terça-feira, 2 de maio de 2017

JOSÉ MARIA RUBIO Jesuíta, Santo 1864-1929

Veio ao mundo em Dalías (Almeria) no dia 22 de Julho de 1864. Dele disse o seu avô materno: “Eu morrerei, mas quem viver verá que este menino será um homem importante e que valerá muito para Deus”.
Frequentou a escola da freguesia natal e manifestava o gosto de ler as vidas dos santos. Um seu tio, Cónego, mandou-o estudar num Instituto de Bacharelato, mas descobrindo nele sinais de vocação sacerdotal, enviou-o para o Seminário diocesano de Almeria. No Seminário de São Cecílio de Granada havia de terminar os estudos de filosofia, teologia e direito canónico. Foi ordenado no Seminário diocesano da Imaculada Conceição e de São Dâmaso, de Madrid, no dia 24 de Setembro de 1887, tendo sido incardinado nesta diocese. Na Capela da Virgem do Bom Conselho, na Catedral de Santo Isidro, celebrou a sua primeira Missa em 8 de Outubro seguinte. Em Toledo, obteve a Licenciatura em Teologia, em 1888, e Direito Canónico, em 1897. Pela manhã, entrava na igreja para rezar, dedicava-se à catequese das crianças e a todos impressionava pela sua austeridade, pobreza e caridade para com os pobres.
Enquanto desenvolvia várias actividades de carácter diocesano, não deixava de atender as pessoas no confessionário, catequese, "escolas dominicais", ao mesmo tempo que se dedicava a acompanhar diversos grupos em necessidade espiritual.
Peregrinou a Roma e à Terra Santa, deixando-se impressionar de modo especial pelos túmulos de Pedro e Paulo e Santo Sepulcro e Calvário.
Admirando de modo particular a Companhia de Jesus e chamando-se a si mesmo “Jesuíta por afeição”, entrou no noviciado da Companhia em Granada e fez os primeiros votos em 12 de Outubro de 1908; trabalhou depois em Sevilha, onde desenvolveu grande actividade apostólica; depois de três anos em Manresa (Barcelona), voltou a Madrid onde, em 2 de Fevereiro de 1917, emitiu os votos perpétuos.
Madrid foi o seu novo campo de apostolado, sendo procurado por muita gente, que atraía pelas suas pregações, porque vivia o que pregava. O seu lema era: “Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”.Organizou e orientou diversas missões populares em Madrid. Quis fundar um instituto, “Os Discípulos de São João”, mas foi impedido de o fazer, aceitando a proibição com estas palavras: “não procuro outra coisa além do cumprimento da santíssima vontade de Deus”.
Gozava de dotes místicos e de graças espirituais sobrenaturais, da profecia e da visão. Armavam-lhe ciladas para o apanharem em situações difíceis, mas acabava por impressionar a todos, mesmo os que o queriam ver envolvidos em escândalos e inquietações. Foi formador de muitos cristãos que sofreram o martírio no tempo da perseguição religiosa.
Pressentiu a sua morte e despediu-se dos seus amigos. Debilitado na sua saúde pelo imenso trabalho realizado, foi transferido para Aranjuez, para aí repousar. Mas tudo estava para terminar e José Maria exclamou: “Senhor, se queres levar-me agora, estou preparado”. Faleceu em 2 de Maio de 1929. Em Madrid, todos diziam: “morreu um santo”. Por isso, milhares de pessoas acorreram ao seu funeral; os seus restos mortais foram trasladados para a casa Professa de Madrid, em 1953.
João Paulo II beatificou-o em 6 de Outubro de 1985, em cerimónia celebrada em Roma.
Canonizado em Madrid, onde desenvolveu grande parte do seu ministério e acção sacerdotais e pastorais, no dia 4 de Maio de 2003, pelo mesmo Pontífice, João Paulo II.

MAFALDA DE PORTUGAL Rainha, Religiosa, Beata 1197-1257

Mafalda de Portugal, era filha do segundo rei português, D. Sancho I e de sua esposa Dona Dulce de Barcelona. Nasceu em Coimbra por volta de 1197 e foi a Ultima filha da família real de Portugal.
Em 1215, contando apenas dezoito anos, casou com Henrique I de Castela, ainda menor, o qual faleceu pouco depois em 1217. Este casamento que não tinha sido consumido, foi anulado pelo Papa em 1216.
Por disposição testamentária de seu pai, Mafalda devia receber em hirança o Castelo de Seia, assim como os rendimentos deste, “podendo usar o título de rainha, enquanto senhora desse mesmo castelo; recebia também o mosteiro de Bouças”.
Como no caso de sua irmã Sancha, esta situação causou problemas com seu irmão Afonso, então rei de Portugal, “que desejando centralizar o poder, obstou à prossecução do testamento do pai, impedindo a infanta-rainha de receber os títulos e os réditos a que tinha direito - de facto Afonso II temia que esta pudesse passar a eventuais herdeiros o vasto património que o testamento lhe legava, criando assim um problema à soberania do rei de Portugal e dividindo quase o país ao meio”.
Esta contendo só se terminou com a morte de Afonso II e a subida ao trono de Portugal de seu filho D. Sancho II, o qual “resolveu o problema, concedendo os rendimentos dos castelos às tias, nomeando os seus alcaides de entre os nomes que estas propusessem, pedindo-lhes apenas que renunciassem ao título de rainhas - assim se estabeleceu enfim a paz no reino, em 1223”.
Mais tarde, tornou-se monja cisterciense, e fundou a abadia de Arouca. Faleceu no mosteiro de Rio Tinto, nas proximidades do Porto. Quando o seu corpo foi mais tarde exumado para ser trasladado para a abadia de Arouca, foi descoberto incorrupto, o que gerou uma onda de fervor religioso em torno do corpo da infanta.
Este fervor continuou pelos séculos adiante e, em 27 de Junho de 1793, Mafalda de Portugal foi beatificada pelo Papa Pio VI, acompanhando assim nas honras dos altares, suas duas irmãs: Teresa e Sancha.
Afonso Rocha

ATANÁSIO DE ALEXANDRIA Bispo, Padre e Doutor da Igreja, Santo (296 - 373)

COLUNA DA IGREJA
Um dos maiores santos da História, odiado virulentamente pelos maus, foi entretanto muito amado por sua luta intrépida em defesa da Fé
*****
"O século IV, a idade de ouro da literatura cristã, nos oferece em seus umbrais a figura gigantesca deAtanásio de Alexandria, o homem cujo génio contribuiu para o engrandecimento da Igreja muito mais que a benevolência imperial de Constantino. Seu nome está indissoluvelmente unido ao triunfo do Símbolo de Niceia"[1], que ainda hoje rezamos.
"Há nome mais ilustre que o de Santo Atanásio entre os seguidores da Palavra da verdade, que Jesus trouxe à terra? Não é este nome símbolo do valor indomável na defesa do depósito sagrado, da firmeza do herói face às mais terríveis provas da ciência, do génio, da eloquência, de tudo o que pode representar o ideal de santidade de um Pastor unido à doutrina do intérprete das coisas divinas? Atanásio viveu para o Filho de Deus; Sua causa foi a de Atanásio. Quem estava com Atanásio, estava com o Verbo eterno, e quem maldizia o Verbo eterno maldizia Atanásio"[2], comenta Dom Guéranger, o admirável autor eclesiástico do século XIX.
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2 DE MAIO – DEFENSOR DA IGREJA NASCENTE

Sto. Atanásio (295-373) foi um dos maiores e mais destemidos defensores da Igreja dos primeiros séculos. Participou como diácono, do I Concílio Ecumênico de Nicéia (325), onde se tratou de várias heresias que punham em perigo a unidade dos cristãos. Escolhido para bispo de Alexandria, viu-se às voltas com os arianos, adeptos de Ario, ferrenho contestador da divindade de Cristo. Foi exilado cinco vezes pelos imperadores romanos, entre eles, o próprio Constantino I que mandava na Igreja daquele tempo. Não se contam as vezes que foi perseguido e ameaçado de morte. Numa delas, subindo o rio num barco, foi alcançado pelos perseguidores. Estes lhe perguntaram se conhecia o bispo Atanásio.
-“ Sim, e muito”.
- “Ele passou por aqui?” 
- “Passou agora mesmo”. 
- “Vai muito longe?” 
-“Não. Remando com força, vocês o alcançarão”. 
Aceleraram as remadas. Não sabiam que, quanto mais remavam, mais se afastavam daquele que deviam prender. Chegou a esconder-se no cemitério de Alexandria, junto à tumba dos seus país, de onde governava sua diocese. Finalmente nos últimos de vida conseguiu viver em paz. Morreu em 373. Foi declarado Doutor da Igreja. 
Oração: Professemos a nossa Fé, rezando as primeiras palavras do “símbolo atanasiano” redigido por S. Atanásio: Creio em um só Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis...
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa 
Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 2 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
2 – Terça-feira – Santos: Atanásio, Zoé, Germano 
Evangelho (Jo 6,30-35) “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim já não terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.” 
Muitos, que não aceitavam as propostas de Jesus, exigiam que provasse com um milagre sua autoridade. Em resposta, ele se apresenta como o pão da vida, como aquele que pode dar vida. Quem acreditar nele e a ele se unir, já não terá nem fome nem sede de felicidade, mas terá resposta a todas as suas necessidades. E, por isso mesmo, não precisará de milagres que provem seu poder. 
Oração
Senhor Jesus, há muito tempo me conquistastes, e pude experimentar em minha vida vosso poder misericordioso. Vós me levais por caminhos que, por mim mesmo, não poderia seguir. Sou um milagre vivo de vosso poder salvador, que me livra da mentira e do pecado. Tenho de crer em vós, não me é possível duvidar de vossa bondade. Agarro-me a vós, e convosco quero estar sempre. Amém.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1° DE MAIO – JOSÉ, OPERÁRIO SILENCIOSO

Mt 13, 54-58 - Dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: 
“De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco? Então de onde lhe vem tudo isso?"
E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse:
“Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 
E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. 
Hoje é festa de S. José Operário Dia do Trabalhador e . Queremos celebrar todos os trabalhadores e trabalhadoras, sem exceção. Do faxineiro ao prefeito da cidade, da professora à empregada doméstica, do dono da terra ao seu empregado rural. Parabéns a você, trabalhador ou trabalhadora, pelo seu dia!O Evangelho narra que Jesus ensinava na sinagoga de Nazaré, de modo que os ouvintes ficavam admirados. E comentavam entre si: 
“De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?” 
Isso mostra que S. José era um profissional, um homem que amava o trabalho, amava tanto que era conhecido na cidade como “o carpinteiro”. E demonstra também que seus ouvintes tinham certo preconceito contra a profissão de carpinteiro, tida como profissão humilde. 
Homenageamos S. José, carpinteiro, Maria, a esposa e dona de casa, e Jesus que também exercia, junto com o pai, a profissão de carpinteiro. E depois, na vida pública, continuou trabalhando. Maria Santíssima, além do seu trabalho em casa, ainda encontrava tempo para ajudar as pessoas, como a sua prima Isabel, os noivos de Caná etc.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
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A LIÇÃO DO PRISIONEIRO

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Eu nunca tive vontade de visitar um presídio. Tinha medo. Melhor, tinha repugnância. Um dia, após muita insistência de um amigo, concordei em acompanhá-lo numa visita aos detentos. Meus preconceitos ruíram por terra. Veja só: Eu tinha levado encomenda a um presidiário. Após passar pela fiscalização, fiz a entrega. Era uma blusa e um par de sapatos. Ele recebeu com um sorriso e agradeceu. Depois apontou para seu companheiro de cela e me disse:
- Peço licença para oferecer esta blusa ao meu colega. Aqui faz frio. Ele não tem nenhum agasalho. Precisa mais do que eu.
Voltei para casa pensando: 
-Puxa! Quem merece ficar atrás das grades sou eu mesmo. Vejo tanto pobre perto da minha casa, mas nunca tive a lembrança de oferecer uma roupa usada. Precisei ir à prisão para aprender um pouco de humanidade e cristianismo...” 
Palavra de Deus: Os tão desprezados cobradores de impostos e essas prostitutas vos precedem no reino de Deus... (Mt 21,31). 
ORAÇÃO:Senhor que libertaste Pedro das correntes – tem compaixão dos prisioneiros. Muitos estão pagando seus crimes, mas outros são inocentes. E quantos são torturados desumanamente. Converte os culpados e aponta o caminho da liberdade para os inocentes. Que todos, culpados ou não, sejam tratados com humanidade.Senhor, que também foste prisioneiro, infunde esperança em todos. Amém.
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REFLETINDO A PALAVRA - “A comunidade dos ressuscitados”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
1876. Encontra todos reunidos
  Os que foram ressuscitados, isto é, os que creram e foram batizados estão sempre reunidos.  É uma característica da comunidade. Essa unidade não é apenas social, mas é comunhão produzida pelo Espírito Santo que a torna Corpo de Cristo. São novas criaturas que constituem o lugar onde se manifesta o Ressuscitado que dá o Espírito. Esse é o Pentecostes permanente. A comunidade dos discípulos continua a presença do Senhor e acolhe seu Espírito. O evangelista narra que as aparições se deram no primeiro dia da semana que chamamos dia do Senhor, domingo (Dies Dominica).  Mais que indicar o dia dessa presença indica a força da comunidade reunida. Por isso rezamos nos domingos: “Este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos e exultemos nele”. Refere-se à Ressurreição e ao dia de sua manifestação. Mais que vencer a morte privilegia-se dar a vida. Constitui a comunidade e lhe dá a vida. Por isso, Lucas nos Atos dos Apóstolos insiste que o Espírito forma a comunidade para a escuta da Palavra, a comunhão fraterna, a fração do pão (Eucaristia) e as orações (At 2,42).  A Ressurreição atua na comunidade. O que aconteceu com Jesus, ocorre na constituição da comunidade. Ela vive do Cristo vivo, ressuscitado e não apenas vive a esperança de sua vinda e na certeza da realização das promessas. Todos os domingos rezamos a profissão de fé: “Creio em Deus Pai...” É um modo de indicar que é o dia de professar a fé como Tomé: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). A comunidade reunida é um testemunho da fé e da força da Ressurreição. Temos aí a razão da força da celebração dominical.
1877. Envio para reconciliação
            Jesus foi enviado ao Pai para a reconciliação de todos com Deus. Essa foi sua missão e por ela se entregou totalmente até à morte. Sendo para nós sinal de vida. Como Moisés que sempre pedia que Deus perdoasse o povo, pois agia por ignorância e lembrava a Deus que Ele tinha se comprometido com juramentos de levar esse povo à terra prometida. Jesus, no momento da morte pede ao Pai que perdoe seus inimigos, e dá como razão: “eles não sabem o que fazem” (Lc 23,33). Quis sempre a reconciliação. Para isso é preciso sair de si e entregar-se ao outro. Para isso sopra sobre eles, lhes dá o Espírito Santo e diz: “Recebei o Espírito Santo! A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,23). A missão da comunidade é reconciliar-se e promover a reconciliação para que o mundo creia. Esta é a economia de Deus. Significa: Tudo o que Deus fez foi para nos salvar. Esse foi o primeiro ato do Ressuscitado. Esse deve permanecer para sempre. Essa missão permanece na comunidade. Vivendo reconciliada de estabelece no mundo a reconciliação. Para isso ela recebe o Espírito do Ressuscitado. Não podemos ver aí só uma questão de confissão.
1878. Discípulos felizes
A profissão de fé de Tomé que “viu para crer” torna-se a força da comunidade, pois sua felicidade consiste em crer sem ver. A fé não exige sinais, basta que o Espírito a confirme. Crer sem precisar tocar é mais que tocar para crer. Aqui age o homem, lá age a graça do Ressuscitado. A fé vai levar a tocar as feridas dos irmãos. Aí sim, tocamos o Ressuscitado que traz as marcas de sua Paixão. Não podemos viver sem a Paixão de Cristo, pois ela nos faz compreender o quanto o Senhor fez por nós e o quanto espera que cada um faça pelos outros. O toque pela fé penetra no mistério e nos atinge na totalidade. Jesus tinha razão em dizer que “felizes foram os que creram sem ter visto” (Jo 20,29)

EVANGELHO DO DIA 1 DE MAIO

Evangelho segundo S. João 6,22-29.
Depois de Jesus ter saciado os cinco mil homens, os seus discípulos viram-n’O a caminhar sobre as águas. No dia seguinte, a multidão que permanecera no outro lado do mar notou que ali só estivera um barco e que Jesus não tinha embarcado com os discípulos; estes tinham partido sozinhos. Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades, perto do lugar onde eles tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. Quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, subiram todos para os barcos e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Pedro, o Venerável (1092-1156), abade de Cluny 
Sermão sobre o elogio do Santo Sepulcro 
«À procura de Jesus»
Escutai, povos de todo o mundo; escutai, nações espalhadas por toda a superfície da terra; ouvi, tribos e raças diversas (cf Ap 7,9), todos vós que vos julgáveis abandonados e que vos consideráveis até agora miseráveis, ouvi e alegrai-vos: o vosso Criador não vos esqueceu. Ele não quis que a sua cólera retivesse durante mais tempo as suas misericórdias; na sua bondade, quer agora salvar, não só o pequeno número dos judeus, mas a imensa multidão. Escutai o santo profeta Isaías [...]: «Naquele dia, a raiz de Jessé será erguida como um sinal para os povos» (11,10). [...] 
Como o próprio Jesus atestou, Ele é Aquele que «Deus Pai marcou com o seu selo», para que seja um sinal. Mas um sinal de quê? Para que, exaltado no cimo do estandarte da cruz, qual serpente de bronze elevada no meio do campo (Nm 21), Ele volte para Si os olhares, não só do povo judeu, mas de todo o universo, e atraia para Si, pela sua morte na cruz, o coração de todos os homens. Assim, ensiná-los-á a pôr nele toda a esperança. Ao curar-lhes todas as fraquezas, ao perdoar-lhes todos os pecados, ao abrir a todos o Reino dos Céus encerrado há tanto tempo, mostrar-lhes-á que é verdadeiramente «Aquele que será enviado [...], Aquele que todas as nações aguardavam» (Gn 49,10). Ele próprio elaborou este sinal para os povos, a fim de «juntar os exilados de Israel e reunir os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra» (Is 11,12). 

RICARDO PAMPURI Hospitalário, Santo 1897-1930

Em 1897, No dia 2 de Agosto, nasce em Trivolzio (Pavia) o décimo e penúltimo filho de Inocente Pampuri eÂngela Campari. Foi baptizado no dia seguinte com o nome de Hermínio Filippo. Matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Pavia em 1915, mas a 1 de Abril de 1917 inicia o serviço militar, sendo enviado três meses depois para a frente de combate, agregado aos serviços de saúde.
No dia 6 de Julho de 1921 alcança a licenciatura em Medicina, com a máxima classificação. Participa numa peregrinação a Lurdes, na companhia dos tios, com paragem em Paray-le-Monial e em Ars. Cresce a ideia de seguir a vida religiosa, com o auxílio do P. Ricardo Beretta, seu conhecido desde 1923.
A 6 de Junho de 1927 pede ingresso na Ordem Hospitaleira de São João de Deus. No dia 22 de Junho entra na Ordem como postulante e no dia 21 de Outubro ingressa no noviciado e toma o nome de Ricardo. Faz os votos temporários no dia 24 de Outubro de 1928. É encarregado do gabinete de dentista.
Em Agosto de 1929 agravam-se as suas condições de saúde. Morre em Milão, no dia 1 de Maio de 1930, com 32 anos. No dia 4 realiza-se o funeral.
É aberto o processo de canonização em 1949. Os restos mortais de Fr. Ricardo são exumados e transferidos para a igreja paroquial de Trivolzio em 1951. No dia 4 de Outubro de 1981 é declarado Beato. A 1 de Novembro de 1989 é inscrito no catálogo dos Santos. 
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PEREGRINO LAZIOSI Servita e Santo 1265-1345

Peregrino pertencia à família dos nobres Laziosi. Nasceu na cidade de Forli, no norte da Itália, no ano 1265.Cresceu em meio a uma população conhecida pelo espírito reacionário e anárquico. Tornou um jovem idealista, de caráter intempestivo, recebendo o apelido de “furacão”.
Certa ocasião, ocorreu um incidente grave num dos tumultos populares freqüentes, porque a população se dividia entre os que apoiavam as ordens do papa e os que preferiam seguir as do imperador germânico. Foi quando a cidade recebeu um interdito do papa Martino IV, como castigo pelas desordens e atitudes rebeldes. Houve séria reação entre as partes. Para acalmar os ânimos, o papa pediu ao superior geral dos servitas, futuro são Filipe Benicío, que estava no mosteiro da cidade, para agir em seu nome e apaziguar os fiéis.
Era uma tarefa delicada. Filipe, então, usando o púlpito da igreja, fez um discurso fervoroso solicitando a todos que obedecessem ao sumo pontífice. Foi quando um grupo liderado por Peregrino, então com dezoito anos, o ameaçou de agressão. O jovem foi mais longe, chegando a dar-lhe um tapa no rosto. Filipe aceitou a ofensa. Depois, Peregrino, mobilizando a população com gritos, fez com que fosse expulso da cidade.
Filipe saiu humilhado, mas rezando firmemente pela conversão dos agitadores e principalmente pelo jovem agressor. Deus ouviu sua prece. Peregrino, caindo em si, sentiu arrependimento, vergonha e remorso. Ficou tão angustiado que, dias depois, foi procurar Filipe, para, prostrando-se a seus pés, pedir perdão.
Naquele instante, Peregrino estava convertido realmente. Mais tarde, aos trinta anos, ingressou na Ordem dos Servos de Maria, os servitas, como irmão penitente. A tradição diz que foi o próprio Filipe que entregou o hábito a Peregrino. Mas o certo foi que ele enviou o arrependido agressor para fazer o noviciado em Sena. Só depois voltou para Forli, onde, no mosteiro, exerceu o apostolado do bem semeando a paz.
Peregrino distinguiu-se pela obediência ao regulamento, pela penitência e mortificação. Durante trinta anos, cumpriu uma penitência imposta a si mesmo: ficava sempre em pé, nunca se sentava. Quando atingiu os sessenta anos de idade, devido a isso, tinha uma ferida cancerosa na perna direita, causada por varizes.
Era tão grave seu estado de saúde, que o médico receitou a amputação da perna, para salvar sua vida. Porém, na véspera da operação, Peregrino acordou, subitamente, no meio da noite e sentiu que devia ir rezar na capela diante de Jesus Crucificado. Assim fez: com muito esforço para caminhar, ajoelhou-se e rezou com fervor pedindo que Cristo lhe concedesse a graça da cura. Foi envolvido por um êxtase contemplativo tão profundo que viu Jesus descer da cruz e tocar sua ferida. Uma vez refeito da visão, voltou para o leito e adormeceu. Na manhã seguinte, o médico constatou que havia ocorrido um milagre. Peregrino estava sem nenhuma ferida, Jesus o havia curado.
O milagre só fez aumentar a veneração que os habitantes da cidade já lhe dedicavam. Peregrino morreu no primeiro dia de maio de 1345, vítima de uma febre. Durante seus funerais, dois milagres ocorreram e foram atribuídos à sua intercessão. Seu culto se estendeu pelo mundo todo rapidamente, pois os fiéis recorrem a ele como padroeiro dos doentes cancerosos.
Em 1726, foi canonizado pelo papa Bento XIII, sendo o dia de sua morte o indicado para celebrar a sua memória, quando também se comemora são José, Operário. Por isso sua festa pode ocorrer nos primeiros dias do mês de Maria. A relíquia do manto de são Peregrino Laziosi é conservada à veneração dos fiéis brasileiros na igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

S. JEREMIAS Profeta († por meados do séc. VI a.c.)

Jeremias, era natural de Anatot, pequena cidade sacerdotal que ficava a hora e meia de caminho para o Norte de Jerusalém. Nasceu pelo ano de 645 antes de Cristo. Seu pai chamava-se Helcias, como ele mesmonos diz no prólogo da sua profecia. Divergem os críticos sobre quem seja este Helcias; uns querem que seja o sumo sacerdote que eficazmente cooperou com Josias na reforma religiosa de Judá.Esta identificação parece pouco provável, visto esse pontífice ser da família de Eleázar, enquanto os sacerdotes de Anatot pertenciam ao ramo deItomar. Como quer que seja, Jeremias devia ter ouvido na sua terra natal, tão próxima de Jerusalém, os clamores contra a idolatria e contra as crueldades de Manassés e de seu filho Amós, rei de Judá. Foi educado pelo pai no respeito à lei e na obediência às tradições moisaicas; estudou com particular cuidado as Sagradas Escrituras, os oráculos dos profetas, principalmente Isaías eMiqueias, como se vê dos seus próprios escritos, que reproduzem citações quase textuais. Presenciou os esforços empregados por Josias para restabelecer na sua primitiva pureza a religião moisaica, o que lhe causou profunda impressão e lhe avivou o desejo de contribuir para o ressurgimento do moisaísmo,tão decadente nos seus tempos.
Ainda na juventude, travou estreitas relações com a família de Neerias, filho de Maasias, governador de Jerusalém no seu tempo e cooperador de Helcias e de Safán nas reformas de Josias. Mais tarde, os dois filhos de Neerias, Baruc Saraías, foram discípulosde Jeremias.
Os seus escritos mostram-nos que era dotado duma acrisolada piedade, duma hu­mildade profunda, muito impressionável, abrasado no amor de Deus e entusiasta pela felicidade da pátria. Piedade e patriotismo; estas duas palavras resumem o seu carácter.
Assistiu às desgraças que profetizara: tomada de Jerusalém e deportação dos Ju­deus para Babilónia (589-587). Não seguiu os compatriotas para o exílio (587-538). Julga-se que se refugiou no Egipto e que lá morreu.
Não era homem para a luta; evitava a ostentação, fugindo de se pôr em evidência; a nota primacial do seu modo de ser era o amor, a dedicação. Lutava chorando; as armas de que se servia nos seus combates eram os queixumes, os mais amoráveis.
A sua vida foi uma profecia viva da paixão e morte de Jesus Cristo. Mas Jeremias não foi somente a figura de Jesus Cristo; profetizou explicitamente o nascimento, paixão e morte na cruz do Messias, e o estabelecimento da Igreja pelos Apóstolos.
Santo Epifânio refere que os fiéis costumavam ir ao seu sepulcro fazer oração, e com o pó que dele recolhiam saravam as mordeduras de áspides.
Cf. Pe. José Leite, SJ.

COMBA DO ALENTEJO Mártir, Santa († 300)

São três as santas portuguesas conhecidas com este nome: 
Santa Comba do Alentejo,Santa Comba de  Coimbra, Santa Comba de Trás-os-Montes. 
Segundo os hagiológios, celebra-se hoje Santa Comba do Alentejo.
Nenhum documento há, com valor histórico, sobre a vida desta santa. Diz Jorge Cardoso que foi martirizada em Tourega, perto de Évora, durante a perseguição de Diocleciano. Depois de Santa Comba ter sido decapitada, sua irmã Anominata, que esteve presa com ela, recebeu a permissão de se ausentar para fugir ao martírio.
Sabendo disto S. Jordão, irmão de ambas, que era ao tempo bispo de Évora, foi logo em procura de Anominata e, achando-a na serra do Espinheiro, repreendeu-pela sua inconstância e pouca fé, levando-a a oferecer-se ao martírio.
Dizia a tradição que, no lugar do seu martírio, rebentou uma fonte de água cristalina, que era levada a várias partes do Reino, operando muitos milagres.
Cf. José Leite, SJ.

1° DE MAIO – JOSÉ, TRABALHADOR RESPONSÁVEL

José operário!
Quanta honra para os trabalhadores ter São José como seu patrono! Ouvindo Jesus falar com tanta sabedoria, os ouvintes comentavam entre si: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?” Isso mostra que S. José era um profissional, um homem que amava o trabalho. Demonstra também que seus ouvintes tinham certo preconceito contra a profissão de carpinteiro, tida como humilde e pouco reconhecida. Dia do trabalhador! Além de garantir o sustento nosso e da nossa família, o trabalho nos dignifica, nos realiza e desenvolve nossas qualidades. O trabalho afasta a ociosidade. A sociedade deve se organizar de tal modo que todos tenham oportunidade de trabalhar. O desemprego é um pecado social. É triste ver tanta gente procurando trabalho. Por outro lado há os que pegam dois ou mais empregos, deixando os outros sem nada. A organização de cooperativas e de sindicatos é um excelente recurso de que os trabalhadores dispõem para defender seus direitos. Queremos homenagear todos os trabalhadores e trabalhadoras, sem exceção. Do faxineiro ao prefeito da cidade, da professora à funcionária doméstica, do proprietário da terra ao seu empregado rural. Parabéns a você, trabalhador ou trabalhadora, pelo seu dia!
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Segunda-feira – Santos: José Operário, Grata, Andéolo 
Evangelho (Mt 13,54-58) “De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?” 
O povo de Nazaré não mostrou grande apreço por José, o carpinteiro. Mateus (Mt 1,19), porém, apresenta-o como um homem justo, não apenas um homem de bem e honesto. Na linguagem bíblica justiça é o conjunto das qualidades de quem é fiel a Deus, veraz, bom e misericordioso. Esse é o exemplo de vida que nos dá José, o escolhido por Deus como esposo da Maria, para acolher no povo de Israel o Filho de Deus. Ele bem merece ser o protetor de nossas famílias. 
Oração
Senhor Jesus, tenho certeza que, entre todas as pessoas que amastes, José ocupou um lugar especial. Como menino, adolescente e jovens, com ele aprendestes o jeito de viver, de orar, cantar e trabalhar. Por amor de José, hoje vos peço proteção e ajuda especial para todos os pais. Iluminai-os, dai-lhes um coração grande e corajoso. Não permitais que desanimem, porque eles são muito importantes para nós. Dai-lhes antes muita alegria e recompensa por tudo. Amém.

domingo, 30 de abril de 2017

BANDINHA DE LATA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
“Trovão” era um moleque terrível, tanto na escola como na igreja, dentro de casa e fora na rua. A professora não podia com ele, pois bagunçava tudo, virando as coisas de pernas para o ar.Um dia ele inventou de formar uma bandinha de lata. Todos concordaram. Cada um bolou um instrumento. Rosinha e Carlinhos fizeram chocalho com latinhas de óleo e cerveja. Rita arrumou uma corneta velha. Beto conseguiu um bumbo de verdade. Pelezinho achou no ferro velho uma tampa de latão que fazia um barulho danado. Começaram os ensaios. Aí a coisa enguiçou. Logo no primeiro dia alguns engraçadinhos começaram a avacalhar tudo. Trovão quis organizar mas ninguém o levava a sério, pois era o primeiro bagunceiro. Um batia lata fora de hora, outro marchava errado, aquele outro dava cambalhotas. Só para bagunçar. Aí a Carla, que gozava de liderança perante o grupo, falou forte:
- Gente, essa bandinha não é do Trovão. Ela é nossa. Vamos gostar do que é nosso. É preciso ter moral. Quem sai perdendo somos nós.
A coisa entrou nos eixos. O ensaio correu bem. A bandinha não era só dele, mas de todos. Quembagunçava, prejudicava-se a si e aos colegas. Trovão também aprendeu que a aula não era dele, mas de todos. Por isso parou de atrapalhar. 
Oração da Bíblia: Quem quiser fazer-se grande no meio de vós, será vosso servidor... (Mt 20,26).
ORAÇÃO: Senhor, eu não estou sozinho no mundo, não sou o dono e nem o centro das atenções. Que eu respeite quem dorme, que sofre num leito de dor, quem trabalha, quem estuda e mesmo quem se diverte. Que eu respeito os menores do que eu. Amém.
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Homilia do 3º Domingo da Páscoa (30.04.17)

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
“Ele está no meio de nós!” 
Testemunhar a Ressurreição
            O Tempo Pascal celebra Jesus vivo que se manifesta aos discípulos. Há sempre a tensão entre o crer e o ver. Não é preciso ver para crer, e sim, crer para ver. Os discípulos creram e puderam ver. Essa afirmação é muito forte nos discursos de Pedro. Este discurso afirma que “Deus ressuscitou Jesus, libertando-O das angústias da morte, porque não era possível que ela O dominasse” (At 2,24). Prova pelas palavras da profecia de Davi e conclui: “Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos somos testemunhas. E agora, exaltado à direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai e o derramou como estais vendo e ouvindo” (At 2,32). A prova não é só a profecia, mas a própria manifestação do Espírito naquele dia de Pentecostes. Os discípulos foram privilegiados por verem Jesus, tocá-Lo, comer e beber com Ele depois da Ressurreição. Ver pela fé vai além do crer porque tocou. A comunidade tem consciência da salvação que lhe foi dada pela morte e ressurreição de Jesus. Pedro, no dia de Pentecostes, anuncia corajosamente que Aquele morto estava vivo e fora glorificado por Deus. Podemos entender o vigor da pregação dos apóstolos e o resultado pela experiência que tiveram do Ressuscitado. Essa experiência falta em nossas comunidades. Onde se baseia sua fé? Por que não existe vigor apostólico? A narrativa do encontro de Jesus com os discípulos que iam para Emaús é a explicação que conforta os discípulos que não têm mais a presença física de Jesus. João dá o consolo e mostra onde Ele se encontra.
Onde está Jesus?
Dois discípulos iam juntos para uma aldeia chamada Emaús. “Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido”. Jesus aproxima-se e entra na conversa. Onde está Jesus? Na fraternidade na qual caminhamos juntos. Um é apoio ao outro. Este apoio é um modo da presença de Jesus. Os sinais dos tempos, os acontecimentos da vida são outra presença de Jesus. O mundo que está diante de nós é uma presença de Jesus que nos convida a tomar parte e dar-lhe uma direção.“Jesus explica as Escrituras” e mostra como sua Paixão, Morte e Ressurreição estavam já previstas na Palavra de Deus.  Esta Palavra é uma presença preciosa de Jesus que nos orienta, esclarece e nos encaminha. A Palavra ouvida, refletida e vivida na comunidade é uma presença clara de Jesus. Um plano pastoral pode tomar esses quatro momentos e estabelecer um processo de fraternidade como ponto necessário na vida da comunidade. A comunidade não pertence ao mundo, mas vive nele, por isso é preciso estar atenta aos sinais dos tempos. Pastoral é um processo atual. A comunidade se orienta a partir da Palavra que vai conduzir à Eucaristia e anunciar.
Fica conosco, Senhor!
Chegando à aldeia convidam Jesus: “Fica conosco, Senhor, pois se faz tarde e a noite já vem chegando”. Nos momentos escuros da vida, esta presença é tão confortante! “Quando estavam à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-o partiu e distribuiu. Então seus olhos se abriram e reconheceram Jesus”. Outra presença de Jesus é a Eucaristia na qual partimos o pão e o repartimos entre nós pela comunhão. Ele sempre faz parte de nossa vida e “faz arder nosso coração quando fala conosco”. O reconhecimento da presença de Jesus faz de nós missionários. “Eles se levantam, mesmo de noite e voltam a Jerusalém para anunciar aos outros”. Conhecer a presença de Jesus é a razão de anunciá-lo. Esta resposta de Lucas à comunidade é uma proposta de caminho para a Igreja.
Leituras: Atos 2,14.22-33; Salmo 15;1Pedro1,17-21;Lucas 24,13-35 
1.    Após Pentecostes os discípulos anunciam com vigor a ressurreição de Jesus. Eles são testemunhas que Deus O ressuscitou, deu-lhe o Espírito para ser derramado sobre todos. 
2.      A narrativa de Emaús quer indicar aos discípulos que Jesus continua presente de diversas modalidades. Continua presente em nossas comunidades. 
3.      A presença privilegiada de Jesus na Eucaristia leva os discípulos a anunciar, na noite. 
            Não era conversa fiada 
Depois da vinda do Espírito Santo os apóstolos pregavam com muito entusiasmo. Sabiam o que havia acontecido com eles no momento em que foram inundados pelo Espírito.
A maior força era a certeza da presença de Jesus no seu meio. Ao ir para o Céu, disse: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Essa cena tão preciosa dos discípulos que iam para Emaús, esclarece como entendiam a presença de Cristo.

Temos quatro tipos de presença: a unidade na presença fraterna, pois iam juntos; os sinais dos tempos analisados a partir de Cristo; Jesus está na Palavra, pois Jesus lhes explica as Escrituras; e a presença mais significante, no partir do pão, isto é, na Eucaristia.  Assim podem voltar na noite, na clara noite da lua brilhante, para anunciar aos outros. Deve ter sido uma delícia esse encontro. E a conversa não era fiada.

EVANGELHO DO DIA 30 DE ABRIL

Evangelho segundo S. Lucas 24,13-35.
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja 
Homilia 23; PL 76, 1182 
«Não vos esqueçais da hospitalidade» (Heb 13,1)
Dois dos discípulos caminhavam juntos. Eles não acreditavam, e no entanto falavam sobre o Senhor. De repente Este apareceu-lhes, mas sob uns traços que não lhes permitiam reconhecê-Lo. [...] Convidam-no para partilhar da sua pousada, como é costume entre viajantes [...] Põem a mesa, apresentam os alimentos, e descobrem a Deus, que não tinham ainda reconhecido na explicação das Escrituras, na fração do pão. Não foi portanto ao escutarem os preceitos de Deus que foram iluminados, mas ao cumpri-los: «Não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rom 2,13). Se quisermos compreender o que ouvimos, apressemo-nos a pôr em prática o que conseguimos perceber. O Senhor não foi reconhecido enquanto falava; Ele dignou-Se manifestar-Se quando Lhe ofereceram de comer. 
Ponhamos pois amor no exercício da hospitalidade, queridos irmãos; pratiquemos de coração a caridade. Diz Paulo sobre este assunto: «Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Heb 13,1; Gn 18,1ss). Também Pedro diz: «Exercei a hospitalidade uns para com os outros, sem queixas» (1Pe 4,9). E a própria Verdade nos declara: «Era peregrino e recolhestes-Me». [...] «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35.40) [...] Apesar disto, somos tão preguiçosos diante da graça da hospitalidade! Avaliemos, irmãos, a grandeza desta virtude. Recebamos Cristo à nossa mesa, para que possamos ser recebidos no seu festim eterno. Demos agora a nossa hospitalidade a Cristo que no estrangeiro está, para que no dia do julgamento não sejamos como estrangeiros que Ele não sabe de onde vêm (Lc 13,25), mas sejamos irmãos que em seu Reino recebe. 

Beata Rosamunda, esposa e mãe – 30 de abril

 
Figura medieval com dama e guerreiro
      Rosamunda de Blaru, esposa de João, senhor de Vernon, foi a mãe de Santo Adjutor a quem deu uma esmerada educação cristã. João de Vernon e Rosamunda tiveram vários filhos: Adjutor, Ricardo, Mateus, Anzeray e uma filha cujo nome não se conhece. João e Rosamunda eram conhecidos por sua grande piedade e caridade. Rosamunda particularmente foi mesmo honrada com o título de beata.
     Quando João de Vernon faleceu, em 1094, seus domínios passaram para seu filho mais velho, Adjutor, que fora educado por São Bernardo, Abade de Tiron, na observância estrita da religião Católica.
     Em 1095, Adjutor partiu para a Terra Santa com duzentos cavaleiros para participar na 1ª Cruzada, deixando seus domínios nas mãos de seu irmão Mateus. Acompanhava-o seu irmão Ricardo. Próximo de Antioquia, estes valentes defensores do Cristianismo foram cercados por mil e quinhentos infiéis ameaçadores. Adjutor invocou Santa Maria Madalena, por quem a cidade de Vernon já tinha grande devoção, e subitamente os infiéis foram vítimas de uma violenta tempestade e fizeram meia-volta. Muitos tombaram sob as flechas dos homens de Adjutor.
     Tendo sido vítima de uma emboscada em Tambire, foi capturado, lançado numa prisão, carregado de correntes, duramente pressionado para renegar sua fé. Novamente Adjutor recorreu à sua Santa Protetora e foi miraculosamente transportado para Vernon, após ter ficado ausente por dezessete anos. O fato foi constatado pelo bispo Hugues de Rouen, mas uma hipótese leva a supor que na realidade Adjutor voltou para a França após a vitória de Antioquia.
     Segundo uma legenda, o santo reconheceu com alegria a floresta onde muitas vezes passara horas contemplando e rezando a Deus. Pediu então a um pastor que se encontrava próximo que fosse avisar sua mãe, a Duquesa Rosamunda, que seu filho tinha retornado. Conta ainda a legenda que quando Rosamunda chegou ao local onde fora dito que seu filho se encontrava, este agonizava.
     Após seu retorno, Adjutor mandou construir uma capela em honra de Santa Maria Madalena para agradecer a graça de voltar são e salvo ao seu país. Ele se tornou beneditino na Abadia de Tiron, mas logo preferiu a solidão de sua pequena capela, onde ele passou os últimos anos de sua vida como eremita, recebendo os doentes para lhes proporcionar algum remédio ao corpo e conduzir as almas à alegria de Deus.
     Santo Adjutor faleceu em Pressagny-l’Orgueilleux em 30 de abril de 1131.
     Ele tornou-se um santo muito popular entre os Normandos. Em Blaru, uma fonte milagrosa era o local onde a nutriz de Adjutor lavava suas roupas.
     Quanto a Duquesa Rosamunda de Blaru, como viúva recebeu o véu tornando-se religiosa e após sua morte foi sepultada junto a seu filho. Rosamunda logo foi venerada como beata e é comemorada no dia 30 de abril, junto com o filho, nas Dioceses de Chartres, Evreux e Rouen, no norte da França.
     O túmulo de Santo Adjutor existe ainda nos dias atuais.
Etimologia: Rosamunda = do germânico, “proteção ou protetora (mund) da glória (hroud)”; ou “boca (mund) vermelha (rothe)”.

S. Pio V, papa, +1572

Miguel Guisleri foi uma figura de extrema importância para a vida da Igreja Católica. Nascido em Bosco Marengo na província da Alexandria, em 1504, aos quatorze anos ingressou na vida religiosa entrando na ordem dominicana. A partir daí a sua vida desenvolve-se, pois alcançaria rapidamente todos os degraus de uma excecional carreira. Foi professor, prior do convento, superior provincial, bispo de Mondovi e finalmente Papa, aos 62 anos, com o nome de Pio V. Promoveu diversas reformas na Igreja através do Concilio de Trento, como, por exemplo, a obrigação de residências para bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos sacerdotes, as visitas pastorais dos Bispos, o incremento das missões, a correção dos livros litúrgicos e a censura das publicações. A sua autoridade e prestígio pessoal impunham a sua personalidade de pulso firme e de atitudes rigorosas, como a que tomou em relação à invasão dos turcos, pondo fim aos seus avanços a 7 de outubro de 1571, na famosa batalha de Lepanto. Apesar do seu carácter marcante, apresentava sinais de um homem bondoso e condescendente para com os humildes, paterno, às vezes, e extremamente severo com aqueles que faziam parte do corpo da Igreja. Mesmo sabendo das consequências que sofreria a Igreja, não pensou duas vezes ao excomungar a rainha Elizabete I. Morreu em 1 de maio de 1572. A sua canonização chegaria em 1712 e a sua memória fixada a 30 de abril.