quarta-feira, 30 de setembro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Visão da Glória”.

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
PADRE JOSÉ OSCAR BRANDÃO(+)
REDENTORISTAS NA PAZ DO SENHO
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Este é meu Filho, o Amado
 
O segundo domingo da Quaresma nos revela o resultado da vitória sobre a tentação e a meta de toda a vida cristã: a transfiguração que nos conduz à futura visão da glória de Cristo: “Purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de vossa glória”. No prefácio rezamos: “Com o testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela Paixão e Cruz, chegará à glória da Ressurreição”. Assim compreendemos que o tempo quaresmal nos insere na caminhada de Cristo que está voltada para a Glória. O mal não pode deixar o homem sem direção. Temos um destino: o Céu. Por que Jesus passa por esse momento de glória “antecipada”? Para os três discípulos escolhidos como testemunhas qualificadas, aquele momento vai apagar e dar sentido ao trauma que vai ser sua morte na cruz. Os discípulos puderam entrar na “nuvem”, isto é, na presença do Pai. Moisés a Elias significavam a compreensão que doravante deverão dar à Lei e aos profetas. Jesus diz: “Era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24,44). Acontece naquela Teofania a voz do Pai: Este é meu Filho, o Escolhido. Escutai o que Ele diz (Lc 9,35). 
Experiência de Abraão 
No texto sobre a aliança de Deus com Abrão, (que se chamará Abraão a partir do capítulo 17,4-6: que significa pai de multidão de nações), lemos sobre a promessa da terra. Daí por diante se desenvolvem os encontros de Deus com o patriarca. Por que esse é colocado junto com o evangelho da Transfiguração? Lendo os textos da primeira leitura do domingo da Quaresma, vemos diversos momentos da caminhada do povo de Deus. Deus dirige seu povo através dos patriarcas e profetas. No segundo domingo temos o ponto de partida com a aliança de Deus com Abraão na qual promete uma terra. No terceiro domingo, temos a maravilhosa manifestação de Deus a Moisés, primeiro passo da libertação do Egito. No quarto domingo lemos a entrada do povo na terra, celebrando a Páscoa. Cumpriu-se a promessa. No quinto domingo, Isaias profetiza o êxodo da Babilônia. Não mais um deserto sofrido, mas “rios na terra seca para dar de beber ao povo” (Is 43, 20). Moisés e Elias, com Jesus transfigurado, revelam a transfiguração do povo de Deus a partir dos patriarcas. A fé vai purificando nosso olhar para visão da glória. Abraão, na terrificante experiência de Deus, recebe uma terra. Nessa terra Moisés e Elias contemplam o Descendente Maior. Os três apóstolos querem uma presença física: “Faremos três tendas” (Lc 9,33). Mas Jesus, com sua Ressurreição traz uma presença maior: “Uma nuvem os cobriu e da nuvem saiu uma voz: “Este é meu Filho, o Dileto, escutai o que Ele diz!” (Id 35). 
Cidadãos dos céus
“Nós comungamos, Senhor Deus, no mistério da vossa glória, e nos empenhamos em render-Vos graças porque nos concedeis, ainda na terra, participar as coisas do Céu” (Pós- Comunhão). A cena da Transfiguração é para os cristãos que passam pela nuvem do pecado, com tantos temporais, um estímulo e um alívio. O pecado não é um fim. Não é um beco sem saída. Se para Cristo houve a transfiguração com sua Ressurreição, também para os pobres pecadores, haverá uma transfiguração, pelas graças dos sacramentos pascais que respondem à conversão quaresmal. A celebração desse domingo nos estimula a seguir o caminho palmilhado por Cristo, para chegar à glória. 
Leituras: Genesis 15,5-12.17-18; Salmo 26; 
Filipenses 3,20-4,1; Lucas 28b-36-9 
1. Purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de vossa glória. 
2. Moisés e Elias, com Jesus transfigurado, revelam a transfiguração do povo de Deus a partir dos patriarcas. 
3. A cena da Transfiguração é para os cristãos um estímulo e um alívio. 
Trocando de roupa 
Coisa difícil é escolher a roupa certa para a hora certa. E é certo que se erra. Jesus teve essa experiência na alta montanha quando se transfigurou. Era tudo muito chic . Tinha visitas importantes. Ele escolheu o branco brilhante. Assim mostrava, por sua roupa, sua mensagem. Explicava quem Ele era. Filho Dileto do Pai tinha que mostrar que sua união ao Pai deixava ver que o Pai é Luz. Assim mostra aos discípulos que eles serão luzes reflexas de sua união com o Pai.
Homilia do 2º Domingo Comum (13.03.2022)

EVANGELHO DO DIA 30 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,57-62. 
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos iam a caminho de Jerusalém, quando alguém Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas, e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o Reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Francisco Xavier 
(1506-1552) 
Missionário jesuíta 
Carta de 22/10/1552 
«Seguir-Te-ei para onde quer que fores»: 
um grande missionário
perante os perigos 
Numerosos decretos proíbem a entrada na China. Mas, para lá dos riscos de prisão e de maus tratos, existem outros muito maiores, que passam despercebidos aos habitantes desse país. Em primeiro lugar, a perda da esperança e da confiança em Deus, quando é por seu amor e ao seu serviço que damos a conhecer a sua Lei e Jesus Cristo, seu Filho, nosso Redentor e Senhor, como Ele bem sabe. Uma vez que foi pela sua santa misericórdia que nos comunicou estes desejos, perder agora confiança nessa misericórdia e no seu poder por causa dos riscos que poderemos correr ao seu serviço é um perigo incomparavelmente superior aos males que todos os inimigos de Deus nos podem causar. Se isso for importante para o seu serviço, Deus proteger-nos-á de todos os perigos desta vida. Por isso, temos a segurança das palavras do Senhor: «Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna» (Jo 12,25); e também destas, semelhantes às primeiras: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus». Quanto a nós, tendo em consideração estes perigos para a alma, que são muito superiores aos do corpo, pensamos que é mais seguro e evidente enfrentar os riscos corporais. Seja de que maneira for, estamos decididos a ir à China.

São Gregório, o Iluminador , Bispo, Apóstolo dos Armênios -Festa: 30 de setembro 257 - 332

Gregório, o Iluminador, é o apóstolo dos armênios, uma nação que se converteu ao cristianismo em 301. Nascido por volta de 260, ele escapou de um massacre de sua família e foi criado na fé por sua ama. Próximo ao rei Tiridates, ele se recusou, no entanto, a sacrificar aos deuses pagãos, como este desejava. Foi preso. Então Tiridates, que estava doente, o libertou e ele foi curado. Assim, a nação se tornou cristã. Ele morreu em 328. Algumas relíquias estão na igreja de San Gregorio Armeno em Nápoles, na rua de mesmo nome, famosa por seus presépios. Outras estão em Nardò e Constantinopla. A mais importante é seu braço direito, com o qual na Armênia o novo Katholikos é abençoado. (Avvenire)
Emblema: Cajado pastoral 
Martirológio Romano: Na Armênia, São Gregório, chamado o Iluminador, bispo, que após grandes trabalhos retirou-se para uma caverna na confluência dos braços do rio Eufrates e ali repousou em paz, tendo alcançado fama como apóstolo dos armênios.

São Francisco Borgia Sacerdote-Festa: 30 de setembro

Descendente da família Borja, Francisco nasceu em Gandia, Espanha, em 1510. Casado e pai de 8 filhos, foi vice-Rei da Catalunha, mas jamais descuidou da sua fé. Viúvo, deixou tudo e entrou para a Companhia de Jesus, da qual foi Comissário Geral. Fundou as Missões na América do Sul e morreu em 1572. 
(*)Gandia, Espanha, 28 de outubro de 1510 
(+)Roma, 30 de setembro de 1572 
Nascido em 1510 em Gandia, Espanha, foi pajem na corte de Carlos V. Casou-se com Leonor de Castro, com quem teve oito filhos. Apesar das exigências do cargo de vice-rei da Catalunha, não negligenciou uma intensa vida espiritual. Após a morte da esposa, ingressou na Companhia de Jesus e, depois de se tornar sacerdote, alternou a pregação com a escrita de tratados espirituais. Renunciou ao cardinalato, mas aceitou importantes cargos na Companhia, como o de Comissário Geral.

São Simão de Crepy, Mônaco-Festa: 30 de setembro

Simão, conde de Crépy, renunciou às suas riquezas e matrimônio para dedicar-se à vida monacal; depois, no eremitério do Monte Jura, recebia muitos peregrinos, que buscavam ser iluminados pela sua sabedoria. Transferiu-se para Roma, onde morreu em 1082, sepultado na Basílica de São Pedro. 
(*)Crépy-en-Valois, França, por volta de 1048 
 (+)Roma, 1082 
 Pertenceu a uma das famílias aristocráticas mais importantes da França do século XI e foi Conde de Valois, Amiens e Vexin antes de gradualmente abandonar o poder político para se dedicar à vida monástica. Documentos contemporâneos ou quase contemporâneos permitem reconstruir alguns momentos-chave de sua vida, enquanto a tradição hagiográfica posterior enriqueceu a história com inúmeros detalhes sobre sua conversão e sua vida como eremita.

Beata Felícia Meda, Abadessa Clarissa - 30 de setembro

Felícia Meda nasceu por volta de 1378; não há uma fonte segura que permita estabelecer o local de seu nascimento nem sua família de origem. O erudito Gallucci diz que ela era originária de Meda (não distante de Novara, Itália), mas o comentário das Acta sanctorum (pp. 752-754) conclui como sua cidade natal Milão. A tradição erudita dos Frades Menores refere que ela teve um irmão e uma irmã, esta também Clarissa, mas sem documento comprobatório. Entre 1398 e 1400, Felícia entrou no mosteiro milanês de Santa Úrsula a Porta Vercellese. O mosteiro, que surgira no século anterior como uma fundação agostiniana, foi o primeiro a adotar a Regra Clariana. Depois de vinte e cinco anos de vida religiosa, em que praticou uma eximia regularidade e um admirável rigor, foi eleita Superiora do convento de Santa Úrsula, que sob sua direção tornou-se um modelo de virtude e piedade.

Santa Sofia ou Sonia, Mártir - 30 de setembro

Santa tradicional, não incluída no Martirológio Romano atual. Martirológio Romano (1956): Em Roma, Santa Sofia, Viúva, mãe das santas virgens e mártires Pistis (Fé), Elpis (Esperança) e Agape (Caridade). (c. século II) Santa Sofia, cujo nome significa “Sabedoria Divina” teve por filhas as três virgens: Fé, Esperança e Caridade, nomes escolhidos por ela no batismo, pelo amor que dedicava a essas virtudes cristãs. Santa Sofia buscou sempre a perfeição evangélica, sendo agraciada por Deus com o dom de contemplar as grandezas celestiais, educando suas filhas num reto amor pelas virtudes, numa época de intensas perseguições ao Cristianismo - por volta do século 130 d.C. Sofia e suas filhas viveram na época da perseguição do imperador romano Adriano e seu prefeito Antíoco.

SANTA EUSÉBIA Abadessa,Virgem e Religiosa

Santa Eusébia, a mais jovem abadessa da França, pertenceu a uma família de muitos santos. Viveu na região de Artois, na Nêustria, França; conhecida como Santa EUSÉBIA abadessa de Hamay-sur-la-Scarpe que, depois da morte do pai, Santo Adalberto, se consagrou com sua santa mãe RICTRUDES à vida monástica e, ainda adolescente, foi eleita abadessa para suceder à avó Santa GERTRUDES. Filha de Santo ADALBERTO e de Santa RICTRUDES, EUSÉBIA teve como madrinha a rainha NATILDE que lhe deu as terras de Verny, perto de Soissons, França. Aos oito anos perdeu o pai e no ano seguinte acompanhou a mãe RICTRUDES para o mosteiro que fundou em Marchiennes. GERTRUDES, sua avó, que governava a abadia de Hamage, quis ter EUSÉBIA junto de si; esta contava apenas doze anos, quando foi eleita para suceder à avó. RICTRUDES que tinham elevado a abadessa em Marchiennes, achava que a filha era demasiado jovem para governar uma abadia; e deu-lhe ordem de que viesse formar-se sob a sua própria direcção.

Jerónimo de Stridon Padre e Doutor da Igreja, Santo ca. 340-420

São Jerónimo é contado entre os maiores Doutores da Igreja dos primeiros séculos. De cultura enciclopédica, foi escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialéctico, historiador, exegeta e doutor como ninguém, nas Sagradas Escrituras. Jerónimo nasceu na Dalmácia, hoje Croácia, por volta do ano 340. Tendo herdado dos pais pequena fortuna, aproveitou para realizar sua vocação de amante dos estudos. Para este fim, viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e onde passou a juventude um tanto livre. Recebeu o baptismo do papa Libério, já com 25 anos de idade. Viajando pela Gália, entrou em contacto com o monacato ocidental e retirou-se com alguns amigos para Aquiléia, formando uma pequena comunidade religiosa, cuja principal actividade era o estudo da Bíblia e das obras de Teologia. Jerónimo tinha um carácter indómito e gostava de opções radicais; desejou, portanto, conhecer e praticar o rigor da vida monacal que se vivia no Oriente, pátria do monaquismo.

Conrado d'Urach Monge de Cister, depois Cardeal, Beato + 1227

Filho do Conde Egino, o Barbudo d’Urach e de Inês von Zähringen, Conrado é nomeado, ainda muito jovem cónego, do cabido de São Lourenço de Liège (Bélgica). Mais tarde, ele abandona todos os seus títulos e torna-se monge de Cister na abadia de Villers-en-Brabant, da qual acaba por ser nomeado Abade em 1209. Mosteiro de Clairvaux onde estavam os restos mortais de Conrado d'Urash Como o permite a “Carta Caritatis” da Ordem ele foi eleito, alguns anos mais tarde, Abade do Mosteiro no qual a Ordem teve a sua origem, o de Clairvaux (1214), fundado por São Bernardo. Três anos mais tarde foi eleito Abade de Citeaux (1217), o que fez dele o Abade geral da Ordem de Cister. As qualidades humanas e espirituais do homem explicam esta ascensão tão rápida como notável, no seio da Ordem.

Fredrico Albert Sacerdote, Fundador, Beato 1820-1876

Frederico Albert nasceu a 16 de Outubro de 1820 em Turim (Itália), onde seu pai, de Chateau-Beaulard, perto de Oulx, prestava serviço como alto oficial do exército da Sardenha. Sendo o filho mais velho, estava-se preparando para entrar na Academia Militar da cidade, quando um dia foi orar diante do túmulo do Beato Sebastião Valfré, o chamado “Apóstolo de Turim”. Mais tarde, abandonou a ideia de entrar para o exército e começou, ao contrário, os estudos para o sacerdócio. Depois da ordenação sacerdotal, que aconteceu a 10 de Junho de 1843, o seu primeiro encargo, que durou nove anos, foi o de capelão do rei. Em 1852, numa ocasião que se tornou famosa, Vítor Manuel II, acompanhado pela família e toda a corte, esteve presente a uma das homilias quaresmais de Frederico. O texto da homilia escolhido para aquele dia foi a história da mulher apanhada em adultério, que São João conta no seu Evangelho.

ORAÇÕES - 30 DE SETEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
30 –Quarta-feira – Santos: Jerônimo, Simão de Crépu, Gregório, o Iluminador
Evangelho (Lc 9,57-62) “Um outro ainda lhe disse: – Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares.”
Jesus continua a passar e a chamar-nos para  o seguir. Para cada um ele tem um chamado  especial, e uma tarefa a ser cumprida, a cada momento ou pela vida toda. Preciso estar atento ao que me diz pessoalmente, pronto a fazer o que espera de mim. Mas, só ele pode dar-me a prontidão generosa e a coragem necessária para o seguir. É o que preciso pedir-lhe toda hora.
Oração
Senhor Jesus, não preciso ficar a esperar por vós, pois estais continuamente a passar. Eu é que ainda não aprendi a vos ver, a vós que usais tantos disfarces. Ajudai-me a vos ouvir, porque não falais alto. Não deixeis que fique sentado quando passares pela minha porta. Mas que me levante logo, feche a porta e vá para a rua onde esperais. Sem levar quase  nada, mas com alegria. Amém.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - Origens da Quaresma

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Uma história a contar
 
Pode-se conhecer a reforma da Quaresma decidida pelo Vaticano II, se conhecemos a história desse tempo litúrgico. Do contrário se pode continuar a desviar seu sentido litúrgico e espiritual. De acordo com os autores a celebração da Páscoa nos três primeiros séculos da vida da Igreja não tinha um período de preparação. Só havia o jejum nos dois dias precedentes. É bom notar que a organização da vida da Igreja e sua liturgia foram muito lentas. Não se tratava de renovar a graça do Batismo, pois viviam o tempo do testemunho pelo martírio. Era mais um prolongamento da alegria pascal por 50 dias. Depois do edito de Constantino em 313, começaram a sentir a necessidade de chamar os fiéis a uma maior coerência com o Batismo. Nascem as primeiras prescrições referentes à preparação para a Páscoa. No Oriente, encontramos acenos nos princípios do sec. IV, nas cartas pascais de S. Atanásio. Vale lembrar que Alexandria tinha a competência de estudar e comunicar às Igrejas a data da Páscoa. Ele escrevia às Igrejas dizendo que o simples fato de anunciar a data da Páscoa, já provocava uma grande alegria (330-347). Tempos bons! S. Cirilo de Jerusalém, em suas Catequeses mistagógicas, já se refere a esse período. Eusébio de Cesaréia escreve “a solenidade da Páscoa”. No Ocidente temos, no fim do século IV, o testemunho Etéria, na Espanha, em seu Itinerárium (ano 385), Santo Agostinho, para a África e Santo Ambrósio para Milão. Não se sabe como se formou em Roma. 
Formou-se progressivamente 
Em Roma há uma tradição bonita das “estações”. No século VI e VII, Papa Gregório Magno deu à Quaresma uma grande importância. Celebravam-se as estações. São dias de jejum e celebrações nas principais igrejas romanas. Perdeu-se o uso com o tempo. João XXIII deu impulso e atualmente se realizam as celebrações. O Papa abre a Quaresma na Igreja de Santa Sabina, muito antiga, que era a primeira estação. É curioso que o atual esquema de leituras segue, em parte, a tradição das leituras desse período. Os textos escolhidos tinham uma ligação com a igreja local. Por exemplo: Numa Igreja de S. João, que tinha um poço na entrada, usou o texto da samaritana. É muito interessante como se procurou conservar a tradição litúrgica. Os missais pré-conciliares trazem a indicação da “estação”. Agora se retomou essa tradição. É um modelo muito bom para as paróquias grandes e dioceses. A Quaresma pode se tornar uma grande missão. Pensando na descristianização, pode ajudar. É bom uma boa teologia da Quaresma para fugir de termas que são estranhos a seu conteúdo. Mesmo agora se trabalha mal sua finalidade.
Temas a recuperar 
A orientação fundamental para o tempo da Quaresma está na definição litúrgica que recupera o sentido original: “O tempo da Quaresma visa a preparação da Páscoa”. Precisamos purificar inclusive nossas boas idéias. A Campanha da Fraternidade, as penitências quaresmais, as tradições lindas, as devoções devem trazer essa mentalidade, do contrario não ajudam. Perdendo o sentido pascal, acaba por perder o valor desse tempo. As tradições sem essa direção perderam a razão por essa causa. As adaptações devem convergir para a compreensão da Ressurreição. A Paixão toca mais nossos sentimentos. Mas, sem a Ressurreição são vãos nosso sentimento, nossa pregação e nossa fé (1Cor 15,14-19).
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2022

EVANGELHO DO DIA 29 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 1,47-51. 
Naquele tempo, Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?» Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: "Eu vi-te debaixo da figueira", acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cirilo de Jerusalém 
(313-350) 
Bispo de Jerusalém, 
doutor da Igreja 
Catequese batismal n.º 16, 22.23 
«O Espírito Santo penetra
 todas as coisas, 
até o que há de mais
 profundo em Deus» (1Cor 2,10) 
Grande, poderoso nos seus dons, admirável: assim é o Espírito Santo. Viste o seu poder estender-se a todo o mundo; não permaneças, pois, na Terra, mas eleva-te ao Céu, eleva-te em pensamento ao primeiro Céu e vê as incontáveis miríades de anjos. Esforça-se por te elevares ainda mais através das reflexão, e vê também os arcanjos, vê também os espíritos, vê as virtudes, vê as dominações. Pois o Chefe supremo de todos esses espíritos, o Senhor e santificador, é o Paráclito. Entre os homens, Elias, Eliseu, Isaías, todos precisam dele; entre os anjos, Miguel e Gabriel, precisam dele. Não há criatura que seja igual a Ele em honra, pois as várias categorias de anjos e todos os seus exércitos reunidos não se comparam ao Espírito Santo: a bondade infinita do Paráclito eclipsa todos estes seres. Ele são enviados para um ministério, ao passo que Ele perscruta as profundezas de Deus, como diz o Apóstolo: «O Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus» (1Cor 2,10). De facto, quem conhece os pensamentos de um homem a não ser o seu próprio espírito? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus a não ser o Espírito de Deus.

29 de setembro - São João de Dukla

Estas palavras do profeta Isaías, propostas na primeira Leitura, foram lidas por Jesus na sinagoga de Nazaré no início da Sua atividade pública: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu. Enviou-Me a levar a boa nova aos que sofrem; a curar os de coração despedaçado, a anunciar a anistia aos cativos, e a liberdade aos prisioneiros; proclamar um ano de graça da parte do Senhor. Naquele dia, na sinagoga, Jesus anunciou o seu cumprimento: o Espírito Santo consagrara com a unção precisamente a Ele, em vista da Sua missão messiânica. Mas aquelas palavras têm um valor que se estende também a todos aqueles que são chamados e enviados por Deus para continuar a missão de Cristo. Elas, portanto, podem referir-se certamente também a João de Dukla, que hoje me é dado incluir entre os Santos da Igreja. Dou graças a Deus, porque a canonização do Beato João de Dukla pode ter lugar na sua terra natal.

29 de setembro - Beato Francisco de Paula Castelló i Aleu

Não menos edificante foi o testemunho dos demais mártires, como o jovem Francisco Castellói i Aleu, de vinte e dois anos, químico de profissão e membro da Ação Católica que, consciente da gravidade do momento não se escondeu, mas ofereceu a sua juventude em sacrifício de amor a Deus e aos irmãos, deixando-nos três cartas, exemplo de fortaleza, generosidade, serenidade e alegria, escritas poucos momentos antes de morrer, às suas irmãs, ao seu diretor espiritual e àquela que fora sua noiva. 
Papa João Paulo II
– Homilia de Beatificação – 
11 de março de 2001 
Francisco de Paula Castelló i Aleu nasceu em Alicante (Espanha) em 19 de abril de 1914. Seu pai morreu quando ele era apenas um bebê e sua mãe, professora, cristã exemplar e excelente educadora, encarregou-se da família.

São Miguel Arcanjo

«À medida que nos aproximávamos daquele grupo,
 comecei a ouvir o coro: 
"Maria, intercedei por nós", 
como também "Miguel”, “Pedro” 
e “Todos os Santos"». (Purgatório, 49-51) 
Estes são os versículos do Purgatório de Dante, no Canto XIII. O Poeta vagueia comovido entre as almas dos invejosos, enquanto a área do círculo, onde se desenvolve a cena, é invadida por vozes misteriosas, que recordam exemplos de caridade. Das sombras atormentadas também se elevam ladainhas. Imploram a intercessão da Virgem e, logo depois dela – e antes de Pedro e de Todos os Santos – invocam o nome de “Miguel”. Quando cita o Arcanjo no capítulo 51, o autor da Comédia, no Canto precedente, acabava de ver o outro anjo, definido «a mais nobre das criaturas», caindo «do céu e despencando como um raio».

São Gabriel Arcanjo

"Ave, cheia de graça, 
o Senhor está contigo... 
Eis que conceberás um filho 
e lhe darás o nome de Jesus. 
Ele será grande e será chamado
 Filho do Altíssimo" (cf. Lc 1,26-38)! 
Este anúncio do Arcanjo Gabriel a Maria é o mais conhecido na história. A tradição da Igreja identifica, no anúncio do Anjo à Virgem e no seu dócil acolhimento da vontade divina, o momento em que Deus assumiu a natureza humana: "O Verbo se fez carne" (cf. Jo 1,14). Trata-se da Anunciação, que a Igreja celebra no dia 25 de março do calendário litúrgico. O Anjo Gabriel revelou ainda a Maria: "O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Portanto, aquele que nascerá de ti será Santo e chamado Filho de Deus". No Evangelho de Lucas, lemos "foi enviado"; logo, o Arcanjo Gabriel é o mensageiro de Deus, encarregado de explicar à "Virgem, prometida a um homem da casa de Davi, chamado José", o modo com o qual Deus deveria se encarnar.

São Rafael Arcanjo

Na Bíblia, há todo um livro que apresenta o arcanjo Rafael como protagonista. Ele era companheiro de Tobias, o jovem filho de Tobit e Ana, encarregado, por seu pai, de realizar uma missão delicada: devia empreender uma dura viagem, não isenta de perigos. 
O grande coração de Tobit 
A história do arcanjo Rafael é narrada no Livro de Tobias, na época da revolta dos Macabeus. Tobit, pai do menino, era um homem generoso, que se esforçou, durante o período da deportação assíria, para aliviar o sofrimento dos seus compatriotas; dividiu seus bens com os mais pobres, era pródigo nas esmolas e pagava pontualmente o dízimo, com o que ganhava das suas terras e do seu gado; sua piedade o levava a arcar até com o enterro de cadáveres abandonados. As vicissitudes da vida o fizeram, de repente, perder todos os bens e, depois de um gesto de caridade, até a visão. Naquelas alturas, Tobit pediu ajuda ao seu filho.

Santas Ripsima, Gaiana e comp., Mártires na Armênia – 29 de setembro

                     

A vida destas santas, bem como a de São Gregório o Iluminador, também chamado São Gregório Armênio (1), são recordadas nas fontes da tradição armênia. As Actas destas virgens apresentam pormenores extravagantes, mas não há dúvida de que a veneração a estas virgens e mártires existe desde tempos imemoriais na Armênia. Ripsima é venerada no Egito com o nome de "Arepsima" (ver Analecta Bollandiana, vol. XIV (1927), pp. 157 e 395), como também nos textos em árabe e no Martirológio Sírio de Rabban Silba.