Evangelho segundo São Lucas 6,39-42.
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
Como podes dizer a teu irmão: "Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista", se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.
Tradução litúrgica da Bíblia
(380-444)
Bispo, doutor da Igreja
Comentário
sobre o evangelho de Lucas, 6
O discípulo bem formado será
como o seu mestre
«O discípulo não é superior ao mestre,
mas todo o discípulo perfeito
deverá ser como o seu mestre».
Os bem-aventurados discípulos estavam destinados a tornar-se guias e mestres espirituais em todo o mundo; por isso, tinham de dar provas, mais do que quaisquer outros, de um fervor visível, mas também de estar familiarizados com a maneira de viver segundo o Evangelho e dispostos a praticar as boas obras. Com efeito, eles teriam de transmitir àqueles que instruíssem a doutrina exata, salutar e estritamente conforme à verdade, depois de primeiramente a terem contemplado e de terem deixado a luz divina iluminar-lhes a inteligência; sem isso, seriam cegos a conduzir outros cegos, pois aqueles que estão mergulhados nas trevas da ignorância não podem conduzir ao conhecimento da verdade os homens que sofrem essa mesma ignorância: correriam o risco de cair todos juntos no abismo das suas más tendências.
Foi por isso que, querendo travar a inclinação para a vanglória presente em tantas pessoas e dissuadi-las de rivalizar com os seus mestres para ultrapassarem a reputação destes, o Senhor disse: «O discípulo não é superior ao mestre»; mesmo que alguém atinja um grau de virtude igual à dos seus predecessores, deverá imitar sobretudo a modéstia deles. Paulo dá-nos uma prova disso quando diz: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» (1Cor 11,1).
Se assim é, porque julgas, se o Mestre ainda não julga? Com efeito, Ele não veio para julgar o mundo (cf Jo 12,47), mas para o encher de graça. Se Eu não julgo, diz-te Ele, não julgues também tu, que és meu discípulo; pode acontecer que sejas mais culpado do que aquele que estás a julgar. «Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista?».

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