terça-feira, 6 de outubro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Eu não te condeno”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Quem não tiver pecado
 
O acusador, além das pedras, tem todas as armas contra o pecador, no caso da mulher colhida em adultério. Já andavam de olho nela. Queriam condenar, não a mulher, mas a misericórdia de Jesus. Essa os incomodava muito mais que os erros da mulher. Jesus estava ensinando agora dá uma aula prática sobre sua doutrina da misericórdia. Queriam ver o que dizia sobre o que a lei ensinava: “Moisés na lei mandou apedrejar tais mulheres... Que dizes tu? Diziam isso para experimentar Jesus e terem motivo de acusá-Lo” (Jo 8,1,ss). Era a lei. Jesus começou a escrever no chão. O que escrevia? Podemos nos pensar acusadores dos acusadores dizendo que Jesus escrevia os pecados deles. Mas penso que Jesus rabiscasse como a dizer: esse assunto não se me refere. Quando se diz que as coisas boas se escrevem nas pedras para a memória. As coisas más, se escrevem na areia porque não precisam ser lembradas. “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra. Jesus se sente frágil e também assume a condição da mulher, pecadora, que precisa de vida e não de condenação. “Eu vim para que tenham vida” é sua lei. “E foram saindo um a um a começar dos mais velhos” (Jo 8,9). É muito triste o pecado envelhecido. Pior é que ele leva a outros piores. O medo da mulher receber uma condenação do Mestre se transforma em um alívio;(:) “Eu também não te condeno. Podes ir, e de ora em diante não peques mais” (id 11). Voltados para a Páscoa notamos que(,) o perdão que nos é dado pelo Mistério Pascal, é total e maravilhoso. 
Força de Cristo 
No modo de Cristo agir encontra-se um novo modo de força. Quem assume Cristo em sua vida experimenta a força de sua Ressurreição. Paulo coloca o conhecimento de Jesus acima de tudo. É uma batalha contínua. A força da Ressurreição é profetizada pelas grandes maravilhas de Deus por Seu povo no Egito que se tornam pequenas na libertação do povo do exílio: “Eis que faço novas todas as coisas”. Fez uma estrada no mar, agora uma estrada no deserto onde faz correr rios de água no deserto. Mais que tudo isso é a Ressurreição de Jesus. Todas as coisas se tornam perda “diante da vantagem suprema de conhecer Jesus Cristo”. A expressão é magnífica: “Por causa Dele perdi tudo”. Considero tudo como lixo, para ganhar Jesus Cristo e ser encontrado unido a Ele. A história do povo de Deus se resume nos diversos acontecimentos da história de cada um. Uma vez que nos decidimos por Cristo, o que fazemos por Ele, e Ele faz por nós, é sempre um retrato do Êxodo e das profecias. Nós lemos as Escrituras como uma narrativa bonita, e não como um espelho de nossa vida. Como é bom se sentir escolhido no seio de Abraão, ser libertado por Moisés no Egito, consagrado na lei do Sinai e purificado no deserto. 
Maravilhas fez conosco 
Tendo o pé firme na Ressurreição, temos força e coragem de dizer como Paulo: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está à frente”. Rezamos: “Dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” (Oração). Esta é a dinâmica do Mistério Pascal de Cristo: O amor é sempre uma entrega pelo mundo. “Não tem maior amor que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). O amor que Paulo manifesta por Cristo é a maior pregação que possa fazer aos seus Filipenses. 
Leituras:Isaías 43,16-21; Salmo 125; 
Filipenses3,8-14; Jo 8, 1-11 
1. O perdão que nos é dado pelo Mistério Pascal, é total e maravilhoso. 
2. Nós lemos as Escrituras como uma narrativa, e não como um espelho de nossa vida. 
3. Esta é a dinâmica do Mistério Pascal de Cristo: O amor é sempre uma entrega pelo mundo. 
Eu tenho pecado 
Esse texto da adúltera bagunça a cabeça da gente. Uma mulher que iria ser apedrejada é levada diante de Jesus. Aqueles que cumpriam a lei e a iriam apedrejar queriam mesmo era pegar Jesus. E usam essa isca da pecadora. O que passou pela cabeça dessa infeliz? Ela não se diz pecadora. Somente diz que não foi condenada. Escapou por um triz. Vamos nos colocar no lugar dela e dizer: Eu tenho pecado. E Jesus nos diz: “Ninguém te condenou?” – “Ninguém, Senhor”. Olha que conversa gostosa! Mas eu tenho pecado e reconheço. Mas ninguém me condenou. É uma escola. Deus não condena ninguém. Chama para ser acolhido. Como continuaria a história dessa mulher: “Vai e não peques mais”. São as muitas chances que Deus nos oferece. Homilia do 5º Domingo Comum (03.04.2022)

EVANGELHO DO DIA 06 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Lucas 10,38-42. 
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Agostinho 
(354-430) 
Bispo de Hipona 
(norte de África), 
doutor da Igreja 
Sermão 104 
«Uma mulher chamada Marta 
recebeu-O em sua casa» 
Na eternidade, havemos de nos sentar à mesa. Não me atreveria a dizê-lo, se não tivesse sido o Senhor a prometê-lo: Ele promete uma grande recompensa aos seus servos, a quem diz: «Cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá» (Lc 12,37). Grande é, pois, a promessa, e feliz o seu cumprimento. Comportemo-nos de maneira a merecê-la; deixemo-nos ajudar a chegar ao local onde o Senhor nos servirá à mesa. Essa refeição será um repouso; «os servirá» significa que Ele nos saciará. Com que alimento e com que bebida? Certamente, com a própria verdade. Não acreditas que Deus possa alimentar-te dessa maneira, quando já é assim que o teu olho se sacia de luz? Seja vista por muitos ou por poucos, a luz brilha sempre com a mesma intensidade, espalhando conforto, sem nunca faltar, sem diminuir com o uso. Não compreendeis ainda? É porque andais ocupados com muitas coisas. É o trabalho de Marta que vos ocupa – mais ainda, que nos ocupa a todos. Pois ninguém está dispensado deste trabalho de assistência. É por isso, meus queridos, que vos peço e vos exorto: desejemos juntos esta vida. Corramos para ela todos juntos, para nela permanecermos à chegada. Está a chegar a hora, e essa hora será sem fim, em que o Senhor nos fará sentar à mesa para nos servir; e o que nos servirá é Ele mesmo. Quereis saber o que comereis? Será o próprio Senhor que comereis. «Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para gozar da suavidade do Senhor» (Sl 27,4). Não tenhamos o gosto dos alimentos carnais, pois eles passarão. Se queres ser como Marta e dedicar-te aos mesmos ofícios, fá-lo com moderação e misericórdia. O trabalho passa, e virá o repouso, mas só se chega ao repouso pelo trabalho. O navio passa e chega-se à pátria, mas só se chega à pátria no navio. Estou, porém, seguro de que não havemos de naufragar, porque somos transportados pelo madeiro da cruz.

Santa Fé, mártir do século III

Sofreu o martírio em Agen, França. 
Uma cidade francesa deve-lhe o nome:
 Sainte Foy. 
Santa Fé de Agen, virgem e mártir (6 de outubro) é uma santa gaulesa da qual pouco se sabe com certeza. O relato de seu martírio é bastante lendário e em alguns pontos é confundido com o de San Caprasio, por isso oferece pouca veracidade histórica, especialmente por causa da presença nele do controverso pretor dácio. A rigor, a lenda nos diz que Fe (Fides em latim, Foy em francês antigo) era filha de uma família proeminente da cidade de Agen, na França, e que ela tinha uma irmã mais velha, chamada Alberta, que é bastante esquecida em comparação com a famosa Fe.

Santa Alberta Virgem e Mártir -Festa: 6 de outubro

Agen (França),(†)ca. 303
 
Segundo uma tradição e um culto recentes, ela era irmã de Santa Fé de Agen e foi decapitada juntamente com ela, possivelmente no século III. Mencionada em 11 de outubro no Próprio de Agen de 1727, sua festa litúrgica é celebrada em 6 de outubro. Acredita-se que seus restos mortais tenham sido identificados nos ossos de uma jovem encontrados em 1884 em Venerque, na diocese de Toulouse, no túmulo de Santa Fobade, para onde supostamente foram transferidos. No entanto, ainda existem dúvidas quanto à própria existência da santa. 
Etimologia: Alberta = de nobreza ilustre, do alemão
Emblema: Palmeira

Bruno de Colónia Fundador dos Cartuxos, Santo c. 1030-1101

Dotado de uma das mais belas inteligências de seu século, aplaudido em toda a Europa como Mestre, São Bruno deixou todas as glórias humanas e encerrou-se no deserto da Cartuxa, a fim de viver 
somente para Deus
“Grandeza de nascença, grandeza de espírito, grandeza de fortuna, graças exteriores, inteligência clara e vigorosa, incomparáveis aptidões para as ciências, presentes já magníficos que faziam brilhar o mais belo deles, a virtude: eis em que meio de esplendor se desenvolvia essa jovem alma”[1]. 
É assim que um hagiógrafo descreve a infância e adolescência de São Bruno de Hartenfaust, nascido em Colônia por volta do ano 1030, cuja festa comemoramos no dia 6.

Diogo Luis de San Vitores Jesuíta, Mártir, Beato (1627-ca. 1668)

Jesuita espanhol, martirizado 
nas ilhas Marianas.
A Companhia celebrava no dia 6 de Outubro a memória do jesuíta Diogo Luís de San Vitores, nascido em Burgos (Espanha) no ano de 1627, martirizado em 1672 e beatificado em 1985. Junto com esse jesuíta foram martirizados outros cristãos, entre eles o catequista Pedro Calungsod, nascido nas Filipinas dezoito anos antes do martírio e que foi grande e fiel colaborador do Padre Diogo Luís. Pedro foi beatificado em 2000 e canonizado em 2012. Na recente reforma litúrgica da Companhia, a memória do Beato Diogo Luís foi unida a festa desse Santo, no dia 21 de Outubro. Diogo Luís era filho de nobres de grande fortuna. Muito cedo manifestou seu desejo de entrar para a Companhia de Jesus, ideia que encontrou forte oposição em sua família.

Maria Francisca das Cinco Chagas virgem, Religiosa, Santa 1715-1791

Ana Maria nasceu no dia da Anunciação, 25 de marco de 1715, em Nápoles, filha de Francisco Gallo e de Bárbara Basini, ambos de condição modesta. Aos quatro anos pediu à mãe que a levasse à igreja para participar do Santo Sacrifício da Missa. Obteve também, nessa idade, o privilégio de poder confessar-se, embora tivesse que esperar até os sete anos para fazer a Primeira Comunhão. Depois disso, sua surpreendente maturidade levou o confessor a permitir-lhe comungar diariamente, privilégio muito raro na época. Quando chegou à adolescência, o pai colocou-a em sua pequena fábrica, onde já trabalhavam sua mãe e suas irmãs. Ana Maria soube conciliar o trabalho com a vida de piedade. Quando completou 16 anos, seu pai quis casá-la com um rico cavalheiro, que lhe pedira a mão.

Maria Rosa Durocher Religiosa, Fundadora, Beata 1811-1849

Religiosa e fundadora da 
Congregação das Irmãs dos 
Santos Nomes de Jesus e Maria.
Uma jovem nascida em um vilarejo, de saúde frágil, jamais pensou que um dia iria fundar uma Congregação de irmãs educadoras, difundida hoje em várias partes do mundo. Mas Nosso Senhor se serve de instrumentos pequenos. Eulália Melânia Durocher nasceu em Saint-Antoine-sur-Richelieu, pequena aldeia de Quebec (Canadá), no dia 6 de Outubro de 1811, de uma família muito religiosa. Era a última de dez filhos, três dos quais se tornaram sacerdotes e duas religiosas. Os pais, agricultores, também na juventude tinham pensado em consagrar-se a Deus. Eulália cresceu em um ambiente sadio, tranquilo e profundamente católico. Aprendeu com a mãe a rezar e a socorrer os pobres e doentes.

Beata Maria Ana Mogas Fontcuberta

Fundadora das Franciscanas
 Missionárias do Mãe do Divino Pastor 
(1827-1886). 
Beatificada por João Paulo II 
no dia 6 de outubro de 1996. 
Maria Ana nasceu em Corro do Vale (Barcelona) em 13 de janeiro de 1827, batizada no dia seguinte. Ela começou sua vida religiosa em Ripoll em junho de 1850. Ela se distinguiu sobretudo por sua caridade, pobreza, humildade, simplicidade, austeridade, alegria e espírito de oração, virtudes que infundia entre suas filhas e em suas obras apostólicas. Em 12 de junho de 1859 abriu uma casa de Capellades para cuidar dos enfermos da região e começou a ensinar as meninas, especialmente as pobres. Em 1860, criou uma comunidade em São Quirico de Besora para dar assistência às pessoas através de um estabelecimento municipal.

FRANCISCO GÁRATE Religioso Jesuíta, Beato (1857-1929)

Francisco Gárate, o segundo de sete filhos, nasceu numa família modesta, a 3 de Fevereiro de 1857, nos arredores de Azpeítia, muito perto de Loyola. Na idade de 14 anos foi para o Colégio de Nossa Senhora da Antígua, em Orduña, para trabalhar como empregado. Em 1874, entrou para o Noviciado. Em 2 de Fevereiro de 1876, fez os primeiros votos religiosos e, em 1877, foi destinado como enfermeiro para o Colégio do Apóstolo S. Tiago, em La Guardia (Pontevedra). Ali permaneceu dez anos, atendendo à saúde dos alunos e ocupando-se da sacristia. A sua entrega e carinho pelos doentes granjearam-lhe rapidamente a admiração de todos. Pronunciados os últimos votos em 15 de Agosto de 1887, o Irmão Gárate foi destinado a Deusto (Bilbao), em 1888, para ser porteiro do Colégio de Estudos Superiores ou Universidade.

Isidoro de Loor Religioso Passionista (1881-1916)

Os santos podem parecer todos iguais, porém, ao final, vemos que não existe um igual ao outro. Também Isidoro oferece sua vida ao Senhor em sacrifício e escreve aos seus: “Os deixei para viver somente para o Senhor e trabalhar muito pela salvação de minha alma, a de vocês e a de muitos outros”. Se lhe pode definir como um “camponês santo”. Nasce em Vrasene (Bélgica) em 8 de Abril de 1881, de uma família de camponeses. É duplamente “afortunado”, primeiro, porque seus pais se distinguem pela piedade, a rectidão moral e uma conduta irrepreensível. Em segundo lugar, porque “a agricultura foi criada pelo Altíssimo” (Ecl. 7,15) e o trabalho dos campos é agradável a Deus. Também no convento dedicará com paixão ao trabalho do campo e escreverá: “trabalhar e plantar na horta me faz maravilhosamente bem”.

ORAÇÕES - 06 DE OUTUBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
6 – Terça-feira – Santos: Bruno, Maria Francisca, Erotides
Evangelho (Lc 10,38-42) “Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra. 4Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.”
 Que será que Lucas queria dizer-me ao me contar isso? Ele escrevia para suas comunidades. Por isso penso que ele quis dizer-me que devo assumir minhas responsabilidades na igreja, mas não só as várias atividades necessárias. Para servir na igreja, preciso também colocar-me a ouvir Jesus por mais tempo e mais atentamente. Preciso parar e orar mais, bastante mais.
Oração
Senhor meu Deus, quero seguir Jesus, quero ajudar outros a se encontrar com ele e viver como nos ensina. Sei que isso é meu dever como seu discípulo e seu enviado para anunciar a salvação. Ajudai-me a ver o que posso fazer em vossa igreja. E fazei-me entender que não posso entregar-me só a atividades. Dai-me a graça da oração, para mais vos amar e poder fazer mais. Amém.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - Espiritualidade da Quaresma.

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Liturgia é vida
 
O Ano Litúrgico tem diversas etapas. Temos o hábito de fechar um tempo e esperar que ele volte no ano que vem. Não é uma atitude correta. Ele é vida. E como vida, permanece. Não é uma organização prática da vida oracional da Igreja. É a vivência da manifestação do Senhor que nos envolve e alimenta espiritualmente e encaminha a prática da vida cristã. Não é um texto a ser lido, mas um mistério a ser acolhido. É participação da Vida de Cristo. Como é Vida acompanha nossa vida. Não são textos lidos, gestos feitos, mas encontros com Ele nas diversas etapas de sua vida, celebrados na comunidade. Esse encontro é vida, educação e celebração. Por ele aprendemos a conhecer a Cristo em seu mistério. Recebemos o modo de viver esse tempo de salvação que nos é concedido. E nos alimentamos da graça redentora. O tempo quaresmal é uma etapa do Ano Litúrgico. Encerra-se um tempo, mas continua presente aquilo que foi vivido. Não repetimos a Quaresma, mas ela faz parte da vida e continua a nos alimentar. É Cristo em eterno mistério de redenção. Normalmente, acabado um tempo litúrgico fecham-se os livros e se guardam os adereços. Vivemos o Mistério Pascal de Cristo que nos é sempre apresentado em todas as suas dimensões. Em determinadas épocas salientamos aspectos que nos enriquecem e promovem aprofundamentos sempre maiores que nos levam a viver melhor para melhor celebrar.
Uma Quaresma como lição 
Como viver o espírito da Quaresma durante o ano? Ela não é triste pela dor de Cristo, mas concentrada no aspecto de permanente conversão. A conversão indica o caminho de melhor conhecer Cristo e vivê-Lo melhor. Assim a conversão é permanente. Mais convertidos podemos celebrar melhor no próximo ano. É a conversão permanente e a valorização da morte do Senhor. Se contemplarmos o aspecto batismal (que não é bem notado no tempo quaresmal, mas é fundamental), poderemos valorizar nosso batismo que não foi um rito que passou, mas é a porta para todos os outros sacramentos. Valorizamos nosso batismo. Damos valores às penitências e cerimônias, mas é tempo batismal. Ela nos reforça no cotidiano de nossa vida cristã que surge do batismo. As penitências podem ser outras, mas não se deve esquecer que todo tempo é tempo de conversão. Mudam os gestos, mas o coração tem que sempre ser cuidado. A Quaresma nos leva a maior concentração. É uma escola para nossas perdas de tempo, nossos devaneios. Conversão penetra nossa vida. O ano litúrgico continua, mas com outros enriquecimentos.
Tempo de Deus 
Como um dia difere do outro, assim o tempo de Deus é sempre novo. Sempre nos envolve e atrai. Como tempo de Deus, sempre está a nos trazer a novidade de seu Reino e de sua Pessoa. As muitas manifestações são, para nós, permanente chamado a entrar em união a sua Pessoa. Jesus não é um calendário. Ele é a manifestação de Deus que nos atrai para o convívio amoroso. “Como é bom e agradável nosso Deus! Feliz de quem encontra Nele seu refúgio”. Deus está sempre presente. Essa presença nos atrai e nos convida a levarmos adiante seu caminho de redenção a todos. Os tempos litúrgicos oferecem sempre novos conhecimentos e maneiras novas de encontrá-Lo. Assim podemos crescer Naquele que nos amou primeiro.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2022

EVANGELHO DO DIA 05 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Lucas 10,25-37. 
Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: "Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar". Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório de Nissa 
(335-395) 
Monge, bispo 
Homilia 15 sobre o Cântico dos Cânticos 
O bom samaritano 
«Este é o meu amado; este o meu amigo, 
mulheres de Jerusalém.» (Ct 5,16). 
A Esposa do Cântico mostra aquele que procurava, dizendo: «Eis quem eu procuro, Aquele que, para Se tornar nosso irmão, veio de Judá. Tornou-Se amigo daquele que caiu nas mãos dos salteadores, curando-lhe as feridas com azeite, vinho e ligaduras; içou-o para a sua própria montada, levou-o para uma estalagem, deu duas moedas de prata para que cuidassem dele, e prometeu pagar, quando regressasse, o que tivessem gastado no cumprimento das suas ordens». Cada um destes detalhes tem um significado bem evidente. O doutor da Lei tentou o Senhor e quis mostrar a sua superioridade em relação aos outros, dizendo: «E quem é o meu próximo?» O Verbo expõe-lhe então, sob a forma de uma narrativa, a história sagrada da misericórdia: a queda do homem, a emboscada dos salteadores, o roubo da veste incorruptível, as feridas do pecado, a invasão causada pela morte em metade da nossa natureza (uma vez que a nossa alma permanece imortal), a passagem inútil da Lei (uma vez que nem o sacerdote nem o levita trataram das feridas daquele que tinha caído nas mãos dos salteadores). «É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecado» (Heb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiu toda a natureza humana: a dos judeus, dos samaritanos, dos gregos, numa palavra, de toda a humanidade. Com o seu corpo, que é a montada, Ele veio ao encontro da miséria do homem: curou-lhe as feridas, fê-lo repousar na sua própria montada, e fez da sua misericórdia uma estalagem, onde todos os que penam e se vergam sob o seu fardo encontram repouso (cf Mt 11,28).

Beato Alberto Marvelli

Alberto Marvelli nasceu em Ferrara (Itália), no dia 21 de Março de 1918, segundo filho de uma família profundamente religiosa, mas também empenhada no mundo político, eclesial e caritativo. Em 1930 a família transfere-se para Rímini, onde Alberto frequenta o Oratório Salesiano da sua paróquia, incrementando assim a sua formação religiosa, que terá muita influência na sua vida espiritual. Em 1933 falece repentinamente seu pai; em Outubro do mesmo ano começa a escrever um diário, que é a história da sua vida interior, do seu caminho espiritual, da sua experiência de Deus. A sua pertença à Ação Católica enriquece a sua espiritualidade.

Santa Túlia, Venerada em Manosque, França – 5 de outubro

Em nossos dias, o famoso orador Marco Tullio Cicerone é universalmente conhecido com o nome de Cícero; mas uma vez ele foi indicado, e com a mesma clareza, apenas com o nome de Túlio; e se ele era o Túlio mais famoso, certamente não era o único desse nome no mundo antigo.     Para os romanos, Túlio significava "descendente de Tullo", e Tullo, por sua vez, foi nomeado um dos sete lendários reis de Roma, Tullo Ostilio, o terceiro da série. Diz-se que o nome de Túlio tem uma origem muito sugestiva. De fato, derivaria do verbo tollere, que significava pegar, elevar, e que era usado para indicar o gesto, comum na antiguidade, com o qual o pai reconhecia o recém-nascido. Imediatamente após o nascimento, a parteira deitava o bebê no chão. Seu pai o erguia nos braços, reconhecendo sua paternidade. Ele poderia não pegá-lo, negando assim sua descendência legítima.

Santa Ana Schäffer, Mística - 5 de outubro

Ana nasceu no dia 18 de fevereiro de 1882, em Mindelstetten, entre Regensburg e Ingolstadt, no coração da Baviera (Alemanha), numa família muito pobre; o seu pai era carpinteiro e morreu aos 40 anos, deixando a família na penúria. Menina calada, reservada, ela aprendeu a piedade e o amor de Deus com sua mãe, que a ensinou a ser boa cristã. Depois de fazer a 1ª. Comunhão, ela se ofereceu ao Senhor, sendo o seu maior desejo entrar em uma ordem de irmãs missionárias. Ana recebeu a instrução elementar na escola de Mindelstetten; aos 14 anos de idade teve que tornar-se criada em Ratisbona, em casa de uma farmacêutica; depois, em Landshut, trabalha para um jurista. Com a morte do pai, retornou à Mindelstetten para ajudar a mãe a cuidar da família e trabalhar nos arredores como doméstica.

Santa Mamlacha Virgem e Mártir-Festa: 5 de outubro

(†)Pérsia, por volta de 343
 
Ela é lembrada como uma virgem mártir da Pérsia do século IV, no contexto das perseguições contra os cristãos durante o reinado de Sapor II. O Martirológio Romano a apresenta como originária da terra dos garameus e morta por ordem do rei persa; a mesma formulação constitui hoje o núcleo mais sóbrio da memória litúrgica ocidental. A região dos garameus corresponde a Beth Garmai, um território histórico na Alta Mesopotâmia, centrado na área de Karka d-Beth Slokh, atual Kirkuk, e situado entre os rios Pequeno Zab, Tigre, Diyala e Hamrin. A cronologia tradicional situa seu martírio por volta de 343, mas as fontes antigas não preservam evidências suficientes para estabelecer uma data precisa. A figura de Mamlacha também está intimamente ligada, na tradição hagiográfica grega e na historiografia subsequente, à mártir conhecida como Mamelta ou Mamelchtha. No entanto, a identificação entre os diferentes contos e as diferentes formas onomásticas tem sido objeto de discussão entre os estudiosos.

Santa Caritina Mártir-Festa: 5 de outubro

(*)Amiso, Ponto, Ásia Menor, século III
(+)Corycus, Cilícia, Ásia Menor, século IV 
Seu culto pertence à tradição cristã oriental, e sua figura está associada à perseguição do imperador Diocleciano no início do século IV. Fontes hagiográficas gregas a apresentam como uma jovem cristã confiada a um homem chamado Cláudio, que a criou na fé cristã. O relato de seu martírio descreve uma série de torturas e a subsequente tentativa de eliminá-la, jogando-a ao mar. A tradição mais difundida no Oriente a identifica como uma cristã natural de Amiso, no Ponto, enquanto o Martirológio Romano situa seu martírio em Corycus, Cilícia, atual Gorgos, na Turquia. Essa diferença geográfica constitui um dos principais problemas histórico-críticos de sua tradição.

Santa Maria Faustina, a Apóstola da Divina Misericórdia - 5 de outubro

Santa Maria Faustina nasceu no dia 25 de agosto de 1905, no vilarejo de Glogowiec, próximo da cidade de Turek, terceira filha de uma prole de dez crianças do casal Mariana e Stanislao Kowalski. No batismo recebeu o nome de Helena. Frequentou a escola somente por três anos. Era uma aluna atenta e inteligente, mas a necessidade de ajudar a sua mãe nos trabalhos a impediram de estudar.
     A família era muito pobre; ela e suas irmãs tinham, por exemplo, apenas um bom vestido que tinham de revezar para ir às missas, cada uma assistia, portanto, a uma missa diferente. Aos 9 anos fez sua 1ª. Comunhão na Igreja de São Casimiro.