sexta-feira, 26 de agosto de 2022

SÃO MAXIMILIANO MÁRTIR, NA VIA SALÁRIA ANTIGA

Não há notícias hagiográficas sobre São Maximiliano, mártir romano do século I. Sabe-se apenas que os peregrinos, desde o século VII, o veneravam no cemitério de Bassila, ao longo da Via Salaria antiga. Segundo algumas fontes, a sepultura encontrava-se dentro da pequena basílica de Santo Hermes. 
As Acta Maximiliani são um documento precioso e autêntico de literatura martirológica. Nelas estão indicados o lugar do martírio de São Maximiliano, jovem de grandes virtudes, morto na flor dos vinte anos, e a cena. Para o estudo das instituições militares do império romano, as Acta são valiosas, uma vez que, entre outras coisas, cita que os soldados levavam ao pescoço uma empola de chumbo, onde vinha constando a identidade e o juramento feito. No dia 12 de Março de 295 - estava-se sob o consulado de Tusco e de Anulino e era em Tebessa, antiga Tevesta, Maximiliano foi, como o pai, levado à presença do procônsul da África, Dion Cássio, para que servisse no exército. O jovem, que ia contragosto, já havia declarado ao pai que, como cristão, não lhe era permitido abraçar a carreira. Por que? Acreditava o Santo que o serviço militar era incompatível com a fé cristã, e assim, ia determinado a negar a sua admissão, acontecesse o que acontecesse. Dion Cássio fez tudo para dissuadir o moço Maximiliano. - Eu não serei soldado, dia o jovem com ardor, Não posso nem quero combater pelo século. Sou soldado de meu Deus. Dion Cássio foi perdendo a paciência. E o pai do valoroso soldado de Cristo, secundando o procônsul, usava de carinhos para induzir o filho a acatar as ordens e os conselhos de Cássio, mas frouxamente. - Já disse que não! Exclamava Maximiliano mortificado. Não hei de receber, do século, qualquer marca. E, se me impuserem, quebrá-la-ei. Para mim não tem valor algum. Eu sou cristão, e como cristão jamais levarei ao pescoço aquele chumbo que é a marca do século. Não trago eu o sagrado signo de Cristo, d'Aquele que é o Filho de Deus vivo? (1) - Ó jovem, já que és tão insubmisso, e te recusas a prestar o serviço militar, sejas levado à morte, para que a outros fiques servindo de exemplo! Maximiliano respirou aliviado. Ergueu os olhos para o céu e exclamou, com alegria: - Graças sejam dadas a Deus! Levado ao suplício, Maximiliano, eufórico, animava os cristãos que se lhe comprimiam ao redor: - Irmãos bem-amados, com todas as vossas forças, e com todo o ardor de vossos desejos, diligenciai para que possais obter a ventura de ver a Deus e merecer coroa semelhante a minha! Sorrindo, feliz, o rosto radiante, virou-se para o pai e pediu: - Dá ao soldado que vai cortar minha cabeça o trajo novo que tu me havias preparado para a milícia! Que os frutos desta boa obra se multipliquem para ti, centuplicadamente, e que eu, bem cedo, possa receber-te ao céu! Ambos, então, juntos, glorificar-nos-emos no Senhor! Ditas aquelas palavras, foi decapitado incontinenti. O corpo, levado para Cartago, por uma matrona, chamava-se Pompeiana, foi enterrado ao lado do mártir Cipriano. (1) Medalha que os cristãos levavam com uma representação do Cristo e um símbolo. (Livro dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IV, p. 383 à 385) 

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