quarta-feira, 26 de março de 2014

REFLETINDO A PALAVRA - “A caridade vai além da curva”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
Nomes da caridade.
São Paulo, falando da fé, afirma que é ela que salva (Rm 5,1). Não está dizendo que bastar dizer eu creio e já está salvo e Jesus cobre nossos pecados. Paulo está fazendo a relação entre as obras da lei e a fé em Jesus. São Tiago completa a interpretação de Paulo: “mostra-me tua fé sem obras, que te mostrarei a fé através de minhas obras” (Tg 2,18).  Paulo, descrevendo a caridade, explicita que ela é superior. A fé está em relação à caridade. “Se eu tiver a fé a ponto de transportar montanha e não tiver a caridade, não seria nada” conforme Paulo escreve no seu hino à caridade (Rm 13,2). A fé existe na aceitação de Jesus no coração e nas mãos. É uma opção de um modo de viver que orienta a vida. A caridade, que também tem nome de amor, deve impregnar toda a vida e tudo o que fazemos. Paulo tem 4 versículos mostrando como nos educa ao relacionamento com os outros: “A caridade é paciente, prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera , tudo suporta” (1 Cor 13,4-6). Este relacionamento parte do interior do coração e envolve todo o ser e atitudes. Na realidade, é uma virtude e rara. Ela é a única religião. O testemunho da caridade é o único que pode mover o coração. Algumas atitudes, como milagres, causam admiração, mas não movem à conversão. A caridade sim.
Cultura do amor.
O documento de Puebla proclama a “civilização do Amor”. Podemos ver pela história que as pessoas que verdadeiramente deixaram um caminho a ser seguido, foram os que mais expressaram a caridade. Belo é ver S. Francisco de Sales educando-se para se tornar um homem extremamente gentil e bom, ele que era um homem muito nervoso e irritadiço. A caridade o fez um homem tratável. Santo Afonso tirava os sapatos de noite para não incomodar os confrades. Dos primeiros cristãos se dizia: “Vede como se amam”. Criar uma cultura do amor é implantar em nós o gesto de Jesus lavando os pés dos discípulos. Suas Palavras são claras: “Se eu, o Mestre e o Senhor vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13.14-15). Jesus fez este gesto na instituição da Eucaristia que é o repartir o pão e não um rito a ser lido às presas e com ritualismos. Jesus, com a Eucaristia dá o sentido de sua morte: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11,25-26). O amor de serviço é a interpretação de sua morte. A caridade vai além da curva de nossos pensamentos miúdos.
Caridade a ser ensinada.

É fundamental, para a criação da civilização do amor, a formação na caridade cristã. Se não temos oblatividade e gratuidade em nosso amor, não saberemos jamais o que é o amor cristão. Servir é viver o amor. E isso faz falta em nossa sociedade que se diz cristã. Maria é o exemplo acabado: serviu Isabel em lugar de ficar fazendo fantasias porque estava carregando em seu seio o Filho do Altíssimo. Por isso, ela foi grande. “Quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 Jo 4,21). Servir o irmão é a melhor forma de amar. 

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