sábado, 3 de outubro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - A Igreja na Quaresma

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Fé consciente
 
A Quaresma que é um tempo voltado para Cristo, passa a ser um tempo de conscientização da Igreja sobre seu próprio mistério. A Igreja só tem sentido se está completamente aberta ao Mistério de Cristo que lhe dá significado e sentido. Ela nasce do lado de Cristo ferido pela lança, e ao mesmo tempo vive do sangue e da água derramados. Acolhendo o mistério da redenção, faz dele seu alimento. Quanto mais unida a Cristo, mais a Igreja se converte e por isso usa esse tempo para a preparação dos batismos e a renovação de seus compromissos. É um itinerário de conversão. Deus atua naqueles que buscam Cristo e os faz Igreja em renovação. Quanto mais se une a Cristo pelo esforço de conversão, mais se torna consciente de sua fé. Porque é difícil se converter, então se procuram elementos secundários que nos distanciam do fundamental. Paulo nos orienta pela consciência de sua condição ao dizer: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Para isso se repete: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). É um despojar contínuo de sair de si e revestir-se do Evangelho. Somos uma página do Evangelho. Assim, Jesus Se torna vivo na comunidade. 
Escuta da Palavra 
Jesus nos dá o primeiro modelo de vivência da Palavra quando o Tentador O assedia no deserto. Seria melhor dizer a tentação, pois naquele momento nos é revelado tudo o que Jesus viveu em sua vida. O texto do Evangelho plastificou a tentação numa cena terrificante. Ali está concentrada toda a vida de Jesus como homem tentado em tudo o que é possível a um ser humano. Pois Ele viveu em tudo a condição humana de homem tentado. Só não nos seguiu no pecado. Nisso Se torna o modelo. Foi tentado no pão, no poder e no prazer. Aqui estão todas as tentações. Jesus oferece, a par disso, todos os instrumentos de vitória. A Palavra nos conduz entre os descalabros do ter. Palavra traz a vida, pois ela sai da boca de Deus. É alimento. A ganância do orgulho é vencido pela humildade: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Não precisamos de outros poderes espetaculares. A ganância do prazer, purificada pela Palavra, nos conduz ao amor de adoração totalmente aberto a Deus: “Só a Ele adorarás”. Jesus é a Palavra, mas é também o ouvinte maior dessa Palavra. O coração do Pai era o livro que Ele lia permanentemente. Conversão não são palavras, mas a Palavra que nos penetra. Ser o que Cristo era diante do Pai. Por isso são Jerônimo diz: “Desconhecer os Evangelhos, é desconhecer a Cristo”. Ouvir a Palavra é ouvir a Cristo. Meditar a Palavra é saborear Cristo. 
Exercícios quaresmais 
Por que a Quaresma se torna o tempo da esmola, da oração e do jejum? Esses três elementos nos levam a realizar as palavras de Jesus ditas ao Tentador. A esmola nos ensina a tirar o prazer de possuir mais que é necessário. A pobreza espiritual é não apegar-se ao inútil possuir. A Palavra é que sustenta. A oração coloca-nos na dimensão poder por estar unido a Deus. Rezar é como sugar continuamente a fonte da vida. É manter-se conectado com a Luz. O prazer que a vida oferece é dom de Deus. Quanto mais, melhor. Melhor quando nos colocamos a serviço. O jejum, no sentido de passar fome pode desviar, quando não pensamos no outro. Os exercícios quaresmais não são somente atos de um calendário, mas deve penetrar todo ao que segue.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2022

EVANGELHO DO DIA 03 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Lucas 10,17-24. 
Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos no Céu». Naquele momento, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João-Maria Vianney 
(1786-1859) 
Presbítero, 
Cura de Ars 
Sermões 
Esperar a felicidade do Céu 
Meus irmãos, se a fé nos revela a presença de Deus em toda a parte, a esperança leva-nos a fazer tudo com o único objetivo de agradar a Deus, com o alegre pensamento da recompensa eterna. E, uma vez que esta virtude suaviza tanto o nosso sofrimento, consideremos juntos em que consiste a bela e preciosa virtude da esperança. Se temos a boa fortuna de saber, pela fé, que Deus existe e é o nosso Criador, o nosso Salvador e o nosso Bem supremo, que nos criou com o único fito de O conhecermos, amarmos, servirmos e possuirmos, a esperança ensina-nos que, embora indignos desta felicidade, podemos esperar, pelos méritos de Jesus Cristo, alcançá-la. Para tornar as nossas ações dignas de recompensa, meus irmãos, são necessárias três coisas: a fé, que nos faz ver nelas a presença de Deus; a esperança, que nos leva a realizá-las com o único objetivo de Lhe agradar; e o amor, que nos une a Ele como nosso Bem supremo. Sim, meus irmãos, nunca saberemos a dimensão da glória que cada ação nos trará no Céu se a fizermos unicamente por Deus; nem os santos no céu o compreendem. Mas, perguntareis, o que significa a palavra «esperança»? Eis a resposta: significa ansiar por algo que nos faça felizes na vida futura; desejar ardentemente a libertação dos males desta vida e almejar a posse de toda a sorte de bênçãos capazes de nos satisfazerem plenamente. A nossa esperança deve ser universal, isto é, devemos recorrer a Deus em tudo o que nos acontece.

03 de outubro - Beato Jesús Emilio Jaramillo Monsalve

Com Nossa Autoridade Apostólica declaramos que os Veneráveis Servos de Deus: Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, do Instituto de Missões Estrangeiras de Yarumal, Bispo de Arauca, e Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote diocesano, Pároco de Armero, mártires, que, como pastores segundo o coração de Cristo e coerentes testemunhas do Evangelho, derramaram o sangue por amor ao rebanho que lhes foi confiado, de agora em diante, sejam chamados Beatos, e se poderá celebrar sua festa cada ano, nos lugares e no modo estabelecido pelo Direito, em 3 e 24 de outubro, respectivamente. 
Papa Francisco – 09 de setembro de 2017 

Santos André de Soveral, Ambrósio Ferro e Companheiros

No Brasil houve grandes mártires no Rio Grande do Norte na época (1630-1654) em que os holandeses protestantes calvinistas ocuparam alguns lugares no país e quiseram obrigar o povo católico a se tornar calvinistas. Morreram em defesa da fé católica e por isso os que foram identificados foram beatificados pelo Papa. O primeiro grupo de católicos massacrados pelos calvinistas, cerca de 70 pessoas aproximadamente, foi trucidado na capela da Vila de Cunhaú, Rio Grande do Norte. O segundo grupo de mesmo número foi chacinado em Uruaçu.

São Mateus Moreira

Mateus Moreira e seus companheiros são conhecidos como ‘mártires de Uruaçu’, um porto que ficava a três léguas de Natal no Rio Grande do Norte. Era um lugar deserto e sem habitações e as pessoas que foram levadas até lá para serem martirizadas pertenciam à Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação em Natal. A comunidade paroquial era constituída na sua maioria por portugueses ou descendentes de portugueses nascidos no Brasil. Não havia se iniciado o processo de miscigenação das raças indígena e europeia, assim os índios permaneciam nas aldeias onde eram assistidos pelos missionários. É por isso que entre os mártires não há nenhum índio.

Santa Cândida Mártir de Roma -Festa: 3 de outubro

(†)Roma, séculos III-IV.
 
Ela é uma mártir romana associada ao cemitério pôntico na Via Portuense, na área da atual Monteverde. Sua memória pertence a uma fase muito antiga da tradição cristã romana: o Martirológio de São Jerônimo preserva seu nome, e roteiros de peregrinação do século VII atestam a existência de uma igreja dedicada a Cândida, onde seu corpo era venerado. Esses dados permitem considerar historicamente certa a existência de um antigo culto romano associado a uma mártir chamada Cândida, mas não permitem reconstruir uma biografia detalhada. De fato, não sobreviveram registros de seu martírio ou de uma Paixão antiga independente. A ligação com a perseguição de Diocleciano aparece na tradição hagiográfica relativa aos mártires do cemitério pôntico, mas a data precisa do martírio de Cândida não está documentada.

Bem-aventurada Madalena, a Grande Virgem Mercedária

Festa: 3 de outubro
 
Conhecida como a Maior, a Beata Madalena, freira mercedária do Mosteiro da Assunção em Sevilha, Espanha, resplandeceu com a inocência e a santidade de sua vida. Ela emigrou, repleta de dons celestiais, para o encontro com seu eterno Esposo. A Ordem celebra sua vida em 3 de outubro.

Beata Agostinha da Assunção,Virgem Mercedária Festa: 3 de outubro

O Beata Agostinha da Assunção, monja em Sevilha (Espanha) no mosteiro mercedário da Assunção, rezava todos os dias ao Senhor pela conversão dos pecadores. Durante sua vida, ela foi animada por frequentes aparições de Nossa Senhora até que, rica em obras santas, voou para a pátria do paraíso. A Ordem celebra-o no dia 3 de outubro. 
Etimologia: Agostina = pequeno venerável, do latim

Santos Máxima, Júlia e Veríssimo, Mártires de Lisboa - 3 de outubro

 

     Assim diz o Martirológio Romano de 1953: “Em Lisboa, na Lusitânia (agora Portugal), os santos mártires Veríssimo e suas irmãs Máxima e Júlia, que sofreram durante a perseguição do imperador Diocleciano” (284-305). Uma das referências mais antigas dos mártires de Lisboa é encontrada no Martirológio de Usuardo do século IX. Os testemunhos litúrgicos multiplicaram-se ao longo dos séculos X e XI. O Padre Miguel de Oliveira sustenta a opinião de que "os santos mártires de Lisboa já estavam inscritos nos calendários uns 200 anos depois do seu martírio". Esta devoção foi guardada pela comunidade moçárabe de Córdoba. Quanto aos detalhes da vida destes mártires, só os conhecemos pelo descrito num códice quatrocentista da Biblioteca Pública de Évora, (cód. CV/1-23d).

Veríssimo, Máxima e Júlia mártires, Santos +303

Testemunho de uma cristandade, de que pouco se conhece, o culto dos mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, surge envolto em nebulosa, que apenas permite com rigor atentar na perenidade de uma memória cultivada em Lisboa, muito embora se estenda por outras zonas, como Coimbra, Braga e Porto. Na Diocese do Porto, têm S. Veríssimo como padroeiro as paróquias de Paranhos, Valbom, Nevolgilde, Lagares (Felgueiras) e São Veríssimo, de Amarante. Uma das referências mais antigas referentes aos mártires de Lisboa surge no Martyrologium de Usuardo que, em 858, percorre diversas cidades hispânicas em busca de relíquias. Os testemunhos litúrgicos multiplicam-se ao longo dos séculos X e XI, sendo convergentes, ao consignarem o dia 1 de Outubro para memória dos três irmãos.

Santo Ewald, o Negro, e Santo Ewald, o Branco, monges e mártires. -Festa: 3 de outubro

(*)Grã-Bretanha, século VII 
(†)Renânia, Alemanha, 3 de outubro de 695 
Os santos com esse nome que são lembrados hoje são, na verdade, dois: Edwald, o Branco, e Edwald, o Negro, padroeiros da Vestfália, assim chamados por causa da cor de seus cabelos. De origem anglo-saxônica, nasceram na Grã-Bretanha no século VII e, em 690, seguiram seu abade Willibrord (657-739), que com onze monges havia começado seu trabalho de evangelização entre os frísios ocidentais. Em 695, Willibrord os enviou para evangelizar os saxões. Suas intenções, no entanto, não puderam ser concretizadas, pois, no mesmo ano de 695, os dois monges foram martirizados por alguns fanáticos, defensores de suas tradições pagãs e temerosos da propagação do cristianismo entre o povo saxão.

Francisco de Borja Leigo, Jesuíta, Santo (1510-1572)

Duque de Gandia, 
casado e pai de 8 filhos. 
Sacerdote da Companhia de Jesus 
da qual foi Geral.
Francisco de Borja e Aragão, filho de João de Borja, 3º Duque de Gandia, nasceu a 28 de Outubro de 1510 no Ducado de Gandia, Valência (Espanha). 
Infância e juventude 
Desde pequeno era muito piedoso e desejou tornar-se monge, sua família porém o enviou à corte do imperador Carlos V. Ali se destacaria acompanhando o imperador em suas campanhas e casando-se com uma nobre portuguesa: Eleonor de Castro Melo e Menezes, com a qual teve oito filhos: Carlos, Isabel, João, Álvaro, Fernando, Afonso, Joana e Doroteia. Nobre e considerado “grande de Espanha”, em 1539 escoltou o corpo da imperatriz Isabel de Portugal à sua tumba em Granada. Se diz que, quando viu o efeito da morte sobre o corpo daquela que tinha sido uma bela imperatriz decidiu “nunca mais servir a um senhor que me possa morrer”.

Maria Josefa Rossello Religiosa, Santa 1811-1880

Religiosa italiana do Instituto
 das Filhas de Nossa Senhora 
da Misericórdia.
Benedita Rossello era natural da belíssima cidade de Albissola Mariana, em Savona, na Itália. Nasceu no dia 27 de maio de 1811, descendente de uma humilde família de fabricantes de vasilhas e, desde cedo, teve de, literalmente, "colocar a mão na massa" para ajudar o pai com a modelação da argila. Mas trabalhar para a família não era o suficiente para Benedita. O que ela mais queria era trabalhar para o mundo, para os outros, para o próximo. Inscreveu-se muito jovem na Ordem Terceira de São Francisco e, aos dezanove anos, empregou-se numa residência para dar assistência ao chefe da família em sua doença.

Columba Marmion Abade benedotino, Beato (1858-1923)

Sacerdote beneditino. 
Reformador desta Ordem. 
Era irlandês de pai e francês de mãe.
O menino vestido de negro 
Nasceu ele em Dublin, Irlanda, a 1 de Abril de 1858, no seio de uma família de sólida formação católica. Sendo de frágil compleição, seus pais, William Marmion e Herminie Cordier, se apressaram em conduzi-lo à fonte baptismal, dando-lhe o nome de José. Criança de privilegiada inteligência e equilíbrio temperamental, parecia externar sob todos os aspectos uma vocação sacerdotal, embora não dispensasse os entretenimentos próprios à idade. Observando estes sinais, os pais tomaram uma singular decisão: vesti-lo sempre de negro, prevendo o hábito eclesiástico que um dia haveria de tomar. Explicaram-lhe que procediam assim porque seria sacerdote. Mas o menino pareceu não se importar muito com isso. Estava mais interessado em escalar árvores e capturar borboletas.

ORAÇÕES - 03 DE OUTUBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
3 – Sábado – Santos: André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro e Comps.
Evangelho (Lc 24,10-17) “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! ... muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver...”
Não podemos dizer que são tristes os nossos tempos. O Filho de Deus veio viver nossa vida humana, e oferece-nos a possibilidade de uma vida nova na verdade e no amor. Temos a possibilidade de viver mais facilmente que os antigos, porque conhecemos o evangelho e a humanidade melhorou muito. O que devemos é tornar mais conhecida e viver mais a proposta de Jesus.
Oração
Senhor Jesus, eu vos agradeço porque, apesar de nossas resistências, fizestes o mundo muito melhor do que era antes. Não permitais que desanime e viva a me lamentar. Ajudai-me antes a vos seguir mais de perto, e a fazer mais para ajudar meus irmãos a vos conhecer. E mostrai-me o que fazer para diminuir sofrimentos e injustiças, e espalhar esperança, paz e alegria na terra, Amém.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Produzir frutos”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Se não vos converterdes 
A meta da Quaresma é conduzir para a celebração da Ressurreição do Senhor. Como sacramento memorial, a Páscoa acontece para nós e em nós. A Páscoa é eterna. Quando celebramos, é para mais profundamente acolher esse mistério em nossa vida. A liturgia de hoje quer nos mostrar a ação de Deus por nós manifestando-se a Moisés como primeiro passo do caminho da Páscoa. Jesus acena para algo importante que é necessidade da conversão que acontece quando nos convertemos. Converter-se não é algo puramente interior, mas é “produzir frutos”. A parábola oferece também a misericórdia de Deus que espera contando com nossa fragilidade: “Senhor, deixa a figueira ainda esse ano. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der então tu a cortarás” (Lc 13,8-9). Paulo chama a atenção dos coríntios dizendo que não têm direitos adquiridos e podem fazer o que quiserem. Os judeus receberam tantas maravilhas e milagres em sua libertação, na passagem do Mar Vermelho, o maná, a água da rocha e tantas belezas a mais. No entanto quase todos morreram no deserto. Insiste: “Não murmureis como muitos deles murmuraram e por isso foram mortos pelo anjo exterminador” (1Cor 10,1ss). Paulo chama a viver intensamente e não descuidar nunca da conversão permanente: “Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (Id 12). A Páscoa não se reduz a uma celebração, mas é um colocar em prática a vida cristã. Converter-se é produzir frutos 
Caminho de libertação 
A maravilhosa história do Êxodo, não é só uma narrativa heróica das maravilhas feitas por Deus. É o caminho da Páscoa. Deus começa sempre longe para conduzir a uma realização maior. Vemos como Deus conduziu José ao Egito e o levou ao fundo do calabouço. Dali o tira com os dons que lhe deu. José salva sua família. E reconhece a ação de Deus. Depois de 400 anos, novamente, um menino jogado no rio Nilo e que se torna um refugiado, é escolhido por Deus para receber o grande presente de Deus para o povo: A libertação. Moisés, um simples pastor, trabalhando para o sogro, tem o maravilhoso encontro com Deus e recebe dele a missão de libertar. Que garantia? O nome de Deus é a garantia. Ele é a garantia de toda a libertação: “E Sou Aquele que Sou”. Eu existo e existir é ser para os outros. Deus envia Moisés para libertar. Não sabia nem falar... Moisés era a palavra e Aarão seu profeta. Conhecer o nome de Deus é conhecer os caminhos de libertação. O processo quaresmal se encerra com a libertação no Mistério Pascal de Cristo que chega a nós através das águas do Batismo. A vida do batizado é produzir frutos. 
Assumir pessoalmente 
Jesus é um empresário que quer produção, quer resultados na vida. Vivemos um cristianismo amorfo e morto. Não tem forma nem vida. Jesus foi à figueira. De onde vem o fruto? Da árvore viva. O arbusto onde Deus se manifestou poderia não ter muita vida num lugar deserto, mas a vida de Deus se manifestou. Moisés assumiu a missão e enfrentou a grandeza do faraó e tirou o povo do Egito. Não é preciso preocupar-se de como foi na verdade, mas que foi a verdade: Deus salvou o seu povo. Essa salvação nos chegou através de Jesus que veio em nome do Pai. E praticou uma libertação muito maior. Unidos na força do Batismo em nós podemos levar adiante essa libertação. 
Leituras: Êxodo 3,1-8ª.13-15;Salmo 102; 
 1 Coríntios 10,1-6.10.12; Lucas 13,1-9. 
1. Quando celebramos, é para mais profundamente acolher esse mistério em nossa vida. 
2. Conhecer o nome de Deus é conhecer os caminhos de libertação. 
3. Jesus é um empresário que quer produção, quer resultados na vida. 
Bananeira sem cacho 
Fui buscar fruta e não encontrei. Árvore sem fruto é corpo sem vida. Que delícia quando encontramos as plantas carregadas de fruto. Quanta riqueza aos olhos e quanto apetite. Como Deus é bom na sua criação. Que abundância. Por isso os evangelhos sempre trazem essas comparações. Tudo que toca o estômago interessa. Deus, quando vem ao nosso jardim, espera sentir esses prazeres. Mas deve ser entristecedor, quando nos vê esturricados. É tempo de produzir frutos. 
Homilia do 3º Domingo da Quaresma (20.03.22)

EVANGELHO DO DIA 02 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Mateus 18,1-5.10. 
Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no Reino dos Céus?». Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes: «Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Bernardo 
(1091-1153) 
Monge cisterciense, doutor da Igreja
12.º sermão sobre o Salmo 90 
«Vou enviar um anjo à tua frente, 
para que te proteja no caminho 
e te conduza ao lugar que 
preparei para ti» (Ex 23,20) 
«Ele mandará aos seus anjos 
que te guardem em todos 
os teus caminhos» (Sl 91,11). 
Que respeito estas palavras não suscitarão em ti, que fervor não farão nascer, que confiança não te inspirarão: respeito pela sua presença; fervor pela sua benevolência; confiança pela sua vigilância. Eles aí estão, a teu lado, e não estão contigo apenas, estão aí verdadeiramente por causa de ti e para ti; estão presentes para te proteger, para te socorrer. Como retribuirás ao Senhor tudo o que Ele te deu? (cf Sl 115,3). A Ele, e só a Ele, devemos gloriar e honrar por este auxílio; foi Ele quem lhes deu ordens para estarem ao nosso lado, pois «toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto» (Tg 1,17), vêm de Deus. Não podemos deixar de estar reconhecidos aos anjos, tendo em conta a grande caridade com que obedecem e a extrema necessidade que temos da sua ajuda. Tenhamos, pois, o maior respeito e reconhecimento por tal vigilância da sua parte; pelo nosso lado, amemo-los e honremo-los quanto pudermos Amemos os anjos em Deus, com a consciência de que eles serão um dia nossos co-herdeiros e de que, até lá, o Pai dispõe e ordena que eles sejam para nós guias e educadores. Porque «agora somos filhos de Deus» (1Jo 3,2), mesmo que tal não apareça ainda claramente, uma vez que somos, por enquanto, filhos submetidos a intendentes e a educadores, e parece que em nada nos distinguimos dos servos. No entanto, por pequenos que sejamos, por longa que seja a estrada que nos falta percorrer, que temos a temer sob tão boa guarda? Os anjos são fiéis, sábios, fortes - nada temos a recear. Sigamo-los, liguemo-nos a eles, pois estaremos sob a proteção do Deus do Céu.

02 de outubro - Beato Jan Beyzym

Saúdo os Padres Jesuítas: Hoje, tendes um novo Beato: Jan Beyzym. A sua dedicação à causa de Deus e do homem necessitado constitua para todos vós um exemplo que vos leve a empreender sempre novas tarefas, em conformidade com as exigências dos tempos. 
Papa São João Paulo II 
18 de agosto de 2002 
Um dia em 1890, numa comunidade jesuíta na Ucrânia, um artigo sobre leprosos estava sendo lido no refeitório. Um noviço empurrou seu prato, dizendo: "Estou surpreso que as pessoas possam ler essas coisas repugnantes durante as refeições." Seu vizinho, que estava ouvindo com um estado de espírito completamente diferente, ficou comovido com a descrição dos sofrimentos dos leprosos... Alguns anos depois, ele falou sobre isso para seu confessor, era o Padre Beyzym.

Beata Maria Guadalupe (Maria Francesca) Ricart Olmos Virgem e mártir Festa: 2 de outubro

(*)Albal, Espanha, 23 de fevereiro de 1881 
(✝︎)Silla, Espanha, 2 de outubro de 1936 
Martirológio Romano: Na aldeia de Silla, perto de Valência, também na Espanha, a Beata Maria Guadalupe (Maria Francesca) Ricart Olmos, religiosa da Ordem dos Servos de Maria e mártir, que na mesma perseguição foi coroada com o martírio por ter testemunhado Cristo. Maria Francesca Ricart Olmos nasceu na Espanha, perto de Albal, em 23 de fevereiro de 1881, filha de Francesco Ricart e Maria Olmos Dalman, a segunda de quatro irmãos, dois meninos e duas meninas. Apesar de sua natureza expansiva e exuberante, a jovem notou em si mesma uma inclinação particular para a vida contemplativa: "Ela adorava rezar a Jesus sozinha, ficar tempo com ele para lhe contar as muitas coisas que fluíam de volta em seu espírito em contato com as vicissitudes de todos os dias. Jesus era, portanto, seu amigo secreto, aquele a quem se podia contar tudo e por quem se sentia ouvido e compreendido.

Beata Maria Antonina Kratochwil, virgem e mártir - 2 de outubro

Martirológio Romano: Na cidade de Stanislawòw, então da Polônia, Beata Maria Antonina Kratochwil, virgem da Congregação das Irmãs das Escolas de Nossa Senhora, e mártir, que na época da 2ª. Guerra Mundial foi encarcerada por sua fé e morreu por causa das torturas suportadas por Cristo.
     Maria Ana Kratochwil nasceu em Ostrava-Vitcovice (Moravia), hoje República Checa, em 1881. Como seu pai morreu muito prematuramente, a menina foi internada no orfanato de Bielsko, dirigido pelas Irmãs Escolásticas de Nossa Senhora. Maria Ana fez os estudos de magistério e em 1906 pode colocar-se como professora na escola de Karwin.
     Três anos mais tarde ingressava na mencionada Congregação, pronunciando os votos em 27 de setembro de 1910 com o nome de Irmã Maria Antonina. Foi professora nos colégios de Karwin, Lvov e Tlumacz, e em Lvov exerceu a função de mestra das candidatas a religiosas de sua Congregação.