Evangelho segundo São Lucas 1,39-56.
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva,
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1858-1923)
Abade
A Virgem Maria e os sacerdotes
Em Cisto, filho da Rainha do Céu
Qual é o fundamento desta bendita certeza de sermos filhos da Rainha do Céu? É, acima de tudo, o dogma da nossa incorporação em Cristo como membros.
Uma mulher não é mãe quando se torna fonte de vida para outro? Quando comunica a vida de que ela própria usufrui? Na ordem sobrenatural, de onde provém a vida divina que temos em nós, esta vida que não está destinada a terminar com a morte como a vida corporal, mas a florescer em glória na eternidade? Eva deu-nos a vida segundo a natureza e o pecado; mas a vida da graça desceu até nós por meio de Maria. Maria é a nova Eva, unida pela sua predestinação ao novo Adão. Quão eficaz não foi a sua cooperação na obra da redenção! Na anunciação, como já dissemos, foi ao seu consentimento que Deus quis, de certo modo, subordinar a vinda de seu Filho. A Virgem Maria tornou-se assim a criatura privilegiada que a todos comunica o dom de Deus, a vida sobrenatural; ela aceitou a sua maternidade segundo a amplitude das intenções de Deus. Ora, o desígnio de Deus incluía que ela não fosse apenas mãe de Cristo, mas também de todos os membros de Cristo.
Ao aceitarmos ser filhos de Maria, entramos plenamente nos desígnios misericordiosos do Senhor. Pois não fomos predestinados pelo Pai para sermos conformes à imagem do seu Filho? (cf Rm 8,29) Que grande consolo! Através da nossa veneração e do nosso amor a Maria, aperfeiçoamos gradualmente a nossa semelhança com o Salvador.

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