segunda-feira, 2 de maio de 2016

EVANGELHO DO DIA 2 DE MAIO

Evangelho segundo S. João 15,26-27.16,1-4a.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes. Hão-de expulsar-vos das sinagogas; e mais ainda, aproxima-se a hora em que todo aquele que vos matar julgará que presta culto a Deus. Procederão assim por não terem conhecido o Pai, nem Me terem conhecido a Mim. Mas Eu disse-vos isto, para que, ao chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo tinha dito». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja 
Comentário ao Evangelho de S. João, 10 
«Vós também haveis de dar testemunho»
A missão de Cristo na terra estava cumprida, mas era necessário que nos tornássemos «participantes da natureza divina» do Verbo (2Ped 1,4), isto é, que a nossa vida anterior fosse abandonada para se transformar numa vida nova [...]. De facto, enquanto viveu visivelmente entre os seus, Cristo surgia-lhes, parece-me, como o dispensador de todos os bens. Mas, quando chegou o momento em que teve de subir ao Pai celeste, foi necessário que continuasse presente entre os seus fiéis por meio do Espírito e que habitasse pela fé nos nossos corações (Ef 3,17). 
Aqueles em quem o Espírito habita são transformados e recebem dele uma vida nova, como podemos facilmente demonstrar por exemplos, tanto do Antigo, como do Novo Testamento. Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: «O Espírito do Senhor virá então sobre ti» (1Sam 10,6). E São Paulo afirma: «E nós todos que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito» (2Cor 3,18). 
Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente os faz passar da consideração das coisas terrenas ao olhar voltado unicamente para as realidades celestes, e os conduz da tibieza à vida heróica. Foi o que sucedeu com os discípulos: fortalecidos pelo Espírito, não se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo unidos a Cristo pelo vínculo de um amor invencível. [...] É pois verdade o que nos diz o Salvador: «É melhor para vós que Eu vá» (Jo 16,7). Pois então virá o Espírito Santo.

ATANÁSIO DE ALEXANDRIA Bispo, Padre e Doutor da Igreja, Santo (296 - 373)

COLUNA DA IGREJA
Um dos maiores santos da História, odiado virulentamente pelos maus, foi entretanto muito amado por sua luta intrépida em defesa da Fé
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"O século IV, a idade de ouro da literatura cristã, nos oferece em seus umbrais a figura gigantesca deAtanásio de Alexandria, o homem cujo génio contribuiu para o engrandecimento da Igreja muito mais que a benevolência imperial de Constantino. Seu nome está indissoluvelmente unido ao triunfo do Símbolo de Niceia"[1], que ainda hoje rezamos.
"Há nome mais ilustre que o de Santo Atanásio entre os seguidores da Palavra da verdade, que Jesus trouxe à terra? Não é este nome símbolo do valor indomável na defesa do depósito sagrado, da firmeza do herói face às mais terríveis provas da ciência, do génio, da eloquência, de tudo o que pode representar o ideal de santidade de um Pastor unido à doutrina do intérprete das coisas divinas? Atanásio viveu para o Filho de Deus; Sua causa foi a de Atanásio. Quem estava com Atanásio, estava com o Verbo eterno, e quem maldizia o Verbo eterno maldizia Atanásio"[2], comenta Dom Guéranger, o admirável autor eclesiástico do século XIX.

Arianismo: heresia devastadora

Deus nosso Senhor permitiu que houvesse várias heresias logo no início da Igreja. Com isso, ao refutá-las, os doutores foram explicitando a verdade católica a partir da Revelação e estabelecendo assim os fundamentos básicos sobre os quais se firmasse a verdadeira doutrina.
Uma das heresias que mais dano causou à Igreja, a partir do século III, foi o arianismo, devido ao apoio que encontrou da parte de muitos bispos e imperadores.
Na segunda metade do século III, Melécio, Bispo de Lycopolis, rompeu com São Pedro de Alexandria, provocando um cisma que dividiu o patriarcado de Alexandria. Melécio caiu em cisma (ou seja, provocou uma divisão) por ter discordado da indulgência do Santo ao receber de volta à Igreja cristãos arrependidos que, por fraqueza, haviam oferecido incenso aos ídolos para evitar a morte.
Ario, homem intrigante, habilidoso, persuasivo, vindo da Líbia, juntou-se aos cismáticos. Elevado ao sacerdócio pelo primeiro sucessor de São Pedro de Alexandria, ambicioso e buscando preeminência, Ario começou a pregar uma nova doutrina, que negava a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Santo Alexandre, novo Patriarca de Alexandria, condenou-a como herética.

Atanásio: sustentáculo anti-ariano

"Jamais, talvez, nenhum chefe de heresia possuiu em mais alto grau que Ario as qualidades próprias para esse maldito e funesto papel. Instruído nas letras e na filosofia dos gregos, dotado de uma rara fineza de dialéctica e de linguagem, ele conseguia dar ao erro o aspecto e o atractivo da verdade. Seu exterior ajudava a sedução. Seu orgulho se disfarçava sob uma simples vestimenta, sob um olhar modesto, recolhido, mortificado, que lhe dava um falso ar de santidade, e ao qual ele sabia aliar um trato gracioso e um tom doce e insinuante"[3]. Isso lhe abriu a porta dos grandes e poderosos do mundo. Eusébio de Cesareia lhe concedeu asilo e o protegeu. Eusébio de Nicomédia tornou-se seu mais forte defensor. Por isso sua heresia estendeu-se séculos afora, provocando grande mal à Igreja.
O crescimento e o tumulto da nova heresia preocupou o Imperador Constantino, que enviou o mais venerado Prelado da época, Ósio de Córdova, a Alexandria, para tentar fazer cessar a "epidemia". Este, estando com Santo Atanásio, reconheceu logo sua ortodoxia; bem como a má-fé e erro de Ário. Por isso, aconselhou o Imperador a convocar um concílio em Niceia, para condenar a nova heresia. Neste foi composto o famoso Credo de Niceia, que alguns heresiarcas assinaram constrangidos, e outros, recusando-se a fazê-lo, foram exilados.
Foi ali, na grande assembleia, que um pequeno grande homem, secretário de Santo Alexandre, se fez notar pelo fogo de suas palavras, eloquência e amor à ortodoxia católica. Era ele Atanásio.

Moldador dos acontecimentos

"Atanásio era uma dessas raras personalidades que deriva incomparavelmente mais de seus próprios dons naturais de intelecto do que do fortuito da descendência ou dos que o rodeiam. Sua carreira quase personifica uma crise na história da Cristandade, e pode-se dizer dele que mais deu forma aos acontecimentos em que tomou parte do que foi moldado por eles"[4]. A esta descrição psicológica devemos acrescentar sua fé profunda e inabalável, a serviço da qual colocou suas qualidades naturais.
De estatura abaixo da média (pelo que foi objecto de debique por parte do apóstata Juliano), segundo seus biógrafos, era de compleição magra, mas forte e enérgico. Tinha uma inteligência aguda, rápida intuição, era bondoso, acolhedor, afável, agradável na conversação, mas alerta e afiado no debate.
A História não guardou o nome de seus pais. Pela alta formação intelectual que ele demonstra ainda jovem, julga-se que pertencia à classe mais elevada.

Jovem Patriarca de Alexandria

Ainda adolescente, foi notado e apreciado por Santo Alexandre, que o tomou sob sua protecção e, com o tempo, o fez seu secretário. No Concílio de Niceia ainda não havia recebido a ordenação. Mas, cinco meses depois, Santo Alexandre, ao falecer, designou-o como seu sucessor na Sé de Alexandria. Atanásio tinha apenas trinta anos de idade.
Triste herança recebeu o jovem bispo. Durante seus primeiros anos de episcopado, os milicianos e arianos juntaram-se para tumultuar o povo e lançar o espírito de revolta, de que se alimentam as heresias. Pois o arianismo, se bem que tivesse um suposto fundamento religioso, era mais um partido político de agitadores, como muitos movimentos da esquerda católica de hoje em dia. Não havia calúnia, difamação e ardil que os arianos não inventassem contra Atanásio, para minar sua autoridade.
O Imperador Constantino, perdendo sua mãe Santa Helena, ficou sob a influência de sua irmã Constância, conquistada pela heresia. A pedido dela, fez voltar do exílio os hereges exilados em Niceia, enquanto perseguia os católicos ortodoxos.

A astúcia dos santos

Apenas retornado do exílio, Eusébio de Nicomédia convoca um concílio em Cesareia, sede do outro Eusébio ariano, para condenar Santo Atanásio. Este é intimado a comparecer em Tiro — para onde o concílio havia sido transferido — a fim de responder às acusações assacadas contra ele.
Fizeram entrar uma mulher de cabelos desgrenhados que, com altos gritos, acusou o Santo de ter dela abusado. Um dos padres de Atanásio, percebendo o jogo, levantou-se e foi até a impostora, exclamando:"Como! Então é a mim que imputas esse crime?!". Ela, que não conhecia Atanásio, replicou: "Sim, é a ti. Eu bem te reconheço". Houve uma gargalhada geral, e a miserável fugiu cheia de confusão.
Mas isso não desarmou os impostores. Mostrando uma mão ressequida, afirmaram pertencer a um tal Arsênio, que havia tempos desaparecera, e certamente fora esquartejado por Atanásio para efeitos de magia. Atanásio faz entrar na sala o próprio Arsênio, que descobrira na solidão do deserto. Mostrando-o, disse aos acusadores: "Vejam Arsênio, com suas duas mãos. Como o Criador só nos deu duas, que meus adversários expliquem de onde tiraram essa terceira". Os hereges, confundidos, provocaram verdadeiro tumulto e suspenderam a sessão.

Exílio causado por amor à ortodoxia

Com calúnias e outros artifícios, os hereges, que gozavam do prestígio do poder imperial, conseguiram que o Santo fosse exilado cinco vezes.
O primeiro exílio, em Treveris, durou cinco anos e meio, terminando em 337 quando, com a morte de Constantino, seu filho do mesmo nome chamou Atanásio para ocupar novamente sua Sé. No ano anterior, Ário, sentindo-se mal quando era levado em triunfo pelos seus partidários, teve que retirar-se a um lugar escuso, onde morreu com as entranhas nas mãos.
Entretanto, morto o heresiarca, não morreu a heresia, que em 340 conseguiu impor um bispo herege em Alexandria, tendo Atanásio que fugir para o exílio em Roma. Foi bem acolhido pelo Papa, que condenou o intruso.
Atanásio passou três anos em Roma, onde introduziu os monges do Oriente. Publicou na Cidade Eterna grandes obras contra os hereges arianos. Em 343 foi exilado para a Gália.
A década de 346 a 356 foi o período de ouro para Atanásio na Sé de Alexandria. Pôde dedicar-se inteiramente ao ministério episcopal, instruindo o clero e o povo, dedicando-se aos necessitados e favorecendo a vida monástica. Sobretudo fortaleceu na fé os católicos fiéis.
Em um novo concílio, em Milão, em 356, os arianos obtiveram que Santo Atanásio fosse mais uma vez exilado. Ele retirou-se então para o deserto do alto Egipto, levando uma vida de anacoreta durante os seis anos seguintes, vivendo com os monges e dedicando-se a seus escritos.

Perseguição inclemente ao Santo

Com a subida de Juliano, o Apóstata, ao trono imperial, Atanásio pôde voltar, em 362, a Alexandria. Mas, pouco depois, ciumento do prestígio do Santo, o ímpio imperador mandou exilá-lo de novo. Não foi por muito tempo, pois Juliano faleceu no ano seguinte, depois de ter tentado restaurar no Império o paganismo. O novo imperador, Joviano, anulou o exílio de Atanásio, que voltou mais uma vez a Alexandria.
Favorecido com a boa vontade do novo Imperador, o patriarca pensava desta vez poder dedicar-se inteiramente às suas ovelhas. Joviano, entretanto, faleceu no ano seguinte, e Atanásio foi mais uma vez exilado. Conta-se que teve de refugiar-se durante quatro meses no túmulo de seu pai.
O povo de Alexandria não podia passar sem seu zeloso pastor. Recorreu nessa ocasião a Valente, irmão do Imperador ariano Valentiniano, e obteve que Atanásio pudesse voltar em paz à sua igreja.
Assim, depois de uma vida tão tumultuada e de tantos perigos, Santo Atanásio, como ressalta o Breviário Romano, "morreu em paz em seu leito", no dia 18 de janeiro de 373. Havia governado, com intervalos, durante 46 anos, a igreja (diocese) de Alexandria.

O grande iluminador

"`No carácter de Atanásio — disse Bossuet — tudo é grande'Toda sua vida é a revelação de uma energia prodigiosa, que só encontramos em épocas decisivas. Indiscutivelmente, sua grandeza como homem o coloca na primeira linha dos caracteres mais admiráveis que produziu o género humano. Como escritor e Doutor, pôde ser chamado o grande iluminador, e coluna fundamental da Igreja"[5].
Plínio Maria Solimeo

[1] Fr. Justo Perez de Urbel, OSB, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, 3ª. edição, vol. II, p.253.
[2] D. Próspero Guéranger, El Año Litúrgico, Ediciones Aldecoa, Burgos, 1956, tomo III, p. 758.
[3] Les Petits Bollandistes, p. 239.
[4] The Catholic Encyclopedia, Online Edition.
[5] Fr. Justo Perez de Urbel, op. cit., p. 267.

MAFALDA DE PORTUGAL Rainha, Religiosa, Beata 1197-1257

Mafalda de Portugal, era filha do segundo rei português, D. Sancho I e de sua esposa Dona Dulce de Barcelona. Nasceu em Coimbra por volta de 1197 e foi a Ultima filha da família real de Portugal.
Em 1215, contando apenas dezoito anos, casou com Henrique I de Castela, ainda menor, o qual faleceu pouco depois em 1217. Este casamento que não tinha sido consumido, foi anulado pelo Papa em 1216.
Por disposição testamentária de seu pai, Mafalda devia receber em hirança o Castelo de Seia, assim como os rendimentos deste, “podendo usar o título de rainha, enquanto senhora desse mesmo castelo; recebia também o mosteiro de Bouças”.
Como no caso de sua irmã Sancha, esta situação causou problemas com seu irmão Afonso, então rei de Portugal, “que desejando centralizar o poder, obstou à prossecução do testamento do pai, impedindo a infanta-rainha de receber os títulos e os réditos a que tinha direito - de facto Afonso II temia que esta pudesse passar a eventuais herdeiros o vasto património que o testamento lhe legava, criando assim um problema à soberania do rei de Portugal e dividindo quase o país ao meio”.
Esta contendo só se terminou com a morte de Afonso II e a subida ao trono de Portugal de seu filho D. Sancho II, o qual “resolveu o problema, concedendo os rendimentos dos castelos às tias, nomeando os seus alcaides de entre os nomes que estas propusessem, pedindo-lhes apenas que renunciassem ao título de rainhas - assim se estabeleceu enfim a paz no reino, em 1223”.
Mais tarde, tornou-se monja cisterciense, e fundou a abadia de Arouca. Faleceu no mosteiro de Rio Tinto, nas proximidades do Porto. Quando o seu corpo foi mais tarde exumado para ser trasladado para a abadia de Arouca, foi descoberto incorrupto, o que gerou uma onda de fervor religioso em torno do corpo da infanta.
Este fervor continuou pelos séculos adiante e, em 27 de Junho de 1793, Mafalda de Portugal foi beatificada pelo Papa Pio VI, acompanhando assim nas honras dos altares, suas duas irmãs: Teresa e Sancha.
Afonso Rocha

JOSÉ MARIA RUBIO Jesuíta, Santo 1864-1929

Veio ao mundo em Dalías (Almeria) no dia 22 de Julho de 1864. Dele disse o seu avô materno: “Eu morrerei, mas quem viver verá que este menino será um homem importante e que valerá muito para Deus”.
Frequentou a escola da freguesia natal e manifestava o gosto de ler as vidas dos santos. Um seu tio, Cónego, mandou-o estudar num Instituto de Bacharelato, mas descobrindo nele sinais de vocação sacerdotal, enviou-o para o Seminário diocesano de Almeria. No Seminário de São Cecílio de Granada havia de terminar os estudos de filosofia, teologia e direito canónico. Foi ordenado no Seminário diocesano da Imaculada Conceição e de São Dâmaso, de Madrid, no dia 24 de Setembro de 1887, tendo sido incardinado nesta diocese. Na Capela da Virgem do Bom Conselho, na Catedral de Santo Isidro, celebrou a sua primeira Missa em 8 de Outubro seguinte. Em Toledo, obteve a Licenciatura em Teologia, em 1888, e Direito Canónico, em 1897. Pela manhã, entrava na igreja para rezar, dedicava-se à catequese das crianças e a todos impressionava pela sua austeridade, pobreza e caridade para com os pobres.
Enquanto desenvolvia várias actividades de carácter diocesano, não deixava de atender as pessoas no confessionário, catequese, "escolas dominicais", ao mesmo tempo que se dedicava a acompanhar diversos grupos em necessidade espiritual.
Peregrinou a Roma e à Terra Santa, deixando-se impressionar de modo especial pelos túmulos de Pedro e Paulo e Santo Sepulcro e Calvário.
Admirando de modo particular a Companhia de Jesus e chamando-se a si mesmo “Jesuíta por afeição”, entrou no noviciado da Companhia em Granada e fez os primeiros votos em 12 de Outubro de 1908; trabalhou depois em Sevilha, onde desenvolveu grande actividade apostólica; depois de três anos em Manresa (Barcelona), voltou a Madrid onde, em 2 de Fevereiro de 1917, emitiu os votos perpétuos.
Madrid foi o seu novo campo de apostolado, sendo procurado por muita gente, que atraía pelas suas pregações, porque vivia o que pregava. O seu lema era: “Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”.Organizou e orientou diversas missões populares em Madrid. Quis fundar um instituto, “Os Discípulos de São João”, mas foi impedido de o fazer, aceitando a proibição com estas palavras: “não procuro outra coisa além do cumprimento da santíssima vontade de Deus”.
Gozava de dotes místicos e de graças espirituais sobrenaturais, da profecia e da visão. Armavam-lhe ciladas para o apanharem em situações difíceis, mas acabava por impressionar a todos, mesmo os que o queriam ver envolvidos em escândalos e inquietações. Foi formador de muitos cristãos que sofreram o martírio no tempo da perseguição religiosa.
Pressentiu a sua morte e despediu-se dos seus amigos. Debilitado na sua saúde pelo imenso trabalho realizado, foi transferido para Aranjuez, para aí repousar. Mas tudo estava para terminar e José Maria exclamou: “Senhor, se queres levar-me agora, estou preparado”. Faleceu em 2 de Maio de 1929. Em Madrid, todos diziam: “morreu um santo”. Por isso, milhares de pessoas acorreram ao seu funeral; os seus restos mortais foram trasladados para a casa Professa de Madrid, em 1953.
João Paulo II beatificou-o em 6 de Outubro de 1985, em cerimónia celebrada em Roma.
Canonizado em Madrid, onde desenvolveu grande parte do seu ministério e acção sacerdotais e pastorais, no dia 4 de Maio de 2003, pelo mesmo Pontífice, João Paulo II.

VILMOS APOR Bispo, Mártir, Santo (1892-1945)

Vilmos Apor nasceu a 29 de Fevereiro de 1892, em Segesvár, filho de uma nobre família húngara. O paimorreu quando ele era muito pequenino, e foi a mãe que o educou com profundo fervor religioso. Completados os estudos no Liceu dos jesuítas, decidiu entrar no Seminário e depois frequentou a Universidade Católica de Innsbruck (Áustria), onde obteve o doutoramento em Teologia.
Recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 24 de Agosto de 1915, incardinando-se na diocese de Nagyvárad, onde iniciou o ministério como vice-pároco em Gyula; durante a guerra foi capelão militar por um breve período. Tendo retornado a essa localidade, foi nomeado pároco e realizou o seu ministério com profunda sabedoria e zelo pastoral: dedicou-se à formação dos jovens, criando para isto um colégio, e à assistência aos pobres, contando com a ajuda de várias Congregações religiosas.
Em 21 de Janeiro de 1941, Pio XII nomeou-o Bispo de Györ, tendo recebido a Ordenação episcopal a 24 de Fevereiro daquele mesmo ano. O seu zelo pastoral ampliou-se em favor de todo o rebanho: cuidou da formação e união do clero, fortaleceu a educação moral e religiosa da juventude, promoveu o apostolado dos leigos e aumentou a sua caridade para com os pobres e necessitados. Com vigor tomou posição em defesa das vítimas da injustiça, sobretudo contra as leis raciais.
Em 1945 um soldado russo atirou nele porque defendia a integridade física de um grupo de mulheres, que se tinham refugiado na residência episcopal. Atingido na cabeça, na mão e no estômago, foi logo socorrido e levado para o hospital a fim de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, porém, não resistiu por muito tempo. Deu graças a Deus por ter aceite o seu sacrifício em favor daquelas mulheres que saíram ilesas do cerco militar, e as suas últimas palavras foram de prece pelos sacerdotes, fiéis e povo húngaro. Morreu no dia 2 de Abril de 1945, confiando a sua alma à misericórdia de Deus. Foi sepultado na cripta da igreja dos carmelitas, e o seu confessor pediu às autoridades eclesiásticas que imediatamente se abrisse o processo de beatificação, pois o Bispo era verdadeiramente um santo e mártir. Hoje, os restos mortais de D. Vilmos encontram-se na capela Hédervári da Basílica de Györ, onde é venerado por muitos fiéis.
A 7 de Setembro de 1996, por ocasião da sua segunda visita pastoral na Hungria, também João Paulo II foi àquela capela para orar pelo Bispo mártir.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 2 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
2 – Segunda-feira – Santos: Atanásio, Zoé, Germano 
Evangelho (Jo 15,26-16,4a) “Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.” 
Pouco antes Jesus dissera que seus discípulos enfrentariam dificuldades e perseguições, e seriam rejeitados pelo mundo, isto é, pelo conjunto das forças do mal. Para confirmá-los, para que não duvidem que de fato venceu  o mal, eles terão a presença do Espírito, da força de Deus. Assim, eles também, por sua vida, mostrarão para todos o poder de Jesus, e como é bom viver com ele. 
Oração
Senhor Jesus, que o Defensor, o Espírito da Verdade tome conta de nós, ilumine e fortaleça, para vos anunciar com palavras e com a vida. As dificuldades são grandes, e por nós mesmos não podemos cumprir a missão que nos destes. Que o Espírito nos dê coragem e alegria, prudência e sabedoria para encontrar os meios mais aptos para chegar ao coração de cada pessoa. Amém.

domingo, 1 de maio de 2016

1° DE MAIO – JOSÉ, TRABALHADOR RESPONSAVEL

José operário!
Quanta honra para os trabalhadores ter São José como seu patrono! Ouvindo Jesus falar com tanta sabedoria, os ouvintes comentavam entre si: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?” Isso mostra que S. José era um profissional, um homem que amava o trabalho. Demonstra também que seus ouvintes tinham certo preconceito contra a profissão de carpinteiro, tida como humilde e pouco reconhecida. Dia do trabalhador! Além de garantir o sustento nosso e da nossa família, o trabalho nos dignifica, nos realiza e desenvolve nossas qualidades. O trabalho afasta a ociosidade. A sociedade deve se organizar de tal modo que todos tenham oportunidade de trabalhar. O desemprego é um pecado social. É triste ver tanta gente procurando trabalho. Por outro lado há os que pegam dois ou mais empregos, deixando os outros sem nada. A organização de cooperativas e de sindicatos é um excelente recurso de que os trabalhadores dispõem para defender seus direitos. Queremos homenagear todos os trabalhadores e trabalhadoras, sem exceção. Do faxineiro ao prefeito da cidade, da professora à funcionária doméstica, do proprietário da terra ao seu empregado rural. Parabéns a você, trabalhador ou trabalhadora, pelo seu dia!
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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POR CAUSA DE UMA AVE MARIA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
Nova York em agosto de 1980. Jim Lacey, famoso ladrão de carros, arrombou um Ford último tipo, pegou tudo o que podia e foi para sua sórdida mansarda. Havia objetos de valor e muitas partituras de música. Deveria ter pertencido a um regente de orquestra. Foi logo vender o que podia, depois voltou para o barraco e ajuntou o monte de papeis de música a fim de jogar no lixo. Deteve-se em duas folhas que lembraram sua infância inocente: 
Uma “ Ave Maria” e um hino que terminava assim: 
“Senhor, que amigo poderia ser comparado a ti?!” 
Estas duas partituras mudaram sua vida. Os jornais publicaram o roubo e o diretor de orquestra orou muito esperando recuperar pelo menos as folhas, pois faziam parte do concerto que iria reger alguns dias depois. Certo dia o regente ele estava na igreja de S. Francisco em Nova York , quando recebeu um recado do sacristão: 
- Aquele homem ajoelhado no altar de Santo Antônio quer falar com o senhor. 
Era o famoso salteador Jim Lacey. Queria entregar-lhe um dinheiro e um monte de folhas musicais: 
- Peço perdão. Já fiz minha confissão. Desde aquele dia nunca mais pratiquei um roubo. Agora pode denunciar-me. 
O músico estendeu-lhe a mão em sinal de amizade. A amizade continuou através de cartas. Tudo por causa de uma “ Ave Maria’’ que escutou quando menino inocente.

Homilia do 6º Domingo da Páscoa (01.05.16)“Morada de Deus”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
O templo é o Senhor!
Estamos chegando ao final do Tempo Pascal. Foi uma catequese sobre a vida da Igreja que é a reunião dos redimidos, fruto precioso da Ressurreição. O Mistério de Cristo é uma unidade. Não acontece por partes. Cada momento nos traz todo Mistério Pascal sob um aspecto. A Igreja da terra se espelha na Igreja celeste e, guiada pelo Espírito, se faz sempre mais esposa para seu Senhor, sem ruga e sem mancha (Ef 5,27), vivificada pelo mesmo Espírito. No livro do Apocalipse João narra a visão que teve da Jerusalém celeste, a Igreja gloriosa com seu Senhor. Não é a Terra que ensina como deve ser o Céu. Nós é que aprendemos do Céu.  João diz, com certa admiração, que não viu templo na cidade celeste. Entendeu que seu templo é o Senhor Todo Poderoso e o Cordeiro, o Cristo. Jesus disse à samaritana que os verdadeiros adoradores adorariam em espírito e verdade (Jo 4,24), isto é, em Cristo e no Espírito. Não há necessidade de templos. Não temos templos como os judeus ou pagãos tinham. As igrejas são lugares onde se manifesta o sacramento da unidade que se realiza na fé e no amor. Sendo o Céu o espelho para a terra, a visão é um chamado para encontrarmos Deus onde estivermos. O Espírito ensina tudo o que Jesus nos transmitiu. Ele realiza em nós o amor que constrói a unidade. Amando o Pai e guardando a palavra de Jesus, Pai, Filho e Espírito permanecem conosco. Assim se constrói a paz e a segurança. Os mistérios, isto é, os sacramentos celebrados, são a expressão das coisas do alto que alimentam nossa caminhada. Corresponder aos sacramentos (oração), é ser morada de Deus (Jo 14,23).
Construindo a comunidade
             A construção da comunidade humana tem seu início na escuta e obediência à Palavra de Deus. Este é o sinal claro do amor que temos a Deus. É garantia também da presença de Deus em nós: “Se alguém me ama guardará minha palavra e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele nossa morada” (Jo 14,23). A Palavra será ensinada à comunidade. O Espírito Santo ensinará e recordará o que Jesus ensinou e a Igreja da terra aprende da Igreja celeste a não restringir seu relacionamento com Deus ao templo, à igreja material. Como somos templos do Espírito Santo (1Cor 3,16), onde estivermos entramos no templo de Deus. A fé cristã é primeiramente espiritual, depois se criam as estruturas que devem ajudar o espiritual e não dominá-lo. A preocupação maior não deve ser os aspectos humanos, mas conduzir estes a se aperfeiçoarem pela Palavra e pela obediência da fé, formando assim a comunidade. Às vezes agimos somente sob o aspecto humano, deixando fora o Espírito Santo.
Comunidade de irmãos
            Os inícios da vida da Igreja foram maravilhosos, mas não deixaram de ter problemas, pois, mesmo crendo em Jesus, houve choque entre cristãos vindos do judaísmo e cristãos vindos do paganismo. Eram dois mundos diferentes. Estes não conheciam a lei judaica. Os judeus cristãos seguiam também a lei judaica e queriam impô-la aos pagãos. Reunidos no Espírito tiveram a grande abertura em deixar Deus agir nos povos pagãos para que construíssem o modo de ser Igreja de acordo com suas culturas. Foi um passo grande, sem deixar fora as riquezas da História da Salvação transmitidas pelo povo da Aliança. O Espírito vivificou os cristãos vindos do paganismo. Somos herdeiros desta fé. O templo de Deus resplandece por toda terra e todos podem adorá-Lo em espírito e verdade.
Leituras: Atos 15,1-2.22-29; Salmo 66; Apocalipse 21,10-14.22-23;João 14,23-29 
1.      A Igreja terrestre se espelha na Igreja celeste. Guiada pelo Espírito, se faz sempre mais esposa sem ruga nem mancha. No Céu não há templo. Os templos da Igreja manifestam a unidade que se realiza na fé e no amor. 
2.     A construção da comunidade tem seu início na escuta e obediência à Palavra. Este é o sinal claro do amor que temos a Deus e de sua morada em nós. 
3.     A comunidade da Igreja, na sua condição humana, passa por questões nas quais somente o amor é a solução. A fé e o amor fazem a Igreja livre para crescer nas condições humanas.            

            Morando em três casas

             As leituras do sexto domingo da Páscoa nos ensinam que moramos em três casas ao mesmo tempo: Na primeira leitura vemos os problemas da casa da terra, a comunidade com seus dons e dificuldades. É a casa de sapé que pega fogo com facilidade.
Depois o Apocalipse mostra a casa lá de cima, o Céu, feita de pedras preciosas. E no evangelho Jesus ensina sobre a casa feita de amor, que é a casa do coração: “Aquele que me ama, guarda minhas palavras, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele fazemos morada (Jo 14,23).
Na casa futura, na Jerusalém Celeste, não há templo, pois Deus é o templo. Não temos necessidade de templos, pois estaremos em sua presença. Não precisamos de mediações. Deus é a luz.
A comunidade da terra é cheia do Espírito de Deus e do espírito humano. É necessário procurar o Espírito de Deus e encaminhar assim as condições humanas. O espírito humano, nossas condições, tem que se guardar a Palavra e ouvir o Espírito que ensina todas as coisas.


EVANGELHO DO DIA 1 DE MAIO

Evangelho segundo S. João 14,23-29.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja - Sermão 27, 8-10 
«Viremos a ele e nele faremos a nossa morada.»
«O Pai e Eu», dizia o Filho, «viremos a casa dele, quer dizer, a casa do homem que é santo, e iremos morar junto dele.» E eu penso que era deste céu que o profeta falava quando dizia: «Tu habitas entre os santos, Tu, a glória de Israel» (Sl 21,4 Vulg). E o apóstolo Paulo afirmava claramente: «Pela fé, Cristo habita nos nossos corações» (Ef 3,17). Não é, pois, de surpreender que Cristo Se deleite em habitar nesse céu. Enquanto para criar o céu visível Lhe bastou falar, para adquirir esse outro céu teve de lutar, morreu para o resgatar. É por isso que, depois de todos os seus trabalhos, tendo realizado o seu desejo, Ele diz: «Eis o lugar do meu repouso para sempre, é ali a morada que Eu tinha escolhido» (Sl 131,14). [...] 
Agora, portanto, «porque te desolas, ó minha alma, e gemes sobre mim?» (Sl 41,6) Pensas encontrar em ti um lugar para o Senhor? Que lugar em nós é digno de tal glória? Que lugar chegaria para receber a sua majestade? Poderei ao menos adorá-Lo nos lugares onde se detiveram os seus passos? Quem me concederá ao menos poder seguir o rasto de uma alma santa «que Ele escolheu para seu domínio»? (Sl 31,12) 
Possa Ele dignar-Se derramar na minha alma a unção da sua misericórdia, para que também eu seja capaz de dizer: «Corro pelo caminho das tuas vontades, porque alargaste o meu coração» (Sl 118,32). Poderei talvez, também eu, mostrar-Lhe em mim, senão uma grande sala toda preparada, onde Ele possa comer com os seus discípulos (Mc 14,15), pelo menos um lugar onde possa reclinar a cabeça (Mt 8,20).

JOSÉ OPERÁRIO Esposo de Maria, Pai adoptivo de Jesus Santo

Basta traçar um paralelo entre a vida cheia de sacrifícios de são José, que trabalhou a vida toda para verNosso Senhor Jesus Cristo dar a vida pela humanidade, e a luta dos trabalhadores do mundo todo, pleiteando respeito a seus direitos mínimos, para entender os motivos que levaram o papa Pio XII a instituir a festa de “São José Trabalhador”, em 1955, na mesma data em que se comemora o dia do trabalho em quase todo o planeta.
Foi no dia 1o de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.
São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.
Proclamando são José protector dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adoptivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.
Muito acertada mais esta celebração ao homem “justo” do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada.

COMBA DO ALENTEJO Mártir, Santa († 300)

São três as santas portuguesas conhecidas com este nome: 
Santa Comba do Alentejo,Santa Comba de  Coimbra, Santa Comba de Trás-os-Montes. 
Segundo os hagiológios, celebra-se hoje Santa Comba do Alentejo.
Nenhum documento há, com valor histórico, sobre a vida desta santa. Diz Jorge Cardoso que foi martirizada em Tourega, perto de Évora, durante a perseguição de Diocleciano. Depois de Santa Comba ter sido decapitada, sua irmã Anominata, que esteve presa com ela, recebeu a permissão de se ausentar para fugir ao martírio.
Sabendo disto S. Jordão, irmão de ambas, que era ao tempo bispo de Évora, foi logo em procura de Anominata e, achando-a na serra do Espinheiro, repreendeu-pela sua inconstância e pouca fé, levando-a a oferecer-se ao martírio.
Dizia a tradição que, no lugar do seu martírio, rebentou uma fonte de água cristalina, que era levada a várias partes do Reino, operando muitos milagres.
Cf. José Leite, SJ.

S. JEREMIAS Profeta († por meados do séc. VI a.c.)

Jeremias, era natural de Anatot, pequena cidade sacerdotal que ficava a hora e meia de caminho para o Norte de Jerusalém. Nasceu pelo ano de 645 antes de Cristo. Seu pai chamava-se Helcias, como ele mesmonos diz no prólogo da sua profecia. Divergem os críticos sobre quem seja este Helcias; uns querem que seja o sumo sacerdote que eficazmente cooperou com Josias na reforma religiosa de Judá.Esta identificação parece pouco provável, visto esse pontífice ser da família de Eleázar, enquanto os sacerdotes de Anatot pertenciam ao ramo deItomar. Como quer que seja, Jeremias devia ter ouvido na sua terra natal, tão próxima de Jerusalém, os clamores contra a idolatria e contra as crueldades de Manassés e de seu filho Amós, rei de Judá. Foi educado pelo pai no respeito à lei e na obediência às tradições moisaicas; estudou com particular cuidado as Sagradas Escrituras, os oráculos dos profetas, principalmente Isaías eMiqueias, como se vê dos seus próprios escritos, que reproduzem citações quase textuais. Presenciou os esforços empregados por Josias para restabelecer na sua primitiva pureza a religião moisaica, o que lhe causou profunda impressão e lhe avivou o desejo de contribuir para o ressurgimento do moisaísmo,tão decadente nos seus tempos.
Ainda na juventude, travou estreitas relações com a família de Neerias, filho de Maasias, governador de Jerusalém no seu tempo e cooperador de Helcias e de Safán nas reformas de Josias. Mais tarde, os dois filhos de Neerias, Baruc Saraías, foram discípulosde Jeremias.
Os seus escritos mostram-nos que era dotado duma acrisolada piedade, duma hu­mildade profunda, muito impressionável, abrasado no amor de Deus e entusiasta pela felicidade da pátria. Piedade e patriotismo; estas duas palavras resumem o seu carácter.
Assistiu às desgraças que profetizara: tomada de Jerusalém e deportação dos Ju­deus para Babilónia (589-587). Não seguiu os compatriotas para o exílio (587-538). Julga-se que se refugiou no Egipto e que lá morreu.
Não era homem para a luta; evitava a ostentação, fugindo de se pôr em evidência; a nota primacial do seu modo de ser era o amor, a dedicação. Lutava chorando; as armas de que se servia nos seus combates eram os queixumes, os mais amoráveis.
A sua vida foi uma profecia viva da paixão e morte de Jesus Cristo. Mas Jeremias não foi somente a figura de Jesus Cristo; profetizou explicitamente o nascimento, paixão e morte na cruz do Messias, e o estabelecimento da Igreja pelos Apóstolos.
Santo Epifânio refere que os fiéis costumavam ir ao seu sepulcro fazer oração, e com o pó que dele recolhiam saravam as mordeduras de áspides.
Cf. Pe. José Leite, SJ.

PEREGRINO LAZIOSI Servita e Santo 1265-1345

Peregrino pertencia à família dos nobres Laziosi. Nasceu na cidade de Forli, no norte da Itália, no ano 1265.Cresceu em meio a uma população conhecida pelo espírito reacionário e anárquico. Tornou um jovem idealista, de caráter intempestivo, recebendo o apelido de “furacão”.
Certa ocasião, ocorreu um incidente grave num dos tumultos populares freqüentes, porque a população se dividia entre os que apoiavam as ordens do papa e os que preferiam seguir as do imperador germânico. Foi quando a cidade recebeu um interdito do papa Martino IV, como castigo pelas desordens e atitudes rebeldes. Houve séria reação entre as partes. Para acalmar os ânimos, o papa pediu ao superior geral dos servitas, futuro são Filipe Benicío, que estava no mosteiro da cidade, para agir em seu nome e apaziguar os fiéis.
Era uma tarefa delicada. Filipe, então, usando o púlpito da igreja, fez um discurso fervoroso solicitando a todos que obedecessem ao sumo pontífice. Foi quando um grupo liderado por Peregrino, então com dezoito anos, o ameaçou de agressão. O jovem foi mais longe, chegando a dar-lhe um tapa no rosto. Filipe aceitou a ofensa. Depois, Peregrino, mobilizando a população com gritos, fez com que fosse expulso da cidade.
Filipe saiu humilhado, mas rezando firmemente pela conversão dos agitadores e principalmente pelo jovem agressor. Deus ouviu sua prece. Peregrino, caindo em si, sentiu arrependimento, vergonha e remorso. Ficou tão angustiado que, dias depois, foi procurar Filipe, para, prostrando-se a seus pés, pedir perdão.
Naquele instante, Peregrino estava convertido realmente. Mais tarde, aos trinta anos, ingressou na Ordem dos Servos de Maria, os servitas, como irmão penitente. A tradição diz que foi o próprio Filipe que entregou o hábito a Peregrino. Mas o certo foi que ele enviou o arrependido agressor para fazer o noviciado em Sena. Só depois voltou para Forli, onde, no mosteiro, exerceu o apostolado do bem semeando a paz.
Peregrino distinguiu-se pela obediência ao regulamento, pela penitência e mortificação. Durante trinta anos, cumpriu uma penitência imposta a si mesmo: ficava sempre em pé, nunca se sentava. Quando atingiu os sessenta anos de idade, devido a isso, tinha uma ferida cancerosa na perna direita, causada por varizes.
Era tão grave seu estado de saúde, que o médico receitou a amputação da perna, para salvar sua vida. Porém, na véspera da operação, Peregrino acordou, subitamente, no meio da noite e sentiu que devia ir rezar na capela diante de Jesus Crucificado. Assim fez: com muito esforço para caminhar, ajoelhou-se e rezou com fervor pedindo que Cristo lhe concedesse a graça da cura. Foi envolvido por um êxtase contemplativo tão profundo que viu Jesus descer da cruz e tocar sua ferida. Uma vez refeito da visão, voltou para o leito e adormeceu. Na manhã seguinte, o médico constatou que havia ocorrido um milagre. Peregrino estava sem nenhuma ferida, Jesus o havia curado.
O milagre só fez aumentar a veneração que os habitantes da cidade já lhe dedicavam. Peregrino morreu no primeiro dia de maio de 1345, vítima de uma febre. Durante seus funerais, dois milagres ocorreram e foram atribuídos à sua intercessão. Seu culto se estendeu pelo mundo todo rapidamente, pois os fiéis recorrem a ele como padroeiro dos doentes cancerosos.
Em 1726, foi canonizado pelo papa Bento XIII, sendo o dia de sua morte o indicado para celebrar a sua memória, quando também se comemora são José, Operário. Por isso sua festa pode ocorrer nos primeiros dias do mês de Maria. A relíquia do manto de são Peregrino Laziosi é conservada à veneração dos fiéis brasileiros na igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

RICARDO PAMPURI Hospitalário, Santo 1897-1930

Em 1897, No dia 2 de Agosto, nasce em Trivolzio (Pavia) o décimo e penúltimo filho de Inocente Pampuri eÂngela Campari. Foi baptizado no dia seguinte com o nome de Hermínio Filippo. Matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Pavia em 1915, mas a 1 de Abril de 1917 inicia o serviço militar, sendo enviado três meses depois para a frente de combate, agregado aos serviços de saúde.
No dia 6 de Julho de 1921 alcança a licenciatura em Medicina, com a máxima classificação. Participa numa peregrinação a Lurdes, na companhia dos tios, com paragem em Paray-le-Monial e em Ars. Cresce a ideia de seguir a vida religiosa, com o auxílio do P. Ricardo Beretta, seu conhecido desde 1923.
A 6 de Junho de 1927 pede ingresso na Ordem Hospitaleira de São João de Deus. No dia 22 de Junho entra na Ordem como postulante e no dia 21 de Outubro ingressa no noviciado e toma o nome de Ricardo. Faz os votos temporários no dia 24 de Outubro de 1928. É encarregado do gabinete de dentista.
Em Agosto de 1929 agravam-se as suas condições de saúde. Morre em Milão, no dia 1 de Maio de 1930, com 32 anos. No dia 4 realiza-se o funeral.
É aberto o processo de canonização em 1949. Os restos mortais de Fr. Ricardo são exumados e transferidos para a igreja paroquial de Trivolzio em 1951. No dia 4 de Outubro de 1981 é declarado Beato. A 1 de Novembro de 1989 é inscrito no catálogo dos Santos. 

CRONOLOGIA DA VIDA DE SÃO RICARDO

1897: Erminio Pampuri nasce em Trivolzio, na província de Pavia (Itália), em 2 de agosto.
1900: Sua mãe morre e ele tem que se mudar para a casa do avô materno, em Torrino, perto da cidade natal.
1915: Depois de ter terminado o ensino médio no Colégio Santo Agostinho de Pavia, se inscreve na Universidade de Pavia no curso de Medicina e Cirurgia.
1917: Com o advento da Primeira Guerra Mundial, precisou interromper os estudos. De fato, foi alistado e designado ao hospital de campo em Malonno, em Val Canonica, na província de Brescia.
1921: Inscreve-se na Terceira Ordem de São Francisco. Em julho faz os votos plenos e começa a exercitar a profissão de médico municipal em Morimondo.
1925: Erminio conhece padre Ricardo Beretta, sacerdote que se tornará determinante nas suas escolhas futuras. Ele o apresenta, dois anos mais tarde, a padre Zaccaria Castelletti, administrador dos Irmãos de Caridade da Província lombardo-vêneta. Graças a este encontro, Pampuri deixa Morimondo para se instalar na Casa dos Irmãos de Caridade de Milão.
1927: Em julho, deixa a casa de Milão para transferir-se ao hospital Santa Úrsula, de Brescia. Em outubro do mesmo ano, começa o noviciado em Brescia para entrar na Ordem Hospitaleira de São João de Deus (Irmãos de Caridade), assumindo o nome de frei Ricardo.
1928: Faz os votos religiosos com a Profissão simples.
1929: Com a saúde frágil, contrai uma pleurite. Os seus superiores o enviam, por isso, a Gorizia, para se recuperar.
1930: Aparentemente restabelecido, volta a Brescia. Mas o mal se manifesta novamente e é levado a Milão. Morre no dia 4 de maio.
1954: É aberto o processo de canonização no Tribunal Eclesiástico de Gorizia por uma cura dita milagrosa.
1962: No mesmo processo é acrescentado o relato de um nova cura milagrosa no Tribunal Eclesiástico de Milão.
1978: No dia 12 de junho o Santo Padre Paulo VI declara Venerável o Servo de Deus Frei Ricardo Pampuri.
1981: Em 30 de março, João Paulo II proclama o Decreto que aprova os dois milagres apresentados para a beatificação. O primeiro foi a cura do senhor Adeodato Comand "relativamente instantânea, duração perfeita, não explicável naturalmente quoad modum", ocorrida em 18 de maio de 1952. O segundo milagre foi a cura do senhor Ferdinando Michelini em 16 de setembro de 1959, "extraordinariamente rápida, completa e duradoura, não explicável quoad modum", da "peritonite aguda generalizada". Em 4 de outubro do mesmo ano, João Paulo II proclama Beato o Venerável Frei Ricardo Pampuri.
1989: No dia 1º de novembro é canonizado por João Paulo II. O milagre apresentado para a canonização foi a cura de um rapaz espanhol de dez anos com a restauração da visão do olho esquerdo, fato não explicável pelos conhecimentos médicos.

ORAÇÃO A SÃO RICARDO

São Ricardo,
caminhaste tempos atrás
pelas ruas da nossa terra,
rezaste no silêncio das nossas igrejas,
serviste com amor e inteligência
aos doentes nas nossas casas,
foste acolhedor
para com todas as pessoas que te procuraram.
Hoje, como naquele tempo os teus doentes,
eu também te procuro
e dirijo-me a ti
para que me ajudes a ter a cura
do corpo e do espírito
e obtenha-me do Senhor
a tua mesma fé.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1– 6ºDomingo da Páscoa – Santos: José Operário, Grata, Andéolo

Evangelho (Jo 14, 23-29) “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.”

Jesus estava a se despedir de seus discípulos, com palavras carregadas de emoção. Interrompendo-o, “Perguntou-lhe Judas, não o Escariotes: ─ Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” (v. 22). E a resposta de Jesus foi a que lemos acima. Judas e os outros pensavam numa manifestação, quem sabe, como a do Monte Sinai, demonstração de força e poder. A manifestação de Jesus como salvador é diferente: é encontro dele com cada um de nós. Ele se apresenta a nós, toca-nos no mais íntimo, e convida-nos a estabelecer uma aliança de amor e amizade com ele.Se aceitamos sua aliança, passamos a viver como ele nos ensina. E Jesus destaca que assim entramos a participar da comunidade divina da Trindade, porque o Pai nos acolhe em seu amor. 
Oração

Senhor Jesus, aceito a aliança que me ofereceis, quero estar em tudo unido a vós, participando de vosso jeito de ser. Quero colocar-vos em primeiro lugar em minha vida, acima de tudo e de todos. Para isso preciso que tomeis conta de meu coração, para que vos possa amar como quereis e mereceis, pois, por mim mesmo vivo preso às ilusões e ao egoísmo. Ensinai-me a pensar como vós, a querer o que quereis. E dai-me a ajuda necessária para viver como ensinais. Perdoai-me, Senhor Jesus, porque ainda não vos amo como deveria. Libertai-me de tantos apegos que me impedem de vos seguir. Vivo ainda muito preso a mediocridades e, para dizer a verdade, tenho medo de me entregar completamente a vós. Só vós me podeis salvar de mim mesmo. Amém.