domingo, 30 de outubro de 2016

Homilia do 31º Domingo Comum (30.10.16)

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
“Hoje a salvação chegou a esta casa”
Jesus busca os perdidos
            Há algo muito importante no encontro de Cristo com Zaqueu que era um pecador público e odiado por sua profissão de arrecadar impostos para o dominador estrangeiro. E era o chefe. Era de baixa estatura. Nele há o grande desejo de ver Jesus, mas era impedido pela multidão. Não mede esforços para vê-Lo. Elevou-se interior e fisicamente subindo numa árvore. Jesus viu seu esforço de encontrá-Lo. Deus não rejeita a quem O busca. Zaqueu corre à frente e sobe numa figueira para ver Jesus que devia passar por ali. Jesus lhe disse: Zaqueu, desce depressa! Hoje devo ficar em tua casa. O evangelista acentua a palavra hoje, pois a retoma quando diz: “Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19,5.9). Podemos retomar essa palavra como o momento permanente da ação de Deus. O Pai que envia o Filho para a salvação realiza uma obra sempre nova. Deus é sempre o mesmo. Para Ele tudo é sempre hoje. Por isso os mistérios de Cristo são realizados sempre em uma total novidade. Deus escolhe o povo: “Hoje Deus te escolheu para seres seu povo” (Dt 26,17). Rezamos no Pai Nosso: “Dá-nos hoje o pão nosso” (Mt 6,11). Disse ao ladrão: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Todo momento de salvação está no Hoje de Deus. Com essa salvação estão todos os dons de Deus presentes no seu Hoje eterno. Zaqueu recebe Jesus como salvação. Esta salvação é oferecida sem ser pedida. O pequeno homem só queria ver Jesus passar. E viu Jesus ficar. Como sempre, toda ação de Deus tem iniciativa Nele. O pequeno homem foi acolhido no Hoje de Deus.
A salvação entrou nessa casa
            A salvação é para todos. Jesus disse: “Também esse homem é um filho de Abraão. Jesus revela mais ainda sua missão: Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,9-10). Jesus tem como fundamental de sua vida buscar a ovelha perdida sem fazer distinção nem colocar condições. Os judeus comentavam: “Ele foi hospedar-se em casa de um pecador” (Lc 19,7). Ele tem motivos: A salvação é dada a todos. Compreendemos também que a atitude de Zaqueu de distribuir os bens e pagar a quem roubou é fruto de uma conversão do coração. A injustiça só será eliminada quando houver uma conversão do coração e uma disposição de reparar o erro feito. Por que devolver quatro vezes? A lei previa que, quem roubasse, teria que devolver quatro vezes o valor (Ex 21,37). Escreve o livro da Sabedoria comentando as atitudes de Deus: “O teu espírito incorruptível está em todas as coisas. É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor (Sb 12,1-2). É um processo de ressurreição.
Não impedir os pequenos
            Que possamos correr livremente ao encontro de tuas promessas (Oração). A Palavra salienta o quanto Deus reconhece todos, sobretudo os pequenos e frágeis. Isso é um indicativo para a pastoral. Às vezes somos grandes, fazemos grandes coisas, e os pequenos e frágeis não têm espaço. E mesmo são desvalorizadas as pequenas coisas, os detalhes e o que é pequeno aos nossos olhos, mas grande aos olhos de Deus. Lembramos também as crianças e mesmo os jovens que não têm espaço nas celebrações e na vida da Igreja. Excluir pequenos, frágeis, jovens e crianças é perdê-los definitivamente. A missão da Igreja é a mesma de Jesus e não pode esquecer que ela também deve buscar o que estava perdido. Como Jesus vem em busca do homem perdido, também devemos fazer o mesmo.
Leituras: Sabedoria 11,22-12,2; Salmo 144; 2 Tessalonicenses 1,11-2,2; Lucas 19,1-10
 
1.  A cena do encontro com Zaqueu mostra que Jesus nos busca respondendo às nossas mínimas atitudes de busca. 
2.  Jesus oferece a salvação a todos, sem colocar condições. 
3.  Na pastoral não podemos deixar fora as crianças os jovens e os pobres.

            Baixinho que ficou grande.

            Era de pequena estatura e ficou grande.
            Lemos no livro da Sabedoria que diante de Deus tudo é muito pequeno. O universo é um grão de areia na balança. Não muda o peso. É uma gota de orvalho. Esse Deus tão imenso tem compaixão, ama tudo e todos, pois foi Ele mesmo que nos fez assim.
            Em seu tratamento conosco Ele é misericórdia e piedade, é amor e paciência. É compaixão. O Senhor é muito bom para com todos. Sua ternura abraça toda criatura. Assim reza o salmo 144.
            O evangelho desse domingo nos traz um fato muito conhecido e marcante: a conversão de Zaqueu, o homem pequeno que subiu a uma árvore para ver Jesus. Era muito rico. Mas sendo baixinho, o povo o impedia de ver Jesus. Era algo natural, mas reflete o quanto podemos impedir que as pessoas vejam Jesus. Ele baixo, se humilhou e subiu a uma árvore.
            Jesus o viu. Mandou descer e lhe disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa. Ele desceu depressa e O recebeu com alegria” (Lc 19,5-6). Jesus se abaixa e vai à casa de um pecador.  Aí começa o diz que diz: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador” (id. 7). A atitude de Jesus é contrária ao pensamento puro dos fariseus. Jesus, hospedando-se em casa de um homem pecador, se faz igual. Deus se abaixou justamente para buscar o que estava perdido.
            Zaqueu se põe em atitude de conversão, não só espiritual, mas a verdadeira conversão que reestrutura a vida: “Dou a metade de meus bens aos pobres”. Jesus quando nos visita quer uma mudança total.

            Nas últimas palavras do texto Jesus afirma que todos são filhos de Deus: “Também este homem é filho de Abraão”. E confirma sua missão como redentor: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Id. 9-10).

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