sábado, 14 de fevereiro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Eu não te condeno”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Farei novas todas as coisas.
 
Estamos próximos das festas pascais, passando pela Paixão do Senhor. Somos convocados a identificar nossa vida com a vida do Redentor. Rezamos na oração da missa: “Dai-nos caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”. Devemos fazer o mesmo caminho de amor na entrega ao Pai. Essa entrega visa o chamado à conversão e perdão dos pecados. Jesus perdoa o pecado, mas quer que saiamos dele com coragem e serenidade. Temos no evangelho a maravilhosa cena da pecadora que está diante de Jesus, na espera de uma condenação, mas ganha um perdão. É o que diz o profeta Isaias: “Eis que farei novas todas as coisas e, que já estão surgindo” (Is 43,19). A Redenção de Jesus é maravilhosa em sua dimensão de perdão e vida nova, como “rios que brotam na terra seca” (Id 20). Esse perdão é total transformação do mundo. Por mais que tenhamos problemas, já temos as soluções em Cristo: “Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria” (Sl. 125). A Paixão de Jesus deixa-nos estupefatos diante da crueldade dos homens. Pior é que os homens não se renovam e repetem as mesmas crueldades com o povo, sem se darem conta que continuam assassinando o Filho de Deus no corpo dos sofredores. Jesus continua a escrever no chão a lista de nossos pecados. Escreve no pó da areia. Deus não grava nossos pecados, pois não escreveu em pedra. Os ventos os levam. A Redenção é a maravilha de Deus em Cristo. O sofrimento que Lhe custou a vida não são mais que traços desse amor. 
Considero tudo lixo 
O mistério da Redenção atinge nossa vida no momento em que damos a Cristo valor total. Paulo é o modelo acabado de escolher Jesus com totalidade de sua vida: “Por causa dele perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado por Ele... com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus na base da fé” (Fl 3,8-9). Nossa fé sofre de um defeito que é a falta de entrega. Sem isso, não passa de uma ideologia religiosa que sustenta algumas frágeis opções. Na maioria das vezes damos valor ao secundário, ao inútil, ao cultural, ao vazio, ao que não compromete. Religião não é ideologia. Vivemos uma busca de princípios sociais religiosos. Por isso a fé perde a vitalidade que levou homens e mulheres a darem a vida por Cristo. Quando deixarmos tudo por Ele, saberemos o que significa ter fé. Podemos considerar lixo aquilo que não gera vida, isto é, não seja fruto do amor, “o mesmo amor que levou Jesus a entregar-se à morte no seu amor ao mundo”. Celebrando seu Mistério Pascal, mistério da Paixão, Morte e Ressurreição, temos a certeza de realizar em nós o que celebramos na comunidade. Temos tanta certeza dessa verdade que dizemos: “Vem, Senhor Jesus”! 
Atire a primeira pedra 
Poderiam condenar a mulher como adúltera (O adúltero não aparece). Não pecou também? Os que queriam que Jesus condenasse a mulher para acusá-Lo de não cumprir a lei, acabaram por acusarem a si mesmo de pecadores. Jesus, inocente, não atira a primeira pedra, pois a sua inocência conhece o perdão e crê na conversão, pois diz à mulher: “Ninguém te condenou? - Ninguém Senhor! – Eu também não te condeno. Daqui em diante não peques mais” (Jo 8,11). Jesus dissera: “Eu não condeno ninguém” (Jo, 8,15). Quando muito podemos dizer: esse caminho não é bom, pois não sabemos o que há no coração do homem para acusá-lo. Há muitos acusadores. São os fariseus de sempre. 
Leituras: Isaias 43,16-21; 
Salmo 125; 
Filipenses 3,8-14;João 8,1-11. 
1. O perdão da Redenção é a total transformação do mundo.
2. Podemos considerar lixo aquilo que não gera vida, isto é, não seja fruto do amor. 
3. Jesus não atira a primeira pedra, pois a sua inocência conhece o perdão. 
Jesus escrevia no chão 
Essa cena de Jesus escrever no chão é muito intrigante. Podemos pensar que escrevesse os pecados dos acusadores, pois, depois saíram de fininho, quando Jesus disse que, quem não tivesse pecado jogasse a primeira pedra. A acusação era grave e a situação de Jesus era desagradável, pois se negasse, seria acusado de não cumprir a lei. Jesus não toma nenhuma atitude. Fica rabiscando o chão com um ramo, quem sabe. Está dizendo que aquilo não lhe interessava. Não nega a lei. Mas dá o desprezo à atitude deles. E vão saindo um após outro, a começar dos mais velhos. Envelhecer no pecado é muito ruim. 
Homilia do 5º Domingo da Quaresma (07.04.2019)

EVANGELHO DO DIA 14 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Lucas 10,1-9. 
Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide. Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: "Paz a esta casa". E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: "Está perto de vós o Reino de Deus"». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II 
(1920-2005) 
Papa 
Encíclica Slavorum apostoli, § 13 
«Que eles sejam todos um» (Jo 17,21) 
Sob este ponto de vista, é singular e admirável verificar que os santos irmãos, atuando em situações tão complexas e precárias, não procuravam impor aos povos aos quais deviam pregar nem sequer a indiscutível superioridade da língua grega e da cultura bizantina, ou os costumes e modos de comportar-se da sociedade mais desenvolvida, em que eles próprios haviam sido educados e que, evidentemente, continuavam a ser para eles familiares e caros. Movidos pelo ideal de unir em Cristo os novos fiéis, eles adaptaram à língua eslava os textos ricos e requintados da liturgia bizantina e conformaram à mentalidade e aos costumes dos novos povos as elaborações sutis e complexas do direito greco-romano. Julgaram seu dever, mesmo como súbditos do Império do Oriente e cristãos sujeitos à jurisdição do Patriarcado de Constantinopla, prestar contas ao Romano Pontífice das suas atividades missionárias e submeter ao seu juízo, para obter a devida aprovação, a fé que professavam e ensinavam, os livros litúrgicos compostos em língua eslava e os métodos adotados para a evangelização daqueles povos. Tendo empreendido a sua missão por mandato de Constantinopla, procuraram depois, em certo sentido, que ela fosse confirmada, voltando-se para a Sé Apostólica de Roma, centro visível da unidade da Igreja. Pode-se dizer que a invocação de Jesus na oração sacerdotal — «que eles sejam todos um» (Jo 17, 21) — representa o seu lema missionário, segundo o espírito das palavras do salmista: «Louvai o Senhor, todas as nações, aclamai-O, todos os povos» (Sl 117,1). Para nós, homens de hoje, o seu apostolado possui também, indiretamente, a eloquência de um apelo ecuménico: é um convite a reedificar, na paz da reconciliação, a unidade que ficou gravemente fendida pouco depois da época dos santos Cirilo e Metódio e, em primeiríssimo lugar, a unidade entre o Oriente e o Ocidente.

São Zenão, mártir, na via Ápia

Zeno foi indicado como presbítero pelo Papa Pascoal I, que transferiu seus restos mortais para o Oratório a ele dedicado na Basílica de Santa Praxedes, em Roma. O Santo era venerado, no século VII, em um lóculo da catacumba de Pretextato, ao longo da Via Ápia, depois restaurado por Adriano I. 

Santa Alexandra do Egito, a Reclusa, Penitente - 14 de fevereiro

Alexandra viveu na segunda metade do século IV. As primeiras informações que se tem sobre ela são encontradas em Paladio de Helenópolis (363 - ca. 437) na “Historia Lausiaca”. Também a matrona romana Santa Melânia a Jovem (383-439), faz menção a ela e conta a visita feita à reclusa. Nos primeiros séculos da Igreja os penitentes sentiam a necessidade de encontrar formas de mortificação do corpo para purificar sempre mais o espírito, para assim chegar a uma união mais íntima com Deus, sem distrações decorrentes das necessidades materiais e os cuidados com o corpo. Assim, aqueles cristãos buscavam formas de penitência que hoje nos parecem incompreensíveis, como viver sobre uma coluna, em uma gruta, no deserto, sem falar com ninguém, ou como no caso de nossa Santa, de se recolher em um ambiente exíguo, com apenas uma pequena abertura para que o alimento pudesse ser introduzido por almas caridosas, com jejuns mais ou menos forçados. Condições de vida que hoje chamaríamos de “extremas” tinham como resultado que às vezes a existência do penitente era curta. Alexandra foi uma destas figuras de eremitas, já rara por se tratar de uma mulher.

Valentim de Terni Bispo, Santo século III

Bispo, martirizado em Roma. 
É o padroeiro da cidade da qual foi Bispo.
Tudo na vida tem um início e portanto sua explicação ou história. Como aconteceu com o "Dia de São Valentim", que tem de tudo: fé, política e romance. Além do interessante fato de serem dois os santos mártires festejados neste dia, com o mesmo nome e ambos declarados pela Igreja, protectores dos namorados. Cada um por sua justa razão, como se pode verificar no texto da página de São Valentim, o sacerdote mártir. Conforme os registros da diocese de Terni, Valentim foi consagrado em 197, sendo seu primeiro bispo e considerado fundador da cidade. Consta que ao lado de sua casa e da igreja havia um imenso prado e um belo jardim. Quanto não estava trabalhando na igreja ou tratando de algum doente, podia ser visto cuidando das rosas que cultivava. À tarde ele abria os portões para as crianças brincarem e correrem livremente. Ao entardecer ele abençoava cada uma entregando uma flor, para ser entregue às suas mães. A sua intenção era fazer as crianças irem directo para casa e alimentar o amor e respeito pelos pais. Valentim, tinha o dom do conselho, sua fama de reconciliador dos casais de namorados era muito difundida. Tudo começou assim: certo dia, ouvindo dois jovens namorados brigando, que pararam ao lado da cerca do seu jardim, foi ao encontro deles levando na mão uma linda rosa.

Metódio de Tessalónica “apóstolo dos eslavos”, santo 814-885

Irmãos naturais de Tessalónica. 
Missionários na Morávia, 
onde compuseram o alfabeto “cirílico” 
e adaptaram a liturgia à língua eslava. 
São Co-Padroeiros da Europa.
Miguel, primogénito dos sete filhos do juiz grego Leão, nasceu em 814 na Tessalónica, actual Salonico, Grécia. Tinha vinte e seis anos e era prefeito de Constantinopla, capital do Império Bizantino, quando seu pai morreu. Irmão de Constantino, foi aluno de Fócio, que assumiu a educação dos órfãos. Miguel e Constantino mudaram o nome para Metódio e Cirilo, ao se consagrarem sacerdotes. Com a morte do pai, em 840, abandonou tudo e se recolheu no convento de Policron, no monte Olímpio, e se fez monge. Foi o imperador Miguel III quem o convocou para a missão evangelizadora da Morávia, da qual participou também seu irmão. Depois os dois foram para Roma, onde Cirilo, doente, acabou falecendo.

João Batista da Conceição Religioso, Reformador, Santo 1561-1613

Reformador dos Trinitários
 
 João Garcia, quando ainda jovem universitário, era conhecido como “o santo rapaz”. Foi um dos grandes reformadores que ilustraram a Espanha na época da Contra-Reforma católica. A intrépida Santa Teresa d’Ávila, passando por Almodavar del Campo durante a epopéia de suas fundações, hospedou-se na casa de Marcos Garcia e Isabel Lopez. O casal pediu-lhe que desse uma bênção aos seus numerosos filhos. Fixando os olhos sobre o pequeno João, disse-lhe a reformadora: “Estuda bem, Joãozinho, porque tu me imitarás um dia”. O que queria ela dizer? Numa segunda visita àquela casa, Santa Teresa pediu para ver novamente as crianças. Pondo a mão na cabeça de João Garcia, ela foi desta vez mais precisa: “Tendes aqui um filho que se tornará um grande santo. Ele será o pai e diretor de muitas almas e reformador de uma grande obra, que se conhecerá oportunamente”. De fato, ele correspondeu às predições da reformadora do Carmelo. João Garcia nasceu no dia 10 de julho de 1561 naquela cidade, sendo assim conterrâneo e coetâneo de outro grande santo, São João de Ávila. Desde o berço foi inclinado à piedade; sua mãe, para aplacar o choro comum nas crianças, apenas mostrava-lhe uma imagem da bendita Mãe de Deus, para logo ele sorrir embevecido.

Beato Vincent Vilar David Pai de família, mártir Festa: 14 de fevereiro

Glória permanente à inspiração noturna ao Santíssimo Sacramento.
Fé martirizada em Valência, 
durante a guerra civil espanhola.
(*)Manises, Espanha, 28 de junho de 1889 – (✝︎)Valência, Espanha, 14 de fevereiro de 1937 O espanhol Beato Vincent Vilar David, um leigo, recebia padres e religiosos em sua casa durante a perseguição religiosa, e preferia morrer a negar a fé em Cristo. João Paulo II o beatificou em 1º de outubro de 1995. 
Martirógio Romano: Em Valência, Espanha, o Beato Vicente Vilar David, mártir, que durante a perseguição à religião acolheu padres e religiosos em sua casa e preferiu morrer a negar a fé. 
Até empreendedores vão para o céu. Especialmente se, na gestão da empresa e no relacionamento com os trabalhadores, eles conseguem incorporar a doutrina social da Igreja e souberem colocar a solidariedade, a justiça e a colaboração em primeiro lugar. Um empreendedor que alcançou a glória dos altares em 1º de outubro de 1995 é Vincenzo Vilar David. Ele nasceu em 28 de junho de 1889 na Espanha, na província de Valência, o caçula de oito filhos de uma família profundamente cristã, proprietária de uma fábrica de cerâmica que, naquela época, já havia adquirido fama internacional.

ORAÇÕES - 14 DE FEVEREIRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
14 – Sábado – Santos: Cirilo-monge, Metódio, Valentim
Evangelho (Mc 8,1-10) Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que o distribuíssem.”
Marcos quer, sim, mostrar-nos que Jesus, como Moisés no deserto, é o enviado para nos guiar no caminho de Deus. Mas também mostra que Jesus se preocupava com as necessidades materiais do povo. E os discípulos foram convidados a dar sua colaboração: – quantos pães vocês têm? Não podemos ignorar as necessidades materiais dos irmãos, e o milagre surgirá de nossa generosidade.
Oração
Senhor Jesus, continuais preocupado conosco, cuidando das nossas necessidades diárias. Fazei-me previdente, para poder cuidar também dos outros. Para isso ensinai-me a ser generoso com os meus bens, dedicado no trabalho, hábil para encontrar as melhores maneiras de ajudar os que precisam. Com vosso poder divino e com nosso trabalho cuidadoso não faltará o pão para ninguém. Amém.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “A força da graça”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Discernimento é graça
Nosso querido Papa Francisco nos instrui sobre o caminho da santidade. Para isso escreveu a bela exortação apostólica “Gaudete et Exultate” – Alegrai-vos e Exultai (GE). Vamos continuar na reflexão sobre o discernimento. Como somos também espirituais, não somente carnais, refletimos as maravilhas do ser humano, também em sua dimensão espiritual. A Igreja demorou um pouco para assumir as novas ciências. Mas corre o risco de dispensar as ciências espirituais. Assim afirma no documento: “É verdade que o discernimento espiritual não exclui as contribuições de sabedorias humanas, existenciais, psicológicas, sociológicas ou morais; mas transcende-as. Não bastam as normas sábias da Igreja. Lembremo-nos sempre de que o discernimento é uma graça” (GE 170). Embora inclua as ciências, “está em jogo o sentido da minha vida, diante do Pai que me conhece e ama, aquele sentido verdadeiro para o qual posso orientar a minha existência e que ninguém conhece melhor do que Ele... Em suma, o discernimento leva à própria fonte da vida que não morre, isto é, conhecer o Pai, o único Deus verdadeiro e, a quem Ele enviou, Jesus Cristo (Jo 17,3). É um dom sobrenatural. O Papa Francisco insiste que esse dom é dado a todos. Sabemos que os humildes têm grande sabedoria e discernem muito bem os caminhos de Deus, tanto que são eles os destinatários mais imediatos da revelação de Deus, como lemos em Mateus: “Eu Te louvo, ó Pai....porque ocultastes esses mistérios de Deus aos sábios e doutores e os revelastes aos pequeninos” (Mt 11,25). Não porque recuse, mas porque eles estão fechados. Não são pequeninos, nem humildes. 
A força da oração 
Sabemos que o Senhor está sempre a nos falar sempre de muitos modos, através das pessoas, dos acontecimentos, da natureza etc... E continua o Papa dizendo “que não é possível prescindir do silêncio da oração prolongada para perceber aquela linguagem, para interpretar o significado real das inspirações que julgamos ter recebido, para acalmar ansiedades e recompor o conjunto da própria vida à luz de Deus”(GE 171). Agindo assim podemos garantir que vivemos a partir do Espírito de Deus. Essa chamada que recebemos nos ajuda a discernir também nossa vida espiritual. Nem sempre ela corresponde ao que o Senhor espera de nós. E também nos dá a possibilidade de abrir nossa fragilidade numa súplica garantida: “Fala Senhor!” Queremos sempre ouvir o que o Senhor quer falar, mas preferimos escamotear e dar nossas respostas satisfazendo nossos interesses espirituais. É preciso disposição em ouvir. Diz: “Somente quem está disposto a escutar é que tem a liberdade de renunciar ao seu ponto de vista parcial e insuficiente, aos seus hábitos, aos seus esquemas” (GE 172). Quem está disposto a dizer “fala Senhor”, deve estar disposto a ouvir o que pode não estar em nossos projetos pessoais. Deus pode ter coisas melhores. 
Tesouro da Igreja 
Continuando a reflexão, o Papa Francisco lembra que tal escuta é ao Evangelho como último critério e ao Magistério que o guarda, procurando encontrar no tesouro da Igreja aquilo que pode ser mais fecundo para o “hoje” da salvação (GE 173). Não se trata de voltar ao passado como única fonte, pois o Evangelho é vivo hoje. No passado essas respostas eram atuais. Hoje temos outras situações. A rigidez está fora do caminho do Espírito que nos foi dado pelo Ressuscitado. É sempre um hoje. Isso pode nos levar a fugir da realidade para viva do Evangelho e do Espírito que fala à Igreja. Ele é força e graça.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2019

EVANGELHO DO DIA 13 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Marcos 7,31-37. 
Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».
Tradução Litúrgica da Bíblia 
Jean Tauler 
(1300-1361) 
Dominicano de Estrasburgo 
Sermão 49, 1.º para o 12.º domingo depois 
da Santíssima Trindade 
«Tudo o que faz é admirável: 
faz que os surdos oiçam e que os mudos falem» 
Temos de examinar de perto o que torna um homem surdo. Por ter escutado as insinuações do inimigo, por ter ouvido as suas palavras, o primeiro casal dos nossos antepassados foi o primeiro a ficar surdo. E nós também, a seguir a eles, de modo que já não conseguimos ouvir ou compreender as inspirações amorosas do Verbo Eterno. E, no entanto, sabemos bem que o Verbo Eterno está no fundo do nosso ser, mais inefavelmente perto de nós e em nós do que o nosso próprio ser, na nossa própria natureza, nos nossos pensamentos; nada que possamos nomear, dizer ou compreender está tão perto de nós e nos está tão intimamente presente como o Verbo Eterno. E o Verbo fala no homem sem cessar. Mas o homem não consegue ouvi-lo, devido à grande surdez que o aflige. Do mesmo modo, foi de tal maneira atingido nas suas outras faculdades que também se tornou mudo e já não se conhece a si próprio. Se quisesse falar do seu interior, não conseguiria fazê-lo, pois não sabe qual é a sua situação e não reconhece o seu próprio modo de ser. O que é então esse murmurar incomodativo do inimigo? É toda a desordem cujo reflexo ele te mostra e te persuade a aceitar, servindo-se do amor ou da busca das coisas criadas, deste mundo e de tudo o que lhe está ligado: bens, honrarias, até mesmo amigos e pais, até a tua própria natureza, resumindo, tudo o que te traz o gosto dos bens deste mundo decaído. É disso tudo que é composto o seu murmurar. Então, Nosso Senhor vem, mete o seu dedo sagrado no ouvido do homem e aplica-lhe saliva na língua, permitindo-lhe recuperar a palavra.

Santa Hermenilda de Ely, abadessa Festa: 13 de fevereiro Século VII.

Princesa anglo-saxã do século VII, ela foi rainha da Mércia e mãe de dois filhos, Santa Vereburga e Coenred. Após a morte do marido em 675, ela abraçou a vida religiosa beneditina e tornou-se abadessa de Minster-in-Sheppey. Mais tarde, juntou-se à sua mãe, Santa Seaxburh, no Mosteiro de Ely, onde foi designada para o papel de abadessa. Sua filha Vereburga também se tornou freira em Ely. Não resta nenhum documento sobre sua vida, mas seu nome é mencionado em um estatuto de 699 junto com outras três abadessas. Santa Eormenhild (Ermenilda, Ermenildis ou Ermengild) é uma abadessa que viveu no século VII. Seu nome é mencionado nas diferentes versões das genealogias incluídas na lenda real de Kent, escrita nos séculos XI e XII. Nesses textos, ela é mencionada como filha do rei Eorcenbertht de Kent e de Santa Seaxburh de Ely, esposa de Wulfhere de Mércia, com quem teve dois filhos, Santa Wearburh (Vereburga) e Coenred. Após a morte de seu marido em 675, Hermenilde decidiu abraçar a vida religiosa beneditina. Ela ingressou no mosteiro e tornou-se abadessa de Minster-in-Sheppey quando sua mãe, Santa Sexburga, foi liderar a comunidade de Ely. Mais tarde, juntou-se à mãe no Mosteiro de Ely e recebeu o cargo de abadessa. Sua filha, Santa Vereburga, também se tornou freira em Ely. Não restam documentos sobre sua vida.

Santa Catarina de Ricci religiosa, +1590

Durante a difusão das ideias de Lutero na Europa nasceu, em 1522, Alexandra na nobre família Ricci de Florença. Aos sete anos, foi entregue à educação das irmãs beneditinas em Prato, que despertaram nela o gosto pela vida monástica. Quando voltou para casa, manteve os costumes do convento. Apesar do plano dos pais para a casarem com um jovem de Florença, conseguiu permissão para abraçar a vida religiosa. Ingressou com alegria no mosteiro dominicano de Prato, adotando o nome de Catarina, em honra a Santa Catarina de Sena, e dedicou-se ao crescimento nas virtudes, especialmente a humildade. Aos 25 anos, tornou-se mestra das noviças e, mais tarde, superiora, cargo que exerceu quase sem interrupção por 42 anos. Conduzia a comunidade com equilíbrio, firmeza e doçura, através do exemplo. Tinha profunda devoção a Jesus Crucificado e, ao meditar sobre a Paixão, recebia dons místicos, entrando em êxtase das tardes de quinta-feira até as de sexta, compartilhando espiritualmente das dores de Cristo. Apesar das experiências místicas, permaneceu simples e acessível, sendo procurada como conselheira espiritual por sacerdotes, bispos, cardeais e papas, como Marcelo II, Clemente VIII, Leão XI e São Pio V. Correspondia-se também com São Carlos Borromeu e São Filipe Néri.

13 de fevereiro - Beato James Alfred Miller

James nasceu, prematuramente, em 21 de setembro de 1944, em Wisconsin, EUA, no seio de uma família de agricultores. Estudou em uma escolinha, perto da sua casa, e, depois, na cidade de Stevens Point, onde encontrou, pela primeira vez, os Irmãos das Escolas Cristãs. Em 1959, fez o noviciado em Missouri e, em 1962, recebeu o hábito religioso, tornando-se Irmão Leo-William. Mas, mais tarde, voltou a usar seu primeiro James Alfred. Após três anos, na Escola Secundária de Cretin, no Minnesota, ensinou espanhol, inglês e religião. Em 1969, ao emitir os votos Perpétuos, foi enviado para a missão dos Irmãos das Escolas Cristãs, em Bluefields, Nicarágua, onde, em 1974, foi diretor e supervisor da construção de novas escolas rurais. No entanto, na época da revolução Sandinista, seus Superiores pediram que ele deixasse a Nicarágua, em julho de 1979, pois temiam que, trabalhar sob o governo de Somoza, poderia correr risco de vida. Por isso, Jaime voltou para os Estados Unidos, onde foi novamente professor em Cretin, onde escreveu: “Estou entediado aqui e ansioso para voltar para a América Latina".

Beata Eustoquia Bellini, Virgem beneditina - 13 de fevereiro

Seu nascimento não foi legítimo: Lucrecia Bellini nasceu em Pádua, em 1444, de uma freira do mosteiro beneditino de São Prosdócimo e de Bartolomeu Bellini. Com quatro anos o demônio tomou posse de seu corpo, sem tolher-lhe o uso da razão, atormentando-a praticamente por toda a sua vida. Aos sete anos foi confiada aos monges de São Prosdócimo, que administravam no mosteiro uma espécie de internato. A conduta da comunidade não era exatamente exemplar, mas Lucrecia às diversões mundanas preferia o retiro, o trabalho e a oração; era muito devota de Nossa Senhora, de São Jerônimo e de São Lucas. Em 1460 o Bispo Jacopo Zeno, após a morte da abadessa, tentou impor uma maior disciplina no mosteiro, mas tanto as monjas como as pensionistas voltaram para suas casas, só permanecendo Lucrecia Bellini. Em substituição, vieram as monjas beneditinas do convento de Santa Maria da Misericórdia, sob a orientação da abadessa Justina de Lazzara. Lucrécia, então com 18 anos, pediu para entrar naquela Ordem e, em 15 de janeiro de 1461, recebeu o negro hábito beneditino tomando o nome de Eustoquia. O demônio, que por algum tempo a havia deixado em paz, voltou de novo ao seu corpo, obrigando-a a fazer atos contrários à Regra, fazendo-a agir em atos tão barulhentos e violentos, que as Irmãs ficavam aterrorizadas e tiveram que amarrá-la por vários dias a uma coluna. Mas a paz durou pouco, depois que Eustoquia foi libertada a abadessa adoeceu de uma doença estranha e ela foi culpada, quase a consideravam uma hipócrita bruxa; foi trancada em uma prisão durante três meses a pão e água.

Beata Cristina de Spoleto, Leiga Penitente - 13 de fevereiro

O início da vida desta figura singular de mulher pode muito bem se colocar quando, por volta de 1430, ela decide mudar de vida, abandonar a família e os locais nos quais havia vivido, e vestir o hábito secular das Agostinianas. Daquele momento em diante sua existência foi uma permanente peregrinação em busca de um local para viver no esquecimento. Permaneceu próximo de alguns mosteiros agostinianos não ingressando jamais em nenhum deles. A vida de oração, de mortificação, mas sobretudo as obras de misericórdia junto aos necessitados, a obrigavam a se afastar todas as vezes que percebia ser objeto de atenção. Em 1457, visitou os locais santos de Assis e de Roma, para depois se dirigir à Terra Santa em companhia de outra terciária. No retorno, chegou a Spoleto onde permaneceu por um breve período, dedicando-se ao cuidado dos doentes no hospital da cidade. Nesta cidade, embora ainda muito jovem, faleceu no dia 13 de fevereiro de 1458, com fama de santidade. O seu corpo foi sepultado sob as expensas da comuna de Spoleto na igreja agostiniana de São Nicolau. Numerosas graças e milagres atribuídos à sua intercessão contribuíram para difundir e a aumentar o seu culto, iniciado imediatamente após sua morte, o que levou Gregório XVI a ratificá-lo proclamando-a Beata em 1834. Os hagiógrafos são concordes quanto aos dados relativos à sua vida após a decisão de vestir o hábito de terceira agostiniana.

Santas Fosca e Maura, Martires - 13 de fevereiro

A Passio dessas duas santas narra que Fosca, nascida de uma família pagã de Ravena, aos 15 anos se sentiu inspirada a tornar-se cristã. Ela confidenciou à sua ama, Maura, o desejo de se tornar cristã. Juntas procuraram o sacerdote Ermolao que as ensinou na fé e as batizou. Nenhuma das tentativas de seu pai, Siroi, de induzi-la a voltar à fé de seus pais alcançou resultado. Fosca foi denunciada ao prefeito Quinziano, mas os homens enviados para prendê-la encontraram-na com um anjo e não obtiveram sucesso em seu objetivo. Então, Fosca e Maura se apresentaram espontaneamente a Quinziano, foram processadas, cruelmente torturadas e finalmente decapitadas em 13 de fevereiro. Seus corpos foram atirados ao mar, milagrosamente recolhidos e sepultados em costas longínquas por mãos piedosas. Séculos depois, a região onde seus corpos haviam sido sepultados foi ocupada por pagãos (árabes).

Martiniano de Cesareia Monge, Eremita, Santo + 400

Eremita perto de Cesareia na Palestina. 
Para fugir duma tentação grave, 
meteu os pés no fogo. 
Morreu em Atenas.
Martiniano era um monge eremita, mas acabou se tornando um andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo". Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, nasceu no século quatro. Desde a tenra idade decidiu ligar sua vida à Deus e aos dezoito anos ingressou numa comunidade de eremitas, não muito distante da sua cidade, onde se entregou à vida reclusa e viveu durante sete anos. A fama de sua sabedoria percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual, a cura de doenças e até a expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santidade e essa fama atraiu Cloé, uma jovem cortesã. Cloé era milionária, bela e conhecida como uma mulher de costumes arrojados e pouco recomendáveis. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o casto monge se perder. Trocou suas roupas luxuosas por farrapos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, acomodou-a e foi para os aposentos do fundo da casa, onde rezou entoando cânticos de louvor ao Senhor, antes de se recolher para dormir. Mesmo assim, Cloé não desistiu. Pela manhã trocara os farrapos por uma roupa muito sensual, aguardando o ingresso do monge nos aposentos internos da casa. O que logo aconteceu, ela então utilizou argumentos espertos tentando seduzir Martiniano, mas, ao invés disso, acabou sendo convertida por ele. Cloé a partir de então, se recolheu ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias.

Benigno de Todi Presbítero, Mártir, Santo século III

Muito interessante a história do culto deste Santo de nome Benigno, até porque o seu próprio nome é um adjectivo que significa “bom”, “benevolente”, “benéfico”, portanto, um atributo concedido a todos os Santos. No Calendário Litúrgico da Igreja, são vários os personagens festejados com este nome, cerca de dezoito, entre mártires, bispos, sacerdotes, monges e ermitãos. Entretanto, o primeiro Benigno a ser venerado, foi o que nasceu e viveu em Todi, na região da Úmbria, próxima de Roma, no início do Cristianismo. Os registros confirmam que era um sacerdote muito querido, sendo considerado por sua rectidão de carácter e bondade. Padre Benigno enfrentou corajosamente o martírio durante a última perseguição do imperador Maximiano. Segundo a tradição, ele estava sendo conduzido à Roma para ser jogado às feras, quando morreu, em consequência das incessantes torturas a que foi submetido. O fato teria ocorrido na estrada vizinha à cidade de Vicus Martis, onde seu corpo que ali fora abandonado, foi recolhido e sepultado secretamente pelos cristãos, que o acompanhavam à distância e assistiram ao seu testemunho. Anos depois, quando os cristãos puderam deixar a clandestinidade, no lugar onde Benigno esteve sepultado, foi construída uma igreja e um mosteiro beneditino, e com o passar dos tempos a região se tornou uma pequena cidade chamada Priorado de São Benigno.

Bem-aventurado Jordão da Saxônia, sacerdote dominicano -Festa: 13 de fevereiro

Sacerdote dominicano alemão 
que deu uma grande expansão à Ordem 
depois de São Domingos. 
Morreu num naufrágio quando 
voltava da Terra Santa. 
(*)Vestfália, 1175/1185 
(✝︎)Attalia, 13 de fevereiro de 1237 
O Bem-aventurado Jordão da Saxônia, sucessor de São Domingos como Mestre Geral da Ordem dos Pregadores, nos ajuda a refletir sobre a importância de trazer a Palavra de Deus entre os homens: na verdade, ela não apenas abre o coração, mas molda a história. Isso é demonstrado pela vitalidade da obra de Giordano, que atravessou a Europa em nome do carisma dominicano, nutrindo as raízes culturais e religiosas de todo o continente. Nascido por volta de 1175 na Vestfália, foi para Paris para seus estudos; aqui, em 1219, conheceu São Domingos, por quem ficou fascinado, decidindo compartilhar seu carisma: assumiu o hábito dominicano em 1220 e dois anos depois foi eleito mestre geral, o primeiro sucessor do próprio Domingos. Manteve a Ordem até sua morte em 1237, ao retornar da Terra Santa: durante seu ministério, viu a família dominicana crescer dez vezes. 
Martirológio Romano: Perto de Ptolemais, hoje Akko na Palestina, trânsito do Beato Jordão da Saxônia, sacerdote da Ordem dos Pregadores, que, sucessor de São Domingos e seu imitador, propagou a Ordem com grande comprometimento e morreu em um naufrágio.