quinta-feira, 6 de agosto de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - José, Pai na Sombra

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Paternidade de Jos
é 
O Papa Francisco continua sua reflexão sobre São José na comemoração dos 150 anos da declaração de seu padroado sobre a Igreja. Precisamos desse homem escolhido por Deus para estar com Maria e Jesus no início da História da Salvação. Deus quis assim e dá um ensinamento preciso. Quando Deus se manifesta, comunica muito de sua natureza. O Papa da obra do autor polonês J. Dobraczynki, “A Sombra do Pai”, um pensamento sobre a missão de José. Lembramos que no Êxodo, Deus estava diante do povo durante o dia como coluna de nuvens e coluna de fogo durante a noite (Ex 13,21-22). Lembramos que coluna de nuvem significa a presença protetora de Deus. A paternidade de José era, para Jesus, como a sombra do Pai celeste: “Guarda-O, protege-o, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele”. Jesus continuava sempre na sombra do Pai. “Essa era a paternidade que José exerceu durante toda sua vida”. O Papa lembra o que sempre dizemos: “Pai é quem cria e não quem gera”. José assume a responsabilidade pela vida de Jesus e de Maria, como esposo. “Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido, exercita a paternidade a seu respeito”. A imagem da sombra é muito forte quando lembrando que ela não ocupa espaço e assume o espaço como lugar de fazer o bem. As crianças sempre se encostam ao pai, no sentido de estarem seguras. Para Jesus, José era a imagem do Pai celeste, pois fazia como Ele faz. Jesus cresceu, como homem, no conhecimento do Pai, a partir da imagem de José. 
Ensina a ser pai 
Paulo, diz o Papa, evoca sobre si a condição de Pai diante das comunidades, pois as gerou na fé (1Co 4,15). José gerou Jesus no amor de Pai. Acaba por ser uma expressão clara do ser do Pai. Aí que Jesus teve em si também essa noção de ser pai de criancinhas espirituais. Vemos na Santa Ceia como chama os discípulos de filhinhos: “Filhinhos, por pouco tempo estou convosco”(Jo 13,33). Como pai amoroso não toma posse, mas promove. José é casto porque tem o amor verdadeiro. Não ser dono, mas promover a vida, deixando livre para assumir a própria missão. José é sombra... Faz o bem. Por isso ele age discretamente, pois era presença que fazia bem. Não fez falta para Jesus e Maria. Ele os libertou de si próprio. É como o pai que solta a mão da criança porque ela já pode andar. Vemos como Jesus leva adiante a formação de seus discípulos. Formou-os para a liberdade. É a escola de José. A devoção deve levar em conta a condição humana desse homem que o fez o maior santo da Igreja. Foi capaz de ensinar Jesus a amar seu Pai do Céu e exercer, em relação aos apóstolos, a mesma paternidade libertadora e educadora. Quando Jesus diz: “Ide por todo mundo” (Mc 16,15), está confiado na formação que lhes deu. 
Lógica do dom 
O Papa anota a personalidade de José: “A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança”. A vocação não conduz a um sacrifício doloroso, mas, toda a verdadeira vocação nasce do dom de si, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, se requer este gênero de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração.
ARTIGO PUBLICADO EM AGOSTO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 06 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 17,1-9. 
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então, Jesus aproximou-Se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Efrém
(306-373) 
Diácono da Síria, 
doutor da Igreja 
Opera Omnia, p. 41 
«Este é o meu Filho muito amado» 
Simão Pedro diz: «Senhor, como é bom estarmos aqui!». Que dizes, Pedro? Se ficarmos aqui, quem realizará o que predisseram os profetas. Quem confirmará as palavras dos arautos? Quem levará a bom termo os mistérios dos justos? Se ficarmos aqui, a quem se referirão as palavras: «Trespassaram as minhas mãos e os meus pés»? A quem se aplicarão as afirmações: «Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica» (Sl 21,17.19)? Quem realizará o anúncio do salmo: «Misturaram-me fel na comida e deram-me vinagre a beber» (Sl 68,22)? Quem dará vida à expressão: «Estou abandonado entre os mortos» (Sl 88,6)? Como se consumarão as minhas promessas, como construiremos a Igreja? E Pedro diz mais: «Farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Enviado a erigir a Igreja no mundo, Pedro quer levantar três tendas na montanha. Ainda não vê a Cristo senão como homem e classifica-O juntamente com Moisés e com Elias. Mas Jesus vai mostrar-lhe que não precisa de tenda nenhuma; pois durante quarenta anos Ele próprio erguera para os patriarcas no deserto uma tenda de nuvem (cf Ex 40,34). «Ainda ele falava quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra». Vês, Simão, esta tenda montada sem esforço? Ela afasta o calor sem impor as trevas, é uma tenda brilhante e resplandecente! Estando os discípulos surpreendidos, faz-Se ouvir da nuvem uma voz vinda do Céu: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Era o Pai a ensinar aos discípulos que a missão de Moisés estava concluída e que, de então em diante, era ao Filho que deveriam escutar. Na montanha, o Pai revelou aos apóstolos aquilo que ainda lhes estava oculto: «Aquele que é» revelou «Aquele que é» (cf Ex 3,14), o Pai deu a conhecer o seu Filho.

Santos Justo e Pastore Mártires-Festa: 6 de agosto

São Justo e São Pastor eram dois estudantes de Alcalá de Henares, Castela. Informados por um condiscípulo de que o governador Daciano estava a entrar na cidade, saíram da escola e correram ao encontro do cruel perseguidor. Daciano ordenou que fossem torturados e, no momento da tortura, os dois estudantes começaram a cantar, bendizendo quem os ia martirizar. O governador, que assistia a tudo, ordenou então que lhes cortassem a cabeça, e assim aconteceu em Alcalá de Henares no ano de 340.
(†)Complutum, hoje Alcalá de Henares, por volta de 304
Segundo os seus Atos, datados não antes do século VII e evidentemente lendários, Justo e Pastor eram duas crianças cristãs, filhos de pais também cristãos, que viviam em Complutum, atual Alcalá de Henares (Madrid), no início da perseguição de Diocleciano. Tendo ouvido na escola que o governador Daciano chegara à procura de cristãos para matar, atiraram fora os seus livros e correram para se oferecerem ao martírio. Sem qualquer julgamento, foram imediatamente condenados à morte. A execução ocorreu fora da cidade, onde os seus corpos foram sepultados.

Santo Hormisdas Papa-Festa: 6 de agosto

Natural de Frosinone, Hormisda foi diácono viúvo e seu filho também se tornou Papa. Eleito em 514, seu Pontificado é recordado pela reconciliação entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, depois do cisma de Acácio. De fato, a fórmula da Confissão de fé recebeu o nome de “Hormisda".
Nascido em Frosinone - falecido em 6 de agosto de 523
(Papa de 20/07/514 a 06/08/523) 
Nascido em Frosinone, foi Papa de 514 a 523. Hormisdas era viúvo e diácono romano na época de sua eleição. Seu filho, por sua vez, tornou-se Papa com o nome de Silvério. Uma das primeiras preocupações do Papa Hormisdas foi remover os últimos vestígios do Cisma Laurentiano em Roma, acolhendo de volta à Igreja aqueles que ainda não haviam se reconciliado.

Santa Maria Francisca de Jesus (Anna Maria Rubatto), Virgem e fundadora. Festa: 6 de agosto (23 de janeiro)

(*)Carmagnola, Torino, 14 de fevereiro de 1844
(+)Montevidéu, Uruguai, 6 de agosto de 1904 
Ana Maria Rubatto nasceu em Carmagnola, na província e diocese de Turim, em 14 de fevereiro de 1844. Órfã, mudou-se para Turim para viver com a irmã, entrando depois para o serviço de uma mulher rica, que a considerava como filha adotiva; após a morte da irmã, Ana Maria retornou para junto dela. Constantemente dedicada à oração e às obras de caridade, praticava-as também no verão, quando ia a Loano para nadar. Convidada pelo padre capuchinho Angélico de Sestri Ponente para dirigir um instituto religioso nascente, rezou fervorosamente e consultou, entre outros, São João Bosco. Finalmente, em 23 de janeiro de 1885, recebeu o hábito religioso: essa foi a data de fundação das Terciárias Capuchinhas de Loano (desde 1973, Irmãs Capuchinhas da Madre Rubatto), dedicadas ao cuidado dos enfermos e à educação dos jovens.

Transfiguração do Senhor

A liturgia de hoje comemora a festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dos Evangelistas é São Mateus que refere por minúcias esse fato admirável da vida de Nosso Senhor. Os Santos Padres ocupam-se muito do mistério da Transfiguração de Nosso Senhor, principalmente São Crisóstomo, que escreveu coisas admiráveis sobre o mesmo assunto. O que se segue, são pensamentos daquele Santo Padre, como os propôs aos ouvintes, explicando o evangelho do dia de hoje. Nosso Senhor, tendo falado muitas vezes da sua Paixão e Morte, profetizara aos Apóstolos perseguição e morte cruel; tendo-lhes dado mandamentos positivos e severos, quis mostrar-lhes a magnificência e glória com que voltará no fim do mundo, provar e revelar-lhes, já nesta vida sua majestade, para animá-los e confortá-los nas tristezas presentes e futuras. São Mateus (cap. 17, 1-13) escreve, contando o fato da Transfiguração: "Seis dias depois, (isto é, depois da predição de sua Paixão e Morte) Jesus tomou a Pedro, Tiago e a João". Um outro Evangelista (Lucas 9, 28) diz: "Oito dias depois". Não há contradição entre os dois, porque este conta o dia em que Jesus cursou perante os Apóstolos e o dia em que subiu o monte Tabor, quando São Mateus conta apenas os dias que estão entre estes dois fatos.

Bom Jesus dos Passos - 6 de agosto

A devoção ao Senhor Bom Jesus possui suas raízes em Portugal, de onde foi levada aos países de colonização portuguesa, como Brasil, Angola e Açores. Sob essa invocação, venera-se a imagem de Jesus Cristo, especialmente em diferentes episódios de sua Paixão. Trata-se de uma prática religiosa muito antiga, que participa da memória de diferentes localidades, de todos os estados do Brasil. Os primeiros vestígios do culto ao nosso Senhor Bom Jesus, no Brasil, remonta o século XVII, se organizando junto com os primeiros lugarejos que se tornaram cidades importantes. A imagem venerada na Basílica do Senhor Bom Jesus, na cidade paulista de Tremembé, é certamente a mais antiga de que se tem conhecimento no Brasil. Ela foi benta pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Conceição em 1663, mais de 50 anos antes de ser encontrada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, é uma das mais piedosas e de maior valor artístico. Bom Jesus dos Passos é representado andando com a Cruz. Existem, porém, outras representações relacionadas aos sofrimentos e à Paixão do Senhor, como o Bom Jesus da Coluna (atado à coluna da flagelação), o Bom Jesus da Pedra Fria (ou da Paciência), sentado. Muito conhecida é a imagem do Bom Jesus dos Passos, levando a cruz. Há também as imagens do Bom Jesus do Horto, do Bom Jesus dos Aflitos (ou dos Pobres Aflitos), do Bom Jesus da Boa Morte, entre outras. 
Bom Jesus dos Passos, guiai-nos 

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

Ao transfigurar-se no Tabor, Jesus não quis somente fortalecer os apóstolos, mas todos os fiéis - incluindo cada um de nós -, até o fim do mundo. 
Verdadeiro Homem 
Um dos principais mistérios de nossa Fé é a encarnação do Verbo. Com efeito, quem poderia excogitar a possibilidade de uma das Pessoas da Santíssima Trindade unir sua natureza divina à humana, e - sem deixar de ser verdadeiro Deus - se tornar também verdadeiro Homem? Nunca, pelo simples raciocínio, nenhum homem - e nem mesmo algum Anjo - conceberia tal conúbio entre Criador e criatura. Para conhecermos esse belo e atraente mistério, era necessário que o próprio Deus no-lo revelasse. O Redentor foi radical em assumir a humana condição, dentro da frágil contingência desta (excluído o pecado, como também qualquer defeito). Por exemplo, ao escolher as mais modestas circunstâncias para nascer: a total pobreza, uma gruta, o auge do inverno, tendo por berço apenas uma manjedoura. São inúmeros os episódios do Evangelho nos quais transparece a natureza humana de Jesus: o ter de fugir para o Egito, levado por Maria e José, a fim de poupar-se da espada de Herodes; o trabalhar como humilde carpinteiro, até os 30 anos de idade, evitando chamar a atenção do povo; o fazer penitência durante 40 dias no deserto, suportando as agruras de um terrível jejum; o verter sangue no Jardim das Oliveiras, em meio ao temor e à angústia ante a Paixão; o externar fraqueza física durante sua flagelação e enquanto carregava a cruz ao alto do Calvário. Por fim, a sua morte, como a de qualquer ser humano, e no pior dos suplícios. Como diz São Paulo: “Sendo Ele de condição divina, não reteve avidamente sua condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens” (Fl 2, 5-7). Sem uma especial assistência da graça, seria inevitável para qualquer um, ao ouvir a narração desses fatos, concluir que Jesus não passava de uma mera criatura humana.

ORAÇÕES 06 DE AGOSTO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
6 – Quinta-feira – Transfiguração do Senhor
Evangelho (Mt 17,1-9) “E foi transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz.”
Os três discípulos conheciam Jesus havia bastante tempo, e punham nele muita esperança. O Mestre já lhes anunciara que seria preso e condenado. Mas não estavam preparados para esse futuro. No monte puderam ver que Jesus era mais que um homem. Alguém maior que Moisés e Elias. Teriam de se lembrar disso quando o vissem pregado a uma cruz, arquejante, morto e sepultado.
Oração
Senhor Jesus: fazei que vos conheça mais e estarei preparado para o que me espera, também a morte. Aumentai meu amor, minha fé e minha confiança em vós. E, nos momentos difíceis e decisivos, fazei que me lembre de vós. Não deixeis que me esqueça que, mesmo sem tenda no alto do monte, continuais a meu lado, sois sempre o Filho de Deus que participa de nossa vida. Amém.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Puros de coração”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Fonte da vida
 
O evangelista Marcos traz um aspecto da pregação de Jesus que parece não ter importância. Fala de lavar os pratos... e muitas outras coisas que constituía o mais importante para os fariseus e oprimiam a vida do povo. E Jesus é não contra. Não aceita por valorizam mais que o mandamento de Deus buscando mais a tradição. Isso é muito oportuno para nós, pois há modos de viver a fé que se baseiam só no exterior, e não no que une o coração com Deus. Não convertem o coração. A Jesus interessa a fonte das atitudes. O que suja os homens é o que sai do mau coração e não os ritos exteriores. Esses são necessários, mas não em primeiro lugar. Isso tem muito na fé cristã, seja católica, seja evangélica. As devoções que não envolvem a pureza do coração devem ser revistas. O coração será fonte da vida quando estiver ali a fé em Cristo e o amor a Deus e a seus mandamentos. Jesus liberta-nos desse mal e nos dá os critérios para aquilo que fazemos em nossa fé. Há casos de pessoas que, se ficarem sem uma medalhinha de Nossa Senhora, se sentem inseguros. Mas não se preocupam com os mandamentos. Pode até ajudar, mas se buscarmos a Palavra de Deus e os sacramentos. Por isso disse Moisés: “Nada acrescentareis, nada tirareis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor, vosso Deus que vos prescrevo” (Dt 4,2). Cuidado com o tradicional, só por ser tradicional. Cuidado com o que é avançado, só por ser avançado. É preciso ver o coração. A verdadeira pureza purifica-nos desses males. Jesus liberta dessas prisões, para a pureza da vida pela fé, como nos apresenta o salmo 14. 
Deus está no outro 
Perguntamos: como podemos ter certeza da pureza de nosso coração? Descobrir Jesus nos leva a descobrir o outro. Esta é a religião pura. Tiago, que era muito concreto, diz: “A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo” (Tg 1,27). É isso que faz a diferença na fé: Não é um punhado de verdade, mas uma atitude de vida. Basta seguir Jesus: Deu a vida para que todos tenham a vida e a tenham em abundância. Numa comunidade onde há abandonados, seja na pobreza humana ou na pobreza espiritual, ela não está cumprindo seu dever, ou pior, não tem a vida de Jesus. Esta não é só um dado espiritual, mas se concretiza no amor e no serviço. Assim estamos servindo e amando a Deus, pois o amor de Deus é fonte do amor que se realiza no amor ao próximo. Quando se iniciou a comunidade cristã, era fundamental o serviço aos pobres, que não havia no judaísmo, nem no paganismo. Havia muita viúva abandonada. Os pobres eram uma grande massa sem o mínimo recurso. A Igreja sempre foi e sempre será dos pobres. Que Deus fortifique nosso coração e nos leve a servi-lo em nossos irmãos 
Praticantes da Palavra 
Somos responsáveis por um cuidado sempre maior ao evangelizar, pois a Palavra tem origem Divina. A Palavra é acolhida para ser vivida. Pelo fato de conhecermos pouco a Palavra, procuramos viver o secundário que não nos compromete. Tiago é firme: “Recebei com humildade a palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas” (Tg 1,21b). É preciso fazer a união do culto e vida. Viver a fé não é cumprir leis, mas a Lei de Deus. Essa dará vigor às leis da vida sem que o nosso coração produza obras más ou vazias. Assim se manifesta a fé através das obras (Tg 2,17). 
Leituras: Deuteronômio 4,1-2.6-8; Salmo 14; 
Tiago 1,17-18.21b-22.27; Marcos 7,1-8.14-15.21-23 
1. As devoções que não envolvem a pureza do coração devem ser revistas. 
2. A fé não é um punhado de verdades, mas um dom que leva a uma atitude de vida. 
3. Se conhecermos pouco a Palavra, vivemos o secundário que não nos compromete. 
Saco de lixo 
O coração humano tem facilidade de virar saco de lixo quando vai armazenando o que não precisa para a felicidade. Daquela sujeira não sai nada de bom. Que pena que o coração humano seja feito para saco de lixo. Dali saem só cheiros maus e ratazanas. Horrível. ` Jesus pode ser um excelente lixeiro para tirar fora o ruim e aproveitar para colocar coisas boas. A água limpa purifica as sujeiras. A graça limpa os corações. É do coração que saem os males diz Jesus. Por isso a purificação e limpeza darão bons resultados. Tendo um coração renovado pela Palavra de Deus, pelo acolhimento das indicações espirituais, o coração se torna uma fonte de boas obras.
Homilia do 22º Domingo Comum (29.08.2021)

EVANGELHO DO DIA 05 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 15,21-28. 
Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então, Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Cardeal Joseph Ratzinger 
(Bento XVI Papa de 2005 a 2013) 
Retiro pregado ao Vaticano, 1983 
«Meu Senhor, nosso único Rei, 
vinde socorrer-me, porque estou só e não tenho outro auxílio
 senão Vós» (Est 14,3) 
No evangelho, Jesus convida-nos à oração: «Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á» (Mt 7,7). Estas palavras de Jesus são preciosíssimas, porque exprimem a verdadeira relação entre Deus e o homem, e porque respondem a um problema fundamental de toda a história das religiões e da nossa vida pessoal: será justo e bom pedir alguma coisa a Deus? Ou a única resposta correspondente à transcendência e à grandeza de Deus é glorificá-lo, adorá-lo, dar-Lhe graças, numa oração que será, por conseguinte, desapegada? Jesus ignora este receio. Jesus não ensina uma religião para elites, totalmente desinteressada. A ideia de Deus que Jesus nos ensina é diferente: o seu Deus é muito humano, um Deus bom e poderoso. A religião de Jesus é muito humana, muito simples, é a religião dos simples: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11,25). Os pequeninos, os que têm necessidade da ajuda de Deus e o dizem, compreendem muito melhor a verdade do que os inteligentes, que, recusando a oração de súplica e aceitando apenas o louvor desinteressado de Deus, constroem uma autossuficiência do homem que não corresponde à sua indigência, tal como é expressa nas palavras de Ester: «Vinde socorrer-me, porque estou só» (Est 14,3). Por trás desta nobre atitude que não quer incomodar Deus com os nossos pequenos males, esconde-se a seguinte dúvida: terá Deus poder para responder às realidades da nossa vida, poderá Deus mudar as nossas situações e entrar na realidade da nossa vida terrena? Se Deus não atua, se não tem poder sobre os acontecimentos concretos da nossa vida, como é que continua a ser Deus? Mas, se Deus é amor, o amor não encontrará uma possibilidade de responder à esperança daquele que ama? Se Deus é amor, e se Ele não pudesse ajudar-nos na nossa vida concreta, o amor não seria o poder maior deste mundo.

São Cassiano de Autun Bispo Festa: 5 de agosto

(†)Autun, França, século IV.
 
São Cassiano de Autun foi um bispo do século IV venerado pela Igreja Católica, com uma festa litúrgica celebrada em 5 de agosto. Sua existência histórica é atestada por fontes antigas e fidedignas, principalmente o Martirológio de São Jerônimo e a obra De gloria confessorum, de Gregório de Tours. Este último, escrito no final do século VI, testemunha ter visto pessoalmente seu túmulo em Autun, na Gália Lugdunense, destino de peregrinações para fiéis em busca de cura. Cassiano sucedeu São Retício, bispo presente no Concílio de Arles em 314, situando assim seu episcopado na primeira metade do século IV. Embora os dados históricos sejam escassos, sua figura emerge como a de um pastor sólido, um ponto de referência para a comunidade cristã de Autun durante um período de transição e consolidação da fé.

05 de agosto - Beato Salvio Huix Miralpeix

“Peço-vos, Senhor, a graça de querer sofrer sempre qualquer tribulação, trabalho ou enfermidade, incluso a morte, e derramar o sangue se for necessário para sustentar e defender a honra de vosso Sagrado Evangelho. Confirmai-vos, este propósito, e com vossa Virtude divina, fazei eficaz e perseverante esta minha promessa”. Salvio Huix nasceu no dia 22 de dezembro de 1877, em Santa Margarita de Vellors, Girona, Espanha. Sua família, camponesa e católica tradicional, tinha razoavelmente boas condições e se mantinha repetindo boas práticas como a Missa diária, o Rosário, as visitas ao Santíssimo Sacramento e às práticas de devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Havia sempre padres visitando a casa, bem como alguns sacerdotes na família. Por isso, o jovem Savio não surpreendeu ninguém ao anunciar sua intenção de oferecer-se como um candidato ao sacerdócio, saindo de casa para o seminário menor local quando tinha 10 anos de idade.

05 de agosto - Beato Frederico Janssoone

Homem de intenso trabalho e grande piedade, conhecido como "o Vendedor de Deus", já que era comerciante antes de ingressar na vida religiosa, e colocou a serviço do Evangelho sua intensidade de trabalho. Criou a "Coleta da Sexta-Feira Santa para a Terra Santa." Nasceu na localidade francesa de Ghyvelde em 19 de novembro de 1838. Seus pais eram honrados camponeses que gozavam de boa posição econômica. Coerentes com sua fé católica, a promoveram em seus numerosos filhos. Assim, Frederico, sendo um adolescente, viu no sacerdócio o mais apreciado ideal para sua vida. E depois de cursar os estudos no colégio de Hazebrouck e no Instituto de Nossa Senhora das Dunas, de Dunquerque, ingressou no seminário. Tinha boa base, porque, quando fez sua Primeira Comunhão na idade de 14 anos, havia recebido uma intensa e larga formação. Na ocasião, fazia quatro anos que seu pai havia morrido.

05 de agosto - Santo Emídio

Santo Emídio é muito venerado na Itália, sobretudo porque é considerado protetor contra os terremotos, enchentes e grandes chuvas. Pela mesma razão, seu culto se popularizou muito nos últimos anos nas cidades de Los Angeles e São Francisco, zonas onde também acontecem fortes e frequentes terremotos. Segundo as "atas" Emídio era um alemão originário do Treveris. Nasceu em 278, de origem nobre, converteu-se ao cristianismo e foi batizado aos 23 anos de idade, quando mudou-se para Roma junto de seus amigos Euplo, Germano e Valentino, na época do Papa Marcelo I. Ele então começou a estudar as Sagradas Escrituras se tornando um bom conhecedor da Palavra e começou sua vida como pregador.

Santo Osvaldo da Nortúmbria, Rei e Mártir Festa: 5 de agosto

Maserfield, na Inglaterra, mais tarde tornou-se Oswestry, em honra ao mártir Osvaldo: rei da Nortúmbria, famoso em artes marciais, mas, sobretudo, amante da paz; divulgou implacavelmente a fé cristã na região e foi assassinado, por causa da sua fé em Cristo, enquanto lutava contra os pagãos.
(+)Maserfield (Shropshire), 642 
Oswald, nascido em 604, era filho do rei Æthelfrith da Nortúmbria. Quando o reino foi conquistado pelo rei Edwin, Oswald e sua família refugiaram-se na Escócia, onde ele abraçou a fé cristã. Após a morte de Edwin em 633, ele retornou à Nortúmbria, derrotou o rei britânico Cadwalla em batalha e recuperou o trono. Conta-se que, antes do início da batalha, Oswald ergueu uma cruz de madeira e reuniu seus soldados em oração pela vitória. Após a batalha vitoriosa, o rei chamou um bispo para pregar o Evangelho no reino da Nortúmbria.

Santa Nonna, esposa-Festa: 5 de agosto

(+)5 de agosto de 374
 
Hoje, o Martyrolognum Romanum comemora Santa Nonna, esposa do bispo Gregório, o Velho. Eles tiveram vários filhos, incluindo os santos Gregório Nazianzeno, o Teólogo, César e Gorgônia. Seu culto está centrado perto de Nazianzo, na Capadócia. 
Martirológio Romano: Em Nazianzo, na Capadócia, na atual Turquia, Santa Nonna, esposa do santo bispo Gregório, o Velho, e mãe dos santos Gregório, o Teólogo, Cesário e Gorgônia. 
Santa Nonna nasceu no final do século III e recebeu educação cristã de seus pais. Casou-se com um membro da seita judaico-pagã dos Hipsistas, adoradores do Todo-Poderoso, e logo o converteu ao cristianismo. Ele, que mais tarde se tornou sacerdote e até bispo, já que a prática de clérigos casados ​​era comum no Oriente, é conhecido e venerado como São Gregório, o Velho.

Santa Margarida de Cesolo (a Picena) Dia da Festa: 5 de agosto

(†)5 de agosto de 1395
 
Santa Margarida, conhecida como a "Descalça", nasceu em 1325 em Cesolo, um povoado de San Severino Marche (MC). Seus pais, de origem humilde e dedicados à agricultura, deram-lhe uma profunda educação cristã. Aos 15 anos, enquanto cuidava do rebanho, Jesus lhe apareceu na forma de um peregrino pobre. O peregrino pediu comida, e a menina ofereceu-lhe o único pão que tinha. Voltando para casa com fome, perguntou à mãe se ela tinha algo para lhe dar para comer; a mãe respondeu que não tinha nada. Margarida implorou-lhe que olhasse na amassadeira; a mãe concordou com o seu pedido e, para sua surpresa, encontrou-a cheia de pão, o suficiente para satisfazer as necessidades da família e dos pobres da vizinhança. Não querendo contrariar os desejos dos pais, a santa concordou em casar-se com um jovem da cidade. Teve uma filha, a quem criou segundo os princípios cristãos. Após a morte do marido, ela decidiu dedicar toda a sua vida ao serviço dos pobres, à oração e à penitência.

Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior Festa: 5 de agosto

Esta memória está ligada à dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, no Monte Esquilino, em Roma, considerada o mais antigo santuário mariano do Ocidente. Foi erguida sobre o antigo edifício liberiano pelo Papa Sisto III (432-440), que a dedicou a Deus e à Virgem, solenemente proclamada Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso (431). (Missal Romano)
Martirológio Romano: Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, construída no Monte Esquilino, em Roma, que o Papa Sisto III ofereceu ao povo de Deus em memória do Concílio de Éfeso, no qual a Virgem Maria foi proclamada Mãe de Deus.

Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior - Nossa Senhora das Neves

Imagem de Nossa Senhora das Neves,
que talvez seja mais antiga que se conhece,
e que se diz que foi um quadro pintado por São Lucas
No ano de 363 vivia em Roma um ilustre descendente de nobre família romana, o qual, não possuindo herdeiros, resolveu, em combinação com a esposa, consagrar sua imensa fortuna à glória de Deus e em honra a Santíssima Virgem Maria. Na noite de 4 para 5 de agosto estava pensando seriamente no assunto, quando a Rainha do Céu apareceu-lhe em sonhos e disse-lhe:
- "Edificar-me-eis uma basílica na colina de Roma que amanhã aparecerá coberta de neve"
Ora, nos dias 4 e 5 de agosto, é a época de maior calor na Itália. Mas no dia seguinte, devido a um estupendo milagre, o monte Esquilino estava coberto de neve. A população da cidade acudiu ao lugar do prodígio e até mesmo o Papa Libério que recebeu a mesma revelação também em sonho, acompanhado de todo o clero, para lá se dirigiu. Logo depois de iniciada a construção, a basílica foi denominada de Nossa Senhora das Neves, devido ao fenômeno climático. Este templo, no entanto, é conhecido universalmente pelo nome de Santa Maria Maior (Basilica di Santa Maria Maggiore) por ser a mais importante entre todas as Igrejas de Roma dedicadas à Virgem Santíssima. É a primeira Igreja dedicada a Virgem Maria no Ocidente, e uma das mais belas e adornadas de toda a cidade. Abriga entre outras coisas um relicário com um pedaço da manjedoura do menino Jesus.