domingo, 21 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Mistério Pascal”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Um mistério a descobrir
 
A palavra mistério não tem nada a ver com desconhecido ou inacessível. Dizemos mistério da Trindade, não para dizer que é impossível conhecer, mas infinito no seu conhecimento. O termo usado para a compreensão da celebração litúrgica. É um retorno a um conceito importante termo do passado que foi esquecido. O mistério são as realidades salvíficas que nos foram dadas por Cristo. Foi a partir dos meados de 1800 que o termo retornou à teologia. O termo, com toda a densidade que possui, é usado para entender a Páscoa de Jesus em relação a nós. O Abade Dom Odon Casel, grande pensador cristão, nos passou esse ensinamento. A palavra mistérion foi traduzida por sacramentum. Mudou a compreensão. Passou a ser entendido como algo que recebemos. Mistério “é uma ação simbólica que, sob sinais exteriores, torna presente a ação salvífica”. O documento sobre a Sagrada Liturgia no Vaticano II usa o termo mistério pascal. A liturgia é a obra da redenção e da glorificação de Deus realizada em Cristo, foi anunciada e realizada pelos apóstolos através do sacrifício e dos sacramentos. Para a realização da obra da redenção, Cristo está sempre presente de diversos modos, de modo particular na liturgia (SC 7). Quando usamos o termo Mistério Pascal de Cristo, estamos nos referindo à Morte e Ressurreição de Cristo como uma ação da qual participamos. Para compreendermos temos que nos referir à Páscoa da libertação do Egito, profecia da Páscoa de Jesus. 
Mistério a viver 
Celebrar a Semana Santa, não é morrer na Sexta-Feira Santa com Cristo, mas Ressuscitar com Ele na Páscoa. Ressurreição não faz parte da espiritualidade e da linguagem de nosso povo. Entendemos bem a Paixão e a Sepultura, mas, não chegamos à Páscoa da Ressurreição. O Mistério Pascal de Cristo é um fato do qual participamos não somente assistimos. Precisamos mudar a linguagem e também o modo de viver. Temos o anúncio dos acontecimentos pela palavra proclamada e sua realização na ação litúrgica celebrada. Somente vamos nos sentir libertos, se nos sentirmos prisioneiros. Por isso a Quaresma quer nos colocar em clima de conhecimento da realidade do Mistério Pascal de Cristo e nossa adesão a Ele pela Palavra anunciada. Assim podemos realizar os atos litúrgicos, participando da Eucaristia no Corpo e Sangue do Senhor. O momento central não é a morte dolorosa, mas sua passagem pela Morte e Ressurreição. Cristo faz sua passagem, como primeiro. Celebrando os mistérios da Páscoa, acontecidos em Cristo, fazemos a passagem com Ele. Por isso vivemos a Páscoa. A Palavra anuncia e o rito simbólico realiza. A Quaresma, que era aquele movimento de nos conduzir à Páscoa, tornou-se um momento independente no qual se faz penitência ou se aprofunda no tema da Campanha. Tudo isso é bom, mas sem deixar a meta que é a Páscoa do Senhor e nossa Páscoa. 
Mistério a anunciar 
Precisamos trazer o Mistério Pascal de Cristo para nossa existência e para nosso ministério de evangelização ao qual estamos comprometidos. Primeiramente temos que entender a Semana Santa não só como atos de piedade e penitência, para a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Mas vivê-las em vista da participação da Paixão e Ressurreição de Jesus. Nesse sentido as leituras bíblicas nos ajudam. Elas anunciam e proclamam esse mistério. A participação nas celebrações nos levam acolher o mistério. Deus age, mesmo se nossa consciência é pequena. É preciso levar uma vida de ressuscitado. Buscai a vida do alto, como lemos no dia de Páscoa (Cl 3,1). Feliz Páscoa celebrada e vivida.
ARTIGO PUBLICADO EM MARÇO DE 2021

EVANGELHO DO DIA 21 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 10,26-33. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Imitação de Cristo
Tratado espiritual do século XV, 
Livraria Moraes, 1959 II, cap. 1 
«Não tenhais medo dos homens, 
pois nada há encoberto 
que não venha a descobrir-se» 
Não tens aqui cidade de repouso, e onde quer que estejas és estranho e peregrino; e nunca terás repouso, a não ser quando estiveres intimamente unido a Cristo. Que procuras à tua volta, se este não é o lugar do teu descanso? A tua morada deve ser no Céu, e tudo na Terra deve ser visto como de passagem. Todas as coisas passam, e tu com elas. Toma cuidado, não te apegues, para que não sejas apanhado por elas e pereças. Que o teu pensamento esteja junto do Altíssimo, e a sua súplica se dirija sem cessar a Cristo. Se não consegues contemplar as coisas elevadas e celestes, descansa na Paixão de Cristo, e habita alegremente nas suas santas chagas. Se assim te refugiares com devoção nas chagas e nos preciosos estigmas de Jesus, sentirás grande conforto na tribulação, não te importarás muito com as traições dos homens e facilmente suportarás as palavras malévolas. Também Cristo foi desprezado no mundo pelos homens, e abandonado, na maior necessidade, pelos conhecidos e amigos no meio das afrontas. Cristo quis sofrer e ser desprezado, e tu ousas queixar-te de alguma coisa? Mantém-te com Cristo e por Cristo, se queres reinar com Cristo. Se uma única vez conseguisses entrar perfeitamente no coração de Jesus, e conhecesses um pouco o seu amor ardente, não te importarias com o que te é agradável ou desagradável, mas alegar-te-ias com cada ofensa sofrida, pois que o amor de Jesus faz o homem desprezar-se a si próprio. Aquele que ama Jesus e a verdade, que é verdadeiro, interior e livre de afeições desordenadas, pode voltar-se facilmente para Deus, elevar-se em espírito acima de si próprio e descansar com proveito. Aquele para quem as coisas valem segundo são, e não segundo se diz ou pensa, esse é o verdadeiro sábio, e mais instruído por Deus do que pelos homens.

21 de junho - Beato Tomás de Orvieto

O Beato Tomás nasceu em Orvieto, cidade da Umbria, no fim do século XIII ou princípio do século XIV. Pertencia a uma boa família da qual ele assimilou um amor ardente pela Santíssima Virgem. Desde cedo aprendeu a orar em sua honra todos os dias, andando pelas ruas da cidade e, quando podia, ajoelhando-se. Incansável na busca da santidade, no céu era onde estavam concentrados todos seus pensamentos e anseios, e assim, decidiu consagrar-se completamente a Deus numa família religiosa e, por seu imenso afeto para com a Virgem, pediu e foi admitido na Ordem dos Servos de Santa Maria. Nele resplandeceram com luz as virtudes típicas dos Servos, consideradas como carisma da Ordem: a humildade, a caridade fraternal, o espírito de serviço, a misericórdia. Com efeito, - como se lê nos Anais da Ordem-; “com o objetivo de se dedicar de uma vez para sempre ao serviço da Virgem e de seus servos”, pediu ser agregado no número dos frades que a gente usa chamar “leigos”.

21 de junho - São José Isabel Flores Varela

Através da profunda união com Cristo, iniciada no batismo e alimentada pela oração, os sacramentos e a prática das virtudes evangélicas, homens e mulheres de todos os tempos, como filhos da Igreja, alcançaram a meta da santidade. São Santos porque colocaram Deus no centro da sua vida, fazendo da busca e difusão do seu Reino a razão da própria existência; são Santos porque as suas obras continuam a falar do seu amor total ao Senhor e aos irmãos, dando frutos copiosos graças à sua fé viva em Jesus Cristo e ao seu compromisso em amar, inclusivamente os inimigos, como Ele nos amou. 
Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 21 de maio de 2000

Santa Demétria de Roma Mártir Festa: 21 de junho

(+)Roma, século IV
 
Santa Demetria era comemorada no Martirológio Romano em 21 de junho, mas registros hagiográficos indicam seu aniversário em outros dias. Segundo a lendária Paixão de Pimênio, ela era filha dos mártires Flaviano e Dafrosa e irmã de Santa Bibiana. Após a morte de seus pais, ela foi presa junto com sua irmã e levada à presença do Imperador Juliano, onde morreu subitamente de susto. Assim como no caso de sua família, a data de nascimento de Demetria é historicamente incerta. 
Etimologia: Demetria = sagrada para a deusa Deméter, do grego
Emblema: Palmeira 
Seria impossível classificar Santa Demétria, mártir romana do século IV, outrora comemorada no martirológio católico em 21 de junho, como uma figura histórica.

Santa Colalgia Virgem Mercedária Festa: 21 de junho

(†)Barcelona, Espanha, 1295
Originária de Barcelona, Santa Colalgia recebeu o hábito mercedário de São Bernardo Corsário e juntou-se às primeiras jovens seguidoras de Santa Maria de Cervellon, formando a primeira comunidade feminina da Ordem Mercedária. Ela foi uma grande mestra espiritual e uma virgem prudente, levando uma vida de mortificação e oração. Após realizar muitos milagres e prodígios, alcançou a felicidade eterna em 1295 no convento de Barcelona. A Ordem celebra sua festa em 21 de junho.

São Radulfo (Rodolfo) de Bourges Bispo Festa: 21 de junho

(†)21 de junho de 866
 
Nascido em Bourges no início do século IX, foi criado por um religioso chamado Bertrand e, eventualmente, tornou-se abade. Em 840, foi nomeado Bispo de Bourges a pedido do Rei Carlos, o Calvo. Como bispo, Radulfo foi um forte defensor dos interesses políticos do rei. Também tomou medidas para melhorar a organização de sua diocese, incluindo a elaboração de uma série de instruções para os sacerdotes. Fundou diversos mosteiros e reconstruiu a Catedral de Bourges. Após 26 anos como bispo, Radulfo faleceu em 866. É considerado um "Pai da Pátria" na região, e seu dia festivo é celebrado em 21 de junho. 
Martirológio Romano: Em Bourges, na Aquitânia, atualmente na França, São Rodolfo, bispo, cheio de solicitude pela vida sacerdotal, juntamente com os sacerdotes da Igreja que lhe foram confiados, cuidou de reunir em uma coleção as sentenças dos Santos Padres e os cânones para uso pastoral.

Luís Gonzaga Religioso Jesuíta, Santo + 1591

Filho primogénito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi baptizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe.

Nossa Senhora da Consolação, Venerada em Turim


     Em Turim, Itália, a devoção à Nossa Senhora da Consolação, Patrona da Arquidiocese, chamada pelos italianos de “Consolata” (Consolada ou Consoladora), é certamente a mais acatada, além de ser a mais antiga. As origens são remotas: de acordo com a tradição, o bispo Máximo foi o construtor de uma antiga igreja mariana logo atrás das muralhas da cidade, perto da torre angular, cujos vestígios ainda são visíveis. Simbolicamente alinhado nas antigas muralhas, como prova de proteção, surge hoje o altar-mor onde a efígie veneradíssima é colocada. Original é o título de "Consolata", provavelmente uma antiga distorção do dialeto do título "Consolatrix afflictorum".
     No início da história da origem do santuário encontramos o velho rei Arduino de Ivrea, que se retirou na Abadia de Fruttuaria, e que teve em sonho uma ordem de Nossa Senhora, juntamente com São Bento e Santa Maria Madalena, para construir três igrejas dedicada a ela: a Consolata, a Belmonte em Canavese e a Crea em Monferrato.

ORAÇÕES - 21 DE JUNHO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
21 – 12º Domingo do Tempo Comum
Evangelho (Mt 10,26-33) “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas são incapazes de matar a alma!”
O desafio é declarar-nos a favor de Cristo, apresentar-nos como comprometidos com sua doutrina e seu modo de vida. Isso tem seu custo e seus riscos. Muitos já perderam a vida por isso, muitos foram marginalizados e desprezados. Hoje a situação não é mais tranquila e, mesmo em países outrora cristãos, muitos nos consideram cidadãos de segunda classe. Jesus diz que não devemos ceder ao medo. Isso por várias razões: no fim, a verdade prevalecerá; o máximo que podem é atingir nosso corpo ou tirar-nos a vida; não podem roubar nossa dignidade nem nossa liberdade interior; o Pai cuida de nós mais do que dos pardais; se continuarmos firmes, podemos contar com a lealdade de Jesus. Parece que paga a pena aceitar o desafio.
Oração
Senhor, eu não gosto nem de pensar no que sofreram os mártires que morreram porque vos foram fiéis. Nem adianta ficar imaginando os desafios que ainda terei de enfrentar. Quero renovar minha confiança em vós, e pedir que me ajudeis sempre a vos permanecer fiel. Peço vosso auxílio para que possa evitar as muitas incoerências que ando vivendo. Não tenho sido capaz de evitar o medo diante de perigos muito pequenos. Sou incoerente porque tenho medo de ser apontado como antiquado ou revolucionário, como fora de moda ou mundanizado, como ambicioso ou como descuidado. Nenhum perigo de morte, mas o desafio de ser coerente com o que penso, com a minha fé, com as minhas opções de vida. Dai-me, Jesus, a coragem e a coerência que me faltam. Amém

sábado, 20 de junho de 2026

REFLETINDO A PALAVRA - “Bendito o que vem”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(+)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
Domingo de Ramos
Celebramos o 6º domingo da Quaresma, caminhando para o Tríduo Pascal. Nesse dia celebramos o Domingo de Ramos que é uma memória desse momento da vida de Cristo. Os fatos de sua vida não podem ser conhecidos só como um acontecimento fechado em si, mas se direcionam para a realização do desígnio salvador do Pai na morte e ressurreição de Cristo. A oração Pós-Comunhão da Missa diz: “Como pela morte de vosso Filho nos destes esperar o que cremos, dai-nos, pela sua ressurreição, alcançar o que buscamos”. Estamos envolvidos no Mistério da Redenção. Por ele fazemos nossa Páscoa. A celebração de hoje tem dois momentos: a festiva entrada de Jesus saindo de Betfagé até Jerusalém. É uma celebração na qual refazemos espiritualmente aquele momento. O segundo é a Missa que tem o clima da Paixão. Nela lemos a narrativa de sua Paixão segundo Marcos. Podemos até dizer que começamos alegres, para encontrar, depois da dor da Paixão, a alegria da Páscoa. Retomamos a tensão da semana que Jesus viveu em Jerusalém. É curioso notar que a entrada de Jesus está direcionada à cidade, não só no sentido físico, mas espiritual, quando ele chora sobre ela dizendo: “Ah! Se nesse dia também tu conhecesses a mensagem da paz” (Lc 19,41). O sentido espiritual da procissão que fazemos é fazer com Jesus a caminhada do sofrimento para a ressurreição. Isso é já participar do Mistério Pascal de Jesus. Não colocamos ramos ou mantos sobre o caminho, mas colocamos os nossos corações para que Jesus possa entrar em nossa Jerusalém.
Humilhou-se até a morte 
A primeira leitura e a carta de Paulo aos Filipenses descobre para nós a figura do Servo sofredor ao qual Jesus é identificado. Isaías descreve-o como um sofredor que não recusa o sofrimento. A figura profética do Servo lembra os sofrimentos de Jesus. Por que Jesus sofre? Esse hino de Filipenses, usado pela comunidade, reflete o sofrimento de Jesus que assume a forma de escravo – servo. A aniquilação de Jesus (kénosis – na linguagem da teologia) descreve sua pessoa no máximo de sua humanidade sofredora. Em Jesus, a virtude que o faz redentor é a humildade. Humano, igual a nós, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Morte de cruz não é só a morte dada ao escravo, mas é também um sinal de maldição: “Aquele que é pendurado é um objeto da maldição divina” (Dt 21,23). Quando os chefes dizem: “Crucifica-o” (Mc 15,13), estavam dizendo que nem Deus O quer. Por isso Jesus vai clamar na cruz: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?” (Mc 15,34). Essa foi a maior humilhação para Jesus, pior que a dor. O salmo 21, que Jesus reza na cruz, descreve os sofrimentos da Paixão. 
Anunciarei vosso nome 
O salmo faz uma bela leitura desse momento doloroso de humilhação pelo qual Jesus passa. Em Jesus, e também em nós, o sofrimento não é o fim de tudo. O Deus que fere, cura as feridas (Jó 5,18). O salmo reza: “Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos” (Sl 21). O Mistério Pascal de Cristo continua no anúncio como já feito após a Ressurreição como Jesus diz: “Vá dizer a meus irmãos” (Jo 20,17). É um anúncio de Vida. A Ressurreição explica todo o sofrimento que Jesus teve que passar. Torna-se assim a garantia de tudo que passamos por seguir Jesus. O sofrimento jamais é sem sentido. Jesus deu o sentido ao inexplicável: A vida doada. O resultado depende de Deus. “O grão de trigo... se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24).
Leituras: Marcos 11,1-10;Isaías 50,4-7;
Salmo 21;
Filipenses 2,6-11;Marcos 15,1-39. 
1. O sentido espiritual da procissão é fazer a caminhada do sofrimento para a ressurreição. 
2. A aniquilação de Jesus descreve sua pessoa no máximo de sua humanidade sofredora. 
3. O sofrimento jamais é sem sentido. Jesus deu o sentido ao inexplicável. A vida doada.
Uma festa sem convite 
Jesus mandou pegar um jumentinho que ninguém montara ainda. Devia ser novo e pequeno. E o povo faz festa. Não sabia o que estava acontecendo, mas estava bom. Tem até a lenda de que ele pensava que a festa era para ele. Depois, sozinho, ninguém ligou para ele. A festa era do povo que via em Jesus a esperança. Às vezes achamos que somos o centro. Penso que participar da festa de Jesus é estar feliz com Ele na festa dele. Não é dar uma de jumento, mas, que a gente leve Jesus por onde for, mesmo não entendendo o que Ele faz. Já está bom. 
Homilia do Domingo de Ramos (28.03.2021)

EVANGELHO DO DIA 20 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 6,24-34. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos inquieteis, dizendo: "Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?" Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Catarina de Sena 
(1347-1380) 
Terceira dominicana, 
doutora da Igreja, 
copadroeira da Europa 
A Providência da Misericórdia, 
cap. VII, n.º 141 
Eu bem sei aquilo 
de que tendes necessidade! 
Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe: Como pode o homem recusar-se a crer que Eu cuidarei dele, dele que criei à minha imagem e semelhança, quando Me vê alimentar e conservar o verme na madeira seca, e dar alimento aos animais do campo, aos peixes do mar, às aves do céu, a todos os seres vivos que há sobre a Terra? Eu faço brilhar o meu sol sobre as plantas e espalho sobre elas o orvalho que as fecunda. Não foi para o serviço do homem que tudo foi criado? A minha bondade nada criou sem pensar nele. Para onde quer que o homem se volte, tanto para o espiritual como para o temporal, não encontra senão o abismo de fogo ardente da minha caridade, servida pela grande, doce e perfeita providência. Mas não vê, porque se privou da luz e não quer ver. Por isso, escandaliza-se com as provações, restringe a sua caridade com o próximo, torna-se avarento e preocupa-se com o dia de amanhã, como se a minha Verdade não o tivesse proibido de o fazer quando disse: «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado» (Mt 6,34): repreendia-vos pela vossa falta de confiança, recordando-vos a minha providência e a brevidade do tempo. «Não vos inquieteis com o dia de amanhã», dizia; como quem diz: «Não vos inquieteis com o que não tendes a certeza de possuir; contentai-vos com o presente». Ele estava a ensinar-vos a pedir primeiro o Reino dos Céus, isto é, uma vida boa e santa. Quanto a estas coisas triviais, Eu bem sei, Eu, que sou o vosso Pai celeste, que necessitais delas, pois foi para vós que as criei, foi para vós que ordenei que a Terra produzisse os seus frutos.

20 de junho - São João de Matera

São João nasceu por volta de 1070 em Matera de uma família rica e nobre, ainda jovem, animado por um extraordinário espírito de piedade, ele deixou a casa de seu pai e foi para Taranto onde as igrejas ofereciam hospitalidade e trabalho para os monges de São Pedro. Segundo a tradição, ao sair da casa dos pais não levou nem a roupa que estava vestindo, retirando-se com os trajes de um mendigo, partindo para Taranto. Desejava viver uma vida simples e por isso recolheu-se no Monastério de São Pedro, naquela cidade, trabalhando como um humilde camponês, ficando encarregado do pastoreio das ovelhas. João foi muito provado por este trabalho e quando ele estava prestes a ceder, ele ouviu uma voz interna "Deus está com você" que o reanimou; com a visão de um barco acreditava ver a vontade de Deus e, em seguida, partiu para a Calábria, onde fez uma vida de solidão e mortificação, a partir daí foi para a Sicília continuando a sua vida como um penitente.

Papa São Silverius-(Reinou de 536 a 537)

Silvério, natural de Frosinone, foi eleito Papa, em 536, e governou a Igreja por um ano e meio. Durante a guerra entre Bizantinos e Godos, pela posse da península italiana, lutou com vigor contra as heresias monofisitas. Por ordem da imperatriz Teodora, foi exilado para a ilha de Ponza, onde morreu. 
Datas de nascimento e morte desconhecidas. Ele era filho do Papa Hormisdas, que havia sido casado antes de se tornar um dos altos clérigos. Silverius entrou a serviço da Igreja e era subdiácono em Roma quando o Papa Ágapeto morreu em Constantinopla, em 22 de abril de 536. A imperatriz Teodora, que favorecia os monofisitas, buscou promover a eleição como papa do diácono romano Vigilius, que então estava em Constantinopla e lhe havia dado as garantias desejadas quanto aos monofisitas.

Santa Elia(Eliada) Ohren Abadessa-Festa: 20 de junho

Ela foi a quinta abadessa do mosteiro de Ohren (Trier) e faleceu por volta de 750. Sua comemoração ocorre em 16 de julho no breviário do Arcebispo Balduin, nos calendários de Santo Irminus e São Maximin (século XIV) e em Greven, na Auctaria ad martyrologium Usuardi. Nos martirológios beneditinos, a partir de Wion, Elia é comemorada em 20 de junho, data de sua morte. Uma relíquia de seu braço é venerada no mosteiro franciscano de Ohren. 
Etimologia: Elias = como o sol, brilhante, do grego 
As informações sobre Santa Elia (Eliada) de Ohren, a quinta abadessa do mosteiro beneditino de Ohren em Trier, provêm de diversas fontes, embora fragmentárias. O breviário do Arcebispo Balduin de Luxemburgo, os calendários do século XIV dos Santos Irmino e Maximino, o Martirológio de Usuardo e a Auctaria ad martyrologium Usuardi mencionam-na.

Beata Margherita Ball, mãe de família, mártir. Festa: 20 de junho

(*)Skreen, Irlanda, por volta de 1515
(+)Dublin, Irlanda, 1584 
Durante a perseguição de Elizabeth I da Inglaterra, ela hospedou padres e religiosos em sua casa. Denunciada pelo próprio filho, foi presa em Dublin e morreu vítima de torturas atrozes. 
Martirológio Romano: No mesmo local (Dublin, na Irlanda), comemora-se a bem-aventurada Margaret Ball, mártir que, após ficar viúva, foi presa, por denúncia de seu próprio filho, por ter acolhido em sua casa muitos sacerdotes procurados e, depois de várias torturas, morreu aos setenta anos em data desconhecida. 
Ser mãe do Lord Mayor de Dublin não foi para ela motivo de prestígio ou orgulho, mas sim a causa de enorme sofrimento que a levou à morte, ou certamente a acelerou.

Beata Margarida Ebner, Dominicana - 20 de junho

Lemos em João 16, 28: “Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai”. Esse grande mistério de Deus ter tomado a forma humana nos deixa perplexos. Depois de haver divinizado o universo por sua encarnação e ressurreição, Jesus atrai tudo a si para entregar ao Pai. Margarida Ebner acreditou nisso com todo o seu coração, fazendo de sua vida uma entrega permanente à vontade do Pai. Margarida pertencia à família Ebner, da aristocracia alemã, muito rica e respeitada. Quando fez quinze anos de idade vestiu o hábito dominicano no Mosteiro de Maria Santíssima em Medingen, na diocese de Augusta. De 1314 até 1326, sofreu diversas e graves enfermidades, permanecendo a maior parte do tempo confinada em seu leito. Era consolada por Deus e chamada a cumprir em tudo a sua divina vontade. Devido às enfermidades não podia realizar as grandes penitências exteriores.

Sancha de Portugal Princesa, Religiosa, Fundadora, Beata 1180-1229

A princesa Sancha, ou Sancha Sanches era filha de D. Sancho I de Portugal e de sua esposa, a rainha Dulce de Barcelona — era também irmã das beatas Teresa e Mafalda —, nasceu em Coimbra em 1180. Quando seu pai D. Sancho I faleceu, ela devia receber, segundo as disposições testamentárias, o castelo de Alenquer e dispor de todos os recursos que deste dependiam, podendo mesmo utilizar o título de rainha. Esta disposição de D. Sancho I foi causa de lutas entre Sancha e seu irmão Afonso II que tinha sucedido a se pai no trono de Portugal e que desejava centralizar todo o poder sobre ele e para evitar que o património, na sequência dum futuro casamento de sua irmã deixasse de pertencer à coroa portuguesa. Mas Sancha que não tinha qualquer ideia de casar, porque desejava consagra-se unicamente a Deus, acabou por deixar a seu irmão o total domínio da herança que recebera de seu pai.

Mafalda de Portugal Rainha, Religiosa, Beata 1197-1257

Mafalda de Portugal, era filha do segundo rei português, D. Sancho I e de sua esposa Dona Dulce de Barcelona. Nasceu em Coimbra por volta de 1197 e foi a Ultima filha da família real de Portugal. Em 1215, contando apenas dezoito anos, casou com Henrique I de Castela, ainda menor, o qual faleceu pouco depois em 1217. Este casamento que não tinha sido consumido, foi anulado pelo Papa em 1216. Por disposição testamentária de seu pai, Mafalda devia receber em herança o Castelo de Seia, assim como os rendimentos deste, “podendo usar o título de rainha, enquanto senhora desse mesmo castelo; recebia também o mosteiro de Bouças”. Como no caso de sua irmã Sancha, esta situação causou problemas com seu irmão Afonso, então rei de Portugal, “que desejando centralizar o poder, obstou à prossecução do testamento do pai, impedindo a infanta-rainha de receber os títulos e os réditos a que tinha direito - de facto Afonso II temia que esta pudesse passar a eventuais herdeiros o vasto património que o testamento lhe legava, criando assim um problema à soberania do rei de Portugal e dividindo quase o país ao meio”.

Teresa de Portugal Rainha, Religiosa, Beata 1176-1250

Neta do primeiro rei de Portugal, Teresa Sanches, filha primogénita de D. Sancho I de Portugal e de sua esposa Dona Dulce de Barcelona, nasceu em Coimbra por volta de 1176. Prometida em casamento a Afonso IX de Leão, as núpcias foram celebradas em Guimarães no dia 15 de fevereiro de 1191. Deste matrimónio, antes da declaração da nulidade, por causa de consanguinidade, pronunciada pelo Papa em 1198, nasceram três filhos. Voltando ao nosso país, recolheu ao mosteiro de Lorvão, onde se fez cisterciense. Restaurou o velho convento e ali se refugiou durante a guerra que seu marido moveu contra o rei português para fazer valer os direitos que alegava deter pelo seu matrimónio então desfeito. Ficou conhecida pela sua caridade para com os humildes e desprotegidos.