Naquele tempo, os discípulos de João Batista foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: «Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?».
Jesus respondeu-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão de jejuar».
Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo repuxa o vestido e o rasgão fica maior.
Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, os odres rebentam, derrama-se o vinho e perdem-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos e assim ambas as coisas se conservam».
Tradução litúrgica da Bíblia
(406-450)
Bispo de Ravena,
doutor da Igreja
Sermão 31
O jejum dos amigos do noivo
«Por que motivo nós e os fariseus
jejuamos e os teus discípulos
não jejuam?»
Porquê? Porque, para vós, o jejum é uma prática da lei, não é um oferecimento espontâneo. Ora, em si mesmo, o jejum não tem valor; o que conta é a intenção de quem jejua. Que proveito pensais ganhar jejuando contrariados e forçados? O jejum é um arado maravilhoso para lavrar o campo da santidade: converte os corações, desenraíza o mal, arranca o pecado, enterra o vício, semeia a caridade, mantém a fecundidade e prepara a colheita da inocência. Ora, os discípulos de Cristo estão posicionados no coração do campo maduro da santidade: recolhem molhos de virtudes e gozam do pão da nova colheita; por conseguinte, não podem praticar os jejuns prescritos.
«Por que motivo os teus discípulos não jejuam?» O Senhor responde-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto, enquanto o esposo estiver com eles?». Aquele que toma mulher põe o jejum de lado, abandona a austeridade; entrega-se totalmente à alegria, participa nos banquetes; mostra-se afetuoso, delicado e alegre: faz tudo o que a sua afeição pela esposa lhe inspira. Cristo celebrava as suas núpcias com a Igreja: por isso, tomava parte nas refeições, não recusava convites; cheio de benevolência e amor, mostrava-Se humano, acessível, amável, pois desejava unir o homem a Deus e fazer dos seus companheiros membros da família divina.

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