Evangelho segundo São Lucas 5,1-11.
Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus.
Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes.
Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca».
Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se.
Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam.
Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante, serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.
Tradução litúrgica da Bíblia
(354-430)
Bispo de Hipona
(norte de África),
doutor da Igreja
Sermão 43, 5-6
«Não temas. Daqui em diante,
serás pescador de homens»
Como é grande a bondade de Cristo! Pedro foi pescador; e, atualmente, um orador que seja capaz de compreender este pescador merece um grande elogio. Era por isso que o apóstolo Paulo dizia aos primeiros cristãos: «Considerai, pois, irmãos, a vossa vocação: humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo, para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale» (1Cor 1, 26-28).
Porque, se Cristo tivesse escolhido um orador, este poderia dizer: «Fui escolhido pela minha eloquência»; se tivesse escolhido um senador, este poderia dizer: «Fui escolhido por causa do meu cargo»: enfim, se tivesse escolhido um imperador, este poderia dizer: «Fui escolhido devido ao poder que tenho». Essas pessoas que esperem um pouco e tenham calma, pois não serão esquecidas nem rejeitadas; que esperem um pouco, porque poderiam glorificar-se do que são por si próprias.
«Deem-me este pescador», disse Cristo, «deem-me este homem simples e sem instrução, deem-me aquele com quem o senador não se digna falar, mesmo quando lhe compra peixe. Sim, deem-me este homem; e, quando Eu o tiver preenchido, ver-se-á claramente que sou Eu que ajo. É certo que também concluirei a minha obra no senador, no orador e no imperador, mas a minha ação será mais evidente no pescador. O senador, o orador e o imperador podem gloriar-se daquilo que são; o pescador apenas pode gloriar-se de Cristo. Assim, será o pescador a ensinar-lhes a humildade que leva à salvação. Por isso, que ele seja o primeiro».

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