Evangelho segundo São Mateus 13,44-52.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo.
O Reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola».
O Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes.
Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos, e o que não presta deitam-no fora.
Assim será no fim do mundo: os anjos sairão a separar os maus do meio dos justos
e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes.
Entendestes tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos».
Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1801-1890)
Teólogo,
fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «The Invisible World»
PPS, vol. 4, n°13
As parábolas do Reino
Tal é o Reino escondido de Deus: do mesmo modo que está agora escondido, assim será revelado no momento dado. Os homens pensam que são os donos do mundo e que podem fazer o que querem. [...] Aparentemente tudo permanece igual desde o início, e os trocistas perguntam: «Em que fica a promessa da sua vinda?» (2P 3,4). Mas, no tempo designado, haverá uma «revelação dos filhos de Deus» (Rm 8,19) e os santos escondidos «brilharão como o Sol no Reino de seu Pai» (Mt 13,43).
Quando os anjos apareceram aos pastores, aconteceu de repente. [...] A noite parecia ser igual a todas as outras noites, tal como a noite em que Jacob teve a sua visão parecia igual a todas as outras noites (cf Gn 28,11ss). Os pastores velavam os seus rebanhos e viam a noite passar, as estrelas seguiam o seu curso, era meia-noite; não pensavam em tal coisa quando o anjo lhes apareceu. Tais são o poder e a virtude ocultos no visível: manifestam-se quando Deus quer.
Quem poderia conceber, dois ou três meses antes da primavera, que a face da natureza, aparentemente morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e variada? O mesmo acontece com essa primavera eterna que todos os cristãos esperam: ela virá, ainda que venha tarde. Esperemo-la, pois «Aquele que há de vir não tardará» (Heb 10,37). É por isso que dizemos em cada dia: «Venha a nós o vosso reino», o que significa: Senhor mostra-Te a nós; mostra-Te, Tu que estás sentado sobre os querubins, resplandece, mostra a tua grandeza e vem em nosso auxílio (cf Sl 80,2-3). A terra que vemos já não nos satisfaz, pois é apenas um princípio, uma promessa do que há de vir. Mesmo no seu maior esplendor, coberta de flores, quando mostra da maneira mais sedutora o que mantém escondido, mesmo assim não nos chega. Sabemos que há nela mais coisas do que as que vemos. O que vemos não é senão a camada exterior dum reino eterno. É nesse reino que fixamos os olhos da nossa fé.

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