A história de Samuel, primeiro profeta e último Juiz de Israel, é narrada no primeiro livro da Bíblia, que traz seu nome. Nascido por volta de 1070 a.C., era destinado ao sacerdócio. O Senhor lhe apareceu e lhe pediu para ungir, antes, Saul e, depois, o rei Davi, de cuja estipe nasceu Jesus.
(*)Rama, Palestina, 1070 a.C.
(+)cerca de 1012 a.C.
Samuel ocupa uma posição fundamental na história bíblica de Israel. Sua figura marca a transição da antiga organização tribal para a monarquia, e ele combina três funções em uma só pessoa: profeta, juiz e líder religioso do povo. Sua história é narrada principalmente nos primeiros capítulos do Primeiro Livro de Samuel, onde ele aparece primeiro como o filho esperado e consagrado a Deus por sua mãe Ana, depois como o jovem que ouve o chamado divino no santuário de Siló e, finalmente, como o homem através do qual Israel entra na era da monarquia. Samuel unge Saul como o primeiro rei de Israel, mas posteriormente denuncia sua desobediência e anuncia a rejeição de Deus ao seu reinado. Mais tarde, em obediência a Deus, ele viaja para a casa de Jessé em Belém e unge secretamente Davi, o mais novo de seus filhos. Sua missão torna-se, portanto, crucial para a história subsequente de Israel e, na leitura cristã, para a genealogia que leva a Cristo. A Igreja o celebra em 20 de agosto como um profeta do Antigo Testamento.
Etimologia: Do hebraico Shemu'el, geralmente interpretado como 'Deus ouviu' ou 'perguntou a Deus'.
Emblema: Profeta ancião com chifre de óleo, frequentemente representado ungindo Saul ou Davi.
Martirológio Romano: Comemoração de São Samuel, profeta que, chamado por Deus ainda criança e posteriormente tornado juiz em Israel, ungiu, por ordem do Senhor, Saul rei sobre o seu povo; e depois de Deus o ter rejeitado por sua infidelidade, ungiu também Davi, de cuja linhagem nasceria Cristo.
A narrativa bíblica apresenta Samuel através da história de seus pais, Elcana e Ana. Elcana era da região montanhosa de Efraim e viajava periodicamente a Siló para oferecer sacrifícios ao Senhor. Sua esposa, Ana, era estéril e sofria profundamente com sua condição. Durante uma de suas visitas ao santuário, ela orou fervorosamente, prometendo que, se tivesse um filho, o consagraria ao Senhor para toda a vida.
Sua oração foi atendida, e um menino nasceu, a quem Ana chamou de Samuel. O texto bíblico associa explicitamente o nome ao seu pedido a Deus. Após o desmame, Ana cumpriu sua promessa e levou seu filho para Siló, confiando-o ao sacerdote Eli para que permanecesse a serviço do santuário.
A narrativa também contém o famoso cântico de Ana, no qual o destino dos humildes e dos poderosos é reinterpretado à luz da ação de Deus. Esse tema se tornaria um dos temas subjacentes de toda a história de Samuel: Deus intervém na história e pode subverter as expectativas humanas.
Educação em Siló e o Chamado Profético
Em Siló, Samuel cresceu perto do santuário. O texto bíblico o apresenta servindo ao Senhor sob a orientação de Eli. Sua educação, portanto, ocorreu no principal centro de culto israelita da época.
O ponto de virada aconteceu durante a noite. Samuel ouviu uma voz chamando-o e, pensando ser Eli, visitou o sacerdote diversas vezes. Eli finalmente compreendeu que se tratava de um chamado divino e convidou o jovem a ouvi-lo.
A cena constitui uma das grandes histórias vocacionais do Antigo Testamento. Samuel respondeu colocando-se à disposição de Deus e recebeu uma mensagem particularmente difícil: a casa de Eli seria julgada por causa da conduta de seus filhos. O jovem, embora temeroso, compartilhou o que havia recebido com o sacerdote.
A partir daquele momento, Samuel foi gradualmente reconhecido como profeta. A história enfatiza que sua palavra ganhou autoridade em todo o Israel.
A Crise em Siló e a Vitória sobre os Filisteus
A história de Samuel se desenrola no contexto da difícil situação política e militar de Israel. Os filisteus representam uma ameaça constante, e os israelitas sofrem pesadas derrotas. Em uma batalha, a Arca da Aliança é capturada, e os filhos de Eli, Hofni e Fineias, são mortos.
Quando Eli recebe a notícia da captura da Arca, ele cai de seu assento e morre. A perda da Arca e a crise em Siló marcam o fim de uma era.
Samuel emerge então como o líder religioso do povo. Sua intervenção visa principalmente à conversão e ao retorno à adoração do Senhor. Em Mispá, ele reúne os israelitas e os convida a abandonar seus ídolos e renovar sua fidelidade a Deus.
Na história bíblica, quando os filisteus atacam os israelitas reunidos em Mispá, Samuel intercede junto ao Senhor. A vitória israelita é interpretada como resultado de intervenção divina. Um monumento comemorativo, chamado Eben-Ezer, é erguido em memória da ajuda recebida.
Samuel, Juiz de Israel.
O Primeiro Livro de Samuel atribui explicitamente a Samuel o papel de juiz. Ele exerce essa responsabilidade não como um governante dinástico, mas como um líder carismático e religioso.
O texto afirma que ele viaja anualmente pelo território, passando por Betel, Gilgal e Mispá, e então retorna a Ramá, onde reside e administra a justiça. Sua atividade demonstra claramente o caráter do judiciário israelita antes da monarquia.
Samuel representa, portanto, uma figura de transição. Ele é o último grande juiz na tradição bíblica e, ao mesmo tempo, o profeta por meio do qual a transição para a monarquia é preparada. Os estudos bíblicos enfatizam precisamente essa função de fazer a ponte entre duas formas diferentes de organização política e religiosa em Israel.
O Pedido por um Rei.
À medida que Samuel envelhece, ele enfrenta uma nova crise. Seus filhos, Joel e Abias, nomeados juízes, não seguem o exemplo do pai, e seu comportamento alimenta o descontentamento.
Os anciãos de Israel, então, pedem a Samuel que nomeie um rei capaz de governar o povo e liderá-lo militarmente.
O pedido apresenta uma ambivalência fundamental. Por um lado, surge da necessidade concreta de enfrentar inimigos e garantir uma liderança estável; por outro, da perspectiva teológica da narrativa, manifesta o desejo de Israel de adotar um modelo político semelhante ao das outras nações.
Samuel não atende ao pedido imediatamente. Após orar, ele recebe a orientação de Deus para prosseguir, mas também precisa explicar ao povo os riscos e as responsabilidades da monarquia.
A Unção de Saul
O primeiro rei escolhido por Samuel é Saul, da tribo de Benjamim. Sua nomeação é narrada por meio de vários episódios e momentos de reconhecimento público.
Samuel unge Saul com óleo, sancionando assim sua investidura real. Sua função, contudo, não termina com o nascimento da monarquia. O profeta continua a representar a palavra de Deus perante o soberano.
É precisamente essa relação entre profecia e poder político que constitui um dos aspectos mais significativos da figura de Samuel. O rei não é autônomo em relação à vontade divina: sua autoridade permanece sujeita a um julgamento superior.
O Conflito com Saul:
Após diversas vitórias militares, Saul desobedece às instruções recebidas. O caso mais notável diz respeito à guerra contra os amalequitas.
Samuel repreende severamente o rei e o informa que Deus rejeitou seu reinado. A história aqui apresenta um princípio que terá enorme importância na tradição bíblica: o rei não pode se considerar o senhor absoluto do povo, mas deve prestar contas a Deus.
O texto também relata um episódio particularmente duro, no qual Samuel mata Agague, rei dos amalequitas. Esta é uma passagem que deve ser lida no contexto dos conceitos bélicos do antigo Israel e não pode ser diretamente transferida para um contexto ético contemporâneo. A ruptura
com Saul também causa dor ao próprio Samuel. A narrativa não o apresenta como um homem satisfeito com a queda do governante que ungiu, mas como um líder que sofre com uma decisão agora irreversível.
A Unção de Davi
Após a rejeição de Saul, Deus envia Samuel a Belém, à casa de Jessé. O profeta teme as possíveis consequências da missão, visto que Saul ainda é rei.
Jessé apresenta a Samuel seus filhos, mas nenhum dos mais velhos é escolhido. O mais novo, Davi, permanece e, naquele momento, está cuidando do rebanho.
Quando Davi é levado perante o profeta, Samuel percebe que ele é o escolhido e o unge com óleo. A cena torna-se um dos momentos-chave na história bíblica da monarquia.
O detalhe do filho mais novo é teologicamente significativo. Mais uma vez, na narrativa bíblica, a escolha divina não coincide necessariamente com as hierarquias humanas. O jovem pastor, aparentemente marginalizado em comparação com seus irmãos mais velhos, está destinado a uma missão que mudará a história de Israel.
Os Últimos Anos
Após a unção de Davi, Samuel desaparece gradualmente da narrativa principal. A história concentra-se, em vez disso, nas aventuras de Saul e na ascensão progressiva de Davi ao poder.
O profeta ainda aparece em alguns episódios, mas seu papel político direto já terminou.
O Primeiro Livro de Samuel finalmente relata sua morte com uma fórmula muito simples: Samuel morre e todo o Israel se reúne para lamentá-lo e sepultá-lo em sua casa em Ramá. O texto não indica o ano de sua morte nem sua idade. Portanto, as datas precisas tradicionalmente relatadas em algumas notas hagiográficas não podem ser consideradas dados históricos confiáveis.
Samuel na tradição cristã:
A Igreja aceitou Samuel entre as grandes figuras do Antigo Testamento. O Martirológio Romano o comemora em 20 de agosto como profeta na Judeia. A redação do Martirológio destaca particularmente sua vocação divina, seu papel como juiz e, sobretudo, a unção de Saul e Davi.
O calendário da Santa Sé também celebra Samuel em 20 de agosto como profeta.
A tradição oriental atribui-lhe particular importância. A Igreja Ortodoxa Grega também o celebra a 20 de agosto e apresenta-o como o último dos juízes e aquele que ungiu os dois primeiros reis de Israel.
Samuel e a Monarquia de Israel.
O significado histórico-religioso mais importante de Samuel reside provavelmente na sua relação com o nascimento da monarquia.
A sua figura situa-se precisamente no limiar entre duas eras. Por um lado, pertence à tradição dos juízes, líderes carismáticos que guiam o povo sem estabelecer uma dinastia estável; por outro, inaugura, através de Saul e David, a era dos reis.
Os estudos bíblicos têm destacado esta característica de Samuel como figura de transição entre a ordem anterior e a monarquia.
Ele não é, portanto, apenas uma figura que acompanha o nascimento da monarquia: é também aquele que define os seus limites. O rei recebe a unção, mas permanece sujeito à palavra profética.
Samuel e David.
A relação entre Samuel e David é um dos elementos mais importantes de toda a tradição bíblica.
Samuel não acompanha David durante a sua ascensão ao trono. Sua função primordial é reconhecer e ungir o futuro rei. Com a unção em Belém, estabelece-se uma nova linhagem real, destinada a se tornar central na história de Israel.
Na leitura cristã, essa linhagem assume um significado adicional porque Jesus é apresentado no Novo Testamento como descendente da casa de Davi. A própria memória litúrgica de 20 de agosto evoca essa perspectiva.
Samuel como modelo profético
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A característica mais original de Samuel é o entrelaçamento entre a escuta de Deus e a responsabilidade histórica.
O profeta não vive separado da realidade política. Ele intervém em decisões que afetam o futuro de Israel, dialoga com os governantes, corrige Saul, unge Davi e julga o comportamento dos governantes.
Sua vocação, contudo, nasce da escuta. A cena noturna em Siló é o paradigma de sua missão: antes de falar ao povo, Samuel precisa aprender a escutar a palavra de Deus.
Por essa razão, sua figura ocupa um lugar especial na tradição profética do Antigo Testamento. Ele é um homem de oração, mas também uma figura pública; ele é um juiz, mas não um rei; Ele é um líder do povo, mas permanece fiel à palavra que proclama.
Samuel na tradição das relíquias.
O Martyrologium Romanum, seguindo um testemunho atribuído a São Jerônimo, relembra uma tradição segundo a qual os ossos de Samuel foram transferidos para Constantinopla pelo Imperador Arcádio.
A tradição da transladação é antiga e já está documentada na literatura hagiográfica relacionada aos Atos dos Santos.
Santi e Beati também relata uma transladação posterior para Veneza e a veneração de relíquias atribuídas a Samuele na igreja veneziana de San Samuele. Essa informação, contudo, deve ser apresentada com cautela como uma tradição de relíquias, e não como um fato histórico comprovado.
Autor: Giampietro Cattini
Samuel é o último juiz de Israel e o primeiro dos profetas; sua vida é narrada principalmente nos capítulos 1 a 15 do Primeiro Livro de Samuel, na Bíblia; os demais capítulos contam a história de Saul, o primeiro rei, enquanto o Segundo Livro de Samuel fala do grande Rei Davi.
Sua história começa por volta de 1070 a.C. e termina por volta de 980 a.C.; como acontece com outras figuras bíblicas, seu nascimento foi fruto das orações de uma mãe piedosa, porém estéril, como Sara, esposa de Abraão, a mãe de Sansão, e assim por diante. O filho era, portanto, considerado uma dádiva divina absoluta, fruto da oração materna e da graça divina; assim, Samuel recebeu esse nome, que significa "Eu pedi ao Senhor". Sua mãe, Ana, ao
implorar por seu nascimento por ser estéril, fez um voto ao Senhor de consagrá-lo a Ele, segundo as regras do nazireu, que incluíam, entre outras coisas, crescer sem cortar o cabelo e abster-se de bebidas alcoólicas.
Após o nascimento, Samuel permaneceu com a família até o desmame, que naquela época se estendia até o segundo ou terceiro ano de vida. Quando chegou a hora, com o consentimento do marido e pai da criança, Elcana, sua mãe Ana o levou ao santuário de Siló, na Palestina central, onde a Arca da Aliança era guardada, e o entregou ao sumo sacerdote Eli, para que pudesse crescer no templo, consagrado a Deus.
Antes de retornar, Ana entoou um cântico de louvor a Deus, enfatizando o poder divino, que transforma a arrogância dos poderosos no triunfo final dos fracos e a esterilidade marginalizadora de uma mulher na fertilidade de uma mãe, como no caso dela.
Samuel no Santuário de Siló
O primeiro livro de Samuel, escrito como o segundo por um autor anônimo no século IX a.C., continua com a descrição do santuário de Siló, onde, em contraste com o justo sacerdote Eli, viviam seus dois filhos, Hofni e Fineias, também sacerdotes do templo por descendência. No entanto, eles eram "perversos", abusando das mulheres designadas para certos deveres e não sendo justos na distribuição das porções dos animais oferecidos.
Samuel cresceu no templo e, desde cedo, usava as vestes sacerdotais; sua mãe o visitava todos os anos, trazendo-lhe um manto como presente, como que para lhe assegurar sua presença e proteção. Ana, para a maior glória de Deus, conceberia mais três filhos e duas filhas.
O Chamado Profético
A revelação de Deus por meio da palavra dos profetas era rara naquela época, contudo, Ele se revelou ao menino e o chamou três vezes à noite, mas Samuel pensou que fosse seu mestre Eli, que dormia em um quarto adjacente. Este último, emblema da verdadeira orientação espiritual, sem substituí-lo, instrui-o a responder assim: 'Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo.'
E na quarta chamada, Deus, nomeando-o seu profeta, prediz o castigo de seu próprio mestre Eli, pela fraqueza que demonstrara para com seus filhos degenerados. Na manhã seguinte, Samuel revelaria a profecia a Eli, que a partir daquele momento se tornaria seu discípulo e, como o homem justo que era, diria: "Ele é o Senhor! Que faça o que lhe parecer bem". A investidura de Samuel torna-se oficial em todo o Israel. Como profeta, ele não é um sonhador ou um místico tomado por êxtase, mas uma figura que opera dentro da história, e suas profecias jamais falharam.
A guerra contra os filisteus
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Os anos passam, e no horizonte de Israel surgem as tropas dos filisteus, um povo de origem egeu-cretense, equipado com poderosa tecnologia militar; Os judeus entraram em combate, sofrendo uma derrota inicial em Afeque, na costa do Mediterrâneo, e depois uma segunda, mais grave, na qual foram definitivamente derrotados, os filhos do sumo sacerdote foram mortos em batalha e a Arca da Aliança, que fora levada para a batalha segundo o costume judaico, foi capturada pelos filisteus.
A notícia, trazida por um mensageiro a Eli, que permanecia no santuário de Siló, fez com que o velho sacerdote caísse de seu assento em pranto, esmagando o crânio e morrendo; a cidade de Siló foi então destruída, cumprindo a profecia de Samuel.
A Arca, nas mãos dos filisteus, vagou por algum tempo em suas terras, mas eventos desastrosos a acompanharam, de modo que eles foram convencidos a devolvê-la aos judeus; porém, como o santuário já não existia, ela foi mantida em vários lugares por vinte anos, até a época do Rei Davi, quando finalmente foi colocada permanentemente em Jerusalém.
Samuel Julga Israel
Durante esse período, Samuel exerceu seu ministério profético, reconduzindo os israelitas à adoração de Javé e preparando-os para a vingança contra os filisteus, que os oprimiam. Ele os reuniu em Mispá, em Benjamim, e, com orações, jejum e confissões de pecados, discutiram a guerra contra seus opressores. Os judeus elegeram Samuel como juiz, de 1050 a 1030.
Os filisteus, desconfiados, decidiram atacar os judeus. Samuel invocou a Deus, e trovões e estrondos irromperam no ar, fazendo com que os filisteus, aterrorizados, fugissem, sendo derrotados até Bete-Car. Daí em diante, eles nunca mais entraram em Israel, pelo menos não enquanto Samuel fosse juiz.
Após a destruição de Siló, ele viveu em Ramá, onde nasceu e onde ficavam a Arca da Aliança e o santuário. Todos os anos, ele viajava por Israel, julgando disputas e presidindo reuniões. O resto de sua vida, até a velhice, transcorreu em silêncio.
O pedido por um rei
Já muito idoso, com seus filhos Joel e Abijas não seguindo os passos do pai, o que levou a um mau governo, a ameaça de uma nova invasão filisteia fez com que o povo lhe pedisse que renunciasse ao cargo e nomeasse um rei que governasse e marchasse à frente dos soldados, como era costume daquele povo.
Inicialmente hesitante, mas depois convencido por Deus, a quem havia recorrido em oração, Samuel ungiu Saul rei em três etapas: primeiro em particular em Ramá, depois por sorteio em Mispá e, finalmente, em Gilgal, apresentando-o ao povo e ungindo-o rei.
Samuel escreveu o código, o estatuto, sobre as leis do reino, depois renunciou ao cargo de juiz e despediu-se do povo com um discurso memorável, indicando o caminho para manter a amizade com Deus.
A repudiação de Saul.
Os livros de Samuel continuam com a história dos feitos de Saul como governante, de suas vitórias e também de sua desobediência à vontade de Deus. Samuel, a quem Deus falou em sonho, foi ter com Saul após a grande batalha contra os amalequitas para repreendê-lo por não ter exterminado completamente aquele povo e seus animais, mas por ter, em vez disso, poupado a vida de seu rei Agague e tomado como despojo todos os melhores rebanhos.
Então, diante de Saul, Samuel mata o prisioneiro Agague, rei daqueles inimigos implacáveis de Israel. É difícil para nós compreendermos essas atitudes extremas, mas tudo deve ser visto no contexto dos costumes, das vinganças e das guerras exacerbadas daquela época. Ao mesmo tempo, ele diz a Saul que o Senhor o rejeitou como rei, para dá-lo a outro mais digno.
A Unção de Davi.
Embora arrependido por ter que rejeitar Saul, Samuel, novamente sob a direção de Deus, vai ter com Jessé, o belemita. Chegando a Belém, ele apresentou os sete filhos de Jessé, mas nenhum deles foi indicado por Deus como o futuro rei. Em vez disso, havia um oitavo filho, Davi, o mais novo, que estava cuidando das ovelhas. Assim, tendo-o convocado, Samuel o reconheceu como o escolhido e, com o chifre de azeite, na presença de seus irmãos, o ungiu rei de Israel; então ele se levantou e retornou a Ramá.
Os episódios finais e sua morte.
Sua figura reaparece brevemente nos eventos que cercam o rei Davi, a perseguição de Saul a ele, os círculos de profetas que residiam em Najate, etc., mas agora é Davi quem irrompe com toda a sua grandeza real nos capítulos subsequentes do segundo livro de Samuel.
O profeta morreu por volta dos noventa anos, lamentado por todos os israelitas, e foi sepultado em sua propriedade em Ramá. Após sua morte, Samuel é convocado por Saul antes da batalha contra os filisteus e prevê a derrota do exército israelita e a morte dele e de seus filhos no campo de batalha.
A personalidade de Samuel .
A personalidade de Samuel é fascinante: primeiro um escolhido, consagrado ainda criança, depois um profeta na adolescência, mas aceito por seu mestre Eli. Sem ser um líder de exércitos como os juízes de Israel, ele assumiu esse ofício para alcançar a vitória sobre os inimigos de seu país, conquistada por meio da oração e da invocação a Deus, e, como um novo Moisés, as forças da natureza o favoreceram em sua empreitada.
Ele cogitou criar uma dinastia, mas seus filhos degenerados eram indignos; então, embora lhe doesse abrir mão do trono, nomeou um rei para Israel na pessoa de Saul, por quem nutria sincera afeição.
A decepção de ser rejeitado como rei não lhe trouxe a satisfação da vingança; ao contrário, o entristeceu, e ele orou interiormente por Saul. Teve que usar a força com Saul, mas a moderou com grande condescendência e humanidade; incapaz de fazer mais nada por ele, recolheu-se ao silêncio de seu Ramá.
Ele foi chamado por Deus para ungir o novo rei Davi e, firme em sua fé em Deus, o fez, sabendo que estava desafiando a ira de Saul. Ele seria o conselheiro e profeta procurado pelo próprio Davi e, por fim, profetizou o fim de Saul mesmo após a sua morte. Certamente, foi um dos maiores profetas de Israel.
Relíquias e memorial litúrgico:
Suas relíquias foram descobertas em 406 d.C. e transportadas para Constantinopla com excepcional solenidade, em meio a uma multidão contínua, da Palestina para Calcedônia. Na época da Quarta Cruzada, foram levadas para Veneza, onde ainda são veneradas no templo de São Samuel. A partir de 730, seu nome aparece em todos os martirológios ocidentais em 20 de agosto.
Autor: Antonio Borrelli

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