Evangelho segundo São Mateus 12,46-50.
Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, chegaram sua Mãe e seus irmãos. Ficaram do lado de fora e queriam falar-Lhe.
Alguém Lhe disse: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo».
Mas Jesus respondeu a quem O avisou: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?».
E apontando para os discípulos, disse: «Estes são a minha mãe e os meus irmãos:
todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1256-1301)
Monja beneditina
O Arauto, livro IV, SC 255
Fazer a vontade do Espírito
Gertrudes ouviu atentamente a epístola (2Cor 6,1-10), a fim de escolher, entre as virtudes enumeradas, as que eram mais úteis para imitar e ensinar aos outros; mas, como não recebia qualquer iluminação a este respeito no seu espírito, disse ao Senhor: «Ensina-me, meu dulcíssimo amado, quais são as virtudes graças às quais posso servir-Te de forma a agradar-Te de modo particular, uma vez que, infelizmente, não sou capaz de me dedicar cada dia a uma delas com um esforço extraordinário».
O Senhor respondeu: «Repara bem que, no meio das virtudes, se encontram inseridas estas palavras: “pelo Espírito de santidade” (cf 2Cor 6,6). Sendo o Espírito uma vontade reta, procura acima de tudo possuir uma vontade reta. Desse modo, poderás alcançar o brilho e a perfeição específica de todas as virtudes, porque a vontade, por si só, vale mais do que tudo o que se poderia realizar ou adquirir por meio dos atos. Aquele cuja vontade procura ultrapassar os louvores das criaturas, dar-Me graças, amar-Me, compadecer-se das minhas dores e exercitar-se na virtude da maneira mais perfeita possível, esse será amplamente recompensado pela minha divina generosidade, como homem algum poderia jamais ser recompensando pelas suas obras».
Então, o Espírito Santo, o Paráclito, avançando para o meio e colocando-Se diante da alma, começou a inundar com o maravilhoso brilho do seu esplendor divino a parte central, onde a alma pode ver, sem disfarces, a enormidade da sua própria vilania. E a alma, totalmente despojada de toda a vilania por ação da claridade divina, teve a felicidade de ser imersa na fonte viva da luz que não se apaga.
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