domingo, 31 de maio de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Uma família sagrada”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Todas as famílias são sagradas
 
Com família não se faz poesia, se acolhe um dom. É um retrato divino numa revelação humana. Passado o Natal temos diversas festas que continuam a acolher o Mistério da Encarnação do Filho de Deus. Assim temos uma revelação sobre o projeto de Deus, seu desígnio de salvação, feito à altura das pessoas. Deus não está lá no alto incensado por Anjos. Ele não realiza uma salvação espiritual distante da realidade. Ele é o Emanuel, o Deus Conosco. Pelo fato de se encarnar, Jesus não perde sua Divindade, mas age totalmente como humano. Menos no pecado (Hb 4,15). O prefácio do Natal nos faz cantar: “No momento em que vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: ao tornar-se um de nós, nos tornamos eternos”. Entendo que a salvação é individual, mas, sua consistência se estabelece na comunidade, e essa tem como realização na família, pois ali se pode viver o mandamento do amor que se sustenta na reciprocidade. O amor exige um objeto concreto: amar a Deus e o outro com concretização do amor. A família se torna sagrada, pois é, como que a célula mãe da Igreja. Ela é a Igreja viva. Não são os problemas que qualificam a família, mas o dom de Deus. Nela há espaço para um real e permanente espaço para o mandamento do amor. É lugar da presença de Deus. É o primeiro sacrário de sua presença: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20). Ela é a realização do projeto de Jesus: amai-vos. 
Enfeites do lar cristão 
As reflexões da liturgia estão centradas na imitação da Sagrada Família, como vemos também no ofício das leituras, no discurso de Paulo VI na casa de Nazaré... Muito bonito. Na oração rezamos: “Concedei-nos imitar em nossos lares suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa”. Tanto a primeira leitura do Eclesiástico (3,3ss), quanto a carta aos Colossenses nos apresentam as virtudes cristãs da família. O amor é concreto e tem modalidades. No Evangelho lemos o texto da apresentação de Jesus no templo. José e Maria cumprem as determinações sobre os primogênitos. Maria entra realiza a purificação. A família é um dom que deve ser realizado como compromisso. O fato de terem em seus braços o Senhor do Universo, não deixam de viver no universo que os acolheram. Podemos cantar diante da família: “Aqui é Natal! Aqui é Belém”. Certamente muitas vezes as famílias cristãs, que são muito simples, vivem a mesma realidade que José e Maria enfrentaram ao chegar em Belém. Quanta gente está sempre emigrando. Quantas famílias vivem na humildade o amor profundo de Nazaré. As virtudes são como flores que brotam de um ramo saudável.
Não tenham medo
Podemos até ver que o amor se difunde e se organiza de muitos modos. Mas não podemos ter medo de amar como se amou em Nazaré. É o modelo. A família não se desfaz por mudanças históricas. Permanece com uma missão, como foi a de José e Maria: “E o Menino crescia, torna
va-se robusto, enchia-se de sabedoria e a graça de Deus estava com Ele” (Lc 1,40). Cada filho é educado, como se fosse Jesus. Dentro de cada casa está um ou mais filhos de Deus. A santidade está na atitude de fazer de seu lar, um lar capaz de levar o filho a crescer como Jesus crescia. “E Jesus lhes era submisso” (Lc 2,51). O tempo passa e Jesus quer crescer dentro de uma família. Não são os costumes ou as ideias que fazem o mundo novo. Mas a graça de Deus que é eterna.
Leituras: Eclesiástico 3,3-7.14-17ª; Salmo 127;
 Colossenses 3, 12-21; Lucas 2,22-40.
 1. Não são os problemas que qualificam a família, mas o dom de Deus. 
2. O fato de terem em seus braços o Senhor do Universo, não deixam de viver no universo. 
3. Não são as ideias que fazem o mundo novo. Mas a graça de Deus que sempre nova. 
A família vai bem. Obrigado. 
A casa do vizinho pegando fogo e a gente não tem água para apagar. Vivemos momentos pouco familiares. Mas... ai de quem toca na minha família. É a velha moda: casinha de sapé... lá no morro, com dois coqueiros. Família é um sonho gostoso que se tem e que dá dor de cabeça. Quer mais do que Maria e José que viveram? Quanto sobressalto. Parece que eles têm tudo de atrapalhado que passamos. Não tenhamos medo de acabar a família. Quando queremos desfazer, acabamos primeiro. Família não é cultura. É vida. Homilia da Solenidade da Sagrada Família (27.12.20)

EVANGELHO DO DIA 31 DE MAIO

Evangelho segundo São João 3,16-18. 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Quem acredita nele não é condenado, mas quem não acredita nele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório de Nazianzo 
(330-390) 
Bispo, doutor da Igreja 
Poemas dogmáticos, secção I, I-II 
Um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo,
envolto em eternidade! 
Há um só Deus, que não tem princípio nem causa, que não pode ser limitado por alguém anterior a Ele ou por um ser que venha depois dele. Um Deus envolto em eternidade, infinito, Pai grandioso de um único Filho que é bom e grande, e que Ele gera sem nenhum elemento carnal, pois é espírito. Deus único e outro, mas não outro na sua divindade, esse é o Verbo de Deus. Ele é a marca do Pai, o Filho único daquele que é sem princípio, o único do único e seu igual. Enquanto este último permanece inteiramente Pai, Ele, o Filho, é o autor e senhor do mundo, a força e o pensamento do Pai. Tremamos diante da grandeza do Espírito que também é Deus e por meio de quem conheci a Deus. Ele é manifestamente Deus e faz nascer Deus neste mundo. Ele é omnipotente, distribui os diversos dons, inspira os cânticos do coro dos bem-aventurados; Ele dá vida aos seres celestes e terrenos, tem o seu trono nas alturas, vem do Pai; Ele é a força divina, age pelo seu próprio movimento, não é Filho porque o Pai excelente tem um único Filho cheio de bondade – mas não está fora da divindade invisível e possui igual glória.

31 de maio - Beato Nicolau Barré

O povo que estava acampado no deserto tinha sede (Ex17,3). O espetáculo do povo espiritualmente sedento estava também sob o olhar de Nicolau Barré, da Ordem dos Mínimos. O seu ministério colocava-o continuamente em contato com pessoas que, vivendo no deserto da ignorância religiosa, corriam o perigo de ir beber na fonte corrompida de algumas ideias do seu tempo. Eis por que ele sentiu o dever de se tornar um mestre espiritual e um educador para todos aqueles que alcançava com a sua ação pastoral. Para ampliar o seu raio de ação, fundou uma nova família religiosa, as Irmãs do Menino Jesus, com a missão de evangelizar e educar a juventude abandonada, a fim de lhe revelar o amor de Deus e comunicar em plenitude a Vida divina, e de contribuir para a edificação das pessoas. O novo Beato não cessou de enraizar a sua missão na contemplação do mistério da Encarnação, pois Deus sacia a sede daqueles que vivem em intimidade com Ele. Mostrou que uma ação feita em nome de Deus não podia deixar de unir a Deus, e que a santificação passa também através do apostolado. Nicolau Barré convida cada um de nós a ter confiança no Espírito Santo, que guia o Seu povo no caminho do abandono a Deus, da abnegação, da humildade, da perseverança mesmo nas provações mais difíceis. Essa atitude abre à alegria da caminhada rumo à experiência da ação poderosa de Deus vivo. 
Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação - 07 de março de 1999.

São Félix de Nicósia, religioso capuchinho Festa: 31 de maio

Félix era analfabeto, mas "doutor" em humildade. O frade capuchinho, do século XVIII, era porteiro, sapateiro, enfermeiro em seu convento. Fora, pedia esmola, ensinava o catecismo às crianças. Faleceu em 1787 e foi canonizado em 2005, por Bento XVI. 
(*), 5 de novembro de 1715
(+)Nicósia, 31 de maio de 1787 
São Félix de Nicósia (nascido Giacomo Amoroso), um leigo italiano da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (1715-1787). Por mais de quarenta anos, serviu como mendicante em um apostolado itinerante. Analfabeto, possuía o conhecimento da caridade e da humildade. 
Martirológio Romano: Em Nicósia, na Sicília, o Beato Felice (Giacomo) Amoroso, um religioso que, após ser rejeitado por dez anos, finalmente ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, onde realizou os mais humildes serviços com simplicidade e pureza de coração.

Santa Batista (Camilla) Varano Abadessa Clarissa-Festa: 31 de maio(30 de maio)

(*)Camerino, Macerata, 9 de abril de 1458
(+)31 de maio de 1524 
Camila nasceu em 9 de abril de 1458, em Camerino, filha ilegítima de Giulio Cesare da Varano, senhor de Camerino. Criada e educada na corte do pai, lutou para cumprir o voto que fizera na infância — de derramar uma lágrima todas as sextas-feiras em meditação sobre a Paixão de Jesus — mas conseguiu graças à sua força de vontade. Por volta dos dezoito anos, sentiu-se cada vez mais atraída pela vida religiosa, mas ainda se sentia incapaz de servir a Deus plenamente. Finalmente, em 14 de novembro de 1481, ingressou no mosteiro das Clarissas de Santa Clara (também conhecido como Clarissas) em Urbino, adotando o nome de Irmã Battista.

Santa Petronila Virgem e Mártir Festa: 31 de maio século I

Mesmo sobre Santa Petronila, como sobre muitos santos dos primeiros séculos, apesar de seu culto difundido, temos poucas informações. O que se sabe com certeza é que ela foi sepultada no cemitério de Domitila, perto ou dentro da Basílica subterrânea das catacumbas: fontes arqueológicas indicam a evidência mais antiga em um afresco do século IV, ainda existente em uma cuba atrás da abside da basílica subterrânea, construída pelo Papa Sirício entre 390 e 395, que retrata Veneranda sendo conduzida ao paraíso, de mãos dadas com uma jovem, ao lado da qual está escrito "Petronella Mart(yr)". De acordo com a "Paixão" dos Santos Nereu e Aquiles, composta no século VI, Petronila era filha de São Pedro e morreu de morte natural, portanto não como mártir, como indica o afresco. O corpo de Petronila permaneceu no cemitério de Domitila, em Roma, até 757, quando o Papa Paulo I o transportou, juntamente com o sarcófago que o continha, para a Basílica Vaticana .
Etimologia: Petronilla = de um lugar pedregoso, do latim
Emblema: Chaves, Palma 
Martirológio Romano: Em Roma, no cemitério de Domitila, na Via Ardeatina, Santa Petronila, virgem e mártir.

Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria - 31 de maio

     Na Festa da Visitação de Nossa Senhora, o segundo mistério gozoso do Rosário, também a Festa do 'Magnificat', se estende e expande a alegria messiânica da salvação. Maria, Arca da Nova Aliança, é recebida por Isabel como a Mãe do Senhor. A Visitação é o encontro entre a jovem mãe, Maria, a serva do Senhor, e o antigo símbolo de Israel expectante, Isabel. A solicitude amorosa de Maria, com a sua viagem apressada, expressa o ato de caridade. João, que pulou no ventre de sua mãe, já começa sua missão precursora. O calendário litúrgico leva em conta a narrativa do Evangelho que coloca a visitação dentro dos três meses da Anunciação e o nascimento de João Batista. (M. Rom.)

ORAÇÕES - 31 DE MAIO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
31 – Domingo da Santíssima Trindade
Evangelho (Jo 3,16-18) “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.”
A criação do universo, as maravilhas que nos cercam, o fervilhar da vida, nossa existência com tantas possibilidades, tudo manifesta o amor de nosso Deus. Ele não se fecha; abre-se, projeta-se, partilha seu ser. E não apenas isso: não nos criou apenas para esta realidade limitada apesar de bela. Criou-nos para nos fazer participantes de sua vida, de sua própria maneira de ser. Deu-nos seu Filho, que veio participar de nossa realidade, para nos fazer participantes de sua vida divina. E não desistiu e não desiste de nós, mesmo quando o abandonamos. Não se conforma quando rejeitamos a vida, mas incansável nos procura para que aceitemos a felicidade que nos oferece, e tenhamos a vida eterna. Não temos desculpa se rejeitamos tanto amor.
Oração
Senhor meu Deus, eu vos adoro e reconheço que em tudo dependo de vós: sou filho de vosso amor e de vossa misericórdia. Tudo recebi e recebo de vós, vivo porque me mantendes na existência, vivo como que mergulhado em vós, envolto em vós, sustentado pelo vosso sopro de vida. Agradeço a vida que me dais. E mais ainda agradeço a vida nova que me ofereceis unindo-me a vosso Filho, Jesus, meu Salvador. Por ele me fazeis viver, conhecer e amar de um modo todo novo, infinitamente acima do que eu poderia fazer apenas como vossa criatura. Não aconteça, Senhor, que tendo sido tão amado e tão privilegiado, eu ainda vos abandone, rejeite a felicidade e a vida para abraçar a morte e a solidão separado de vós. Amém.

sábado, 30 de maio de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - Era uma vez um Menino

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Disse que era berço
 
Curiosamente, a homilia do Natal não “cola”. Não se chega ao conteúdo de um texto que seja interessante. A pregação parece que derrapa na quantidade dos temas. Somos como crianças que olham numa vitrine de brinquedos. Quero todos e, às vezes, não leva nenhum. É bonito o Natal, Ele encanta e basta! “Quando o mistério é muito grande não se ousa desobedecer”. Não sabemos detalhes daquela viagem a Belém. A cidade estava lotada. Ouvimos o evangelista escrever: “Não havia lugar para eles na sala”. As casas tinham uma sala maior, mais bonita, onde se reunia a família para quase tudo. Outros ambientes eram só funcionais, como a gruta que, provavelmente era ou algo natural, ou escavado, onde se guardavam coisas como cereais e os poucos animais. Só sobrou ali para eles. Pode ser que houvesse mais gente. Ali... os humildes viajantes se recostaram e chegou a hora do parto. Como foi, não é caso, mas precisava um lugar para por o Menino. Falamos manjedoura, lugar do animal comer. Era cocho mesmo. Em meio a outros lugares, aquele era o bom. Não era uma gruta fria, pois havia animais que transmitiam o calor. O berço podia ser de ouro ou madeira. O que acolhe é o amor. Simples como eram, o simples lhes era o suficiente. Ali...Meu Deus! Como podia ser assim? Séculos de esperança se resolvem naquele coxo. Sem palavras... sem questões. Ali estava Ele. O Esperado das nações. Quem sabe essa seja a melhor maneira de compreender a realização das promessas. Quando um cocho vira berço, o coração pequeno vira trono do Senhor que nasce. 
Como o sol 
Já imaginaram um Natal no escuro? O que vemos é a quantidade de lampadinhas piscando para todo lado. Há muita luz nessa noite. Os pastores dos campos de Belém estão guardando seus rebanhos. “O anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor os envolveu com sua luz... Diz: ‘Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo’” (Lc 2,9-10). O anúncio do nascimento se deu em grande luz. É aquela pequena chama que brilha no interior de uma “gruta”. São Leão Magno, Papa (440-461), escreveu os textos da liturgia da noite de Natal. Ele estava iluminado, pois colocou luz abundante em todo o texto: “Ó Deus que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu de sua plenitude” (Oração). O profeta diz: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is. 9,1). Luz unida à alegria. Os anjos dizem: “Eis que vos anuncio uma grande alegria”. O profeta Isaias comenta: “Fizestes crescer a alegria e aumentastes a felicidade” (id 2). O sol que é luz, é símbolo da luz que é sol para o mundo. Aquele presépio abre a felicidade.
Mordiscavam 
Tanta luz num Pequenino envolto em faixas e deitado num cocho. Certo que tudo era tão normal. Os pastores, acolhendo o anúncio do Anjo, são os primeiros a ver o Menino. Os que não eram vistos, veem por primeiro. S. Afonso, apaixonado pelo amor que ilumina o presépio, diz que os pastores chegam tímidos e vão se aproximando para ver o Menino. E Maria O dá para eles segurarem. Virou festa. Beijam, mordiscam suas gordurinhas e O acariciam. É um Deus que não teme o calor humano. É o Deus que nos faz falta na Igreja, nas comunidades... o calor humano que é o melhor modo de manifestar o amor Divino. Fazemos um protesto: “Tiraram a carne de nosso Deus”. Ele passou por tudo que é nosso. E por isso nos entende e ama de um jeito gostoso.
ARTIGO PUBLICADO EM DEZEMBRO DE 2020

EVANGELHO DO DIA 30 DE MAIO

Evangelho segundo São Marcos 11,27-33. 
Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Quando Ele andava no Templo, aproximaram-se os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes isto? Quem Te deu autoridade para o fazeres?» Jesus respondeu: «Vou fazer-vos só uma pergunta. Respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço isto. O batismo de João era do Céu ou dos homens? Respondei-Me». Eles começaram a discorrer, dizendo entre si: «Se dissermos: "É do Céu", Ele dirá: "Então porque não acreditastes nele?" Vamos dizer-Lhe que é dos homens?». Mas eles temiam a multidão, pois todos pensavam que João era realmente um profeta. Então responderam: «Não sabemos». Disse-lhes Jesus: «Também Eu não vos digo com que autoridade faço isto». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santo Atanásio 
(295-373) 
Bispo de Alexandria, 
doutor da Igreja 
Discurso contra os Arianos, 2, 78-79 
«Quem Te deu autoridade
 para o fazeres?» 
A Sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizestes com sabedoria» (104,24). Tal como o nosso discurso humano é imagem da Palavra, que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo, que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Quem confessa o Filho reconhece também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou» (Mt 10,40). «Uma vez que o mundo, por meio da sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da mensagem que pregamos» (1Cor 1,21). Ora, Deus já não quer ser conhecido, como nos tempos antigos, por meio de imagens e sombras da Sabedoria, mas quis que a verdadeira Sabedoria em pessoa adotasse carne, Se tornasse homem e sofresse a morte de cruz, para que, no futuro, todos os crentes possam ser salvos pela fé nesta Sabedoria encarnada. É ela, portanto, a Sabedoria de Deus. Anteriormente, era conhecida pela sua imagem nas coisas criadas, dando assim a conhecer o Pai; mas depois tornou-Se carne, como diz São João (cf 1,14), esta Sabedoria que é o Verbo. E, após ter «destruído a morte» (1Cor 15,26) e salvado a humanidade, manifestou-Se a Si mesma de forma mais clara e, por Si, manifestou o Pai; razão pela qual pôde dizer: «Que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo» (Jo 17,3). Toda a Terra ficou cheia do seu conhecimento, porque só há um conhecimento: o do Pai por meio do Filho, e o do Filho a partir do Pai. O Pai põe a sua alegria nele, e o Filho regozija-Se com a mesma alegria no Pai, como está dito: «Eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença» (Prov 8,30).

Beato Carlos Liviero

Deus manifestou-se também a nós, nos nossos tempos, e transmitiu aqui o seu Espírito porque os seus Apóstolos nos tinham anunciado, nas nossas casas, naquela sucessão viva e ininterrupta que desde o cenáculo de Jerusalém alcançou este povo que Deus amou com o coração daquele pastor santo que agora com alegria inefável a Igreja nos convida a chamar Beato: é Carlos Liviero! Amigo de Deus e Profeta: são estas as características da fisionomia do Beato Carlos, bispo desta amada diocese, que surpreendem particularmente. Amigo de Deus: o que são os santos senão os amigos de Deus? São amigos porque o conhecem, amam, encontram, seguem, partilham com Ele alegrias e esperanças. A amizade requer reciprocidade e resposta: tudo isto Carlos Liviero viveu em relação ao seu Deus com experiência absoluta e comprometedora de comunhão e de amor, daquele amor a que o Evangelho desta solene celebração exorta: "Se alguém me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14,23).

30 de maio - São José Marello

“Agradou a Deus que residisse 
n'Ele toda a plenitude" (Cl 1, 19).
Desta plenitude foi tornado participante São José Marello, como sacerdote do clero de Asti e como Bispo da diocese de Acqui. Plenitude de graça, fomentada nele pela forte devoção a Maria santíssima; plenitude do sacerdócio, que Deus lhe conferiu como dom e empenho; plenitude de santidade, que lhe adveio ao conformar-se com Cristo, Bom Pastor. Dom Marello formou-se no período áureo da santidade do Piemonte, quando, entre numerosas formas de hostilidade contra a Igreja e a fé católica, floresceram exemplos do espírito e da caridade, como Cottolengo, Cafasso, Dom Bosco, Murialdo e Allamano. Jovem bom e inteligente, apaixonado pela cultura e pelo empenho civil, o nosso Santo encontrou só em Cristo a síntese de qualquer ideal e a Ele se consagrou no Sacerdócio. "Ocupar-me dos interesses de Jesus" foi o mote da sua vida, e por isso se refletiu totalmente em São José, o esposo de Maria, o "guarda do Redentor". De São José atraiu-o fortemente o serviço escondido, alimentado por uma profunda espiritualidade. Ele soube transmitir este estilo aos Oblatos de São José, a Congregação por ele fundada.

Santa Dinfna, Virgem e mártir – 30 de maio

Martirológio Romano: Em Geel, no Brabante, Austrásia, no território da moderna Bélgica, Santa Dinfna, virgem e mártir.  
     A Irlanda, aconchegada nas águas azuis do Atlântico, foi evangelizada por São Patrício e há séculos é conhecida como a Ilha dos Santos. Uma relação dos santos irlandeses preencheria um calendário da Santa Igreja. Mas, infelizmente, estes santos são desconhecidos pela maior parte dos católicos. Um exemplo de santo esquecido ou desconhecido é Santa Dinfna.
     A "Vita Sancta Dimpnae" foi escrita entre 1238 e 1247 por um cônego da Colegiada de Santo Alberto de Cambrai, França, de nome Petrus Van Kamerijk, sendo Bispo de Cambrai Guy I. O autor mesmo menciona que se baseou na tradição oral popular. Portanto, não há dados comprobatórios da narração feita por ele.
     Há na Irlanda uma igreja, Chilldamhnait ou Kildowner, situada na parte sul da ilha, cujo nome significa Igreja de Dinfna. Segundo antiga tradição, Dinfna veio do antigo reino de Oriel e fundou a igreja no século VII. Nessa igreja ela atendia os doentes. Dinfna morreu em Geel, Bélgica. A igreja foi restaurada no século XVII, mas a igreja original está atualmente em ruínas.      

Beata Marta Maria Wiecka, Irmã vicentina - 30 de maio

Marta Maria nasceu no dia 12 de janeiro de 1874, em Nowy Wiec no noroeste da Polônia. Foi batizada seis dias depois. Era a terceira de 13 filhos de Marcelino e Paulina. Seus pais, donos de um campo de cem hectares, viviam num ambiente de fé profunda. Na casa de Marta se rezava o Rosário em família todos os dias, se liam as biografias dos santos ou outros livros religiosos. O Estado polonês havia desaparecido do mapa da Europa no ano 1795, depois das três repartições sucessivas de seu território entre Áustria, Prússia e Rússia. Nowy Wiec se encontrava na região prussiana cujas autoridades, aplicando métodos impositivos e as vezes brutais, submetiam a população a uma germanização forçada. A família Wiecka e muitas outras constituíram a base da oposição diante da invasão germânica.

Beata Maria Celina da Apresentação, Clarissa - 30 de maio

Maria Celina da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria (no século Jeanne Germaine Castang) nasceu em Nojals, aldeia de Dordoña (França), em 24 de maio de 1878. Seus pais, Germano Castang e Maria Lafage, eram humildes camponeses, porém testemunhas exemplares do Evangelho; tiveram doze filhos dos quais Jeanne era a quinta. Foi batizada no mesmo dia de seu nascimento e colocada sob a proteção de Nossa Senhora. Quando tinha 4 anos de idade caiu nas águas geladas de um riacho quando jogava com seus irmãos. O acidente lhe causou poliomielite, o que a privou do uso da perna esquerda. Apesar disso, a menina não se fechou em si mesma, ao contrário, colaborava nos afazeres domésticos. Frequentou a escola de sua aldeia, dirigida pelas Irmãs de São José de Aubenas, e se destacou por sua inteligência e jovialidade. Também se dedicou às atividades paroquiais.

Fernando III Rei de Espanha, Santo 1198-1252

Fernando nasceu na vila de Valparaíso, em Zamora, Espanha, no dia 1o de agosto de 1198. Era filho do famoso Afonso IX de Leão, que reinou no século XII. Um rei que brilhou pelo poder, mas cujo filho o suplantou pela glória e pela fé. A mãe era Barenguela de Castela, que o educou dentro dos preceitos cristãos de amor incondicional a Deus e obediência total aos mandamentos da Igreja. Assim ele cresceu, respeitando o ser humano e preparando-se para defender sua terra e seu Deus. Assumiu com dezoito anos o trono de Castela, quando já pertencia à Ordem Terceira Franciscana. Casou-se com Beatriz da Suábia, filha do rei da Alemanha, uma das princesas mais virtuosas de sua época, em 1219. Viúvo, em 1235, contraiu segundo matrimónio com Maria de Ponthieu, bisneta do rei Luís VIII, da França. Ao todo teve treze filhos, o filho mais velho foi seu sucessor e passou para a história como rei Afonso X, o Sábio, e sua filha Eleonor, do segundo casamento, foi esposa do rei Eduardo I da Inglaterra.

Santa Joana d’Arc Guerreira do Altíssimo

Recebendo de Deus a missão 
de libertar a França do jugo dos ingleses, 
a admirável donzela de Orleans enfrentou
 o martírio para o cumprimento 
dessa sublime missão 
O Reino Cristianíssimo da França, aquela que era chamada a Filha Primogénita da Igreja, em 1429 estava prestes a desaparecer. Justamente castigada por Deus com quase cem anos de guerras contra os ingleses, como consequência do pecado de revolta contra o Papado, cometido no início do século XIV por seu Rei Filipe IV, o Belo, e pela elite da nação. Seu território estava reduzido a menos da metade e os ingleses cercavam a cidade de Orléans, última barreira que lhes impedia a conquista do resto do país. O herdeiro do trono, o delfim Carlos, duvidava da legitimidade de seus direitos, e seus capitães e soldados estavam desmoralizados.

Camila Batista da Varano Religiosa, Mística e Beata (1458-1524)

O príncipe Júlio César de Varano, senhor do ducado de Camerino, era um fidalgo guerreiro e alegre, muito generoso com o povo e sedutor com as damas. Tinha cinco filhos antes de se casar, aos vinte anos, com Joana, filha do duque de Rimini, que completara doze anos de idade. Tiveram três filhos. Criou todos juntos no seu palácio de Camerino, sem distinção entre os legítimos e os naturais. Camila era sua filha primogénita, fruto de uma aventura amorosa com uma nobre dama da corte. Nasceu em 9 de abril de 1458. Cresceu bela, inteligente, caridosa e piedosa. Tinha uma personalidade sedutora e divertida, apreciava dançar e cantar. Tinha herdado o temperamento do pai, motivo de orgulho para ele, que a amava muito. Ainda criança, depois de ouvir uma pregação sobre a Paixão de Jesus Cristo, fez um voto particular: derramar pelo menos uma lágrima todas as sextas-feiras, recordando todos os sofrimentos do Senhor.

NOSSA SENHORA DA VISITAÇÃO

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à santa prima Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Antes ocorria em 02 de Julho, data do regresso de Maria, uma semana depois do nascimento e do rito da imposição do nome de São João Batista.A referência mais antiga da invocação de Nossa Senhora da Visitação pertence a Ordem franciscana, que assim a festejavam desde 1263, na Itália. Em 1441, o Papa Urbano VI instituiu esta festa, pois a Igreja do Ocidente necessitava da intercessão de Maria, para recuperar a paz e união do clero dividido pelo grande cisma.A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera "vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus". (Lc 1, 26, 37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador.
CONTINUA EM MAIS INFORMAÇÕES

31 DE MAIO – MARIA VISITA SUA PRIMA ISABEL

O último dia de maio, todo ele consagrado a Maria, é encerrado com uma festa Mariana: a visita de Maria à sua prima Isabel. Qual foi o motivo dessa visita? Mencionemos alguns: 
Oferecer seus préstimos à futura mãe de João Batista, pois toda gestante precisa de um acompanhamento caridoso. 
Levar a notícia do próximo nascimento de Jesus e João, conforme lhes foi anunciado pelo Anjo. Portanto, uma visita missionária.
Comentar os últimos acontecimentos no Templo com Zacarias, as expectativas e os preparativos para o nascimento de João e de Jesus, seu noivado com José, e tantos detalhes que somente as mulheres sabem descobrir e ampliar. 
Enfim, desabafar-se mutuamente em diálogos descontraídos, também com os vizinhos e vizinhas. 
Lição: Aprendamos com Maria a fazer visitas de caridade, de reconciliação e de paz.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio Sauter CSsR