Evangelho segundo São Mateus 10,16-23.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.
Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas.
Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações.
Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer;
porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós.
O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte.
E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.
Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do homem».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1347-1380)
Terceira dominicana,
doutora da Igreja,
copadroeira da Europa
Carta 11, a Gregório XI
O coração protegido por verdadeira
e santa paciência
Santíssimo e reverendíssimo Padre em Cristo, manso Jesus, Catarina, vossa indigna e miserável filha, recomenda-se a vós no precioso sangue de Jesus, com o desejo de ver o vosso coração firme e inabalável em verdadeira e perfeita paciência, considerando que um coração fraco, inconstante e sem paciência nunca poderá realizar as grandes obras de Deus.
Quanto mais pesado for o vosso fardo, mais forte, corajoso e destemido há de ser o vosso coração diante de tudo o que possa acontecer-vos. Bem sabeis, Santíssimo Padre, que, ao tomardes a Igreja como esposa, vos comprometestes a sofrer por ela os ventos contrários, as dores e as tribulações que por causa dela vos assaltarão. Avançai, pois, como homem corajoso, ao encontro dessas tempestades, com fortaleza, paciência e perseverança; que a tristeza nunca vos faça olhar para trás por surpresa e medo; mas perseverai e rejubilai no meio dos perigos e das batalhas, para que o vosso coração rejubile ao ver a obra de Deus ser realizada no meio dos obstáculos que se apresentaram e se apresentarão.
Sempre assim foi: as perseguições à Igreja e as tribulações da alma virtuosa terminam sempre na paz que é fruto da verdadeira paciência e da perseverança, para as quais está reservada a coroa da glória. Este é o remédio, e foi por isso que vos disse, Santíssimo Padre, que desejava ver-vos de coração firme e inabalável, protegido por verdadeira e santa paciência.

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