais pequenas falhas surjam, em contraste, com um marcante relevo; o seu olhar interior, purificado pela fé e pelo amor, penetra mais profundamente nas perfeições divinas; têm uma visão mais clara da sua insignificância; medem melhor o abismo que as separa do infinito. A sua atitude habitual de arrependimento e detestação do pecado é uma constante demonstração de delicadeza sobrenatural, que não pode deixar de agradar a Deus e de inclinar para as suas almas a infinita misericórdia do Senhor. Além disso, o estado de espírito que estamos a examinar não é de modo nenhum, como se poderia supor à primeira vista, incompatível com a confiança e a alegria espiritual, com as efusões de amor e devoção a Deus. Muito pelo contrário! Longe de encontrarem um obstáculo na atitude habitual de arrependimento que é a compunção, o amor e a alegria apoiam-se nela como em sólido fundamento e os seus impulsos brotam dela como de um trampolim.

15 de março - Beato João Balicki

O serviço à misericórdia caracterizou inclusivamente a vida do Beato João Balicki. Como sacerdote, ele sempre conservou o seu coração aberto aos necessitados. O seu ministério de misericórdia expressou-se não apenas na ajuda aos enfermos e aos pobres mas, com particular energia, mediante o ministério do confessionário, que ele exerceu com grandes paciência e humildade, sempre disponível a aproximar de novo o pecador arrependido, ao trono da graça divina. Recordando-o, gostaria de dizer aos sacerdotes e seminaristas: Irmãos, peço-vos que não vos esqueçais de que, como dispensadores da Misericórdia Divina, tendes uma grande responsabilidade; lembrai-vos também de que o próprio Cristo vos conforta com a promessa transmitida através de Santa Faustina: "Diz aos meus sacerdotes que os pecadores endurecidos hão-de enternecer-se diante das suas palavras, se eles lhes falarem da minha ilimitada Misericórdia e da compaixão que alimento por eles no meu Coração". 
Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 18 de agosto de 2002 
João Adalberto Balicki nasceu em 25 de Janeiro de 1869, na localidade de Staromiescie. Cresceu numa família profundamente religiosa, rica de honestidade e virtude.

15 de março - Beato Pio Conde Conde

Beato Pio Conde Conde nasceu em Portela-Allariz, Ourense (Espanha) em 4 de janeiro de 1887 e foi batizado no dia seguinte. Aos 15 anos, ingressou nas escolas salesianas de Sarriá-Barcelona. Lá ele fez o noviciado e fez sua profissão religiosa como salesiano em 03 de fevereiro de 1906. Ele recebeu o sacerdócio em Orihuela em 1914. Exerceu seu sacerdócio em Valência. De lá, foi para Béjar e, em 1923, para a escola Maria Auxiliadora, em Santander. Em 1927, ele foi designado para Vigo-San Matías e, finalmente, em 1933, chegou à casa de Madri, em Estrecho, como páraco da igreja. Em 19 de julho de 1936, ele sofreu com sua comunidade o ataque à escola e a humilhação da multidão que, pessoalmente, o alcançou para causar alguns ferimentos, incluindo derramamento de sangue. Quando ele foi libertado da Diretoria de Segurança Geral, amigos o receberam em sua casa, onde ele permaneceu escondido por alguns meses. Em outubro de 1936, foi procurar refúgio diplomático na embaixada finlandesa. Mas a embaixada foi atacada em 3 de dezembro e as pessoas refugiadas ali foram transferidas em bloco para a prisão de San Antón. A pressão internacional levou as autoridades republicanas a libertar esses detidos.

São Zacarias Papa Festa: 15 de março

Zacarias, último Papa grego, subiu ao trono de Pedro em 741. A situação da época era tempestuosa pelas tensões com o Império do Oriente e com os Lombardos que se espalhavam pela Itália. Zacarias destacou-se pela sua capacidade de mediação. Consagrou o rei Pepino o Breve, algo inédito para um Papa. 
(*)Calábria, c. 700. - (✝︎)752 
(Papa de 12/10/741 a 22/03/752) 
Greco, provavelmente era diácono em Roma quando foi eleito sucessor de Gregório III (731-741). Quando subiu ao trono papal, os lombardos pressionavam os portões de Roma, comandados pelo rei Liutprando. A questão lombarda ocupou Zacaria por muito tempo, que encontrou Liutprando em Terni em 742. O papa, no entanto, também interveio a favor do exarcado de Ravena, invadido em 743, e da Pentápolis, ameaçada pelo duque de Friuli, Raquis. O Papa Zacarias também se viu legitimando a nova dinastia carolíngia na França. Finalmente, convocou dois Sínodos para Roma, em 743 e 745. Ele foi responsável pela tradução dos "Diálogos" de São Gregório Magno, realizados para os mosteiros gregos de Roma e Itália. 
Etimologia: Zacarias = memória de Deus, do aramaico
Martirológio Romano: Em Roma, São Zacarias, papa, que conteveu a veemência da invasão lombarda, indicou aos francos qual era o governo certo, dotou os povos germânicos de igrejas e manteve uma união firme com a Igreja do Oriente, governando a Igreja de Deus com a máxima astúcia e prudência.

Santa Lucrécia de Córdoba, Virgem e mártir - 15 de março

Santa Lucrécia viveu em Córdoba quando esta era uma cidade moura e a conversão de um seguidor do Islã significava pena de morte. Os pais de Lucrecia eram ricos e influentes maometanos. Lucrecia fora convertida por uma parenta de nome Liliosa e fora batizada. Vivia também em Córdoba Santo Eulogio, varão famoso por sua sabedoria, sua cultura cientifica e teológica, seus dotes de prudência, e, quando era preciso, seu arrojo e valentia. Eulógio talvez seja a vítima mais célebre da invasão da Espanha pelos árabes vindos da África ao longo dos séculos VIII ao XIII. A ideia de um Deus que se entregara à morte por amor, com um amor de benevolência, quer dizer, amor de gratuidade absoluta, fascinava Lucrécia. Querendo instruir-se ainda mais no cristianismo, foi à procura do Santo. Santo Eulógio se encarregou de sua educação cristã com todo carinho. Sabia ao que se expunha com este trabalho de catequista. Porém nunca teve medo. Estava consciente de que os pais de Lucrecia se oporiam a que ela deixasse a religião muçulmana.

Longuinho de Jerusalém Soldado romano, Santo (I século)

Centurião romano 
– aquele que espetou a lança 
no peito de Jesus – 
foi o primeiro “gentio”
 a acreditar na divindade de Jesus.
Longuinho viveu no primeiro século, e dele muito se falou e escreveu, sendo encontrado em todos os registros contemporâneos da Paixão de Cristo. Existem citações sobre ele nos evangelhos, epístolas dos Santos Padres, e martirológios tanto orientais como nos ocidentais. Estes relatos levaram a uma combinação de diferentes situações, mas, em todas foi identificado como um soldado centurião presente na cena da Crucificação. Os apóstolos escreveram que ele foi o primeiro a reconhecer Cristo como "o filho de Deus" (27:54 Mateus; 15:39 Marcos; 23:47 Lucas). Em meio ao coro dos insultos e escárnios, teria sido a única voz favorável a afirmar Sua Divindade. Identificado pelo apóstolo João (19:34), como o soldado que "perfurou Jesus com uma lança". Facto este, que o definiu como um soldado centurião e que lhe deu o nome Longuinho, derivado do grego que significa "uma lança". Outros textos dizem que era o centurião, comandante dos poucos soldados que guardava o sepulcro do crucifixo, e que presenciava as crucificações, portanto presenciou a de Jesus. Depois, da qual, se converteu. Segundo a tradição, os crucificados tinham seus pés quebrados para facilitar a retirada da cruz, mas, como Jesus já estava com os pés soltos, um dos soldados perfurou o lado do seu corpo com uma lança.

Luisa de Marillac Esposa e mãe, religiosa, fundaora e Santa (1591-1660)

Santa Luisa, nascida no ano 1591, era filha de uma família nobre. Órfã de mãe muito cedo, seu pai lhe proporcionou uma formação extraordinária em todos os ramos do saber. Era também sumamente piedosa e exemplar. Aos quinze anos quis entrar em um convento de capuchinas, mas a dissuadiram por sua delicada saúde. Morre então seu pai, e a instâncias de seus parentes se casou com o senhor Le Gras. Lê-se no processo de beatificação: “Foi um exemplo de esposa cristã. Com sua bondade e doçura conseguiu abrandar o seu marido, que era de caráter pouco maleável, dando o exemplo de um matrimônio ideal em tudo era comum, até a oração”. Tiveram um filho a quem Luisa tinha um amor sem limites. Esta experiência maternal lhe serviria muito para a futura fundação. Ficou viúva aos trinta e quatro anos. O senhor Le Gras morreu santamente em seus braços. Desde então decidiu entregar-se totalmente a Deus e às boas obras. França estava enredada em guerras de religião no século XVI. Mas no século XVII surge com força uma plêiade de santos, que realizam uma grande tarefa: Francisco de Sales, Joana Francisca, Vicente de Paula, Luisa de Marillac. Luisa se dirigia com Francisco de Sales, que encaminhou a Vicente de Paula. Vicente tinha começado já suas ingentes obras de misericórdia, como as Caridades, associações ao serviço dos pobres. Luisa porá nelas um toque maternal e feminino, todo seu coração. Percorria os povoados, reanimava as confrarias, visitava aos doentes e tudo ficava renovado.

Clemente Maria Hofbauer Redentorista, Santo (1751-1820)

Redentorista, padroeiro de Viena, na Austria.
Baptizado com o nome de João, ele nasceu num pequeno povoado da Morávia, República Tcheca, em 26 de Dezembro de 1751. De família muito cristã e pobre, não pode se dedicar aos estudos até a adolescência. Seus pais Paulo Hofbauer e Maria Steer tiveram doze filhos e ele tinha apenas sete anos, quando ficou órfão de pai. Consta de suas anotações que, nesse dia, sua mãe lhe mostrou um crucifixo e lhe disse: “A partir de hoje, este é o teu Pai”. João entendeu bem a orien-tação, decidindo, a partir de então, que se tornaria padre e missionário. Mas as condições em que vivia a família dificultaram a realização de seu sonho. Aos quinze anos de idade, foi morar na cidade de Znaim, onde aprendeu o ofício de padeiro. Três anos depois conseguiu o emprego que mudou sua vida: padeiro do convento em Bruk, dos premonstratenses. A vocação do jovem foi notada pelo abade, que o deixou estudar, inclu-sive latim. Quando seu benfeitor morreu, João foi viver como eremita, primeiro na Áustria e depois, com a permissão do bispo de Tivoli, próximo à capela de Quintílio. Aí foi onde mudou o nome para o de Clemente Maria, recebendo o hábito do bispo, que mais tarde se tornaria o Papa Pio VII. Certa vez, em outra viagem a Roma, entrou por acaso numa igreja de redentoristas. Foi o primeiro contacto que teve com essa Ordem.

ARTEMIDES ZATTI Leigo, Salesiano, Bem-aventurado (1880-1951)

Não tardou a experimentar a dureza do sacrifício; aos nove anos já ganhava a vida como trabalhador braçal. Nos inícios de 1897, forçada pela penúria, a família emigrou para a Argentina, indo se estabelecer em Bahía Blanca. Ali, Artémides começou a freqüentar a paróquia dirigida pelos Salesianos, e depositou grande confiança no pároco Padre Carlo Cavalli. Aconselhado a se tornar salesiano, foi aceito como aspirante por Dom Cagliero e, já com seus vinte anos, entrou na Casa de Bernal. Entre outras tarefas, foi-lhe confiada a assistência de um jovem sacerdote tuberculoso. Artémides foi contagiado pela doença. Por isso decidiram mandá-lo para o hospital de São José. Ali ele foi acompanhado, de modo especial, pelo sacerdote e médico empírico, Padre Evarisio Garrone. Juntamente com ele, pediu a Maria Auxiliadora a graça da cura, prometendo dedicar toda a sua vida ao cuidado dos doentes. Sarou e manteve a promessa. Começou a ocupar-se com a farmácia anexa ao hospital. Quando o Padre Garrone morreu, Artémides assumiu a total responsabilidade pelo hospital, e o lugar tornou-se o campo da sua santidade. Sua dedicação aos doentes era absoluta.

ORAÇÕES - 15 DE MARÇO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
15 – 2º Domingo da Quaresma –
Evangelho (Jo 9,1-41) “Então, Jesus disse: ─ Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”.
No fato narrado por João, temos de um lado o cego de nascença que passou a ver, e os adversários de Jesus que tinham bons olhos, mas não enxergavam. O cego, tendo vivido momentos intensos, que o deixavam de certo entusiasmado, mas também perturbado, encontrou-se de novo com o Mestre e provocado por ele fez uma declaração fé: ─ Eu creio, Senhor! E ajoelhou-se diante de Jesus.” Daí em diante sua vida terá sido muito diferente. Já os adversários de Jesus, diante de um fato que não podiam negar e da evidência que a cura só podia ser obra de Deus, não quiseram acreditar em sua pessoa. Fecharam os olhos para o que todos viam e, mais ainda, fecharam seu coração à graça divina que os iluminava interiormente. Como disse Jesus, diante dele todos têm de se decidir. Não é possível ficar indiferente.
Oração
Senhor, vós me destes o dom da fé, e me ajudastes, com vossa graça; por isso posso acreditar em vós. Agradeço o me terdes aberto os olhos do coração, e terdes afastado os obstáculos que me impediam de vos conhecer. Creio que sois meu Senhor e meu Deus, creio que só vós me podeis salvar, fazendo-me participante de vossa vida divina. Aumentai a minha fé, iluminai-me para que vos conheça mais intimamente, e ajudai-me a viver de acordo com essa minha fé. Perdoai todas as minhas falhas e infidelidades. Dai-me a graça de ir crescendo sempre na vossa amizade e nessa vida nova que me ensinastes e tornastes possível. Hoje vos quero pedir por todos aqueles que ainda não vos conhecem. Iluminai-os, conquistai seu coração para que afinal vos possam ver como seu Senhor e Salvador. Amém.

sábado, 14 de março de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Milagres que curam”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Deus sem fronteiras
 
Jesus manifesta mais uma vez a grande abertura do Reino de Deus a todos. Continuou na linha profética de um povo missionário aberto a todos os povos. Toma esses dois exemplos para mostrar como Deus busca os mais distantes. E Jesus identifica a fé de pagãos, mais consistente que a fé dos judeus, depositários de todas as promessas. A história de Naamã, que com relutância inicial, obedece e faz o simples gesto de mergulhar sete vezes no rio Jordão, muito inferior aos rios da Síria. Os gestos de Deus em favor dos homens são sempre simples e humildes. A grandeza vem da fé. O milagre leva a uma definição por Deus: “Permite que teu servo leve daqui a terra que dois jumentos podem carregar. Pois teu servo já não oferecerá holocaustos ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor” (2Rs 5,17). O milagre conduz a uma adesão a Deus. O profeta (v.16) recusa presentes pelo milagre. Jesus confirma que Deus acolhe a fé dos pagãos. Jesus retoma a questão mostrando que os estrangeiros têm mais fé. Dez leprosos pedem a Jesus a cura: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós” (Lc 17,13). Ele manda que vão aos sacerdotes. Eram esses que declaravam alguém leproso e os isolava da comunidade e depois comprovava sua cura com documento. O milagre aconteceu enquanto iam. A lepra era uma doença que levava à exclusão total. Jesus cura os dez. Um deles volta para agradecer. E era um samaritano. Voltou para agradecer e dar glória a Deus. Compreendeu o sentido do milagre. 
Cura pela fé 
Jesus se agasta com a ausência dos outros: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser esse estrangeiro?” (Lc 17,17-19). Temos a mesma situação em Naamã. É o estrangeiro que reconhece a ação de Deus. Nesse milagre entendemos a função do milagre e por outro lado, o que se perde com um milagre. Jesus cura a todos. Mas somente o samaritano se salva: “Levanta-te e vai”! Tua fé te salvou”. Jesus não mandou a lepra de volta aos outros nove, mas afirma que o milagre verdadeiro se realizou no samaritano, pois curou também sua fé. Agora ele crê e está salvo. E os outros se curaram, mas não curaram o coração, a fé. Ouvimos que tantas pessoas recebem milagres, mas não modificam sua atitude de fé para uma fé que se defina como vida a partir do coração. A fé provoca uma mudança de direção de nossa vida, colocando-nos no caminho de Jesus, não como uma opção intelectual, mas de vida. A vida se compromete com o Senhor Jesus num processo de vida que atinge também o culto. O culto a Deus exemplificado por Naamã e pelo samaritano, só vai existir quando tivermos uma opção por Deus que envolva toda nossa vida. De resto permanecerá um culto vazio. 
A palavra não está algemada 
“Estejamos atentos ao bem que podemos fazer” (Oração). Isso só nos será possível se estivemos atentos à Palavra. Paulo, mesmo prisioneiro, tem confiança que suas algemas se tornam uma razão para que a salvação chegue a todos: “Por isso suporto tudo pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus” (2Tm 2,10). Reafirma que a Palavra não está algemada. A força de Paulo e seu vigor encontram respaldo na força da Palavra. Ela o estimula sempre mais a, mesmo prisioneiro, continuar seu ministério, sua missão. Vê sua vida como uma união ao Cristo em seu sofrimento e sua glória: “Se com Ele morremos, com Ele viveremos... se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar a Si mesmo” (id 11,13). Assim temos a certeza que a fé é anuncio e vida. 
Leituras: 2 Reis 5,14-17; Salmo 97;
2ª Timóteo 2,8-13;Lucas 17,11-19. 
1. Os gestos de Deus em favor dos homens são sempre simples e humildes.
2. A fé leva a uma mudança de direção de nossa vida, colocando-nos no caminho de Jesus. 
3. A força de Paulo e seu vigor encontram respaldo na força da Palavra. 
Um banho faz bem 
A água lava tudo. A história do sírio Naamã faz lembrar que um bom banho limpa muita impureza. Mas a água que lavou o comandante leproso foi mais longe, lavou seu coração. Ele mudou o rumo de sua vida. De agora em diante só conhece o Deus de Israel. Só a ele vai prestar culto. Ele ficou curado, como o leproso samaritano. Os dois foram além e deram o passo que purificou suas vidas: de agora em diante, coração purificado pela fé. Sem deixar de lado o valor do banho de água, o banho da fé lava muito mais e não exige outro. Homilia do 28º Domingo Comum (13.10.19)

EVANGELHO DO DIA 14 DE MARÇO

Evangelho segundo São Lucas 18,9-14. 
Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: "Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo". O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu; mas batia no peito e dizia: "Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador". Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Morais sobre Job, livro XII, SC 212 
A humildade do coração 
Muitas vezes, o justo que é vencido pela adversidade – tal como aconteceu ao bem-aventurado Job, que, depois de uma vida justa, foi atingido por uma série de flagelos – é obrigado a relatar as suas boas ações. Mas, quando ouve a palavra do justo, o injusto vê nela orgulho em vez de sinceridade, pois julga as palavras do justo com o seu próprio coração e não acredita que as palavras do sábio possam ser proferidas com humildade. Com efeito, se é uma grave falta reivindicar o que não se é, muitas vezes não há falta em reconhecer humildemente a virtude que se possui. Assim, acontece frequentemente o justo e o injusto proferirem as mesmas palavras; mas os respetivos corações estão muito longe de se assemelharem e, consoante vêm do injusto ou do justo, as palavras ofendem ou agradam ao Senhor. Assim, o fariseu que foi ao Templo dizia: «Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo»; mas o publicano saiu do Templo justificado, e ele não. Também o rei Ezequias, estando gravemente enfermo e próximo do fim da vida, dizia, compungido, na sua oração: «Lembrai-Vos, Senhor, como tenho procedido fielmente e de coração sincero na vossa presença» (Is 38,3); e o Senhor não responde a essa declaração de perfeição com desprezo ou a rejeição, mas atende imediatamente a sua oração. Temos, pois, o fariseu, que se declarou justo nas suas obras, e Ezequias, que afirmou ser justo até nos seus pensamentos: a mesma atitude e, contudo, um ofendeu o Senhor e o outro não. Porquê? Porque Deus omnipotente pesa as palavras de cada um de nós segundo os nossos pensamentos, e o seu ouvido não escuta orgulho em palavras que vêm da humildade do coração. Por isso, ao descrever as suas boas obras, o bem-aventurado Job não se encheu de orgulho diante de Deus, pois descrevia humildemente o que tinha realmente feito.

14 de março - Beata Maria Josefina (Catanea) de Jesus Crucificado

Josefina Catanea nasceu no dia 18 de fevereiro de 1894, em Nápoles, no seio da nobre família dos marqueses Grimaldi. Desde pequena mostrou uma predileção particular pelos pobres e pelos mais necessitados, destinando-lhes o dinheiro que lhe davam para brinquedos ou merendas, e ajudando a duas velhinhas que viviam sozinhas. O exemplo de sua avó e de sua mãe foi a escola onde aprendeu a conhecer Jesus e a se enamorar dEle. Tinha uma devoção particular pela Eucaristia e pela Virgem Maria, o que demonstrava rezando o Rosário. Depois de terminados os estudos, em 10 de março de 1918, superando a oposição de sua mãe e de seus familiares, ingressou no Carmelo de Santa Maria, em "Ponti Rossi", lugar assim chamado porque ali se encontravam as ruínas de um aqueduto romano. No Carmelo aprendeu a amar a Cristo em meio ao sofrimento, oferecendo-se como vítima pelos sacerdotes. Soube aceitar a vontade de Deus, embora isto significasse grande dor física: se viu afetada por uma forma grave de tuberculose na espinha dorsal, com dores nas vértebras, que a paralisou completamente. Em 26 de junho de 1922 foi curada milagrosamente, de forma instantânea, depois do contato com a relíquia (braço) de São Francisco Xavier, que lhe levaram até sua cela.

14 de março - Beato Giácomo Cusmano

Antes de mais, o beato Giácomo Cusmano, médico e sacerdote. Ele, para curar as chagas da pobreza e da miséria que afligiam grande parte da população por causa de frequentes carestias e epidemias, mas também de uma desigualdade social, escolheu o caminho da caridade: amor de Deus que se traduzia no amor efetivo para com os irmãos e no dom de si aos mais necessitados e sofredores, por meio de um serviço levado até ao sacrifício heroico. Depois de ter aberto uma primeira "Casa dos pobres", iniciou uma obra mais vasta de promoção social, instituindo a "Associação para a distribuição de comida ao Pobre", que foi como o grão de mostarda do qual surgiria uma planta tão viçosa. Ao fazer-se pobre com os pobres, não se envergonhou de mendigar pelas ruas de Palermo, solicitando a caridade de todos e recolhendo víveres que depois distribuía aos inúmeros pobres que o circundavam. A sua obra, como todas as obras de Deus, encontrou dificuldades que puseram à dura prova a sua vontade, mas com a sua imensa confiança em Deus e com a sua invicta fortaleza de alma superou todos os obstáculos, dando origem ao Instituto das "Irmãs Servas dos Pobres", e à "Congregação dos Missionários Servos dos Pobres". Ele orientou os seus filhos e as suas filhas espirituais para o exercício da caridade na fidelidade aos conselhos evangélicos e na tendência para a santidade. As suas regras e as suas cartas espirituais são documentos de sabedoria ascética em que se harmonizam fortaleza e suavidade.

BEATO PLÁCIDO RICCARDI, MONGE DE S. PAULO FORA DOS MUROS

Natural da Úmbria, Tomás tornou-se beneditino, em 1866, e, ao se tornar sacerdote, recebeu o nome de Plácido. Como grande defensor da Regra, foi enviado a Farfa Sabina para reformar a Abadia, onde foi confessor das monjas eremitas. Faleceu em 1915, depois de anos de malária.
Plácido (no mundo Tommaso) Riccardi (Trevi, 24 de junho de 1844 - Roma, 15 de março de 1915) foi um monge cristão italiano, proclamado beato pelo Papa Pio XII em 1954.
Biografia 
Depois de uma juventude mundana na Úmbria, Tommaso Riccardi mudou-se para Roma em 1865 para estudar filosofia na faculdade Angelicum. Em 1866 entrou para os Beneditinos Cassinesi de San Paolo fuori le mura tomando o nome de Plácido. Após a captura de Roma, ele foi preso como um trapaceiro e levado para a prisão em Florença. Libertado, regressou a Roma onde foi ordenado sacerdote em 1871: tinha entre seus alunos Ildefonso Schuster. Em 1881 contraiu malária, que o afligiu pelo resto da vida: para se recuperar, em 1882 foi enviado ao mosteiro de San Pietro em Perugia. Dedicou-se à direção espiritual dos beneditinos de San Magno.

Beata Eva, Reclusa de S. Martinho de Liège - 14 de março

Martirológio Romano:
Em Liège, na Lorena, Beata Eva do Monte Cornélio, reclusa junto ao cenóbio de São Martinho, que, junto com Santa Juliana, priora do mesmo cenóbio, trabalhou muito para que o papa Urbano IV instituísse a festa de Corpo de Cristo. (1205 - c. 1265). O ambiente em que Eva se educou não era o mais propício para alimentar uma profunda vida cristã: era um mar de dúvidas. Pouco a pouco, entretanto, sua amiga íntima, Santa Juliana de Cornillon, foi lançando luz em todo o rico manancial, ainda inexplorado, de sua estupenda alma. A amizade sincera ajuda em momentos cruciais da existência. Assim, guiada por sua amiga, entrou no convento cisterciense de São Martinho de Liège (Bélgica). Eva teve a felicidade de receber com frequência a visita de sua amiga, que lhe confiava a alegria que sentia de ter fundado um instituto dedicado à glorificação do Sacramento da Eucaristia. Em diversas circunstâncias Santa Juliana teve que estar junto à sua amiga Eva no mesmo convento. Foi quando Eva constatou pessoalmente os êxtases místicos de sua amiga. Inicialmente duvidava deles, mas se convenceu mais tarde do alto grau de santidade de sua amiga e dos êxtases com que Deus a premiava. Graças às duas, o papa Urbano IV publicou a Bula em que anunciava a instituição da Festa do Corpo de Cristo para toda a Igreja. Esta Bula é um documento importante datado de agosto – setembro do ano 1264. Justamente no ano seguinte Eva morria em odor de santidade.

Matilde da Alemanha Rainha, Religiosa, Santa (895-968)

Rainha da Alemanha por ter casado
com Henrique I, rei deste país. 
Depois de diversas vicissitudes, 
entrou para um convento onde 
faleceu em odor de santidade.
Matilde era filha de nobres saxões. Nasceu em Westfalia, por volta do ano 895 e foi educada pela avó, também Matilde, abadessa de um convento de beneditinas em Herford. Por isso, aprendeu a ler, a escrever e estudou teologia e filosofia, facto pouco comum para as nobres da época, inclusive gostava de assuntos políticos. Constatamos nos registros da época que associada à brilhante inteligência estava uma impressionante beleza física e de alma. Casou-se aos catorze anos com Henrique, duque da Saxónia, que em pouco tempo se tornou Henrique I, rei da Alemanha, com o qual viveu um matrimónio feliz por vinte anos. Foi um reinado justo e feliz também para o povo. Segundo os relatos, muito dessa justiça recheada de bondade se deveu à rainha que, desde o início, mostrou-se extremamente generosa com os súbditos pobres e doentes. Enquanto a ela assistia à população e erguia conventos, escolas e hospitais, o rei tornava a Alemanha líder da Europa, salvando-a da invasão dos húngaros, regularizando a situação de seu país com a Itália e a França e exercendo ainda domínio sobre os eslavos e dinamarqueses. Havia paz em sua nação, graças à rainha, e por isso, ele podia se dedicar aos problemas externos, fortalecendo cada vez mais o seu reinado.

ORAÇÕES - 14 DE MARÇO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
14 – Sábado – Santos: Matilde, Eutíquio, Afrodísio
Evangelho (Lc 18,9-14) “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.”
Ao traçar o perfil do fariseu, Jesus é preciso e cortante. Ecoloca-me diante de um espelho impiedoso. Alguns traços podem ser diferentes, mas me reconheço na imagem, pelo menos de vez em quando. Há muita vaidade, muito vazio em mim, orgulho, confiança ingênua em mim mesmo, coragem imensa para julgar e condenar. Tenho de mudar, para só depois voltar e vos procurar no templo.
Oração
Senhor Jesus, até que sois delicado, mas me deixais sem saída. Tenho de mudar muita coisa na vida. De começo ajudai-me a ter coragem para ver como sou de fato. Ensinai-me a pedir perdão, e depois mostrai-me com devo ser, transformai meu coração, dai-me força para refazer minha vida e crescer na minha entrega a vós.Tende piedade de mim,e acolhei-me em vossa morada. Amém.

sexta-feira, 13 de março de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “A Senhora Aparecida”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Mãe conhecida 
Há muitos modos de ver e conhecer uma realidade. Quando nos aproximamos de Nossa Senhora Aparecida, podemos conhecê-la sempre de um modo novo. Penso que além do que já sabemos, vamos ver também o aspecto simbólico. Esse não esvazia o conhecimento e a realidade, mas nos abre sempre a maior compreensão e veneração. A imagem é como uma fonte que sempre jorra água nova. Assim vamos conhecendo mais e amando melhor. O simbolismo da imagem começa em seu encontro nas águas. Ela parte do desconhecido. Não sabemos sua origem. Depois de feita a imagem, deve ter havido um caminho bonito entre as pessoas. O porquê se encontra ali, já nos abre o caminho da Providência. É a Mãe que se adianta aos filhos. Ali ela os esperava. Tirar das águas turvas torna-se um ensinamento. “Nada é impossível àquele que crê” (Mc 9,23). No momento difícil de um trabalho infrutuoso ela se manifesta. “Deus vem em socorro de nossa fraqueza (Rm 8,26). Ao retirar das águas o corpo quebrado de uma imagem sem cabeça e, a seguir o encontro da cabeça, pequenina, que não foi levada pelas águas, viram a presença da Mãe que conheciam, “enviada por Deus”. A seguir, a pesca milagrosa. Como em Caná, a Mãe disse: “Eles não tem mais vinho”. Aqui diz: “Eles não têm peixe”. Esse acontecimento simboliza a contínua atenção de Deus para com seus filhos em necessidade e o faz também pela intercessão da Mãe de seu Filho que veio para que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Os pescadores reconhecem a Mãe que os ajuda. 
Milagres que falam 
Conhecemos a série de milagres que ocorrem nos inícios do culto à Mãe de Deus e Mãe de seus filhos pobres. O socorro milagroso que Nossa Senhora Aparecida, não sei quando começou a ter esse belo nome, se dirige aos pobres necessitados. Sejam as velas que se apagam e acendem, seja o escravo libertado das correntes, seja a menina cega, seja menino afogando-se no rio, o homem e a onça. Os milagres sempre trazem uma resposta a uma situação de grave emergência. Essa emergência se multiplica pela vida com tantos outros nomes. Os milagres significam libertar de situações sem solução. A luz das velas lembra a fé que, às vezes se apagam e acendem. É preciso crer com consistência. As correntes que caem significam para nós a libertação dos males, sobretudo espirituais que o encontro com Nossa Senhora nos ajuda a viver livres e servir a Deus como o fez o escravo. Ela nos abre os olhos, como à menina cega, para vermos o caminho de Deus na Igreja. Como a Igreja é bonita em seus caminhos de libertação da cegueira que nos impede de ver o Reino de Deus acontecendo no mundo. A Igreja, que tem em seu seio a Virgem Mãe, é uma luz nova para nossos olhos. A Mãe socorre nos momentos em que pedimos socorro, como o menino que se afogava e o homem salvo da onça. Grita que a Mãe corre para socorrer imediatamente. Tão celestial e tão humana. Nada de Deus é estranho ao amor.
O cavalo não reza 
Chegamos ao fato do incrédulo que queria entrar a cavalo dentro da igreja de Nossa Senhora Aparecida, basílica antiga. Queria mostrar seu desprezo. Ao forçar o cavalo a subir os poucos degraus, teve a surpresa de ver seu cavalo imóvel preso à pedra do degrau. Assim o homem entra com respeito e veneração, vendo a ação de Deus através do animal. É um chamado muito claro a percebermos que a criação participa da bondade de Deus que através de Maria estende sua bênção a toda a criação. Lembramos que há tantas romarias a cavalo. É a participação da natureza no amor a Nossa Senhora Aparecida.
ARTIGO PUBLICADO EM OUTUBRO DE 2019