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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

EVANGELHO DO DIA 05 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Lucas 10,25-37. 
Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: "Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar". Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório de Nissa 
(335-395) 
Monge, bispo 
Homilia 15 sobre o Cântico dos Cânticos 
O bom samaritano 
«Este é o meu amado; este o meu amigo, 
mulheres de Jerusalém.» (Ct 5,16). 
A Esposa do Cântico mostra aquele que procurava, dizendo: «Eis quem eu procuro, Aquele que, para Se tornar nosso irmão, veio de Judá. Tornou-Se amigo daquele que caiu nas mãos dos salteadores, curando-lhe as feridas com azeite, vinho e ligaduras; içou-o para a sua própria montada, levou-o para uma estalagem, deu duas moedas de prata para que cuidassem dele, e prometeu pagar, quando regressasse, o que tivessem gastado no cumprimento das suas ordens». Cada um destes detalhes tem um significado bem evidente. O doutor da Lei tentou o Senhor e quis mostrar a sua superioridade em relação aos outros, dizendo: «E quem é o meu próximo?» O Verbo expõe-lhe então, sob a forma de uma narrativa, a história sagrada da misericórdia: a queda do homem, a emboscada dos salteadores, o roubo da veste incorruptível, as feridas do pecado, a invasão causada pela morte em metade da nossa natureza (uma vez que a nossa alma permanece imortal), a passagem inútil da Lei (uma vez que nem o sacerdote nem o levita trataram das feridas daquele que tinha caído nas mãos dos salteadores). «É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecado» (Heb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiu toda a natureza humana: a dos judeus, dos samaritanos, dos gregos, numa palavra, de toda a humanidade. Com o seu corpo, que é a montada, Ele veio ao encontro da miséria do homem: curou-lhe as feridas, fê-lo repousar na sua própria montada, e fez da sua misericórdia uma estalagem, onde todos os que penam e se vergam sob o seu fardo encontram repouso (cf Mt 11,28).

domingo, 4 de outubro de 2026

EVANGELHO DO DIA 04 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Mateus 21,33-43. 
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola. Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros, e eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: "Respeitarão o meu filho". Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: "Este é o herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança". Agarraram-no, levaram-no para fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: "A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos"? Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Máximo de Turim (420) 
Bispo 
Sermão para festa de São Cipriano; 
PL 57, 687 
Dar fruto 
«A vinha do Senhor do Universo 
é a casa de Israel» (Is 5,7). 
Ora, tal casa somos nós e, como somos Israel, somos a vinha; zelemos, pois, a fim de que dos nossos sarmentos não nasçam, em vez de uvas de doçura, uvas de ira (Ap 14,19), para que não se nos diga: «Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?» (Is 5,4). Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer ao seu Proprietário frutos de doçura, trespassou-O com espinhos; e os seus inimigos, que deviam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-no com os espinhos da Paixão. Para eles, a coroa significava ultraje e injúria; aos olhos do Senhor, porém, era a coroa das virtudes. Tende cautela, irmãos, para que não se diga acerca dessa terra que vós sois: «Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços» (Is 5,2). Tenhamos cautela, para que as nossas más ações não firam, quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que feriram a palavra de Deus, como o Senhor diz no evangelho quando conta que o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e sufocaram o que fora semeado (cf Mt 13,7). Velai, pois, para que a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz a vindima sem dela dar aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.

sábado, 3 de outubro de 2026

EVANGELHO DO DIA 03 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Lucas 10,17-24. 
Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos no Céu». Naquele momento, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João-Maria Vianney 
(1786-1859) 
Presbítero, 
Cura de Ars 
Sermões 
Esperar a felicidade do Céu 
Meus irmãos, se a fé nos revela a presença de Deus em toda a parte, a esperança leva-nos a fazer tudo com o único objetivo de agradar a Deus, com o alegre pensamento da recompensa eterna. E, uma vez que esta virtude suaviza tanto o nosso sofrimento, consideremos juntos em que consiste a bela e preciosa virtude da esperança. Se temos a boa fortuna de saber, pela fé, que Deus existe e é o nosso Criador, o nosso Salvador e o nosso Bem supremo, que nos criou com o único fito de O conhecermos, amarmos, servirmos e possuirmos, a esperança ensina-nos que, embora indignos desta felicidade, podemos esperar, pelos méritos de Jesus Cristo, alcançá-la. Para tornar as nossas ações dignas de recompensa, meus irmãos, são necessárias três coisas: a fé, que nos faz ver nelas a presença de Deus; a esperança, que nos leva a realizá-las com o único objetivo de Lhe agradar; e o amor, que nos une a Ele como nosso Bem supremo. Sim, meus irmãos, nunca saberemos a dimensão da glória que cada ação nos trará no Céu se a fizermos unicamente por Deus; nem os santos no céu o compreendem. Mas, perguntareis, o que significa a palavra «esperança»? Eis a resposta: significa ansiar por algo que nos faça felizes na vida futura; desejar ardentemente a libertação dos males desta vida e almejar a posse de toda a sorte de bênçãos capazes de nos satisfazerem plenamente. A nossa esperança deve ser universal, isto é, devemos recorrer a Deus em tudo o que nos acontece.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

EVANGELHO DO DIA 02 DE OUTUBRO

Evangelho segundo São Mateus 18,1-5.10. 
Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no Reino dos Céus?». Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes: «Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Bernardo 
(1091-1153) 
Monge cisterciense, doutor da Igreja
12.º sermão sobre o Salmo 90 
«Vou enviar um anjo à tua frente, 
para que te proteja no caminho 
e te conduza ao lugar que 
preparei para ti» (Ex 23,20) 
«Ele mandará aos seus anjos 
que te guardem em todos 
os teus caminhos» (Sl 91,11). 
Que respeito estas palavras não suscitarão em ti, que fervor não farão nascer, que confiança não te inspirarão: respeito pela sua presença; fervor pela sua benevolência; confiança pela sua vigilância. Eles aí estão, a teu lado, e não estão contigo apenas, estão aí verdadeiramente por causa de ti e para ti; estão presentes para te proteger, para te socorrer. Como retribuirás ao Senhor tudo o que Ele te deu? (cf Sl 115,3). A Ele, e só a Ele, devemos gloriar e honrar por este auxílio; foi Ele quem lhes deu ordens para estarem ao nosso lado, pois «toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto» (Tg 1,17), vêm de Deus. Não podemos deixar de estar reconhecidos aos anjos, tendo em conta a grande caridade com que obedecem e a extrema necessidade que temos da sua ajuda. Tenhamos, pois, o maior respeito e reconhecimento por tal vigilância da sua parte; pelo nosso lado, amemo-los e honremo-los quanto pudermos Amemos os anjos em Deus, com a consciência de que eles serão um dia nossos co-herdeiros e de que, até lá, o Pai dispõe e ordena que eles sejam para nós guias e educadores. Porque «agora somos filhos de Deus» (1Jo 3,2), mesmo que tal não apareça ainda claramente, uma vez que somos, por enquanto, filhos submetidos a intendentes e a educadores, e parece que em nada nos distinguimos dos servos. No entanto, por pequenos que sejamos, por longa que seja a estrada que nos falta percorrer, que temos a temer sob tão boa guarda? Os anjos são fiéis, sábios, fortes - nada temos a recear. Sigamo-los, liguemo-nos a eles, pois estaremos sob a proteção do Deus do Céu.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 30 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,57-62. 
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos iam a caminho de Jerusalém, quando alguém Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas, e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o Reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Francisco Xavier 
(1506-1552) 
Missionário jesuíta 
Carta de 22/10/1552 
«Seguir-Te-ei para onde quer que fores»: 
um grande missionário
perante os perigos 
Numerosos decretos proíbem a entrada na China. Mas, para lá dos riscos de prisão e de maus tratos, existem outros muito maiores, que passam despercebidos aos habitantes desse país. Em primeiro lugar, a perda da esperança e da confiança em Deus, quando é por seu amor e ao seu serviço que damos a conhecer a sua Lei e Jesus Cristo, seu Filho, nosso Redentor e Senhor, como Ele bem sabe. Uma vez que foi pela sua santa misericórdia que nos comunicou estes desejos, perder agora confiança nessa misericórdia e no seu poder por causa dos riscos que poderemos correr ao seu serviço é um perigo incomparavelmente superior aos males que todos os inimigos de Deus nos podem causar. Se isso for importante para o seu serviço, Deus proteger-nos-á de todos os perigos desta vida. Por isso, temos a segurança das palavras do Senhor: «Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna» (Jo 12,25); e também destas, semelhantes às primeiras: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o Reino de Deus». Quanto a nós, tendo em consideração estes perigos para a alma, que são muito superiores aos do corpo, pensamos que é mais seguro e evidente enfrentar os riscos corporais. Seja de que maneira for, estamos decididos a ir à China.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 29 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 1,47-51. 
Naquele tempo, Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?» Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: "Eu vi-te debaixo da figueira", acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Cirilo de Jerusalém 
(313-350) 
Bispo de Jerusalém, 
doutor da Igreja 
Catequese batismal n.º 16, 22.23 
«O Espírito Santo penetra
 todas as coisas, 
até o que há de mais
 profundo em Deus» (1Cor 2,10) 
Grande, poderoso nos seus dons, admirável: assim é o Espírito Santo. Viste o seu poder estender-se a todo o mundo; não permaneças, pois, na Terra, mas eleva-te ao Céu, eleva-te em pensamento ao primeiro Céu e vê as incontáveis miríades de anjos. Esforça-se por te elevares ainda mais através das reflexão, e vê também os arcanjos, vê também os espíritos, vê as virtudes, vê as dominações. Pois o Chefe supremo de todos esses espíritos, o Senhor e santificador, é o Paráclito. Entre os homens, Elias, Eliseu, Isaías, todos precisam dele; entre os anjos, Miguel e Gabriel, precisam dele. Não há criatura que seja igual a Ele em honra, pois as várias categorias de anjos e todos os seus exércitos reunidos não se comparam ao Espírito Santo: a bondade infinita do Paráclito eclipsa todos estes seres. Ele são enviados para um ministério, ao passo que Ele perscruta as profundezas de Deus, como diz o Apóstolo: «O Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus» (1Cor 2,10). De facto, quem conhece os pensamentos de um homem a não ser o seu próprio espírito? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus a não ser o Espírito de Deus.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 28 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,46-50. 
Naquele tempo, houve uma discussão entre os discípulos sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, que lhes conhecia os sentimentos íntimos, tomou uma criança, colocou-a junto de Si e disse-lhes: «Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim; e quem Me acolher, acolhe Aquele que Me enviou. Na verdade, quem for o mais pequeno entre vós, esse é que será o maior». João tomou a palavra e disse: «Mestre, vimos um homem expulsar os demónios em teu nome e quisemos impedi-lo, porque ele não anda connosco». Mas Jesus respondeu-lhe: «Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Cassiano 
(360-435)
Fundador de mosteiro em Marselha 
Conferência n.° 15, 6-7 
«Quem for o mais pequeno entre vós, 
esse é que será o maior» 
«Vinde», diz Cristo aos seus discípulos, «e aprendei de Mim», não certamente a expulsar os demónios pelo poder do Céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a reanimar os mortos; mas, diz Ele, «aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Aí está, efetivamente, o que todos podem aprender e praticar. Não é necessário fazer revelações e milagres, nem é vantajoso para todos, e também não é concedido a todos. Pois a humildade é a mestra de todas as virtudes, o fundamento inabalável do edifício celestial, o dom próprio e magnífico do Salvador. Aquele que o possui poderá fazer, sem perigo de causar estranheza, todos os milagres que Cristo operou, porque procura imitar o Senhor manso, não na sublimidade dos seus prodígios, mas na virtude da paciência e da humildade. Em contrapartida, quem se sente impaciente por se impor aos espíritos impuros, por dar saúde aos doentes, por mostrar às multidões sinais maravilhosos, bem pode invocar o nome de Cristo no meio de toda a sua ostentação, que será sempre estranho a Cristo, porque a sua alma orgulhosa não segue o mestre da humildade. Eis o legado que o Senhor deixou aos seus discípulos aquando do seu regresso para junto do Pai: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei»; e acrescenta de imediato: «Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,34-35). É bem certo que, quanto menos mansos e humildes formos, menos cumpriremos este amor.

domingo, 27 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 27 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 21,28-32. 
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: "Filho, vai hoje trabalhar na vinha". Mas ele respondeu-lhe: "Não quero". Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: "Eu vou, Senhor". Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?». Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus. João Batista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Hildegard de Bingen 
(1098-1179) 
Abadessa beneditina 
e doutora da Igreja 
«Livro das obras divinas», cap. 6 
A obediência, fundamento de todas as obras divinas! [Santa Hildegarda apresenta uma visão onde o vício e a virtude conversam entre si:] 
– Desobediência: «Porque havemos de seguir os preceitos dos outros? Ao fazê-lo, ignoramos aquilo que somos: filósofos credíveis, que sabemos mais do que os outros. Porque não havemos de fazer aquilo que sabemos? Sei muito bem que aquilo que eu decido é certo, útil e proveitoso; aquilo que vejo, que toco e que compreendo: é isso que devo fazer». 
– Obediência: «Ao obedecer, estou ligada a Ele; quando Deus criou todas as coisas através do seu Verbo, quando disse "Fiat", eu era o olho da criação e, por ordem de Deus, vigiava; e foi assim que tudo foi criado. Mas, quando o primeiro anjo começou a viver, não tardou a opor-se a Deus, e eu disse que as suas obras não sobreviveriam, pois ele queria ser diferente; tentou até atacar-me e morder-me, mas não prevaleceu. Eu sou o fundamento de todas as obras divinas, sou o mesmo que a alma é para o corpo. Assim como a vontade do homem realiza o que ele deseja, eu sou a vontade de Deus, cumprindo tudo o que Deus empreende. Eu não toco, não quero nem desejo nada que não esteja em Deus. Tu és como as folhas mortas e como elas serás varrida».

sábado, 26 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 26 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,43b-45. 
Naquele tempo, estavam todos admirados com tudo o que Jesus fazia. Então Ele disse aos discípulos: «Escutai bem o que vou dizer-vos. O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens». Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras; eram misteriosas para eles e não as entendiam. Mas tinham medo de O interrogar sobre tal assunto. 
Tradução litúrgica da Bíblia
São Gregório Magno
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Livro XIII, SC 
Receber e anunciar 
a Paixão do nosso Redentor 
Foi verdadeiramente sem a menor iniquidade nas mãos que sofreu Aquele que «não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira» (1Pe 2,22); e, no entanto, Ele suportou o sofrimento da cruz pela nossa redenção. Só Ele, apenas Ele, elevou a Deus orações puras, pois no próprio sofrimento da sua Paixão orou pelos seus perseguidores, dizendo: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). Que maior pureza de oração será concebível do que estender a misericórdia da intercessão aos próprios responsáveis ​​pelo sofrimento em que a pessoa se encontra? «Ó terra, não ocultes o meu sangue, nem sufoques os meus clamores» (Jb 16,18). Sabemos que esta terra não oculta o sangue do nosso Redentor, pois, ao receber o preço da sua redenção, os pecadores confessam-no, cantam-no e esforçam-se por dá-lo a conhecer ao seu próximo. E a terra não ocultou o seu sangue, pois a Santa Igreja levou o mistério da sua redenção a todos os pontos do mundo. Assim, pois, se desejamos que o sacramento da Paixão do Senhor não permaneça vão em nós, temos o dever de imitar aquilo que recebemos e de anunciar aos outros aquilo que veneramos. Com efeito, o seu grito ficará oculto em nós se a língua calar aquilo em que a alma acreditou. Para que isso não aconteça, cada um de nós deve dar a conhecer o mistério da sua regeneração da melhor maneira possível àqueles que o rodeiam.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 24 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,7-9. 
Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que Jesus fazia e andava perplexo, porque alguns diziam: «É João Batista que ressuscitou dos mortos». Outros diziam: «É Elias que reapareceu». E outros diziam ainda: «É um dos antigos profetas que ressuscitou». Mas Herodes disse: «A João mandei-o eu decapitar. Mas quem é este homem, de quem oiço dizer tais coisas?». E procurava ver Jesus. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Orígenes 
(185-253) 
Presbítero, teólogo 
Homilias sobre o Génesis 
«E procurava ver Jesus» 
O Sol e a Lua iluminam o nosso corpo; Cristo e a Igreja iluminam o nosso espírito. Isto é, iluminam-nos se não formos espiritualmente cegos; porque, do mesmo modo que o Sol e a Lua não deixam de derramar a sua claridade sobre os cegos, que, contudo, não podem acolher a luz, também Cristo envia a sua luz aos nossos espíritos, mas esta iluminação só tem lugar se a nossa cegueira não lhe puser obstáculos. Por isso, os cegos devem começar por seguir a Cristo gritando: «Filho de David, tem misericórdia de nós!» (Mt 9,27); e quando, graças a Ele, tiverem recuperado a vista, poderão ser iluminados com o esplendor da luz. Mas nem todos os que veem são iluminados de igual forma por Cristo; cada um o é na medida em que pode receber a luz (cf Lc 23,8 ss). Não é da mesma maneira que todos vamos a Ele, mas «conforme a capacidade de cada qual» (Mt 25,15).

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 23 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 9,1-6. 
Naquele tempo, Jesus chamou os doze apóstolos e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e para curarem todas as doenças. Depois enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos. E disse-lhes: «Não leveis nada para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, e não leveis duas túnicas. Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. Se alguns não vos receberem, ao sair dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles». Os apóstolos partiram e foram de terra em terra a anunciar a boa nova e a realizar curas por toda a parte. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Charles de Foucauld 
(1858-1916) 
Eremita e missionário no Saara 
Carta a Joseph Hours, 3 de maio de 1912 
«Enviou-os» 
Ser apóstolo, mas por que meios? Por aqueles que o Senhor põe à disposição de cada um: os padres têm os respetivos superiores, que lhes dizem o que devem fazer. Os leigos devem ser apóstolos com todos aqueles a quem conseguem chegar: parentes e amigos, mas não só eles; a caridade não é estreita, alcança todos aqueles que o Coração de Jesus abraça. Por que meios? Pelos melhores, tendo em conta aqueles a quem se dirigem: com todos aqueles com quem se relacionam, sem exceção, pela bondade, a ternura, o afeto fraterno, o exemplo de virtude, a humildade e a doçura, sempre atraentes e tão cristãs. Com alguns, sem lhes dizer nunca uma palavra sobre Deus ou sobre religião, tendo paciência como Deus tem paciência, sendo bom como Deus é bom, sendo um irmão terno e rezando. Com outros, falando-lhes de Deus na medida em que conseguem atingir; quando chegam à ideia de buscar a verdade pelo estudo da religião, pondo-os em contacto com um sacerdote bem escolhido e capaz de lhes fazer bem. Sobretudo, vendo em cada homem um irmão.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 22 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 8,19-21. 
Naquele tempo, vieram ter com Jesus sua Mãe e seus irmãos, mas não podiam chegar junto dele por causa da multidão. Então disseram-Lhe: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te». Mas Jesus respondeu-lhes: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Guilherme de Saint-Thierry 
(1085-1148) 
Monge beneditino, depois cisterciense 
A contemplação de Deus, 2-3 
«Diz-me o coração:
 "Procurai a sua face". 
Não escondais de mim o vosso rosto» (Sl 27, 8-9) Sou insolente e temerário, e Tu és o meu auxílio e amparo constantes, Tu, que nunca Te cansas! Mas é o amor do teu amor que me impele a procurar a tua face. Tu vês-me e eu não Te vejo; mas deste-me o desejo de Ti, e deste-me tudo o que em mim Te agrada. E perdoas imediatamente a este cego que corre em direção a Ti, estendes-lhe a mão assim que o vês tropeçar. Mas eis que a voz do teu testemunho me ressoa no fundo da alma, respondendo ao meu anseio. Ela ressoa, tudo agitando dentro de mim, e os meus olhos interiores ficam cegos com o brilho fulgurante da tua verdade. Ela recorda-me que o homem não pode ver-Te e continuar vivo (cf Ex 33,20). No abismo do meu pecado, ainda não consegui morrer para mim mesmo a fim de viver unicamente para Ti (cf 2Cor 5,15); contudo, segundo a tua palavra e por um dom que vem de Ti, apoio-me na rocha da fé em Ti, a fé cristã, neste lugar que está verdadeiramente perto de Ti (cf Ex 33,21). Apoiado nesta fé, sou paciente, tanto quanto me é possível, enquanto espero, e abraço a tua mão direita, que me sustenta e me protege (cf Sab 5,16). Por vezes, quando contemplo e me esforço por ver, vejo – de costas (cf Ex 33,23) – Aquele que me olha; vejo a humildade da vida humana de Cristo, teu Filho, que passa. Aguardo o dia em que removerás a mão que me tapa (cf Ex 33,22) e me darás a graça que ilumina, para que um dia, finalmente, morto para mim mesmo e vivo para Ti, com o véu afastado do rosto, comece a ver o teu rosto descoberto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 21 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 9,9-13. 
Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos: «Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?». Jesus ouviu-os e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício". Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Jean Tauler 
(1300-1361) 
Dominicano de Estrasburgo 
Sermão 64 
«Ele levantou-se e seguiu Jesus» 
Nosso Senhor disse a São Mateus: «Segue-Me». Este santo amável é um modelo para todos os homens: tinha sido um grande pecador, de acordo com o que o evangelho diz dele, mas tornou-se um dos maiores amigos de Deus. Porque Nosso Senhor falou-lhe no fundo do seu ser, e ele abandonou tudo para seguir o Mestre. Seguir a Deus na verdade; para isso, temos de abandonar verdadeira e completamente todas as coisas que não são Deus, sejam elas quais forem. Deus ama os corações; não Lhe interessa aquilo que é exterior, mas quer de nós uma devoção interior viva. Esta devoção tem em si mais verdade do que se eu fizesse as orações de todos os homens, ou cantasse com tal intensidade que o meu canto subisse aos céus; tem mais verdade do que tudo o que eu possa fazer exteriormente, em jejuns, vigílias e outras práticas.

domingo, 20 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 20 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Mateus 20,1-16a. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: "Ide vós também para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo". E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: "Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?". Eles responderam-lhe: "Ninguém nos contratou". Ele disse-lhes: "Ide vós também para a minha vinha". Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: "Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros". Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: "Estes últimos trabalharam só uma hora, e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor". Mas o proprietário respondeu a um deles: "Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?". Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Gregório Magno 
(540-604) 
Papa, doutor da Igreja 
Homilias sobre o Evangelho, n.° 19 
«Ide vós também para a minha vinha» 
O Senhor não deixa, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivarem a sua vinha: através dos patriarcas, dos doutores da Lei, dos profetas e, finalmente, através dos apóstolos, procurou, por assim dizer, que a sua vinha fosse cultivada pelos seus trabalhadores. Todos aqueles que a uma fé firme juntaram boas obras foram trabalhadores dessa vinha. Os trabalhadores contratados ao nascer do dia, à hora terceira, à sexta e à nona designam portanto o povo hebraico, que, aplicando-se desde o começo do mundo a prestar culto a Deus com fé firme, não parou, por assim dizer, de se empenhar no cultivo da vinha. Porém, à décima primeira hora, foram chamados os pagãos, a quem foram dirigidas estas palavras: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?». De facto, ao longo de todo aquele tempo por que o mundo passou, os pagãos tinham negligenciado o trabalho que conduz à vida eterna, e passavam o dia inteiro sem nada fazer. Mas reparai bem, irmãos, o que respondem à pergunta que lhes é feita: «Ninguém nos contratou». De facto, nem patriarca nem profeta algum se acercara deles; dizer: «Ninguém nos contratou para trabalhar» significa: «Ninguém nos pregou os caminhos da vida». E nós, que invocaremos como desculpa se nos abstivermos de realizar boas obras? Pensai bem: nós recebemos a fé ao sair do seio da nossa mãe, escutámos as palavras da vida desde o berço e fomos alimentados ao peito da Santa Igreja, dela bebendo, ao mesmo tempo que o leite materno, o néctar da doutrina celeste.

sábado, 19 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 19 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 8,4-15. 
Naquele tempo, reuniu-se uma grande multidão, que vinha ter com Jesus de todas as cidades, e Ele falou-lhes por meio da seguinte parábola: «O semeador saiu para semear a sua semente. Quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho: foi calcada e as aves do céu comeram-na. Outra parte caiu em terreno pedregoso: depois de ter nascido, secou por falta de humidade. Outra parte caiu entre espinhos: os espinhos cresceram com ela e sufocaram-na. Outra parte caiu em boa terra: nasceu e deu fruto a cem por um». Dito isto, exclamou: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça». Os discípulos perguntaram a Jesus o que significava aquela parábola e Ele respondeu: «A vós foi concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros serão apresentados só em parábolas, para que, ao olharem, não vejam, e, ao ouvirem, não entendam. É este o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem, mas depois vem o diabo tirar-lhes a palavra do coração, para que não acreditem e se salvem. Os que estão em terreno pedregoso são aqueles que, ao ouvirem, acolhem a palavra com alegria, mas, como não têm raiz, acreditam por algum tempo e afastam-se quando chega a provação. A semente que caiu entre espinhos são aqueles que ouviram, mas, sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, sentem-se sufocados e não chegam a amadurecer. A semente que caiu em boa terra são aqueles que ouviram a palavra com um coração nobre e generoso, a conservam e dão fruto pela sua perseverança».
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João-Maria Vianney 
(1786-1859) 
Presbítero, 
Cura de Ars 
Sermão 
«Outra parte caiu em boa terra: 
nasceu e deu fruto a cem por um» 
Se me perguntais o que quer Jesus Cristo dizer com este semeador que saiu manhã alta para ir lançar a semente no seu campo, meus irmãos, [digo-vos que] o semeador é o bom Deus, que começou a trabalhar na nossa salvação logo no princípio do mundo, enviando-nos os profetas antes da vinda do Messias para nos ensinar o que é necessário para nos salvarmos. E não Se contentou em enviar os seus servos, mas veio Ele mesmo indicar-nos o caminho que devíamos seguir e anunciar-nos a palavra sagrada. Sabeis como é uma pessoa que não se alimenta desta palavra sagrada? É semelhante a um doente sem médico, a um viajante perdido e sem guia, a um pobre sem recursos. É completamente impossível, meus irmãos, amar a Deus e agradar-Lhe sem nos alimentarmos desta divina palavra. O que nos permitirá agarrarmo-nos a Ele, a não ser o conhecimento que temos dele? E quem no-lo dá a conhecer, com todas as suas perfeições, a sua beleza e o seu amor por nós, a não ser a palavra de Deus, que nos ensina tudo o que Ele fez por nós e todos os benefícios que nos preparou na outra vida?

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 18 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 8,1-3. 
Naquele tempo, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a boa nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demónios, Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus e os discípulos com os seus bens. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Gertrudes de Helfta 
(1256-1301) 
Monja beneditina 
O arauto, livro III, SC 143 
O coração divino atraído pela nossa miséria 
Certo dia, na sua meditação, [Gertrudes] tomou consciência da sua miséria interior, o que lhe provocou um tal desprezo por si própria que, ansiosa e perturbada, se perguntou como poderia agradar a Deus, que via todas as suas faltas; porque, onde ela descobria apenas uma, o olhar divino e penetrante percebia uma infinidade. Recebeu consolação com a seguinte resposta divina: «O amor torna amável o amado». Compreendeu então que se neste mundo, entre os homens, o amor tem tanta força que a própria fealdade agrada ao amante por causa do amor que lhe tem, chegando a fazer-lhe desejar, por amor, assemelhar-se ao amado, como poderia ela duvidar de que Aquele que é Deus-caridade pudesse, em virtude do amor, tornar amável aquele que ama? Doutra vez, a memória das suas culpas passadas lançou-a em tal confusão que apenas queria esconder-se para sempre; e eis que o Senhor Se inclinou para ela com tal reverência que toda a corte celeste, como que tomada de espanto, se empenhou em O conter; ao que o Senhor respondeu: «Não posso deixar de ir ter com aquela que puxa pelo meu coração divino com as sólidas cordas da humildade».

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 17 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 7,36-50.
Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade –, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: são-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então, os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Homilia atribuída a 
São Macário (390) 
Monge do Egipto 
Homilias espirituais, 30, 9 
O acolhimento do fariseu e 
o acolhimento da pecadora 
Acolhamos o nosso Deus e Senhor, o verdadeiro médico, o único que é capaz de curar a nossa alma ao vir a nós, Ele que tanto penou por nós. Ele bate sem cessar à porta do nosso coração, para que Lha abramos e O deixemos entrar para Ele repousar na nossa alma, para que Lhe lavemos os pés e O cubramos com perfume, para fazer em nós a sua morada. Com efeito, Jesus acusa aquele que não Lhe lavou os pés, dizendo: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa» (Ap 3,20). Foi para isto – para vir à nossa alma e fazer dela sua morada – que Ele suportou tantos sofrimentos, que entregou o seu corpo à morte e nos resgatou da servidão. É por isso que o Senhor dirá àqueles que, no julgamento, estiverem à sua esquerda e forem enviados para a geena: «Tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber» (Mt 25,42ss). Porque a sua comida, a sua bebida, as suas roupas, o seu teto, o seu repouso estão no nosso coração; por isso, Ele bate sem cessar, querendo entrar em nós; acolhamo-lo, portanto, e recebamo-lo dentro de nós, pois Ele é também o nosso alimento, a nossa bebida, a nossa vida eterna. E toda a alma que não O acolhe dentro de si, para Ele aí encontrar repouso, ou antes, para que ela repouse nele, não herdará o Reino dos Céus com os santos e não poderá entrar na cidade celeste. Mas Tu, Senhor Jesus Cristo, deixa-nos entrar, a nós que glorificamos o teu nome, com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos. Ámen.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 16 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 7,31-35. 
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem se parecem? São como as crianças, que, sentadas na praça, falam umas com as outras, dizendo: "Tocámos flauta para vós e não dançastes, entoámos lamentações e não chorastes!" Porque veio João Batista, que não comia nem bebia vinho, e vós dizeis: "Tem o demónio com ele". Veio o Filho do homem, que come e bebe, e vós dizeis: "É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores". Mas a Sabedoria é justificada por todos os seus filhos». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Basílio 
(330-379) 
Monge, 
bispo de Cesareia da Capadócia, 
doutor da Igreja 
Grandes Regras monásticas, Prólogo 
Deus não Se cansa de 
nos chamar à conversão 
Até quando adiaremos obedecer a Cristo, que nos chama para o seu reino celeste? Quando nos decidiremos a purificar-nos? Não nos decidiremos a abandonar o nosso género habitual de vida, para seguir a fundo o Evangelho? Afirmamos desejar o reino de Deus, mas não nos preocupamos grandemente com os meios para o alcançar. E, apesar de não nos dedicarmos minimamente à observância dos mandamentos do Senhor, estamos convencidos, na vaidade do nosso espírito, de que somos dignos de receber a mesma recompensa que recebem aqueles que resistiram ao pecado até à morte. Mas quem é o homem que, tendo-se deitado em sua casa a dormir no tempo da sementeira, pode recolher braços cheios de espigas no tempo da colheita? Quem poderá fazer a vindima sem ter plantado e cultivado a vinha? Os frutos são para aqueles que trabalharam; as recompensas e as coroas, para aqueles que venceram. Foi jamais coroado atleta algum que não se tenha sequer despido para combater o adversário? E nem sequer basta vencer, é também necessário «competir segundo as regras» (2Tim 2,5), como diz o apóstolo Paulo, isto é, segundo os mandamentos que nos foram dados. Deus é bom, mas também é justo: o Senhor «ama a justiça e a retidão» (Sl 33,5); por isso, «Quero cantar a bondade e a justiça: a Vós, Senhor, entoarei salmos» (Sl 101,1). Vê com que discernimento usa o Senhor de misericórdia: não é misericordioso sem examinar, como não julga sem piedade, porque «justo e compassivo é o Senhor, o nosso Deus é misericordioso» (Sl 116,5). Não tenhamos, pois, uma ideia truncada de Deus; o seu amor por nós não deve ser um pretexto para sermos negligentes.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 15 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 19,25-27. 
Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São Charles de Foucauld 
(1858-1916) 
Eremita e missionário no Saara 
Meditações sobre os Santos Evangelhos 
«Eis a tua Mãe» 
«Eis o teu filho», diz Nosso Senhor à Santíssima Virgem, dando-lhe todos os seres humanos como filhos, ordenando-lhe que tenha para todos um coração de Mãe. Ela cumpriu, e continuará a cumprir por toda a eternidade, com incomparável perfeição, esta ordem de Deus, como cumpriu todas as ordens que dele recebeu. Tenhamos, pois, a certeza absoluta de que ela tem um coração materno para cada ser humano, e recorramos a esta Mãe amada e omnipotente em todas as nossas necessidades com a mesma confiança que uma criança deposita na sua mãe, a uma Mãe que nos ama infinitamente mais do que qualquer mãe terrena poderia amar-nos, a uma Mãe que pode obter para nós de Deus absolutamente tudo o que é verdadeiramente bom para a nossa alma. «Eis a tua Mãe», diz o Senhor a cada alma. Todos devemos tratar a Santíssima Virgem como nossa Mãe, cumprindo com ela os deveres que um bom filho deve a Mãe tão boa: afeto, honra, serviço, confiança, em suma, tudo o que o próprio Senhor concedeu à Santíssima Virgem! Amemo-la, honremo-la, vamos ter com ela, conversemos com ela em oração; sirvamo-la, ajudando-a da melhor forma possível em todas as obras que ela favorece, em todas as que são realizadas em sua honra; tenhamos absoluta confiança nela e invoquemo-la sem hesitar com essa confiança em todas as nossas necessidades, em todos os nossos desejos, em todos os nossos empreendimentos, em todas as nossas obras, em todas as nossas ações. Sejamos filhos ternos, recordando que esse é um ponto essencial da obediência a Jesus e da imitação de Jesus: da obediência, porque Ele no-lo ordenou de maneira formal e solene do alto da cruz; e da imitação, porque Ele foi sempre um Filho modelar para sua Mãe.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DIA 14 DE SETEMBRO

Evangelho segundo São João 3,13-17. 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna». Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
Tradução litúrgica da Bíblia 
Santa Isabel da Santíssima Trindade 
(1880-1906) 
Carmelita 
Poesia 114 
A habitação da alma que ama 
Onde habitava Ele, senão na dor? 
Na dor imensa, na dor suprema? 
Esta é a morada da alma que ama 
e conforma a sua vida com a do Salvador. 

Não temas a dor, pois ela é promessa de amor. 
Refugia-te por inteiro à sombra da cruz, 
pois Aquele que ela sustenta te dará luz. 
Ele te fortalecerá para lutares dia a dia.