quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DIA 12 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Marcos 7,24-30. 
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se para a região de Tiro e Sidónia. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse. Mas não pôde passar despercebido, pois logo uma mulher, cuja filha tinha um espírito impuro, ao ouvir falar dele, veio prostrar-se a seus pés. A mulher era pagã, siro-fenícia de nascimento, e pediu-Lhe que expulsasse o demónio de sua filha. Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa primeiro que os filhos estejam saciados, pois não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ela, porém, disse: «Senhor, também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças». Então Jesus respondeu-lhe: «Dizes muito bem. Podes voltar para casa, porque o demónio já saiu da tua filha». Ela voltou para casa e encontrou a criança deitada na cama. O demónio tinha saído. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Guigues o Cartuxo 
(1083-1136) 
Prior da Grande Cartuxa
Carta sobre a vida contemplativa, 6-7 
«Ela veio prostrar-se a seus pés» 
«Senhor, que só Te deixas ver pelos corações puros (cf Mt 5,8), eu procuro, na leitura e na meditação, encontrar a verdadeira pureza do coração e a forma de a obter, a fim de, graças a ela, Te conhecer, por pouco que seja. Procurei o teu rosto, Senhor, procurei o teu rosto (cf Sl 26,8). Meditei muito dentro do meu coração, e um fogo se iluminou na minha meditação: o desejo de Te conhecer melhor. Quando partes para mim o pão da Sagrada Escritura, reconheço-Te nessa fração de pão (cf Lc 24,30-35); e quanto melhor Te conheço, mais desejo conhecer-Te, não só no sentido do texto, mas no sabor da experiência. Não o peço, Senhor, pelos meus méritos, mas por causa da tua misericórdia. Devo confessar que sou realmente pecador e indigno, mas "também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças". Dá-me portanto, Senhor, em fiança pela herança futura, ao menos uma gota da chuva celeste para refrescar a minha sede, pois estou sequioso de amor». 
É através deste tipo de discursos que a alma chama pelo seu Esposo. E o Senhor, que olha pelos justos e não Se limita a ouvir as suas preces, mas está presente nessa oração, não espera pelo final. Ele interrompe o discurso a meio, aparece de repente, vem rapidamente ao encontro da alma que O deseja, fluindo no doce orvalho do céu como perfume de grande preço. Ele recria a alma fatigada, alimenta a que tem fome, fortifica a sua fragilidade, reaviva-a mortificando-a através de um admirável esquecimento de si própria, torna-a sóbria ao inebriá-la.

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