O Menológio Cisterciense informa que Bernardo é celebrado em 19 de agosto em Candeleda, na Extremadura, como padroeiro do local e que talvez tenha sido um monge de Valdeiglesias (Vallis Ecclesiarum), acrescentando que não há mais informações sobre ele. Os historiadores da Ordem, Henriquez e Manrique, citados pelos Bolandistas, explicam que ele é considerado originário de Candeleda não por ter nascido lá, mas porque seu corpo repousa lá. Eles então relatam alguns dos numerosos milagres que realizou durante sua vida e após sua morte, incluindo o de atravessar o rio que corria perto do mosteiro usando sua capa como barco. Seu dia de festa era anteriormente celebrado em 20 de agosto, talvez devido à confusão com seu homônimo Clairvaux († 20 de agosto de 1153). A data de sua morte é desconhecida, mas os Bolandistas a situam no século XII ou XIII.
Padroeiro: Padroeiro de Candeleda (Ávila); invocado contra raiva, hidrofobia e epilepsia.
Etimologia: Do germânico 'berin' (urso) e 'hard' (forte, corajoso), portanto 'forte como um urso'.
Emblema: hábito cisterciense ou de eremita, cajado pastoral, manto estendido sobre a água, cão.
As informações sobre a vida de Bernardo são extremamente escassas. Fontes da Ordem Cisterciense, incluindo o Menologium Cisterciense compilado no século XVII por Crisóstomo Henríquez, mencionam-no brevemente, situando sua vida entre a segunda metade do século XII e as primeiras décadas do século XIII. Historiadores bolandistas, baseando-se nas crônicas de Henríquez e Ángel Manrique, confirmam sua filiação à Ordem Cisterciense, levantando a hipótese de uma ligação com o mosteiro de Santa María la Real de Valdeiglesias, localizado na atual cidade de Madrid, na época um importante centro de influência espiritual na Castela medieval. O título "da Candeleda" não indica seu local de nascimento, que permanece completamente desconhecido, mas sim o local onde seu corpo foi sepultado e onde sua veneração floresceu. É provável que, seguindo o ideal monástico da época, Bernardo tenha buscado a solidão para se dedicar à oração contemplativa, distanciando-se das estruturas cenobíticas mais organizadas para abraçar uma existência eremita.
O eremitério e o ministério nas montanhas de Gredos.
O cenário de sua experiência espiritual foi o terreno acidentado ao pé da Serra de Gredos, uma área que então passava por repovoamento e reorganização eclesiástica. Bernardo se estabeleceu em uma área rural perto de Candeleda, uma cidade no Vale do Tietar. Ali viveu em pobreza, dedicando-se ao ascetismo e oferecendo conforto espiritual às comunidades esparsas de pastores e agricultores que habitavam a região. Sua reputação de santidade deve ter se espalhado rapidamente entre a população local, atraída por sua austeridade e dedicação. Tradições hagiográficas posteriores, coletadas por cronistas da ordem, atribuem-lhe vários milagres durante sua vida, um sinal de suas profundas raízes no tecido social e nas necessidades diárias do povo comum. Ele não trabalhou em grandes centros urbanos nem participou de disputas teológicas; seu ministério foi silencioso, de proximidade e partilha com um povo que lutava para sobreviver em um ambiente natural hostil.
Últimos Anos e Morte.
A data exata da morte de Bernardo permanece desconhecida. Os estudiosos bolandistas defendem uma morte ocorrida durante o século XIII. Após seu falecimento, a devoção popular explodiu espontaneamente. Seu corpo foi sepultado perto de sua ermida, em um local conhecido como Postoloboso, que imediatamente se tornou um destino de peregrinações. A transferência ou preservação de seus restos mortais naquele local específico não foi acidental, mas respondeu a dinâmicas de culto enraizadas em um passado muito mais remoto. A comunidade de Candeleda o escolheu como seu primeiro patrono, confiando-lhe a proteção do território e buscando sua intercessão contra os males que mais aterrorizavam as sociedades rurais medievais.
Sincretismo religioso: de Vaelico a São Bernardo
O aspecto mais fascinante e historicamente significativo da figura de São Bernardo de Candeleda é a sua estreita ligação com o santuário de Postoloboso. Estudos arqueológicos e antropológicos demonstraram que esta área era, em tempos pré-romanos, um importante santuário vetone dedicado ao deus Vaelico. Esta divindade pagã estava associada ao mundo selvagem, aos lobos e, consequentemente, à proteção contra a raiva, uma doença letal e temida transmitida por canídeos selvagens. Com o advento do cristianismo, o local sagrado não foi abandonado, mas cristianizado: sobre as ruínas de um templo visigótico posterior, foi construída uma ermida dedicada a São Bernardo. O povo, embora tenha mudado o nome da divindade, manteve intactas a especialização do lugar e do santo. São Bernardo herdou, assim, os poderes curativos de Vaelico, sendo invocado como um defensor contra a raiva. Este fenómeno de continuidade cultual explica por que um monge cisterciense se tornou o santo padroeiro de toda uma região com atributos tão específicos.
O Santuário de Postoloboso.
A antiga ermida de São Bernardo em Postoloboso, agora em ruínas e incorporada a uma propriedade privada, ainda conserva vestígios de sua longa história. Elementos arquitetônicos da época visigótica foram descobertos, como uma valiosa cornija de mármore, testemunhando a continuidade ininterrupta do culto neste local isolado. Ao longo dos séculos, a ermida foi periodicamente restaurada graças a doações dos fiéis, até que a mudança nas sensibilidades religiosas e o despovoamento da região levaram ao seu progressivo abandono.
Curiosidades
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- O milagre do manto. Entre as lendas hagiográficas relatadas pelos bolandistas, destaca-se a história segundo a qual Bernardo atravessou um rio caudaloso, que corria perto de seu mosteiro, usando seu manto estendido sobre a água como se fosse um barco. Essa figura de linguagem é comum a muitos santos medievais, simbolizando o domínio do espírito sobre a matéria.
- A questão da data. No passado, a festa de São Bernardo em Candeleda era celebrada em 20 de agosto. Essa sobreposição provavelmente se deveu a uma confusão litúrgica com o célebre São Bernardo de Claraval, que faleceu em 20 de agosto de 1153. Para evitar que a memória do santo local fosse completamente ofuscada pela do gigante da Igreja universal, a celebração foi antecipada para 19 de agosto, data que se mantém até hoje.
- O primeiro santo padroeiro compartilhado. Durante séculos, São Bernardo foi o único padroeiro de Candeleda. Somente em tempos mais recentes seu padroeiro foi acompanhado pelo da Virgem de Chilla, cuja imagem, segundo a tradição, foi encontrada no santuário mariano próximo, criando uma dupla proteção celestial sobre a cidade.
Autor: Enrico Quiri

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