Evangelho segundo São Mateus 9,18-26.
Naquele tempo, estava Jesus a falar aos seus discípulos, quando um chefe se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: «A minha filha acaba de falecer. Mas vem impor a mão sobre ela e viverá».
Jesus levantou-Se e acompanhou-o com os discípulos.
Entretanto, uma mulher que sofria um fluxo de sangue havia doze anos aproximou-se por detrás dele e tocou-Lhe na fímbria do manto,
pensando consigo: «Se eu ao menos Lhe tocar no manto, ficarei curada».
Mas Jesus voltou-Se e, ao vê-la, disse-lhe: «Tem confiança, minha filha. A tua fé te salvou». E a partir daquele momento a mulher ficou curada.
Ao chegar a casa do chefe e ao ver os tocadores de flauta e a multidão em grande alvoroço,
Jesus disse-lhes: «Retirai-vos, porque a menina não morreu; está a dormir». Riram-se dele.
Mas, quando mandou sair a multidão, Jesus entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se.
E a notícia divulgou-se por toda aquela terra.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1098-1179)
Abadessa beneditina
e doutora da Igreja
Os caminhos de Deus, cap. 4
«Nunca abandono aqueles que Me procuram»
Sou uma coluna firme e segura [disse o Senhor a Santa Hildegarda numa visão], e nunca abandono aqueles que Me procuram. Aqueles que Me apanham e se apegam a Mim com confiança não cairão na perdição; mas na alma daqueles que Me relegam ao esquecimento e, no seu orgulho, se exaltam acima de Mim – isto é, daqueles que confiam mais em si mesmos do que em Mim e, por isso, zombam da confiança em Mim, pois têm por nada a graça de Deus –, sou como um turbilhão, pois esses desprezam-Me e zombam de Mim com orgulho desmedido.
No seu desespero, não por causa da gravidade dos pecados que cometeram, mas do seu orgulho, troçam de Mim, dizendo: «O que é a graça de Deus?». A esses, destruirei, rejeitando-os, e não os exaltarei através da minha escolha, pois estão mortos para a felicidade eterna. E os homens que não acreditam firmemente que podem ressurgir das graves faltas dos seus pecados, e que, desse modo, rejeitam Deus omnipotente e a sua graça – isto é, aqueles que, em tristeza imensa, desesperam ao pensar que não podem escapar à enormidade dos seus crimes –, esses são esmagados e rejeitados, e lançam-se na morte com veemência.
Mas os meus filhos bem-amados, que Me recebem de espírito aberto, com boa vontade e o intelecto atento, que Me comovem com os seus gemidos e as suas lágrimas, abraçando-Me com alegria e fervor – esses são como flores: quando sentem a minha presença, imediatamente se alegram em Mim e Eu neles. Quero lapidá-los e purificá-los sem cessar, até que sejam colocados com honra e glória na Jerusalém celeste. Abandono-os com frequência, para que o seu interior não se ensoberbeça; desta forma, submeto a sua fé a dura prova.

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