Evangelho segundo São Lucas 4,31-37.
Naquele tempo, Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ali ensinava aos sábados.
Todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque falava com autoridade.
Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha um espírito de demónio impuro, que bradou com voz forte:
«Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus».
Disse-lhe Jesus em tom severo: «Cala-te e sai desse homem». O demónio, depois de o ter arremessado para o meio dos presentes, saiu dele sem lhe fazer mal nenhum.
Todos se encheram de assombro e diziam entre si: «Que palavra esta! Ordena com autoridade e poder aos espíritos impuros e eles saem!».
E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares da região.
Tradução litúrgica da Bíblia
(360-435)
Fundador de mosteiro em Marselha
Sobre os principados, XXV; SC 54
Que o temor e a caridade de Deus
nos protejam do demónio!
Ninguém pode ser chamado pai dos espíritos a não ser Deus, que os criou quando Lhe aprouve; os homens só têm direito ao título de pais da nossa carne. Assim sendo, o diabo, criatura espiritual, angélica e originalmente boa, não teve outro pai senão Deus, que lhe deu a existência. Mas encheu-se de orgulho e disse no seu coração: «Subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo» (Is 14,14), tornando-se assim mentiroso e não permanecendo na verdade (cf Jo 8,44). Extraindo a falsidade do seu próprio fundo, ele não é apenas mentiroso, é o pai da mentira, como percebemos quando promete a divindade ao homem: «Sereis como deuses» (Gn 3,5), diz, pois não permaneceu na verdade. Além disso, torna-se assassino desde o princípio, pois introduz Adão na mortalidade e, como instigador do crime, faz que Abel pereça às mãos de seu irmão.
Oremos, pois, ao Senhor para que o seu temor e a sua caridade que não morre perseverem inabalavelmente em nós; eles nos tornarão sábios em todas as coisas e nos manterão a salvo dos golpes do demónio. Com tais guardiões, é impossível cair nas armadilhas da morte. É esta precisamente a diferença que separa os perfeitos dos imperfeitos: nos primeiros, a caridade está profundamente enraizada e atingiu, por assim dizer, um desenvolvimento mais maduro; por isso, possui uma constância mais inabalável e mantém-nos com maior firmeza e facilidade na santidade; pelo contrário, estando menos firmemente estabelecida e tendo mais facilidade em arrefecer nos segundos, permite que sejam apanhados com mais frequência nas redes do pecado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário