Evangelho segundo São Mateus 1,18-24.
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz:
«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado Emanuel, que quer dizer Deus connosco».
Quando despertou do sono, José fez como o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Tradução litúrgica da Bíblia
Monge cisterciense, doutor da Igreja
Homilias sobre as palavras do Evangelho:
«Eis que o anjo do Senhor lhe apareceu», n.°2, 13-15
«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa»
«José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo».
Porque era justo, não queria desonrá-la. Não teria sido justo se fosse cúmplice depois de a ter julgado culpada, ou se, reconhecendo-lhe a inocência, a tivesse condenado. Por isso, tomou a decisão de a deixar em segredo. Mas porquê deixá-la? Pela mesma razão, dizem os Padres, que moveu Pedro a afastar o Senhor, dizendo-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador» (Lc 5,8); e de igual modo Lhe fechou a porta o centurião, dizendo-Lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa» (Mt 8,8).
José, que se considerava um pecador, dizia para consigo que era indigno de ter em sua casa uma mulher cuja excelência e superioridade lhe inspiravam veneração e temor. Percebeu que Ela carregava um sinal indubitável da presença divina; e, incapaz de compreender o mistério, decidiu deixá-la. São Pedro temeu a omnipotência divina; o centurião ficou atemorizado com a presença da majestade de Cristo. José, enquanto homem, foi tomado de espanto ante milagre tão singular e tão impenetrável mistério; foi por isso que, em segredo, decidiu deixar Maria. Não vos espanteis por José se julgar indigno de viver ao lado da Virgem grávida; Santa Isabel também se encheu de temor e respeito na presença dela: «Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1,43).
E porque queria deixá-la em segredo? Para não dar azo a que alguém perguntasse pela causa de tal separação e viesse exigir explicações. Que poderia este homem justo responder a pessoas sempre prontas a contestar? Se tivesse desvelado os seus pensamentos, se tivesse dito estar convencido da pureza da sua noiva, os céticos tê-lo-iam votado ao escárnio e teriam lapidado Maria. José teve portanto razão, pois não queria mentir nem difamar. Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo».

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