Evangelho segundo São Mateus 5,13-16.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da Terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa.
Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1098-1179)
Abadessa beneditina,
doutora da Igreja
Livro das obras divinas, cap. 6
Os verdadeiros crentes são a luz do mundo
Nas expansões do seu coração, os verdadeiros fiéis consideram a grandeza da omnipotência divina, constatam a instabilidade do seu espírito e a debilidade do seu coração, e moderam todos os seus atos, a fim de não perderem o equilíbrio, excedendo a justa medida nas necessidades superiores ou inferiores, conforme a recomendação de São Paulo aos seus fiéis: «Fazei tudo sem murmurar nem discutir, para serdes irrepreensíveis e puros, filhos de Deus sem mancha, no meio duma geração perversa e depravada, onde brilhais como estrelas no mundo, ostentando firmemente a palavra da vida» (Fl 2,14-16).
O homem está como que numa encruzilhada: se procurar na luz a salvação que vem de Deus, obtê-la-á; se escolher o mal, seguirá o demónio para o castigo. Com efeito, o homem deve suportar a sua natureza e todas as suas obras sem murmúrios, sem as deformações do pecado, sem contestações, comportando-se como um verdadeiro crente. Se amar o bem e odiar o mal, não porá em risco a sua libertação no dia do juízo final, altura em que será separado de todas as criaturas que se desviaram do bem, abraçando o mal.
Aqueles que assim operam, procurando não ferir ninguém, vivem como filhos de Deus, na simplicidade das suas boas obras, evitando murmúrios, contestações e emoções negativas, que são típicos do mundo comum. Insensíveis às armadilhas da sedução, incentivam a estima daqueles que se congratulam pelo sua coragem no meio de uma geração depravada e perversa. Na perfeição da sua verdadeira fé, brilham como os astros cuja missão é iluminar o mundo, conforme a decisão do Criador do Universo; e, através de uma doutrina que encarna na vida, converterão muitos homens a Deus: foi assim que o Filho de Deus, que era sem pecado, iluminou a todos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário