quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

REFLETINDO A PALAVRA - “A caridade não acabará”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA-REDENTORISTA
51 ANOS CONSAGRADO
43 ANOS SACERDOTE
Mistério da rejeição 
Na reflexão sobre o discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré, pudemos conhecer que a missão de Jesus atinge o homem todo. Nada está fora do projeto de Jesus. Quer restaurar no homem a imagem de Deus danificada pelo pecado. O pecado fechou o Paraíso aos primeiros pais que recusaram o que lhes era proposto como vida. As consequências para humanidade não foram só um pecado cometido, mas um mal que penetrou as estruturas da humanidade. Essa rejeição continua na sinagoga de Nazaré. Chegam ao ponto de expulsá-Lo da cidade para lançá-Lo no precipício. Querem eliminar Jesus que é o Redentor de todos os males. Quer dizer: “Esse homem não pode viver porque é um incômodo para nós”. Um dos motivos da recusa dos judeus de Nazaré foi o fato de Jesus não corresponder à figura de um Messias glorioso e poderoso. O humilde camponês não pode ser aquele que esperam. Ainda mais que era um como eles. Dizem: ‘Se é poderoso em fazer milagres, porque não faz um espetáculo ali em Nazaré?’. A perseguição a Jesus por sua vida e ensinamentos vai culminar como causa de sua condenação à morte. O mal entrou no coração das pessoas. O mesmo aconteceu aos profetas, como lemos em Jeremias que se lamenta da perseguição. Essa é a linguagem que aparece nos lamentos dos justos durante as perseguições (Salmos 38. 41 e outros). O mundo rejeita Jesus, o Evangelho e sua anunciadora que é a Igreja. Ser profeta é penoso. Até dentro da Igreja há aqueles que não Evangelho levado às consequências práticas. Ou não o assumem como vida. 
Muro de bronze 
O profeta pertence a Deus, fala em nome de Deus e é confirmado pela realização das profecias. Escreve Jeremias sobre sua vocação: Deus disse: “Antes de formar-te no ventre materno, Eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te fiz profeta das nações”(Jr 1,5). Profecia não é somente falar o futuro, mas mostrar a vontade de Deus. Se ouvirem sua Palavra as coisas mudarão. Jesus anuncia o ano da graça do Senhor que é a remissão total. Até hoje vivemos esse momento, esperando o dia feliz de sua plena realização. Mesmo nos sofrimentos o profeta é garantido por Deus. Jeremias deve anunciar: “Levanta-te e comunica-lhes tudo o que Eu te mandar dizer. Não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles” (Jr 1,17). Quanto mais o evangelizador tem medo de dizer a verdade, com mais medo vai ficar. Mesmo que haja recusa e guerra contra o profeta, mais forte ele se torna: “Eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo...” (Jr 1,18). Jesus, ao ser ameaçado, passou entre eles. A força de sua personalidade espiritual e humana foi um muro de bronze diante da atitude da rejeição de seus compatriotas. 
A força do amor 
A evangelização é uma obra de amor como resposta ao Deus que nos amou primeiro e enviou seu Filho (Jo 4,9-10). Paulo na primeira carta aos Coríntios na diz que o amor é o fundamento de tudo. Sem ele, a evangelização cai em terra seca. Papa Francisco escreve “O amor às pessoas é uma força espiritual que favorece o encontro em plenitude com Deus a ponto de se dizer de quem não ama o irmão, “está nas trevas” (1Jo 2,11). Somente a força do amor levou tantos cristãos a se entregarem à evangelização. A celebração da Eucaristia é um momento de evangelização pela comunidade unida no amor e pela Palavra transmitida com coerência. A caridade manterá a evangelização até que o Senhor venha.

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