quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

BRONISLAU MARKIEWICZ Presbítero salesiano, Fundador, Bem-aventurado (1842-1912)

Bronislau Markiewicz nasceu no dia 13 de julho de 1842 em Pruchnik (Galícia, sul da Polônia), e era o sexto de onze filhos de uma família religiosa de pequenos burgueses. Bronislau enfrentou a fome, a pobreza e perseguições, encontradas na escola por causa de seus ideais cristãos, sempre com espírito de fé que o levou a decidir-se pela entrada no seminário. Foi ordenado sacerdote em 15 de setembro de 1867. Dedicou-se intensamente ao ensino do catecismo e ao apostolado entre os encarcerados, e gostava de viver com o povo, sobretudo pobre. Sentia-se atraído pelos jovens marginalizados que sofriam todo gênero de pobreza e por causa deles quis estudar pedagogia a fim de ajudá-los da melhor forma para salvarem a alma. A Providência levou-o a desejar ardentemente a entrar num Instituto religioso dedicado ao cuidado da juventude. Partiu, então, para a Itália, onde ficou fascinado pela espiritualidade de Dom Bosco que, sem o saber, já trazia no coração. Pediu e obteve fazer parte da Congregação salesiana e, em 1887, nas mãos de Dom Bosco, emitiu os votos perpétuos. Teve, então, a felicidade de ouvir as recomendações do santo e assimilar diretamente o seu espírito. Em 1892 retornou à Polônia como salesiano, trabalhando como pároco em Miejsce, Galícia, onde pôde se dedicar à juventude polonesa pobre e abandonada. A fim de responder da forma mais eficaz às exigências concretas da miserável Galícia, Bronislau sentiu a necessidade de viver com maior radicalidade os princípios de Dom Bosco e, aconselhando-se com seus colaboradores, fundou a Sociedade Temperança e Trabalho. Nove anos depois da sua morte, a sociedade, em seus ramos masculino e feminino, foi reconhecida pela Igreja dando origem a duas Congregações colocadas sob a proteção de São Miguel Arcanjo. Seus membros assumiram o nome de Micaelitas. Padre Bronislau, como Dom Bosco, recomendava aos seus filhos e aos jovens que encontrava uma grande devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora além de a São Miguel, que indicava como protetor na quotidiana luta contra o mal. A união a Cristo crucificado e a virtude da temperança caracterizam a sua atividade apostólica em favor do próximo. Morreu em Miejsce Piestowe no dia 29 de janeiro de 1912. Beatificado no dia 19 de junho de 2005

EVANGELHO DO DIA 29 DE JANEIRO

Evangelho segundo S. Marcos 4,1-20.
Naquele tempo, Jesus começou a ensinar de novo começou à beira-mar. Uma enorme multidão veio agrupar-se junto dele e, por isso, teve de subir para um barco e sentar-Se nele, no mar, ficando a multidão em terra, junto ao mar. Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas e dizia nos seus ensinamentos: «Escutai: o semeador saiu a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na. Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra e logo brotou, por não ter profundidade de terra; mas, quando o sol se ergueu, foi queimada e, por não ter raiz, secou. Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, sufocaram-na, e não deu fruto. Outra caiu em terra boa e, crescendo e vicejando, deu fruto e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.» E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» Ao ficar só, os que o rodeavam, juntamente com os Doze, perguntaram-lhe o sentido da parábola. Respondeu: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas, aos que estão de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, para que ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam, não vão eles converter-se e ser perdoados.» E acrescentou: «Não compreendeis esta parábola? Como compreendereis então todas as outras parábolas? O semeador semeia a palavra. Os que estão ao longo do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; e, mal a ouvem, chega Satanás e tira a palavra semeada neles. Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes e, quando surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo desfalecem. Outros há que recebem a semente entre espinhos; esses ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as restantes ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica infrutífera. Aqueles que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, a recebem, dão fruto e produzem a trinta, a sessenta e a cem por um.» 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo 
Sermões ao povo, n°6 passim; SC 175 
«Produziu a trinta, a sessenta e a cem por um»
Irmãos bem amados, quando vos apresentamos uma coisa útil para a vossa alma, que ninguém tente desculpar-se dizendo: «Não tenho tempo para ler, e é por isso que não posso conhecer os mandamentos de Deus nem observá-los.» […] Evitemos as vãs tagarelices e as brincadeiras corrosivas […], e veremos se não temos tempo para consagrar à leitura da Sagrada Escritura. […] Quando as noites são mais longas, haverá alguém capaz de tanto de dormir, que não possa ler ou ouvir ler as Escrituras? […] Pois a luz da alma e seu alimento eterno não é senão a Palavra de Deus, sem a qual o coração não pode nem viver nem ver. […] 
O cuidado da nossa alma é semelhante ao cultivo da terra. Assim como para cultivar a terra se arranca de um lado e se extirpa do outro até à raiz para semear o bom grão, o mesmo se deve fazer à nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil; desenraizar o orgulho e plantar a humildade; deitar fora a avareza e guardar a misericórdia; desprezar a imoralidade e amar a castidade. […] 
Efetivamente, vós sabeis como se cultiva a terra. Em primeiro lugar, arrancam-se as silvas e atiram-se as pedras para longe, seguidamente lavra-se a própria terra, recomeça-se uma segunda vez, uma terceira, e finalmente […] semeia-se. Que seja assim na nossa alma: em primeiro lugar, arranquemos as silvas, ou seja os maus pensamentos; seguidamente retiremos as pedras, isto é, a malícia e a dureza. Por último, lavremos o nosso coração com o arado do Evangelho e a relha da cruz e, quebrado pela penitência, amolecido pela esmola e pela caridade, preparemo-lo para a semente do Senhor […], para que possa receber com alegria a semente da palavra divina e não dar apenas trinta, mas sessenta e cem vezes o seu fruto. 

MÃE, TOME CUIDADO!

PADRE CLÓVIS DEJESUS
BOVO CSsR
Frei Crispim era simples e bom. Nada e ninguém o alterava. Gostava de cuidar dos seus altares. Enfeitava-os com carinho, para o que cultivava um pequeno jardim no pátio do mosteiro. Um dia roubaram-lhe algumas flores que ganhara para adornar o altar de Nossa Senhora. Ficou amolado e triste, não tanto pelo valor das flores, mas porque interpretava esse roubo como uma ofensa à própria Mãe de Jesus. O caso passou. Mas aconteceu outro. Um confrade deu-lhe de presente dois belos castiçais e pediu-lhe que os inaugurasse já. Enquanto Frei Crispim saiu para buscar fogo, o confrade pegou rapidamente os castiçais e os escondeu. Escondeu-se ele também, e ficou aguardando a reação do bom Crispim. Quando o frade voltou com a mecha de fogo, o que fora feito dos castiçais? Pôs as mãos na cabeça, quase pondo fogo também nos cabelos, e desabafou-se com Nossa Senhora: 
- Como é possível isto, Madonna mia? Há poucos dias roubaram as flores. Hoje carregam as velas. A senhora é paciente demais. Qualquer dia vão roubar o Filho dos seus braços, e a senhora não vai dizer nada... 
O confrade voltou com os castiçais e as velas, sorrindo triunfante, como quem tivesse pego o ladrão: 
-Consegui recuperar tudo. A Madonna me ajudou. E sorria bonacheiramente, alegrando-se com a simplicidade de Crispim.
Frei Crispim (1668-1750) — Nasceu em Viterbo, na Itália. Discípulo de São Francisco. Cozinheiro do convento. Tido como santo pelo povo.


29 DE JANEIRO – SEVERO ATÉ NO NOME

São Sulpício Severo é do século VI. Pertencia à nobreza da Aquitânia. Ocupava uma alta posição na corte do rei Gontrano , quando morreu Remígio, bispo de Bourges. Naquele momento a cidade estava numa situação calamitosa por causa de um incêndio que a tinha devastado. Foi nomeado bispo pois como bom administrador, poderia restabelecer a ordem. Foi logo ordenado padre e abandonou seus altos encargos civis. É provável que não fosse casado, ao contrário de muitos de seus contemporâneos, que tinham de deixar a família quando sagrados bispos. Feito bispo, dedicou-se totalmente à Igreja. Era muito firme, prudente e vigoroso também nos negócios temporais e severo consigo mesmo. Várias vezes teve de confrontar-se com os reis, principalmente por questões de elevação de impostos. Certamente o seu prestígio pessoal era muito grande. Além de advogado, foi escritor também. São Gregório de Tours elogiou sua sabedoria, seu zelo pastoral e empenho na implantação da ordem.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Salmos, oração do povo de Deus”.

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
O que são os salmos?
Ao longo da história de Israel, por sua experiência tão forte de Deus, pela experiência de aliança com Ele, o povo desenvolveu uma grande capacidade de oração. Outros povos de outras religiões também tinham suas orações que são também belas, mas que nós não usamos. O povo de Israel deixou-nos uma preciosa herança de estrutura de oração e belos textos que chamamos de salmos, palavra que significa cânticos. Estes cânticos foram inicialmente recitados espontaneamente no templo e foram, por sua beleza, tornando-se modelo para outros cânticos. Posteriormente foram colecionados e colocados no conjunto dos livros inspirados. São orações que têm a inspiração do Espírito Santo. Fazem conjunto com outros livros sapienciais e ensinamentos como Sabedoria, Eclesiastes, Jó, Eclesiástico e Cânticos dos Cânticos. O livro dos salmos é um livro de orações inspiradas nas orações de outras pessoas. São um caminho para o diálogo com Deus.
Jesus rezava os salmos.
Joaquim Jeremias, um grande teólogo, diz que Jesus pertencia a um povo que sabia rezar. Jesus seguia os costumes do seu povo quanto a sua vida de oração. Usa na sua vida textos dos salmos, como podemos ver em sua morte: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Sl 22,1). Os apóstolos, seguindo também o mesmo costume, dizem que os salmos e os profetas falam de Jesus. Quando vemos Jesus falar com seu Pai, podemos ver como usa os salmos. E, sobretudo, rezar os salmos é também rezar com Jesus.
Salmos, caminho da oração.
O salmo não é só uma oração, mas é o caminho da oração. Tem todos os sentimentos da oração. Nós encontramos nos salmos os sentimentos que temos em nós: agradecimento, súplica, arrependimento, louvores. Cada frase de um salmo ilumina e cura nosso coração. É importante também notar que, na oração comum, temos muitas pessoas juntas que rezam o mesmo salmo. Um pode estar alegre e outro triste. Isso não é mau para a oração, ao contrário, responde bem à Palavra de Deus que diz: “chorai com os que choram, alegrai-vos com os que se alegram” (Rm 12,15). Assim nossa dor é aliviada pela alegria do outro e nossa alegria é controlada pela dor do irmão. Assim somos solidários na oração. O salmo é o equilíbrio da comunidade e dos sentimentos.

Ele permanece sempre uma oração viva? Porque é a oração que nasce do coração das pessoas. É falar com Deus com as palavras de Deus. Não deixe suas orações tradicionais, mas reze também os salmos. Cada salmo é um tesouro. Não são orações a serem lidas, mas rezadas. Cada versículo é uma Palavra de Deus. Reze e repita. Tenha alguns de memória. Ao ler a bíblia, procure sempre acrescentar aos textos lidos, um salmo, pois assim pode iluminar a Palavra de Deus que acaba de ler. Isso nós o fazemos na missa. Quanto termina a primeira leitura temos um salmo. Ele é uma resposta da comunidade à Palavra proclamada. Além do mais ele explica o texto lido. Deste modo, o que ouvimos torna-se oração.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 29 DE JANEIRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.

As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 ─ Quarta-feira ─ Santos Aquilino, Bambina, Constâncio
  
Evangelho (Mc 4,1-20) “Jesus entrou numa barca sentou-se, enquanto a multidão ficava junto às margens, na praia. Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas.”

Dentre as muitas coisas que Jesus ensinou naquele dia, à beira do lago, Marcos guardou um ponto importante para nós. Deus é como um semeador que joga generosamente as sementes para todos os lados. A palavra de Deus, como as sementes, é igual para todos. Depende, porém, de nós o resultado final, conforme colaboramos ou não com a graça de Deus, que ele derrama em nosso coração.

Oração

Senhor meu Deus, estou pensando agora na quantidade de oportunidades que me destes, quantas vezes me falastes. Se eu tivesse colaborado bem com vossa graça, hoje eu seria muito melhor do que sou. Perdoai-me se até agora deram tão pouco fruto as sementes que gastastes comigo. Com vossa ajuda quero mudar, e espero que no futuro poderei corresponder mais ao vosso grande amor. Amém.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

TOMÁS DE AQUINO Dominicano, Doutor da Igreja, Santo 1225-1274

Dominicano, Doutor da Igreja e um dos grandes teólogos e filósofos da historia da igreja. Ele nasceu em Roccasecca em 1225, Itália de uma família nobre e seu pai era o Conde Landulf de Aquino- um parente do imperador Romano e Rei de França e de sua mãe era Teodora de Teano. Na idade de 5 anos foi enviado para estudar na Ordem Beneditina de Monte Cassino. Ele era muito inteligente e os beneditinos ficaram admirados pelo seu raciocínio brilhante. Algum tempo depois os monges beneditinos foram desalojados da Abadia pelas tropas do Imperador Frederico II. No mesmo ano em 1239 ele começou a estudar na Universidade de Nápoles, concentrando seus estudos em filosofia, gramática, retórica e lógica. Ele já estava atraído pela Ordem Dominicana e expressou o desejo de se tornar um frade, o que era totalmente inaceitável pela sua família. Alguns membros de sua família até contrataram uma linda mulher para tenta-lo, mas seus esforços foram em vão e Tomas perseverou na sua vocação e como recompensa por isto, foi conferido a ele anos mais tarde o titulo de "Doutor Angélico". Em seguida ele foi raptado pelos seus irmãos e aprisionado no Monte São Giovanni de 1244 até 1245. Seus pais finalmente aceitaram a derrota e Tomas foi solto e voltou para Roma e depois para Paris onde entrou na Universidade. Tomas estudou em Paris de 1245 a 1248 sob a direção de São Alberto Magnus que o acompanhou em 1248 ao Novo Colégio Dominicano de Colonha (Alemanha), onde ele foi ordenado. Voltando, dois anos mais tarde para Paris, ele ensinou teologia, e continuou seus estudos e escreveu um notável comentário sobre as sentenças de São Pedro Abelardo. Em 23 de outubro de 1257 ele e seu amigo São Boaventura receberam seus doutorados em teologia e Tomas fez o seu sermão inaugural " A Majestade de Cristo" baseada nos Salmos 104:13 . Dois anos mais tarde ele foi indicado como assistente teológico da corte papal, ficando muito tempo como residente papal em Anagni e Orveto. A pedido do papa Urbano IV ele escreveu um grande número de teses inclusive o " O Oficio para a Festa de Corpus Christie "; a "Catena Áurea"(A Corrente de Ouro) e os "Contra Errores Graecorum " (Contra os Erros dos Gregos). De 1265 a 1267 Tomas ensinou em Roma no Colégio Dominicano de Santa Sabina. Foi durante este tempo que ele começou o seu trabalho mais famoso o "Magnus Opus" chamado "Summa Thelogiae". Em 1267 foi para Viterbo e trabalhou com o Papa Clemente IV, recusando o posto de arcebispo de Nápoles. Dois anos mais tarde retornou a Paris e aceitou a posto de catedrático de teologia para os Dominicanos. Sua indicação foi num momento muito útil porque, ele foi forçado a devotar toda a sua energia para derrotar a oposição que havia emergido na universidade da Ordem dos Medicants (em particular dos Dominicanos) com os ensinamentos de Aristóteles e assegurar a condenação das idéias controvertidas do teólogo Siger de Brabant,e ainda dos chamados "Averroists", que advogavam uma forma extrema de Aristotelismo. Renomado em toda a cristandade, o Papa ordenou a ele que organizasse uma escola em Nápoles. Ali ele deu sermões, pregou perante grandes multidões e continuou o seu trabalho de pesquisa para terminar a sua "Summa Theologiae". Muito doente e exausto do seus incessantes trabalhos Tomas, não obstante, obedeceu ao pedido do Papa Gregório X de participar no Concílio de Lyon. Na França ele teve um colapso em janeiro de 1274 e morreu no Monastério Cisterciense de Fossanova em 7 de março de 1274. Ele é comparado a São Paulo e a Santo Agostinho, como um dos maiores teólogos da Cristandade. Ele conseguiu sintetizar o pensamento Aristoteliano com os Dogmas Cristãos e fazer da teologia uma ciência. Ele é conhecido especialmente por harmonizar a razão e a fé ,enquanto mantém a precisa distinção entre os dois: a razão ajuda a descobrir a existência de Deus, mas é insuficiente como guia para as ações humanas, alcançada pela fé, que é necessária para a descoberta de verdades mais elevadas reveladas pelo consentimento Divino. O corpo teológico que Tomas formulou em seus escritos, veio a ser chamado Tomismo e é considerado a coroação da Escolástica. Inicialmente com muita objeção na igreja, (alguns até o condenaram em Paris em 1277) o Tomismo foi abraçado como um todo e em 1567 o Papa Pio V o declarou Doutor da Igreja e os Dominicanos impuseram seus ensinamentos. Em 1879, o Papa Leão XIII promulgou a Encíclica Aeterni Patris, ordenando que os escritos de São Tomas fossem estudo obrigatório a todos os padres e estudantes de teologia. Seus escritos incluem toda a doutrina cristã, cobrindo teologia, filosofia e as escrituras. O seu mais famoso trabalho a "Summa Teologiae" , é o uma exposição extremamente coerente da fé cristã. Feita por ele para ser um manual para os estudantes, provou ser a mais complexa e a o mais esclarecedor tratado em teologia cristã já escrito. Apesar de não o ter terminado, Tomas o organizou em três partes e tem um total de 38 tratados separados, 612 questões, 3.120 artigos e aproximadamente 10.000 objeções individuais. Seus escritos incluem ainda : Um comentário sobre a sentença de Pedro Lombardi "De Ente et Essentia" (Da Essencia do Ser); Comentários Bíblicos, De Regimine Principium (Em Ser Rei) ; Contra Impugnantes Religionem,(na defesa da Ordem dos Mendicantes) ; De Perfectae Vitae Spiritualis (sobre a vida espiritual); De Unitate Intellectus Contra Averroistas,( contra os Averroistas) ; Comentários sobre Aristóteles ; Quaestiones Disputatae e Quaestiones Quodlibetales, (uma coleção e debate de questões a serem examinadas nas salas de leituras) e a " Summa Contra Gentiles (Summa de Veritate Catholicae Fidei Contra Gentiles), que é um manual que converte para a fé cristã os escritos de São Raymond Peñafort. Tomas o fez para ser usado pelos missionários entre os judeus e os muçulmanos. São Tomas foi canonizado pelo Papa João XXII em 1323 e conhecido como Doutor Angelicus e Doutor Communis em honra da sua enorme contribuição aos ensinamentos católicos. Em 1880 o Papa Leão XIII honrou São Tomas como o patrono das escolas, colégios e universidades. É ainda o padroeiro da castidade entre os jovens. Entre as jovens é a Santa Maria Goretti. Na liturgia ele é mostrado como um Dominicano, segurando um livro com raios de luz emanando do seu peito . Sua festa é celebrada no dia 28 de janeiro.

SÃO PEDRO NOLASCO

Pedro Nolasco viveu de 1189-1256. Com São Raymond de Peñafort ele fundou a Ordem dos Mercedarianos, uma comunidade religiosa que enviava resgate para os cristãos prisioneiros nas mãos dos sarracenos e mouros. Detalhes de sua vida são incertos mas ele provavelmente é natural de Languedoc, França. Após tomar parte nas cruzadas contra os hereges Albigensianos no sul da França, ele tornou-se o tutor do Rei James I de Aragon (1213-1276) e radicou-se em Barcelona. Diz a tradição que em e resposta a uma visão (também experimentada por São Raymond de Peñhafort e pelo Rei James) Pedro decidiu fundar uma congregação religiosa dedicada a resgatar escravos cristãos dos mouros. A visão foi de Nossa Senhora das Mercês e disse-lhe: - "Deus quer que estabeleça uma Congregação Religiosa para o resgate dos cativos". Pedro não era um homem crédulo e por isso consultou o seu confessor São Raimundo de Penaforte, um dos mais notáveis teólogos de sua época. Qual não foi a surpresa de Pedro Nolasco ao saber que o Santo Doutor tivera o mesmo sonho e recebera ordem de animar os seus desígnios. Foram os dois pedir o apoio de D. Jaime I de Aragão e ficaram assombrados quando o piedoso monarca lhes anunciou que tivera o mesmo sonho e recebera a mesma ordem. Daí tornou-se amigo de São Raymond de Peñhafort e em 1218 com o apoio de James I, eles fundaram a Ordem dos Mercedários (em homenagem a Nossa Senhora das Mêrces). passaram a enviar membros para tentar resgatar presos cristãos. Com a aprovação da Ordem pelo bispo Benrengarius de Barcelona e mais tarde pelo Papa Gregório IX em 1235 passaram a enviar membros para tentar resgatar presos cristãos e a angariar jóias, ouro e moedas para trocarem pelos presos e devotos para trocarem pelos escravos. Alem dos três votos necessários a um religioso, os “mercedários” tinham ainda o quarto voto que era o de se trocar por um outro escravo preso, se fosse o caso. A não ser isto, as regras eram as mesmas da Ordem de Santo Agostinho. Pedro ficou preso por uns tempos na Argélia para servir como cativo no lugar de outro cristão e é notório que durante a sua jornada para Granada e Valência ele conseguiu libertar das prisões mouras cerca de 400 cristãos cativos. Aposentado-se em 1249 devido a sua saúde ele foi substituído como Prior da Ordem por William de Bars. Ele foi canonizado em 1628 pelo Papa Urbano VIII. Diz ainda a tradição que ele teria tido uma visão de São Pedro, o apóstolo crucificado de cabeça para baixo. Na arte litúrgica São Pedro de Nolasco é apresentado como um velho homem com o habito branco de Mercedário, com as armas de Aragon no peito, segurando um sino com a imagem da Virgem 2) com o rei vendo um grande sino com a imagem da virgem 3)com a virgem dando a ele o escapulário 4) segurando uma corrente com vários escravos 5) com a visão do céu dado a ele por um anjo 6) tendo a visão de São Pedro crucificado de cabeça para baixo. Sua festa é celebrada no dia 28 de janeiro.

JOSÉ FREINADEMETZ Sacerdote, Missionário, Santo 1852-1908

José Freinademetz nasceu no dia 15 de abril de 1852, na cidade de Oites, no Tirol do Sul, que na ocasião era território austríaco, mas a cidade hoje se chama Alta Badia e pertence a Itália. Seus pais eram camponeses muito pobres, tiveram treze filhos e formaram uma família muito cristã. O pequeno José, desde a infância queria ser um missionário. Estudou no seminário diocesano de Bressanone, onde foi ordenado sacerdote em 1875. Depois de três anos de ministério em São Martino, na Alta Badia, com autorização de seu Bispo, ingressou na Sociedade do Verbo Divino, em Steyl, na Holanda, para ser um missionário. Em 1879, recebendo a cruz dos verbitas, foi enviado para a missão da China. Ficou dois anos em Hong Kong, para adaptação dos costumes, e depois foi enviado para a primeira missão católica em Shandong do Sul, junto com um companheiro da Ordem, o holandês João Batista Anzer. Os dois missionários encontraram uma comunidade minúscula de cristãos, com menos de duzentos fiéis. Começaram a evangelização com visitas pastorais em todas as vilas, contatando as pessoas e as famílias, pois o total de habitantes era de nove milhões. Aos poucos o povo se afeiçoou ao caridoso, ativo e incansável Padre José, a quem deram o nome chinês de Padre Fu Shen Fu, que significa Padre Feliz. Com muita oração, fé na Divina Providência e extremo zelo missionário, conseguiram construir a Igreja, o seminário, o orfanato, a tipografia e a escola. Até que em 1898, Padre José adoeceu e teve de se distanciar de sua querida Shandong, aliás ele só o fez esta única vez. Viajou para Nagasaki, no Japão, para tratar de uma tuberculose que iniciara. Mas retornou logo, mesmo sem estar totalmente curado. Em 1900, quando a China viveu a rebelião dos Boxer, e os cristãos eram perseguidos por seus integrantes, Padre José permaneceu firme ao lado do seu rebanho, rezando e sofrendo com eles. Recusou viajar para a Holanda e participar das celebrações do jubileu de prata da Congregação do Verbo Divino, que, por sinal, coincidiam com o de sua ordenação. Sete anos depois o governo chinês declarou uma epidemia de tifo. Padre José, à frente no atendimento e socorro às vitimas, contraiu a moléstia e morreu no dia 28 de janeiro de 1908, em Taikia. Nesta ocasião, a diocese já contava com quarenta mil adultos convertidos e cento e cinqüenta mil crianças batizadas. A sua entrega à vida missionária no segmento de Cristo e seu amor ao povo chinês ele expressou nesta declaração à um irmão verbita: “Se pudesse reaver a juventude, escolheria outra vez a minha vocação, escolheria ser missionário no sul de Shandong”. Canonizado no ano 2003, pelo Papa João Paulo II, São José Freinademetz é festejado no dia de sua morte, sendo reconhecido o "Padre fundador da Igreja do Sul da província de Shandon".

MOISÉS TOVINI Sacerdote, Beato 1877-1930

Na tarde de domingo, 17 de Setembro, celebrou-se a Santa Missa de beatificação do Pe. Moisés Tovini, na Catedral de Bréscia (Itália), sacerdote oblato dessa Diocese. O novo Beato foi um homem humilde, preparado, generoso e bom, que dedicou toda a sua vida como educador e pastor no silêncio e no escondimento da vida quotidiana do Seminário e das paróquias. Originário de Cividate Camuno, onde nasceu em 27 de Dezembro de 1877, teve como padrinho de baptismo o Adv. Giuseppe Tovini, tio paterno, que certamente com o seu exemplo de vida evangélica influenciou muito as escolhas de Moisés. Após os estudos básicos, amadureceu nele a vocação para o sacerdócio. Completados os estudos, foi ordenado no dia 9 de Junho de 1900. A sua primeira destinação foi a de Capelão em Astrio di Breno. Em seguida, a fim de completar os estudos foi enviado para Roma, onde se formou em Matemática e em Filosofia e Teologia. Durante os anos passados em Roma ele exerceu um ardoroso apostolado em duas pequenas igrejas na periferia, frequentadas pelos pobres da zona rural romana: a Cervelletta e a do Repouso. Em 1904 voltou para a sua diocese e foi um dos primeiros três sacerdotes Oblatos da Congregação diocesana da Sagrada Família, formada por sacerdotes seculares à disposição do Bispo, na qual ele desempenhou o cargo de Superior por vários triénios. O principal empenho da sua vida foi a escola no Seminário. Ensinava matemática e filosofia. Professor muito apreciado, era estimado também no mundo leigo pela sua preparação cultural e científica. Além do ensino dedicou-se à obra catequética diocesana contribuindo bastante para a formação dos catequistas nas paróquias locais e para a habilitação dos professores ao ensino da religião nas escolas públicas. Particularmente preciosa foi a sua chegada à Acção Católica como Assistente da Junta Diocesana de 1921 a 1926. Eram tempos difíceis para a associação que encontrou nele uma guia sábia e apreciada. Desempenhou muitos cargos na Cúria: no Tribunal Eclesiástico, Examinador sinodal, censor dos livros. Em 1923 foi nomeado Cónego da Catedral. Fiel ao seu mandato, em mansidão e humildade, faleceu na clínica dos Fatebenefratelli de Bréscia em 28 de Janeiro de 1930, após uma breve enfermidade. Foi sepultado no cemitério de Cividate Camuno, mas com a propagação da sua fama de santidade, o seu corpo foi trasladado para a igreja paroquial, onde até hoje é venerado. A causa de canonização foi iniciada em 1963. No mês de Abril de 2003 foi reconhecida a heroicidade da virtude de Moisés Tovini. No dia 19 de Dezembro de 2005 o Papa Bento XVI reconheceu a autenticidade do milagre, a favor de um sacerdote que foi aluno do Pe. Tovini: Pe. Giovanni Flocchini. Definido "pedra preciosa do clero de Bréscia", Pe. Moisés Tovini é uma figura contracorrente, mas muito actual, pois num mundo que ama os reflectores e a notoriedade ele ensina que a grandeza do homem reside no humilde serviço realizado diariamente com fidelidade e dedicação, sem se preocupar por aparecer mas por doar a vida, a exemplo de Cristo. www.vatican.va/

EVANGELHO DO DIA 28 DE JANEIRO

Evangelho segundo S. Marcos 3,31-35.
Naquele tempo, chegaram a casa onde estava Jesus, sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: «Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.» Ele respondeu: «Quem são minha mãe e meus irmãos?» E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: «Aí estão minha mãe e meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.» 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Papa Francisco 
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», § 58 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev) 
«Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»
Na parábola do semeador, São Lucas refere estas palavras com que o Senhor explica o significado da «terra boa»: «São aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuoso, a conservam e dão fruto com a sua perseverança» (Lc 8, 15). […] A menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: «Feliz de ti que acreditaste» (Lc 1, 45). 
Em Maria, Filha de Sião, tem cumprimento a longa história de fé do Antigo Testamento, com a narração de tantas mulheres fiéis a começar por Sara; mulheres que eram, juntamente com os Patriarcas, o lugar onde a promessa de Deus se cumpria e a vida nova desabrochava. Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que n’Ela tomasse carne e nascesse como luz para os homens. […] De facto, na Mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto, enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé. Na sua vida, Maria realizou a peregrinação da fé seguindo o seu Filho (Vat.II, «Lumen Gentium» 58). Assim, em Maria, o caminho de fé do Antigo Testamento foi assumido no seguimento de Jesus e deixa-se transformar por Ele, entrando no olhar próprio do Filho de Deus encarnado. 

AS DUAS HASTES DA CRUZ

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Um missionário, ao falar sobre o sofrimento, mostrou para os ouvintes uma pequena cruz desmontada dizendo: 
- Aqui temos as hastes que formam a cruz. A haste vertical, a mais comprida, representa a vontade divina. A haste transversal, que é o braço da cruz, representa a nossa vontade. Colocando-se as duas hastes um ao lado da outra, desaparece a cruz: Se conformarmos nossa vontade com a vontade de Deus, não sofremos ou sofremos com amor. Cruzando-se, porém, as duas hastes, forma-se a cruz. Se pusermos nossa vontade em confronto com a vontade de Deus, aparece a cruz e nasce o sofrimento. 
Lição: Quem quer aprender a sofrer, deve entrar em sintonia com a vontade divina. Quanto mais aceitarmos as contrariedades, quer no plano individual quer comunitário, tanto menos sentiremos o peso do sofrimento. Ninguém gosta de sofrer. Aliás o sofrimento não estava no plano divino. Mas, se é para sofrer, que se saiba sofrer. Em vez de pedir a Deus que nos livre do sofrimento, peçamos força para saber sofrer. - Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu (Mt 6,10).
http://www.boletimpadrepelagio.org/

28 DE JANEIRO – O DOUTOR DOS DOUTORES

Santo Tomás de Aquino (1225-1274),é um dos maiores gênios no campo da Teologia, da Filosofia e das ciências afins. Era quieto e concentrado na escola. Por isso seus colegas o chamavam de “boi mudo”. Seu professor, Santo Alberto, ouvindo esta caçoada dos meninos, mas conhecendo a inteligência dele, disse-lhes em tom profético; 
-“Meninos, quando este boi mudo começar a berrar, o mundo inteiro vai ouvir”. 
Santo Tomás entrou na Ordem dominicana. Com apenas 22 anos já lecionava Teologia nas melhores Universidades da Europa. Escreveu mais de cem obras, entre as quais a "Suma contra os gentios" e a "Suma Teológica". Foi chamado "Doutor Angélico". Sua autoridade ainda tem peso entre os teólogos da atualidade. Durante o Concílio de Trento, a "Suma Teológica" foi colocada sobre o altar, ao lado das Sagradas Escrituras. Morreu em 1274. Certo dia seus confrades, querendo brincar com ele, disseram: 
- Frei Tomás, venha ver um boi voando. 
Ele olhou para o céu e não viu nada. Os confrades deram uma gargalhada:
- Você acreditou? Onde se viu boi voar? 
Mas ele muito sério:
- Eu achei que era mais fácil um boi voar, do que um frade mentir! 
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR 
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REFLETINDO A PALAVRA - “Efeta! Abre-te!”

PADRE LUIZ CARLOS
         DE OLIVEIRA
“Efeta! Abre-te!”
Os milagres de Jesus têm como primeira finalidade a fé. No capítulo 8,17-21 de Marcos, Jesus alerta quanto ao fermento dos fariseus, isto é, o veneno contra a fé. “Cuidado com o fermento dos fariseus”! Por falar em fermento, os discípulos pensam no pão que haviam esquecido de trazer. Jesus, que fizera os milagres dos pães pouco antes, pergunta: “vocês não entenderam? Por acaso tendes o coração endurecido, como os fariseus, vendo com os olhos não vêem e ouvindo não ouvem? Ainda não entendeis”, mesmo tendo visto os dois milagres da multiplicação? Jesus fala numa linguagem e eles entendem em outra. Este é o fruto da falta de fé: incompreensão. Jesus faz um milagre que leva a compreender a fé: “leva o surdo-mudo para fora, toca seus ouvidos e a língua e diz: Efetá! Que quer dizer: abre-te”! Há um grande ensinamento neste texto: para ter a fé do discípulo de Jesus é necessário ser tocado na língua e nos ouvidos. Assim se pode receber o dom da fé. Abrir-se à escuta da revelação, à contemplação do mistério de Cristo e a um empenho no anúncio da própria fé é condição para ser curado. Sem este toque vemos as coisas com os olhos fechados. Na realidade, só a verdade da fé é capaz de nos ajudar na interpretação sem misticismo, mas como Jesus o fazia. Isto nos mudará a vida. Não há multiplicidade de fé. Fé só é em Jesus.
A profecia.
Sempre houve esperanças no mundo. A profecia é testemunho desta esperança. O profeta Isaias anuncia: “Então se abrirão os olhos dos cegos, e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cabrito e se desatará a língua dos mudos” (Is 355-6). As coisas difíceis do mundo não se resolvem num passo de mágica ou com um milagre. O milagre nasce da esperança, da ação que fazemos e do modo de encarar o mundo com os olhos da fé, sabendo ouvir os clamores dos sofrimentos e ter língua para testemunhar a verdade. O fechamento do coração é o verdadeiro paganismo no qual fazemos nossos deuses. Com a luz da fé podemos identificar um mundo novo. No passado o profeta anunciou, para realizarmos hoje. Jesus mostrou que se realiza.
A realidade da fé na Igreja.
Creio que falta fé, quando não vemos nossa realidade com os olhos de Jesus. Tiago é claro em sua expressão quando coloca as causas de nossos males: a discriminação entre as pessoas da comunidade: “Se entra em vossa reunião uma pessoa bem vestida e também um pobre com roupa surrada, e vós dizeis àquele: vem e assenta-te aqui à vontade, e ao pobre, fica aí de pé ou senta-te no chão aos meus pés, não fizestes discriminação entre vós?” (Tg 2,2-4). Fazemos discriminações quando agimos a partir da posição social das pessoas, de seu dinheiro. Os valores estão invertidos. O fechamento de muitos que vivem para o dinheiro está errado porque o usam como uma religião, isto é, como uma posse e não um uso para Deus. A Eucaristia que celebra a Igreja tem a finalidade de construir um mundo a partir da fé e não dos bens. Assim, abrindo nossos olhos e ouvidos, poderemos ver e ouvir melhor e proclamar com a voz e a vida a riqueza de ver Deus.
http://padreluizcarlos.wordpress.com/

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE JANEIRO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias

Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.

As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 ─ Terça-feira ─ Santos Tomás de Aquino, Leônidas, Gonçalo

Evangelho (Mc 3,31-35)  “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

O amor familiar, paterno e materno, filial, fraterno e conjugal é querido por Deus, é dom que ele nos faz para nossa felicidade. Às vezes, porém, por nossa fraqueza ou maldade, em vez desse amor verdadeiro o que nos arrasta é um apego egoísta, um afeto desordenado que nos afasta de Deus e da harmonia entre nós. Nosso coração precisa ser sempre orientado pela fé, senão acaba perdendo o rumo.

Oração

Senhor, eu vos agradeço porque sou amado por tantos, e porque me dais a felicidade de amar. Tomai conta de meu coração para que ame de fato e não se deixe enredar no egoísmo. Ensinai-me a amar ordenadamente, dando preferência a quem devo amor maior. Reconheço que ainda preciso aprender a diferença entre amor e apego. Para que o aprenda, aumentai em mim o dom da caridade. Amém.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ÂNGELA MÉRICI Raligiosa, Fundadora e Santa 1474-1540

Ângela Mérici nasceu em Desenzano del Guarda, no norte da Itália, junto ao lago do mesmo nome, em 1474. Seus pais eram profundamente cristãos, e desejavam que os seus filhos encontrassem a felicidade obrando para a glória de Deus. Para realizar este ideal, eles tinham feita da casa familiar um autêntico santuário onde cada um trabalhava sob o olhar divino e recitavam as orações todos juntos. Invariavelmente o dia terminava por uma leitura espiritual ou da vida de um santo. A estas piedosas práticas, Ângela acrescentava os rigores da penitência. Apenas com nove anos, ofereceu ao Senhor a sua virgindade e renunciou desde então a todo e qualquer ornamento pessoal. Seu pai faleceu quando ela tinha apenas treze anos e sua me dois anos mais tarde. Um seu tio chamado Bartolomeu recolheu-a e não só a autorizou a continuar as suas práticas religiosas mas começou também a praticá-las assiduamente. Passados seis anos, Deus chamou a si a única irmã de Ângela, deixando-a assim, quase sem ninguém, visto que seu tio Bartolomeu foi também em breve chamado à Mansão celeste. Duplamente órfã, Ângela voltou à casa paterna, desfez-se de tudo quanto ainda possuía e começou então a viver na maior austeridade. Tinha ela então vinte e dois anos. Para melhor poder levar a cabo a vida que desejava viver — de união íntima com Deus — inscreveu-se como membro da Ordem Terceira Franciscana de S. Francisco de Assis. Em 1506, num dia em que trabalhava nos campos, foi de repente rodeada por uma luz resplandecente. Ângela viu uma escada elevar-se do solo até ao céu et uma multidão incalculável de virgens que subiam pelos degraus da escada, amparadas por anjos. Uma das virgens voltou-se para Ângela e disse-lhe: « Ângela, Deus proporcionou-te esta visão para te revelar que antes de morreras tu fundarás uma sociedade de virgens como estas que viste, na cidade de Brescia. » E esta visão realizou-se vinte anos depois. A fama de santidade de Ângela Mérici estendeu-se até à cidade de Brescia. Os Pantegoli, família rica e grandes benfeitores das obras pias, moravam nessa cidade. Em 1516, depois de terem perdido, um após outro, os seus dois filhos, convidaram Ângela para vir morar com eles para os consolar da pena que sentiam pela perca dos filhos. Foi desde então que Ângela se fixou naquela cidade de que lhe tinha falado a virgem da visão e aí mostrou as suas esmeradas qualidades cristãs que causavam a admiração e o apreço de todos. Todos os dias os habitantes a viam na companhia de moças da mesma idade, juntar as meninas para lhes ensinar a doutrina cristã. Visitavam os pobres e os doentes, instruíam os adultos que em grande número as procuravam para ouvirem as suas conferências. Estas jovens faziam tudo quanto podiam para ensinar os pecadores, indo mesmo à busca deles nos lugares onde trabalhavam. Ângela começou desde então a receber de Deus um certo número de dons que ela utilizava para o bem comum das almas que cada vez mais numerosas a buscavam. O Papa Clemente VII, posto ao corrente da santidade de Ângela, recebeu-a com grande júbilo. A recordação daquela maravilhosa visão das virgens que subiam pela escada que levava ao céu continuava gravada no seu coração e, um dia, Ângela reuniu doze raparigas cujo desejo era aquele da perfeição e da vida em Deus. Ela propôs-lhes de levarem uma vida retirada do mundo, nas suas próprias casas e, de frequentemente se juntarem para se formarem na prática das virtudes cristãs. Em 1533, este “noviciado” terminado, Ângela Mérici desvendou-lhes o seu plano, demonstrando-lhes que a ignorância religiosa era a causa do progresso do protestantismo e que a fundação de uma comunidade religiosa diferente, unindo vida contemplativa e instrução das crianças, constituiria um remédio eficaz para melhorar o estado deplorável em que a Igreja então sofria. A fim de poder atingir todas as almas necessitadas, a fundadora implantou as bases da Ordem sem clausura. As irmãs visitavam as prisões e os hospitais, iam à busca dos pobres para os instruírem et partilhavam generosamente o pão com eles. Remontando o percurso do mal até à sua fonte ou origem, Ângela pensava que não se podiam mudar os costumes sem intervir nas próprias famílias, cujo fulcro era então a mãe, sempre mais presente no lar. A santa deu-se conta que a má educação de então provinha da carência de mães profundamente cristãs. Nos desígnios de Deus, a congregação das Ursulinas deveriam brilhar no mundo mediante a educação das raparigas. No dia 25 de novembro de 1535, em Brescia, as primeiras religiosas do novo instituto pronunciaram os três votos tradicionais de pobreza, castidade e obediência, juntando a estes três um outro: consagrarem-se exclusivamente ao ensino. Ângela confiou a congregação nascente à protecção de santa Úrsula. Como acima foi dito, Deus concedeu-lhe diversos carismas, entre os quais aqueles da ciência infusa e da profecia. Ela falava latim sem nunca o ter estudado; explicava passagens das mais difíceis dos Livros santos e tratava de questões teológicas com uma tal firmeza e precisão, que as mais dotas personagens recorriam a ela nos casos mais complicados. Os seus últimos anos foram marcados por frequentes êxtases. Ângela Mérici faleceu no dia 28 de janeiro de 1540. Durante três noites, toda a cidade de Brescia observou uma luz extraordinária por cima da capela onde o corpo da Santa repousava. Este santo corpo permaneceu para sempre incorrupto. Em 1807, o Papa Pio VII canonizou-a.

PAULO JOSÉ NARDINI Sacerdote, Fundador, Beata 1822-1862

Nasceu no dia 25 de Julho de 1822 em Germersheim, às margens do Reno, filho de mãe solteira, que não tendo um trabalho na época e, por conseguinte, estando incapacitada de manter o menino, se viu obrigada a dá-lo aos cuidados de um tio de origem italiana. Eles deram-lhe o sobrenome e amaram-no como filho, proporcionando-lhe uma educação sadia sob todos os aspectos. Ao concluir os estudos ginasiais, a vocação ao sacerdócio fez-se mais evidente e assim, após um requerimento de ingresso, foi admitido no Seminário de Speyer, onde estudou filosofia. Estudou Teologia na Universidade de München e obteve o Diploma "Summa cum laude", no dia 25 de Julho de 1846. Recebeu a Ordenação sacerdotal em 22 de Agosto desse mesmo ano. Transcorreu os primeiros anos do seu ministério sacerdotal como vice-pároco em Frankenthal. No dia 17 de Fevereiro de 1851 foi-lhe confiada a difícil e pobre paróquia de Pirmasens onde, até à sua morte, graças às suas não comuns capacidades humanas e morais, deu limpidíssimas provas de santidade. É digno de nota o facto de que, animado por um grande zelo e desejoso de cuidar da instrução das crianças, tenha chamado, no mês de Junho de 1853, as Irmãs do Santíssimo Redentor de Niederborn. Elas foram para lá encarregadas também de prestar assídua assistência aos doentes, mas o trabalho superava as suas forças e acabaram por adoecer. Pe. Nardini substituiu-as com quatro jovens da Terceira Ordem de São Francisco, com as quais a 2 de Março de 1855 deu início à Congregação das "Pobres Franciscanas", nome que depois foi mudado para "Franciscanas da Sagrada Família". Quando faleceu, em 27 de Janeiro de 1862, o Instituto por ele fundado contava já cerca de 220 religiosas e 35 casas. Em 1869 a sede central da Congregação foi transferida de Pirmasens para Mallersdorf, na Baviera. Como sacerdote diocesano e pároco exemplar, combateu corajosamente pela liberdade da Igreja, pregando sem cessar a palavra de Deus e cultivando uma veneração particular pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Em Pirmasens, na capela da Congregação por ele fundada, o Servo de Deus repousa circundado por uma vivíssima fama de santidade. http://www.vatican.va

HENRIQUE DE OSSÓ y CERVELLÓ Franciscano, Fundador, Santo 1840-1896

“VIVA JESUS. TUDO POR JESUS”

“Tocou-me em sorte uma boa alma”

Assim fala Henrique de Ossó de si mesmo nuns breves apontamentos autobiográficos, escritos à mão e por obediência, quando ainda era muito jovem. E tinha razão ao dizê-lo. Deus concedeu-lhe uma alma boa, um coração bom, bons pais…Henrique soube tornar frutíferos esses dons recebidos. Não teve uma vida fácil. Soube superar as contrariedades na sua adolescência; as dificuldades quando, sacerdote, iniciou e desenvolveu as suas obras apostólicas; suportou as invejas, calúnias e injustiças da parte dos representantes da Igreja, na sua vida adulta e até à sua morte. De tudo isto saiu fortalecido na sua fé, com a esperança posta só em Deus, e um grande amor a todos, inclusive aos seus próprios difamadores. Assim se forjam os santos.
Durante os 55 anos da sua vida foi mestre e catequista e, acima de tudo, sacerdote. Um sacerdote diocesano comprometido com o seu tempo e com o seu meio ambiente mais próximo, mas projectado sempre para todo o mundo, que quase se tornava pequeno para os seus anseios de estender o conhecimento e amor de Jesus. Teve uma mestra de vida espiritual e apostólica: Teresa de Jesus. Quase poderíamos dizer que uma parte da grande Santa de Ávila se encarnou em Henrique de Ossó e lhe infundiu o seu espírito de oração, o amor a Jesus Cristo e, como fruto de ambos, a quantidade de obras apostólicas que levou a cabo durante a sua vida.

Infância e vocação.

Henrique de Ossó y Cervelló nasce em Vinebre, numa pequeníssima povoação da província de Tarragona, Espanha, situado nas margens do maior rio da Península Ibérica: o Ebro, que configura um pouco os habitantes do seu meio, sobretudo nas proximidades onde vai desaguar, Vinebre. Henrique fala da sua família e diz que teve: "bons pais e santos avós". Uma boa referência.
A morte da sua mãe, aos 14 anos, causada pela cólera, deixa-o desolado. Ela dizia-lhe com frequência: "Meu filho, que alegria me darias se fosses sacerdote". Ele respondia-lhe invariavelmente: “Não. Eu quero ser mestre". Pouco tempo depois, seu pai manda-o para Reus, a trabalhar na loja de tecidos, mais importante da cidade. Henrique, enquanto trabalha por detrás do balcão, vai pensando noutros caminhos para a sua vida. Um bom dia deixa umas cartas de despedida e põe-se a caminho do santuário de Montserrat. Ali, diante da Virgem Moreneta, decide o seu futuro: "Encontrei a minha vocação… Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu apóstolo, seu missionário de paz e de amor".
E ali, em Montserrat, uns dias depois, o seu irmão encontra-o,e actua como mediador com seu pai para que o autorize a ir para o Seminário de Tortosa.

JORGE MATULAITIS Arcebispo, Beato 1871-1927

Jorge Matulaitis ficou órfão desde tenra idade, quando em 1874 faleceu seu pai e pouco depois, em 1881, sua Beato Jorge Matulaitis, Arcebispomãe. Durante a infância foi vítima de tuberculose numa perna, da qual sofreu todo o resto da sua vida. Alcançou o Doutorado em Teologia na Universidade de Friburgo, na Suiça. Ensinou depois Latim e Direito Canónico no Seminário de Kielce. Era também o responsável pelo departamento de sociologia e o vice-reitor da Academia Espiritual de São Petersburgo, onde ensinava Teologia Dogmática. Foi um notável professor, cónego, director espiritual e confessor, todavia acabou por renunciar o seu cargo na Academia para trabalhar na revitalização mariana. Foi ordenado sacerdote em 20 de Novembro de 1898 e alguns anos mais tarde professou, como religioso na Congregação Mariana, em 1909. Reformou o Marianos da Imaculada Conceição, modificando as Constituições, o hábito e a forma de vida. Jorge Matulaitis fundou as Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria em 15 de Outubro de 1918 e foi ordenado Bispo de Vilnius a 8 de Dezembro do mesmo ano. Ele fundou ainda a Congregação das Servas de Jesus Eucarístico, em 1924, na cidade de Belarius. Estabeleceu igualmente casas religiosas dos Marianitas em Bielorússia, na Polónia; Marijampolé, na Lituânia, Friburgo, na Suiça e em Chicago, nos Estados Unidos. Em 1926 Jorge Matulaitis viajou pela segunda vez até aos Estados Unidos, onde participou no Congresso Eucarístico. Jorge Matulaitis lutou vigorosa para defender os direitos da Igreja e a liberdade do povo. Renunciou à sua Sé em 14 de Julho de 1925. No dia 1º de Setembro do mesmo ano, o Papa Pio XI nomeou-o arcebispo e visitador Apostólico na Lituânia. Um pouco mais tarde o Vaticano enviou-o a Vilnius para completar a Concordata com o governo Lituaniano e restaurar assim relações diplomáticas, o que o Arcebispo conseguiu pouco tempo antes de falecer a 27 de Janeiro de 1927. No dia 28 de Junho, após um longo processo, Jorge Matulaitis foi beatificado pelo Papa João Paulo II, de santa memória. Afonso Rocha

EVANGELHO DO DIA 27 DE JANEIRO

Evangelho segundo S. Marcos 3,22-30.
Naquele tempo, os doutores da Lei, que tinham descido de Jerusalém, afirmavam: «Ele tem Belzebu!» E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.» Então, Jesus chamou-os e disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir. Se, portanto, Satanás se levanta contra si próprio, está dividido e não poderá subsistir; é o seu fim. Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa. Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado; mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno.» Disse-lhes isto porque eles afirmavam: «Tem um espírito maligno.» 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja 
Comentário sobre o Evangelho de Lucas, 7, 91-92; SC 52 
O seu reino é indivisível e eterno
«Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar.» Uma vez que diziam que Ele expulsava os demónios por Belzebu, príncipe dos demónios, Jesus quis mostrar, com esta palavra, que o seu reino é indivisível e eterno. Com razão respondeu a Pilatos: «O meu reino não é deste mundo» (Jo 18,36). Portanto, os que não põem a sua esperança em Cristo, mas pensam que os demónios são expulsos pelo príncipe dos demónios, esses, diz Jesus, não pertencem a um reino eterno. […] Quando a fé se rasga, o reino dividido não pode manter-se. [...] Se o reino da Igreja vai durar eternamente é porque a sua fé não está dividida e o seu corpo é um só: «há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4,5-6). 
Que loucura sacrílega! O Filho de Deus encarnou para esmagar os espíritos impuros, arrancar o espólio ao príncipe do mundo e dar aos homens o poder de destruir o espírito do mal (cf Lc 10,19), […] e eis que alguns pedem auxílio ao poder do demónio. No entanto, como diz Lucas, é pelo «dedo de Deus» (11,20) ou, como diz Mateus, pelo «Espírito de Deus» (12,28) que Jesus expulsa os demónios. Por aí entendemos que o Reino de Deus é indivisível, tal como um corpo é indivisível, uma vez que Cristo está à direita de Deus e o Espírito parece ser comparável ao seu dedo. […] «Porque é nele que habita realmente toda a plenitude da divindade» (Col 2,9).