sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

REFLETINDO A PALAVRA - “A Palavra que denuncia”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
139. Palavra que cura 
A situação do mundo, desde os primórdios, está marcada pela realização de tantas coisas boas, como também pela presença do mal. Qual é o instrumento de cura desses males que são um só, com muitos nomes? O remédio para tantos males é Jesus através de sua graça e de sua Palavra que cura e salva. O remédio nem sempre é doce, apesar de a Palavra ser doce ao ser acolhida e servir de alimento. Nas situações de endurecimento do coração torna-se uma denúncia que desmascara os artifícios do mal e aponta os bons caminhos. Ela denuncia o mal, sem atingir a pessoa. A fidelidade a sua origem atinge a raiz do mal com uma proposta nova que mostra os bons cominhos. Pela história do povo de Deus podemos ver como a Palavra mostrava os desvios da “lei de Deus”. Denunciava duramente os responsáveis pelo pecado e ao mesmo tempo o povo que se deixou levar. As denúncias vinham com ameaças de castigos. Esses não eram mais do que conseqüências de seus desvarios. O erro traz consigo uma conseqüência que pode ser dura. Chamam a isso castigo, mas na verdade é o que se sofre por não viver a Palavra. Deus corrige os que ama (Pr 13,24). Se a denúncia do mal se torna uma forte acusação é porque suas conseqüências são calamitosas. Jeremias escreve as mágoas de Deus: “Abandonaram a mim fonte de água viva e cavaram para si cisternas rachadas que não podem reter água” (Jr 2,13). A Igreja peca quando não aponta os erros que a sociedade comete ou ensina a cometer. Assim agindo, não está demonstrando amor, mas prejudicando e sendo conivente. 
140. Hostilidade à Palavra 
A Palavra sempre sofreu hostilidade e incompreensão. A palavra falsa faz rapidamente sua estrada. A Bíblia, apesar de ser o livro mais lido, é o mais contestado. A hostilidade à Palavra une-se à hostilidade aos que a anunciam. Ezequiel, como também João, falam do amargor da Palavra. Jeremias lamenta-se de que a “Palavra de Deus tornou-se para ele em opróbrio e ludíbrio todo dia” (Jr 20,9). Não é só com os antigos que aconteciam essas coisas, hoje igualmente, quem anuncia a Palavra é sempre perseguido. Colocar o dedo na ferida é doloroso. Jesus fez essa experiência. Esteve sempre em choque com os donos do povo. Sua palavra é incômoda. É como mexer com “vespas”. 
141. É preciso anunciar 
Mesmo que a situação da evangelização seja difícil em um mundo que pensa diferente, com princípios contrários ao Evangelho, é preciso anunciar. Como vamos enfrentar a mídia (TV, imprensa, internet) e as tendências de uma sociedade que exalta o pecado como virtude e rejeita a virtude como ignorância e atraso? É preciso anunciar, mesmo quando há perseguição, se não física, mas moral e psicológica. O que mais nos dá segurança na perseguição, o que nos estimula a anunciar e mesmo denunciar é o fato de a Palavra ser de Deus e não nossa. As palavras e idéias que se opõem à verdade do Evangelho têm a força da inteligência humana que mesmo sendo grande e maravilhosa pode ser penetrada pelo mal. Mas a Palavra de Deus tem a Sabedoria de Deus. Se a pronunciarmos com fidelidade sua força é invencível. Não podemos temer nem afrouxar. Se Deus é por nós, quem será contra nós? Mesmo os mais humildes têm a sabedoria de Deus, como vemos em Maria.

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