sábado, 29 de janeiro de 2022

São Gildas, o Sábio, Confessor (+570), 29 de Janeiro

Gildas viveu grandes experiências em sua vida que lhe proporcionou viajar, casar e, até, viver como eremita. Essas experiências tornaram-lhe um homem com uma capacidade de observação e reflexão profundas, que culminaram em um livro - sua grande obra - chamado De Excidio Britannic. Neste livro, Gildas faz uma reconstituição histórica da sociedade de sua época. Mostrando-se extremamente duro com os homens de sua época, aponta erros e injustiças gritantes. Obviamente, seu texto desagradou a muitos e muitas também foram as críticas que recebeu. Com sabedoria, Gildas enfrentou a todos, pois, seu mais profundo desejo era o da conversão do homem. E, assim, ganhou o apelido de "o sábio", dado por aqueles que o procuravam e por ele eram convertidos. Santificando a vida: Qual a reflexão que faço de minha época? Consigo ver sinais do Reino de Deus nela? Fontes: 
wikipedia/commons/c/c9/Statue_St-Gildas_0708_NB1.jpg

VALÉRIO DE RAVENA Bispo, Santo +810

Recordamos hoje dois santos bispos com o mesmo nome, Valério. O primeiro, morreu cinco séculos antes, na S. Valério de Ravena, Bisposua sede episcopal em Treviri, na Alemanha, e pode ser lido na outra página. O segundo, faleceu no dia 15 de março de 810 e foi o bispo de Ravena, em Roma, na Itália. Este Valério, bispo de Ravena, que faleceu em março, passou a ser comemorado no dia 29 de janeiro, por ser confundido com o primeiro que faleceu neste dia, o qual já tinha um culto cristalizado entre os peregrinos e devotos. O erro partiu de um copista do Vaticano, em 1286, que acreditou se tratasse de um santo só. Excluiu a festa de março e manteve no calendário da Igreja a data da comemoração mais antiga, e assim ficou. Valério de Ravena, também sofreu fortes perseguições políticas dentro do próprio clero. Mas o pior foi que para agradar o imperador Carlos Magno, que não simpatizava com ele, o bispo foi vítima de uma sórdida intriga política. No dia 8 de abril de 808, dia de Palmas, dois nobres condes paladinos chegaram cedo na cúria, conversaram com Valério que os acolheu e deu hospedagem. Participaram de todas as celebrações pertinentes à data e depois de almoçarem com o bispo, partiram agradecidos.

VILENA DE BOTIS Esposa, Mãe, Terceira, Beata 1332-1361

Vilena de Botis nasceu em Florença, na Itália, em 1332 no seio de uma família cujo pai era um rico Beata Vilana de Botis, Esposa, Mãe, Religiosa comerciante; ela foi contemporânea de Santa Catarina de Sena. Desde a sua tenra idade ela sentiu-se atraída pelo silêncio dos claustros, mas seu pai forçou-a a desposar, em 1351, quando ela tinha 29 anos de idade, Rosso Benintendi. A tímida donzela não ousou opor-se à vontade paterna e encontrou-se assim levada pelo turbilhão das festas mundanas que muito depressa seduziram o seu coração simples e inexperiente às coisas da vida. Mas Deus, que é um eterno amoroso das almas puras e simples, queria e tinha escolhido esta alma desde a sua tenra infância, interveio de maneira insólita. Ao cair de uma certa noite, Vilana dum sumptuoso espelho, querendo admirar a sua esplêndida cabeleira, procurou em vão encontrar o seu rosto no espelho, mas nele ela só encontrou diante dela uma espécie de monstro que a intimidava. Mas não foi ilusão, como ao princípio ela pensou, porque todos os outros espelhos da casa mostravam, quando ela deles se aproximava, a mesma imagem horrorosa.

BRONISLAU MARKIEWICZ Presbítero salesiano, Fundador, Bem-aventurado (1842-1912)

Bronislau Markiewicz nasceu no dia 13 de julho de 1842 em Pruchnik (Galícia, sul da Polônia), e era o sexto de onze filhos de uma família religiosa de pequenos burgueses. Bronislau enfrentou a fome, a pobreza e perseguições, encontradas na escola por causa de seus ideais cristãos, sempre com espírito de fé que o levou a decidir-se pela entrada no seminário. Foi ordenado sacerdote em 15 de setembro de 1867. Dedicou-se intensamente ao ensino do catecismo e ao apostolado entre os encarcerados, e gostava de viver com o povo, sobretudo pobre. Sentia-se atraído pelos jovens marginalizados que sofriam todo gênero de pobreza e por causa deles quis estudar pedagogia a fim de ajudá-los da melhor forma para salvarem a alma. A Providência levou-o a desejar ardentemente a entrar num Instituto religioso dedicado ao cuidado da juventude. Partiu, então, para a Itália, onde ficou fascinado pela espiritualidade de Dom Bosco que, sem o saber, já trazia no coração. Pediu e obteve fazer parte da Congregação salesiana e, em 1887, nas mãos de Dom Bosco, emitiu os votos perpétuos.

São Sabino de Troyes

Nasceu em Samos. Desencantado com a sociedade e com a moral de sua terra natal Sabino viajou para Gaul, França. Em Troyes ele foi convertido e batizado por São Patroclus que mais tarde foi martirizado em 259DC. Notável pregador São Sabino continuou o trabalho de São Patroclus por 26 anos. Ele pregou e batizou na região do alto Sena e muitos foram convertidos.Quando Sabino foi trazido junto ao Imperador Marcus Aurelius para julgamento por sua fé, ele recusou a renegar sua fé e até mesmo debochou das ameaças imperiais. Furioso o imperador mandou mata-lo a flechadas, mas as mesmas inexplicavelmente falharam em atingi-lo. Foi colocado em uma fogueira e mesmo assim não morreu e continuava a cantar hinos de louvor a Jesus. Furioso o imperador mandou que o degolassem, em 275 DC. Muitos dos presentes se converteram diante de tal milagre e aqueles que o fizeram em voz alta foram martirizado e mortos. Na arte litúrgica da Igreja São Sabino é mostrado com c sua cartanta cortada por uma espada, ou com varias flechadas no corpo ou com São Patroclus. Sua festa é celebrada no dia 29 de janeiro.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE JANEIRO

Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 – Sábado – Santos: Aquilino, Bambina, Constâncio
Evangelho (Mc 4,35-41) Jesus estava dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos acordaram-no dizendo: – Mestre, estamos perecendo e não te importas?”
Os discípulos ainda não eram muito perfeitos, mas pelo menos tinham uma confiança muito grande em Jesus. E podem servir de exemplo para mim. Mais de uma vez terei de enfrentar tempestades ou não saberei o que fazer. O melhor será recorrer ao Senhor, e pedir socorro, pedir que nos aponte o que fazer, e nos ajude a fazê-lo. Ele haverá de mandar ao mar e aos ventos que se acalmem.
Oração
Senhor Jesus, sois Deus e vosso poder é infinito, como é infinito vosso amor por mim. Confio em vossa bondade, e quereis minha felicidade até mais que eu. Sei que estais sempre pronto a me ajudar, mas preciso de vossa graça que me faça recorrer a vós. Por maiores que sejam a dificuldades, não deixeis que me desespere, mas saiba que, de um jeito ou de outro, cuidareis bem de mim. Amém.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - COMPORTAMENTO -03-PADRE LIBÁRDI

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA

Temos o direito de especular a vida dos outros? 
A vida de cada pessoa faz parte do conjunto de sua intimidade, que não pode ser violada. Atrás de cada vida ou de cada ato existe uma pessoa com sua história, seus valores, suas razões e sua consciência; pessoa que tem sua dignidade e seus direitos. Está claro que homem nenhum é uma ilha. E ao vivermos em sociedade nossos direitos vão até onde começam os direitos dos outros. Por isso, em se tratando de tudo o que implica um relacionamento, as pessoas têm o direito de perguntar sobre nossa vida, pelo menos para poderem entender-nos, ajudar-nos e se relacionarem conosco. Aqui tudo depende do grau de relacionamento que deve existir entre as pessoas. Ninguém vai abrir sua vida a um qualquer como mala de mascate. Temos porém o direito de não sermos coagidos a falar sobre nossa vida, quando a nosso ver as pessoas não têm o direito de entrar em nossa privacidade, e falar ou não falar não vai acrescentar nada e pode até ser prejudicial para nós mesmos. Nem sempre a falsa idéia de querer ser transparente constrói algo sadio. Temos de respeitar a individualidade nossa e a dos outros, sem com isso sermos problemas e criarmos barreiras para um relacionamento agradável e necessário. Vêm bem a propósito aqui nossas confissões, em que encontramos padres que fazem questão de bisbilhotar nossa vida e arrancar pormenores que acabam fazendo desse momento algo traumatizante. É certo que o sacerdote tem o direito de se esclarecer para poder formular um parecer e dar uma boa orientação, mas tudo tem o limite da própria consciência do penitente. A ninguém, sob nenhum pretexto, cabe o direito de violentar uma consciência tanto especulando demais, como emitindo julgamentos sobre o estado de pecado mais ou menos grave na pessoa. Ela é quem sabe. O sacerdote pode esclarecer, falar sobre os corretos valores, ajudar na formação da consciência. Penso também que as pessoas deviam estar mais preparadas para suas confissões e dizer o que realmente é importante e de forma conveniente para não confundir o confessor e levá-lo a um mal-entendido. Quem especula a vida dos outros, certamente podemos classificá-lo como doente. São pessoas que se julgam no direito ou que têm satisfação em saber o que não devem, e mais doentes são aquelas pessoas que têm a alegria em levar em frente esses pormenores da vida alheia e se passarem por bem informadas. Não nos cabe o direito de excluir essas pessoas e afastá-las de nosso redor, mas fica bem claro o cuidado que se deve ter perto delas. O melhor caminho é o silêncio que ensina a falar apenas o que se deve e na hora certa. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

REFLETINDO A PALAVRA - O próximo é próximo de Deus

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
53 ANOS CONSAGRADO
46 ANOS SACERDOTE
Não faça mal a si mesmo!
 
Somos um universo de sentimentos, tendências, atitudes que fervem dentro de nós como um vulcão. Tudo é muito bom e muito saudável. Diz Maria Celeste Crostarosa, fundadora das Monjas Redentoristas (1696-1755), que as “paixões são boas, basta domesticá-las”. A raiva, o rancor, a falta de perdão, a dureza de coração atingem o próximo de modo violento. Esse furacão causa danos piores a nós mesmos. Um dia um ‘evangélico’ comentou comigo que ‘o mau pensamento surra a alma’, quer dizer: o mal que pensamos e que faz aos outros faz mal a nós mesmos. Encontrei essa citação em Provérbios: “O homem bondoso faz bem a sua própria alma; mas o cruel faz mal a si mesmo” (Prov 11,17). Quando estamos com raiva de alguém, e mesmo que não demonstremos, nós sofremos. Esses sentimentos levam a prejudicar nosso relacionamento com Deus (Eclo 27,38-28,9): ‘Nossa oração não será ouvida, os pecados não serão perdoados’. Temos muita facilidade em viver uma situação de ódio e em fazer nossa vida espiritual, como se fossemos outra pessoa. O relacionamento com o próximo tem uma relação direta com o relacionamento com Deus. Por isso é o mau relacionamento é chamado de pecado. Para amansar nosso coração, a Palavra de Deus nos anima a pensar em nosso fim, nossa morte, para sabermos que nossas atitudes e exigências para com os outros são inúteis e ignorantes. Não é a toa que, ao rezarmos o Pai Nosso, nós condicionamos o perdão de Deus ao modo como perdoamos os outros. Jesus é esperto demais. 
É para o Senhor que vivemos 
Deus nos trata tão bem e não fica lembrando nossos pecados (Sl 102). A vida não tem sentido a não ser a partir de Deus: “Ele é o Deus dos vivos e dos mortos” (Rm 14,9). A razão de nossa vida se funda em Deus. Não se trata de ficar só pensando nEle, mas que nossa vida O tenha como referência primeira. Nós o fazemos quando vivemos o amor, o perdão (tão difícil), o sentimento de bondade. Viver para Deus é viver para a felicidade dos outros. O próximo é o próximo de Deus. O que fazemos aos outros estamos fazendo a Deus, pois todos estão unidos a Deus. NEle vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28). O bem que fazemos aos outros é o maior bem que fazemos a nós mesmos, pois estamos fazendo para nós. Como damos a medida do perdão de Deus ao perdão que damos, assim também Deus condiciona o bem que nos dá ao bem que fazemos aos outros. 
Perdão é caminho de vida 
A perspectiva da liturgia da Palavra de hoje é a necessidade de perdoar. Deus perdoa nossos imensos pecados. Nós aceitamos alegremente o perdão, mas nos esquecemos que devemos perdoar como Deus nos perdoa. É o que nos diz a parábola que termina com a afirmação: “Assim o Pai fará convosco se cada um não perdoar de coração seu irmão” (Mt 14,35). Vivamos sem rancor e raiva, pois no perdão seremos premiados por Deus. Mais que nos preocuparmos em perdoar ou não perdoar, é necessário criar um ambiente de reconciliação onde não haja necessidade de ofensas. É esse o modelo que Jesus criou para a comunidade de seus discípulos quando ensina o serviço humilde, a procura dos últimos lugares e a dedicação à vida, como Ele próprio o fez. Amou-nos até o extremo do amor. 
Leituras:
 Eclesiástico 27,30-28,9; Salmo 102; 
Romanos 14,7-9; Mateus 18,21-35. 
Ficha: 1. Vivemos, de quando em quando, um vulcão interior de sentimentos fortes de raiva, rancor e ódio. Mesmo que não o demonstremos sofremos, pois quem “pensa mal do outro, surra a própria alma”. A aceitação desses sentimentos prejudica nosso relacionamento com Deus como está escrito na primeira leitura. A Palavra nos estimula a pensar em nosso fim para não pecar. 2. O remédio que temos para esses males é levar em conta onde está o centro de nossa vida: em Deus. Viver para Deus é viver para os outros. O próximo é próximo de Deus. Nosso bem está relacionado com o bem que fazemos aos outros, como o perdão que pedimos para nós está condicionado ao perdão que damos aos outros. Assim rezamos no Pai-Nosso. 3. A liturgia deste domingo nos estimula ao perdão. Mais que nos preocuparmos em ser perdoados ou perdoar, temos de criar um clima tal de reconciliação e amor que não haja necessidade de pedir perdão. Criar um ambiente de amor e serviço fraterno será o caminho da reconciliação preventiva.
Homilia do 24º Domingo Comum
EM SETEMBRO DE 2005

EVANGELHO DO DIA 28 DE JANEIRO

Evangelho segundo São Marcos 4,26-34. 
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.
Tradução litúrgica da Bíblia 
Beato Maria Eugénio do Menino Jesus
(1894-1967) carmelita, 
fundador de Notre Dame de Vie
«A união transformadora» 
O Reino de Deus é como a semente 
que germina e cresce 
Não podemos exigir que a graça divina revele todas as suas virtualidades no período de crescimento. Nem a semente que morre nem o delicado caule que cresce mostram com precisão o que guardam. A germinação e o crescimento ocorrem no caos ou, pelo menos, no mistério. Só o pleno desenvolvimento expõe as propriedades da vida e a qualidade do fruto. Depois dos períodos obscuros que nos dissimularam algumas das suas propriedades, a graça revela as suas riquezas essenciais na união transformadora, mostrando-nos que realiza uma transformação por semelhança com o amor a Cristo Jesus. O desenvolvimento exterior de Cristo Jesus nas almas assume formas diversas, porque esta graça de Cristo é multiforme e brilha com reflexos variados, mas a transformação em Cristo deve ser real e profunda, e afirmar-se pela semelhança que o amor cria na vontade, nos pensamentos, nos sentimentos e na atividade exterior. Divinização da natureza humana, tornando-nos filhos de Deus, encarnação da vida divina, tornando-nos cristãos -- eis o duplo realismo que a união transformadora promove quando é verdadeira e autenticamente cristã.

28 de janeiro - Beata Maria Luisa Montesinos Orduna

Maria Luisa nasceu em 3 de março de 1901 em Valência, Espanha, e foi batizada dois dias depois. Ela recebeu a confirmação em 18 de março de 1907, aos seis anos de idade, na igreja de San Andrés Apóstolo. Educada em uma escola religiosa, ela optou por uma boa cultura geral. Sua vida voltou-se para o serviço de seus pais. Ingressou na Ação Católica Espanhola e participava diariamente da celebração eucarística, destacando-se também por sua devoção mariana. Ela era uma catequista ativa, ensinava alfabetização, dedicou-se aos cuidados dos doentes e da caridade aos pobres. Quando a guerra civil eclodiu e a feroz perseguição religiosa pela qual a Espanha passou, Maria Luisa e sua família foram denunciadas por serem católicas por um servo e a FAI do Grau de Valencia os prendeu. Ela foi baleada com o pai, os dois irmãos e a irmã, além de uma tia dele. Foi a única que subiu aos altares, porque não tinha militância política e foi baleada por ser católica. O massacre ocorreu em 28 de janeiro de 1937 em Picassent, perto de Valência. Em 11 de março de 2001, o Papa São João Paulo II elevou as honras dos altares a nada menos que 233 vítimas da mesma perseguição, incluindo a Beata Maria Luisa Montesinos Orduña, sua memória é celebrada hoje no aniversário de seu martírio.

Santo Efrém, o Sírio, monge e diácono († 373) , 28 de Janeiro

Santo Efrém nasceu em Nisibis (Síria), Desde muito cedo, quando ainda era bem pequeno, viveu próximo de seu bispo Jacó que o ajudou em seus estudos e, mais tarde, lhe ordenou diácono. Acompanhou seu Bispo no Concilio de Nicéia, no ano 325. Visitou os monastérios do Egito e se encontrou com São Basílio em Cesaréia na Capadócia. Sob a direção de um ancião, consagrou-se à oração, à penitência e ã meditação das Sagradas Escrituras. Permaneceu diácono pelo resto de sua vida, repelindo, por humildade, ser elevado ao sacerdócio e ao episcopado. Depois da tomada de Nisibis pelos persas, no reinado do imperador Joviano, em 363, Efrém retirou-se definitivamente para Edessa onde fundou escolas de exegese que , graças à sua inteligência, foi um projeto pleno de êxito. Durante seus últimos 10 anos de vida entregou - se às atividades intelectuais intensas. Morreu no ano 373 .

São Pedro Nolasco, Sacerdote, Fundador (1189-1256), 28 de Janeiro

São Pedro Nolasco nasceu numa família ilustre, que habitava perto de Carcassonne, na França, no final do Século XII. Infelizmente, seus pais morreram quando era ainda um adolescente. Durante toda a sua vida, Pedro se aplicou na prática da caridade para com o próximo. A heresia dos Albigenses assolava, então, o Centro da França. Para se afastar desse perigo, Pedro vendeu seu patrimônio e partiu para a Espanha, onde foi chamado pelo rei Tiago de Aragão, mais precisamente para Barcelona, e ali aplicou toda a sua fortuna no resgate dos que haviam sido feitos prisioneiros pelos Sarracenos. Mas, para ele, sacrificar seus bens não bastava para realizar a caridade que trazia consigo. Pedro queria vender-se a si próprio para livrar seus irmãos e assumir os grilhões que lhes pesavam. Une noite, enquanto orava sonhando com a libertação dos cativos, a Santa Virgem lhe apareceu, pedindo-lhe que fundasse, em Sua honra, uma Ordem religiosa consagrada a esta obra de caridade. Pedro apressou-se em obedecer a este pedido celestial, ainda mais porque o rei e Raimundo de Pennafort também haviam recebido, ao mesmo tempo, a mesma revelação. Pedro, então, fundou a Ordem de Nossa Senhora das Mercês pela Redenção dos Cativos. O caráter particular desta Ordem é que, aos três votos convencionais (pobreza, obediência, castidade), Pedro adicionou um quarto voto: fazer-se prisioneiro, em caso de necessidade, em troca da libertação de cristãos. A este exemplo heróico de caridade, Pedro adicionou o de todas as virtudes.

TOMÁS DE AQUINO Dominicano, Doutor da Igreja, Santo 1225-1274

Doutor da Igreja, professor de teologia, filosofia e outras ciências nas principais universidades do mundo em seu tempo; frei caridoso, estudioso dos livros sagrados, sucessor na importância teórica de São Paulo e Santo Agostinho. Assim era Tomás d'Aquino, que não passou de um simples sacerdote. Muito se falou, se fala e se falará deste Santo, cuja obra perdura atualíssima ao longo dos séculos. São dezenas de escritos, poesias, cânticos e hinos até hoje lidos, recitados e cantados por cristãos de todo o mundo. Tomás nasceu em 1225, no castelo de Roccasecca, na Campânia, da família feudal italiana dos condes de Aquino. Possuía laços de sangue com as famílias reais da Itália, França, Sicília e Alemanha, esta ligada à casa de Aragão. Ingressou no mosteiro beneditino de Montecassino aos cinco anos de idade, dando início aos estudos que não pararia nunca mais. Depois, frequentou a Universidade de Nápoles, mas, quando decidiu entrar para a Ordem de São Domingos encontrou forte resistência da família. Seus irmãos chegaram a trancá-lo num castelo por um ano, para tentar mantê-lo afastado dos conventos, mas sua mãe acabou por libertá-lo e, finalmente, Tomás pôde se entregar à religião. Tinha então dezoito anos. Não sendo por acaso a sua escolha pela Ordem de São Domingos, que trabalha para unir Ciência e Fé em favor da Humanidade. Este sempre foi seu objetivo maior. Foi para Colônia e Paris estudar com o grande Santo e doutor da Igreja, Alberto Magno. Por sua mansidão e silêncio foi apelidado de "boi mudo", por ser também, gordo, contemplativo e muito devoto.

JOSÉ FREINADEMETZ Sacerdote, Missionário, Santo 1852-1908

José Freinademetz nasceu no dia 15 de abril de 1852, na cidade de Oites, no Tirol do Sul, que na ocasião era território austríaco, mas a cidade hoje se chama Alta Badia e pertence a Itália. Seus pais eram camponeses muito pobres, tiveram treze filhos e formaram uma família muito cristã. O pequeno José, desde a infância queria ser um missionário. Estudou no seminário diocesano de Bressanone, onde foi ordenado sacerdote em 1875. Depois de três anos de ministério em São Martino, na Alta Badia, com autorização de seu Bispo, ingressou na Sociedade do Verbo Divino, em Steyl, na Holanda, para ser um missionário. Em 1879, recebendo a cruz dos verbitas, foi enviado para a missão da China. Ficou dois anos em Hong Kong, para adaptação dos costumes, e depois foi enviado para a primeira missão católica em Shandong do Sul, junto com um companheiro da Ordem, o holandês João Batista Anzer. Os dois missionários encontraram uma comunidade minúscula de cristãos, com menos de duzentos fiéis. Começaram a evangelização com visitas pastorais em todas as vilas, contatando as pessoas e as famílias, pois o total de habitantes era de nove milhões. Aos poucos o povo se afeiçoou ao caridoso, ativo e incansável Padre José, a quem deram o nome chinês de Padre Fu Shen Fu, que significa Padre Feliz. Com muita oração, fé na Divina Providência e extremo zelo missionário, conseguiram construir a Igreja, o seminário, o orfanato, a tipografia e a escola. Até que em 1898, Padre José adoeceu e teve de se distanciar de sua querida Shandong, aliás ele só o fez esta única vez. Viajou para Nagasaki, no Japão, para tratar de uma tuberculose que iniciara. Mas retornou logo, mesmo sem estar totalmente curado.

OLÍMPIA BIDÀ Religiosa, Mártir, Beata (1903-1952)

Olga nasceu na aldeia Cebliv, região de Lviv. Ainda jovem ingressa no mosteiro das Irmãs da Congregação de São José, situado na sua aldeia. Ela faz os votos com o nome de Olimpia e trabalha na escola, dedicando-se à educação cristã de meninas na aldeia Žužel. Em 1938 foi nomeada superiora do mosteiro da cidade de Chyrov. Em 1939, com a invasão do exército soviético na Ucrânia Ocidental, começaram as repressões em massa contra a intelectualidade local. As freiras são advertidas de que, para evitar a prisão, elas devem tirar o hábito religioso e se dispersar em vários apartamentos. Durante a ocupação alemã, com o aumento da fome, as freiras se preocuparam em encontrar os alimentos necessários e distribuí-los aos mais necessitados. Ao mesmo tempo, elas organizam momentos de oração comum. Após a união da Ucrânia Ocidental com a URSS, começa o processo de liquidação da Igreja Greco-Católica e a deportação em massa da população local para a Sibéria, acusada de apoiar o movimento nacionalista. A irmã Olímpia, junto com as outras irmãs, organiza uma colecta de alimentos para famílias com crianças pequenas. Durante a repressão, quando todos os mosteiros estão fechados, as freiras do convento de Chyrov decidem ir para a clandestinidade. A comunidade monástica e a paróquia secretamente fornecem comida ao padre católico grego Taras Bobkovič, que foi preso em 1949. Na véspera de Natal, as freiras preparam a prosfora (pão abençoado que também pode ser usado para a celebração litúrgica), que as crianças levam às casas dos camponeses com o seguinte voto: “Aceite a prosfora que a Igreja lhe dá e coma em homenagem à Natividade de Cristo”.

MOISÉS TOVINI Sacerdote, Beato 1877-1930

Na tarde de domingo, 17 de Setembro, celebrou-se a Santa Missa de beatificação do Pe. Moisés Tovini, na Catedral de Bréscia (Itália), sacerdote oblato dessa Diocese. O novo Beato foi um homem humilde, preparado, generoso e bom, que dedicou toda a sua vida como educador e pastor no silêncio e no escondimento da vida quotidiana do Seminário e das paróquias. Originário de Cividate Camuno, onde nasceu em 27 de Dezembro de 1877, teve como padrinho de baptismo o Adv. Giuseppe Tovini, tio paterno, que certamente com o seu exemplo de vida evangélica influenciou muito as escolhas de Moisés. Após os estudos básicos, amadureceu nele a vocação para o sacerdócio. Completados os estudos, foi ordenado no dia 9 de Junho de 1900. A sua primeira destinação foi a de Capelão em Astrio di Breno. Em seguida, a fim de completar os estudos foi enviado para Roma, onde se formou em Matemática e em Filosofia e Teologia. Durante os anos passados em Roma ele exerceu um ardoroso apostolado em duas pequenas igrejas na periferia, frequentadas pelos pobres da zona rural romana: a Cervelletta e a do Repouso. Em 1904 voltou para a sua diocese e foi um dos primeiros três sacerdotes Oblatos da Congregação diocesana da Sagrada Família, formada por sacerdotes seculares à disposição do Bispo, na qual ele desempenhou o cargo de Superior por vários triénios. O principal empenho da sua vida foi a escola no Seminário. Ensinava matemática e filosofia. Professor muito apreciado, era estimado também no mundo leigo pela sua preparação cultural e científica.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE JANEIRO

Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 – Sexta-feira – Santos: Tomás de Aquino, Leônidas, Gonçalo do Amarante
Evangelho (Mc 4,26-34)  “O Reino de Deus é como um homem que joga a semente na terra: se dorme ou está acordado ... a semente germina e cresce, e ele não sabe como.“
A ação de Deus, que nos quer salvar, é misteriosa e vai além de nossa colaboração. Manifesta-se quando menos esperamos e de forma incompreensível, às vez ao contrário de nossa expectativa. O poder divino de salvação é maior que nós, abre caminhos que nos parecem impossíveis. E nenhuma força humana poderá impedir que Deus realizes seus projetos de salvação para a humanidade.
Oração
Senhor meu Deus, creio em vós, e coloco toda a minha confiança no vosso poder misericordioso. Quereis salvar-me; nada e ninguém vos poderá impedir. Somente eu, com meu orgulho e insensatez. Aceito a mão que me estendeis, aceito vosso amor e vosso perdão. Não permitais que me afaste de vós e seja infiel ao vosso amor. Tudo espero de vós, agora nesta vida e pela eternidade. Amém.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - COMPORTAMENTO -02 - PADRE LIBÁRDI

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA
Como reagir diante da antipatia ou da simpatia?
 
Pensar em um mundo ideal é voltar ao sossego descrito no livro do Gênesis (Gn 1 e 2), como uma situação de paz, harmonia e comunhão de todos e com tudo. Na verdade é uma projeção para o futuro essa descrição, mas que deve ir acontecendo já agora, embora não alcance ainda a plenitude. No mundo onde vivemos hoje, encontramos pessoas com sentimentos ruins e com indicações claras de que são maldosas, mas quem somos nós para julgar. As aparências enganam. No entanto, sempre nos surpreendemos com as manifestações dos instintos, que, por mais que sejam trabalhados, independem do nosso querer. Assim são nossas reações face às cores, paisagens, situações, momentos da vida e pessoas que encontramos. Não há duas reações iguais, porque as pessoas são diferentes. Uma reação incontrolada é o caso da simpatia e antipatia. Sentimentos instintivos de aversão ou de aceitação de alguém ou coisas. Se são instintivas, não são resultados de um ato da vontade, de uma decisão benévola ou maldosa. Há pessoas com as quais não nos damos bem e junto das quais também não nos sentimos bem e tranquilos, ainda que não nos tenham feito nada de mal e às vezes nem sequer as tenhamos conhecido. E há aquelas com as quais nos damos bem e nos sentimos seguros perto delas. Aqui está bem caracterizado o ter simpatia ou antipatia por alguém. Não negamos que haja pessoas antipáticas por maldade. São pessoas más que até premeditam o que vão fazer de mal. São pecadoras? É mais fácil dizer que são pessoas doentes ou mal-educadas. O primeira ponto que nos tranquiliza é saber que não pecamos por ter esses sentimentos de antipatia. Segundo ponto, por não ser pecado não significa que não tenhamos de trabalhar nossos sentimentos, tentando corrigir essa situação por meio de uma terapia pessoal. Terceiro ponto, a antipatia não nos dá o direito de maltratar as pessoas. Podemos reduzir os encontros e até evitá-los, mas precisamos tratar bem essas pessoas por mais ou menos culpadas que sejam. Um passo à frente é conseguir amar e dar maior atenção a essas pessoas, pois é a isso que o Evangelho pretende chegar. Quem possui a Deus facilmente encontra o caminho do amor e vive qualquer situação com serenidade. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

REFLETINDO A PALAVRA - “Identidade cristã”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
53 ANOS CONSAGRADO
46 ANOS SACERDOTE
Escolhidos por Jesus
 
Jesus, ao escolher seus discípulos, o faz de modo sério. Nós fazemos uma pesquisa sobre quem queremos escolher, tiramos informações, fazemos testes e colocamos tempo de prova. Jesus tem outro jeito de fazer a escolha dos seus. Em Lucas 16,12-16 podemos ler: “Jesus subiu a montanha para rezar e passou a noite em oração. Quando amanheceu o dia, chamou a si seus discípulos e deles escolheu 12, aos quais deu o nome de apóstolos...”. Passou a noite em oração. Jesus dá grande valor a essa escolha. Quer saber a opinião do Pai. Tem-se a impressão de que Ele confirma a eterna escolha que o Pai fez dEle, para dar-se as condições para escolher os outros que vão continuar sua presença e missão. Ser discípulo, seguidor de Jesus, é ser fruto de uma escolha de Deus, não só uma opção pessoa em nível puramente humano. Ser discípulo, mais que uma missão, é a participação no afeto que Jesus tem por seu Pai, o que O sustenta em sua missão. Ser discípulo é ser centrado no coração orante de Jesus nas longas horas de encontro com o Pai. Por isso a vida dos discípulos só se entende em seu relacionamento com Jesus que ama seu Pai. Ser escolhido é ter recebido o dom de converter-se e responder ao olhar de Jesus como ocorre com Mateus. É ouvir a palavra ‘vêm e vê’, como em André. Dos discípulos Jesus tira 12. Eles não são privilegiados nem podem dispor da comunidade. Enquanto discípulo, também eles são chamados a seguir Jesus e a uniformar-se em tudo e para tudo a sua Palavra. 
Enviados à multidão 
Os discípulos de Jesus são enviados e missionários por natureza. É da identidade do discípulo levar aos outros a Palavra de Jesus. É chamado e enviado. O discípulo foi chamado ao monte com Jesus, mas deve descer com Ele à planície onde está a multidão e colocar-se a seu serviço. É no meio do povo que vive o discípulo e faz outros discípulos. Ser discípulo de Jesus significa encontrar Jesus, nutrir-se de Sua palavra, viver em comunhão com Ele e, ao mesmo tempo, estar no meio do povo como lugar de esperança, de salvação e libertação. Jesus faz assim porque seu Pai sempre fez assim , pois desceu porque viu o sofrimento do povo. O mundo e a Igreja gostam de tronos e altares altos, longe do povo. Jesus ama também a planície onde está junto do povo. Assim deve ser o discípulo.
Com olhar misericordioso 
Como identidade do discípulo, seguidor de Jesus, está também a misericórdia. Poder-se-ia dizer: amar com os olhos fechados. Se alguém lhe toma o manto, dê-lhe também a túnica (Lc 6,29). Não só suportar, mas adiantar-se na misericórdia. A parábola do bom samaritano é a expressão da vida de Jesus e deve ser a vida do discípulo. O modelo é exato: “Sede misericordiosos como é misericordioso o Pai que está nos Céus”. Quando se fala de amor de Deus para com a humanidade, não se pode buscar a lógica nem medir. Jesus foi tido como louco pela própria família (Mc 3,21). Deus ama porque é amor e não porque deve amar. A misericórdia deve ser a rainha da Igreja. Um dia, numa reunião dos agentes de pastoral, eu disse que precisamos ter misericórdia com o povo. Uma freira, formada em ciências sociais, disse: “Não podemos fazer um plano pastoral baseado na misericórdia”. Estava a meu lado um sacerdote bem velhinho. Ele disse com seu sotaque: “Vochê tem rajão”. Podemos perguntar em que Jesus baseava seu plano de atividade.

EVANGELHO DO DIA 27 DE JANEIRO

Evangelho segundo São Marcos 4,21-25. 
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Quem traz uma lâmpada para a pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não se traz para ser posta no candelabro? Porque nada há escondido que não venha a descobrir-se, nem oculto que não apareça à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça». Disse-lhes também: «Prestai atenção ao que ouvis: Com a medida com que medirdes vos será medido e ainda vos será acrescentado. Pois àquele que tem, dar-se-lhe-á, mas àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado».
Tradução Litúrgica da Bíblia 
São Gregório de Nissa
(335-395) 
Monge, bispo 
O raio de mel
«Prestai atenção ao que ouvis» 
O Livro dos Provérbios pede ao discípulo da Sabedoria que se inscreva na escola da abelha, dizendo aos amantes da Sabedoria: olhai para a abelha, vede como é laboriosa e o respeito que atrai para o seu trabalho; reis e súbditos usam os seus produtos para conservar a saúde do corpo. E acrescenta que a abelha é procurada e estimada por todos, que é desprovida de força, mas ama a sabedoria, e, por causa disso, é dada como exemplo de vida a quantos procuram a virtude: «Foi respeitada porque amou a Sabedoria» (Prov 6,8,LXX). Este texto aconselha-nos, pois, a não esquecermos nenhum ensinamento divino, mas sobrevoarmos a pradaria das palavras inspiradas, aproveitando o que puderem dar-nos para adquirirmos a Sabedoria, modelando em nós pedaços de cera e depositando no coração, qual colmeia, o produto desse trabalho, construindo na memória, quais alvéolos de cera, cofres onde possamos guardar todo o tipo de ensinamentos. Assim, à imitação da sábia abelha, cuja cera é doce e cujo nardo não fere, aplicar-nos-emos sem descanso à augusta tarefa das virtudes. Pois é um trabalho de peso conquistar, por meio das dores deste mundo, os bens eternos, e aplicar as próprias dores a favor de reis e súbditos, com vista à saúde da sua alma. Uma alma assim será procurada pelo Esposo e estimada pelos anjos; ela realiza a força na fraqueza, amando a Sabedoria. Assim, a industriosa abelha dá-nos exemplo de ciência e de amor ao trabalho. Aliás, a repartição dos divinos carismas espirituais é feita na proporção do zelo posto no trabalho.