quarta-feira, 24 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA -“Reacendeis a fé”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
PADRE JOSÉ OSCAR BRANDÃO
REDENTORISTAS NA PAZ DO SENHOR
Meu Senhor e meu Deus
 
A celebração do Tempo Pascal é importante para fortalecer nossa fé no Cristo vivo. Aquele que estava morto agora está vivo, é o Vivente. A evangelização dos apóstolos partia sempre desse ponto: da experiência de Cristo Vivo. Mesmo Paulo, que não era dos discípulos de Jesus, afirma essa experiência pessoal: “Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortado” (1Cor 15,8), no sentido de não merecer. Acolhemos essa experiência, e de certo modo, a fazemos, porque cremos. Sem isso, pregamos uma religião e não uma fé. Os apóstolos se sentiam fortes e enfrentavam aqueles que tinham matado o Mestre e o faziam com o risco das próprias vidas. Nada os detinham. Tomé se torna um exemplo da fé. Ele duvidou da Ressurreição. Quando fez a experiência do Ressuscitado, foi ao ponto mais alto da fé: “Meu Senhor e meu Deus”! (Jo 20,28). E Jesus acrescenta que crer no testemunho dos apóstolos é maior que a fé de Tomé que precisou tocar. Todos nós temos que chegar ao momento em que Tomé chegou: a fé não só na Ressurreição, pois ele O tocava com as mãos, mas na divindade do Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Fé maior tem quem crê sem ver, sem tocar. Aceitamos o testemunho dos apóstolos sem nos questionar de sua veracidade. A aparição de Jesus dá o Espírito Santo. É o Espírito que desperta em nós a fé. Se é fé verdadeira, a vida se torna verdadeira e testemunha Jesus. 
Nossa vitória 
“Essa é a vitória que vence o mundo: a nossa fé; Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1Jo 5,4-5). A fé é uma adesão a um dom espiritual. Mas que se realiza e concretiza na vida, pois a Encarnação de Jesus, de certo modo, continua naquele que crê. Fé não é um princípio abstrato. É um dom de Deus para fazer um mundo novo que nos insira totalmente na Vida Divina. É assumir Deus na vida, pois fomos assumidos por Ele. Jesus realizou a redenção espiritual na condição humana. Morreu na condição humana que estava unida à sua Divindade. Assim teve a vitória sobre a morte. Seu ser humano foi morto, mas ressuscitado pelo Ser Divino, na condição do Homem Novo. Crendo, fazemos essa passagem. A adesão humana torna-se Divina pela participação em Deus. Assim temos a vitória de Jesus sobre a morte e sobre o mal. Nós o realizamos em processo. Temos que levar a opção espiritual ao concreto da vida. Essa ação transformadora é realizada pelo Espírito Santo. Recebemos o Espírito Santo como os apóstolos para o perdão, mais ainda para a reconciliação do Universo e de nosso coração. Essa reconciliação é unir a fé à vida, o espiritual ao material. Chamando Cristo de pedra angular (Sl 117), estamos dizendo que não podemos fazer da fé, da Igreja e do mundo sem Cristo. A fé nos une a Ele e com Ele mudamos o mundo.
Crer sem ver 
Na trilha do anúncio da Ressurreição aparece o anúncio da comunidade como resultado do desígnio salvador de Deus em Cristo. Já no início de seu ministério, como diz Marcos, “Chamou a si o que Ele quis, e eles foram até Ele. E constituiu Doze, para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar” (Mc 3,13-14). No início do ministério já constitui a comunidade e a missão. No início do novo povo, constitui a comunidade para a vida e a missão. “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32). Como viviam? “Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Isso é viver a Ressurreição. 
Leituras:Atos 4,32-35; Salmo 117;
1Jo 5,1-6; João 20,19-31 
1. Acolhemos experiência de Cristo ressuscitado e a fazemos, porque cremos. 
2. A fé um dom de Deus para fazer um mundo novo que nos insira na Vida Divina. 
3. No anúncio da Ressurreição aparece o anúncio da comunidade como resultado do desígnio salvador de Deus em Cristo 
Ajuntamento sem vírus 
Vivemos um momento de tanto cuidado para não ajuntar as pessoas. Isso passa. Amanhã estaremos todos agarradinhos sem medo de vírus. A Ressurreição fez muita confusão. Foi um tal de gente trombar naquele dia. Afinal era para perder a cabeça mesmo. Façamos uma comparação. Se um familiar desaparece (nem precisa ter morrido) e consegue voltar, É uma alegria muito grande. Agora, depois de morto, aparecer no meio, todo alegre. Deve ter tido algum que tentou fugir. Mas a alegria foi muito grande. Juntos ali continuaram a missão formando comunidades unidas e atuantes. Quem acreditou entrou nesse grupo, nesse corpo de vida. Jesus também aparece sempre. Como estamos acostumados não nos assustamos. 
Homilia do 2º Domingo da Páscoa (11.04.2021)

EVANGELHO DO DIA 24 DE JUNHO

Evangelho segundo São Lucas 1,57-66.80. 
Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel. 
Tradução litúrgica da Bíblia
Liturgia bizantina 
Lucernário das Grandes Vésperas 
da festa da Natividade 
Quantos os ouviam contar diziam: "Quem virá a ser este menino?"» Neste dia vem ao mundo o grande Precursor, fruto do seio da estéril Isabel. Ele é o maior entre os profetas; nenhum outro surgiu como ele (cf Mt 11,11), pois ele é a candeia (cf Jo 5,35) que antecede de perto a claridade suprema, e a voz (cf Mt 3,3) que precede o Verbo. Ele conduz a Cristo a Igreja, sua noiva (cf Jo 3,29), e prepara para o Senhor um povo escolhido, purificando-o com a água, enquanto aguarda o Espírito. De Zacarias nasce essa planta jovem, o mais belo entre os filhos do deserto, o arauto do arrependimento, aquele que purifica pela água (cf Lc 3,16) os que se transviaram, aquele que leva, como precursor (cf Lc 1,17), o anúncio da ressurreição até à casa dos mortos (cf Mc 6,28), e que intercede pelas nossas almas. Desde o seio de tua mãe, bem-aventurado João, tu foste o profeta e o precursor de Cristo: estremeceste de alegria vendo a Rainha vir até junto da serva, levando a ti Aquele que o Pai gera sem mãe desde toda a eternidade (cf Lc 1,40). Tu, que nasceste de uma mulher estéril e de um velho, segundo a promessa do Senhor (cf Lc 1,13), pede-Lhe que tenha piedade das nossas almas.

Santos João e Festo, mártires de Roma Festa: 24 de junho

São poucas as informações sobre a vida destes dois mártires romanos, provavelmente comemorados juntos no dia da sua morte. Segundo algumas fontes, João era um sacerdote, decapitado na época de Juliano, o Apóstata. Ambos foram sepultados em um cemitério, ao longo da Via Salária antiga.
Pouco se sabe sobre a vida desses dois mártires romanos, provavelmente comemorados juntos no dia de suas mortes. Segundo algumas fontes, João era um sacerdote decapitado durante o reinado de Juliano, o Apóstata. Ambos estão sepultados em um cemitério ao longo da antiga Via Salária.
Martirológio Romano: Em Roma, na antiga Via Salária, os santos João e Festo, mártires. 

Santa Maria Guadalupe Zavala, Fundadora - 24 de junho

 

No Evangelho lemos a tríplice pergunta que Jesus fizera a Pedro:  "Tu amas-Me?". Cristo faz esta mesma pergunta aos homens e mulheres de todas as épocas. Aconteceu assim na vida da Beata Maria Guadalupe Garcia Zavala, mexicana, que ao renunciar ao matrimônio, se dedicou ao serviço dos mais pobres, dos necessitados e dos enfermos, e por isso fundou a Congregação das Servas de Santa Margarida Maria e dos Pobres.

     Com fé profunda, uma esperança sem limites e um grande amor a Cristo, a Madre Lupita procurou a própria santificação partindo do amor ao Coração de Jesus e da fidelidade da Igreja. Desta forma viveu o lema que deixou às suas filhas:  "Caridade até ao sacrifício e constância até à morte".
 
     Anastásia Guadalupe García Zavala nasceu em 27 de abril de 1878 em Zapopan, Jalisco, México. Foram seus pais Fortino Garcia Zavala e Refugio de Garcia.

Natividade de São João Batista, Precursor do Senhor Festa: 24 de junho

(*)Ain Karem, Judeia 
(†)Maqueronte-Transjordânia, século I 
João Batista é o único santo, além da Mãe do Senhor, cujo nascimento para o céu celebra também o seu nascimento segundo a carne. Ele foi o maior dos profetas porque pôde apontar para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sua vocação profética desde o ventre materno é cercada por eventos extraordinários, repletos de alegria messiânica, que preparam o caminho para o nascimento de Jesus. João é o Precursor de Cristo por meio de suas palavras e de sua vida. O batismo de penitência que acompanha o anúncio do fim dos tempos é uma figura do Batismo segundo o Espírito. A data da festa, três meses após a Anunciação e seis meses antes do Natal, corresponde às indicações de Lucas. 
Patronato: Monges 
Emblema: Cordeiro, machado 
Martirológio Romano: Solenidade da Natividade de São João Batista, precursor do Senhor: já no ventre de sua mãe, cheio do Espírito Santo, alegrou-se com a vinda da salvação da humanidade; seu próprio nascimento foi uma profecia de Cristo Senhor; tamanha graça resplandeceu nele que o próprio Senhor disse que ninguém nascido de mulher era maior que João Batista.

Beata Raingarda de Semur, Viúva, religiosa - 24 de junho

Raingarda de Semur nasceu c. 1075. Era filha de Godofredo III, Senhor de Semur e de Ermengarda de Montagu. Por volta de 1093 desposou Pedro Mauricio de Montboissier. Montboissier é um castelo cujas ruinas se elevam ainda agora na Alvernia, França. A maior glória deste matrimônio são os filhos, Raingarda teve oito: o primeiro foi Arcebispo de Lyon; quatro foram abades beneditinos, um dos quais é São Pedro o Venerável, abade de Cluny; um morreu jovem; Hugo teve duas filhas que se juntaram a avó quando esta ingressou no Mosteiro de Marcigny; e Eustáquio, o único a perpetuar o nome da família. Raingarda entregou-se completamente nos cuidados de sua numerosa família, conservando no fundo do coração a pena de não se ter desapegado inteiramente do mundo.

ORAÇÕES - 24 DE JUNHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
24 – Quarta-feira – Natividade de S. João Batista
Evangelho (Lc 1,5-17) “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João.”
O Senhor não apenas atendia à oração de um casal idoso, que talvez até já deixara de lhe pedir um filho. Começava a cumprir de forma definitiva as promessas de salvação. E mesmo preparando para todos a chegada do Salvador prometido, cuidava da alegria e felicidade daquele casal. Deus quer nossa alegria já agora, na medida do possível aqui, e alegra-se com nossa felicidade.
Oração
Senhor meu Deus, há tantos casais desejando uma criança, fruto do vosso e do seu amor. Atendei suas preces, fazei-os alegres e felizes, amadurecendo sempre o amor que lhes destes. Olhai também pelos casais ainda fechados no egoísmo, ajudai-os a ver que podem ser fonte de vida e felicidade para muitos. Que os casados assumam no amor a tarefa de salvação que lhes confiastes. Amém

terça-feira, 23 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - É Páscoa do Senhor

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Vigília para o Senhor
 
Celebrada a Vigília Pascal entramos na alegria de 50 dias da Páscoa, como num grande domingo, no dizer de S. Atanásio. A Páscoa penetra a vida da Igreja em todos os seus segmentos. Podemos dizer que a Páscoa é uma festa permanente. A libertação se faz presente. Cada celebração é Páscoa. Cada ato de amor é Páscoa, pois passamos da morte para a vida. A ponta humana da Páscoa é o sair de si. Infelizmente não temos nem a prática, nem o conhecimento do sentido de vigília. Já pensamos logo no sono que vamos sentir. Mas passamos noitadas em tantas festas, sem problema de sono. É vigília, não é velório. Basta ver como realizar. Vamos tentar descobrir o sentido de Vigília para o Senhor. Naquela noite, o povo teve que sair às pressas para a libertação, tanto que a massa do pão ainda não estava ainda fermentada (Ex 12,39). Páscoa é passagem do Senhor. Deus mandou conservar o rito: “É o sacrifício da Páscoa para o Senhor, que passando, poupou as casas dos Israelitas, atacou o Egito e salvou nossas casas” (Ex 12,25-27). “Está expresso aí o valor do rito pascal: uma memória eficaz dos acontecimentos da salvação celebrada durante uma vigília”. Assim ensina o I Targum (livro hebraico): “A vinda do Messias se dará numa noite de Páscoa”. Olhando para o futuro, em uma noite como essa, o mundo chegará a seu fim. Na Páscoa cristã temos a mesma dimensão: “A memória-presença do mistério de Cristo que vence a morte. Estamos clamando pelo retorno do Senhor, como a volta do patrão da noite de núpcias, para abrir a porta, assim que ele bater” (Lc 12,35-36).
As quatro noites 
Na reflexão sobre a noite de Páscoa, temos o ensinamento sobre as “quatro noites”. Esse tema não é muito comentado, mas pode ampliar nossa reflexão. A primeira noite é aquela na qual Deus Se manifestou para criar o mundo. A Palavra de Deus a iluminou (Gn 1,2). A segunda noite é a aliança de Deus com Abraão com a promessa da terra aos descendentes (Gn 15,18). A terceira é a noite em que Deus se manifestou contra os egípcios protegendo os primogênitos hebreus. A quarta noite será quando o mundo, chegado a seu fim, será dissolvido. A memória pascal é criadora de um mundo novo. Com Jesus se supera a noite do mundo e se abre a luz de uma manhã para todo o universo. “E ouve tarde e manhã, primeiro dia” (Gn 1,3-5). É primeira característica. A segunda característica é a criação de um povo através do Filho Unigênito de Deus, Jesus, Primogênito do novo povo de Deus. Nele são renovadas todas as coisas. No Apocalipse João proclama: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). A terceira característica é a ação libertadora. A saída do Egito é uma profecia da libertação do mal. A quarta é a que fazemos em cada celebração: “Vinde, Senhor Jesus!”. É tempo da espera. Podemos estar seguros que Ele fará nossa Páscoa definitiva. A Vigília é uma memória e uma espera. 
Mãe de todas as vigílias 
Os mestres da Igreja dos primeiros séculos, que chamamos de Santos Padres, tinham uma consciência profunda, vivencial e celebrativa da Vigília Pascal. S. Agostinho a chama de “Mãe de todas as vigílias”. A fé na Ressurreição era uma cultura. Pelos textos e ritos realizamos, na fé, o mistério da Ressurreição que se torna presente. Não absorvemos essa realidade. Não fazemos vigílias, mas podemos pensar em estar mais ligados ao pensamento da Ressurreição e vivê-la nas celebrações. Só compreenderemos quando assumimos o Mistério Pascal de Cristo, como vida de nossa vida. Senão, tudo é rito vazio.
ARTIGO PUBLICADO EM ABRIL DE 2021

EVANGELHO DO DIA 23 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 7,6.12-14. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, não vão eles calcá-las aos pés e voltar-se para vos despedaçarem. Portanto, o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também: esta é a Lei e os profetas». Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II 
(1920-2005) 
Papa 
Discurso em Paris 03/06/1980 
«É estreita a porta e apertado 
o caminho que conduz à vida» 
Vim encorajar-vos no caminho do Evangelho, um caminho certamente estreito, mas caminho real, seguro, trilhado por gerações de cristãos, ensinado pelos santos. É o caminho pelo qual, exatamente como vós, se esforçam por caminhar os vossos irmãos em toda a Igreja. Este caminho não passa pela resignação, pela renúncia nem pelo desleixo. Não se coaduna com o enfraquecimento do sentido moral, e desejaria que a própria lei civil ajudasse a elevar o homem. Não aspira a enterrar-se, a passar despercebido, antes exige a audácia jubilosa dos apóstolos. Por isso, deita fora a pusilanimidade, mostrando-se absolutamente respeitoso para com os que não partilham do mesmo ideal. «Reconhece, ó cristão, a tua dignidade!», dizia o grande papa São Leão. E eu, seu indigno sucessor, digo-vo-lo a vós, meus irmãos e minhas irmãs: Reconhecei a vossa dignidade! Sede ciosos da vossa fé, do dom do Espírito que o Pai vos outorga. Vim para o meio de vós como um pobre, com a única riqueza da fé, peregrino do Evangelho. Dai à Igreja e ao mundo o exemplo da vossa fidelidade sem desfalecimento e do vosso zelo missionário. A minha visita tem de ser um apelo a um novo impulso perante as numerosas tarefas que apresentam diante de vós.

23 de junho - Beato Pedro Tiago de Pêsaro

Pedro, provavelmente, nasceu em Pêsaro no ano de 1447. Pouco se sabe sobre sua família, que alguns historiadores chamam de Gaspari. Ainda muito jovem entrou para a comunidade do Convento dos Agostinianos de Valmanente, primeira casa agostiniana fundada em 1238. Neste convento foi-lhe incutido o elemento carismático que o caracteriza: o estudo como caminho para a sabedoria, a virtude e o ministério apostólico. Após a conclusão do noviciado, emitiu sua profissão temporária e foi enviado para realizar os estudos necessários ao ministério sacerdotal e seguir uma carreira acadêmica de acordo com o rigoroso e exigente programa prescrito pela Ordem Agostiniana. Após a ordenação ao sacerdócio, foi inserido na vida conventual com o compromisso de continuar seus estudos e orientar os jovens estudantes da Ordem.

Santos Zacarias e Isabel, pais de São João Batista

“No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia à classe sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo, de modo irrepreensível, todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas, eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos tinham idade avançada” (Lc 1, 5-7). Hoje, a Liturgia celebra a festa de um casal de Santos, o primeiro, depois de Maria e José, do qual falam as Escrituras. O Evangelho de Lucas começa, exatamente, com a história destes dois esposos, que eram justos diante de Deus, fiéis e observantes. Porém, tinham um espinho no coração por não poder conceber um filho. Naquela época, a esterilidade também era uma causa de marginalização.

Santa Eteldreda de Ely, Rainha e Abadessa - 23 de junho

Eteldreda (latim, Ediltrudis; inglês Audrey e Ethelthryth), era filha de Anna, rei da Anglia oriental, e de sua esposa Saewara. Seu pai era cristão e fez muito pela conversão do seu reino e do Wessex. Irmã das Santas Sexburga, Etelburga e Vitburga, ela nasceu em Exning em Suffolk. A sua vida transcorreu em grande parte na segunda metade do século VII (636-679), quando grande era o fervor dos Anglos, recentemente convertidos. Segundo o desejo dos pais, em 652, muito jovem, ela desposou Tondbert, Rei de Gyrne, com o qual viveu em perpétua continência. Três anos depois, enviuvou e retirou-se na Ilha de Ely, que havia recebido do marido como dote de núpcias. Ali viveu vida solitária por cinco anos, dedicando-se à oração a maior parte do seu tempo.

Santa Agripina, virgem e mártir - 23 de junho

Agripina, cujo nome é por certo de ilustre memória na antiga onomástica romana, é muito venerada pelos católicos na Sicília e, em menor grau, na Grécia. A tradição nos fala de uma mulher de nobre ascendência que havia consagrado sua virgindade a Cristo e vivia reclusa em sua casa, porém realizando obras de caridade com todos os que batiam à sua porta. Durante a perseguição de Valeriano (257-260), escandalizada com as matanças de cristãos, pediu uma audiência com o imperador e, por ser de ilustre família, foi recebida. Levada a presença de Valeriano recriminou-o duramente por sua conduta com a comunidade cristã e instou-o a se converter se não queria ir para o fogo eterno junto com seus deuses. Quando o césar a impeliu a sacrificar aos deuses, ela se negou corajosamente, o que o levou a mandar castigá-la.

Beata Maria Rafaela (Santina) Cimatti, Virgem – 23 de junho

Esta religiosa desenvolveu com inteligência e serenidade um serviço constante e heroico em favor dos aflitos e dos doentes. 
“Quando não estava atenta no cuidado dos enfermos, rezava diante do Santíssimo Sacramento e suas mãos, quando não estavam a serviço do próximo, 
desfiavam as contas do Rosário”. 
Santina Cimatti nasceu em Faenza, no dia 6 de junho de 1861. Seu pai era agricultor e a mãe tecelã. Foi dotada pela natureza de um rosto sorridente, sereno e de belas feições, iluminado por olhos profundos. Como a família logo precisou do seu trabalho, pode dedicar pouco tempo aos estudos. Para ajudar na economia familiar, ajudava a mãe como tecelã, ou se ocupava nos trabalhos da casa. Após a morte do pai em 1882, Santina assumiu a educação dos irmãos e também era catequista na sua paróquia.

Beata Maria de Oignies, Fundadora das Beguinas Festa: 23 de junho

Liège, Bélgica, por volta de 1177 - 1213
 
Marie d'Oignies, beguina e mística, nasceu em Liège por volta de 1177, em uma família rica. Casou-se aos 14 anos, mas mais tarde decidiu, juntamente com o marido, dedicar-se a uma vida apostólica de castidade e caridade, trabalhando em uma colônia de leprosos. Aos 30 anos, em 1207, retirou-se para uma comunidade de freiras e irmãos leigos, liderada por um grupo de sacerdotes, entre eles Jacques de Vitry, o futuro Cardeal de Acre, na Palestina, e patrono do movimento beguino. Marie exerceu uma profunda influência espiritual sobre Jacques, que escreveu sua biografia e a ajudou a fundar sua comunidade autossuficiente de beguinas e begardos. Apesar das acusações de heresia que seriam feitas contra o movimento nos anos seguintes, Maria sempre foi muito ortodoxa em suas crenças, a ponto de apoiar com entusiasmo a Cruzada contra os Cátaros em 1209. Em 1212, diz-se que Maria recebeu os estigmas, 12 anos antes de São Francisco. Ela morreu em 1213, aos 36 anos.
Martirológio Romano: Em Oignies, ainda em Hainaut, no território da atual França, a bem-aventurada Maria, rica em dons místicos, com o consentimento do marido, viveu em reclusão numa cela e fundou e regulamentou o Instituto chamado Beguinas.

Santos Mártires de Nicomédia Festa: 23 de junho

(†)Nicomédia, 303
 
Eles são um dos quatro grupos de mártires do Helesponto, que morreram em 303 durante a perseguição de Diocleciano e são comemorados em quatro datas diferentes. Nicomédia era a residência de Diocleciano, que, ao se tornar imperador, além de exaltar os antigos cultos romanos, foi o autor de uma das maiores perseguições contra os cristãos. O primeiro a sofrer o martírio foi São Pedro de Nicomédia, que servia no palácio do imperador. Diocleciano queria que o castigo do cristão, que se recusou a realizar as oferendas rituais às divindades de Roma, servisse de advertência a todos os outros cristãos de sua cidade. Pedaços da carne de Pedro foram arrancados e vinagre foi derramado sobre suas feridas. Pedro foi então condenado à fogueira. O comportamento heroico do mártir inspirou serenidade e coragem nos outros vinte mil cristãos de Nicomédia, que, poucos dias depois, testemunharam sua fé em Cristo com suas próprias vidas. (Avvenire) 
Martirológio Romano: Comemoração dos muitos santos mártires de Nicomédia que, tendo se refugiado nas montanhas e cavernas durante o reinado do Imperador Diocleciano, sofreram o martírio com serena alma por sua fé em Cristo.

José Cafasso Director espiritual de Dom Bosco, Santo 1811-1860

Trabalhando sem nenhum alarde, 
o Pe. Cafasso realizou 
um extraordinário apostolado 
ao combater os erros da época; 
constituiu-se num esteio para 
a formação dos sacerdotes. 
José Cafasso nasceu em Castelnuovo d’Asti (hoje Castelnuovo Dom Bosco) em 1811. Uma sua irmã foi mãe de outro santo, São José Alamano, fundador da comunidade dos Padres da Consolata. Desde pequeno José era chamado pelos seus concidadãos de il Santeto, por causa de sua atracção para a virtude e coisas santas. Aos 16 anos entrou para o seminário e vestiu por primeira vez a sotaina. Assim o descreve Dom Bosco, que o encontrou nessa idade: “De pequena estatura, olhos brilhantes, ar afável e rosto angelical”.

Bento Menni Sacerdote, Religioso, Santo (1841-1914)

Angelo Hércules Menni nasceu no dia 11 de março de 1841, em Milão, na Itália, sendo o quinto dos quinze irmãos. A família do casal de negociantes Luiz e Luíza era de cristãos fervorosos, onde se rezava o Rosário todas as noites, se praticava a caridade e todos os sacramentos. Foi esse ambiente familiar, somado a quatro episódios, que fizeram o jovem Angelo optar por tornar-se um sacerdote. Foram eles: a oração diária diante de um quadro de Maria, a Santíssima Mãe de Jesus; alguns exercícios espirituais aos dezassete anos de idade; os conselhos de um eremita de sua cidade natal; e o exemplo dos irmãos de São João de Deus tratando os soldados que chegavam à estação de Milão, feridos na batalha de Magenta, serviço que ele próprio praticou. Aos dezanove anos de idade, entrou na Ordem Hospitaleira de São João de Deus, trocando o nome de baptismo pelo de Bento. Iniciou os estudos filosóficos e teológicos no Seminário de Lodi e depois foi concluí-los no Colégio Romano, actual Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

ORAÇÕES - 23 DE JUNHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
23 – Terça-feira – Santos: José Cafasso, Edeltrudes, Agripina
Evangelho (Mt 7,6.12-14) “Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho?”
Ao que parece Jesus estava usando um provérbio popular de seu tempo. Como em geral acontece, também esse vai direto à realidade vivida. Todos temos percepção aguçada mesmo para as menores falhas do próximo, mas não temos sensibilidade nem para nossos maiores defeitos e pecados. Por isso Jesus cobra de nós coerência e sinceridade, para não vivermos na falsidade da mentira.
Oração
Senhor, de vez em quando preciso que alguém me lembre dessa minha falha. Ajudai-me, para que sempre saiba o que é certo e o que é errado, no meu procedimento e no dos outros. Que eu não disfarce os defeitos meus e deles. Afinal, só nos podemos corrigir se vivermos na sinceridade e na verdade. Dai-nos também a força para corrigir o que está errado e melhorar o que está certo. Amem.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Aleluia! Ressuscitou!”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Viu e acreditou 
Páscoa de Jesus! O acontecimento único na história se torna para nós o maior momento. Falar de Ressurreição de Jesus é um desafio porque não a colocamos em nossa vida. É bonito ver como os apóstolos viveram intensamente esse momento. Viveram, pois viram o Vivo. Não dá para imaginar o que passou no coração de cada apóstolo e cada discípulo que viveu com Jesus. Depois do terror daquela morte vem esplendor da vida. Ver o túmulo vazio para João era a certeza da ressurreição. Por que as mulheres foram as primeiras? A Igreja é a testemunha fundamental da Ressurreição. Crer é mais que ver. Os soldados viram o momento e contaram aos chefes do povo que os subornaram para que mentissem dizendo que o corpo fora roubado. Se mentiram é porque sabiam da verdade. Sabiam, mas não tiveram fé. A fé transformou os discípulos. Celebrando os mistérios da Ressurreição vivemos o mesmo drama entre o ver e o crer. Crer supõe a certeza que leva à adequação da vida ao que acreditamos. Enquanto não passamos a Ressurreição para a vida não acreditamos ainda. A Ressurreição chega à vida pela celebração da comunidade. Ela é uma continuada encarnação e se torna sacramento da Ressurreição. O texto proclamado discerne a verdade e a torna presente pela ação do Espírito que age naquele que crê. Jesus Se manifestava sempre no 8º dia. O domingo era o dia da comunidade. É nela que conhecemos e acolhemos a presença Daquele que foi tragado pela morte e a tragou. As celebrações não são meros ritos, mas sacramentos da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus.
Nós comemos com Ele 
A certeza da Ressurreição fez parte da vida normal dos discípulos. Ele não foi visto por todo povo, mas somente por nós, que somos as testemunhas que Deus já havia escolhido “nós que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,4041). O comer e beber juntos, vai além de uma simples refeição. Está a dizer vivemos o cotidiano com Ele, normalmente. Essa é a fonte que nos transmite a verdade da Ressurreição. Deus escolheu algumas testemunhas para comunicar o fato. É belo, na fé, acolher o testemunho de homens humildes e sem conhecimentos raros, mas nascidos de uma fé autêntica daqueles que conviveram com Ele. O que toca a pessoa que ouve o testemunho, não são as palavras, mas a fé que é implantada no coração. Não entenderíamos como a fé se difundiu e se estabilizou em tantos povos. Quem sabe a fragilidade de nossas comunidades, nossas instituições e vida estejam justamente na falta de acolher o testemunho. Vivemos, não a partir da fé, mas de nossos interesses. Só através do acolhimento do testemunho dos apóstolos que poderemos renovar nossas comunidades. A Ressurreição não se reduz a um ato litúrgico, mas na fé que o faz. 
Vida do alto 
A aceitação do anúncio não fica no intelecto espiritual, mas vai às mãos: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto... aspirai às coisas celestes e não às terrestres ”(Cl 3,1-2). A vida do cristão tem os pés no céu, mas tem as mãos na terra onde continua a vida de Jesus como nos escreve Pedro: “Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com Ele” (At 10,38). Embora não possamos explicar a Ressurreição por uma visão pessoal, mas podemos demonstrar sua realidade pelo que somos capazes de mudar no mundo e na realidade em que vivemos.
Leituras:Atos 10,34ª.37-43;Salmo 117; 
Colossenses 3,1-4; Jo 20,1-9 
1. Enquanto não passamos da Ressurreição para a vida não acreditamos ainda. 
2. O que toca a pessoa não são as palavras, mas a fé que é implantada no coração. 
3. A aceitação do anúncio não fica no intelecto espiritual, mas vai às mãos. 
Brincadeira! 
Depois Jesus apareceu a Madalena que foi anunciar aos discípulos que estavam chorosos. Não acreditaram (Mc 16,10). Pedro e João correm ao túmulo. O defunto sumiu. A outra o confunde com o jardineiro. As mulheres encontrando o túmulo vazio voltam e o encontram no caminho. Vão contar e não acreditam. Os dois que iam para Emaús não o reconhecem. De repente Jesus se põe no meio do grupo reunido. A alegria era tanta que parecia brincadeira. Não acreditavam. Jesus pede um pedaço algo para comer para mostrar que não era fantasma! Diz: Fantasma não tem carne e ossos como tenho. Assa peixe na margem do lago. Deve ter sido linda a alegria deles. Depois de terem esse encontro com Ele, não poderiam fazer mais nada que contar para todos os que foram chamados à fé. Bonito que acreditaram. A fé tem algo humano. Quem sabe a fé seja tão pouca no mundo porque não temos essa fé na Ressurreição. Ninguém vai ficar sabendo que Jesus existe, se não contarmos. 
Homilia do Domingo de Páscoa (04.04.2021)