Evangelho
segundo S. Lucas 2,16-21.
Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente
para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura.Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele
Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham
ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o
nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.
Tradução litúrgica da Bíblia
Comentário do dia:
Santo Amadeu de Lausana (1108-1159),
monge cisterciense, bispo
4.ª homilia mariana
«Maria conservava todas
estas palavras, meditando-as em seu coração.»
Quando, pela primeira vez, tomou nos braços o
seu Menino, o Emanuel, Maria discerniu nele uma luz incomparavelmente mais bela
do que o sol, sentiu um fogo que nenhuma água teria podido apagar. Recebeu,
escondida naquele pequeno corpo que acabava de nascer dela, a luz deslumbrante
que ilumina tudo e mereceu ter nos braços o Verbo de Deus, que sustenta tudo
quanto existe (Heb 1,3). Como não haveria de se deixar invadir pelo
conhecimento de Deus, qual onda transbordando do mar (Is 11,9)? Como não
haveria de ficar extasiada, fora de si mesma, elevada às alturas, em admirável
contemplação? Como não haveria de se espantar ao ver-se mãe, ela que é virgem,
e, cheia de alegria, Mãe de Deus? Maria compreendeu que nela se cumpriam as
promessas feitas aos patriarcas, os oráculos dos profetas e os desejos dos seus
antepassados, que o esperavam de todo o coração. Ela vê o Filho de Deus que lhe é entregue; alegra-se por lhe ter sido confiada
a salvação do mundo. E ouve o Senhor Deus dizer-lhe no fundo do coração:
«Escolhi-te de entre tudo o que criei; abençoei-te entre todas as mulheres (Lc
1,42); entreguei o meu Filho nas tuas mãos; confiei-te o meu Unigénito. Não
tenhas medo de amamentar Aquele que geraste, nem de levantar do chão Aquele que
deste à luz. Aprende que Ele não é só o teu Deus mas também o teu filho. É meu
Filho e é teu filho, meu Filho pela divindade, teu filho pela humanidade que em
ti assumiu.» Com que afeto e com que zelo, com que humildade e com que
respeito, com que amor e com que devoção não terá Maria respondido a este
apelo! Os homens não podem sabê-lo, mas Deus sabe, Ele que perscruta os rins e
os corações (Sl 7,10). [...] Feliz daquela a quem foi dado criar Aquele que
tudo protege e alimenta, ter nas mãos Aquele que sustém todo o universo.
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