quarta-feira, 22 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Deus chamou-me”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
PADRE JOSÉ OSCAR BRANDÃO(+)
REDENTORISTAS NA PAZ DO SENHOR
Ele os enviou
 
Jesus iniciou sua missão na sinagoga de Nazaré dando um ensinamento novo. E foi tão novo que todos se admiraram. Como pode, diziam, que “esse” nosso conhecido, conterrâneo, gente como nós, tenha tal sabedoria!? Conhecemos seus familiares. E se escandalizavam. A atitude negativa bloqueou até sua generosidade em fazer curas: “Ali não pode realizar nenhum milagre” (Mc 6,1-6). Ali nasce o profeta. Isso é comum. Os próximos e iguais, não aceitam alguém que se destaque. Depois Jesus manda os apóstolos a evangelizar: “Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros”. A implantação do Reino pela Palavra é uma batalha contra as forças do mal. Começa também a batalha contra os que O seguirão como vemos no desfecho da missão de Jesus. Ele os mandou expulsar os demônios. São igualmente curados os doentes. Há tantos males que desaparecem com uma boa evangelização. Ela vai além dos preceitos e conceitos, penetra as situações de sofrimento. Evangelização que não muda as condições de vida é obra do falso profeta. Esses não penetram nem modificam as condições de vida. Os milagres de Jesus não eram espetáculo, mas mudança de situação que atendia, sobretudo os mais necessitados. Por isso, uma das orientações de Jesus é curar os doentes. Nossa evangelização não cura enfermos nem transforma vidas. Deveríamos nos sentir envergonhados por falar e agir desse modo em nome de Cristo. 
Vigor da Palavra 
Amós é um testemunho da força da Palavra e da oposição contra o profeta. Sua palavra incomoda e provoca “perseguição”. É impressionante que o esquema é o mesmo até hoje. Os profetas do rei, no santuário de Betel estavam a serviço da situação. Amós atinge justamente os ricos de vida imoral e “que não se compadeciam na ruína do povo. Amasias, profeta a serviço da corte, procura expulsar Amós alegando que ele conspirava contra o rei (Am 7,10-15). A Palavra terá vigor se atingir as nervuras do pecado instituído como modo de vida. Isso é o mesmo que acontece hoje. Os falsos profetas servem à corte e defendem as ignomínias do templo. Quando falseamos o Evangelho, nós nos tornamos falsos profetas culpados do exílio do povo nos desvios em sua fé e na prática. A Igreja perdeu o vigor de evangelização. Papa Francisco busca a autenticidade. O salmo ensina: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade e a justiça olhará dos altos céus” . A boa evangelização atinge até a natureza: “O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas” (Sl 84).
Ele nos abençoou 
O núcleo da Evangelização é o mistério de Cristo que Paulo proclama em Efésios (Ef 1,3-14). Anunciamos que Deus nos abençoou com seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo. Nele nos escolheu, nos predestinou a sermos filhos adotivos. Por seu sangue somos libertados e nossas faltas perdoadas segundo a riqueza de sua graça. A Palavra nos faz conhecer o mistério de sua vontade que será sempre recapitular em Cristo o universo inteiro. A evangelização tem como meta o universo. Todo universo e se encaminha para Cristo, conduzindo-se e atraindo para Cristo todas as realidades. O vigor na Palavra está em seu conteúdo que é a expressão de Deus, como foi o Cristo. A evangelização é extremamente revolucionária. Como os judeus recusaram, será recusada agora também. 
Leituras:Amós 7,12-15;Salmo 84;
Efésios 1,3-10; Marcos 6,7-13. 
1. Evangelização que não muda as condições de vida é ação do falso profeta. 
2. A Palavra terá vigor se atinge as nervuras do pecado instituído como modo de vida. 
3. O núcleo da Evangelização é o mistério de Cristo que Paulo proclama. 
Trombeta furada 
Quando temos um instrumento danificado, não podemos tirar uma música que agrade. Aliás, desagrada muito. Imaginemos uma banda com instrumentos estragados. Que música se pode tocar? É assim também quando a evangelização. Se for danificada pela falsidade do profeta, não poderá “tocar” nada! O falso profeta não consegue mudar a situação para que o mundo seja o Reino de Deus. O reino do mal se desenvolve e chega atingir o cerne da Igreja. Danifica as instituições e destrói o vigor do povo de Deus. Certamente essa situação destruirá os profetas da verdade e chega a criar verdades falsas na comunidade. Para renovar o anúncio libertador é preciso cortar os compromissos com a situação de anti-evangelho. 
Homilia do 15º Domingo Comum (11.07.2021)

EVANGELHO DO DIA 22 DE JULHO

Evangelho segundo São João 20,1.11-18. 
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. E ficou a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus. Os anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram». Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele. Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar». Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!». Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus». Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Homília 25 sobre o Evangelho; 
PL 76, 1188-1196 
Chama-te pelo teu nome 
«Se foste tu que O levaste»: como se já Lhe tivesse dito porque chorava, Maria fala «dele» sem Lhe pronunciar o nome. Tal é o fulgor do amor: quando estamos repletos de amor, convencemo-nos de que os outros sentem o mesmo que nós. […]. Maria não consegue conceber que alguém possa ignorar a razão da sua imensa tristeza. Jesus diz-lhe: «Maria!» Pouco antes, chamara-a pelo nome comum a todas as do seu sexo: «Mulher», sem ainda Se dar a conhecer; agora, chama-a pelo seu nome próprio, como se lhe dissesse sem rodeios : «Reconhece Aquele que te reconhece». Também Deus disse a Moisés: «Conheço-te pelo nome» (Ex 33,12). «Homem» é o nome comum a todos, «Moisés» é o seu nome próprio; e Deus diz que o conhece pelo seu nome e parece declarar: «Não te conheço como conjunto dos homens, conheço-te pessoalmente». Assim, chamada pelo próprio nome, Maria reconhece o seu Criador e no mesmo instante responde-Lhe: «"Rabuni!", que quer dizer "Mestre"». Ela procurava-O fora de si, e Ele pediu-lhe que O procurasse dentro de si. «Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor!”. E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito». Nesse momento, o pecado dos homens abandonou o coração de onde procedia: porque, se, no Paraíso, foi uma mulher que tentou um homem com o fruto da morte, é uma mulher que, no sepulcro, anuncia a vida aos homens e lhes leva as palavras daquele que traz a vida.

São Filipe Evans, sacerdote jesuíta e mártir. Festa: 22 de julho

(*)Monmouth, País de Gales, 1645 
(+)Cardiff, País de Gales, 22 de julho de 1679 
Nascido em Monmouth, País de Gales, em 1645, tornou-se jesuíta em 8 de setembro de 1665. Após estudar no Saint Omer's College, foi ordenado sacerdote em 1675 e imediatamente enviado como missionário para o sul do País de Gales. Conhecido por sua fé, as autoridades galesas fecharam os olhos para seu fervoroso apostolado, mas quando a pseudoconspiração de Titus Oates desencadeou uma nova onda de perseguição, a situação de Evans tornou-se perigosa e uma recompensa foi oferecida por sua cabeça. Aconselhado a mudar de região, ele se recusou a abandonar seu rebanho; por traição, foi preso em 2 de dezembro de 1678 e encarcerado no Castelo de Cardiff.

22 de julho - Beata Maria Inés Teresa do Santíssimo Sacramento

Seu zelo missionário, sua oração constante, o exercício heroico de todas as virtudes a levaram pelo mundo inteiro com o lema paulino: 'É urgente que Cristo reine', doando assim seu carisma missionário à Igreja. Madre Maria Inés nasceu em Ixtlán do Río, (México) no dia 7 de julho de 1904, recebeu o nome de Manuelita de Jesus. Com uma infância feliz, criada segundo os preceitos católicos, Manuelita, no íntimo de seu coração, na solidão do seu ser, onde só estava a presença silenciosa de Deus, foi se preparando para o encontro que seria identificar Deus por seu nome. Tal momento veio em 1924, quando sofreu uma apendicite. Na cidade de Guadalajara se hospedou para ser atendida pelo médico na casa de sua prima, que lhe presenteou com o livro da vida de Santa Teresinha, cuja leitura despertou em Manuelita o vivo desejo de santidade.

22 de julho - São Vandregésilo

São Vandregésilo nasceu perto de Verdun, no leste da França, no início do século VII. Ele era um oficial da corte dos reis carolíngios e foi nomeado conde. Casou, mas em 628, depois de uma peregrinação a Roma, em acordo mútuo com sua esposa, eles se separaram para embarcar na vida religiosa. O marido tornou-se monge em Montfaucon sob a orientação de São Balderico, mas logo retirou-se para viver em absoluta solidão em Saint-Ursitz, nas montanhas do Jura. Parece que ele foi influenciado pelas práticas ascéticas dos monges irlandeses, especialmente São Columbano e seu discípulo São Ursicinus, que havia trabalhado na área fundando vários mosteiros. Vandregésilo ficou famoso pela austeridade que distinguia sua vida. Ele passou um período de tempo no mosteiro de São Columbano, em Bobbio, no norte da Itália, depois mudou-se para a abadia de Romani-Moutier, na sub-região da Sabóia de Tarentaise, às margens do rio Isère.

Santa Maria Wang Lizhi Mártir Dia da Festa: 22 de julho

Martirológio Romano:
Perto de Daining, perto da cidade de Yongnian, também em Hebei, Santa Maria Wang Lizhi, mártir, que durante a mesma perseguição, apesar das tentativas de alguns pagãos de providenciar sua salvação negando que ela fosse cristã, declarou-se abertamente serva de Jesus Cristo e foi imediatamente morta por isso.
Santa Maria Wang Lizhi, mártir, é uma figura da Igreja Católica conhecida por sua fé e testemunho durante a perseguição aos cristãos na China. Ela é celebrada como santa por sua coragem e devoção, tendo sido martirizada por sua crença em Cristo.

Maria Madalena Penitente, Santa (século I)

Embora fosse apenas uma pecadora famosa da sua cidade, Maria Madalena, nascida em Magdala, na Galileia, teve uma participação importantíssima na passagem de Jesus pela Terra. Ela foi perdoada publicamente por Ele, que a tomou como exemplo de que seu Pai acolhia a todos, desde que chegassem ao arrependimento. Além disso, foi, ainda, a escolhida para ser a primeira testemunha da ressurreição. Madalena ouvira falar de Jesus, pois a fama dos milagres dele corria entre o povo. Ele já ressuscitara mortos, devolvera a visão a cegos, colocara voz na boca de mudos e audição nos ouvidos de surdos, além de fazer andar paralíticos e curar doentes de todos os tipos. Assim, no dia em que Jesus participava de um banquete na casa de Simão, o fariseu, Maria Madalena resolveu fazer uma confissão pública de arrependimento, porque o seu pecado era público, como diz a Sagrada Escritura.

Beato Agostinho de Biella, sacerdote dominicano Festa: 22 de julho

(*)Biella, 1430 
(+)Veneza, 22 de julho de 1493 
Pertencente à nobre linhagem Fango, Agostino da Biella nasceu em 1430 e ingressou no convento dominicano de sua cidade ainda jovem. Foi acometido por uma doença que cobriu todo o seu corpo de feridas, já debilitado pela penitência. Visitava assiduamente os enfermos, levando sua palavra e sua inesgotável caridade, e dedicava muito tempo à confissão. Possuía o dom dos milagres e, enquanto prior de Soncino, na Lombardia, ressuscitou uma criança que havia morrido sem batismo. Serviu como prior de diversos conventos, onde apoiou ou restaurou a observância regular da vida religiosa que, naquele século, florescia novamente nas várias províncias graças aos esforços de muitos religiosos zelosos.

NOSSA SENHORA, RAINHA

Festa instituida por Pio XII, para celebrar-se a 31 de Maio. 
Em virtude da reforma pós-conciliar, foi transferida para o dia da oitava da Assunção.
São antiquíssimas e sempre rezadas e cantadas pelo povo cristão as antífonas marianas que invocam Maria como Rainha do céu e da terra, dos anjos e das criaturas. Durante o tempo pascal, a mais conhecida antífona que celebra a ressurreição de Jesus começa com estas palavras: "Rainha do céu, alegrai-vos, porque o Senhor ressuscitou como disse!". Uma das orações aprendidas em criança ao lado da Ave-Maria, é a "Salve Rainha, Mãe de misericórdia", que a Liturgia das Horas canta na Oração da Noite e a piedade popular com ela encerra a oração do Rosário. Uma terceira antífona, também cantada na Oração da Noite, começa com estes versos: "Ave, Rainha do céu! Ave, dos anjos Senhora!". Quantas vezes invocamos Maria como Rainha na Ladainha: Rainha dos Patriarcas e dos Profetas, Rainha dos Confessores, das Virgens e dos Mártires, Rainha dos Anjos e dos Santos!

ORAÇÕES - 22 DE JULHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
22 – Quarta-feiraSantos: Maria Madalena, José da Palestina, Filipe
Evangelho (Jo 20:1-2.11-18)Então Jesus disse: – Maria! Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabunni” (Mestre).
Maria Madalena foi uma das mulheres escolhidas como primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus. Foram encarregadas de levar a notícia para os discípulos. Na passagem que lemos, é interessante que ela reconhece Jesus quando ele a chama pelo nome “Maria!”. Isso pode lembrar-nos que é sempre pessoal o relacionamento de Cristo conosco, ele nos conhece um a um, por nome.  
Oração
Senhor, vós me amastes pessoalmente, escolhestes e chamastes para estar entre os vossos discípulos. Sou alguém importante para vós, a mim confiais uma missão especial, que ninguém poderá cumprir em meu lugar. Agradeço o amor que me tendes, a amizade para a qual me chamais. Peço que me ajudeis a ser fiel à vossa escolha, ajudai-me a cumprir a missão que me confiastes. Amém. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - Evangelização popular

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Missão de todos
 
Sempre me impressiona a capacidade do povo ao conduzir sua vida cristã e evangelizar com suas condições. A Igreja pode até não conseguir fazer uma evangelização conveniente. Deus não o abandona. O Espírito Santo suscita sempre meios maravilhosos. Ele está presente. As comunidades populares realizam algo impressionante que é colocar a Palavra de Deus em seus corações. Por isso sabem educar os filhos, têm coerência de vida, são capazes de construir uma família e viver comunidade praticando a fraternidade. O amor os anima. Por isso encontramos tanta gente santa em seu meio. É preciso acolher essa ação do Espírito entre eles. Estejamos atentos, pois quem despreza os pobres ofende seu Criador (Prov 17,5). O Espírito os evangeliza. E eles podem realizar o mesmo que fez a comunidade primitiva de Atos 2,42: “Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. O povo fiel e simples, puro de coração, vive a Palavra de Deus em sua vida e, com sua “tradução de coração”, ensina o bom caminho aos filhos e conduz a vida da comunidade. O Espírito Santo ensina-os diretamente. É impressionante que sabem coisas que não aprenderam. São solidários e estão sempre presentes uns à vida dos outros. Lembramos os mutirões que eram feitos para se ajudarem. Sabem partilhar. Reúnem-se para os acontecimentos familiares. Participam das alegrias e gostam de rezar juntos. Vivi pouco essas realidades, mas pude ver. 
É uma Igreja viva 
Temos a experiência dos antigos que recebiam a visita dos padres uma vez por ano para as desobrigas. Vi na África, Angola, a resistência das comunidades durante os longos anos de guerra. As aldeias tinham seus líderes, os catequistas. Eram homens de grandíssima dignidade, às vezes, vestidos de farrapos. Eles conduziam a comunidade e faziam as celebrações. Nós podemos ver como nosso povo simples sabe, é adulto na fé, seguro na vivência do Evangelho e criativo no modo de colocar em ação sua fé. As belas tradições sustentaram sua união à Igreja de Cristo. O método era muito claro. Por exemplo: a festa de Reis, do Divino e outras: uma família acolhia a festa, organizava a Folia de Reis que ia de casa em casa cantando. Anunciavam a festa e, em sua cantoria, davam a catequese sobre o que se iria celebrar, por exemplo, o Natal. Levavam a Palavra de Deus por todas casas. Lembro-me de minha avó, ajoelhada na soleira da porta, acolhendo a bandeira de Reis da mão dos foliões. Depois se celebrava a festa com a reza de um terço e viviam a fraternidade na qual todos ajudavam. Marcou-me uma palavra de minha tia: “Eu chego à festa e já pego o avental”. Era tudo comum na alegria do serviço. 
Escola para a Igreja 
Certamente estamos seguros dos ensinamentos da Igreja, da renovação da liturgia e das reformas das devoções. Como realizar tudo isso? É preciso conhecer a alma do povo que é a mestra de toda a renovação e purificar o que possa ser danoso. Mas não se pode impor um rito, como se fez por séculos. Só se vai ao povo se partirmos dele. Há comunidades que perderam tudo que era popular e não receberam a formação para o novo. Destruir é fácil. Recompor é impossível. Pior ainda é jogar sobre o povo esquemas que não educam. Se formos estranhos aos lugares, maior cuidado devemos ter. É preciso renovar nosso modo de formar o povo em seu caminho.
ARTIGO PUBLICADO EM AGOSTO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 21 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 12,46-50. 
Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, chegaram sua Mãe e seus irmãos. Ficaram do lado de fora e queriam falar-Lhe. Alguém Lhe disse: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo». Mas Jesus respondeu a quem O avisou: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?». E apontando para os discípulos, disse: «Estes são a minha mãe e os meus irmãos: todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Gertrudes de Helfta 
(1256-1301) 
Monja beneditina 
O Arauto, livro IV, SC 255 
Fazer a vontade do Espírito 
Gertrudes ouviu atentamente a epístola (2Cor 6,1-10), a fim de escolher, entre as virtudes enumeradas, as que eram mais úteis para imitar e ensinar aos outros; mas, como não recebia qualquer iluminação a este respeito no seu espírito, disse ao Senhor: «Ensina-me, meu dulcíssimo amado, quais são as virtudes graças às quais posso servir-Te de forma a agradar-Te de modo particular, uma vez que, infelizmente, não sou capaz de me dedicar cada dia a uma delas com um esforço extraordinário». O Senhor respondeu: «Repara bem que, no meio das virtudes, se encontram inseridas estas palavras: “pelo Espírito de santidade” (cf 2Cor 6,6). Sendo o Espírito uma vontade reta, procura acima de tudo possuir uma vontade reta. Desse modo, poderás alcançar o brilho e a perfeição específica de todas as virtudes, porque a vontade, por si só, vale mais do que tudo o que se poderia realizar ou adquirir por meio dos atos. Aquele cuja vontade procura ultrapassar os louvores das criaturas, dar-Me graças, amar-Me, compadecer-se das minhas dores e exercitar-se na virtude da maneira mais perfeita possível, esse será amplamente recompensado pela minha divina generosidade, como homem algum poderia jamais ser recompensando pelas suas obras». Então, o Espírito Santo, o Paráclito, avançando para o meio e colocando-Se diante da alma, começou a inundar com o maravilhoso brilho do seu esplendor divino a parte central, onde a alma pode ver, sem disfarces, a enormidade da sua própria vilania. E a alma, totalmente despojada de toda a vilania por ação da claridade divina, teve a felicidade de ser imersa na fonte viva da luz que não se apaga.

21 de julho - Beata Lucrécia Garcia Solanas

Lucrécia Garcia Solanas nasceu em Aniñon, perto de Zaragoza - Espanha, no dia 13 de agosto de 1866. Em 9 de outubro de 1910 casou-se com José Gaudi Negre, que faleceu em 1926. Não se sabe se tiveram filhos. Desde então ela passou a viver no convento das monjas do Instituto das Descalças Mínimas de São Francisco de Paula, em Barcelona, em uma casa fora da clausura, para ficar próxima de sua irmã, Madre Maria de Montserrat. Sempre à disposição das monjas, atuava como porteira recebendo as mensagens para elas; era mediadora entre o mosteiro e o mundo exterior. Muito piedosa, se habituara a seguir as orações da comunidade. Sua história foi recentemente relatada pelo Monsenhor Vicente Cárcel Ortí, historiador e autor de vários livros que contam a história de católicos perseguidos na Espanha.

21 de julho - Santo Alberico Crescitelli

Alberico nasceu em Altavilla Irpina, Itália, em 1863. Em 1880, ingressou no seminário missionário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Roma. Esse seminário unir-se-ia ao seminário para as Missões exteriores, de Milão, em 1926, formando o Pontifício Instituto das Missões Exteriores, o PIME. Alberico foi ordenado padre em julho de 1887. Naquele ano, uma forte epidemia de cólera atingiu mais de 300 pessoas (e deixou mais de cem mortos) em sua cidade natal. O missionário aí se expôs ao contágio, ajudando e levando o conforto da religião aos infectados e consolando enlutados. (Na China, mais tarde, ficou sabendo que a comuna de Irpina lhe concedera uma medalha, em reconhecimento ao bem praticado durante a epidemia). Em Roma, Alberico e o coirmão Vincenzo Colli receberam a destinação: a China meridional. Leão XIII recebeu-os e os abençoou.Eles embarcaram em Marselha (França), em abril de 1888, rumo a Xangai.

Santo Ezequiel, profeta

«A mão do Senhor desceu sobre mim. Ele me arrebatou em espírito e me colocou no meio de uma planície, que estava coberta de ossos; fez-me circular em todos os sentidos no meio desses ossos numerosos que jaziam na superfície. Vi que estavam inteiramente secos. Disse-me o Senhor: “Filho do homem, poderiam esses ossos retornar à vida?”. “Senhor Javé – respondi –, só vós o sabeis.” Ele disse-me então: “Profere um oráculo sobre esses ossos. Ossos dessecados, lhes dirás, escutem a palavra do Senhor"» (Ez 37, 1-4). Segundo a cultura judaica, o termo "profeta" não significa somente quem tem o poder de prever o futuro, mas ainda mais quem tem um profundo conhecimento da vontade divina e da sua presença no mundo: uma pessoa de moral e retidão cristalinas. Ezequiel, um dos quatro Profetas, definidos "maiores" no Antigo Testamento, não era uma exceção: foi o mais difícil na linguagem e o mais eficaz nos simbolismos. 

Santa Práxeda de Roma, Virgem e mártir - 21 de julho

Pouco se sabe de Santa Práxeda. Segundo a legenda, Práxeda foi uma virgem romana, filha de São Pudencio (que provavelmente foi batizado por São Pedro), «amiga dos Apóstolos» e irmã de Santa Pudenciana. Práxeda e Pudenciana, junto com o presbítero Pastor e o Papa Pio I (140-154), construíram um batistério na casa de seu pai e ali começaram a batizar os pagãos. Pudenciana morreu aos 16 anos, martirizada, e está enterrada junto a seu pai, São Pudencio, nas catacumbas de Priscila, na Via Salaria. Depois de muitos anos enterrando cristãos mutilados, visitando os prisioneiros e vendo o sofrimento daqueles que amava, Práxeda morreu no dia 21 de julho de 159.

São Daniel, o Profeta Festa: 21 de julho

Daniel, o último dos quatro chamados profetas maiores, judeu, provavelmente nascido em Jerusalém em uma família nobre, talvez aparentada com os reis de Judá, foi deportado para a Babilônia entre 606 e 605 a.C. Lá, foi escolhido, juntamente com outros três jovens nobres judeus (Hanaías, Azarias e Misael), para ser admitido na corte do rei e desempenhar funções oficiais honorárias. Daniel impressionou o rei com sua inteligência e retidão, a ponto de ser nomeado príncipe da Babilônia e prefeito de todos os sábios do reino. Na corte babilônica, Daniel se destacou como um poderoso oráculo e um juiz justo.

Lourenço de Brindisi Capuchinho, Doutor da Igreja, Santo 1559-1621

Júlio César ― nome de baptismo do Santo – nasceu em Brindisi a 22 de julho de 1559, filho de Guilherme Russo e Isabel Masella, casal modelarmente religioso, que desde o berço lhe incutiu o temor e o amor de Deus. Aos oito anos de idade perdeu o pai; pouco depois foi admitido na escola dos meninos oblatos, espécie de pequeno seminário dos frades franciscanos, onde sua inteligência invulgar, fidelíssima memória e aplicação ao estudo o fizeram notar por parte de mestres e condiscípulos. Adolescente, foi morar com o tio paterno, Padre Rossi, em Veneza. Este dirigia uma escola privada para alunos que seguiam o curso na Universidade de São Marcos e logo descobriu no sobrinho o tesouro que lhe fora confiado. Não hesitou em incentivá-lo na via da santificação e no desejo de abraçar a vida religiosa.

ORAÇÕES - 21 DE JULHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
21 – Terça-feiraSantos: Lourenço de Bríndise, Praxedes
Evangelho (Monte 12,46-50) “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai ... esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Foi o que disse Jesus quando disseram que sua mãe e seus irmãos queriam falar com ele. Ele não os amava pouco, mas queria ensinar que acima do afetos deve estar nossa entrega a Deus. Essa é uma decisão que, uma vez ou outra, temos de tomar. Precisamos estar preparados. Temos de orar e pedir sempre que Deus nos ajude nesses momentos difíceis, para que não vacilemos.
Oração
Senhor Jesus, dissestes outras vezes que temos de vos amar mais do que a nossos pais, parentes e amigos. E, na verdade, só assim os podemos amar como devemos. Por isso eu vos peço ensinai-me a amar como se deve, a querer o bem dos que amo, sua felicidade agora e para sempre. Dai-me clareza, para que os afetos não me levem a querer apossar-me dos que deveria amar. Amém.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Pedras de alicerce"

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Homens para Jesus
 
Encarnação une toda ação de Deus para nossa salvação. Esta é a participação na Vida Divina. Ela não é só o nascimento de uma linda criança. Encarnação foi a maior manifestação que Deus fez à humanidade. Veio pessoalmente na pessoa de seu Filho Jesus, Homem-Deus. Essa é a base de toda a vida cristã. Aqui está a diferença entre crença e fé. A única explicação acessível é a afirmação: No seu imenso amor, fez-se homem para nos levar a participar de sua Divindade. Dizem os grandes mestres da fé que, o que era visível em Jesus enquanto homem, está presente nos sacramentos. Esse foi modo como Deus escolheu para dar continuidade a Jesus entre nós. Pedro, pela sua fé, recebe as “chaves” do Reino dos Céus (Mt 16,19). Paulo recebe a missão: “Esse homem é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel” (At 9,15). Tem o poder – missão – serviço que Jesus lhes transmite. Então podemos entender que esses homens, Pedro e Paulo, continuam a missão de Jesus na condição humana. Temos que acolher que o humano é o meio que Deus assumiu para nos comunicar o Divino. Assim, Pedro e Paulo, e todos que estão na linha de seu ministério realizam a continuada Encarnação. Como expressão do ser de Jesus, tem também sua missão. Sobre essas pedras Jesus edificou sua Igreja. Não podemos dizer que Jesus deu a fé e nós fizemos a Igreja. A fé passa pelo mesmo caminho de Jesus. Caminho da humanidade. Não existe uma fé por aí. 
Fé que edifica 
Celebramos Pedro e Paulo, unidos na mesma fé e na mesma entrega a Cristo em sua morte, fundaram a Igreja. Cantamos no prefácio: “Hoje festejamos Pedro e Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”. A memória conjunta desses dois apóstolos quer quebrar qualquer divisão da Igreja como uma sendo judaica e outra dos gentios. No Concílio de Jerusalém pudemos ver como se criaram dois modos de ser Igreja. E não era problema: Os judeus cristãos viveriam como judeus crentes em Cristo. Os pagãos viveriam sua fé no mundo pagão. Certo que se edificaram também sobre a Palavra de Deus, mas não nas tradições judaicas. E viveram muito bem, inclusive numa extremada caridade de ajuda. Os pagãos que se fizeram cristãos, amavam ajudar os pobres de Jerusalém. É um ensinamento muito grande para nós que queremos uma camisa de força e uma estreita obediência a detalhes secundários. Estamos no regime judaico? A oração final da Eucaristia nos alerta sobre como viver na Igreja: “Viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e na doutrina dos apóstolos, e enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma” (Pós-Comunhão). 
O Senhor ao meu lado 
Podemos aprender dos dois apóstolos como sobreviveram nas grandes tempestades que tiveram que enfrentar. Sua paixão por Cristo levava-os sempre a superar: Paulo diz: “O Senhor esteve ao meu lado e meu deu força” (2Tm 4,17). Pedro, saindo milagrosamente da prisão diz: “Agora sei que o Senhor enviou o seu anjo para me liberar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava” (At 12,11). Os verdadeiros apóstolos são perseguidos até pelos próprios cristãos. Mas ficam firmes. Por isso rezamos na oração: “concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias da fé”.Continuamos a Encarnação, seguindo sua missão. Maravilhosos Santos! 
Leituras: Atos 12,1-11;Salmo 33;
2 Timóteo 4,6-8.17-18; Mateus 16,13-19 
1. Pedro e Paulo, continuam a missão de Jesus na condição humana.
2. A memória conjunta desses dois apóstolos quer quebrar qualquer divisão da Igreja. 
3. Podemos aprender dos dois apóstolos como sobreviveram nas grandes tempestades. 
Pedra sem pedrada 
Jesus chamou Simão de Cefas, que quer dizer pedra. Certamente estava pensando em alicerce, força de sustentação, garantia de equilíbrio e outras coisas mais. Usa também a expressão: “Deus pode fazer dessas pedras, filhos de Abraão” (Mt 3,9). Mas não fez. As pedras estão lá. Não deu problema de cabeça dura. Temos diversos textos nos quais aparece o apedrejamento dos fiéis em Cristo. Estevão assim morreu. Paulo foi apedrejado diversas vezes. Era um tipo de castigo. Jesus não foi por aí. Pedro não reclama a si o direito de apedrejar e de ser duro com os outros. Temos muita gente que acha que ser duro resolve tudo. Não foi isso que Jesus fez. Pedro, apesar de ser pedra, foi muito bom, amável. Quem sabe possamos dar firmeza à fragilidade dos outros sem precisar dar pedradas. 
Homilia da Solenidade de Pedro e Paulo (04.07.21)