(+)Maubeuge, França (ou Cousolre), 7 de setembro de 705
Filha de São Vicente de Soignies e Santa Valdetrude, Madelberta sucedeu sua irmã Valdetrude em 696 como terceira abadessa do mosteiro de Maubeuge, fundado por sua tia, Santa Aldergunde. Ela faleceu, após nove anos de abadessaria, por volta de 705. A Vita Madelbertae está ligada ao ciclo das abadessas de Maubeuge: ao adaptar as Vitae das Salpi de Hainaut e vinculá-las à família carolíngia, os biógrafos esperavam glorificar suas heroínas. O autor anônimo da Vita de Madelberta conhece apenas sua família, sua abadia em Maubeuge e dois milagres: a cura de um surdo e de uma criança aleijada. Contudo, ele disfarça sua ignorância apropriando-se da história lendária de Santa Aldergunde. Disso, pode-se deduzir que ele era um clérigo de Maubeuge escrevendo dois séculos após a morte da santa, daí sua falta de informações. O fato de a Vita Madelbertae datar do início do século X é comprovado pelo seu estilo e, sobretudo, pela sua inspiração na Vita Aldegundis secunda (final do século IX) e pela sua citação na Vita Gisleni (século X) e na Vita Vincentii (século XI). Após a sua morte, a 7 de setembro de 705, a santa abadessa Madelberta foi sepultada em Cousolre; em 722, as relíquias de Santa Uberta foram transportadas para Liège, onde foram colocadas no caixão de São Teodardo, bispo e mártir. Madelberta é comemorada a 7 de setembro nas dioceses de Liège, Cambrai e Toumai.
Etimologia: Do germânico 'Madel' (conselho, assembleia) + 'berta' (ilustre, gloriosa) = 'ilustre no conselho'.
Emblema: hábito beneditino preto, báculo da abadessa, véu
Martirológio Romano: Em Maubeuge, em Hainault, no território da atual França, Santa Madelberta, abadessa, que sucedeu sua irmã Santa Adeltrude.
Madelberta (Madelberte, Machtelberthe) nasceu no século VII em uma das famílias mais extraordinárias em termos de santidade em toda a tradição cristã ocidental. Seu pai era Vicente, Conde de Hainaut, nascido Madelgaire por volta de 607 no castelo de Sotteville em Strépy. Após abraçar a vida monástica, adotou o nome de Vicente e fundou o mosteiro de Soignies, falecendo em 14 de julho de 677 e sendo venerado como santo. Sua mãe era Valdetrude (Waudru), também santa, que, após uma separação consensual do marido, ingressou no mosteiro de Mons que havia fundado.
A família também incluía outros filhos destinados à santidade: sua irmã mais velha, Aldetrude, que se tornou segunda abadessa de Maubeuge; seu irmão Landerik, que se tornou bispo; e Dentelin, que morreu jovem, mas também é venerado como santo. Sua tia paterna era Aldergunde, fundadora e primeira abadessa do mosteiro de Maubeuge, que faleceu em 684. Essa concentração de santidade em uma única família é excepcional na história da Igreja e testemunha a profunda espiritualidade que permeava a aristocracia merovíngia do século VII.
Algumas fontes ligam a família à dinastia merovíngia, embora os detalhes genealógicos precisos permaneçam incertos e possam refletir elaborações posteriores destinadas a glorificar as origens das abadessas de Maubeuge.
Maubeuge: o legado de Aldergunde e Aldergunde.
O mosteiro de Maubeuge foi fundado em 661 pela tia de Madelberta, Santa Aldergunde, às margens do rio Sambre, no condado de Hainaut. Era um mosteiro duplo, uma instituição característica do monasticismo merovíngio que acolhia monges e freiras sob a mesma regra, embora com aposentos separados. Aldegunde governou a comunidade até sua morte em 30 de janeiro de 684.
Sua tia foi sucedida por Aldetrude, irmã de Madelberta, que se tornou assim a segunda abadessa de Maubeuge. Aldetrude governou a comunidade até 696, ano de sua morte. Nesse contexto monástico, Madelberta cresceu e se desenvolveu espiritualmente, assimilando o carisma fundador transmitido por sua tia Aldegunde e sua irmã Aldetrude. Não temos informações diretas sobre o período de sua formação, mas é razoável supor que ela tenha vivido no mosteiro desde jovem, seguindo o caminho comum das filhas da aristocracia destinadas à vida religiosa.
O governo da abadia (696-705)
Em 696, com a morte de sua irmã Aldetrude, Madelberta a sucedeu como terceira abadessa de Maubeuge. Ela assumiu, assim, o governo da comunidade religiosa durante um período de consolidação da instituição monástica. A sua eleição representou a continuidade de uma liderança familiar que caracterizou a história do mosteiro desde as suas origens: depois de Aldegonda, a fundadora, e de Aldetrude, Madelberta garantiu a transmissão do carisma fundador e a estabilidade da comunidade.
A Vita Madelbertae, escrita no início do século X, informa que ela governou por nove anos, até 705. No entanto, o autor anônimo — provavelmente um clérigo de Maubeuge escrevendo dois séculos depois — sabia muito pouco sobre sua vida e governo. Além da duração de sua abadia e de sua afiliação familiar, a tradição hagiográfica registra apenas dois milagres: a cura de um homem surdo e a de uma menina aleijada. Esses relatos milagrosos, típicos da hagiografia medieval, devem ser tratados com cautela, dada a natureza tardia da fonte.
É significativo notar que o autor da Vita, para compensar a falta de informações históricas, recorreu amplamente à Vita Aldegundis secunda (final do século IX) e às tradições lendárias referentes à fundadora Aldegonda. Esse fenômeno demonstra como, já no século X, a memória histórica de Madelberta era escassa e confundida com a de sua tia e fundadora. A falta de detalhes sobre seu governo abacial nos impede de reconstruir aspectos específicos de sua espiritualidade ou obras, mas o próprio fato de ter liderado a comunidade por nove anos sugere uma personalidade capaz e respeitada.
Morte e Transladação das Relíquias:
Madelberta faleceu em 7 de setembro de 705 (algumas fontes indicam 706), após nove anos de governo abacial. Segundo a tradição, ela foi inicialmente sepultada em Cousolre, uma localidade próxima a Maubeuge. No entanto, sua memória não ficou atrelada ao local de seu primeiro sepultamento. Por volta de
722, Santo Huberto, bispo de Liège (falecido em 727), mandou transladar as relíquias de Madelberta para Liège, onde foram depositadas no relicário de São Teodardo, bispo e mártir. Essa transladação, ocorrida menos de vinte anos após sua morte, atesta a rápida disseminação de seu culto e a importância atribuída à sua memória na região. As transladações de relíquias foram eventos significativos na vida religiosa medieval, consolidando o culto aos santos e criando laços espirituais entre diferentes comunidades.
A presença das relíquias em Liège contribuiu para difundir a veneração a Santa Madalena nas dioceses de Liège, Cambrai e Tournai, onde sua festa litúrgica foi fixada em 7 de setembro, data de sua morte.
Culto e Memória Histórica
O culto a Santa Madalena desenvolveu-se rapidamente após a transladação das relíquias para Liège. Sua festa litúrgica era celebrada em 7 de setembro nas dioceses de Liège, Cambrai e Tournai, como atestam os martirológios belgas e outras fontes litúrgicas medievais.
Contudo, a memória histórica da santa abadessa declinou gradualmente. A 'Vita Madelbertae' (BHL 5129), escrita no início do século X, representa a única fonte hagiográfica específica dedicada à santa, mas seu valor histórico é limitado. O autor, escrevendo cerca de duzentos anos após a morte de Madelberta, conhecia apenas sua origem familiar, seu abadiato em Maubeuge e os dois milagres mencionados anteriormente. Para preencher essas lacunas, ele se apropriou da história lendária de Santa Aldegunda, criando uma continuidade hagiográfica, e não histórica, entre as duas figuras.
O estilo da Vita e suas fontes demonstram que o texto foi composto no início do século X: é inspirado na 'Vita Aldegundis secunda', do final do século IX, e é citado na 'Vita Gisleni' (século X) e na 'Vita Vincentii' (século XI). Essa datação tardia explica a escassez de informações históricas precisas e a dependência de tradições hagiográficas anteriores.
Apesar das limitações das fontes, Madelberta permanece um testemunho do monasticismo feminino merovíngio e da continuidade do carisma monástico nas comunidades religiosas do século VII.
Relíquias
:
As relíquias de Santa Madelberta foram transferidas de Cousolre para Liège por Santo Huberto por volta de 722 e colocadas ao lado das de São Teodoardo, bispo e mártir. Não há informações precisas sobre seu destino posterior. O mosteiro de Maubeuge foi suprimido durante a Revolução Francesa em 1791, e não há registro de quaisquer relíquias preservadas na igreja da abadia.
Iconografia:
Santa Madelberta é representada vestindo os atributos típicos das abadessas beneditinas: hábito monástico preto, véu e báculo pastoral. Miniaturas e gravuras medievais a mostram em pose contemplativa. Uma miniatura dos séculos XIII-XIV a retrata sendo tentada por um demônio durante a oração, um episódio que pode derivar da Vita tardia.
A Vita Madelbertae,
o principal texto hagiográfico (BHL 5129), foi editada e traduzida para o francês por Paul Bertrand na obra 'Analecta Bollandiana'. Representa um exemplo típico da hagiografia tardia, onde a devoção e a intenção edificante prevalecem sobre a precisão histórica. A obra, contudo, testemunha a persistência do culto a Madelberta no século X e a importância do mosteiro de Maubeuge na memória religiosa da região.
O mosteiro de Maubeuge,
fundado em 661 por Santo Aldergunde, tornou-se uma abadia real em 864, pelo Tratado de Meersen, que dividiu a Lotaríngia. No século XI, a abadessa era uma figura local influente. O mosteiro duplo (masculino e feminino) era característico do monasticismo merovíngio e representava um centro de espiritualidade, cultura e influência social na região de Hainaut.
Autor: Enrico Quiri

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