sábado, 6 de maio de 2017

O CARRINHO DO NENÊ

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO
REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Mônica e Marcelo, casados há poucos meses, estão querendo comprar um carro. Passadas as primeiras emoções do casamento, sentem-se sozinhos. O carro é uma tentação para um casal novo, ainda sem filhos. Não substitui o filho, mas pode disfarçar a solidão a dois.Certa manhã saíram a fim de visitar as agências de carros. Mesmo os carros usados estavam acima do seu orçamento. Mônica se cansou de tanto caminhar e sentiu-se mal: 
- Marcelo, chega de andar à toa. Vamos voltar. Preciso de repouso. 
À tarde o marido levou-a para o médico. Ela deixou sorrindo o consultório, com a grande noticia:
- Olha, meu bem! Vamos precisar de outro carro. Esse é bem mais pequeno e mais barato. O doutor disse que o nenê vem vindo aí. 
E assim uma criancinha fraca e frágil teve força para reanimar o casal, dando novo rumo na sua vida e no seu amor conjugal. 
Oração da Bíblia: Quanto a Isabel, chegou seu tempo de dar à luz, e ela teve um filho. Seus vizinhos e parentes ficaram sabendo que o Senhor lhe concedera uma grande graça, e foram participar de sua alegria. (Lc 1,57-58) 
ORAÇÃO: Senhor, que a paz da Sagrada Família reine em nossos lares...Que os pais fiquem abertos e disponíveis ao dom da vida...Que os filhos compreendam seus pais e sejam compreendidos por eles...Que as famílias sejam o fermento das comunidades paroquiais...Que os doentes e os necessitados encontrem nossa porta sempre aberta. Amém.
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REFLETINDO A PALAVRA - “Vocação e a vontade de Deus”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
993. Faça-se em mim a vossa vontade
            Ninguém nasce marcado para nada. Deus não põe na vida das pessoas um caminho obrigatório de tal modo que, se não o realizar, nunca vai ser feliz e corre o risco de condenação eterna. Muitos acham que Deus marca o destino. Outros vivem como se fossem os únicos donos de sua vida. Na verdade acabam sendo controlados por outros deuses que chamamos de vícios ou ideologias que os dominam. Quando ouvimos dizer que devemos fazer a vontade de Deus, nós nos perguntamos: Onde está esta vontade? Não está escrita e nenhum lugar e ninguém pode dizer para mim qual é a vontade de Deus. A vontade de Deus não é opressora, mas libertadora. Não tem nada marcado e definido por Deus, pois do contrário, não teríamos a liberdade de pensar diferente. A vontade de Deus é a felicidade de todos. Deus quer todos felizes e dá o caminho desta felicidade mostrando às pessoas que evitem os ídolos que os escravizem. Esses ídolos são descritos como a sede dos bens materiais, a ganância do poder e a loucura do prazer. O prazer, o poder e os bens materiais são dons de Deus e, usados e animados pela Palavra, podem nos conduzir a grande felicidade. Deus nos quer unidos a Ele, não escravos de um deus opressor que se vinga. O amor não é opressor. Jesus se dispõe a fazer a vontade do Pai. Jesus era feliz, mesmo passando pelas dores da oposição dos inimigos e da sua morte dolorosa. A vontade de Deus é que sejamos do bem, do amor e da justiça. O bem não faz o mal; O amor não mata; A justiça não destrói. Deus respeita nossa liberdade. Temos as conseqüências, frutos de nossas opções. Temos visto que a liberdade usada sem critério se torna opressora. O critério é o bem, a justiça e o amor, em síntese, a Palavra.
994. Totalidade da resposta
            Quando falamos de vocações, pensamos em coisa de Igreja, como vocação a padre ou religioso. A primeira vocação é para a vida. Esta vocação deve ser acolhida com totalidade. Todos têm direito a serem felizes e direito a tudo o que a vida oferece. Todos têm direito em partilhar sua felicidade com a felicidade dos outros e receber também a participação na sua felicidade. Somos felizes juntos, como um corpo onde cada membro recebe vida e dá vida. Felicidade está onde a colocamos, não onde a buscamos. Felicidade é a vocação. A vocação é o serviço do amor de entrega para que haja vida feliz para todos. Pensar só em si é o maior empobrecimento da pessoa humana e a destruição da vida. Vemos que os homens que pensaram só em si e foram os donos do mundo, construíram sobre o sofrimento dos outros. Vejamos a história que por conta de poucos loucos, se edificou sobre um mar de sangue e lágrima.
995. Caminho de plenitude
            A resposta a Deus para uma vida plena se faz usando todos os bens que a vida nos dá. O maior bem é a entrega para que todos vivam bem. Por isso compreendemos porque os santos e as pessoas que não foram declaradas santas, mas o foram, entregaram sua vida pelos sofredores, para dar felicidade. Quanto dinheiro se gasta com poderio militar, com política, com luxo, com esnobismo, com vaidade! Quanta vida poderia se promovida e salva! A resposta fundamental é do amor universal. S. Francisco é um modelo acabado porque realiza em si a vida de Jesus e ele é chamado de irmão universal. Esta vocação à felicidade no amor definirá onde vou amar mais. Deste modo a vocação é verdadeira.

EVANGELHO DO DIA 6 DE ABRIL

Evangelho segundo S. João 6,60-69.
Naquele tempo, muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?».Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai». A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?». Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa 
Carta 301, a François Pépin, alfaiate de Florence, e a sua mulher 
«Também vós quereis ir embora?»
Escrevo-vos no seu precioso sangue, com o desejo de vos ver verdadeiros servos de Jesus crucificado, constantes e perseverantes até à morte, a fim de receberdes a coroa de glória, que não é dada a quem só começa, mas a quem persevera até ao fim. Quero, portanto, que vos apliqueis com zelo a correr pela via da verdade, esforçando-vos sempre em avançar de virtude em virtude. Não avançar é recuar, porque a alma não pode ficar estacionária. 
E como poderemos nós, filhos queridíssimos, aumentar o fogo do santo desejo? Deitando lenha ao fogo. Mas que lenha? A lembrança dos numerosos e infinitos benefícios de Deus, que são incontáveis, e sobretudo a lembrança do sangue derramado pelo Verbo, seu único Filho, para nos mostrar o amor inefável que Deus tem por nós; lembrando-nos deste benefício e de tantos outros, veremos aumentar o nosso amor. 

MARIA CATARINA TROIANI Religiosa, Fundadora, 1813-1887

Antecedentes

Madre Maria Catarina Troiani, nascida em Giuliano de Roma - Itália em 19 de janeiro de 1813, levada a piabaptismal recebeu o nome de Constância Domínica Antónia Troiani. Precocemente dedicou-se a oração e à busca de sua vocação corajosa.
No seu diário ela anota aos 17 anos:
“Meu Jesus (...) venho humildemente dizer-te aquilo que me sinto inspirada a fazer por teu amor. ...
Estar pronta a fazer por ti todos os sacrifícios, especialmente aqueles quotidianos, que são os que mais custam...
Mortificar as pequenas satisfações ainda que lícitas...
Suportar em silêncio as pequenas dores,... executar pontualmente os meus deveres”.
Apontamentos que revelam a fé materializada na vocação religiosa. No dia 8 de dezembro de 1829, festa da Imaculada Conceição, Constância realiza seu maior desejo e veste o hábito franciscano. — “Não te chamarás mais Constância, mas Maria Catarina de Santa Rosa de Viterbo”.
Em 16 de dezembro de 1830, antes de completar 18 anos consagra-se definitivamente ao Senhor, oferecer-se a Ele e lhe promete viver por toda existência em obediência, pobreza, castidade, enclausurada na comunidade de Santa Clara da Caridade em Ferentino, Itália.
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ANA ROSA GATTORNO Religiosa, fundadora, Beata 1831-1900

Rosa Maria Benta Gattorno nasceu em Génova, Itália, no dia 14 de outubro de 1831. Pertencia a uma família de boas condições financeiras, de bom nome na sociedade e de profunda formação cristã. No pai Francisco e na mãe Adelaide, como os outros cinco filhos, encontrou os primeiros essenciais formadores de sua vida moral e cristã.Em 1852, aos vinte e um anos de idade, Rosa casou-se com Jerónimo Custo e transferiu-se para Marselha, França. Por motivos financeiros, a família viu-se obrigada a retornar a Génova, com três filhos. A sua primeira filha, Carlota, afectada de repentina enfermidade, ficou surda-muda para sempre; e apesar da alegria dos outros dois filhos, ela foi novamente abalada com o falecimento do esposo, após seis anos de matrimónio, e, pouco tempo depois, com a morte do seu último filho.Esses acontecimentos marcaram a sua vida e levaram-na a uma mudança radical, a que ela chamara “a sua conversão”, isto é, à entrega total ao Senhor. Orientada pelo seu confessor, emitiu de forma privada os votos perpétuos de castidade e obediência, precisamente na festa da Imaculada Conceição de 1858, e depois, como terceira franciscana, professou também o voto de pobreza. Viveu intimamente unida a Cristo, recebendo a comunhão todos os dias, privilégio que naquele tempo era pouco comum. Em 1862, recebeu o dom dos estigmas ocultos, percebidos mais intensamente nas sextas-feiras.
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DOMINGOS SÁVIO Seminarista Salesiano, Santo 1842-1857

O MAIS JOVEM SANTO NÃO MÁRTIR DA IGREJA 
Falecendo com apenas 15 anos, aliou inocência e pureza angélicas à sabedoria de homem maduro, alcançando a heroicidade das virtudes 
O primeiro e mais abalizado biógrafo de São Domingos Sávio foi seu diretor espiritual e mestre, o grande São João Bosco. Dele extraímos os dados para este artigo. Filho de Carlos Sávio e Brígida Agagliate, Domingos Sávio nasceu em Riva, vila de Castelnuovo de Asti, em 2 de abril de 1842. Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade, aprendeu com extraordinária facilidade as orações da manhã e da noite, que rezava já quando tinha apenas quatro anos de idade”. Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou seu prato e retirou-se a um canto. Seu pai perguntou-lhe depois por que fizera isso. Ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como o fazem os bichos”. Quando tinha cinco anos, ia à igreja com sua mãe; sua atitude devota chamava a atenção de todos. Se o templo estava ainda fechado, ajoelhava-se junto à porta, e aí ficava orando até que fosse aberto, não lhe importando se chovia ou nevava, se fazia calor ou frio. Nessa idade, aprendeu a ajudar a Missa, o que fazia com muita devoção, apesar da dificuldade que tinha para transportar o enorme missal. 
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Santa Benedita (ou Benta), religiosa, séc. VI

Viveu no sexto século e era uma freira de um convento fundado em Roma por Santa Galla. O papa São Gregorio Magno narra na historia que escreveu dela que São Pedro apareceu a Santa Benedita em uma visão para a avisar de sua morte. Dedicava a sua vida em ajudar os pobres e doentes e certa vez uma de suas companheiras de convento viu um anjo a fazer os afazeres de Santa Benedita porque ela estava fora a cuidar de um doente e suas tarefas não podiam se atrasar. Quando veio a falecer, uma luz brilhante e um perfume forte de incenso encheram o quarto. Seu túmulo passou a ser local de romaria e vários milagres são creditados a sua intercessão. Mais tarde suas relíquias foram trasladadas para a igreja de Santa Maria Maior em Roma. Sua festa é celebrada no dia 6 de maio.

André Kim e os seus 102 companheiros

André Kim e os seus 102 companheiros foram canonizados por João Paulo II, durante a sua viagem à Coreia, no dia 6 de Maio de 1984. Nesta ocasião, os coreanos, e com eles toda a Igreja, celebraram o segundo centenário da implantação do cristianismo na Coreia.
"No decorrer destes 200 anos, a Igreja Católica na Coreia foi regada pelo sangue dos seus mártires, cristãos de todas as idades e classes sociais: crianças, adultos, homens, mulheres, sacerdotes, leigos, ricos e pobres." 
Assim falou São João Paulo II, na ocasião: 
"Observai: mediante esta liturgia de canonização, os bem-aventurados mártires coreanos são inscritos no catálogo dos santos da Igreja católica. Estes são verdadeiros filhos e filhas da vossa Nação, juntamente com numerosos missionários vindos de outras terras. São os vossos antepassados, pela descendência, língua e cultura. Ao mesmo tempo, são os vossos pais e as vossas mães na fé que testemunharam derramando o seu próprio sangue."

6 DE MAIO – PADROEIRO DOS ENCARCERADOS

Voltemos para o século XIII. Duas religiões irreconciliáveis se defrontavam na Europa: Cristianismo e Islamismo. Os mouros percorriam com seus navios as costas italianas e espanholas, devastando, depredando, capturando. Os prisioneiros eram submetidos a torturas físicas e morais, e forçados a passar para a religião maometana. Tratados como escravos, viravam mercadoria e fonte de lucro. Quem quisesse resgatá-los, tinha que pagar altas somas. O avanço da nova religião exigia uma contra-ofensiva. Confrontos à mão armada não resolviam. Era preciso outro estratagema, mais de acordo com o Evangelho. São Pedro Nolasco (1182-1256), rico comerciante espanhol, viveu nesse tempo de barbárie. Viajando muito para vender e comprar suas mercadorias, conheceu de perto esta situação injusta, e começou a angustiar-se. Sentiu-se obrigado a fazer alguma coisa em favor dos cristãos perseguidos. Deveria deixar a profissão de comerciante para dedicar-se à libertação deles. Uma noite Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho e propôs a fundação de uma Ordem Religiosa que tivesse este objetivo principal: resgatar os cristãos cativos, mas sem métodos violentos. Pedro aceitou a proposta. Percebeu que Deus estava com ele nessa obra de misericórdia. Reuniu, pois, um grupo de homens com a nobre finalidade de libertar os cativos. Surgiu assim a Ordem dos Mercedários. Eles se comprometiam, até a entregar-se como escravos ou reféns no lugar dos prisioneiros, quando não houvesse outro recurso para libertar os cristãos. Faziam-se coletas. Não faltaram sofrimentos e martírios. O próprio fundador foi preso como refém, devendo suportar torturas e humilhações na prisão.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 6 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
6 – Sábado – Santos: Benta, Heliodoro, Idiberto. 
Evangelho (Jo 6,60-69) “Muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: Essa palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 
Os discípulos entenderam muito bem que aquele homem, Jesus de Nazaré, apresentava-se como sendo, ele pessoalmente, indispensável para a vida e a salvação de todos. Sua humanidade, sua carne e seu sangue eram o pão indispensável para a vida de todos. Eram capazes de o ver como mestre ou profeta, mas não conseguiam aceitá-lo assim como sua única possibilidade de salvação. 
Oração
Senhor Jesus, vós me destes o dom da fé, e por isso acredito em vós, aceito vossa palavra, e vos reconheço como meu único salvador. Aumentai minha união convosco, para que eu viva cada vez mais de vossa vida. Confio em vós. Sois meu Senhor e meu Deus, e de vós, só de vós tudo espero agora e por toda a eternidade. Sois minha única esperança de vida, de felicidade e paz. Amém.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

REMÉDIO CONTRA COICE DE BURRO

PADRE CLÓVIS DE JESUS
BOVO, REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Um vendedor ambulante percorria a zona rural oferecendo remédio contra coice de burro.Instalou-se numa pracinha, junto à capela e começou a gritar com aquela verborréia própria dos charlatães: 
- Alô, pessoal. Ouvi dizer que aqui há muito burro xucro. É só a gente passar perto e já vem o coice. Mas tenho um remédio infalível. Quem quer experimentar? 
Os curiosos se ajuntavam. Então ele mostrava um pacotinho bem fechado dizendo:
- O remédio está dentro deste embrulho. Cura quem levou coice e previne contra coices futuros. O pacotinho custa apenas... 
E dava o preço de um, de dois, de três pacotes, sempre com o desconto de praxe. E acrescentava:
- Mas, cuidado! Só pode ser aberto quando você chegar à sua casa. Caso contrario, perde o efeito.
Muitos compraram o tal remédio. Chegando às suas casas, abriram curiosamente o embrulho e encontraram dentro apenas três metros de barbante e o conselho escrito assim: 
“Para evitar coice de burro, basta ficar longe do animal numa distância correspondente ao comprimento deste barbante”.
Ludibriados e desapontados, foram atrás do vendedor para lhe aplicar uma boa surra. Mas o espertalhão já havia sumido da praça. 
Palavra de Deus: Tende cuidado para que ninguém vos engane...(Mc 13,5). 
ORAÇÃO: Livra-nos, Senhor, dos falsos profetas que vêm com pele de ovelha para enganar os teus filhos. A quem iremos se te abandonarmos em troca de religiões inventadas pelos homens, em troca de ideologias falsas?“Tu somente, tens palavras de vida eterna”.
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REFLETINDO A PALAVRA - “O Senhor fez em mim maravilhas”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA, REDENTORISTA
Em união a Cristo
               “Na festa da Assunção, a Igreja faz memória específica da total assimilação da Mãe de Deus a seu Filho, a partir da Ressurreição e Glorificação do Filho, na glorificação da pessoa – a alma e corpo – daquela que por primeira, esperança nossa, foi assumida depois de seu Filho na Glória divina” (T.Frederici). Cristo tomou a carne humana do seio de Maria e esteve, assim, unido intimamente a Ela. Com razão é chamada Mãe de Deus, pois Ele é Deus. Maria, por ter unido a si o Filho, esteve intimamente unida a Ele desde o primeiro instante de Sua Encarnação. Toda a vida de Maria está unida a Cristo pela assimilação total da Mãe de Deus a Seu Filho. Esta assimilação se dá também em sua Ressurreição e Glorificação. Por isso é glorificada. O fundamento da Assunção de Maria está nos méritos de Cristo em cuja previsão foi Imaculada e por cuja Glorificação foi levada ao Céu de Corpo e Alma. O sentido da festa da Assunção está ligado à Ressurreição de Cristo. Vencendo a morte, a Assunção de Maria dá-nos a certeza que Cristo venceu a morte não só para si mas para todos os homens. A Ressurreição de Cristo é garantia para a nossa ressurreição. A Assunção dá a certeza desta ressurreição, pois uma de nós, já a conquistou.
Eis a serva do Senhor
               Maria, ao tomar conhecimento das grandezas que Deus lhe concedeu, reconhece o Criador e sua pequenez diante Dele. Ela não é humilhada pela grandeza de Deus, mas o reconhece como todo poderoso e misericordioso para com todos. A bondade misericordiosa que teve para com ela é em favor de todos. Jesus diz: “Sede misericordiosos, como vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36). Somos chamados a tomar conhecimento das grandezas que a graça de Cristo operou em nós. Somos chamados a dizer: ‘Minha alma glorifica o Senhor porque olhou para nossa humildade e nos colocou a serviço do Reino’. Podemos, com Maria, reverter o quadro do sofrimento do povo passando de uma religião intimista e individualista para uma fé transformante das estruturas do mundo pervertido pelo mal. É este mesmo mal que quebrou a mulher-Eva no Paraíso e é quebrado ao meio pela Mulher -Maria que não mordeu o fruto do pecado mas sim colheu o fruto da árvore da Vida, Jesus. Na Glória, Maria continua a Serva do Senhor em favor de todo o povo, como suplica em Caná: “Eles não em mais vinho!”. Continua atenta à perseguição que fazem aos filhos que, na realidade, é a seu Filho. Ela, perseguida pelo dragão, é símbolo da Igreja perseguida no mundo de hoje por tantos dragões. Mas estes verão o seu fim. O mal será enfim vencido.
Participando de sua glória
               No salmo temos a figura da rainha que é levada ao rei acompanhada das amigas. Estas representam a comunidade que está com ela. O Rei se encantou com sua beleza (Sl 44,12). Participar da glória de Maria é ser irmão de seus filhos. Quem retira Maria da vida da Igreja, retira-se dos irmãos, como podemos contemplar no panorama de tantos que ferem o coração do povo acolhedor brasileiro que não foi feito para a malquerença. Implantada a morte do pecado, nós a vencemos com Cristo, como Maria venceu. A festa da Assunção de Maria é a festa da Igreja que nela se vê vitoriosa, como rezamos: “Aurora e esplendor a Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o povo ainda em caminho” (Prefácio). Em cada celebração rezamos com a gloriosa a Mãe de Deus e nossa Mãe. Ela continua dando Jesus.

EVANGELHO DO DIA 5 DE MAIO

Evangelho segundo S. João 6,52-59.
Naquele tempo, os judeus discutiam entre si: «Como pode Jesus dar-nos a sua carne a comer?». E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente». Assim falou Jesus, ao ensinar numa sinagoga, em Cafarnaum. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul 
Discursos ascéticos, 1.ª série, n.º 72 
«A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.»
A Árvore da Vida é o amor de Deus. Adão perdeu-o na sua queda e nunca mais encontrou a alegria mas, pelo contrário, trabalhava e penava numa terra cheia de espinhos (Gn 3,18). Aqueles que estão privados do amor de Deus comem o pão do seu suor (Gn 3,19) em todas as suas obras, ainda que sigam um caminho reto; foi esse o pão que foi dado a comer à primeira criatura após a queda. Até que encontremos o amor, o nosso trabalho é aí, na terra dos espinhos [...]; seja qual for o grau da nossa justiça pessoal, é com o suor do nosso rosto que vivemos. 
Mas, quando encontramos o amor, alimentamo-nos do pão celestial e somos reconfortados para além de qualquer obra e de qualquer pena. O pão celestial é Cristo, que desceu do Céu e deu a vida ao mundo. É esse o alimento dos anjos (Sl 77,25). Aquele que encontrou o amor alimenta-se de Cristo cada dia e a toda a hora, e torna-se imortal. Porque Ele disse: «Quem comer deste pão viverá eternamente». Feliz aquele que come o pão de amor, que é Jesus. Porque quem se alimenta do amor, alimenta-se de Cristo, do Deus que domina o universo, Aquele de quem João testemunha, dizendo: «Deus é amor» (1Jo 4,8). 
Portanto, o que vive no amor recebe de Deus o fruto da vida. Respira neste mundo o próprio ar da ressurreição, esse ar que faz as delícias dos justos ressuscitados. O amor é o Reino. Foi dele que o Senhor ordenou misteriosamente aos apóstolos que se alimentassem; «comer e beber na mesa do meu Reino» (Lc 22,30) é o amor. Porque o amor é capaz de alimentar o homem na vez de qualquer outro alimento e bebida. É esse «o vinho que alegra o coração do homem» (Sl 104,16); feliz aquele que bebe tal vinho. 

MÁXIMO DE JERUSALÉM Bispo, Santo † 351

Máximo foi o terceiro bispo de Jerusalém. Sucedeu a são Macário em 331. São Máximo, antes do episcopado, notabilizara-se como cristão perfeito, sofrendo as perseguições que em 303 se levantavam contra a Igreja. Durante esta, perdeu o olho direito e foi provavelmente mutilado na perna direita. São Macário nomeou-o bispo de Dióspolis, mas o povo pediu que ficasse em Jerusalém, o que aconteceu, vindo naturalmente a suceder a são Macário, quando este faleceu em 331.Sabe-se que ordenou sacerdote são Cirilo de Jerusalém, pregador exímio e grande evangelizador dessa época remota, o qual viria mais tarde a suceder-lhe, visto que o seu “talento e eloquência o designaram de maneira natural aos sufrágios do clero e do povo quando a morte de Máximo tornou vaga a sede episcopal” de Jerusalém no ano 351.
Com a ciência e a santidade, Máximo contribuíra para as decisões do primeiro Concílio de Niceia, celebrado no ano de 325. Posteriormente, contribuiu também para o concílio particular celebrado em Tiro, em 335, onde santo Anastásio foi condenado, condenação da qual Máximo rapidamente se arrependeu.
O zelo de são Máximo reuniu em Jerusalém todos os bispos da Palestina, a fim de assistirem à sagração da imponente basílica mandada edificar pelo imperador Constantino. Durante esta celebração, são Máximo reabilitou santo Anastásio, introduzindo-o assim na comunhão da Igreja.
Em 348 ou 349, sob a influência de Acosse de Cesareia, foi deposto do seu cargo. Governou durante vinte anos a Igreja de Jerusalém, e mereceu que são Jerónimo o elogiasse.
Foi substituído por são Cirilo, sacerdote que ele mesmo ordenara.
No meio do seu rebanho, e cheio de méritos, descansou no Senhor no ano de 351.

ÂNGELO DE JERUSALEM Carmelita, Mártir, Santo 1185-1220

Uma tradição muito antiga nos trás a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos. Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita.
Ângelo viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote.
Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmelo, e depois imigraram para a Sicília.
Lá, ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os sacerdotes, que se tornaram santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, instante em que previu e anunciou a sua morte como mártir de Jesus Cristo.
Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados, até mesmo uma relação incestuosa com um rico senhor do lugar.
No dia 5 de maio de 1220, Ângelo fez sua última pregação na igreja de São Tiago de Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto, vítima daquele rico homem, que não se conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o assassinato.
Venerado pela população, logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do Carmo.
Santo Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália, depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias, sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto.

5 DE MAIO: MORTO PORQUE CONVERTEU UMA INCESTUOSA

Santo Ângelo (1185-1220) nasceu em Jerusalém. Pertenceu à Ordem Carmelita. viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor, principalmente no Monte Carmelo. Algum tempo depois foi para Roma com os primeiros carmelitas a fim de pedir ao Papa a aprovação da Regra carmelitana. Finalmente estabeleceu-se na Sicília.Dentre seus grandes feitos, destaca-se é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela região. A história narra que ele converteu uma mulher que vivia incestuosamente com um homem de projeção social. Este não se conformou e o assassinou. Mais um mártir.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
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ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 5 DE MAIO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, 
redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
5 – Sexta-feira – Santos: Silvano, Joviniano, Niceto 
Evangelho (Jo 6,52-59) “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.” 
Não há dúvida que, ao escrever, o evangelista pensava na Eucaristia celebrada em sua comunidade. Mas também queria reafirmar a realidade central da encarnação. O Filho de Deus fez-se carne e sangue, viveu a nossa humanidade enquanto espiritual e material. Comer sua carne e beber seu sangue é também aceitar que ele nos una a si em sua humanidade para nos unir a sua divindade. 
Oração
Senhor Jesus, com Pedro eu vos digo: “Cremos e sabemos que sois o Santo de Deus ... tendes palavra de vida eterna”. Creio na vossa divindade e creio na vossa humanidade. Como Deus e como Homem sois o nosso salvador, que nos podeis libertar do mal e dar a vida para sempre. Vossa carne e vosso sangue, vossa humanidade bendita é para nós todos o verdadeiro pão de vida. Amém.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

UM ENCONTRO DIFERENTE

PADRE CLÓVIS DE JESUS
BOVO,REDENTORISTA
VICE-POSTULADOR DA CAUSA
VENERÁVEL PADRE PELÁGIO
REDENTORISTA
Em nossas paróquias é raro haver encontro de famílias (pais e filhos juntos) como existem os encontros de casais, de jovens e outros. Desta vez houve um. Por ser uma raridade, vou contar alguns detalhes.Pais e filhos reuniram-se um dia inteiro numa paróquia. Foi muito interessante e proveitoso. Após a oração inicial o coordenador deu uma explicação sobre o que ia acontecer e depois separou o pessoal. As crianças ficaram numa sala e os pais em outra. 
O tema das crianças foi este: 

Queremos assim nossos pais: 
Que eles não gritem tanto com a gente... 
Sejam mais amigos... 
Sejam mais compreensivos... 
Não sejam tão nervosos... 
Eles poderiam passear mais com a gente 
Conversem mais com a gente e vejam menos televisão...
Não tenham preferência por este ou aquele filho... 
Que o papai trate melhor a mamãe... 
Que procurem ir à igreja com a gente... 
Não falem só em dinheiro e negócios...
Não cheguem tarde em casa... 

Queremos assim nossos filhos: 
Os pais por sua vez manifestaram seus sonhos. As respostas foram muito variadas, bastante sinceras, embora cheias de amor. Vejamos algumas delas: 
Queridos filhos! A gente os ama e quer sua felicidade... 
O amor de vocês não seja interesseiro... 
Acatem e aceitem nossos conselhos... 
Não façam nada às escondidas... 
Sejam sinceros com a gente... 
Procurem compreender seus pais... 
Não andem com maus companheiros.... 
Fiquem mais em casa... 
Estudem mais... 
Ajudem mais nos trabalhos da casa... 
Não peçam para comprar tudo o que vêem.... 
Não chamem seus pais de atrasados... 
Tratem bem os mais pobres do que nós... 

Na parte da tarde todos se encontraram para fazer uma revisão do que foi falado e comentado nas salas. “Lavou-se a roupa de todos” como se diz na linguagem popular. Ninguém se ofendeu e todos se abraçaram, seguindo-se a festinha dos comes-e-bebes.
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REFLETINDO A PALAVRA - “Um corpo a serviço da fé”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
Um corpo cheio de Deus
            Na festa da Assunção celebramos Maria que foi elevada ao Céu em corpo e alma, isto é, a pessoa humana completa. É um dogma de nossa fé. Dogma não é somente uma verdade a ser acreditada, mas indica um modo de viver a fé e organizar a vida cristã. Este dogma mariano, em nosso modo de pensar, se refere a Maria que mereceu graça especial de ser concebida sem pecado e por isso a morte, como em Jesus, não dominou sobre ela. É certo que o dogma se refere a Maria, mas com toda a sua verdade se refere à Igreja e a cada um em particular. Desligar Maria da Igreja é cortar a fonte que gerou Jesus. Deus o fez assim. Não podemos pensar que Maria recebeu os dons somente si. Não podemos desligar Maria de seu povo, de sua cultura e situação histórica. Não podemos desligá-la da natureza humana, como se não fosse gente como nós. A Assunção de Maria ao Céu é uma bela proclamação do valor, da beleza e da grandeza do corpo humano. A teologia do corpo resgata esses valores. Não se trata de um valor do corpo dado somente a seu aspecto de fonte de prazer, o que o delimita, mas de vê-lo em todas as suas dimensões. O corpo, por ser matéria frágil está sujeito a tantos males que não o fazem pior ou inútil, pois os critérios de beleza e utilidade não são sua única riqueza. Temos também os corpos feridos pela doença, destruídos pela pobreza ou pelos trabalhos. Estes são belos pelo fato de serem corpos. Certas espiritualidades insistiram na maldade do corpo considerando-o fonte de pecado. Por isso é preciso castigá-lo com as penitências, jejuns e privações para dominar o burrinho mal educado. Esqueceu-se que o corpo foi feito por Deus. “E Ele que viu que era muito bom” (Gn 1,31). Se o pecado original também o envolveu na situação de pecado, o mal não se localiza no corpo, mas na vontade e opção de quem o usa. Refletir a realidade corporal como um lugar da presença de Deus, ajuda a superar a filosofia que diz que o corpo é a prisão da alma. A unidade de corpo e alma se dão na harmonia que o Criador neles concedeu.
Corpo a serviço
            Jesus é o primeiro modelo do corpo posto a serviço do Reino, do amor e da redenção. Sua vinda ao mundo foi através de um corpo que é toda a carne da humanidade. Ela assumiu corpo que se uniu à divindade. Participou da condição humana. Amava com um corpo, deixava-se tocar, foi flagelado, crucificado, morto e ressuscitado. A Carta aos Hebreus ensina o que Jesus pensava do corpo: “Tu ao quisestes sacrifício e oferenda. Tu, porém me formaste um corpo”. Nesse corpo Ele realiza a vontade de Deus: “Graças a essa vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo” (Hb 10,10). O corpo de Maria serviu à encarnação do Verbo e o alimentou e dele cuidou. Assim, nós podemos, usar o dom de nosso corpo e colocá-lo a serviço da vida do mundo.
Forte na fragilidade
            Ao consideramos a fragilidade de nosso corpo nos esquecemos de sua capacidade de força que passa por diversas fases na vida, nos trabalhos e serviços. Ele é o também o corpo que serve ao amor, ao carinho, ao aconchego, ao prazer e à alegria de servir. A graça de servir, como Cristo, na entrega total do corpo e da vida é que fará de nossa fragilidade a energia renovadora do mundo. Por isso a Assunção de Maria é a proclamação da grandiosidade de nosso corpo. Estamos unidos a Maria glória com o Ressuscitado. 

EVANGELHO DO DIA 4 DE MAIO

Evangelho segundo S. João 6,44-51.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. Está escrito no livro dos Profetas: ‘Serão todos instruídos por Deus’. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Comentário do dia: 
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilias sobre a 1.ª Carta aos Coríntios, n.º 24 
«O pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».
«Nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão» (1Cor 10,17). O que é o pão que comemos? O Corpo de Cristo. Em que se transformam os comungantes? No corpo de Cristo; não numa multidão, mas num único corpo. Assim como o pão, constituído por muitos grãos de trigo, é um único pão no qual desaparecem os grãos, assim como os grãos subsistem nele, sendo contudo impossível detetar o que os distingue em massa tão bem ligada, assim também nós, juntos e com Cristo, formamos um todo. Com efeito, não é de um corpo que se alimenta determinado membro, alimentando-se outro membro de outro corpo. É o mesmo corpo que a todos alimenta. E é por isso que o apóstolo Paulo salienta que «todos participamos do mesmo pão». 
Pois bem, se participamos todos do mesmo pão, se nos tornamos todos esse mesmo Cristo, porque não demonstramos a mesma caridade? […] Era o que acontecia no tempo dos nossos pais: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (At 4,32). Mas tal não acontece hoje; pelo contrário. E, contudo, homem, Cristo veio procurar-te, a ti que estavas longe dele, para Se unir a ti. E tu não queres unir-te a teu irmão? […] 
Com efeito, Ele não se limitou a dar o seu corpo; mas, porque a primeira carne, tirada da terra, estava morta pelo pecado, introduziu nela, por assim dizer, outro fermento, a sua própria carne, da mesma natureza que a nossa, mas isenta de todo o pecado, cheia de vida. O Senhor distribuiu-a por todos a fim de que, alimentados por esta carne nova, possamos, em comunhão uns com os outros, entrar na vida imortal.