domingo, 12 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Tempo mais que comum”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Todo o Mistério
 
Encerramos as festas pascais. Entramos no Tempo Comum. São 34 semanas. Pequena parte delas vem depois do Tempo do Natal e antes da Quaresma. Nesse tempo não temos celebração de um mistério particular de Cristo, mas é celebrado o mistério de Cristo como um todo. É o tempo em que celebramos, sobretudo, a Páscoa Dominical. Cada domingo é dia do Senhor. Primeiro temos o Domingo, a Páscoa Semanal e, só depois, a Páscoa anual. Os pagãos eram excessivamente festivos. A vida cristã, como festa em Cristo, vive-se como um todo, o tempo todo. A sabedoria da Igreja em suas celebrações está em meditar as muitas faces do Evangelho que nos são oferecidas. Nesse tempo celebramos as festas de Nossa Senhora e dos santos. Elas são frutos de Cristo na vida do povo. Maria e os santos são frutos benditos da Redenção. Nesse tempo também nos é dada a possibilidade de um contato maior com a Palavra de Deus no seu todo. Na liturgia se lê 90% da Bíblia, o que não tivemos nas liturgias anteriores. Há um elemento importante que é a santificação das horas do dia, como a manhã e o entardecer. Os mistérios de Cristo são vividos no dia a dia, tendo sempre o cume no Domingo, dia do Senhor. É uma catequese permanente. Santo Agostinho diz que é a Páscoa diária dos cristãos. Cresceu assim o culto dos mártires e as devoções de aplicar à sexta-feira, a Paixão, o sábado à Nossa Senhora e também o memorial da natureza, como eram as Rogações, com a bênção dos campos e das colheitas, elementos que perdemos na liturgia renovada. O mundo mudou. 
Formação do povo de Deus 
O Tempo Comum é oportuno para a formação do povo de Deus. Um primeiro elemento é o valor do tempo cristão. Esse tem uma referência ao mistério de Cristo e à história da Salvação. É a grande questão: A celebração está desligada da vida. Por isso, a celebração não chega à vida, nem a vida vai à celebração. O tempo físico, como temos na Liturgia das Horas, encontra sempre seu sentido redentor. Por exemplo: o amanhecer nos traz a memória da Ressurreição, como o entardecer, a Paixão e a instituição da Eucaristia. É notável que a espiritualidade que estamos vivendo busca sua fonte em elementos até suspeitos, ou pouco evangélicos. Na liturgia temos a leitura permanente das Escrituras. A missa diária tem grande força de espiritualidade, não só pelos mistérios de Cristo, mas pela formação permanente que nos é dada. Ao menos, se não for presencial, que seja pessoal. Os santos eram fiéis à sua missa diária, como podemos ver no jovem Beato Carlo Acutis, recentemente beatificado. Ela não é um dever, é um dom. Temos nossas velhinhas de missa diária, tantos anos seguidos. Quanta graça recebida. 
Momento de graça 
A Eucaristia é a Páscoa cotidiana. Tudo o que Cristo fez para nossa redenção e santificação está presente em cada Eucaristia. A Páscoa é eterna não só porque para sempre, uma vez acontecida, mas que está sempre presente, pois é vida de Cristo em nós. O dia do cristão é Páscoa cotidiana. Ela é o alimento que dá vitalidade à monotonia de nossos dias. Não só porque aconteceu uma celebração, mas porque Cristo continua conosco a “concelebrar a vida” como “concelebramos” sua Páscoa em nossa vida. Ainda não fomos capazes de trazer a celebração para a vida, por isso temos dificuldade de levar a vida para a celebração. Podemos resumir dizendo que cada ato cristão é Páscoa. O amor é a Páscoa que fica. Vamos além da celebração.
ARTIGO PUBLICADO EM JUNHO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 12 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 13,1-23. 
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas, depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem, dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: "Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure". Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram, e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Bernardo 
(1091-1153) 
Monge cisterciense, 
doutor da Igreja 
Sermão para a Natividade de Maria 
«O Aqueduto», §§13, 18 
O Semeador semeia a Palavra 
Irmãos, esforcemo-nos para que a Palavra saída da boca do Pai, que chegou a nós por intermédio da Virgem Maria, não regresse vazia (cf Is 55,11), mas Lhe devolvamos graça por graça através desta mesma Virgem. Tragamos sem cessar ao espírito a lembrança do Pai enquanto estamos reduzidos a suspirar pela sua presença: devolvamos os fluxos da graça à sua fonte, para que eles voltem mais abundantes. Se tendes o Senhor no espírito, não vos caleis, não fiqueis em silêncio a seu respeito. Aqueles que já vivem na sua presença não têm necessidade desta advertência; mas os que vivem ainda na fé devem ser exortados a não responder a Deus pelo silêncio. Porque «Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis» (Sl 85,9), que já não voltarão aos seus desvarios. Ele ouve aqueles que O ouvem; Ele falará aos que Lhe falam, mas ficará em silêncio se ficais em silêncio, se não O glorificais. «Pus sentinelas, que nem de dia nem de noite deixarão de repetir: "Vós, os que tudo recordais ao Senhor, não repouseis! Não O deixeis descansar, até que dê a Jerusalém a estabilidade, e faça dela a glória da Terra"» (Is 62,6-7). Mas, seja qual for a oferenda que apresenteis a Deus, lembrai-vos de a confiar a Maria, para que a graça suba à sua fonte pelo mesmo canal que no-la trouxe. Cuidai em oferecer a Deus o pouco que tendes e dai-Lho pelas mãos de Maria, essas mãos puríssimas, que são dignas de receber o melhor acolhimento.

Santos Luis e Zélia Martin esposos e pais de Santa Teresinha

Os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus viveram uma vida exemplar como cristãos, como casal e como pais preocupados com a santidade dos seus filhos. Ambos de nacionalidade francesa, Luís Martin nasceu em Bordéus, em 1823, e Zélia Guerín mais a norte, em Saint-Denis-sur-Sarthon, em 1831. Inicialmente, tentam os dois seguir a vida religiosa, embora sem sucesso. Luís, por não saber latim, não foi aceite no Hospício do Grande São Bernardo, dos Agostinianos, nos Alpes suíços. E Zélia viu recusada a sua entrada na ordem das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, possivelmente devido à sua frágil saúde.

12 de julho - Santo Inácio Clemente Delgado

A tradição da Comunidade vietnamita nos lembra que a história do martírio desta Igreja desde suas origens é muito ampla e complexa. A partir de 1533, isto é, desde o início da pregação cristã no Sudeste Asiático, a Igreja no Vietnã sofreu, ao longo de três séculos, várias perseguições que tiveram êxito, com algumas tréguas, como as que atingiram a Igreja no Ocidente em primeiros três séculos de vida. Milhares de cristãos foram enviados ao martírio, e muitos são aqueles que morreram nas montanhas, nas florestas, nos territórios insalubres onde foram exilados. Como se lembrar de todos eles? Mesmo se nos limitássemos aos canonizados hoje, não poderíamos nos alongar em cada um deles. São 117, incluindo oito bispos, cinquenta sacerdotes, cinquenta e nove leigos, e entre eles encontramos uma mulher, Agnese Le Thi Thành, mãe de seis filhos. 
Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 19 de junho de 1988 

Santos Nabor e Félix Mártires Festa: 12 de julho século IV

De origem norte-africana, os soldados Nabor e Félix chegaram a Milão, no século IV, para servir o exército de Maximiliano. Convertidos ao cristianismo, foram expulsos das fileiras militares e martirizados em Lódi. Seus restos mortais foram transferidos para a Basílica de Santo Ambrósio, em 1799. 
Nabor e Félix eram dois soldados de origem norte-africana que chegaram a Milão no século IV para servir no exército de Maximiano. Converteram-se ao cristianismo e foram executados em Lodi Vecchio (Laus Pompeia) por deserção. Tratava-se, na verdade, de um expurgo de cristãos das fileiras militares. Seus corpos foram levados para a basílica milanesa conhecida como Basílica Naboriana.

Santa Verônica Pia mulher Festa: 12 de julho

Seu nome aparece pela primeira vez nos Evangelhos apócrifos e se refere à mulher com hemorragia, chamada Bernike em grego, Verônica em latim, que, implorando a Jesus por cura enquanto ele passava por uma multidão, conseguiu tocar a orla de seu manto, sendo instantaneamente curada. A tradição cristã conta que a piedosa mulher dedicou sua vida a espalhar a boa nova e viajou por toda a Europa, deixando em Roma o pano de linho com o Santo Rosto ("o verdadeiro ícone", como seu nome predestinou), e continuou até a França, onde começou a conversão dos gauleses. O episódio de Verônica enxugando o rosto de Jesus com um pano tornou-se muito difundido, quase ofuscando completamente o episódio da mulher com hemorragia, que, segundo alguns, é a mesma mulher, embora não haja provas documentais.

Santa Inês Lê Thi Thành, Mãe de família, mártir – 12 de julho

Martirológio Romano:
Na província de Ninh Binh, em Tonquim, Santa Inês Lê Thi Thành (Dê), mártir, mãe de família, que no tempo do imperador Thiêu Tri foi cruelmente atormentada por ter ocultado em sua casa a um sacerdote, morrendo na cadeia por se negar a abjurar de sua fé (1841).
Foi sempre muito difícil encontrar notícias seguras sobre os mártires, já desde os primeiros séculos da era cristã, e também às vezes para mártires da era moderna, sobretudo se viviam em algum lugar afastado; isto ocorre com Santa Inês Lê Thi Thành, de nacionalidade vietnamita. Inês nasceu em 1781 perto de Ba Den, nos arredores de Tranh Hoa no Vietnam.

Beata Marta do Bom Anjo (Maria Cluse) Virgem Santíssima do Santíssimo Sacramento, mártir Festa: 12 de julho

(*)Bouvante, França, 5 de dezembro de 1761 
(+)Orange, França, 12 de julho de 1794 
Emblema: Palma 
Martirológio Romano: Em Orange, na Provença, na França, as Bem-Aventuradas Rosa de São Xavier (Madalena Teresa) Tallien, Marta do Bom Anjo (Maria) Cluse, Maria de Santo Henrique (Margarida Leonor) de Justamond e Joana Maria de São Bernardo de Romillon, virgens e mártires, que alcançaram a palma do martírio durante a Revolução Francesa. 
Nascida em Bouvante (Drôme) em 5 de dezembro de 1761, foi admitida como freira leiga nas Irmãs Sacramentinas de Bollene e fez sua profissão em 4 de novembro de 1783.

João Gualberto Monge beneditino, Fundador, Santo ca. 995-1073

Foi um monge beneditino conhecido por ter perdoado o matador de seu irmão. Nascido em Florença e membro de uma família Visdomini tinha uma vida mundana até a morte do seu irmão Hugo. São João Gualberto recusou a procura da vingança e teve uma visão na qual Cristo na Cruz, balança a cabeça em reconhecimento e aprovação do seu nobre acto. Ele então foi para o Mosteiro dos Beneditinos em San Miniato em Florença e enquanto orava diante do crucifixo foi envolvido por uma graça muito especial e ficou convencido que devia entrar para a ordem. Ele pediu ao Abade para ser admitido mas este recusou com medo da reacção do seus pais. Para demonstrar a sua seriedade ele raspou a sua cabeça e pôs um hábito que tinha pedido emprestado. O Abade finalmente aceitou a sua admissão. Durante alguns anos permaneceu em San Miniato e teve uma vida de penitencia e de monge exemplar e esperava terminar ali os seus dias, mas quando o Abade faleceu ele pressentiu que iria ser indicado como o novo Abade e saiu da ordem para levar uma vida contemplativa .

São João Jones, sacerdote e mártir Festa: 12 de julho

(†)Saint Thomas Waterings, Inglaterra, 12 de julho de 1598
Nascido na Inglaterra e forçado ao exílio na França, ingressou na ordem franciscana em Pontoise. Foi ordenado sacerdote, provavelmente em Reims. Após uma breve estadia em Roma, retornou à Inglaterra e exerceu seu ministério clandestinamente em Londres. Preso e encarcerado, sofreu torturas cruéis e foi condenado à morte. A sentença foi executada em Saint Thomas Waterings em 12 de julho de 1598. 
Martirológio Romano: Também em Londres, São João Jones, sacerdote da Ordem dos Frades Menores e mártir, originário do País de Gales, que se tornou religioso na França, foi condenado à morte sob o reinado da Rainha Elizabeth I por ter entrado na Inglaterra como sacerdote e consumou seu martírio enforcando-se até a morte.

João Wall : Sacerdote franciscano, mártir, beato (1620-1679)

João Wall nasceu de uma família boa, estável e bastante cristã. Em 1641 ingressou no colégio de Donai (Portugal), onde recebeu a ordenação sacerdotal em 1645. Após cumprir um curto período de missão pelas regiões da Inglaterra, retornou a Donai a fim de receber o hábito dos Irmãos Menores no convento de São Boaventura, onde obteve o nome religioso de Frei Joaquim de Santa Ana. Dedicou-se com muito amor à missão de difundir o catolicismo pela Inglaterra, estabelecendo-se em Harvington Hall, no condado de Worcester; ali exerceu por mais de 22 anos suas funções sacerdotais. Em dezembro de 1678, foi capturado como conspirador papista sob a liderança de Titus Oates. João Wall se recusou decididamente a prestar juramento de supremacia, sendo por isso recolhido na prisão de Worcester.

ORAÇÕES - 12 DE JULHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
12 – 15º Domingo do Tempo Comum
Evangelho (Mt 13,1-23) Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.”
Imagino que Jesus queria descansar um pouco na praia. Mas, mas havia gente que precisava de sua palavra. Usando uma parábola, uma comparação, chamou a atenção para a oportunidade que oferecia a todos. Falou de semeador e de semente: O semeador é o mesmo, a semente é a mesma. Por que os resultados são diferentes? Porque é diferente a terra que recebe a semente. É chão pisado e duro, é terreno pedregoso, cheio de mato, ou é terra macia e boa. A mensagem do evangelho é sempre a mesma; diferentes, porém, os corações onde é semeada. Não posso deixar de perguntar: que terra eu sou? Por pior terra que eu seja, posso sempre aceitar o impulso da graça, e pedir insistentemente que o Senhor me transforme, e me torne capaz de acolher sua oferta de amor.
Oração
Senhor Jesus, vossa parábola lembra-me que, diante de vossa oferta de amor e salvação, tenho de tomar uma atitude. Por mais que façais para me ajudar, apesar de todas as graças, respeitais minha liberdade. Tenho de ceder livremente aos vossos convites, tenho de abandonar as resistências, tenho de me entregar confiadamente em vossas mãos. É isso que vos peço. Dobrai minha resistência, vencei minhas desconfianças, seduzi e conquistai meu coração. Assim, querendo entender, poderei entender o que me dizeis. Se me iluminais, poderei perceber a verdade de vossas palavras. Tornai, pois, fecunda a terra de meu coração, para que em mim possa germinar e crescer a vida nova que me ofereceis. Por misericórdia, Senhor, não desistais de mim. Amém.

sábado, 11 de julho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “No Senhor, toda Graça”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Fonte do mal
 
Encerramos o Tempo Pascal e retomamos o Tempo Comum. Agora não celebramos um acontecimento da vida de Cristo. E sim, o Cristo em seu mistério e o ser humano no mistério de Cristo. O salmo mostra nossa realidade: “De fundos abismos clamo a Vós, Senhor... No Senhor ponho minha esperança” (Sl 129). Parece que hoje somos colocados diante do problema do Mal. Lemos no texto da queda como o mal penetra no coração das pessoas e leva à rejeição do bem que é Jesus. O que é mais sagrado é pervertido até chegar à impossibilidade do perdão. Somos convocados a refletir sobre o mal. Qual é sua origem? Ele não é um concorrente de Deus, como um deus que destrói o homem. Deus não é o criador do Mal. Como é que surgiu? Parece até que é anterior ao homem. Vem simbolizado na serpente. É claro que isso tudo é uma linguagem para explicar um sentido aos que viviam no tempo do autor sagrado. A narrativa tem o significado no seu conteúdo e não na história. Não se trata de um fato de um tempo, mas de uma realidade que nos persegue. O mal não é senhor do homem. Mas nos cerca. Estamos entre o bem e o mal. Satanás, a serpente atrai. Qual a tentação? Ser igual a Deus. Sendo o homem livre, esse mal está presente ao homem. Deus disse a Caim: “O pecado está à sua porta. Compete a você, dominá-lo” (Gn 4,7). O mal existe, atrai e envolve, levando-nos à cegueira, como os doutores da lei. Dizer que Deus provoca o mal é um pecado que não procura o perdão. 
Olhar o invisível 
Se por um lado há o mistério do mal, por outro, temos o mistério da graça que é Jesus Cristo. Paulo nos ensina que a fragilidade humana não é o fim: “Por isso não desanimemos. Mesmo se nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai se renovando, dia a dia” (2Cor 4,16). O mal não é senhor do homem e da mulher. Podemos escolher o mal. Mas podemos escolher o bem. “Estamos com nossos olhares voltados para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno” (2Cor,4,18-). A dimensão frágil do ser humano, com grande tendência para o mal, tem na graça sua maior força. Nela podemos recompor a vida e nos organizar para viver intensamente o projeto de Deus. O que ocorreu com os doutores da lei, fariseus e outros foi se colocarem iguais a Deus no julgamento das pessoas com a luz do mal. Todos esperavam um Messias, mas que fosse de acordo com seus modelos. Jesus se manifesta com o projeto de tirar todo o poder de satanás que dominava os corações a ponto das pessoas julgarem a Deus atribuindo os poderes de Jesus a poderes do mal. Esse é o pecado contra o Espírito Santo (Mc 3,22). Deus só faz o bem 
Tua mãe e teus irmãos 
No Evangelho de hoje aparece duas vezes a família de Jesus. Jesus apresenta sua família e a família ampliada como lugar de se viver bem no meio da imensidão de males. A família que Deus criou deixou-se invadir pelo mal. Jesus propõe novamente o projeto de Deus para vencer o vivendo a Palavra. Nele podemos criar a nova família que vive o bem. Não exclui seu ser humano. Propõe o novo modo de ser: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,35). A família é uma proposta de se viver intensamente a vida nova. Ela se forma a partir da escolha que fazemos de rejeitar o mal e procurar o bem que é Jesus, bondade de Deus. 
Leituras: Gênesis 3,9-15; Salmo 129; 
2ª Cor 4,13-18.5,1; Marcos 3,20-35. 
1. O mal não é um fato de um tempo, mas uma realidade que nos persegue.
2. A fragilidade do ser humano, com a tendência para o mal, tem na graça sua maior força. 
3. Jesus propõe novamente o projeto de Deus: Viver a Palavra. 
Minhoquinha do mal 
Vemos que o mal vai penetrando a realidade. Essa minhoquinha do mal não aduba a terra, mas a torna infrutífera. O mal penetra tudo e tem muita força, exigindo que se lute com muita garra para exterminá-lo. Temos essa esperança de acolher o bem e fazer tudo frutificar. No paraíso terrestre, Eva deixou-se enganar. Dentro dela já havia desejos ambiciosos de meter o nariz aonde não tinha sido convidada. Pior é que, além de fazer o mal, complica a vida dos outros. Aí começa o jogo do empurra. O castigo não é algo de mal que Deus joga em nós, mas escolhas que fazemos e não dão certo. Das coisas ruins podemos tirar coisas boas. Dos males que sofremos, podemos dar um sentido novo à vida e a tudo que nos cerca. 
Homilia do 10º Domingo do Tempo Comum (06.06.2021)

EVANGELHO DO DIA 11 DE JULHO

Evangelho segundo São Mateus 19,27-29. 
Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: «Nós deixámos tudo para Te seguir. Que recompensa teremos?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: no mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Venerável Pio XII 
(1876-1958) 
Papa 
Encíclica «Fulgens radiatur», de 21/03/1947 
A Europa civilizada e evangelizada 
pelos filhos de São Bento 
À marcha das legiões romanas, que rolavam pelas vias consulares a fim de subjugarem ao império de Roma os povos distantes, sucedeu, com efeito, o exército pacífico dos monges, desprovidos de forças materiais, mas armados do poder que vem de Deus (cf 2Cor 10,4), enviados pelo sumo pontífice a dilatar o reinado de Jesus Cristo até aos confins da Terra, não com a espada e o pavor do saque e da carnificina, mas com a cruz e o arado, com o amor e a verdade. Onde quer que chegasse este exército inerme de agricultores, de artistas, de teólogos, de sábios, de pregoeiros do Evangelho, marcava bem fundo o rastro das suas pisadas em oficinas que se erguiam, alegres de arte e de trabalho, em relhas que se multiplicavam, desabrochando o seio das florestas na promessa verde dos campos, em novos grupos de povos civilizados, arrancados aos costumes da selva pelo exemplo e pregação dos monges. Apóstolos sem conta calcorrearam, transbordantes de caridade divina, as regiões turbulentas e ignoradas da Europa, regando-as generosamente de suor e de sangue, levando às populações pacíficas a luz das verdades e da moral cristã. Com efeito, desde a Inglaterra, a França, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Frísia e a Escandinávia até a Hungria, nenhum povo há que se não orgulhe do apostolado dos monges, os não considere como glória nacional e ilustres iniciadores da sua cultura.

São Pio I, Papa e mártir Festa: 11 de julho

Natural de Aquileia, Papa Pio I, em 15 anos de pontificado, teve que enfrentar a heresia do gnóstico Marcião, que contrapunha Deus do Antigo Testamento com Cristo. Estabeleceu normas para a conversão dos Judeus e determinou o modo para calcular a data da Páscoa. Pio I faleceu no ano 155. 
(*)Aquileia ? (†)Roma, 155 
(Papa de 140 a 155)
Nascido em Aquileia, fontes informam que era irmão de Hermas, um dos Padres Apostólicos e autor da obra "O Pastor". Durante seu pontificado de quinze anos, o Papa Pio I confrontou a heresia do gnóstico Marcião, que contrapunha o Deus do Antigo Testamento a Cristo. Estabeleceu normas para a conversão dos judeus e o cálculo da data da Páscoa. Faleceu em 155. 
Etimologia: Pio = devoto, religioso, compassivo (significado intuitivo)
Martirológio Romano: Em Roma, comemora-se São Pio I, Papa, que, irmão do famoso Hermas, autor da obra intitulada "O Pastor", guardou a Igreja como um bom pastor durante quinze anos.

Santas Anna An Xinzhi, Maria An Guozhi, Anna An Jiaozhi e Maria An Lihua Virgens e Mártires Festa: 11 de julho

(+)Liugongyin, China, 11 de julho de 1900
 
Elas pertencem ao vasto grupo de mártires chineses, testemunhas da fé mortas durante a Revolta dos Boxers em 1900. Eram jovens mulheres consagradas a Deus em virgindade, que viviam na comunidade cristã da aldeia de Liugongyin, na província de Hebei. Num período marcado por um nacionalismo xenófobo violento e um profundo sentimento anticristão, recusaram-se a renunciar à sua fé, apesar das ameaças e da tortura. A sua morte por decapitação tornou-as um símbolo da fidelidade cristã num dos momentos mais dramáticos da história da Igreja na China. A sua memória evoca não só a sua coragem pessoal, mas também o testemunho de inúmeras comunidades cristãs chinesas que, entre os séculos XIX e XX, enfrentaram a perseguição sem renunciar às suas convicções religiosas. 
Emblema: Palma do martírio, túnica tradicional chinesa, cruz, espada ou sabre de decapitação. 
Martirológio Romano: Na aldeia de Liugongyin, perto de Anping, na província de Hebei, China, as santas virgens e mártires Anna An Xinzhi, Maia An Guozhi, Anna An Jiaozhi e Maria An Lihua foram decapitadas durante a perseguição dos Boxers, quando não havia como fazê-las renunciar à fé.

Santa Marciana de Cesareia na Mauritânia, mártir Festa: 11 de julho

(*)Russucur (Rusuccuru, atual Dellys, Argélia), século III.
(+)Cesareia da Mauritânia (atual Cherchell, Argélia), por volta de 303. 
Originária de Russucur (atual Dellys, Argélia), Marciana consagrou sua virgindade e retirou-se para Cesareia, na Mauritânia, onde levou uma vida de oração e penitência. Sua oposição declarada ao paganismo culminou na mutilação de uma estátua da deusa Diana, ato pelo qual foi presa, açoitada e submetida a diversas perseguições. Mantendo-se firme em sua fé, foi condenada à morte durante a perseguição de Diocleciano, provavelmente em parte devido à hostilidade de alguns membros da comunidade judaica local, um detalhe registrado na Paixão segundo São Jerônimo e que deve ser avaliado com cautela. No anfiteatro, um leão não a atacou; um touro a pisoteou e, por fim, um leopardo lhe infligiu ferimentos fatais. Seu culto é atestado desde a Antiguidade, em 11 de julho, no Martirológio de São Jerônimo e nos calendários moçárabes.

Beatas Mártires de Orange, França - Festejadas 9 e 11 de julho

A história do martírio das 32 religiosas francesas faz parte da grande matança efetuada na Revolução Francesa, e, especificamente, durante o período conhecido como “o Terror”, que durou por toda a França a partir do outono de 1793 até o verão 1794. Neste período, atuaram alguns tribunais extraordinários, dos quais um dos mais cruéis foi o da cidade de Orange, no sudeste da França, no Vaucluse. Suas atividades começaram em 17 de junho de 1794 e pararam em 5 de agosto daquele ano. Nestes dois meses, ele perseguiu com ferocidade padres, freiras e religiosos, o clero "refratário" que havia se recusado a prestar o juramento de "liberdade-igualdade" e a Constituição Civil do Clero, que por seus princípios restritivos à dependência de Roma fora condenada pelo Papa Pio VI.

Bento de Núrcia Patriarca dos monges do Ocidente, Santo (ca. 480-543)

Abade, fundador da Ordem Beneditina, Patrono da Europa, santo (480-547).
No desmoronamento do Império Romano do Ocidente, a Providência suscitou São Bento “como uma luz no meio das trevas, ou como um médico enviado por Deus para curar as chagas da humanidade nessa época” [1] 
Em seu livro Diálogos, em que narra a vida de Santos, São Gregório Magno dedica o capítulo II a São Bento. Assim principia ele: “Houve um homem de vida venerável pela graça e pelo nome, Bento, que desde sua infância teve a cordura de um ancião. Com efeito, adiantando-se pelos seus costumes à idade, não entregou seu espírito a prazer sensual algum, senão que, estando ainda nesta Terra e podendo gozar livremente as coisas temporais, desprezou o mundo com suas flores, como se estivessem murchas”[2].

Olga de Kiev Princesa, Santa 890-969

Primeira santa russa inserida 
no calendário católico bizantino. 
Construiu algumas igrejas, 
inclusive a de madeira 
dedicada à santa Sofia, em Kiev.
Olga, a primeira santa russa inserida no calendário católico bizantino, é considerada o elo entre a época pagã e a cristã, na história das populações eslavas. As fontes que a citam são numerosas e todas de relevância histórica. Delas aprendemos que Olga nasceu em 890, na aldeia Vybut, próxima de Pskov e do rio Velika, Rússia. Era uma belíssima jovem típica daquela região. Em 903, quando o príncipe Igor a avistou, logo quis casar-se com ela, apesar de sua pouca idade. Na realidade, Olga era filha do chefe dos Variagi, uma tribo normanda de origem escandinava, responsável por vários pontos estratégicos, pois se dedicavam à exploração do transporte e do comércio. O seu casamento foi um símbolo concreto da fusão do povo russo com aquele variago, que ao final do século IX começava a viver sob a influência do cristianismo.