sábado, 7 de fevereiro de 2026

São Lourenço Maiorano, Bispo de Siponto-Dia festivo: 7 de fevereiro

Bispo em Siponto (Itália) no tempo da aparição 
de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano. 
Mandou ali construir uma capela em sua honra.
(*)Constantinopla, século V
(✝︎)Siponto, Manfredonia, 
7 de fevereiro de 545 ca. Nascido em Constantinopla, foi eleito bispo de Siponto, cidade estratégica devido à sua posição no litoral. Em 490, o Arcanjo Miguel apareceu a um senhor do Monte Gargano, convidando-o a consagrar uma gruta ao culto cristão. No ano seguinte, Lourenço buscou o conselho do Papa Gelásio I, que lhe ordenou que ocupasse a gruta e a consagrasse. Ele morreu em Siponto em 7 de fevereiro, provavelmente em 545. 
Martirológio Romano: Em Manfredonia, na Apúlia, São Lourenço, bispo. 
A figura do santo bispo de Siponto deu origem a duas versões de sua "Vita", que se sobrepuseram ao longo do tempo, gerando alguma confusão, especialmente quanto à época de sua origem. Mesmo renomados hagiógrafos, como Jean Bolland, jesuíta belga do século XVII que fundou a Companhia de Jesus responsável pela publicação dos "Acta Sanctorum", conhecida como Companhia de Jesus, e Francesco Lanzoni de Faenza (1862-1929), especialista em dioceses italianas antigas, discordaram sobre qual das duas versões era cronologicamente a mais antiga e qual era a mais verídica. Neste artigo, procuraremos não relatar todos os pontos conflitantes, mas sim simplificar para apresentar a versão mais amplamente aceita e as passagens concordantes. As duas "Vitas" são anônimas e foram compiladas vários séculos após a morte do santo; a que foi escrita por volta da segunda metade do século IX parece ser a mais verídica. Em todo caso, é consenso que São Lourenço Maiorano era originário do Oriente, mais precisamente de Constantinopla, sede do Império Bizantino. A sé episcopal de Siponto, hoje Manfredonia (nome adotado em 1256 pelo rei Manfredo), permaneceu vacante por um ano após a morte do bispo Félix, ocorrida durante o reinado do imperador Zenão (474-491), no período das lutas entre Odoacro e Teodorico (489-493). Com o retorno da paz, os sipontinos enviaram uma delegação a Constantinopla para solicitar um sucessor. Isso deve ter ocorrido em um dos últimos anos do século V, quando Siponto ainda estava sob domínio bizantino, pois sabe-se que, do século V até o século VIII, a Apúlia esteve sob jurisdição romana. O imperador Zenão, ainda vivo antes de 491, designou Lourenço como seu parente, o qual aceitou e partiu, levando consigo preciosas relíquias de Santo Estêvão e Santa Ágata. Neste ponto, os relatos divergem, pois uma versão sugere que Lorenzo foi consagrado bispo na própria Constantinopla, enquanto outra afirma que ele chegou a Roma para ser consagrado pelo Papa Gelásio I (492-496). É importante lembrar que, naquela época, os imperadores nomeavam seus bispos, que posteriormente eram consagrados pelo papa ou, às vezes, apenas recebiam sua aprovação. Essa situação seria resolvida muito mais tarde, com a luta entre o Papado e o Império, com a chamada "Questão das Investiduras". Tendo se tornado bispo de Siponto, cidade estratégica devido à sua posição à beira-mar, Lorenzo, além de seus méritos como pastor de almas, que mencionaremos adiante, ligou seu nome ao extraordinário evento da aparição do Arcanjo Miguel no Gargano. Era o ano de 490, e um pequeno senhor de Monte, chamado Elvio Emanuele, havia perdido o melhor touro de seu rebanho. Após uma longa busca, encontrou-o agachado dentro de uma caverna inacessível. Como estava fora de seu alcance, decidiu matá-lo e atirou uma flecha de seu arco, mas em vez de atingir o touro, a flecha inexplicavelmente girou e atingiu o atirador. Chocado, foi até o bispo de Siponto, São Lourenço, e relatou o ocorrido. O bispo prescreveu três dias de oração e jejum. No terceiro dia, o Arcanjo Miguel apareceu ao bispo, convidando-o a dedicar a caverna ao culto cristão. Mas Lourenço hesitou e não acatou o pedido de São Miguel, pois o culto pagão ainda era muito presente na montanha onde a caverna se localizava. Dois anos depois, em 492, Siponto foi sitiada pelo rei bárbaro Odoacro. As forças cristãs estavam exaustas quando São Lourenço Majoran conseguiu obter uma trégua de três dias do rei. O bispo e os fiéis passaram essa trégua mais em oração e penitência do que em reorganizar suas forças para uma batalha já perdida desde o início. Nesse momento, o Arcanjo reapareceu ao bispo, dizendo-lhe que ofereceria sua ajuda caso os sipontinos atacassem o inimigo. A promessa foi cumprida e, quando os sitiantes retomaram as hostilidades, uma tempestade de areia irrompeu repentinamente durante a batalha, caindo sobre os bárbaros, que, aterrorizados, fugiram. A cidade foi salva e o bispo Lourenço, juntamente com toda a população, subiu o Monte do Arcanjo em procissão para agradecê-lo, mas, mais uma vez, não ousou entrar na gruta. Essa incerteza o levou a buscar conselho do Papa Gelásio I no ano seguinte, que o ordenou a ocupar a gruta e ir até lá com os bispos da Apúlia para consagrá-la, após um jejum de três dias. Mas o Arcanjo Miguel apareceu ao bispo indeciso pela terceira vez, dizendo-lhe que não era necessário consagrar a gruta, pois já estava consagrada por sua presença, e que, portanto, ele poderia entrar, rezar e celebrar a missa. Quando o Bispo Lourenço entrou na gruta, conta a lenda, encontrou um altar coberto com um pano vermelho, com uma cruz de cristal no topo. Ele então mandou construir uma igreja na entrada da gruta, que dedicou a São Miguel em 29 de setembro de 493; daí começou o culto ininterrupto ao longo dos séculos, que viu multidões de peregrinos de todas as classes sociais chegarem ao Santuário e à Gruta Sagrada, reis e rainhas, futuros santos, papas a começar por Gelásio I, todos unidos pelo desejo de visitar esta gruta mística onde, segundo as palavras do Arcanjo a São Lourenço, "os pecados dos homens podem ser perdoados". Sabe-se também que São Lourenço, invocando a ajuda de São Miguel, conseguiu repelir uma incursão napolitana contra Siponto; mandou construir várias igrejas, incluindo uma em honra de São João Batista, que decorou com pinturas, bem como a de Gargano; possuía o dom da profecia e previu os desastres iminentes da Guerra Gótica; encontrou-se com Tótila, rei dos Ostrogodos (falecido em 552), obtendo a salvação de Siponto da destruição. Mantinha contato fraterno com o santo bispo de Canosa di Puglia, São Sabino; ​​faleceu em Siponto em 7 de fevereiro, provavelmente de 545. 
Autor: Antonio Borrelli

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