quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ANDRÉ CARLOS FERRARI Cardeal, Beato 1850-1921

André Carlos Ferrari nasceu em Lalatta, diocese de Parma a 13 de Agosto d 1850. Em 1861 foi aceite no Seminário de Parma, onde completou os cinco anos de ginásio, o triénio de liceu e o quadriénio dos estudos de teologia. A 20 de Dezembro de 1873 foi ordenado sacerdote, com o compromisso de se tornar santo e de chamar almas a Cristo. No dia 21 do mesmo mês, no santuário mariano de Fontanellato celebrou a sua primeira missa, implorando da Virgem luz e fortaleza para ser um verdadeiro pastor de almas. Durante algum tempo prestou serviço pastoral como vice-pároco em Mariano e seguidamente em Fornovo Taro, onde se deu a todos para todos levar a Deus. Durante o outono de 1875 foi chamado para o Seminário como vice-reiro e professor de física e ma-temática. Em 1877 foi nomeado Reitor do mesmo Seminário, onde ensinou teologia. A 29 de Maio de 1890 foi eleito Bispo de Guastalla e um ano mais tarde, em 29 de Maio de 1891, foi transferido para a Sé de Como, onde se distinguiu pela sua pastoral. Em 18 de Maio de 1894 foi feito Cardeal e a 21 do mesmo mês de Maio, foi nomeado Arcebispo de Milão. Então que o seu nome André passou a ser Carlos, em honra de São Carlos Borromeu. Em Março de 1895 iniciou a primeira visita pastoral da arquidiocese, que repetiu cinco vezes, sem esquecer as paróquias alpinas. Durante as visitas muitas vezes falava aos fieis, fazia o exame do catecismo às crianças, administrava a confirmação, distribuía a Eucaristia, visitava os enfermos, consagrava novas igrejas. Celebrou três vezes o sínodo diocesano, em 1906 reuniu um concílio juvenil e em 1895 celebrou o Congresso Eucarístico nacional. Também se interessou pelos problemas sociais, em homenagem à grande Encíclica “Rerum novarum” do Papa Leão XIII. No Seminário instituiu a cátedra de economia, confiando-a ao professor José Toniolo. Sob a sua impulsão, o clero dedicou-se com entusiasmo às obras sociais. Até msmo a imprensa sofreu um notável impulso. Durante a campanha anti-modernista, o Cardeal, sempre obediente às directivas da Santa Sé, foi injustamente acusado de desviacionismo. Ele encerrou-se no silêncio e na oração esperando humildemente que as trevas desaparecessem e a luz chegasse e com ela a verdade. No período da primeira guerra mundial, o Cardeal com muito dinamismo, dedicou-se à caridade junto dos órfãos e das viúvas, das famílias necessitadas, dos soldados, dos prisioneiros e na busca dos desaparecidos. Por fim chegou também para ele o momento do sofrimento e teve de acamar. O povo de Milão peregrinava até sua casa para ouvirem a sua voz exortativa e receber a sua bênção. A 2 de Fevereiro de 1921, com 71 anos, morreu serenamente. O que a seu respeito escreveu um jornalista português: «Nem sempre os santos se entendem muito bem, devido à diferença de perspectivas, de critérios e até de projectos. Em diferentes vidas de bem-aventurados encontramos estas dissensões, por vezes, bem amargas, que vão servindo até para purificar opiniões quando não acrisolar o amor e outras virtudes. Imagine-se que S. Pio X faz saber ao beato André, na altura cardeal de Milão, aliás com muito prestígio, em certas facções da Igreja, que não deseja vê-lo em Roma. Havia mandado fazer-lhe duas visitas apostólicas a ele e aos seus seminários, em 1905 e 1908, e preparava uma terceira. Embora nas duas primeiras não tivessem encontrado os legados pontifícios nada de anormal, na terceira iriam atacar o cardeal Ferrari, por causa das correntes anti-modernistas cujas teses estavam ainda bastante embrulhadas. Estava-se ainda no tempo do conflito entre os poderes políticos da Itália, que haviam usurpado os Estados Pontifícios, e o Papado. O cardeal havia-se encontrado com o rei Humberto I, em Monza, acção muito mal vista por quantos consideravam o Romano Pontífice prisioneiro no Vaticano, embora Ferrari tivesse obtido prévio consentimento da Santa Sé, desejosa também de resolver o litígio. Mas como as opiniões se dividiam... O contraste entre o Papa Sarto e o cardeal de Milão, aliás um dos seus grandes eleitores, no conclave, tinha raízes na diferente visão da Igreja e da sociedade italiana. Ferrari afrontava as questões e pretendia inserir nelas o catolicismo, enquanto Pio X desconfiava dos novos acontecimentos históricos que não compreendia. Aquele quer os leigos católicos na política, para ajudarem a harmonia e a paz tão necessárias, este pretende que o decreto, non expedit, que proíbe aos crentes a colaboração com um governo usurpador se mantenha de pé. À morte de Pio X, o cardeal Ferrari ainda comentou para um amigo que louvava o papa defunto: “Sim, mas teve de dar contas a Deus pelo abandono em que deixou os seus bispos, perante as acusações que lhes moveram”. Mas onde está a santidade deste grande arcebispo de Milão? Foi de uma caridade pastoral a toda a prova. Numa diocese com quase dois milhões de pessoas e 700 paróquias, o beato André quer e promove acções para que o movimento católico seja visível e se implante na sociedade. Para tanto, favorece iniciativas sociais, o compromisso cristão na política, a difusão de uma cultura coerente com estas actividades. Multiplica os círculos juvenis, os encontros para formação de rapazes e raparigas. Une os dois periódicos católicos da sua diocese num único, L’Unione, para difundir suas ideias e ainda a primeira Democracia Milanesa. Exige que os seus padres sejam formados em sociologia cristã. Promove a participação dos católicos nas eleições administrativas com candidatos próprios. Durante os quase trinta anos que pastoreou tão grande diocese, fez quatro visitas pastorais a todas as regiões. Como, no pontificado de Bento XV, se dissolveu a nuvem modernista, o arcebispo retoma os trabalhos pastorais já sem inimigos e sem medos. Volta a governar Milão de uma forma espantosa, com as suas simpatias conciliatórias em relação à política, pretende formar os cristãos nos novos rumos da solidariedade, promovendo, durante a primeira grande guerra, uma ajuda eficaz aos soldados, criando a Casa do Povo. Funda a Universidade Católica, planeada por Gemelli. Dele escreveu Carlo Martini : “O cardeal Ferrari foi um grande construtor: iniciativas sobre iniciativas, viagens e mais viagens, programas e mais programas que hão-de interpretar-se sobretudo em sentido pastoral”. Morreu, em 1921, este santo que foi mal compreendido por quantos não se adaptaram aos tempos novos.» (Jornal da Guarda, 26 de Janeiro de 2006).

MARIA DOMENICA MANTOVANI Religiosa, Fundadora, Beata 1862-1934

Maria Doménica, primogénita de quatro irmãos, nasceu em Castelletto de Brenzone, em Verona, no dia 12 de Novembro de 1862. Teve nos seus pais João Batista Mantovani e Prudência Zamperini, e no seu avô, que vivia com eles, a influência profunda de uma família honesta e cristã de trabalhadores simples, piedosos e dignos. Frequentou apenas a escola primária, por causa da pobreza da família. Mas a falta de cultura foi compensada pelos dotes de inteligência, vontade e grande senso prático. Desde criança mostrou sua vocação religiosa e incentivada pelo avô, dedicava-se à oração e a tudo o que se referia a Deus. Casa, escola e igreja foram os campos que forjaram o seu carácter. Maria Doménica tinha quinze anos, quando chegou o novo pároco Padre José Nascimbeni, mais tarde também beatificado. Desde então ele se tomou o seu director espiritual, que intuindo seu temperamento generoso, a forte vontade de prosseguir na vida da perfeição, conduziu-a seguro e lúcido, para as mais altas conquistas espirituais. Ela foi a sua primeira colaboradora nas muitas actividades paroquiais. Dedicava-se ao ensino do catecismo às crianças, visitava e assistia os doentes e os pobres. Inscrita na Pia União das Filhas de Maria, foi sempre fiel na observância do Regulamento, tornando-se espelho e modelo para suas companheiras. Assim, aos vinte e quatro anos no dia da Virgem Imaculada da Conceição, aos 8 de Dezembro de 1886, na presença do pároco, emitiu os voto de perpétua virgindade, dedicando-se completamente à Deus e empenhando-se no auxílio ao pároco em todas as suas iniciativas pastorais. Quando o Padre Nascimbeni, depois de se aconselhar com o Bispo, decidiu fundar uma nova família religiosa, encontrou em Maria Doménica a sua principal colaboradora e que se tornou sua co-fundadora; junto com outras três jovens. As quatro fizeram um breve noviciado junto às Terciárias Franciscanas de Verona e em 1892, emitiram a profissão, iniciando em Castelletto o novo Instituto chamado " Pequenas Irmãs da Sagrada Família", cujo nome se tornou o indicativo da orientação apostólica e espiritual da nova congregação. Maria Doménica Mantovani mudou o nome para Maria Josefina da Imaculada e foi escolhida como primeira superiora da casa, cargo que exerceu até a morte. Ela contribuiu muito na elaboração das Constituições e na formação das Irmãs. Colaboração que foi determinante para o desenvolvimento e expansão do Instituto. Sua obra completou a do Fundador, de tal forma que se confundiam. A acção dele era intensa, forte, enérgica; a dela era delicada, escondida, embora também firme. Ambas se apoiavam em eloquentes exemplos e pacientes esperas. Depois da morte do Fundador, em 1922, Maria Doménica continuou a guiar o Instituto, com ânimo, prudência, grande entrega a Deus e profundo senso de responsabilidade. E teve a graça de ver a aprovação canónica definitiva das Constituições e do Instituto, antes de morrer. Soube assim que a obra teria continuidade com as mil e duzentas Irmãs espalhadas por cento e cinquenta casas filiais na Itália, Suíça, Albânia, Angola, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, dedicadas às mais variadas actividades apostólicas e caritativas. Aos setenta e dois anos de idade Madre Maria Josefina da Imaculada faleceu depois de breve enfermidade, no dia 2 de Fevereiro de 1934. Sepultada no cemitério de Castelletto de Brenzone; desde 1987 seu corpo incorrupto foi transladado para o mausoléu, já ocupado pelo Fundador, no interior da Casa-mãe do Instituto, naquela cidade. O Papa João Paulo II beatificou Maria Doménica Mantovani em 2003, destinando sua festa para o dia de seu transito.http://www.paulinas.org.br/

JOSÉ NASCIMBENI Sacerdote, Fundador, Bem-aventurado 1851-1922

José Nascimbeni era o único filho do carpinteiro António Sartori e da dona de casa Amadea, que foi baptizado no dia 22 de março de 1851. Cresceu e fez o curso primário na sua cidade natal, Torri Del Benaco, Itália. A família modesta, mas rica em fervor a Deus, o enviou para o Colégio dos Jesuítas de Verona e depois para o Seminário diocesano. Em 1874, recebeu o diploma de professor e foi ordenado sacerdote. Logo foi designado para a cidade de São Pedro de Lavanho, na diocese de Verona, como auxiliar do pároco e professor. Três anos depois foi transferido para a paróquia da pequena cidade de Casteletto de Brenzone, também em Verona. Quando o velho pároco morreu, as famílias influentes pediram para que o padre Nascimbeni fosse nomeado o seu sucessor, em 1885. Padre Nascimbeni empenhou todo seu vigor na vida religiosa e civil daqueles mil habitantes. Estimulou as actividades dos paroquianos leigos, valorizando os talentos para a formação de associações e grupos religiosos. Teve igual empenho para o desenvolvimento da cidade, criando asilos, escolas para órfãos e internatos para crianças abandonadas. Para os jovens, ajudou a fundar uma fábrica de roupas, uma tipografia, uma fábrica de azeite e uma cooperativa rural. Para melhorar a vida dos habitantes conseguiu a energia eléctrica, a água potável e uma agência postal. Não se compreendia como, estando tão ocupado, ele ainda encontrasse tempo para se dedicar as orações e as penitências que se impunha de dia ou de noite. Ele rezava em qualquer lugar, com seu rosário bem visível e sem se incomodar com as ironias. Não era raro atravessar a cidade descalço, por ter dado seus sapatos a algum mendigante. Padre Nascimbeni precisava de religiosas com urgência para cuidar das crianças, dos velhos, dos doentes e da paróquia. Mas não as encontrava. Foi então solicitar ajuda ao bispo, que o encorajou a fundar uma congregação de religiosas para suprir esta necessidade da comunidade. Em 1892, ele e mais quatro jovens, que depois tomaram o hábito religioso, fundou a Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família. Estas religiosas hoje estão presentes em toda a Itália, Suíça, Albânia, Angola, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil. No dia 31 de dezembro de 1916, padre Nascimbeni sofreu uma isquemia cerebral que o deixou inválido. Foram cinco anos de sofrimentos físicos, orações e penitências, até sua morte em 22 de janeiro de 1922. Foi sepultado na Casa Mãe das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, na cidade de Casteletto de Brenzone, Verona, Itália. O papa João Paulo II beatificou José Nascimbeni em 1988, em Verona, e dedicou o dia 22 de janeiro para sua homenagem.

Santa Joana de Lestonnac

Numa fria manhã de 1556, Ricardo de Lestonnac, nobre magistrado e conselheiro do rei, que preside seu lar em Bordéus (França), recebeu do céu uma bênção: a primogênita, Joana, que encherá a nobre morada com a luz de seus olhos azuis e de seu encanto especial. Joana Eyquen de Montaigne, a nobre castelã, recebeu em seus braços com alegria a pequenina, mas se opõe tenazmente que a filha receba o batismo católico. A vontade firme do pai triunfa e Joaninha começa sua vida no campo do combate familiar, o que colocará em grave perigo a pureza de sua fé. O veneno é inoculado por meio de carícias maternas: historietas maliciosas contra os sacerdotes e o Vigário de Cristo, ausência total da Virgem Santíssima. Desta forma a nova apóstata calvinista tentava trazer para si o terno coração da pequena, a quem o tio, o célebre filósofo Miguel de Montaigne, chamou sem titubear "bela princesa, albergada num magnífico palácio". Seus tios, os senhores de Beauregard, se unem à mãe herege neste trabalho. Mas Miguel de Montaigne velava pela guarda de sua fé. A menina triunfou na luta com a firme ajuda de seu pai e com a cooperação de seu irmão Guy, que repetia à noite o que aprendera no colégio que freqüentava, dirigido pelos padres jesuítas. Era a nova Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio, que chegara a Bordéus. A devoção a Nossa Senhora se enraízou em sua alma, e seu desejo de sacrificar o porvir brilhante que o mundo lhe oferecia pela vida religiosa, cedeu somente diante da insistência paterna que teme os claustros e mosteiros invadidos pela heresia calvinista. Tendo Joana dezessete anos, o pai, atendendo aos insistentes pedidos de Gastão de Montferrant, Barão de Landiras e de la Mothe, concedeu-lhe a mão da filha. A vida matrimonial foi muito sólida e Joana foi mãe oito vezes. Os três primeiros morreram muito pequeninos. Os outros cinco - dois varões e três mulheres - foram crescendo sob o olhar atento da mãe. A baronesa, como a mulher forte do Evangelho, ensinava aos filhos os deveres da caridade católica: visitas aos pobres, aos colonos, atendimento abnegado aos pobres que lhes batem à porta. Não sem razão o mundo inteiro a chamaria um dia de "honra e glória da França e da Igreja". Em 1597, após 24 anos de matrimônio, Gastão de Montferrant faleceu. Seguiram-se grandes dores e tristezas: a morte do esposo, do filho mais velho, do pai e do tio. Joana ficou só e continuou com fortaleza a educação dos quatro filhos que lhe restaram. Seis anos mais tarde, tendo seu filho Francisco se casado e suas filhas Marta e Madalena se consagrado a Jesus nas Anunciadas de Bordéus, resolveu deixar a filha mais nova, Joaninha, sob os cuidados de Francisco e da esposa, e ingressar no convento. Na manhã de sua partida, saiu muito cedo do palácio para evitar as despedidas, porém, seu coração de mãe ainda enfrentou mais um sacrifício: é surpreendida com a súbita chegada da filha mais nova, que se lança em seus braços desfeita em prantos e pedindo para ela não deixar Bordéus. Aos 46 anos de idade, ela ingressou no Mosteiro Cisterciense de Toulouse. Mudou seu nome para Joana de São Bernardo. Este ramo feminino dos Cistercienses reformados nascera na Abadia de Feuillant, na Gasconha, para reagir à decadência da Ordem. Seis meses após ter vestido o santo hábito, sua palidez preocupava a comunidade e suas rigorosas penitências esgotaram suas forças por completo. A Madre Superiora a convenceu a voltar para o seu castelo. Naquela noite, esforçando-se para aceitar a vontade de Deus e mais esta prova, teve uma visão celestial que a faz ver o abismo do inferno. Nele caem muitas jovens em espantoso torvelinho e estendiam os braços implorando seu auxílio. Sobre este quadro espantoso apareceu magnífica e grandiosa a imagem de Maria. Ela compreendeu a vontade de Deus. A futura Companhia de Maria, em benefício da juventude feminina, começou a delinear-se naquela última vigília no convento cisterciense. Após deixar o mosteiro, Joana se retirou em La Mothe. Em 1605, encontrava-se em Bordéus e trabalhava como voluntária com outras senhoras e moças durante uma epidemia de peste, e aí descobriu sua vocação: o trabalho na sociedade, entre as jovens mais necessitadas de ajuda e instrução. Foi visitando e cuidando das pessoas nas regiões mais pobres da cidade, e em contato com as jovens que eram atraídas pelo chamado de Deus e por sua personalidade, que ela desejou realizar o trabalho apostólico que a atraia. Ela percebeu que a espiritualidade inaciana expressava sua própria espiritualidade. Ela manteve contatos com dois Jesuítas, Pe. de Bordes e Pe. Raimundo, que compartilhavam suas preocupações. O Papa Paulo V aprovou a fundação da Companhia de Nossa Senhora em 7 de abril de 1607. Em 11 de março de 1608, diante da generosa resposta de cinco primeiras companheiras, a cidade de Bordéus, engalanada, participou da tomada de hábito das religiosas que iniciaram o combate da Companhia de Maria. O Cardeal François d’Escoubleau de Sourdis, inicialmente protetor da obra, desejou mais tarde ligá-la às Ursulinas, e lhes negou a profissão em maio de 1610. Porém, a 7 de dezembro, em seu castelo de Lormont, recebeu uma graça particular da Santíssima Virgem que advogava em favor de suas filhas, e, na festividade da Imaculada, no mosteiro de Joana assistiu à profissão da fundadora e de suas primeiras companheiras, que já eram nove. Como todas as obras de Deus, forte vendaval de perseguição sacodiu a ainda frágil árvore. Por isso mesmo ela se enraizou mais fortemente e em breve as sementes lançadas germinarão: antes que a alma da fundadora voasse para o Céu, são quarenta as novas preciosas e florescentes ramagens. Joana enfrentou desde os desprezos de Lucia de Teula, fundadora frustrada de Toulouse, que não lhe poupou insultos e perseguições, até a traição de uma de suas filhas, única infiel no grupo de suas primeiras religiosas, que cedendo a uma tentação ambiciosa fez chegar ao prelado falsas acusações. "A parte que Jesus nos dá de sua Cruz nos faz conhecer quanto Ele nos ama", repetiria mais tarde a Santa fundadora. Em 1622, retiraram-lhe o cargo e ela deixou Bordéus. Entretanto, as outras casas continuam a dedicar-lhe a estima, o afeto e a confiança devidos à Fundadora da Ordem. Ela é considerada a Madre Geral, mesmo que o status lhe é recusado pela Igreja, e que ela não possa se comunicar com as outras casas naquele terrível período. A Fundadora, relativamente idosa, parte para fundar uma casa em Pau. Ela aí permaneceu até 1634, se ocupando da organização da vida da nova fundação e ensinando as meninas mais pobres. Num silêncio santo e exemplar, deixava admirados todos quantos tinham a dita de tratar com ela. No fim de seu mandato, em 1626, a superiora ingrata reconheceu seus erros e pediu publicamente perdão a Santa Joana de Lestonnac. A pedido dos superiores e por insistência do Cardeal de Sourdis, ela retornou a Bordéus para consagrar seus últimos anos à redação definitiva das Constituições que foram impressas em 1638. Todas as casas e a Ordem viverão sob estas Constituições em qualquer parte do mundo onde elas estiverem. No dia 2 de fevereiro de 1640, a religiosa que possuía uma grande devoção a Eucaristia, a Santíssima Virgem - a quem consagrou sua companhia -, que tributava um culto muito especial a seu anjo da guarda, a mãe caridosa e boa que distribuía aos mais necessitados os remédios adquiridos para a comunidade, após uma enfermidade rápida, rodeada de suas filhas e pronunciando com doçura celestial os nomes de Jesus, Maria e José, entregou sua alma a Deus, em meio a veneração e ao amor de filhas que viviam nas quarenta casas do Instituto. A ignominiosa Revolução Francesa profanou seus veneráveis despojos, enterrando-os junto à ossada de um cavalo. Ao fim da Revolução, o zelo e o amor da Madre Duterrail conseguiu, ao restaurar as casas da França após trabalhos imensos, encontrar os restos venerandos da Fundadora.  Transcorridos trezentos anos de espera, Joana de Lestonnac foi beatificada pelo Papa Leão XIII em 1900, e, no dia 15 de maio de 1949, canonizada por Pio XII. O lema da Santa, "ou trabalhar ou morrer pela maior glória de Deus", ainda hoje ressoa como o ideal a ser vivido por suas filhas nas cento e cinqüentas casas da Companhia de Nossa Senhora. 

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 2 DE FEVEREIRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
2 – Quinta-feira – Apresentação do Senhor 
Evangelho (Lc 2,22-40) O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.” 
Maria e José foram criaturas privilegiadas e iluminadas por Deus. Mais do que todos nós. Mesmo assim, estavam sempre atentos para aprender com o que o Senhor lhes dizia pelos acontecimentos da vida, e pela palavra das pessoas. Também das mais simples. Preciso aprender com eles a prestar mais atenção ao meu próximo, para me enriquecer com sua experiência vivida do evangelho. 
Oração

Senhor Jesus, preciso falar menos e ouvir mais, e prestar mais atenção ao que me ensinais com a vida de meus irmãos. Eles não são perfeitos, mas se esforçam muito por vos amar e por vos seguir. Não desanimam, e estão prontos a me ajudar se os procuro. Quero estar mais atento às suas boas qualidades, para aprender com eles, na prática, a sabedoria de vosso evangelho de amor. Amém.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

DEU-LHE SEUS PROPRIOS OLHOS

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio
Redentorista
Era uma vez uma garota que se odiava porque era cega. Ela também odiava a todos, exceto seu namorado. Um dia disse para ele: 
- Se eu pudesse enxergar, eu me casaria com você.
Alguns dias depois alguém doou um par de olhos para ela. Então o seu namorado perguntou: 
- Agora que você pode ver, você se casa comigo? 
A garota ficou desiludida quando percebeu que ele ficara cego. Respondeu toda frustrada: 
- Eu sinto muito, mas não posso me casar com você porque você é cego. 
O namorado, afastando-se dela entre lágrimas, disse: 
- Eu também sinto muito. Mas... ao menos cuide bem dos meus olhos, eles eram muito importantes para mim... 
Lição: Amor verdadeiro de um lado. Mesquinhez interesseira do outro... Ao qual dos dois vamos imitar?
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REFLETINDO A PALAVRA - “Participantes de Sua Vida”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
891. Troca de presentes
O toque Divino nos levou a refletir sobre a proximidade que temos de Deus. Ele não está distante, mas muito à mão e sempre nos dá oportunidade como que de tocá-lo, mesmo sabendo que já nos tocou. No tempo do Natal temos uma revelação muito grande de Deus: A Manifestação de seu Filho no Nascimento. A liturgia desse tempo nos faz penetrar neste mistério do toque de Deus em nós. Não é um toque como que exterior que já refletimos, mas somos tocados por Deus em nosso interior. É algo substancial, isto é, coloca nosso ser em comunicação direta com seu Ser. Toca nosso ser como participantes da Vida de Deus. Rezamos na oração da Missa de Natal: “Neste dia em que o céu e a terra trocam presentes, dai-nos participar da divindade de vosso Filho que uniu a Vós nossa humanidade” (Or. Oferendas). Diversas orações traduzem essa verdade que acontece a partir da Encarnação do Filho de Deus. Para nós, fé, religião, vida espiritual consiste em fazer coisas espirituais e mesmo agir na comunidade, viver uma vida correta, rezar, amar. Tudo isso é bom, mas já é resultado. O que é fundamental, como em nossa vida humana, é a vida que passamos a viver a partir do momento que nossa carne, no seio de Maria, se uniu à Divindade do Filho de Deus. É um princípio de vida. Esta união permanece para sempre. Trata-se de uma nova criação: “Mediante vosso Unigênito nos fizestes ser nova criação. Fazer que sejamos encontrados na forma Daquele no qual convosco está nossa substância” . Essa criação, da qual participamos de sua vida, é redentora: “Participantes da Eternidade Daquele que, com sua mortalidade, curou nossa mortalidade”. Troca de presentes é a união da humanidade com a Divindade.
892.Luz que é vida
            Esse mistério da Manifestação do Senhor é explicado a partir do símbolo da Luz: Na oração da Noite de Natal, rezamos: “Deus que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz” (oração). Deus é Luz . Escreve João: “Eu sou a luz, vim ao mundo” (Jo 2,46); “Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,4). Assim se revela a nós mesmos em nossa natureza na fé: somos filhos da Luz. Esta luz nos restaura para contemplarmos a glória da imortalidade: “Como Cristo apareceu na substancia de nossa mortalidade, restaurastes-nos com a nova Glória de vossa imortalidade” (Prefácio). Por isso, as trevas fogem da luz, como a iniquidade foge de Deus, para suas obra não sejam descobertas (Jo 3,20). “Quem caminha nas trevas não sabe para onde vai” (Jo, 12,35). Somos luz na Luz.
893. Participantes da Vida
          A categoria vida, expressa também nossa participação na Manifestação do Filho de Deus . Pedimos “que Ele nos faça dignos de participar de sua Vida divina”. Deus é Vida. O Filho vive a Vida do Pai. A encarnação do Filho é manifestação da Vida para dar a Vida: “Nele estava a Vida e a Vida era a luz dos homens” (Jo 1,4). Nós entramos nesta comunhão de vida através da fé: “Aquele que crê a tem a vida eterna” (Jo 6,47). Por isso rezamos para que, “instruídos pela sabedoria celeste, participemos da plenitude de sua vida”.  Como com Adão começou a vida na terra. Com a vinda do novo Adão, passamos pela nova criação: “Mediante vosso Unigênito nos fizestes ser a nova criação”. Participando da Luz e da Vida de Deus, participamos também da missão do Filho de ser Luz e Vida. Se realmente assumimos esta Luz e esta Vida, poderemos manifestar ao mundo este Mistério.

EVANGELHO DO DIA 1 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo S. Marcos 6,1-6.
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, doutor da Igreja 
Carta a Epicteto, 5-9 (a partir da trad. breviário, rev.) 
«Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria?»
O Verbo, a Palavra eterna de Deus, «veio em auxílio da descendência de Abraão; por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos seus irmãos» (Heb 2,16-17) e de tomar um corpo semelhante ao nosso. Assim, Maria foi verdadeiramente necessária, para que Ele tomasse corpo nela, e oferecesse esse corpo por nós como sendo seu. [...] Gabriel tinha-lho anunciado em termos cuidadosamente escolhidos, pois não disse apenas: «Aquele que vais nascer em ti» [...], mas: «Aquele que vai nascer de ti». [...] 
Tudo isto se fez para que o Verbo, assumindo a nossa natureza e oferecendo-a em sacrifício, a fizesse totalmente sua. Em seguida, quis revestir-nos da sua própria natureza divina, razão pela qual S. Paulo afirma: «É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade» (1Cor 15,53). E tal não aconteceu de forma simulada, como supõem certos heréticos: nem pensar nisso! O Salvador tornou-Se verdadeiramente homem, e foi daí que veio a salvação para todo o homem. [...] A nossa salvação não é uma aparência, não é apenas para o corpo, mas para o homem todo, alma e corpo, e esta salvação veio do próprio Verbo. 
Aquele que veio de Maria era, pois, humano por natureza, segundo as Escrituras, e o corpo do Senhor era um verdadeiro corpo; sim, um verdadeiro corpo, porque era idêntico ao nosso, porque Maria é nossa irmã, visto que todos descendemos de Adão.

BRÍGIDA DE KILDARE Freira, Abadessa, Fundadora, Santa 453-524

Santa Brígida de Kildare ou Brígida da Irlanda era uma cristã irlandesa, freira, abadessa, e fundadora de diversos conventos, que é venerada como santa. Ela é considerada uma das santas padroeiras da Irlanda, juntamente com São Patrício e São Columba. O dia da sua festa é o 1º de fevereiro, o primeiro dia da Primavera, que é tradicional na Irlanda.

Entre lenda e realidade...

Tal como acontece com muitos santos antigos a biografia de Brígida tem sido dificultada pela passagem do tempo. Muita mudança ocorreu dentro do corpo de informação que agora existe. Muitas vezes os limites entre a tradição oral e escrita tornaram-se difíceis de distinguir. Segundo a tradição, ela nasceu em Faughart, Irlanda. Devido à lendária qualidade das primeiras contas da sua vida, não há muita discussão entre muitos estudiosos e mesmo fiéis cristãos quanto à autenticidade das suas biografias. Segundo elas seus pais eram Dubhthach, um pagão de Leinster, e Brocca, uma cristã de Pictos que havia sido baptizada por São Patrício. Algumas trechos da sua vida sugerem que a mãe de Brígida foi, de facto, portuguesa, raptada por piratas irlandeses e levada para a Irlanda para trabalhar como escrava da mesma maneira que Patricío. Brígida recebeu o mesmo nome de uma das mais poderosas deusas da religião pagã, que o seu pai Dubhthach praticava; Brígida era a deusa do fogo, cujas manifestações foram música, artesanato, e poesia, que os irlandeses consideravam a chama do conhecimento.

Santidade

Ela foi convertida como cristã en 468, mas ela foi inspirada pela pregação de São Patrício desde a mais tenra idade. Apesar da oposição do seu pai, ela estava determinada a entrar na vida religiosa. Várias testemunhos atestam a sua grande piedade.
Ela tinha um coração generoso e nunca poderia recusar nada a um pobre, que vinha até à porta do pai. A sua caridade irritava este: ele pensava que ela estava a ser demasiadamente generosa para os pobres e necessitados, quando ela distribuía seu leite e farinha por todos. Quando ela finalmente deu a sua jóia a um leproso, Dubhthach percebeu que talvez, fosse o mais adequado para sua filha a vida de freira. Brígida finalmente obteve o seu desejo e foi enviada para um convento. Brigid recebeu o véu de São Mel e fez voto de dedicar a sua vida a Cristo. A partir deste ponto surgiram histórias e lendas sobre Brigid. Ela é creditada por ter fundado um convento em Clara, no Condado de Offaly sua primeira fundação. Mas seria em Kildare que o seu principal alicerce iria surgir. Cerca de 470 ela fundou a Abadia Kildare, uma duplo mosteiro, com freiras e monges. Brigid era famosa pelo seu senso comum e acima de tudo pela sua santidade: na sua vida, ela era considerada como um santa. A Abadia de Kildare tornou-se um dos mais prestigiados mosteiros da Irlanda, famoso em toda a Europa cristã.

Morte

Ela morreu em Kildare por volta de 525 e foi enterrada em um túmulo na igreja de sua abadia. Depois de algum tempo ela foi transportada para Downpatrick com os restos dos outros dois santos padroeiros da Irlanda, Patricio e Columba. Seu crânio foi extraído e levado para a Igreja de São João Baptista de Lisboa, Portugal, por três irlandeses nobres, onde permanece até hoje. Há uma ampla devoção a ela na Irlanda, onde ela é conhecida como a "Maria do Gael" e seu culto foi trazido para a Europa pelos missionários irlandeses, anos após a sua morte. Na Bélgica, existe uma capela dedicada a Santa Brígida em Fosses-la-Ville.

VERIDIANA DE FLORENÇA Franciscana, Santa 1182-1242

No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana. Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221. A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras. A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e como tal aproveitando-se da miséria reinante. Durante algum tempo procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias. Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres. O tio comerciante ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar. Veridiana após uma peregrinação ao túmulo de Tiago em Compostela, Espanha, diga-se um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena e desconfortável cela, próxima ao Oratório de Santo Antônio, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela, por onde ela assistia à missa e recebia suas raras visitas e refeições, também minúsculas, suficientes apenas para que não morresse de fome. O culto de Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença e, sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália.

MARIA ANA VAILLOT Religiosa, Mártire, Beata 1734-1794

Nasceu em Fontainebleau (França) e foi baptizada a 13 de maio de 1734. Dois anos antes tinha nascido um irmão seu que morreu ao fim de uns meses, de tal forma que o nascimento de Maria Ana encheu de alegria toda a família. Mas o pai morreu no mês seguinte e, assim, Maria Ana conheceu o sofrimento desde muito pequena. Não se sabe nada dos anos que passou com a família nem da origem da sua vocação. Aos 27 anos começou o postulantado com as Filhas da Caridade e a 25 de Setembro de 1761 ingressou no Seminário de Paris. Desconhece-se a data em que chegou a Angers, para trabalhar no Hospital S. João. Provavelmente já lá estava quando ocorreu a Revolução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. Maria Ana Vaillot e Odília Baumgarten. Depois deste feito histórico — que não augurava o que depois iria acontecer de triste e de horrível —, os ideais de uns e de outros foi mudando rapidamente e aquilo que segundo escreveram diversos historia-dores, devia ser uma revolução para acabar “com os privilégios”, tornou-se numa revolução “fundamentalmente ateia”, que “se propagou de forma violenta em todo território”, chegando-se mesmo, não longe onde então vivia Maria Ana Vaillot, a praticar massacres apenas verosímeis: “afogamentos em massa: homens, mulheres e crianças, nus, foram amarrados juntos em botes especialmente construídos, que foram rebocados para o meio do rio Loire e, então, afundados”. Para melhor assentar os seus intentos, os revolucionários — como muito bem diz outro historiador —, criaram novas “leis revolucionárias que subvertiam a ordem antiga em nome dos princípios de liberdade, igualdade, fraternidade”. Não é portanto de admirar que o Papa Pio VI interviesse firmemente. Na sua Encíclica Inscrutabile Divinae Sapientiae, de 25 de Dezembro de 1775, podemos ler: “Estes perfidíssimos filósofos acometem isto ainda: dissolvem todos aqueles vínculos pelos quais os homens se unem entre si e aos seus superiores e se mantêm no cumprimento do dever. E vão clamando e proclamando até à náusea que o homem nasce livre e não está sujeito ao império de ninguém; e que, por conseguinte, a sociedade não passa de um conjunto de homens estúpidos, cuja imbecilidade se prosterna diante dos sacerdotes (pelos quais são enganados) e diante dos reis (pelos quais são oprimidos); de tal sorte que a concórdia entre o sacerdócio e o império outra coisa não é que uma monstruosa conspiração contra a inata liberdade do homem.” O mesmo e corajoso Papa dirá ainda, no mesmo documento: “A esta falsa e mentirosa palavra Liberdade, esses jactanciosos patronos do género humano atrelaram outra palavra igualmente falaz, a Igualdade. Isto é, como se entre os homens que se reuniram em sociedade civil, pelo facto de estarem sujeitos a disposições de ânimo variadas e se moverem de modo diverso e incerto, cada um segundo o impulso de seu desejo, não devesse haver alguém que, pela autoridade e pela força prevaleça, obrigue e governe, bem como que chame aos deveres os que se conduzem de modo desregrado, a fim de que a própria sociedade, pelo ímpeto tão temerário e contraditório de incontáveis paixões, não caia na Anarquia e se dissolva completamente; à semelhança do que se passa com a harmonia, que se compõe da conformidade de muitos sons, e que se não consiste numa adequada com-binação de cordas e vozes, esvai-se em ruídos desordenados e completamente dissonantes” Foi durante esta triste revolução que “contagiou a vários países da Europa”, que Maria Ana Vaillot — e mui-tas outras religiosas — tendo recusado de negar a sua fé e de abandonar o seu estado religioso, foi fuzilada no “Campo dos Mártires”, no dia 1 de Fevereiro de 1794. Foi beatificada a 19 de Fevereiro de 1984.
Composição, segundo diversas fontes, de Afonso Rocha.


ODILIA BAUMGARTEN Religiosa, Mártir, Beata 1750-1794

Nasceu a 19 de Novembro de 1750 em Gondescange, na Lorena (França). Foi baptizada no dia seguinte. Antes dela, tinham nascido duas irmãs e um irmão, mas os três faleceram no espaço de um ano. Odília — nome muito corrente na Lorena e na Alsácia — foi uma grande alegria para a família. Aos 24 anos deixou o moinho familiar para entrar no postulantado em Metz. Entrou no Seminário a 4 de agosto de 1775. Foi enviada para Brest em 1776, mas partiu para Angers no início do ano seguinte, onde lhe confiaram a responsabilidade da farmácia do hospital. Um pouco de história, para melhor compreendermos o porquê destes assassinatos massivos, praticados pelos revolucionários franceses de triste memória. A Revolução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. Odília Baumgarten e Maria Ana Vaillot. Depois deste feito histórico — que não augurava o que depois iria acontecer de triste e de horrível —, os ideais de uns e de outros foi mudando rapidamente e aquilo que segundo escreveram diversos historia-dores, devia ser uma revolução para acabar “com os privilégios”, tornou-se numa revolução “fundamentalmente ateia”, que “se propagou de forma violen-ta em todo território”, chegando-se mesmo, não lon-ge onde então vivia Odília Baumgarten, a praticar massacres apenas verosímeis: “afogamentos em massa: homens, mulheres e crianças, nus, foram amarrados juntos em botes especialmente construídos, que foram rebocados para o meio do rio Loire e, então, afundados”. Para melhor assentar os seus intentos, os revolucionários — como muito bem diz outro historiador —, criaram novas “leis revolucionárias que subvertiam a ordem antiga em nome dos princípios de liberdade, igualdade, fraternidade”. Não é portanto de admirar que o Papa Pio VI interviesse firmemente. Na sua Encíclica Inscrutabile Divinae Sapientiae, de 25 de Dezembro de 1775, podemos ler: “Estes perfidíssimos filósofos acometem isto ainda: dissolvem todos aqueles vínculos pelos quais os homens se unem entre si e aos seus superiores e se mantêm no cumprimento do dever. E vão clamando e proclamando até à náusea que o homem nasce livre e não está sujeito ao império de ninguém; e que, por conseguinte, a sociedade não passa de um conjunto de homens estúpidos, cuja imbecilidade se prosterna diante dos sacerdotes (pelos quais são enganados) e diante dos reis (pelos quais são oprimidos); de tal sorte que a concórdia entre o sacerdócio e o império outra coisa não é que uma monstruosa conspiração contra a inata liberdade do homem.” O mesmo e corajoso Papa dirá ainda, no mesmo documento: “A esta falsa e mentirosa palavra Liberdade, esses jactanciosos patronos do género humano atrelaram outra palavra igualmente falaz, a Igualdade. Isto é, como se entre os homens que se reuniram em sociedade civil, pelo facto de estarem sujeitos a disposições de ânimo variadas e se moverem de modo diverso e incerto, cada um segundo o impulso de seu desejo, não devesse haver alguém que, pela autoridade e pela força prevaleça, obrigue e governe, bem como que chame aos deveres os que se conduzem de modo desregrado, a fim de que a própria sociedade, pelo ímpeto tão temerário e contraditório de incontáveis paixões, não caia na Anarquia e se dissolva completamente; à semelhança do que se passa com a harmonia, que se compõe da conformidade de muitos sons, e que se não consiste numa adequada combinação de cordas e vozes, esvai-se em ruídos desordenados e completamente dissonantes” Foi durante esta triste revolução que “contagiou a vários países da Europa”, que Odília Baumgarten — e muitas outras religiosas — tendo recusado de negar a sua fé e de abandonar o seu estado religioso, foi fuzilada no “Campo dos Mártires” no dia 1 de Fevereiro de 1794. Foi beatificada a 19 de Fevereiro de 1984. Composição, segundo diversas fontes, de Afonso Rocha.

ANA MICHELOTTI Religiosa, Fundadora, Beata 1843-1888

A beata Ana Michelotti ficou mais conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres. Nasceu em Annecy (Alta Sabóia, França), filha de pai piemontês e de mãe saboiana, em 29 de Agosto de 1843. Ainda menina, conheceu o sofrimento por causa de uma doença e também a pobreza por causa da morte prematura do pai. Em 1858 se transferiu com a mãe e o irmão António para Almese (Turim, Itália), junto dos parentes paternos. O tio Pe. Jaime Michelotti e o pároco a encami-nharam para a vida religiosa. Voltando para Annecy com a mãe, em Lião entrou para as aspirantes das Irmãs de São Carlos, voltadas para a instrução e educação da juventude. Mas o seu ideal desde a infância foi o da assistência aos pobres em domicílio. Com a morte da mãe, em 1864, retornou a Annecy. Dois anos depois morreu também o irmão, que tinha entrado entre os irmãos das escolas cristãs. Sozinha, estabeleceu-se em Lião, onde, em 1869, com Cata-rina Dufaut, entregou-se ao cuidado dos doentes em domicílio com o nome de Pequenas servas. Um grupo de leigos de Lião quis dar mais estabilidade ao grupo, atendendo em domicílio também os não crentes e as pessoas que estavam longe de Deus, sem nenhuma aparência de religiosas. Mas a sua companheira se orientava mais para uma congrega-ção religiosa. Surgiram dificuldades. A guerra fran-co-prussiana de 1870 afastou a irmã Joana de Lião. Quando voltou, foi readmitida como simples noviça e o grupo logo se desintegrou. Em 1871 foi para Turim e em 1874, com duas companheiras, deu início ao seu instituto, com a permissão do arcebispo de Turim, D. Lourenço Gastaldi. Não obstante as dificuldades, a obra se firmou e se expandiu com a abertura de mais duas casas. Em 1887, Irmã Joana se afastou da direcção da sua obra por motivos de saúde e veio a morrer no ano seguinte, em 1 de Fevereiro. Foi beatificada em 1975.

LUÍS VARIARA Sacerdote salesiano, Beato (1875-1923)

Luís Variara nasceu no dia 15-01-1875 em Viarigi (Ásti). Em 1856 Dom Bosco estivera ali, pregando uma missão. E foi a Dom Bosco que o pai confiou o filho, levando-o a Valdocco no dia 01-10-1887. O Santo morreu quatro meses depois. Mas o contacto que teve com ele foi suficiente para marcar Luís para toda a vida. Pediu que o admitissem como salesiano e entrou no noviciado no dia 17 de agosto de 1891. Variara estudou Filosofia em Valsalice, onde conheceu Padre André Beltrami. Em 1894 esteve ali o Padre Unia, o célebre missionário que há pouco havia começado a trabalhar na Colômbia, entre os leprosos de Agua de Dios. O mesmo Padre Variara contava: “Qual não foi o meu espanto e a minha alegria quando, no meio de 188 colegas meus que tinham a mesma aspiração, o Padre Unia fixou os olhos em mim e disse: Este é meu”. O jovem Variara chegou a Agua de Dios no dia 06 de agosto de 1894. O lazareto contava 2000 habitantes, dos quais 800 eram leprosos. Mergulhou totalmente na sua missão. Começou organizando uma banda musical, cuja inauguração se deu na presença do Presidente da República que, comovido, viu a "cidade da dor" animar-se pela primeira vez num impensável clima de festa. Em 1898 Luís foi ordenado sacerdote. Logo se revelou um óptimo director espiritual. Em Agua de Dios, na casa das Irmãs da Providência, nascera a Associação das Filhas de Maria, um grupo de 200 moças. Ele era o confessor delas, e não demorou a identificar no grupo algumas chamadas à vida religiosa. Um sonho irrealizável! Nenhuma Congregação aceitaria uma filha de leprosos e, muito menos, uma doente de lepra. Dessa real impossibilidade nasceu o audacioso projecto ― único na Igreja ― de um Instituto que permitisse aceitar também candidatas doentes de lepra. Hoje a Congregação das Filhas dos SS. Corações de Jesus e Maria conta 600 religiosas. Padre Variara se sentia sempre mais entusiasta de sua missão. Um dia suspeitou-se que ele também tivesse sido atingido pela doença. Ao saber disso, limitou-se a dizer: “Tudo vem de Deus e tudo vai para Deus”. Morreu longe dos seus queridos doentes, como a obediência determinara. Agora repousa em Agua de Dios na capela das suas Filhas. Beatificado em 14 de abril de 2002, pelo Papa João Paul II.

Santa Brígida de Kildare

Virgem (450-525) Em meio ao grande florescimento de santos irlandeses, entre os séculos IV e VIII, destaca-se essa mulher, venerada como a segunda padroeira da Irlanda, depois de são Patrício. Ela fundou o primeiro convento feminino na 'ilha dos santos', a partir do qual se originaram centenas de lendas e diversas comunidades femininas, todas inspiradas na regra ditada por essa santa, as quais enriqueceram o calendário de outros inúmeros santos.  No centro da espiritualidade de Kildare se encontra o constante apelo à misericórdia divina e à caridade para com os pobres. Com efeito, a santa aparece habitualmente representada em companhia de uma vaca, visto ser venerada como padroeira dos leiteiros e (por que não?) dos pacíficos ruminantes, fonte de precioso alimento, pois o senso prático da excelente mulher encontrara meio de saciar a fome de muitos pobres que batiam às portas do convento. ,

São Cecílio de Elvira

São Cecílio de Elvira ou de Ilíberis foi um santo da Igreja Católica que é considerado um mártir, que viveu no século I ou II d.C. na cidade romana de Elvira (Ilíberis), tradicionalmente considerada a antecessora da atual Granada, no sul de Espanha. Segundo a tradição cristã medieval, relatada na lenda dos sete varões apostólicos (Sete Apóstolos de Espanha)[nt 1] e no Códice Emilianense, documentos do século X baseados em textos mais antigo, foi um dos sete varões apostólicos, discípulos do apóstolo Santiago Maior que foram enviados para evangelizar Hispânia por São Pedro e São Paulo. É considerado o primeiro bispo de Ilíberis e desde o final do século XVI é venerado como padroeiro de Granada e da sua arquidiocese. Depois da Reconquista cristã em 1492, baseando-se na tradição medieval e procurando ligar a nova igreja de Granada com as suas origens mais remotas na comunidade cristã de Ilíberis, uma das primeiras paróquias criadas na cidade foi a de São Cecílio, embora se venerasse como padroeiro São Gregório Bético (ou de Elvira).[nt 3] Entre 1588 e 1599 foram descobertas na base da Torre Turpiana e no Sacromonte — então chamado monte de Valparaiso — uma série de relíquias, entre elas as supostas cinzas de São Cecílio, uma inscrição que indicava que o seu martírio tinha ocorrido no monte Ilipulitano no segundo ano do reinado de Nero (r. 54–68) e os chamados livros plúmbeos. Estes achados extraordinários intensificaram a devoção e o culto ao bispo santo em Granada e deram nome ao bairro do Sacromonte. A autenticidade dos achados foi questionada, considerados atualmente uma falsificação da comunidade mourisca para tentar evitar a expulsão que acabaria por acontecer em 1609, foi objeto de polémica até que um concílio local os declarou que as relíquias eram autênticas. Os livros plúmbeos, considerados falsos pelo historiador Luis Tribaldos de Toledo (1558–1636), depois de numerosas vicissitudes, foram finalmente declarados falsos em 1682 por um breve apostólico do Papa Inocêncio. Devido aos achados, a festa litúrgica de São Cecílio foi mudado de 15 de maio, dia em que se celebrava em conjunto com os outros seis varões apostólicos, para 1 de fevereiro, a dia do martírio segundo as inscrições encontradas. Para venerar as relíquias dfoi fundado, por iniciativa do arcebispo de Granada Pedro de Castro, a Abadia do Sacromonte. Embora a proclamação oficial como padroeiro só tenha ocorrido em 1646 pelo arcebispo de Granada Martín Carrillo Alderete e pelo papa em 1703, desde então que São Cecílio passou a ser considerado o padroeiro de Granada e da sua arquidiocese. Veneração A romaria de São Cecílio, que tem lugar todos os anos no primeiro domingo de fevereiro no Sacromonte, congregando milhares de pessoas, é uma das festividades católicas mais importantes de Granada. A romaria e a Abadia do Sacromonte são os principais instrumentos para a preservação, propagação e disseminação da lenda de São Cecílio, com a qual a cidade procurou redefinir a sua entidade histórica no século XVII, substituindo o seu passado muçulmano através dos registos supostamente redescobertos das suas origens cristãs. Segundo a lenda, as catacumbas do Sacromonte, conhecidas como Santas Cuevas ("santas grutas"), que se encontram no recinto da Abadia do Sacromonte, são o lugar onde São Cecílio foi martirizado. Na abadia são conservadas as supostas relíquias de São Cecílio, onze ossos de outos santos, cinzas e o forno onde se acredita que eles foram incinerados. Também são ali conservadas as placas de chumbo com inscrições conhecidas como os livros plúmbeos 

Santo Henrique Morse, mártir

Nascido na Igreja Anglicana em 1595 em uma família da pequena nobreza, enquanto estudava direito em Londres, aderiu ao catolicismo e foi ordenado sacerdote em Roma. Em 1624 ele retornou para a Inglaterra e fez seus votos como jesuíta na prisão, para seu companheiro de prisão em Iorque, o padre John Robinson, que dividiu a cadeia. Ele foi então banido para Flanders. De volta à Inglaterra, de modo subterrâneo, ajudou os doentes durante uma epidemia de peste em 1636, contraiu a doença e saiu saudável dela. Ele foi detido e acusado de pregar para os protestantes em busca de sua conversão ao catolicismo. Ele foi condenado à morte em 1645. No dia de sua execução teve lugar na cadeia da santa missa. Na forca com a corda no pescoço, disse que a sua religião era o catolicismo e que sempre trabalhou para o bem-estar de seus compatriotas, negando categoricamente que ele tinha organizado ou participado em qualquer conspiração contra o rei, em seguida, orou em voz alta para a salvação de sua alma, por seus perseguidores e pilo Reino da Inglaterra . Foi enforcado em 01 de fevereiro de 1645. Ele foi beatificado em 1929 por Pio XI e canonizado em 25 de outubro de 1970, por Paulo VI como um dos Mártires 40 de Inglaterra e País de Gales. 

São Severo de Antioquia

Severo I (em aramaico: Sewerios ) teve papel importante na definição e orientação da Igreja de Antioquia. Sua formação foi definida num mosteiro em Trípoli na Fenícia (atual Líbano) com um profundo senso espiritual. Viajou para Alexandria, no Egito e lá também morou e estudou em um mosteiro. Além de passar seu tempo em estudo, dedicou também muito tempo em devoção e contemplação e quando foi servir em Antioquia, seguiram-no duzentos monges de diversas regiões da África, principalmente egípcios. Em 512 foi coroado patriarca de Antioquia. A biografia de Sewerios traz alguns dados interessantes. Seu avô paterno também portava o nome de Severo e foi epíscopo em Sozópolis (fica na atual Antalya, Turquia ocidental). Em 431, esse seu avô participou do Concílio de Éfeso. Daí se depreende a sua ligação com a ortodoxia. Seu pai foi senador do Império Bizantino e por isso sua educação foi das mais apuradas: por um lado, conhecia os clássicos gregos e por outro era um devoto do cristianismo oriental. Quando foi a Alexandria, impressionou os coptas com seus conhecimentos dos clássicos gregos e ao mesmo tempo, foi introduzido aos escritos de S. Basiléu (Basselios, em aramaico) e de Gregório de Nazianzus (Greghorios ed nadsiansus). Defendia as idéias de Dióscoro (Diosqoros, em aramaico) com uma retórica e lógica incomparáveis. Em 518, o novo imperador, Flaviano, intimou-o a ir a Constantinopla. Quando lá chegou, Flaviano o pressionou para aceitar os dogmas de um Concílio que os siríacos se recusavam a aceitar. Severos resistiu e Flaviano procurou condená-lo até mesmo à morte, porém, a esposa de Flaviano, a imperatriz Teodora alertou Severo da intenção da corte. Essa imperatiz, por sua vez, era filha de um padre siríaco da Igreja de Antioquia. Severo então conseguiu escapar ileso. Em seguida, o imeprador declarou vaga a cátedra de Antioquia e nomeou um patriarca que aceitava a forma como Roma e Bizâncio apresentavam a natureza de Cristo (conhecida como os dogmas do Concílio de Calcedonia). Sewerios viajou ao Egito e lá escreveu diversas cartas explicando a diversidade dessas teses, em grego (no Egito, a maioria do povo falava o idioma grego e também uma mistura da antiga língua egipcia com a grega, conhecida como língua copta). Hoje, somente uma pequena parte desses escritos estão preservados em grego, a maioria existe em aramaico (siríaco). Enquanto isso, a Igreja Siríaca de Antioquia sofria as perseguições do imperador que pensava estar certo. Nesse tempo surgiu na Síria um bispo chamado Tiago Baradeus (em aramaico: Yaaqüb Buredoono) que pregava o caminho dado por Sewerios. Imediatamente, Sewerios nomeou Tiago Baradeus como responsável pela pregação da ortodoxia e assim, Tiago Baradeus tornou-se o grande sustentáculo da ortodoxia na Síria, Fenícia, Mesopotâmia e Pérsia. Dezessete anos depois Sewerios voltou a Constantinopla e discutiu a questão com o patriarca de Constantinopla, Antímo (em aramaico é conhecido por Anthimos) o qual percebeu que o imperador Flaviano estivera errado e que Sewerios, durante todo esse tempo, mesmo perseguido, vilipendiado e injuriado, estava certo, porém, já não era mais possível erradicar completamente o “erro” e o cisma que permaneceria. Isso foi em 536 d.C. No início de 538 d.C., Sewerios faleceu. 

1º DE FEVEREIRO - MOROU NO OCO DE UM TRONCO DE CARVALHO

Santa Brígida viveu no século VI. É a padroeira da Irlanda e a santa mais conhecida em todo o país. Aos 14 anos de idade foi morar numa ermida. Essa ermida resumia-se num buraco que havia no tronco de um carvalho gigante. Brígida sempre teve forte inclinação para a vida pastoril e agrícola. Gostava de cuidar das criações, e não descuidava de sua horta. Sua vida está cheia de cenas pitorescas e histórias lendárias sinal da sua grande popularidade. Certa vez foi dar água a um menino. Mas ele queria leite; a água se transformou em leite. De outra feita o barril de leite enviado por ela a um vilarejo próximo, só esvaziou depois que todas as crianças ficaram satisfeitas. Diz a lenda que as vaquinhas de Brígida davam leite três vezes ao dia para os pobres terem o leite suficiente. 
Santa Veridiana, nascida na Toscana, Itália (+1242),consagrou desde muito jovem sua virgindade a Deus. Por vezes, a Providência Divina ajudou-a com milagres. Conta-se que certo dia seu tio, após haver acumulado grande quantidade de víveres, os vendeu por alto preço. Quando o comprador veio buscar o trigo, o celeiro estava vazio. Veridiana havia dado tudo para os pobres. No dia seguinte, miraculosamente, o celeiro foi encontrado cheio de novo. Peregrinou a Santiago de Compostela e a Roma, retornando depois à terra natal, onde viveu fechada voluntariamente numa cela, durante 34 anos, em meio a rigorosas penitências e recebendo graças místicas extraordinárias.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE FEVEREIRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Quarta-feira – Santos: Henrique Morse, Severo, Veridiana 
Evangelho (Mc 6,1-6) Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” 
Os de Nazaré admiraram a sabedoria de Jesus e seus milagres. Mas, não o queriam aceitar como o Enviado de Deus, porque não conseguiam entender que o poder divino pudesse manifestar-se numa pessoa comum, que todos conheciam, que era um carpinteiro, alguém que tinha andado e andava pelas suas ruelas. Só pela fé poderemos percebe a ação de Deus nas coisas comuns da vida. 
Oração
Senhor meu Deus, aumentai em mim a fé, para que vos possa ver agindo no meu dia a dia, manifestando-vos nos que vivem comigo. Confio em vosso poder e em vosso amor, e conto com vossa ajuda para viver cada vez mais como Jesus ensinou. Fazei que também eu possa, com meus atos e palavras, ser uma bênção de salvação para todos. Ficai comigo em todos os meus momentos. Amém.