Evangelho segundo São Mateus 13,31-35.
Naquele tempo, Jesus disse ainda à multidão a seguinte parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».
Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».
Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia,
a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo».
Tradução litúrgica da Bíblia
Bispo
Homilia 111;PL 57, 511
O fermento do mundo
Lemos no evangelho: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dará muito fruto» (Jo 12,24). O Senhor Jesus é o grão de trigo, mas também é o fermento. Ao vir ao mundo, homem e só, o Senhor Jesus deu a todos os homens a possibilidade de se tornarem aquilo que Ele próprio é: quem se une ao fermento de Cristo torna-se fermento, útil a si mesmo e benéfico para todos; esse homem será salvo e salvará outros.
Antes de ser espalhado num monte de farinha, o fermento é moído, esmagado, esfarelado, completamente dissolvido – mas é então que reúne, numa única fermentação, os inúmeros grãos dispersos de farinha, convertendo em corpo sólido uma substância que, em si mesma, era tão insubstancial como o pó. Em suma, faz daquilo que parecia não ser mais do que vã dispersão uma massa útil.
Assim também o Senhor Jesus Cristo, fermento do mundo, foi quebrado por muitos sofrimentos, dilacerado e destruído, e a sua seiva, isto é, o seu precioso sangue, foi derramado por nós, para que, ao misturar-se com Ele, a humanidade dispersa fosse fortalecida. E nós, que éramos como a farinha das nações, estamos agora reunidos como fermento; nós, que jazíamos miseravelmente espalhados pelo mundo, dispersos e esmagados, estamos agora unidos ao corpo de Cristo pelo poder da sua Paixão.

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