segunda-feira, 22 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Aleluia! Ressuscitou!”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Viu e acreditou 
Páscoa de Jesus! O acontecimento único na história se torna para nós o maior momento. Falar de Ressurreição de Jesus é um desafio porque não a colocamos em nossa vida. É bonito ver como os apóstolos viveram intensamente esse momento. Viveram, pois viram o Vivo. Não dá para imaginar o que passou no coração de cada apóstolo e cada discípulo que viveu com Jesus. Depois do terror daquela morte vem esplendor da vida. Ver o túmulo vazio para João era a certeza da ressurreição. Por que as mulheres foram as primeiras? A Igreja é a testemunha fundamental da Ressurreição. Crer é mais que ver. Os soldados viram o momento e contaram aos chefes do povo que os subornaram para que mentissem dizendo que o corpo fora roubado. Se mentiram é porque sabiam da verdade. Sabiam, mas não tiveram fé. A fé transformou os discípulos. Celebrando os mistérios da Ressurreição vivemos o mesmo drama entre o ver e o crer. Crer supõe a certeza que leva à adequação da vida ao que acreditamos. Enquanto não passamos a Ressurreição para a vida não acreditamos ainda. A Ressurreição chega à vida pela celebração da comunidade. Ela é uma continuada encarnação e se torna sacramento da Ressurreição. O texto proclamado discerne a verdade e a torna presente pela ação do Espírito que age naquele que crê. Jesus Se manifestava sempre no 8º dia. O domingo era o dia da comunidade. É nela que conhecemos e acolhemos a presença Daquele que foi tragado pela morte e a tragou. As celebrações não são meros ritos, mas sacramentos da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus.
Nós comemos com Ele 
A certeza da Ressurreição fez parte da vida normal dos discípulos. Ele não foi visto por todo povo, mas somente por nós, que somos as testemunhas que Deus já havia escolhido “nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,4041). O comer e beber juntos, vai além de uma simples refeição. Está a dizer vivemos o cotidiano com Ele, normalmente. Essa é a fonte que nos transmite a verdade da Ressurreição. Deus escolheu algumas testemunhas para comunicar o fato. É belo, na fé, acolher o testemunho de homens humildes e sem conhecimentos raros, mas nascidos de uma fé autêntica daqueles que conviveram com Ele. O que toca a pessoa que ouve o testemunho, não são as palavras, mas a fé que é implantada no coração. Não entenderíamos como a fé se difundiu e se estabilizou em tantos povos. Quem sabe a fragilidade de nossas comunidades, nossas instituições e vida estejam justamente na falta de acolher o testemunho. Vivemos, não a partir da fé, mas de nossos interesses. Só através do acolhimento do testemunho dos apóstolos que poderemos renovar nossas comunidades. A Ressurreição não se reduz a um ato litúrgico, mas na fé que o faz. 
Vida do alto 
A aceitação do anúncio não fica no intelecto espiritual, mas vai às mãos: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto... aspirai às coisas celestes e não às terrestres ”(Cl 3,1-2). A vida do cristão tem os pés no céu, mas tem as mãos na terra onde continua a vida de Jesus como nos escreve Pedro: “Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com Ele” (At 10,38). Embora não possamos explicar a Ressurreição por uma visão pessoal, mas podemos demonstrar sua realidade pelo que somos capazes de mudar no mundo e na realidade em que vivemos.
Leituras:Atos 10,34ª.37-43;Salmo 117; 
Colossenses 3,1-4; Jo 20,1-9 
1. Enquanto não passamos da Ressurreição para a vida não acreditamos ainda. 
2. O que toca a pessoa não são as palavras, mas a fé que é implantada no coração. 
3. A aceitação do anúncio não fica no intelecto espiritual, mas vai às mãos. 
Brincadeira! 
Depois Jesus apareceu a Madalena que foi anunciar aos discípulos que estavam chorosos. Não acreditaram (Mc 16,10). Pedro e João correm ao túmulo. O defunto sumiu. A outra o confunde com o jardineiro. As mulheres encontrando o túmulo vazio voltam e o encontram no caminho. Vão contar e não acreditam. Os dois que iam para Emaús não o reconhecem. De repente Jesus se põe no meio do grupo reunido. A alegria era tanta que parecia brincadeira. Não acreditavam. Jesus pede um pedaço algo para comer para mostrar que não era fantasma! Diz: Fantasma não tem carne e ossos como tenho. Assa peixe na margem do lago. Deve ter sido linda a alegria deles. Depois de terem esse encontro com Ele, não poderiam fazer mais nada que contar para todos os que foram chamados à fé. Bonito que acreditaram. A fé tem algo humano. Quem sabe a fé seja tão pouca no mundo porque não temos essa fé na Ressurreição. Ninguém vai ficar sabendo que Jesus existe, se não contarmos. 
Homilia do Domingo de Páscoa (04.04.2021)

EVANGELHO DO DIA 22 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 7,1-5. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não julgueis e não sereis julgados. Segundo o julgamento que fizerdes sereis julgados, segundo a medida com que medirdes vos será medido. Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como poderás dizer a teu irmão: "Deixa-me tirar o argueiro que tens na vista" enquanto a trave está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Doroteu de Gaza (c. 500) 
Monge na Palestina 
Instruções VII, 79, 81-82 
«Tira primeiro a trave da tua vista» 
Procuremos perceber, irmãos, porque é que umas vezes ouvimos uma observação desagradável e a deixamos passar como se nada fosse, sem nos perturbarmos, e outras vezes ficamos imediatamente perturbados por ela. Qual será a razão dessa diferença? Haverá uma única razão ou várias? Da minha parte, vejo muitas, mas uma só, por assim dizer, dá origem a todas as outras. A causa desta perturbação, se a examinarmos com atenção, é sempre a nossa incapacidade de nos acusarmos. Daí provém todo este fardo e o facto de não termos descanso. Não admira que todos os santos digam que este é o único caminho. Vemos claramente que nunca ninguém encontrou descanso seguindo outra via e, no entanto, continuamos a pensar que é possível viver uma vida reta sem nunca nos termos por responsáveis de nada! Na verdade, mesmo que alguém pratique mil boas obras, se não se mantiver neste caminho, nunca deixará de causar sofrimento e de sofrer, desperdiçando assim todos os seus esforços. Também acontece que um irmão que julga estar em paz se sente perturbado por uma palavra áspera que lhe é dirigida por outro, e julga que essa perturbação se justifica, pois diz para si mesmo: «Se este irmão não tivesse vindo falar comigo e incomodar-me, eu não teria pecado». Isto é uma ilusão, um falso raciocínio. Terá sido aquele que proferiu a palavra que suscitou nele a paixão? Pelo contrário, limitou-se a revelar-lhe a paixão que já existia dentro dele, para que se pudesse arrepender, se assim desejasse.

22 de junho - Santo Albano da Inglaterra

Albano é o primeiro mártir cristão da Inglaterra, onde prestou serviço no exército romano, como soldado. Albano, cuja origem talvez fosse romana, residia em Verulamium, a cidade-fortaleza construída pelos romanos a sudeste da ilha britânica, perto do rio Ver. Sendo um pagão, não tinha nada a temer quando chegou à ilha a perseguição anticristã, possivelmente a decretada pelo imperador Sétimo Severo e não a do seu sucessor Diocleciano, como alguns historiadores acreditam. Albano, certo dia, viu chegar em sua casa um daqueles homens cristãos perseguidos. Ele o acolheu e escondeu. Observou que o homem estava em estado de prece contínua, em vigília noite e dia. Então, começaram a conversar e Albano conheceu a verdade da fé cristã. Tocado pela graça de Deus, converteu-se. Tornou-se um cristão, justamente naquele momento de risco de morte tão sério. Dias depois, alguns soldados foram à casa de Albano fazer uma rigorosa busca, porque souberam que ele escondia um cristão.

Papa Inocêncio V (Pedro de Tarantasia)Santo-Festa: 22 de junho

Pedro de Tarentaise, no civil, nasceu em Savoia e se tornou dominicano. Este pregador era tão culto que chegou a ser chamado "doctor famosissimus". Como arcebispo de Lyon, lutou para a união das Igrejas separadas de Roma. Eleito Papa como Inocêncio V, em 1276, morreu logo depois de alguns meses. 
(*)Tarentaise, 1224 - Roma, 1276 
(Papa de 22/02/1276 a 22/06/1276) 
Nascido em Saboia, Pedro de Tarentaise ingressou no convento de Santiago de Compostela, em Paris, pouco depois dos 15 anos, onde obteve o título de mestre em teologia e lecionou com brilhantismo, conquistando o título de "doutor famoso". Serviu duas vezes como prior provincial da França. Em 1272, foi arcebispo de Lyon e, no ano seguinte, nomeado cardeal. Em 1276, foi eleito papa. Durante seu curtíssimo pontificado, demonstrou prodigiosa atividade, especialmente em suas tentativas de alcançar a união com as Igrejas separadas de Roma. 

São Flávio Clemente, Cônsul e Mártir-Festa: 22 de junho

Flávio Clemente, pertencente à família Flávia de Rieti e sobrinho do imperador Vespasiano, tornou-se cônsul no ano 95. Casou-se com Flávia Domitila e, ao se converter ao cristianismo, foi envolvido nas perseguições de Domiciano, que o condenou à morte com a falsa acusação de ateísmo.
Aproximadamente entre 50 d.C. e 95 d.C. 
Membro da gens flaviana, originário de Rieti e sobrinho do imperador Vespasiano, Flávio Clemente tornou-se cônsul em 95. Casado com Flávia Domitila, converteu-se ao cristianismo e, por isso, foi alvo das perseguições de Domiciano, que o condenou à morte sob a falsa acusação de ateísmo. Em 1725, algumas de suas supostas relíquias foram encontradas na igreja de São Clemente, o Papa, no Latrão. 
Martirológio Romano: Em Roma, comemora-se São Flávio Clemente, mártir, que foi morto pelo imperador Domiciano, de quem fora colega no consulado, sob a acusação de ateísmo, mas na realidade por sua fé em Cristo.

Beata Altrude de Roma Virgem, Terciária franciscana - 22 de junho

Na vida da Beata Margarida Colonna é relatado que tendo chegado a Roma com o irmão cardeal para venerar as relíquias dos Apóstolos, desejou visitar uma santa mulher chamada Altrude, que vivia consagrada a Deus em sua própria casa usando o hábito da Ordem Terceira de São Francisco, e ficou admirada das suas virtudes. Altrude morreu cerca de 1280. Sua festa é celebrada em 22 de junho.
Bem-aventurada Altrude de Roma , Virgem Terciária Franciscana 
Dia da Festa: 22 de junho 
(†)ca. 1280 
Na Vida da Beata Margherita Colonna, conta-se que, tendo vindo a Roma com seu irmão, o cardeal, para venerar as relíquias dos Apóstolos, ela desejou visitar uma santa chamada Altrude, que vivia consagrada a Deus em sua própria casa, vestindo o hábito da Ordem Terceira de São Francisco, e ficou admirada com suas virtudes.

Paulino de Nola Bispo, Santo 353-431

Santo Agostinho não era ainda mais que sacerdote, quando recebeu uma carta encantadora de suavidade, elegância, amizade e louvores, da parte de ilustre senador e cônsul romano, que, com a mulher, acabava de abraçar a vida monástica. A carta estava acompanhada de um pão bento, em sinal de união. No cabeçalho estava escrito: Ao Senhor Agostinho, irmão unânime e venerável, Paulino e Teresa, pecadores. Tratava-se de São Paulino, nascido em Bordéus, em 353. Contava uma longa lista de senadores na família, tanto do lado paterno como do lado materno. Seu pai, Pôncio Paulino, era prefeito do pretório nas Gálias, e primeiro magistrado do império do Oriente. A esta nobre nascença Paulino ajuntava um espírito elevado e penetrante, um génio rico e fecundo, uma facilidade maravilhosa de exprimir-se. Cultivou tais predicados desde a infância, por um estudo assíduo dos diferentes ramos da literatura.

João Fisher Bispo, Mártir, Santo 1469-1535

São João Fisher nasceu em Beverley, na cidade de Yorkshire, na Inglaterra, no ano de 1469. Órfão de pai ainda pequeno, aos catorze anos era o mais destacado estudante do Colégio São Miguel. Quando completou vinte anos, era professor daquele colégio. Em seguida, ingressou na famosa Universidade de Cambridge. Dois anos depois, recebeu o diploma de doutor com louvor, foi ordenado sacerdote e nomeado vice-reitor da referida universidade. Quando a rainha Margareth, viúva pela terceira vez, decidiu deixar a corte e ingressar num mosteiro, foi ele que escolheu para ser seu director espiritual. Distribuiu sua fortuna entre várias instituições, destinando grande parte à Universidade de Cambridge. Na mesma ocasião, São João Fisher era eleito chanceler da universidade, cargo que manteve até morrer.

Tomás Moro Homem político, Santo 1478-1535

Homem político inglês, 
chanceler do rei Henrique VIII, 
mártir (1478-1535).
Tomás More nasceu em Chelsea, Londres, na Inglaterra, no ano de 1478. Seus pais eram cristãos e educaram os filhos no seguimento de Cristo. Aos treze anos de idade, ele foi trabalhar como mensageiro do arcebispo de Tomás Moro, chanceler inglês, mártir, santoCanterbury, que, percebendo a sua brilhante inteligência, o enviou para a Universidade de Oxford. Seu pai, que era um juiz, mandava apenas o dinheiro indispensável para seus gastos. Aos vinte e dois anos, já era doutor em directo e um brilhante professor. Como não tinha dinheiro, sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante, tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor e uma devoção cristã arrebatadora.

ORAÇÕES - 22 DE JUNHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
22 – Segunda-feira – Santos: Paulino de Nola, João Fisher, Tomás Moro.
Evangelho (Mt 7,1-5) “Não julgueis, e não sereis julgados. Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes...”
Iluminados por nossa razão e pela fé, temos de saber julgar entre o certo e o errado. Não é esse julgamento que Jesus condena. O que não podemos é julgar a intenção das pessoas, supondo maldade em seu coração, e guiados por preconceitos. Esse julgar é o mesmo que condenar, e supõe culpa, escolha voluntária do mal. Só Deus sabe o que realmente está no coração humano.
Oração
Senhor, tenho de reconhecer; esse é um ponto em que vivo pecando. Sou mais rápido em reconhecer o erro do que o acerto dos outros. Muito facilmente suponho maldade e má intenção, e encontro mil razões para basear minha condenação. Perdoai-me, purificai meu coração, ajudai-me a ver primeiro tudo que possa desculpar meu irmão. Preciso muito de sabedoria e de misericórdia. Amém

domingo, 21 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Mistério Pascal”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Um mistério a descobrir
 
A palavra mistério não tem nada a ver com desconhecido ou inacessível. Dizemos mistério da Trindade, não para dizer que é impossível conhecer, mas infinito no seu conhecimento. O termo usado para a compreensão da celebração litúrgica. É um retorno a um conceito importante termo do passado que foi esquecido. O mistério são as realidades salvíficas que nos foram dadas por Cristo. Foi a partir dos meados de 1800 que o termo retornou à teologia. O termo, com toda a densidade que possui, é usado para entender a Páscoa de Jesus em relação a nós. O Abade Dom Odon Casel, grande pensador cristão, nos passou esse ensinamento. A palavra mistérion foi traduzida por sacramentum. Mudou a compreensão. Passou a ser entendido como algo que recebemos. Mistério “é uma ação simbólica que, sob sinais exteriores, torna presente a ação salvífica”. O documento sobre a Sagrada Liturgia no Vaticano II usa o termo mistério pascal. A liturgia é a obra da redenção e da glorificação de Deus realizada em Cristo, foi anunciada e realizada pelos apóstolos através do sacrifício e dos sacramentos. Para a realização da obra da redenção, Cristo está sempre presente de diversos modos, de modo particular na liturgia (SC 7). Quando usamos o termo Mistério Pascal de Cristo, estamos nos referindo à Morte e Ressurreição de Cristo como uma ação da qual participamos. Para compreendermos temos que nos referir à Páscoa da libertação do Egito, profecia da Páscoa de Jesus. 
Mistério a viver 
Celebrar a Semana Santa, não é morrer na Sexta-Feira Santa com Cristo, mas Ressuscitar com Ele na Páscoa. Ressurreição não faz parte da espiritualidade e da linguagem de nosso povo. Entendemos bem a Paixão e a Sepultura, mas, não chegamos à Páscoa da Ressurreição. O Mistério Pascal de Cristo é um fato do qual participamos não somente assistimos. Precisamos mudar a linguagem e também o modo de viver. Temos o anúncio dos acontecimentos pela palavra proclamada e sua realização na ação litúrgica celebrada. Somente vamos nos sentir libertos, se nos sentirmos prisioneiros. Por isso a Quaresma quer nos colocar em clima de conhecimento da realidade do Mistério Pascal de Cristo e nossa adesão a Ele pela Palavra anunciada. Assim podemos realizar os atos litúrgicos, participando da Eucaristia no Corpo e Sangue do Senhor. O momento central não é a morte dolorosa, mas sua passagem pela Morte e Ressurreição. Cristo faz sua passagem, como primeiro. Celebrando os mistérios da Páscoa, acontecidos em Cristo, fazemos a passagem com Ele. Por isso vivemos a Páscoa. A Palavra anuncia e o rito simbólico realiza. A Quaresma, que era aquele movimento de nos conduzir à Páscoa, tornou-se um momento independente no qual se faz penitência ou se aprofunda no tema da Campanha. Tudo isso é bom, mas sem deixar a meta que é a Páscoa do Senhor e nossa Páscoa. 
Mistério a anunciar 
Precisamos trazer o Mistério Pascal de Cristo para nossa existência e para nosso ministério de evangelização ao qual estamos comprometidos. Primeiramente temos que entender a Semana Santa não só como atos de piedade e penitência, para a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Mas vivê-las em vista da participação da Paixão e Ressurreição de Jesus. Nesse sentido as leituras bíblicas nos ajudam. Elas anunciam e proclamam esse mistério. A participação nas celebrações nos levam acolher o mistério. Deus age, mesmo se nossa consciência é pequena. É preciso levar uma vida de ressuscitado. Buscai a vida do alto, como lemos no dia de Páscoa (Cl 3,1). Feliz Páscoa celebrada e vivida.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 21 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 10,26-33. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Imitação de Cristo
Tratado espiritual do século XV, 
Livraria Moraes, 1959 II, cap. 1 
«Não tenhais medo dos homens, 
pois nada há encoberto 
que não venha a descobrir-se» 
Não tens aqui cidade de repouso, e onde quer que estejas és estranho e peregrino; e nunca terás repouso, a não ser quando estiveres intimamente unido a Cristo. Que procuras à tua volta, se este não é o lugar do teu descanso? A tua morada deve ser no Céu, e tudo na Terra deve ser visto como de passagem. Todas as coisas passam, e tu com elas. Toma cuidado, não te apegues, para que não sejas apanhado por elas e pereças. Que o teu pensamento esteja junto do Altíssimo, e a sua súplica se dirija sem cessar a Cristo. Se não consegues contemplar as coisas elevadas e celestes, descansa na Paixão de Cristo, e habita alegremente nas suas santas chagas. Se assim te refugiares com devoção nas chagas e nos preciosos estigmas de Jesus, sentirás grande conforto na tribulação, não te importarás muito com as traições dos homens e facilmente suportarás as palavras malévolas. Também Cristo foi desprezado no mundo pelos homens, e abandonado, na maior necessidade, pelos conhecidos e amigos no meio das afrontas. Cristo quis sofrer e ser desprezado, e tu ousas queixar-te de alguma coisa? Mantém-te com Cristo e por Cristo, se queres reinar com Cristo. Se uma única vez conseguisses entrar perfeitamente no coração de Jesus, e conhecesses um pouco o seu amor ardente, não te importarias com o que te é agradável ou desagradável, mas alegar-te-ias com cada ofensa sofrida, pois que o amor de Jesus faz o homem desprezar-se a si próprio. Aquele que ama Jesus e a verdade, que é verdadeiro, interior e livre de afeições desordenadas, pode voltar-se facilmente para Deus, elevar-se em espírito acima de si próprio e descansar com proveito. Aquele para quem as coisas valem segundo são, e não segundo se diz ou pensa, esse é o verdadeiro sábio, e mais instruído por Deus do que pelos homens.

21 de junho - Beato Tomás de Orvieto

O Beato Tomás nasceu em Orvieto, cidade da Umbria, no fim do século XIII ou princípio do século XIV. Pertencia a uma boa família da qual ele assimilou um amor ardente pela Santíssima Virgem. Desde cedo aprendeu a orar em sua honra todos os dias, andando pelas ruas da cidade e, quando podia, ajoelhando-se. Incansável na busca da santidade, no céu era onde estavam concentrados todos seus pensamentos e anseios, e assim, decidiu consagrar-se completamente a Deus numa família religiosa e, por seu imenso afeto para com a Virgem, pediu e foi admitido na Ordem dos Servos de Santa Maria. Nele resplandeceram com luz as virtudes típicas dos Servos, consideradas como carisma da Ordem: a humildade, a caridade fraternal, o espírito de serviço, a misericórdia. Com efeito, - como se lê nos Anais da Ordem-; “com o objetivo de se dedicar de uma vez para sempre ao serviço da Virgem e de seus servos”, pediu ser agregado no número dos frades que a gente usa chamar “leigos”.

21 de junho - São José Isabel Flores Varela

Através da profunda união com Cristo, iniciada no batismo e alimentada pela oração, os sacramentos e a prática das virtudes evangélicas, homens e mulheres de todos os tempos, como filhos da Igreja, alcançaram a meta da santidade. São Santos porque colocaram Deus no centro da sua vida, fazendo da busca e difusão do seu Reino a razão da própria existência; são Santos porque as suas obras continuam a falar do seu amor total ao Senhor e aos irmãos, dando frutos copiosos graças à sua fé viva em Jesus Cristo e ao seu compromisso em amar, inclusivamente os inimigos, como Ele nos amou. 
Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 21 de maio de 2000

Santa Demétria de Roma Mártir Festa: 21 de junho

(+)Roma, século IV
 
Santa Demetria era comemorada no Martirológio Romano em 21 de junho, mas registros hagiográficos indicam seu aniversário em outros dias. Segundo a lendária Paixão de Pimênio, ela era filha dos mártires Flaviano e Dafrosa e irmã de Santa Bibiana. Após a morte de seus pais, ela foi presa junto com sua irmã e levada à presença do Imperador Juliano, onde morreu subitamente de susto. Assim como no caso de sua família, a data de nascimento de Demetria é historicamente incerta. 
Etimologia: Demetria = sagrada para a deusa Deméter, do grego
Emblema: Palmeira 
Seria impossível classificar Santa Demétria, mártir romana do século IV, outrora comemorada no martirológio católico em 21 de junho, como uma figura histórica.

Santa Colalgia Virgem Mercedária Festa: 21 de junho

(†)Barcelona, Espanha, 1295
Originária de Barcelona, Santa Colalgia recebeu o hábito mercedário de São Bernardo Corsário e juntou-se às primeiras jovens seguidoras de Santa Maria de Cervellon, formando a primeira comunidade feminina da Ordem Mercedária. Ela foi uma grande mestra espiritual e uma virgem prudente, levando uma vida de mortificação e oração. Após realizar muitos milagres e prodígios, alcançou a felicidade eterna em 1295 no convento de Barcelona. A Ordem celebra sua festa em 21 de junho.

São Radulfo (Rodolfo) de Bourges Bispo Festa: 21 de junho

(†)21 de junho de 866
 
Nascido em Bourges no início do século IX, foi criado por um religioso chamado Bertrand e, eventualmente, tornou-se abade. Em 840, foi nomeado Bispo de Bourges a pedido do Rei Carlos, o Calvo. Como bispo, Radulfo foi um forte defensor dos interesses políticos do rei. Também tomou medidas para melhorar a organização de sua diocese, incluindo a elaboração de uma série de instruções para os sacerdotes. Fundou diversos mosteiros e reconstruiu a Catedral de Bourges. Após 26 anos como bispo, Radulfo faleceu em 866. É considerado um "Pai da Pátria" na região, e seu dia festivo é celebrado em 21 de junho. 
Martirológio Romano: Em Bourges, na Aquitânia, atualmente na França, São Rodolfo, bispo, cheio de solicitude pela vida sacerdotal, juntamente com os sacerdotes da Igreja que lhe foram confiados, cuidou de reunir em uma coleção as sentenças dos Santos Padres e os cânones para uso pastoral.

Luís Gonzaga Religioso Jesuíta, Santo + 1591

Filho primogénito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi baptizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe.

Nossa Senhora da Consolação, Venerada em Turim


     Em Turim, Itália, a devoção à Nossa Senhora da Consolação, Patrona da Arquidiocese, chamada pelos italianos de “Consolata” (Consolada ou Consoladora), é certamente a mais acatada, além de ser a mais antiga. As origens são remotas: de acordo com a tradição, o bispo Máximo foi o construtor de uma antiga igreja mariana logo atrás das muralhas da cidade, perto da torre angular, cujos vestígios ainda são visíveis. Simbolicamente alinhado nas antigas muralhas, como prova de proteção, surge hoje o altar-mor onde a efígie veneradíssima é colocada. Original é o título de "Consolata", provavelmente uma antiga distorção do dialeto do título "Consolatrix afflictorum".
     No início da história da origem do santuário encontramos o velho rei Arduino de Ivrea, que se retirou na Abadia de Fruttuaria, e que teve em sonho uma ordem de Nossa Senhora, juntamente com São Bento e Santa Maria Madalena, para construir três igrejas dedicada a ela: a Consolata, a Belmonte em Canavese e a Crea em Monferrato.

ORAÇÕES - 21 DE JUNHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
21 – 12º Domingo do Tempo Comum
Evangelho (Mt 10,26-33) “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas são incapazes de matar a alma!”
O desafio é declarar-nos a favor de Cristo, apresentar-nos como comprometidos com sua doutrina e seu modo de vida. Isso tem seu custo e seus riscos. Muitos já perderam a vida por isso, muitos foram marginalizados e desprezados. Hoje a situação não é mais tranquila e, mesmo em países outrora cristãos, muitos nos consideram cidadãos de segunda classe. Jesus diz que não devemos ceder ao medo. Isso por várias razões: no fim, a verdade prevalecerá; o máximo que podem é atingir nosso corpo ou tirar-nos a vida; não podem roubar nossa dignidade nem nossa liberdade interior; o Pai cuida de nós mais do que dos pardais; se continuarmos firmes, podemos contar com a lealdade de Jesus. Parece que paga a pena aceitar o desafio.
Oração
Senhor, eu não gosto nem de pensar no que sofreram os mártires que morreram porque vos foram fiéis. Nem adianta ficar imaginando os desafios que ainda terei de enfrentar. Quero renovar minha confiança em vós, e pedir que me ajudeis sempre a vos permanecer fiel. Peço vosso auxílio para que possa evitar as muitas incoerências que ando vivendo. Não tenho sido capaz de evitar o medo diante de perigos muito pequenos. Sou incoerente porque tenho medo de ser apontado como antiquado ou revolucionário, como fora de moda ou mundanizado, como ambicioso ou como descuidado. Nenhum perigo de morte, mas o desafio de ser coerente com o que penso, com a minha fé, com as minhas opções de vida. Dai-me, Jesus, a coragem e a coerência que me faltam. Amém