Certamente estamos mais ou menos como os apóstolos depois da ressurreição de Jesus. Não temos mais dúvidas do maravilhoso acontecimento que foi ter Jesus novamente entre eles:“Nós comemos e bebemos com Êle depois de sua Ressurreição de entre os mortos” (At. 10,41). Mesmo tendo-O visto e tocado Nele, ainda estavam fechados e temerosos. O temor tinha uma razão: temiam o costume que havia de matarem um líder e todos os seus seguidores, para acabar com a tentativa da reorganização do grupo com outro líder. É certo que ainda não haviam tirado as conseqüências da radical mudança. Jesus esteve com eles quarenta dias, isto é, tempo de formação e afirmação de sua missão. Estiveram presentes ao mistério, mas ainda não haviam compreendido. Seria necessária a vinda do Espírito Santo para iniciar o tempo novo. Vemos a transformação que se dá em Pentecostes e durante todo o tempo de suas vidas. Para nós, que não vivemos intensamente a liturgia, tudo fica na base de um calendário. Passa a folhinha e tudo segue igual. Perdemos a noção da união do celebrar e viver. A liturgia desse tempo celebra os acontecimentos com diversos símbolos como o círio pascal, os textos, as cores brancas, o canto do aleluia e os hinos. Procurou-se manter vivo o clima de Páscoa. As leituras proclamam a Palavra de Deus mostrando a vida da comunidade. Há uma dificuldade de falar de Ressurreição, pois não entrou em nossa experiência. Na vida dos primeiros séculos havia uma consciência maior, pois a comunidade estava muito ligada à vida litúrgica. A vida dos cristãos dependia do modo de ser Igreja. Temos que chegar a isso.
O que nos é oferecido
A mistagogia é o termo próprio para a compreensão do que foi celebrado. É um mistério, mas aberto à comunicação. Mistagogia é o conhecimento daquilo que nos é secreto, mundo desconhecido para uma vivência coerente. É como pegar a mão de uma pessoa e introduzir em um mundo desconhecido. Aos poucos vai ficando acessível. É um crescimento lento, mas necessário. Por exemplo: Em suas catequeses, São Cirilo explicando o batismo, diz: “Vocês viram a água”? Então vai introduzindo os símbolos a partir da experiência feita. Nós também estamos voltados para o Batismo. Aprofundamos o conhecimento dos símbolos e ao mesmo tempo a vivência das celebrações, iluminados pela Palavra de Deus. Por isso é importante fazer, em cada sacramento, a proclamação da Palavra que atualiza e ilumina. A participação da celebração desenvolve o conhecimento dos temas do Mistério Pascal. Vemos assim, como estamos distantes. O sacramento do Batismo, quando de crianças, poderia ser uma mistagogia aos pais. Há muitos modos de envolver pais e padrinhos na realização de um Batismo. Não se trata de fazer cursos, mas de envolver de modo que busquem o conhecimento pela experiência dos ritos. É celebrando que se aprende a celebrar e viver.
Recuperando energias
O Tempo Pascal é tempo de vivência comunitária. Todos nós fomos salvos como corpo, não somente como indivíduo. Por isso a experiência da comunidade é um dos primeiros resultados do anúncio evangélico: “Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Os apóstolos levaram os primeiros fiéis a adquirirem o que necessário para a vivência da fé que preenchia o arco completo da vivência e manutenção da comunidade. Eram instruídos, aprendiam a viver juntos sua fé, transformavam o ensinamento e a unidade dos irmãos em uma celebração. Assim poderiam fazer suas orações. O que nos falta?
ARTIGO PUBLICADO EM MAIO DE 2021









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