quarta-feira, 20 de maio de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Seremos semelhantes a Ele”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
O povo é santo 
Diz-se que a festa de Todos os Santos foi criada para que não ficassem esquecidos tantos cidadãos da Cidade do Alto, cheios de méritos e também nossos intercessores. A santidade se manifestou de muitos modos na história. Começamos pelos Apóstolos que são as pedras fundamentais da Igreja. São eles os primeiros santos do Novo Testamento. Eles iniciaram a grande imensidão de mártires que continuam até hoje, seguindo o Cordeiro em seu Calvário. Vieram os monges do deserto e das comunidades que viveram um martírio diferente na solidão, na oração e no desapego. Venceram o Inimigo. Temos, no correr dos séculos, tantos tipos de santos casados, solteiros, jovens, até crianças que viveram para Jesus. É uma festa de família que nos convida a ver, em nosso meio, tantos que vivem o Evangelho com intensidade, na simplicidade e na dureza da vida. Desses, muitos estão em outras religiões, ou são desconhecidos nas comunidades, ou se dedicam aos múltiplos ministérios da sociedade. Ultimamente foi beatificado um garotão, rei na informática, mas apaixonado por um jogo: amar Jesus de todos os modos. É Carlos Acutis, italiano de 15 anos. A santidade não se mede por muitas rezas ou milagres. Sua medida é a capacidade de amar e dedicar-se aos outros. Às vezes fazemos tantas coisas para dar uma desculpa de não querer assumir a santidade que o Evangelho oferece. São Paulo nos ensina que a maior virtude é a caridade (1Cor 13,13). Sem ela só fazemos barulho. 
Caminho suave
Em que consiste o amor? Amar com totalidade na simplicidade, sem fazer o barulho do orgulho. Todos nós podemos amar. A santidade é uma possibilidade para todos. Essa receita Jesus no-la deu no início de seu ministério, como nos ensina S. Mateus. Ela se resume em oito pedrinhas que sustentam todo o edifício espiritual. Todas se resumem na simplicidade. Que custa ser pobre desapegado? Fica mais fácil para voar para o Céu. Aqueles que se preocupam com os outros vão ser consolados. Ser manso é tão bom. Imaginemos que esses possuirão a terra. A pessoa mansa e educada cabe em qualquer lugar. Os que procuram a justiça para o mundo são queridos pelos sofredores. E vale a pena. Por que é caminho suave? Porque é feito de misericórdia. Todos querem ser amados como são, como podem e como fazem. Só a misericórdia entende. Os brutamontes não cabem nesse mundo. Para viver nele é preciso ter pureza de coração, sem más intenções, acolhedores sem por medidas. Não somos a medida para ninguém. Nossa medida é o amor de Jesus. Mesmo que haja sofrimento, estaremos unidos ao Sofredor maior. Ele não teve medo de sofrer porque estava apoiado no caminho de simplicidade. Rezamos no salmo: “Quem subirá o monte do Senhor? O que tem mãos puras e inocente o coração”(Sl 23). 
Santidade não é sofrimento 
Fuja das pessoas e espiritualidades exigentes. As coisas difíceis a gente pega para si. Para os outros devemos facilitar o mais possível. Por isso Jesus nos coloca a grande verdade que fundamenta a espiritualidade e a santidade: “Somos chamados filhos de Deus e o somos de fato” (1Jo 1,1). Nessa filiação aprendemos a ser como Deus é. Foi isso que Jesus veio mostrar: Fazer a vontade do Pai. Foi esse seu ensinamento. Celebrando todos os santos pedimos: “Vossa graça nos santifique na plenitude do vosso amor, para que, dessa mesa de peregrinos passemos ao banquete de vosso Reino” (Pós Comunhão). Não nos falte o desejo de fazer esse caminho de santidade. Sem isso... Seremos inúteis para o mundo. 
Leituras: Apocalipse 7,2-4.9-14 ;
Salmo 23; 
1João 3,1-3; Mateus 5,1-12ª. 
1. É uma festa de família de tantos que viveram o Evangelho na simplicidade. 
2. A santidade é uma possibilidade para todos. 
3. As coisas difíceis a gente pega para si. Para os outros devemos facilitar. 
Santo do pau oco 
Jesus nos propõe um caminho de santidade. Sempre fizemos muita festa para os santos. Mas os espertalhões de sempre usavam a imagem do santo de madeira, com um buraco dentro, para esconder o ouro que contrabandeavam sem pagar “o quinto” de imposto para o rei de Portugal. Será que descobriam? Vivemos em um mundo de muita santidade, pois as pessoas, mesmo sem terem conhecimentos, fazem tantas coisas boas. Jesus não descarta só porque não tem o carimbo Dele. Dele é a riqueza que está dentro de nosso pobre interior. O santo não ganhava nada
para levar o ouro. Se levarmos o ouro que é Jesus, nós não pagamos imposto e ganhamos tudo. Na comunidade aparecem pessoas que são pau oco. Não tem nada de espiritual e vivem querendo mandar nos outros. Não dá certo. A Deus não se tapeia. 
Homilia da Festa de Todos os Santos (01.11.2020)

EVANGELHO DO DIA 20 DE MAIO

Evangelho segundo São João 17,11b-19. 
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: «Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que Me deste, para que sejam um, como Nós. Quando Eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que Me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição; e assim se cumpriu a Escritura. Mas agora vou para Ti; e digo isto no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da minha alegria. Dei-lhes a tua palavra e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. Consagra-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Carta a Diogneto (c. 200) §§ 5-6 
«Não peço que os tires do mundo, 
mas que os livres do mal» 
Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem pela sua terra, nem pela sua língua, nem pelos seus costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam uma língua estranha, nem têm um modo especial de viver. A sua doutrina não foi inventada por eles graças ao talento e à especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, ensinamentos humanos. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas ou bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes dos lugares quanto ao vestuário, à alimentação e aos costumes, testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cidadãos, mas tudo suportam como estrangeiros. Qualquer terra estrangeira é para eles uma pátria, e qualquer pátria uma terra estrangeira. Vivem na carne, mas não segundo a carne (cf 2Cor 10,3; Rm 8,12-13); moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu (cf Fil 3,20; Heb 11,16); obedecem às leis estabelecidas, mas a sua vida está muito para além das leis. Amam a todos, e são por todos perseguidos; são mal conhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos, e desse modo recebem a vida; são pobres, mas enriquecem a muitos; carecem de tudo, mas de tudo têm abundância; são desprezados, e neste desprezo são glorificados; são amaldiçoados, e nessa maldição são justificados; quando são injuriados, abençoam; quando são maltratados, respeitam os outros. Em suma, assim como a alma está no corpo, assim estão os cristãos no mundo.

20 de maio - Beata Maria Crescência Pérez

O sonho de uma vida melhor motiva os imigrantes a sair de sua terra na Galícia, partindo para a América do Sul. Mas infelizmente muitas vezes a realidade é dura e injusta. Muitas vezes trabalhavam de sol a sol em suas terras férteis, navegando em rios amplos, ou se instalando na periferia, quando conseguiam se acomodar nas cidades. Mas, com sua pobreza de origem levavam a riqueza de suas tradições católicas. Assim aconteceu com os Pérez-Rodriguez que diante da adversidade não desesperaram. Em Córdoba, em meados de 1889, Agustín Pérez se casa com Ema Rodriguez, diante do altar da Virgem do Pilar. A Argentina vivia momentos agitados que faziam alternar partidos conservadores e liberais no governo das cidades, isso fez com que o casal emigrasse para Montevidéu. Mas como o jovem casal não encontrava horizontes de progresso naquele país, decidiu voltar para a Argentina. Em San Martin, Buenos Aires, no frio agosto de 1897, nasceu a pequena Maria Angélica.

Beato Luis Talamoni

Reflexo fiel da misericórdia de Deus é o sacerdote Luís Talamoni. O mais ilustre dos seus alunos no Seminário Liceal di Monza, Achille Ratti, depois Papa Pio XI, definiu-o "pela santidade de vida, luz de ciência, grandeza de coração, perícia de magistério, ardor de apostolado e pelas benemerências cívicas a honra de Monza, pedra preciosa do clero ambrosiano, pai e guia de almas sem número". O novo Beato foi assíduo no ministério do confessionário e no serviço aos pobres, nos cárceres e especialmente aos doentes indigentes. Que fúlgido exemplo é ele para todos! Exorto a olhar para ele sobretudo os sacerdotes e a Congregação das Irmãs Misericordinas. 
Papa João Paulo II – Homilia de beatificação – 
21 de março de 2004

Sant' Arcangelo Tadini Padre e fundador Festa:20 de maio

(*)Verolanuova, Brescia, 12 de outubro de 1846
(+)Botticino Sera, Brescia, 20 de maio de 1912 
Ele nasceu em uma família nobre em 12 de outubro de 1846 em Verolanu
ova (Brescia). Foi ordenado sacerdote em 1870. Assistente de pároco e professor do ensino fundamental em Val Trompia e depois capelão nos subúrbios de Brescia até 1885, dedicou-se completamente à atividade pastoral e ao ensino fundamental, tornando-se um pioneiro nessa área em muitos aspectos. Em 1887, tornou-se pároco em Botticino Sera (Brescia), cargo que ocupou até sua morte. Ele também se destacou por seu forte compromisso social. Em 1893, fundou a Sociedade de Ajuda Mútua e, em 1898, uma fiação para impedir a emigração de meninas da vila para encontrar trabalho; também aposentada para trabalhadoras. Para garantir assistência às jovens, em 1900 fundou uma congregação religiosa: as Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré, com os três votos canônicos, vida comum e hábito religioso, mas atuando como verdadeiras trabalhadoras. Ele faleceu em 20 de maio de 1912. Ele foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 26 de abril de 2009. (Avvenire) 
Martirológio Romano: Na vila de Botticino Sera, perto de Brescia, o Beato Arcangelo Tadini, sacerdote, que trabalhou pelos direitos e dignidade dos trabalhadores e fundou a Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré, dedicada em particular à justiça social.

Santa Lídia de Tiatira, Leiga do 1º século – 20 de maio

Santa Lídia foi inscrita na lista dos santos católicos pelo cardeal Cesar Barônio em 1607. Ela e os familiares da sua casa estavam entre os primeiros na Europa a aceitar o Cristianismo, por volta de 60 d.C, em resultado da atividade do Apóstolo São Paulo em Filipos.

     Padroeira dos tintureiros e comerciantes, a primeira mulher a se fazer cristã na Europa, e uma das primeiras aclamadas santas e veneradas desde o início do cristianismo, era filha espiritual de São Paulo e seus companheiros Lucas, Timóteo e Silas.
     O que se sabe sobre Santa Lídia está escrito no livro dos Atos dos Apóstolos 16, 14-40. Pela descrição de São Lucas, que a conheceu pessoalmente, Lídia era uma mulher rica, influente, líder e empreendedora. Ela era comerciante de púrpura nascida em Tiatira, Grécia, e estabelecida em Filipos, colônia romana, também na Grécia. O comércio de púrpura era dos mais caros e promissores da época. As roupas na cor púrpura eram usadas somente por reis, rainhas e pessoas da nobreza. A cor púrpura era tirada de um molusco nativo do Mar Mediterrâneo, abundante na região da Fenícia, chamado Murici.   

Santa Aurea de Óstia, mártir – 20 de maio

      Santa Áurea é comemorada no Martirológio Jeronimiano em 20 de maio; no Martirológio Romano ela é recordada em 24 de agosto com um breve relato da passio.

     Esta Santa é patrona e protetora de Óstia, cidade da Itália. Na Antiguidade Óstia era o principal porto de Roma e uma cidade romana de relevância, cujos restos arqueológicos continuam a ser de grande valor patrimonial da Antiguidade.
     As fontes dos mártires de Óstia Tiberina são a tradução latina de um antigo manuscrito grego conservado no Vaticano e publicado por Simão de Magistris em 1795, e outra versão original latina, anterior à primeira, que contém ligeiras variações em confronto com a tradução do grego, e que pode ser encontrada na Acta Sanctorum, Augustus IV, p. 757 ff.     

Beata Josefa Hendrina Stenmanns, Religiosa - 20 de maio

Seria justo chamá-la “senhora da santa paciência” e poderíamos invocá-la, quantos de nós somos impacientes. Hendrina Stenmanns começou desde pequena a exercer a paciência. Não se tratou apenas de suportar as contrariedades que a vida reserva a todos, mas sobretudo para conseguir realizar o sonho da sua vida. Graças a uma tia religiosa, Hendrina desde pequena sente-se também chamada a tornar-se freira, mas uma “freira franciscana”. Hendrina Stenmanns nasceu no dia 28 de maio de 1852, no Baixo Reno, na vila de Issum, Diocese de Münster, na Alemanha. Dos 6 aos 14 anos freqüentou a escola, mas antes de terminar o último ano teve que deixá-la para ajudar a cuidar da casa e dos irmãos menores. Sua dedicação generosa ao trabalho não impedia a busca de Deus e a prática das virtudes cristãs.

Bernardino de Sena Franciscano, Santo (1380-1444)

Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado "observância", que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância. Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte.

Colomba de Rieti Dominicana, Mística, Beata (1467-1501)

Religiosa dominicana, contemporânea
de São Domingos de Gusmão. 
No dia do seu baptismo, 
uma pomba branca posou sobre ela.
Angelina Guadanholi nasceu numa família da aristocracia italiana, em 2 de fevereiro de 1467, na cidade de Rieti. O dia do seu batizado foi marcante e muito curioso. No mesmo instante em que o padre lhe ministrava o batismo, desceu sobre sua cabeça uma pomba branca, talvez como um símbolo da infinidade de graças que o Espírito Santo colocou em sua alma. Por isso, ficou conhecida como Colomba, que significa "pomba". Colomba, desde a infância, consagrou seu coração e sua vida ao amor a Jesus Cristo, como fizeram são Domingos e santa Catarina, com quem conviveu e dos quais foi discípula.

ORAÇÕES - 20 DE MAIO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
20 – Quarta-feira – Santos: Bernardino, Columbano
Evangelho (Jo 17,11b-19) ”Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um.”
Jesus pedia que o Pai guardasse seus discípulos na unidade e na concórdia. Mas também mais que isso. Pedia que o Pai os mantivesse unidos a ele pela participação na mesma vida divina. Pedia que os livrasse de tudo que pudesse romper sua união vital e profunda entre eles e com ele. Assim é que ele e nós somos um só.
Oração
Senhor meu Deus, vós nos unistes a vosso Filho, Jesus; fizestes-nos participantes da mesma vida. Não nos quisestes apenas como criaturas, mas como filhas e filhos, amados como nunca poderíamos imaginar. Guardai-nos nessa unidade. Ajudai-nos a pensar e viver sempre como Jesus nos ensinou e nos tornou possível. Amém.

terça-feira, 19 de maio de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Dai-nos amar”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Capacidade de síntese
 
Jesus caminha para a realização da vontade do Pai. O evangelista mostra, através das investidas dos inimigos, o núcleo de seu ensinamento. A questão agora é a fonte síntese de toda a lei. O que dá sentido a todo o ensinamento e prática da vida do povo de Deus? Jesus responde com os dois mandamentos: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. É o homem todo. E já emenda: amarás o próximo como a ti mesmo. Toda lei e os profetas dependem desses dois mandamentos (Mt,22,40). Eles se resumem também a vida e missão de Jesus. As palavras sobre o maior mandamento são a síntese de tudo o que Deus quer para o mundo. Para isso enviou o Filho. Por elas podemos entender que Jesus está indicando o que significará sua Paixão. São elas que nos manifestam o Mistério Pascal em seu conteúdo. É bom notar que o amor a Deus só existe quando acontece no relacionamento com o próximo. Quando se buscam outros fundamentos para a fé cristã, como por exemplo, a tradição ou princípios espirituais, é porque queremos escamotear aquilo que nos compromete. Contemplemos os movimentos espirituais, as espiritualidades, os métodos de oração, as manias religiosas! Não se importam com o amor ao próximo. Não se trata de um amor espiritualizado. Tem que ser concreto, com as mãos na massa, sujando nossos pés. Comprometer-se com o próximo como se fosse um outro eu. É o único caminho para o Céu. Jesus dizia que “estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. E poucos são os que o encontram” (Mt 7,14). 
O grito do oprimido 
No livro do Êxodo, na secção do Código da Aliança, nos capítulos 21-23, há uma legislação voltada para os necessitados. Deus, como “parente do pobre”, o defende e protege através do próprio povo. Cuida do estrangeiro, do órfão e da viúva, dos endividados, e dos trabalhadores. O cuidado de Deus é como o da mãe que se levanta para ver se o filhinho está coberto. E ai de quem não respeitar o pobre que clamar a Deus. Começa pelo estrangeiro: “Não maltrateis o estrangeiro porque fostes estrangeiros” (Ex 22,20). É preciso compreender sua situação, pois Deus compreendeu a situação do povo oprimido. O órfão e a viúva eram os mais explorados por não terem direitos nem aonde recorrer, a não ser o coração ferido do Pai. Esse tem ouvidos apurados. E defenderá com rigor os pobres endividados: “Não se pode lhes cobrar juros”. O cuidado com aqueles que deram algo em penhor, vai ao ponto de Se preocupar que não passem frio. O que falta ao pobre está na conta de Deus que vai cobrar caro. “Se clamar por Mim, Eu o ouvirei porque sou misericordioso” (Id 21-26). Ele tem ouvidos atentos ao pobre. 
Fé que supera 
Paulo mantém um belo relacionamento com as comunidades que iniciou com sua pregação. Não atraia a si, mas a Cristo: “Vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações” (1Ts 1,6). Assim se tornaram modelo e missionários; Sua fé levou muitos outros a abandonarem os ídolos e aderiram ao Deus Vivo. Desse modo podemos afirmar que as comunidades vivas são grandes e mais eficientes evangelizadoras. Por isso podemos ver como dizem os evangélicos: “venha à minha igreja”. Todos são responsáveis individualmente e em comunidade pela evangelização. A celebração eucarística é a primeira comunidade evangelizadora. Evangeliza renovando-se e se renova evangelizando. 
Leituras: Êxodo 22,20-26; Salmo 17; 
1 Tessalonicenses 1,5c-10; Mateus 22,34-40. 
1. O mandamento do amor é a síntese do que Deus quer. Para isso enviou o Filho. 
2. Deus, como “parente do pobre”, o defende e o protege através do próprio povo. 
3. A celebração eucarística é a primeira comunidade evangelizadora. 
Farra do amor 
Que farra! Ninguém fala isso do trabalho. O amor abre espaço a todo tipo de farra. O amor sustenta a alegria, sara as dores e conserta os estragos do ódio. É o que ensina Jesus sobre o maior mandamento. Resume toda a lei. Há quem ligue o amor a uma farra desordenada. Jesus liga o amor farrista ao cuidado com os muitos descuidos que temos com a pessoa dos necessitados, como lemos nos mandamentos do livro do Êxodo. Essa farra não só dá alegria como a multiplica. E o Pai diz amém. 
Homilia do 30º Domingo Comum (25.10.2020)

EVANGELHO DO DIA 19 DE MAIO

Evangelho segundo São João 17,1-11a. 

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a Terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com a glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu Mos deste, e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman 
(1801-1890) 
Teólogo, 
fundador do Oratório em Inglaterra 
PPS, vol.6, n.º 10 
Eu estou sempre convosco até 
ao fim dos tempos» (Mt 28,20) 
O regresso de Cristo a seu Pai é simultaneamente uma fonte de pesar, por ser sinónimo da sua ausência, e uma fonte de alegria, por significar a sua presença. Estes paradoxos cristãos, que brotam da doutrina da ressurreição e da ascensão, são mencionados com frequência nas Escrituras: afligimo-nos, mas sem deixarmos de rejubilar, «como não tendo nada, mas possuindo tudo» (2Cor 6,10). Na verdade, é esta a nossa condição presente: perdemos a Cristo, e encontramo-lo; não O vemos e, apesar disso, podemos discerni-lo; estreitamos-Lhe os pés (cf Mt 28,9) e Ele diz-nos «Não Me detenhas» (Jo 20,17). Mas como? Tendo perdido a perceção sensível e consciente da sua pessoa, já não nos é possível vê-lo, ouvi-lo, falar-Lhe, segui-lo de terra em terra; no entanto, usufruímos espiritual, imaterial, interior, mental e realmente da sua visão e da sua posse, uma posse que tem maior realidade e maior presença do que os apóstolos jamais tiveram, precisamente por ser espiritual e invisível. Todos nós sabemos que, neste mundo, quanto mais perto de nós está um objeto, menos conseguimos aperceber-nos dele e compreendê-lo. Na Igreja, Cristo está tão perto de nós que não somos capazes sequer de O fixar com o olhar, ou de O distinguir. Apesar disso, Ele instala-Se em nós e, desse modo, toma posse da herança por Ele adquirida; não Se nos apresenta, e todavia atrai-nos a Si e faz de nós seus correligionários. Não O vemos; no entanto, pela fé, sentimos a sua presença, porque Ele está ao mesmo tempo acima de nós e em nós. Por conseguinte, sentimos pesar, porque não temos consciência dessa presença, e ao mesmo tempo alegria, porque sabemos quem possuímos: «Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais nele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1Pe 1,8-9).

19 de maio - Beato Rafael Luis Rafiringa

Beato Rafael Luis Rafiringa, religioso dos Irmãos das Escolas Cristãs, que, convertido do paganismo, manteve a presença e a vitalidade da Igreja em Madagascar quando todos os sacerdotes foram expulsos. Nasceu em Antananarivo, Madagascar, em 1856, filho de um funcionário da rainha. A vida do Beato na infância, transcorreu em um marco tradicional, em seguida sofreu a influência franco-inglesa e, por fim, totalmente francesa. A realidade sócio-política em que viveu torna-o num verdadeiro e significativo intérprete da evolução ocorrida no seu país. Rafael Luis Rafiringa reflete o novo espírito malgaxe formado a partir da vivência tradicional e da abertura à novidade trazida pela presença inglesa e francesa. A sua vida toca várias realidades que deixaram marcas positivas muito importantes: paganismo, cristianismo, escolar, literário, político e até judicial.

19 de maio - Beatos Clemente de Ósimo e Agostinho de Tarano (Agostinianos)

Ambos foram líderes da Ordem Agostiniana: Clemente era conhecido pelo seu espírito de caridade, seu amor pela simplicidade e pelo modo próprio de ser agostiniano; e Agostinho era conhecido pela sua humildade, seu zelo pela observância da vida religiosa e seu amor à contemplação. Ambos ocuparam o cargo de Prior Geral da Ordem quando esta estava em seu início. Obra conjunta dos dois beatos foi a revisão das Constituições da Ordem. Tal feito os tornou célebres na história da Ordem. Seu culto foi confirmado por Clemente XIII: o do beato Clemente em 1759 e o do beato Agostinho em 1761.

Santos Partênio e Calogero Martiri-Festa: 19 de maio(†)304

Estes dois Santos, sepultados na catacumba de São Calisto, em Roma, foram martirizados no ano 304 e celebrados pela Liturgia no seu “dies natalis”. Provavelmente, eram irmãos, de origem armênia e eunucos. Certo Emiliano, no seu leito de morte, lhes confiou a sua filha Anatólia Calista.
Esses dois mártires que morreram em 304 estão sepultados no cemitério de San Calisto, em Roma, lembrados no dia de seu deus natal: provavelmente são dois irmãos de origem armênia, eunucos de um certo Emiliano que, em seu leito de morte, lhes confiou sua filha Anatólia Callista. Martirológio Romano: Também em Roma, os santos Partênio e Calogero, mártires que, sob o imperador Diocleciano, deram testemunho distinto a Cristo. A Depositio Martyrum lembra, em 19 de maio e com data consular de 304, Calogero e Partônio como enterrados no cemitério de Calisto.

Santo Urbano I, papa

Uma colina separa a cidade de Chieti, nos Abruços, da aldeia de Bucchianico. Em meados do ano 1300, as duas localidades tomaram parte de uma das muitas guerras fronteiriças. Chieti decidiu que estava na hora de atacar e envolveu os habitantes da pequena aldeia, obstinadamente apinhados dentro e ao redor do castelo, com vista para o vale. «Certo dia, – narra a história, que muito deve à lenda - um exército, talvez de mercenários, avançou para Bucchianico, com intenções facilmente compreensíveis pelos vigias da aldeia. Os habitantes eram poucos, mas seu comandante militar, o "sargento", teve uma ideia genial: pediu aos poucos homens, dizem também às mulheres, para usar couraças ou qualquer tipo de armadura e começar a se mover dentro do castelo e ao lado da colina, sem interrupção. Os invasores notam de longe aquele vai e vem, que parecia um gigantesco exército em manobra, e desistem das suas intenções beligerantes».

Santa Pudenziana de Roma, Virgem e mártir-Festa: 19 de maio

(†)cerca de 155
 
As informações sobre sua vida vêm principalmente da "Gesta", um texto hagiográfico escrito entre os séculos V e VI. Segundo esse relato, Pudentiana era filha de Pudens, um rico senador romano que se converteu ao cristianismo. Sua casa, localizada no Esquiline, tornou-se um importante ponto de encontro para a comunidade cristã primitiva, chegando a sediar a pregação de São Pedro e São Paulo. A "Gesta" narra que Pudenziana, que ficou órfã, dedicou sua vida à fé e à caridade, realizando milagres e conversões. Ela sofreu martírio durante a perseguição de Antonino Pio, por volta de 155 d.C., sendo decapitada. 
Emblema: Palma 
Seu nome combinado com o de s. Praxedes, um mártir romano e sua irmã, aparece nos itinerários do século VII, dos quais parece que eram venerados por peregrinos no cemitério de Priscila na Via Salaria.

Santa Maria Bernarda Bütler, Fundadora - 19 de mai

Verena Bütler nasceu e foi batizada em Auw (cantão de Argovia, Suíça) no dia 28 de maio de 1848. Era a quarta filha de Henrique e de Catarina Bütler, camponeses humildes e católicos praticantes. Ao concluir o ensino escolar básico, se dedicou aos afazeres domésticos e ao trabalho no campo. Fez uma tentativa de vida religiosa, mas ao perceber que Deus não a chamava a viver naquele local, voltou para a casa paterna, onde se entregou ao trabalho, à oração e ao apostolado, alimentando sempre sua vocação. Finalmente, no dia 12 de novembro de 1867, aos 19 anos de idade, ingressou no mosteiro das Irmãs Capuchinhas de Maria Hilf, de vida contemplativa, em Altstätten, próximo de Saint Gallen, ao norte da Suíça. Em 4 de maio de 1868 vestiu o hábito franciscano, tomando o nome religioso de Maria Bernarda do Sagrado Coração de Maria.

Beata Pina Suriano, Leiga - 19 de maio

Nasceu em Partinico (Itália), centro agrícola da província de Palermo, a 18 de fevereiro de 1915; foi batizada no dia 6 de março com o nome de Giuseppina (Josefina em português), mas será sempre conhecida com o diminutivo: Pina. Os seus jovens pais, José e Graziela Costantino, viviam dos modestos proventos do trabalho nos campos; a família era profundamente religiosa o que refletia no ânimo sereno de Pina. De índole dócil e submissa, interessava-se pelas coisas simples da vida relacionadas com o sentido religioso que será, ao longo de toda a sua vida, o primeiro dos seus interesses. Pina recebeu em família a primeira educação moral e religiosa, que depois foi aperfeiçoada, a partir dos 4 anos de idade, quando entrou no asilo das Irmãs "Collegine de San Antonio".