sábado, 11 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “No Senhor, toda Graça”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Fonte do mal
 
Encerramos o Tempo Pascal e retomamos o Tempo Comum. Agora não celebramos um acontecimento da vida de Cristo. E sim, o Cristo em seu mistério e o ser humano no mistério de Cristo. O salmo mostra nossa realidade: “De fundos abismos clamo a Vós, Senhor... No Senhor ponho minha esperança” (Sl 129). Parece que hoje somos colocados diante do problema do Mal. Lemos no texto da queda como o mal penetra no coração das pessoas e leva à rejeição do bem que é Jesus. O que é mais sagrado é pervertido até chegar à impossibilidade do perdão. Somos convocados a refletir sobre o mal. Qual é sua origem? Ele não é um concorrente de Deus, como um deus que destrói o homem. Deus não é o criador do Mal. Como é que surgiu? Parece até que é anterior ao homem. Vem simbolizado na serpente. É claro que isso tudo é uma linguagem para explicar um sentido aos que viviam no tempo do autor sagrado. A narrativa tem o significado no seu conteúdo e não na história. Não se trata de um fato de um tempo, mas de uma realidade que nos persegue. O mal não é senhor do homem. Mas nos cerca. Estamos entre o bem e o mal. Satanás, a serpente atrai. Qual a tentação? Ser igual a Deus. Sendo o homem livre, esse mal está presente ao homem. Deus disse a Caim: “O pecado está à sua porta. Compete a você, dominá-lo” (Gn 4,7). O mal existe, atrai e envolve, levando-nos à cegueira, como os doutores da lei. Dizer que Deus provoca o mal é um pecado que não procura o perdão. 
Olhar o invisível 
Se por um lado há o mistério do mal, por outro, temos o mistério da graça que é Jesus Cristo. Paulo nos ensina que a fragilidade humana não é o fim: “Por isso não desanimemos. Mesmo se nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai se renovando, dia a dia” (2Cor 4,16). O mal não é senhor do homem e da mulher. Podemos escolher o mal. Mas podemos escolher o bem. “Estamos com nossos olhares voltados para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno” (2Cor,4,18-). A dimensão frágil do ser humano, com grande tendência para o mal, tem na graça sua maior força. Nela podemos recompor a vida e nos organizar para viver intensamente o projeto de Deus. O que ocorreu com os doutores da lei, fariseus e outros foi se colocarem iguais a Deus no julgamento das pessoas com a luz do mal. Todos esperavam um Messias, mas que fosse de acordo com seus modelos. Jesus se manifesta com o projeto de tirar todo o poder de satanás que dominava os corações a ponto das pessoas julgarem a Deus atribuindo os poderes de Jesus a poderes do mal. Esse é o pecado contra o Espírito Santo (Mc 3,22). Deus só faz o bem 
Tua mãe e teus irmãos 
No Evangelho de hoje aparece duas vezes a família de Jesus. Jesus apresenta sua família e a família ampliada como lugar de se viver bem no meio da imensidão de males. A família que Deus criou deixou-se invadir pelo mal. Jesus propõe novamente o projeto de Deus para vencer o vivendo a Palavra. Nele podemos criar a nova família que vive o bem. Não exclui seu ser humano. Propõe o novo modo de ser: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,35). A família é uma proposta de se viver intensamente a vida nova. Ela se forma a partir da escolha que fazemos de rejeitar o mal e procurar o bem que é Jesus, bondade de Deus. 
Leituras: Gênesis 3,9-15; Salmo 129; 
2ª Cor 4,13-18.5,1; Marcos 3,20-35. 
1. O mal não é um fato de um tempo, mas uma realidade que nos persegue.
2. A fragilidade do ser humano, com a tendência para o mal, tem na graça sua maior força. 
3. Jesus propõe novamente o projeto de Deus: Viver a Palavra. 
Minhoquinha do mal 
Vemos que o mal vai penetrando a realidade. Essa minhoquinha do mal não aduba a terra, mas a torna infrutífera. O mal penetra tudo e tem muita força, exigindo que se lute com muita garra para exterminá-lo. Temos essa esperança de acolher o bem e fazer tudo frutificar. No paraíso terrestre, Eva deixou-se enganar. Dentro dela já havia desejos ambiciosos de meter o nariz aonde não tinha sido convidada. Pior é que, além de fazer o mal, complica a vida dos outros. Aí começa o jogo do empurra. O castigo não é algo de mal que Deus joga em nós, mas escolhas que fazemos e não dão certo. Das coisas ruins podemos tirar coisas boas. Dos males que sofremos, podemos dar um sentido novo à vida e a tudo que nos cerca. 
Homilia do 10º Domingo do Tempo Comum (06.06.2021)

EVANGELHO DO DIA 11 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 19,27-29. 
Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: «Nós deixámos tudo para Te seguir. Que recompensa teremos?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: no mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Venerável Pio XII 
(1876-1958) 
Papa 
Encíclica «Fulgens radiatur», de 21/03/1947 
A Europa civilizada e evangelizada 
pelos filhos de São Bento 
À marcha das legiões romanas, que rolavam pelas vias consulares a fim de subjugarem ao império de Roma os povos distantes, sucedeu, com efeito, o exército pacífico dos monges, desprovidos de forças materiais, mas armados do poder que vem de Deus (cf 2Cor 10,4), enviados pelo sumo pontífice a dilatar o reinado de Jesus Cristo até aos confins da Terra, não com a espada e o pavor do saque e da carnificina, mas com a cruz e o arado, com o amor e a verdade. Onde quer que chegasse este exército inerme de agricultores, de artistas, de teólogos, de sábios, de pregoeiros do Evangelho, marcava bem fundo o rastro das suas pisadas em oficinas que se erguiam, alegres de arte e de trabalho, em relhas que se multiplicavam, desabrochando o seio das florestas na promessa verde dos campos, em novos grupos de povos civilizados, arrancados aos costumes da selva pelo exemplo e pregação dos monges. Apóstolos sem conta calcorrearam, transbordantes de caridade divina, as regiões turbulentas e ignoradas da Europa, regando-as generosamente de suor e de sangue, levando às populações pacíficas a luz das verdades e da moral cristã. Com efeito, desde a Inglaterra, a França, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Frísia e a Escandinávia até a Hungria, nenhum povo há que se não orgulhe do apostolado dos monges, os não considere como glória nacional e ilustres iniciadores da sua cultura.

São Pio I, Papa e mártir Festa: 11 de julho

Natural de Aquileia, Papa Pio I, em 15 anos de pontificado, teve que enfrentar a heresia do gnóstico Marcião, que contrapunha Deus do Antigo Testamento com Cristo. Estabeleceu normas para a conversão dos Judeus e determinou o modo para calcular a data da Páscoa. Pio I faleceu no ano 155. 
(*)Aquileia ? (†)Roma, 155 
(Papa de 140 a 155)
Nascido em Aquileia, fontes informam que era irmão de Hermas, um dos Padres Apostólicos e autor da obra "O Pastor". Durante seu pontificado de quinze anos, o Papa Pio I confrontou a heresia do gnóstico Marcião, que contrapunha o Deus do Antigo Testamento a Cristo. Estabeleceu normas para a conversão dos judeus e o cálculo da data da Páscoa. Faleceu em 155. 
Etimologia: Pio = devoto, religioso, compassivo (significado intuitivo)
Martirológio Romano: Em Roma, comemora-se São Pio I, Papa, que, irmão do famoso Hermas, autor da obra intitulada "O Pastor", guardou a Igreja como um bom pastor durante quinze anos.

Santas Anna An Xinzhi, Maria An Guozhi, Anna An Jiaozhi e Maria An Lihua Virgens e Mártires Festa: 11 de julho

(+)Liugongyin, China, 11 de julho de 1900
 
Elas pertencem ao vasto grupo de mártires chineses, testemunhas da fé mortas durante a Revolta dos Boxers em 1900. Eram jovens mulheres consagradas a Deus em virgindade, que viviam na comunidade cristã da aldeia de Liugongyin, na província de Hebei. Num período marcado por um nacionalismo xenófobo violento e um profundo sentimento anticristão, recusaram-se a renunciar à sua fé, apesar das ameaças e da tortura. A sua morte por decapitação tornou-as um símbolo da fidelidade cristã num dos momentos mais dramáticos da história da Igreja na China. A sua memória evoca não só a sua coragem pessoal, mas também o testemunho de inúmeras comunidades cristãs chinesas que, entre os séculos XIX e XX, enfrentaram a perseguição sem renunciar às suas convicções religiosas. 
Emblema: Palma do martírio, túnica tradicional chinesa, cruz, espada ou sabre de decapitação. 
Martirológio Romano: Na aldeia de Liugongyin, perto de Anping, na província de Hebei, China, as santas virgens e mártires Anna An Xinzhi, Maia An Guozhi, Anna An Jiaozhi e Maria An Lihua foram decapitadas durante a perseguição dos Boxers, quando não havia como fazê-las renunciar à fé.

Santa Marciana de Cesareia na Mauritânia, mártir Festa: 11 de julho

(*)Russucur (Rusuccuru, atual Dellys, Argélia), século III.
(+)Cesareia da Mauritânia (atual Cherchell, Argélia), por volta de 303. 
Originária de Russucur (atual Dellys, Argélia), Marciana consagrou sua virgindade e retirou-se para Cesareia, na Mauritânia, onde levou uma vida de oração e penitência. Sua oposição declarada ao paganismo culminou na mutilação de uma estátua da deusa Diana, ato pelo qual foi presa, açoitada e submetida a diversas perseguições. Mantendo-se firme em sua fé, foi condenada à morte durante a perseguição de Diocleciano, provavelmente em parte devido à hostilidade de alguns membros da comunidade judaica local, um detalhe registrado na Paixão segundo São Jerônimo e que deve ser avaliado com cautela. No anfiteatro, um leão não a atacou; um touro a pisoteou e, por fim, um leopardo lhe infligiu ferimentos fatais. Seu culto é atestado desde a Antiguidade, em 11 de julho, no Martirológio de São Jerônimo e nos calendários moçárabes.

Beatas Mártires de Orange, França - Festejadas 9 e 11 de julho

A história do martírio das 32 religiosas francesas faz parte da grande matança efetuada na Revolução Francesa, e, especificamente, durante o período conhecido como “o Terror”, que durou por toda a França a partir do outono de 1793 até o verão 1794. Neste período, atuaram alguns tribunais extraordinários, dos quais um dos mais cruéis foi o da cidade de Orange, no sudeste da França, no Vaucluse. Suas atividades começaram em 17 de junho de 1794 e pararam em 5 de agosto daquele ano. Nestes dois meses, ele perseguiu com ferocidade padres, freiras e religiosos, o clero "refratário" que havia se recusado a prestar o juramento de "liberdade-igualdade" e a Constituição Civil do Clero, que por seus princípios restritivos à dependência de Roma fora condenada pelo Papa Pio VI.

Bento de Núrcia Patriarca dos monges do Ocidente, Santo (ca. 480-543)

Abade, fundador da Ordem Beneditina, Patrono da Europa, santo (480-547).
No desmoronamento do Império Romano do Ocidente, a Providência suscitou São Bento “como uma luz no meio das trevas, ou como um médico enviado por Deus para curar as chagas da humanidade nessa época” [1] 
Em seu livro Diálogos, em que narra a vida de Santos, São Gregório Magno dedica o capítulo II a São Bento. Assim principia ele: “Houve um homem de vida venerável pela graça e pelo nome, Bento, que desde sua infância teve a cordura de um ancião. Com efeito, adiantando-se pelos seus costumes à idade, não entregou seu espírito a prazer sensual algum, senão que, estando ainda nesta Terra e podendo gozar livremente as coisas temporais, desprezou o mundo com suas flores, como se estivessem murchas”[2].

Olga de Kiev Princesa, Santa 890-969

Primeira santa russa inserida 
no calendário católico bizantino. 
Construiu algumas igrejas, 
inclusive a de madeira 
dedicada à santa Sofia, em Kiev.
Olga, a primeira santa russa inserida no calendário católico bizantino, é considerada o elo entre a época pagã e a cristã, na história das populações eslavas. As fontes que a citam são numerosas e todas de relevância histórica. Delas aprendemos que Olga nasceu em 890, na aldeia Vybut, próxima de Pskov e do rio Velika, Rússia. Era uma belíssima jovem típica daquela região. Em 903, quando o príncipe Igor a avistou, logo quis casar-se com ela, apesar de sua pouca idade. Na realidade, Olga era filha do chefe dos Variagi, uma tribo normanda de origem escandinava, responsável por vários pontos estratégicos, pois se dedicavam à exploração do transporte e do comércio. O seu casamento foi um símbolo concreto da fusão do povo russo com aquele variago, que ao final do século IX começava a viver sob a influência do cristianismo.

ORAÇÕES - 11 DE JULHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
11 – SábadoSantos: Bento, Olga, Olivério Plunket
Evangelho (Mt 10,24-33) O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, anunciai sobre os telhados!”
Jesus quer que a mensagem não se limite a pequeno grupo privilegiado. Nós, seus seguidores, precisamos levá-la a todos, em linguagem compreensível e que responda a seus anseios de salvação. Devo começar fazendo silêncio em mim, para ouvir o evangelho. Para depois levá-lo a todos, como boa novidade e não como imposição.
Oração
Senhor Jesus, seguir vosso jeito de pensar e de viver muda tudo em minha vida, e faz minha felicidade. Ajudai-me a vos compreender sempre mais e a vos seguir de perto. Quero cumprir a missão que me confiais, e levar a muitos vossa palavra de salvação. Ensinai-me como vos apresentar a todos, para que todos vos sigam. Amém.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Festa de Corpus Christi”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Graças e louvores
 
A festa do Corpo de Cristo (Corpus Christi) nasce da necessidade de trazer Jesus para o meio do povo. A missa era bela, completa, mas distante. É uma inata tendência de se dizer: Deus é diferente, por isso não pode se misturar. Está longe do Jesus de Nazaré, homem gente, sem deixar de ser Divino para a o povo. S. Juliana queria uma festa para o Santíssimo Sacramento. Apesar dos protestos, atualmente temos uma proximidade maior. Refletindo sobre o texto da liturgia, vemos que tendem a explicitar mais a teologia da Eucaristia e seus fundamentos bíblicos. A celebração da festa reflete o culto do Santíssimo Sacramento. Quantas maravilhas, sobretudo criadas pelo barroco. Que altares! Magníficas procissões. Busca-se reconhecer a grandeza desse Sacramento. Sente-se que é o espaço dado ao povo, por não ter esse espaço de manifestação na celebração que era sempre mais fechada e incompreensível. É verdade que a Eucaristia é para ser “consumida” e não a leitura de textos. É certo que os ritos são necessários, Mas sua exatidão não dispensa sua realidade sacramental humana. Nessa celebração estamos dando essa festa ao coração do povo que se manifesta de tantos modos. Enquanto não se fizer uma reflexão sobre a unidade da devoção e celebração, teremos duas realidades diferentes na Eucaristia. 
Devoção equilibrada 
Temos orientações sobre o culto eucarístico e missa que não foram acolhidas. Por outro lado a liturgia voltou ao que era: rito a ser executado. Já de séculos há uma distinção inaceitável: Missa é uma coisa e Santíssimo Sacramento é outra. Conhecendo a história podemos ver essa situação. Isso se reflete no Concílio de Trento que em um período se discutiu sobre o sacrifício da Missa e em outro em data distante, sobre o Santíssimo Sacramento. Basta conferir as datas das sessões. Pior é fazermos com culto eucarístico logo após a missa. A celebração eucarística é completa. Dizem católicos de outros ritos que a Eucaristia foi feita para ser comida, não para ser adorada. São questões que não foram enfrentadas. Não se nega o rito, mas sua celebração deve ser coerente. Basta fazer bem feita. Temos também a noção de que a Eucaristia só está na missa e no sacrário. Mas nos esquecemos que o Cristo que recebemos na comunhão permanece em nós como presença viva. Já se chegou a afirmar que a presença eucarística em nós só durava enquanto existia ainda a matéria da hóstia dentro de nós. Como ela é tão pequena, seria pouco tempo. Essa é uma presença permanente como ensina evangelho (Jo 6,56). 
De coração para coração 
Cristo é levado pelas ruas. É adorado em belos altares. São magníficos os gestos de adoração e afeto. Todos querem tocar, como tocavam Jesus pelas ruas quando Ele passava, no desejo de receber a graça. “Se eu tocar, nem que seja na sua veste, ficarei curada” (Mt 9,21). É esse o sentimento de quem quer tocar. Jesus atrai, chama. Precisamos ter um coração aberto, como é aberto o coração de Jesus. Como temos essa porta aberta, nosso coração está aberto para que Ele possa entrar. Jesus seja uma presença viva e possamos sempre senti-Lo: “É o Senhor!”. É Ele... É a oração do camponês de S. João Vianey: “Eu olho para Ele, e Ele olha para mim.”. De coração para coração. Fé não é só ideia. É sentimento, coração, corpo. Enquanto não chegarmos a isso, nossa oração perde sua consistência.
ARTIGO PUBLICADO EM MAIO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 10 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 10,16-23. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas. Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer; porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do homem». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Catarina de Sena 
(1347-1380) 
Terceira dominicana, 
doutora da Igreja, 
copadroeira da Europa 
Carta 11, a Gregório XI 
O coração protegido por verdadeira
e santa paciência 
Santíssimo e reverendíssimo Padre em Cristo, manso Jesus, Catarina, vossa indigna e miserável filha, recomenda-se a vós no precioso sangue de Jesus, com o desejo de ver o vosso coração firme e inabalável em verdadeira e perfeita paciência, considerando que um coração fraco, inconstante e sem paciência nunca poderá realizar as grandes obras de Deus. Quanto mais pesado for o vosso fardo, mais forte, corajoso e destemido há de ser o vosso coração diante de tudo o que possa acontecer-vos. Bem sabeis, Santíssimo Padre, que, ao tomardes a Igreja como esposa, vos comprometestes a sofrer por ela os ventos contrários, as dores e as tribulações que por causa dela vos assaltarão. Avançai, pois, como homem corajoso, ao encontro dessas tempestades, com fortaleza, paciência e perseverança; que a tristeza nunca vos faça olhar para trás por surpresa e medo; mas perseverai e rejubilai no meio dos perigos e das batalhas, para que o vosso coração rejubile ao ver a obra de Deus ser realizada no meio dos obstáculos que se apresentaram e se apresentarão. Sempre assim foi: as perseguições à Igreja e as tribulações da alma virtuosa terminam sempre na paz que é fruto da verdadeira paciência e da perseverança, para as quais está reservada a coroa da glória. Este é o remédio, e foi por isso que vos disse, Santíssimo Padre, que desejava ver-vos de coração firme e inabalável, protegido por verdadeira e santa paciência.

São Francisco (Bartolomé) Pinazo Peñalver Mártir religioso franciscano Festa: 10 de julho

(*)El Chopo, Espanha, 24 de agosto de 1802
(+)Damasco, Síria, 10 de julho de 1860 
Bartolomé Pinazo Peñalver nasceu em El Chopo, uma vila perto de Alpuente, na província de Valência, em 24 de agosto de 1802. Abandonado pela noiva, ingressou no convento dos Frades Menores Observantes em Chelva como oblato. No início de 1831, iniciou seu noviciado para se tornar irmão leigo no convento de São Francisco, em Valência. Em fevereiro de 1832, fez sua profissão, mudando seu nome para Frei Francesco. Sua primeira missão foi como sacristão na comunidade franciscana que dava apoio espiritual às freiras Clarissas de Gandía: manteve essa posição mesmo quando, em 1835, entraram em vigor as leis subversivas que afetavam as ordens religiosas.

Santa Verónica de Giuliani religiosa, +1727

Nascida em Itália no ano de 1660 recebeu o nome de Úrsula e era uma menina normal, de temperamento vivo. A jovem Úrsula sempre teve liberdade religiosa em casa e assim cresceu o seu amor a Nossa Senhora e a sua devoção à Paixão e Morte de Jesus. Com 17 anos entrou para a Ordem das Religiosas Capuchinhas da cidade de Castelo e mudou seu nome para Verónica em tributo à Verónica que enxugou o rosto do Cristo; já dentro da comunidade, aprofundou tanto a sua devoção que começou a ter experiências místicas com a Virgem Maria e com o Menino Jesus. Com o pedido do bispo diocesano, um prudente sacerdote foi estudar de perto os acontecimentos sobrenaturais e êxtases, submetendo-a a diferentes exames, além de a fazer escrever tudo ao ponto de preencher 44 volumes. Santa Verônica uniu-se perfeitamente ao Cristo sofredor, ao ponto de receber numa sexta-feira santa as marcas da paixão do Cristo, que perduraram até à sua morte com 67 anos: na autópsia percebeu-se no seu coração um lado aberto, sinal de sua fé e total oferta pela salvação das Almas.

10 de julho - Beato Emanuel Riz e companheiros

No dia 10 de julho de 1860, um grupo de 11 franciscanos foi morto pelos muçulmanos em Damasco. Todos mortos por ódio à fé. Desse grupo, seis eram Franciscanos Menores, dois eram irmãos de votos professos, também franciscanos e três eram leigos, irmãos de sangue maronitas. Ficaram conhecidos como os “bem-aventurados mártires de Damasco”. Desde a época se São Francisco, os franciscanos se esforçavam e levar a presença do cristianismo no mundo islâmico: como tantos outros, também este grupo pagou com seu sangue o testemunho de Cristo vítima sacrifical em meio aos homens. Quase todos esses mártires eram de nacionalidade espanhola e se encontravam no convento de Damasco, na Síria vivendo a vida em comum e exercendo seu apostolado junto à população local.

Beato Nicanor Ascanio

Nicanor Ascanio nasceu no Vilarejo de Salvanés, província de Madrid, em 1814. Aos 16 anos tomou o hábito dos Frades Menores, continuou seus estudos e foi ordenado sacerdote. Ele foi diretor das Irmãs Concepcionistas e pároco em sua terra natal. Muito devoto, penitente, zeloso, desejava se consagrar por inteiro às missões. Essa vontade fez dele um sacerdote modelo. Na sua juventude, ele tinha sonhado com a vida apostólica, o sacrifício e o martírio, mas em 26 anos, esses desejos não passaram de meros sonhos. A venerável Irmã Maria das Dores, morta com a fama de santidade em 27 de janeiro de 1891, tinha assegurado a ele que Deus queria que ele fosse a Terra Santa, como missionário e mártir na pátria de Jesus.

Santa Rufina e Santa Seconda, mártires de Roma Festa: 10 de julho

(†)Roma, ca. 260
 
As informações sobre o martírio de Rufina e Secunda são consistentes. Condenadas sob o comando de Valeriano e Galiano pelo prefeito Júnio Donato, foram martirizadas em Roma, na altura do quilômetro dez da Via Cornélia. A tradição conta que eram irmãs que, prometidas em casamento a dois jovens cristãos apóstatas, fizeram voto de virgindade. Tendo falhado, apesar de todas as tentativas, em persuadi-los a apostatar e casar-se, os dois jovens as denunciaram. Quase certamente, uma basílica foi erguida sobre seu túmulo no século IV, talvez pelo Papa Júlio I, cuja localização é impossível de precisar com certeza hoje. Rufina e Secunda, com seu exemplo, nos lembram que, em uma sociedade multirreligiosa como aquela para a qual caminhamos, as razões da fé prevalecem sobre as do coração. 

Santas Anatólia e Vitória, Virgens e mártires – 10 de julho

A “passio” de Anatólia e Vitória conta que na época do imperador romano Décio elas eram irmãs cujo casamento fora arranjado com dois nobres romanos pagãos. Anatólia procurava todos os pretextos para adiar o casamento; Vitória via aproximar-se a data do casamento com prazer. Ao tentar convencer a irmã a decidir-se, Vitória provou pela Sagrada Escritura que o casamento era agradável a Deus. Anatólia apresentou-lhe argumentos tão convincentes a favor da virgindade, que no mesmo dia Vitória desfez o noivado e vendeu as joias e o enxoval em proveito dos pobres. Seus pretendentes denunciaram as jovens como sendo cristãs, recebendo a permissão para aprisioná-las em suas propriedades até que elas se convencessem a renunciar à sua Fé e a desposá-los. 

Santa Amalberga de Maubeuge, Viúva e monja - 10 de julho

Esposa, mãe, viúva e religiosa: 
Uma santa lendária que 
viveu no século VII. 
Hoje a Igreja celebra Santa Amalberga de Maubeuge, também conhecida pelo nome de Madelberga, Amalburga, Amélia e Amália. Ela não deve ser confundida com Santa Amélia, mártir de Tavio que viveu no século III, mas, acima de tudo, com sua homônima e contemporânea, Santa Amalberga de Temse, ela também comemorada em 10 de julho. Santa Amalberga de Maubeuge nasceu em Saintes, na Valônia, Brabante, atualmente Bélgica, de uma família de ascendência nobre e cresceu na riqueza que convém a sua classe social. Desposou Witger [2], Duque de Lotaríngia e Conde de Brabante, de cuja união nasceram três filhos: Santo Emeberto [3], que foi bispo de Cambrai, Santa Reinalda [4] mártir, que morreu decapitada em mãos dos hunos, e Santa Gúdula [5], abadessa proclamada Padroeira da Bélgica e Bruxelas.

Santa Amalberga de Temse, Virgem - Festejada 10 de julho

Santa Amalberga, patrona de Temse, Bélgica, era, como sua homônima, da alta nobreza e destinada a possuir bens consideráveis, não somente na região das Ardennes, onde ela nasceu, mas também nas mais distantes regiões do país. Seu nome vinha de uma tradição antiquíssima entre os Ostrogodos, tanto que a sua dinastia era apontada como a dos “Amali”. O nome atualmente desapareceu e em seu lugar é conhecido na forma abreviada de Amália. Há três Santas com o nome Amalberga, dentre as quais duas foram contemporâneas e são festejadas no mesmo dia, 10 de julho, a virgem Amalberga de Temse e Santa Amalberga de Maubeuge. Segundo uma Vita escrita pelo monge Goscelin de Canterbury, do Mosteiro de São Pedro de Gand, Santa Amalberga nasceu nas Ardennes, na cidade de Rodingi (Bélgica), e foi educada no Convento de Munsterbilzen por Santa Landrada, onde recebeu uma formação profundamente religiosa que a fez afastar-se do mundo e receber o véu monacal pelas mãos de São Vilibrordo.

Beatas Maria Gertrudes de Santa Sofia de Ripert d'Alauzin e Inês de Jesus (Sílvia) de Romillon, Virgens Ursulinas, mártires Festa: 10 de julho

(*)Bollène, França, 15 de novembro de 1757 
(+)Orange, França, 10 de julho de 1794 
Martirológio Romano: Em Orange, França, as bem-aventuradas Maria Geltrude de Santa Sofia de Ripert d'Alauzin e Inês de Jesus (Sílvia) de Romillon, virgens da Ordem de Santa Úrsula e mártires durante a Revolução Francesa. 
A Beata Maria Gertude de Santa Sofia de Ripert d'Alauzier nasceu em 15 de novembro em Bollène. Sentindo vocação religiosa, ingressou nas Irmãs de Santa Úrsula. Foi presa em 1794 e levada para as prisões de Orange, onde foi morta em 10 de julho de 1794. Tinha apenas 36 anos. Antes de ser executada, "agradeceu aos seus juízes pela alegria que lhe haviam proporcionado e beijou o cadafalso antes de subir", segundo o testemunho de M. d'Hesminy d'Auribéau.