quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Beata Lúcia de Caltagirone – 26 de setembro

     Caltagirone é uma bela cidade na província de Catania, pitorescamente situada sobre três colinas e por isso é chamada “rainha dos montes”, conhecida sobretudo pela renomada cerâmica e porcelana.
     As informações sobre a Beata Lúcia seguem um costume comum dos Franciscanos dos primeiros séculos: as vidas de figuras veneráveis desta Ordem eram pouco documentadas. Um autor dos mais autorizados é o célebre irlandês Lucas Wadding, frade recoleto (1588-1657) que redigiu os Annales Minorum, onde incluiu uma Vita de Lúcia de Caltagirone.
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    Lúcia nasceu no ano de 1360, nesta cidade da Sicília (Itália), filha de pais devotos e célebres. O céu a vigiava de um modo especial desde os primeiros anos. Quando tinha seis anos de idade, ela foi para o campo com sua mãe e lá subiu numa figueira para pegar figos. Como acontece com frequência na parte sul da Europa, uma tempestade surgiu de repente. Relâmpagos atingiram a árvore e a partiram. A criança caiu deitada no chão como se estivesse morta. Mas, de repente, um homem idoso apareceu ao lado dela, pegou-a e conduziu-a, como se nada tivesse acontecido, à casa para onde sua mãe havia fugido em busca de segurança. Na porta, Lúcia perguntou ao seu salvador quem ele era. Ele respondeu: “Eu sou São Nicolau, a quem seus pais honram de uma maneira especial; como recompensa, tomei você sob minha proteção especial”.
     Desde então, Lúcia passou a dedicar-se às obras de piedade. Sua maior alegria era tomar parte das cerimônias litúrgicas e ajudar os pobres.
     Lúcia tinha atingido a adolescência quando uma Terciária Franciscana de Salerno chegou à Caltagirone para visitar alguns parentes. Ela era motivo de edificação para todos. Lúcia se tornou companheira desta Terciária e depois se juntou à Ordem Terceira. Quando a jovem voltou para sua cidade natal, Lúcia foi com ela. A jovem recebeu Lúcia em sua própria casa como filha espiritual e, como resultado de sua orientação, Lúcia progrediu diariamente na perfeição. Ela levava uma vida de recolhimento e praticava rigorosa penitência. Ao mesmo tempo, ela era solidária e gentil com os pobres e doentes.
     Após a morte de sua amiga, que fora como uma mãe para ela, Lúcia entrou no convento das terciárias de Salerno. O convento franciscano que acolheu Lúcia muito provavelmente foi o de São Francisco próximo da igreja de São Nicolau, erigido em 1238 e supresso em 1809, após as leis napoleônicas.
     Como noviça Lúcia era um modelo de humildade e obediência. Ela se distinguia pela fiel prática de seus deveres e em especial pelo amor à penitência, com a qual se havia comprometido para expiar os pecados da humanidade, e sobretudo para uma participação mais íntima com as dores de Cristo. Dedicava muito tempo à oração, à meditação e à contemplação das coisas celestes. Flagelava seu corpo virginal com frequência; a terra lhe servia de leito; um pouco de pão e água eram seu sustento diário. Tinha especial devoção pelas Cinco Chagas de Nosso Senhor.
    Por algum tempo exerceu o ofício de mestra de noviças, função em que se empenhou na instrução das noviças.
     A fama de sua virtude se difundiu. Muitos recorriam a ela para pedir-lhe orações e conselhos. As pessoas vinham até ela das cidades vizinhas para pedir suas orações ou buscar conselhos. Ninguém em aflição a deixou sem ter sido consolado, e por conselho dela muitos pecadores se converteram e almas piedosas foram encorajadas a lutar por uma perfeição ainda maior.
     Deus confirmou sua santidade com prodígios. Havia chegado aos quarenta anos e já estava pronta para o céu. Sua vida austera, os prolongados e dolorosos sofrimentos minaram sua saúde. Depois de uma longa e dolorosa enfermidade, Lucia entrou nas alegrias do céu no dia 26 de setembro. Não é bem certo em que ano ela morreu, mas foi por volta do ano 1400. Seu corpo foi transladado para o Mosteiro beneditino de Santa Maria Madalena em Salerno, que também não mais existe.
     Os numerosos milagres que ocorreram em seu túmulo foram um amplo testemunho de sua santidade. Um grande número de olhos de prata foi deixado em seu túmulo, porque muitos que sofriam de doenças dos olhos, e até mesmo cegos, foram curados por sua intercessão.
     O culto e a veneração por ela foi se estendendo sempre em Salerno e nas regiões vizinhas. Inicialmente seu culto foi aprovado pelo Papa Calisto III, até que em 4 de junho de 1514 o Sumo Pontífice Leão X concedeu o Ofício e a Missa em sua honra, compostos tomando como exemplo os de Santa Clara.
     Lúcia precedeu de alguns séculos outras terciárias franciscanas célebres, como Santa Maria Francisca das Cinco Chagas (1715-1791) e a venerável Maria Crucifixa das Cinco Chagas (1782-1826) que como ela foram, em Nápoles, ponto de referência espiritual para gerações de fieis e de necessitados.

Caltagirone e sua cerâmica famosa
Fontes:
The Franciscan Book of Saints, Marion A. Habig, OFM

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