domingo, 31 de maio de 2020

Homilia da Solenidade de Pentecostes (31.05.20)

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
52 ANOS CONSAGRADO
44 ANOS SACERDOTE
“Recebei o Espírito Santo” 
 Santificais a Igreja 
A palavra Pentecostes significa cinquenta dias. Festa depois da Páscoa. Os judeus celebravam uma festa cinquenta dias depois do segundo dia da Páscoa. É chamada também festa das colheitas dos grãos. Lembra o período do deserto, no qual os judeus no Sinai recebem a lei e são constituídos como um povo. Com a Páscoa temos a libertação e a vida nova. Em Pentecostes inicia o novo povo. É a primavera do Espírito. A festa está intimamente ligada à Páscoa, pois a Ressurreição no Espírito se torna primavera do amor no Espírito. Por isso, celebrando a festa da Vinda do Espírito Santo, celebramos também a vida da Igreja que é santificada por Ele. Por isso rezamos: “Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa igreja inteira em todos os povos e nações”. Não estamos lembrando um acontecimento. Estamos vivendo esse momento da História da Salvação que acontece conosco agora. E pedimos: “Derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito”. O sentido memorial significa atualização. Nós nos fazemos presente ao acontecimento real. O histórico aconteceu. A vinda do Espírito acontece hoje e em cada celebração. Nada fazemos sem o Espírito (1Cor 12,3b). O texto enumera o país de origem das pessoas presentes no momento. Podemos ver que a localização dos diversos povos faz um círculo em torno de Jerusalém. Não mais a cidade, mas a Igreja está em todos os povos. E é santificada hoje pelo Espírito. Todas as línguas e culturas podem receber o anúncio do Evangelho. 
Realizai as maravilhas 
Pedimos na oração: “Derramai em toda extensão do mundo os dons do Espírito e renovai no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”. É o projeto salvador de Deus que o Espírito Santo leve o Mistério Pascal de Cristo a acontecer em todos os povos. As maravilhas operadas não são dons pessoais, mas dons a serviço da humanidade. Jesus diz naquela noite de Páscoa: “A paz esteja convoco!” A paz, o Shalom de Deus, compreende tudo o que há de bom e Deus nos oferece. Por que repete a saudação? Não era uma paz somente para os discípulos ali presentes, mas aberta a todos. “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”. Cabe a nós implantar, pela ação do Espírito, uma reconciliação universal. Participamos ativamente da ação do Espírito na renovação do mundo, missão que o Pai confiou a Jesus que a faz no Espírito. “A quem não perdoardes os pecados, eles serão retidos”. Não que o Espírito negue o perdão, mas, sem a mudança os pecados permanecem. As maravilhas renovadas não são somente dons especiais, mas a capacidade de provocar a conversão do coração a todos. 
Há diversidade de dons 
O Espírito que nos foi dado nos dá tantos dons. “A cada um é dada uma manifestação do Espírito, para o bem comum. Como os membros do corpo, cada um tem uma função para todo o corpo. Pena que os dons atualmente são vistos como adereços espirituais que nos fazem maiores. Maior é aquele que serve, disse Jesus (Lc 22,27-29). Embora sendo muitos, formamos um só corpo, pois bebemos do mesmo Espírito (1Cor 12,13). A Igreja necessita sempre do Espírito para realizar sua missão. Quando não somos capazes de ouvir o Espírito e colocar os dons a serviço, não somos capazes de servir à Igreja na obra da evangelização. Fazemos feudos espirituais, e “rasgamos a túnica inconsútil de Jesus”. A unidade no Corpo de Cristo, quando ferida, torna-se um escândalo e um mal. 
Leituras Atos 2,1-12; Sal o 103; 1 Coríntios 12,3b-7.12-13;João 20,19-23 –
O fogo cai, cai... 
O corpo de bombeiros do Céu, a todo vapor (não usava petróleo) baixa à terra para apagar um grande incêndio. Era fogo para todo lado. Na cabeça de muitos havia uma chama perigosa e outros pedindo que eles fossem incendiados. Era muita confusão. Aí um meio cambaleante diz: Não estamos de fogo. É o Espírito prometido: “Derramarei o meu Espírito sobre toda carne” (Jl 3,1-5). Aí acalmaram. Mas até hoje estão de prontidão, pois a todo o momento esse Espírito está botando fogo em algum lugar. Celebrar Pentecostes é entrar nesse fogo que, como a sarça de Moisés, queima sem consumir.

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