sábado, 18 de abril de 2026

ORAÇÕES - 18 DE ABRIL

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
18– Sábado – Santos: Maria da Encarnação, Faustino, Galdino
Evangelho (Jo 6,16-21) “Já estava escuro e Jesus ainda não viera encontrá-los. O mar se agitava, porque soprava um vento forte.”
Ao cair da tarde os discípulos estavam cansados, mas ainda precisavam remar. Vento, mar agitado, e Jesus não estava com eles. Viram um vulto que se aproximava no escuro, andando sobre a água, e ficaram com medo. Jesus disse: “Não tenham medo, sou eu”. O evangelho não conta se depois comentaram o acontecido. O certo é que puderam perceber que Jesus era alguém especial.
Oração
Senhor Jesus, nas horas difíceis, quando mar se agita e o vento sopra, percebemos quanto precisamos de vós. Pensamos que estais longe, ficamos com medo achando que não vos importais. Mas, como dissestes, não precisamos ter medo, porque vós sois quem sois, o Filho de Deus, e podeis ajudar-nos. Estais sempre conosco, e por isso a viagem sempre será curta e o mar sem perigo. Amém.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Ramos e cruz”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Teu Rei vem a ti
 
A grande viagem da vida de Jesus começou em Belém, passou por Nazaré, Galiléia e agora, passando por Betfagé, indo ao Monte das Oliveiras. Pelos profetas sabemos que o Senhor virá por aí no seu terrível dia (Zc 14,4). Ali acontece sua subida aos Céus. A entrada de Jesus na cidade lembra os projetos de Deus sobre o mundo: “Dizei à filha de Sião (Jerusalém): Eis que o teu rei vem a ti, manso e montando num jumento” (Mt 21,5). Rei manso que vai destruir as armas e reunir o povo na paz. A expressão filha de Sião indica a esposa, a futura mãe de muitos filhos, esposa do rei, esposa gloriosa, esposa bendita e feliz. O rei vem pessoalmente. Ele será seu numa aliança nupcial fiel e divina. É o Grande Rei (Sl 47,3) que vem de seu trono celeste para tomar posse de sua cidade (Tomás Frederici). “Não é um rei terrível com armas, mas o maravilho rei pacífico que destrói todos os projetos de guerra”. A jumenta é mansa e está amamentando um jumentinho que acompanha a mãe na entrada solene. É um rei manso e humilde de coração. Os discípulos estendem suas vestes e os ramos para que ele passe. É aclamado como Rei Messiânico. A aclamação tem a conotação de Divindade – Aquele que vem. É nome Divino. Encontra-se presente nesse momento a aclamação do salmo 23,7 “Levantai, portas, vossos frontões, elevai-vos antigos portais, para que entre o Rei da Glória”. A entrada de Jesus em Jerusalém não pode ficar só num fato festoso, mas penetrar todo o mistério do Deus que vem tomar posse de sua cidade para constituir um novo Reino.
Fez-se escravo 
Após a festa da entrada, a liturgia assume o caráter de séria tristeza. É uma compenetração do mistério sob o prisma da dor da qual participamos pelos nossos sentimentos e atitudes durante a celebração. A leitura da “Paixão” nos leva a buscar os porquês de um momento tão doloroso. Mas é preciso reter firme que o Crucificado é o mesmo Ressuscitado. A Paixão e Morte fazem parte da vida do Messias de Deus. “Ele esvaziou-se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2,7-8). A condição de escravo é a condição de todo homem que se deixa escravizar pelo mal. O sofrimento de Jesus não é somente dor física, mas dor espiritual. Sente-se tão unido ao homem que se coloca na condição de separação do Pai que “O abandona”. A primeira morte de Jesus vem em sua condição espiritual que será completada pela sua condição sofredora de homem frágil que assumiu o pecado da humanidade. “Aquele que não conhecera pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por Ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5,21). Tornar-se pecado pode ser entendido como ser solidário com o gênero humano. O termo pecado significa também ser sacrifício e vítima pelo pecado (Biblia de Jerusalém). Temos que ir além da dor física. 
Não sairei humilhado
O profeta Isaías, no canto do servo sofredor, proclama a certeza que Jesus carrega todo seu sofrimento: “Conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não serei humilhado” (Is 50,7). Mesmo clamando “Meu Deus, por que me abandonastes” (Sl 21 –Mt 27,46), Jesus mantém a certeza na presença do Pai que O acolhe sempre, arranca um grande brado e entrega sua alma a Deus. Somente o Filho de Deus pode chegar inteiro a esse momento. Ele leva consigo a humanidade que não perde sua esperança. É a semente da Páscoa que germina no Filho e em todos. O mundo não pode apagar essa chama. 
Leituras Mateus 21,1-12;Isaias 50,4-7;
Salmo 21;
Filipenses 2,6-11; Mateus, 27,11-54 
1. A entrada de Jesus em Jerusalém não é só festa, mas vem tomar posse de sua cidade. 
2. A leitura da “Paixão” nos leva a buscar os porquês de um momento tão doloroso. 
3. Jesus mantém a certeza na presença do Pai que O acolhe sempre. 
Era mesmo? 
O final do Evangelho de Mateus traz a declaração de fé do oficial que comandara a crucifixão de Jesus: “Ele era mesmo Filho de Deus”. A fé se abre a partir do mal que fizera. Ele cumpria ordens, mas Jesus realizava sua missão. Quem não tinha a fé poderia dizer: “Ele era filho de Deus?”... Tanto que diziam: “Se tu és o Filho de Deus, desce da cruz” (Mt 27,40). É a conversa que o demônio usara nas tentações de Jesus no deserto. Nós podemos ficar com essa dúvida quando vemos as muitas situações que passamos: Se é tão Divino, porque não interfere em nossa vida. Ele pode responder: fui tão Divino que tive a ousadia de ser humano e passar pelo que passei. Podemos, com Jesus,assim passar por nossos problemas sem perder a direção de Deus 
Homilia do Domingo de Ramos (05.04.2020)

EVANGELHO DO DIA 17 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 6,1-15. 
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar, e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-lo para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.
Tradução litúrgica da Bíblia 
Cardeal Joseph Ratzinger 
(Bento XVI Papa de 2005 a 2013) 
Meditationen zur Karwoche, 1969
«Dai-lhes vós de comer» (Mt 14,16) 
No pão da eucaristia, recebemos a multiplicação inesgotável dos pães do amor de Jesus Cristo, que é suficientemente rico para saciar a fome de todos os séculos, e que procura assim a colocar-nos, também a nós, ao serviço desta multiplicação dos pães. Os poucos pães de cevada da nossa vida poderão parecer inúteis, mas o Senhor precisa deles e pede-no-los. Tal como a própria Igreja, também os sacramentos são fruto do grão de trigo que morre (cf Jo 12,24). Para os receber, temos de entrar no movimento de onde eles provêm. Este movimento consiste em nos perdermos a nós próprios, sem o que não nos podemos encontrar: «Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida por causa de Mim e do Evangelho salvá-la-á» (Mc 8,35). Esta palavra do Senhor é a fórmula fundamental da vida cristã; a forma característica da vida cristã vem-lhe da cruz. A abertura cristã ao mundo, tão enaltecida atualmente, só pode encontrar o seu verdadeiro modelo no lado aberto do Senhor (cf Jo 19,34), expressão deste amor radical, que é o único capaz de salvar. Do lado perfurado de Jesus crucificado saíram sangue e água. Aquilo que é, à primeira vista, sinal de morte, sinal do mais completo fracasso, constitui ao mesmo tempo um começo novo: o Crucificado ressuscita e não morre. Das profundezas da morte surgiu a promessa da vida eterna. Por cima da cruz de Jesus Cristo resplandece já a claridade vitoriosa da manhã de Páscoa. É por isso que viver com Ele sob o signo da cruz é sinónimo de viver sob a promessa da alegria pascal.

Beata Mariana de Jesus (Navarro), Religiosa Mercedária - 17 de abril

Ana Maria Guevara Navarro Romero, conhecida como Mariana de Jesus (Madrid, 1565-1624) foi uma freira espanhola da Ordem das Mercês e não deve ser confundida com Santa Mariana de Jesus, do século XVII, religiosa equatoriana chamada o Lírio de Quito, ou Ana de Jesus, religiosa de Valladolid do final do século XVI e cujo processo de beatificação está em curso em Roma. Mariana de Jesus nasceu em Madrid em 17 de janeiro de 1565, no seio de uma família rica associada aos círculos judiciais. Seu pai era um negociante de peles ao serviço do Rei Filipe III. Mariana cedo se sentiu atraída para a vida religiosa. Para fazê-la aceitar o matrimônio, o pai a colocou na cozinha sob o controle de uma serva de caráter difícil; depois da morte da mãe, a esta humilhação veio ajuntar-se os maus tratos por parte da mulher que seu pai desposara. Mariana, entretanto, manteve-se inabalável no seu propósito. Obrigada a viver na casa paterna, passou nela uma vida de retiro e de rigorosas austeridades. Deus a encheu de favores extraordinários. Naquele período, Mariana era dirigida no caminho da perfeição pelo padre mercedário João Batista Gonzales, tendo ele feito isto até sua morte em 1598. Em 1598, ela retirou-se como penitente na ermida de Santa Bárbara da capital do reino, ajudada pelo religioso mercedário e outras pessoas piedosas. Em 1606 entrou para a Ordem das Mercês, ali recebendo em 1613, o hábito de terceira.

Santos Simeão Bar Sabba'e, Ustaziade e companheiros Mártires na Pérsia

Em 324, Simeão, conhecido como Bar Sabbá, tornou-se Bispo de Selêucia, na Pérsia. Vinte anos depois, o rei Sapor II retomou as perseguições contra os cristãos, das quais Simeão foi vítima, junto com alguns companheiros e com o eunuco da sala real, Usthazade, que se converteu antes do martírio.
Festa: 17 de abril 
Pérsia, 341-344 
São Simeão, conhecido como Bar Sabba'e ou "filho do fulleiro", foi nomeado bispo (católico) de Selêucia-Ctesifonte na Pérsia, após a deposição do bispo anterior em 324. Quando, em 340, o rei persa Shapur II reacendeu as ferozes perseguições contra os cristãos, não hesitou em impor a eles o pagamento dobrado dos impostos e decretar o fechamento de todos os locais de culto. Vendo a pobreza da maioria das pessoas, Simeão recusou-se a receber o dinheiro solicitado e, por isso, foi preso. Levado diante do rei, ele não queria se prostrar diante dele, nem adorar o deus sol, e isso constituiu um pretexto para as autoridades prenderem-no com cem pessoas. Simeão também conseguiu recuperar a fé cristã Usthazade, eunuco do salão real e educador do próprio soberano, que mais tarde foi martirizado. Simeão permaneceu preso por muito tempo com mais de cem companheiros, bispos, padres e membros de várias ordens religiosas e, finalmente, foi decapitado por último após ver todos os seus companheiros massacrados diante de seus olhos. (Avvenire) 

São Roberto de Molesme, Abade de Citeaux-Festa: 17 de abril

Roberto, monge em Molesme, França, queria uma estreita observância da Regra beneditina, em contraposição dos seus confrades. Em 1098, fundou uma nova abadia em Cîteaux, cujos monges, mais tarde, seriam chamados Cistercienses. Faleceu em 1111 e foi canonizado, um século depois, por Honório III. 
(*)Troyes, França, c. 1024
(✝︎)Molesme, França, 21 de março de 1111 
São Roberto de Molesme era como o grão de trigo que deve morrer para dar fruto, e sua "morte" ocorreu nas mãos de seus próprios confrades. Na verdade, quando Molesme foi fundado, ele se viu cercado por inúmeros irmãos, que já não alimentavam a mesma aspiração que ele de renunciar à riqueza e ao prestígio. Ele então tentou fundar uma nova fundação: fez isso em Cîteaux com a colaboração do inglês Santo Estêvão Harding, mas seus irmãos invejosos o fizeram retornar a Molesme, sem permitir que realizasse as reformas necessárias. Talvez tenha sido precisamente seu sacrifício, semelhante ao de Abraão, que permitiu primeiro a Stephen Harding e depois, acima de tudo, ao grande São Bernardo iniciar e consolidar a experiência reformadora de Cîteaux, com sua vida pobre e austera, em uma rigorosa fidelidade à regra beneditina, cujo convite para se sustentar com o trabalho de suas próprias mãos também foi aceito. 
Etimologia: Roberto = brilhando com glória, do alemão
Emblema: Equipe pastoral 
Martirológio Romano: No mosteiro de Molesme, na França, São Roberto, abade, que, em busca de uma vida monástica mais simples e austera, já incansável fundador e reitor de mosteiros, além de guia de eremitas e distinto reformador de disciplina regular, fundou um mosteiro cisterciense, do qual foi o primeiro abade e, depois, retornando a Molesme como abade, ali descansou em paz.

Beata Clara Gambacorti, Viúva, Abadessa dominicana – 17 de abril

Martirológio Romano:
Em Pisa, na Toscana, Beata Clara Gambacorta que, ao perder seu esposo muito jovem, aconselhada por Santa Catarina de Siena fundou o mosteiro de São Domingos sob uma regra austera e dirigiu com prudência e caridade as Irmãs, distinguindo-se por haver perdoado o assassino de seu pai e de seus irmãos. 
A Beata Clara era filha de Pedro Gambacorta, que chegou a ser praticamente o senhor da República de Pisa. Clara nasceu em 1362; seu irmão, o Beato Pedro de Pisa (17 de junho), era sete anos mais velho. Pensando no futuro de sua filha, que em família era chamada de Dora, apócope de Teodora, seu pai a prometeu em casamento a Simão de Massa, rico herdeiro, embora a menina tivesse apenas 7 anos. Apesar da tenra idade, Dora costumava tirar o anel de noivado durante a missa e murmurava: “Senhor, Tu sabes que o único amor que eu quero é o Teu”. Quando os pais a enviaram para a casa de seu esposo, aos doze anos de idade, ela já havia começado sua vida de mortificação. Sua sogra mostrou-se amável com ela, mas quando percebeu que era demasiado generosa com os pobres, proibiu sua entrada na despensa da casa. Desejosa de praticar de algum modo a caridade, Dora se uniu a um grupo de senhoras que assistiam aos enfermos e tomou a seu encargo uma pobre mulher cancerosa. A vida matrimonial de Dora durou muito pouco tempo: tanto ela como seu esposo foram vítimas de uma epidemia na qual seu marido perdeu a vida.

Aniceto Papa, Mártir e Santo (+ 166)

Aniceto nasceu na Síria e foi sucessor do papa são Pio I, em 155, no tempo em que Antonio era o imperador romano. Entretanto, além da perseguição sistemática por parte do Império, o papa Aniceto teve de enfrentar, também, cismas internos que abalaram o cristianismo. A começar por Valentim, passando por Marcelina, que fundou a seita dos carpocratitas, considerada muito imoral pela Igreja, e chegando a Marcion, um propagador, com dotes de publicitário, que arregimentou muita gente, e muitos outros. Sem contar a questão da celebração da Páscoa. Todos eles formaram seitas paralelas dentro do catolicismo, dividindo e confundindo os fiéis e até colocando-os contra a autoridade do papa, desrespeitando a Igreja de Roma. Contudo o papa Aniceto tinha um auxiliar excepcional, Policarpo, que depois também se tornou um santo pelo testemunho da fé, e o ajudou a enfrentar todas essas dificuldades. Policarpo exerceu, também, um papel fundamental para que pagãos se convertessem, por testemunhar que a Igreja de Roma era igual à de Jerusalém. Outro de seus auxiliares foi Hegesipo, que escreveu um livro defendendo o papa Aniceto e provando que ele, sim, seguia a doutrina cristã correta, e não os integrantes das seitas paralelas. Mesmo com tão excelente ajuda, o papa Aniceto teve uma árdua missão durante os quase onze anos de seu pontificado, morrendo no ano 166, quase aniquilado pela luta diária em favor da Igreja. Embora tenha morrido num período de perseguição aos cristãos, a Igreja não cita a sua morte como a de um mártir.

MARIA ANA DE JESUS ROMERO Religiosa mercedária, Beata (1565-1624)

Maria Ana Navarro de Guevara y Romero nasceu em Madrid em 17 de Janeiro de 1565, no seio de uma família rica que estava relacionada comos círculos cortesãos. Seu pai era um peleiro no serviço do rei Filipe II. Mariana foi rapidamente atraída pela vida religiosa. Com a idade de 22 anos já tinha decidido de entrar num convento, apesar da forte oposição de seu pai — que, cedo viúvo, tinha voltado a casar — e de sua madrasta, que tinham arranjado o seu casamento com um jovem. No entanto, de pouco servíramos intentos por parte dos pais para impedirem a sua vocação. Diz a lenda que chegou a desfigurar o rosto e a cortou o cabelo, de maneira a ser rejeitada por seu noivo. Em 1598 retirou-se como penitente na ermida de santa Bárbara na capital do reino. Foi ali ajudada por Frei João Baptista do Santíssimo Sacramento, religioso mercedário e reformador da Ordem, que foi seu Director espiritual até à morte, e também por outras pessoas piedosas. Estabeleceu a sua morada numa pequena casa, vizinha do convento dos mercedários descalços, onde passou vários anos dedicando-se à oração e à penitência, assim como ao serviço dos pobres e necessitados da cidade.

Catarina Tekakwitha Leiga, Santa (1656-1680)

Kateri Tekakwitha, para nós Catarina, foi a primeira americana pele-vermelha a ter sua santidade reconhecida pela Igreja. Ela nasceu no ano de 1656, perto da cidade de Port Orange, no Canadá. Seu pai era o chefe indígena da nação Mohawks, um pagão. Enquanto sua mãe era uma índia cristã, catequizada pelos jesuítas, que fora raptada e levada para outra tribo, onde teve de unir-se a esse chefe. Não pôde baptizar a filha com nome da santa de sua devoção, mas era só por ele que a chamava: Catarina. O costume indígena determina que o chefe escolha o nome de todas as crianças de sua nação. Por isso seu pai escolheu Tekakwitha, que significa "aquela que coloca as coisas nos lugares", mostrando que ambas, consideradas estrangeiras, haviam sido totalmente aceitas por seu povo. Viveu com os pais até os quatro anos, quando ficou órfã. Na ocasião, sobreviveu a uma epidemia de varíola, porém ficou parcialmente cega, com o rosto desfigurado pelas marcas da doença e a saúde enfraquecida por toda a vida. O novo chefe, que era seu tio, acolheu-a e ela passou a ajudar a tia no cuidado da casa. Na residência pagã, sofreu pressões e foi muito maltratada. Catarina, que havia sido catequizada pela mãe, amava Jesus e obedecia à moral cristã, rezando regularmente.

Luciano Botovasoa Leigo, Mártir, Beato (1908-1947)

Leigo africano, martirizado em ódio à fé. 
Foi beatificado em 15 de Abril de 2018
 em Madagáscar.
Luciano Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, na Província de Fianarantsoa, uma pequena cidade perto da costa sudeste de Madagáscar, onde os missionários chegaram em 1899. Primeiro de nove filhos, frequentou o Colégio São José de Ambozontany, dirigido pela Companhia de Jesus, sendo baptizado aos 14 anos na paróquia de Vohipeno em 15 de Abril de 1922, Domingo de Páscoa. No mesmo dia ele fez sua Primeira Comunhão e no ano seguinte recebeu a Confirmação. Em 1928, ao concluir os estudos, obteve o diploma de habilitação ao ensino e, já no mês de Outubro do mesmo ano, tornou-se professor paroquial de Vohipeno, fazendo seu o lema da Companhia de Jesus: “Ad maiorem Dei gloriam”.(Para a maior glória de Deus) Em 10 de Outubro de 1930, casou-se com Suzanne (Suzana) na igreja paroquial de Vohipeno e, em 2 de Setembro do ano seguinte, nasceu Vincent de Paul Hermann, o primeiro dos seus oito filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram.

Nossa Senhora dos Milagres 17 de abril

Aparição em Corbetta (MI), 17 de abril de 1555
 
Quem não gostaria de brincar com o menino Jesus? Pois bem, em Corbetta, perto de Milão, três crianças vêem descer de uma imagem de Nossa Senhora, o menino Jesus que se junta a elas seguido pela Virgem. Pode parecer um conto de fadas, mas há documentos históricos e milagres para provar isso. O Menino Jesus escapa do braço de Nossa Senhora e sai à rua para brincar com três dos seus pares. Aconteceu em 17 de abril de 1555, a primeira quinta-feira após a Páscoa, em Corbetta, uma cidade elegante, também devido à presença de numerosas vilas patrícias, a cerca de vinte quilômetros de Milão na estrada para Vigevano". Essa notícia sensacionalista poderia ser considerada pura fantasia, se não tivesse o apoio de dados históricos. Os três meninos que brincam na praça têm um nome: Cesare dello Stampino, Antonio della Torre e seu irmão Giovanni Angelo, dez anos de idade, surdo-mudo de nascimento, familiarmente chamado Navello. Na fachada da igreja de São Nicolau está pintada uma bela imagem de Nossa Senhora, sentada num trono, com o Menino Jesus no colo. Naquele dia, como todos os dias, três meninos estão brincando na praça em frente, quando de repente um grito, com uma voz articulada: "A Criança! Nossa Senhora!" interrompe o jogo e atrai a atenção de todos. Foi o próprio João que primeiro percebeu que o Menino Jesus tinha descido à praça para brincar com eles. Sua maravilha flui para o grito de alegria e, ao mesmo tempo, ele recupera o uso da palavra.

ORAÇÕES - 17 DE ABRIL

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
17– Sexta-feira – Santos: Aniceto, Roberto, abade, Hermógenes
Evangelho (Jo 6,1-15) “Vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: ─ Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?”
Jesus viu o povo que o procurava. Viu sua necessidade de ajuda espiritual, mas também de ajuda material, de alimento para sua fome. Aliás, ele sempre estava atento aos sofrimentos a seu redor. Vejo que minha preocupação não pode ser apenas anunciar a salvação espiritual. Tenho de procurar fazer o necessário para que todos tenham também o necessário para sua vida temporal.
Oração
Senhor Jesus, fazei-me atento às necessidades todas de meus irmãos, não só as religiosas, mas também as gerais do corpo e do espírito. Ensinai-me a partilhar meus bens com os necessitados, e dar a colaboração de meu trabalho para que tenham uma vida digna. E ajudai-me a cobrar das autoridades as providências necessárias e honestidade total na administração do bem comum. Amém.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Cristo é Vida”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Quem crê, não morrerá
 
Na perspectiva da espiritualidade quaresmal chegamos à terceira indicação na qual culmina toda a caminhada de Jesus e nossa que é a Vida. Jesus dissera: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 25-26). A Vida que Lhe vem da Ressurreição é a mesma que nos é dada. O milagre da ressurreição de Lázaro ensina que Cristo dá a vida, pois tem o poder sobre a morte. Seu ministério público consistiu sempre em gerar a vida. Pelas leituras, podemos entender que o Batismo dá a Vida Eterna. Depois de passar pelas águas, somos iluminados e recebemos a Vida Divina. Se Jesus pode ressuscitar um morto já em decomposição, o que supera a condição humana, pode nos dar a Vida Divina, que é Vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10). Fazemos uma comparação com a cura do paralítico que foi descido pelo teto da casa: Jesus, para dizer que tem o poder de Deus para perdoar pecados cura o paralítico. Ele não só diz, mas faz. O banho do batismo é um gesto simbólico que significa e realiza a purificação e dá a Vida. Mortos (sepultados nas águas) ressuscitamos para a Vida Nova. O mergulho nas águas não se realiza pela quantidade de água, mas pela imensidão das águas da vida Divina onde somos imersos. Vemos o paralelo com a ressurreição de Lázaro. Estava morto. É o que justifica toda a festa da Páscoa: Jesus estava sepultado, morto, sem vida. Deus O ressuscita. Assim se realiza no Batismo. Recebemos a Vida eterna que é a vida de Deus. 
Vida cristã penetra toda a vida 
Como podemos interpretar para nossa vida espiritual? Temos uma vida a levar adiante. Cuidamos bem de nosso corpo e de nossas atividades. A verdadeira espiritualidade está em cuidar da vida de Deus em nós. Essa fica descuidada. É o que Paulo chama atenção a viver segundo o Espírito e não segundo a carne, pois assim não agradamos a Deus. Se Cristo está em nós, nosso espírito está cheio de vida. E vamos ressuscitar como Jesus (Rm 8,8-11). A espiritualidade quaresmal nos estimula a viver intensamente a vida cristã. O que vemos em nós é um desencanto com a religião, pois não nos preocupamos em viver com vigor e alegria a Vida Divina que está em nós. Essa deve ser a preocupação primeira com nossa pessoa e com os que nos cercam. Por exemplo: cuidamos o máximo das crianças, mas não zelamos da outra metade, a vida espiritual dura para sempre, que é a Vida Divina que receberam no Batismo. Dando vida ao corpo de Lázaro, mostrou que nos dá a Vida em sua Ressurreição. Cuidemos dela. Quando temos amor à Vida, ela penetrará nossa vida. Os que procuram viver a vida cristã de modo mais coerente, procurem viver mais o batismo no compromisso com a Palavra de Deus, na dedicação à comunidade e à missão. Evitem espiritualidade individualista que não converte o coração nem dá a Vida Divina. 
Caminhar com a mesma alegria 
Estamos chegando ao fim de nossa caminhada quaresmal. Ela é uma preparação para o momento central da vida cristã que é a Páscoa, celebrada na Vigília Pascal. A Páscoa invade toda a vida cristã. Por isso rezamos na oração da missa: “Dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”. O amor é o núcleo da Páscoa. Onde existe amor, ali está a Ressurreição. Toda vida de Jesus foi amor. Nele evangelizou, sofreu e ressuscitou. É nosso caminho. Quando estamos no fundo do poço podemos dizer: “Clamo a vós, Senhor!”. 
Leituras Ezequiel 37,12-14; Salmo 129; 
Romanos 8,8-11; João 11,1-45 
1. A Vida que Lhe vem da Ressurreição é a mesma que nos é dada. 
2. A espiritualidade quaresmal nos estimula a viver intensamente a vida cristã. 
3. A Páscoa invade toda a vida cristã. 
O defunto andou 
Carregar um defunto já não é grande coisa, mas ver um defunto sair da cova, muda muito o assunto. Foi o que aconteceu quando Jesus ressuscitou Lázaro. Até a irmã dizia que já estava cheirando mal. Mas Jesus queria vida e queria mostrar que pode dar a vida e vai retomá-la para Si. Lázaro sai do tumulo. Imaginemos a cena. Mas a cena maior é a força de Jesus que dá vida. O processo quaresmal quer conduzir a uma vida nova através do banho da ressurreição. Depois de ressuscitar um morto, podemos ter certeza que Ele próprio terá essa experiência de morte para a vida. É o que nos leva a compreender que também passaremos por esse processo. 
Homilia do 5º Domingo da Quaresma (29.03.2020)

EVANGELHO DO DIA 16 DE ABRIL

Evangelho segundo São João 3,31-36. 
«Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da Terra, à Terra pertence e da Terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu; mas ninguém recebe o seu testemunho. Quem recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. De facto, Aquele que Deus enviou diz palavras de Deus, porque Deus dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se recusa a acreditar no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Jean Tauler 
(1300-1361) 
Dominicano de Estrasburgo 
Sermão para a Festa de Natal 
«Aquele que Deus enviou diz as palavras de Deus» 
Tal como Maria, os servos de Deus devem procurar frequentemente o silêncio e a calma dentro de si mesmos, recolher-se no seu íntimo, esconder-se espiritualmente para se preservarem e fugirem dos sentidos, e conceder a si mesmos um lugar de silêncio e de repouso interior. É sobre este repouso interior que a Escritura canta, a propósito do momento em que o Verbo eterno saiu do coração de seu Pai: «Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite ia a meio do seu curso, a vossa Palavra omnipotente, Senhor, veio do alto dos Céus, do seu trono real, para o meio duma terra de ruína» (Sab 18,14-15). É no meio do silêncio, precisamente no momento em que todas as coisas estão mergulhadas no mais profundo silêncio, quando o verdadeiro silêncio reina, que se escuta verdadeiramente este Verbo. Se desejas que Deus fale, precisas de fazer silêncio; para que Ele entre, todas as coisas devem sair.

As Maravilhas de Santa Bernadette – festa 16 de abril

    Nascida em uma família humilde que, aos poucos, caiu na pobreza extrema, Bernadette Soubirous sempre foi uma criança frágil. Desde pequena, sofria de problemas digestivos. Depois, tendo escapado por pouco de ser vítima da epidemia de cólera de 1855, sofreu dolorosas crises de asma, e sua saúde precária quase a afastou para sempre da vida religiosa.
     Quando Monsenhor Forcade pediu para levar Bernadette, a Madre Superiora das Irmãs de Nevers respondeu: “Monsenhor, ela será um pilar da enfermaria”.
     Ela viveu no convento por treze anos, passando grande parte desse tempo, como previsto pela Madre Superiora, doente na enfermaria.
     Quando uma colega freira a acusou de ser "preguiçosa", Bernadette respondeu: "Meu trabalho é ficar doente".
     Ela foi gradualmente acometida por outras doenças além da asma: entre elas, tuberculose pulmonar e um tumor no joelho direito.
     Rezemos a Santa Bernadette para que nos ajude nestes dias de enfrentamento das nossas doenças. Ela sofreu bravamente para salvar almas. Que ela nos ensine também a ter tanta confiança na misericórdia de Deus e um grande amor por Nossa Senhora.
     Que Nossa Senhora de Lourdes, Imaculada Conceição, Auxiliadora dos Enfermos, rogai por nós e nos conceda a graça da perseverança para rezar o Rosário diariamente, fazer penitência e emendar nossas vidas.
Santa Bernadette, rogai por nós!

Engrácia de Saragoça Virgem e Mártir, Santa (ca. + 303-304)

Engrácia era uma jovem de Bracara Augusta (actual Braga) prometida em casamento a um nobre da região de Rossilhão, na província da Gália Narbonense, sul da actual França. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio (por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga diocese de Eauze, dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia. Ao chegar à cidade de César Augusta (actual Satagoça) e ao inteirar-se das atrocidades que o governador, Daciano, estava a cometer junto dos cristãos (por decreto do Imperador), apresenta-se espontânea e directamente diante de si para o confrontar com as crueldades, injustiças e a insensatez com que tratava os seus irmãos de religião. Termina martirizada com a oferta da sua própria vida e a dos seus companheiros, assim que se percebe que era também cristã. Nos registos do martírio, os feitos encontram-se descritos da maneira tradicional, tanto que acaba por ser difícil separar a realidade dos factos daquilo que poderá ser produto da imaginação, consequência da piedade dos cristãos. Com efeito, o diálogo entre a frágil donzela e o cruel governador afigura-se-nos claro: ela usando raciocínios humanos e firmes na sua fé com que acusa a injustiça cometida (que hoje diríamos serem questões de Direitos Humanos), a existência de um deus único a quem serve, a loucura dos deuses pagãos e a disposição em sofrer até ao fim pelo amado; ele, por seu turno, utiliza recursos como o castigo, a ameaça, a promessa e a persistência.

Frutuoso de Braga Bispo de Dume e de Braga, Santo († 665)

Bispo de Dume e depois de Braga. 
Fundou vários mosteiros em Braga e arredores.
Quase uns 90 anos depois de S. Martinho de Dume falecer, é S. Frutuoso que vem presidir na Sé de Braga, depois de, também como ele, ter estacionado na de Dume. E, como aquele, também Frutuoso procede de além-fronteiras, este último da diocese de Astorga. Tomou posse de Braga em 656. A vida monástica gozava então de honra e estima, como o refúgio ou terra privilegiada da virtude e cultivo da ciência, primariamente da ciência e cultura sagradas. Por isso, S. Frutuoso surge como o assíduo e incansável cultor do monaquismo e fundador de uns dez mosteiros. Primeiro, vários na Hispânia que cedo se tornaram célebres, em várias e distantes províncias, percorridas nesta audaciosa propaganda de fundações monásticas. Tentou também uma viagem ao Oriente, que não conseguiu realizar, porque o rei visigodo Recesvinto, sabedor das suas fundações na Galiza, o designou para bispo de Dume, para poder assegurar assim, para esta província, os múltiplos bens do seu apostolado.

Arcanjo Canetoli Arcebispo de Florença, Beato (1460-1513)

Arcebispo de Florença, na Itália. 
Antes de ser nomeado Arcebispo, em 1484 
vestiu o hábito dos Cónegos Regulares 
de Santa Maria de Reno.
O Beato Arcanjo nasceu em 1460 em uma das famílias mais nobres de Bolonha: os Canetoli. Era mundo violento, cheio de assassinatos e rivalidades, que caracterizavam a Bolonha de seus dias. Sua família foi responsabilizada pela morte de Annibale Bentivoglio num clima de lutas. Assim, o pai e todos os irmãos de Arcanjo foram assassinados e somente este último, ainda criança, conseguiu salvar-se graças a circunstâncias fortuitas. Em 29 de Setembro de 1484 vestiu o hábito dos Cónegos Regulares de Santa Maria de Reno, no convento do Santíssimo Salvador de Veneza, onde teve o encargo de acolher os peregrinos, chegando inclusive a dar as boas-vindas a quem assassinou a seu pai e irmãos. Recebeu a ordenação sacerdotal e em 1498 é transferido para o mosteiro de Santo Ambrósio perto de Gubbio. Passou os doze anos seguintes amadurecendo em sabedoria e santidade, o que notavam todos os que entravam em contacto com ele, em quem encontravam uma fonte inesgotável de esperança e valentia para os tempos difíceis. Um dos testemunhos dizia que "sua santidade é como uma luz que brilha sempre e em todas partes, e o mais formoso e profundo é que aparece desde as sombras". A fama aumentou e Arcanjo deixou o mosteiro de Santo Ambrósio para atender os que necessitavam.

Bento José Labre Leigo, Santo (1748-1783)

“O cigano de Cristo”, este também é seu apelido, que demonstra claramente o que foram os trinta e cinco anos de vida de Bento José Labre, treze deles caminhando e evangelizando pelas famosas e seculares estradas de Roma. Aliás, o antigo ditado popular que diz que “todos os caminhos levam a Roma” continua sendo assim para todos os cristãos. Entretanto, principalmente no século XVII, em qualquer um deles era possível cruzar com o peregrino Bento José e nele encontrar o caminho que levava a Deus. Ele era francês, nasceu em Amettes, próximo a Arras, no dia 27 de março de 1748, o mais velho dos quinze filhos de um casal de agricultores pobres. Frequentou a modesta escola local, mas aprendeu latim com um tio materno. Ainda muito jovem, quis tornar-se monge trapista, mas não conseguiu o consentimento dos pais. Com dezoito anos, pediu ingresso no convento trapista de Santa Algegonda, mas os monges não aprovaram sua entrada. Percorreu a pé, então, centenas de quilómetros até a Normandia, debaixo de um inverno extremamente rigoroso, onde pediu admissão no Convento Cisterciense de Montagne. Também foi recusado ali, tentando, ainda, a entrada nos Cartuchos de Neuville e Sept-Fons, com o mesmo resultado. Foi então que, com vinte e dois anos, tomou a decisão mais séria da sua vida: seu mosteiro, já que não encontrava guarida em nenhum outro, seriam as estradas de Roma.