Santa Faustina é venerada na igreja de São Miguel Arcanjo de Palma Campania desde 1839.
Foi complexa a transladação dos espólios da Santa de Roma a Palma. Francisco Dello Iacono, cônego de Palma, pediu ao Papa Gregório XVI os restos de uma mártir santa. Com um breve de 31 de julho de 1839, o pontífice permitiu que do relicário romano fosse levado, para ser transportada para Palma, a cabeça da virgem e mártir Faustina.
Os sagrados espólios já haviam sido exumados por ordem do Papa Leão XII; eles haviam sido descobertos em 1830 na catacumba de São Calixto em Roma. Deste relicário de culto e de martírio foi exumada a cabeça da mártir de 13 anos, cujo nome em vida fora Faustina, segundo o que havia escrito na pedra que ocultava o local: FANA, abreviação de Faustina. Na mesma pedra sepulcral estava esculpido o ano da sepultura CCCIII. No interior foi encontrada a ampola com sangue, indício do martírio que sofreu Santa Faustina.
Os restos da Santa, encerrados em uma caixa com os selos papais, chegaram a Nápoles em 1º de setembro de 1839. O relicário trazido pelo Cônego Dello Iacono foi levado para Nola, onde o Bispo, Mons. Gennaro Pasca, procedeu à remoção dos selos e deu sua aprovação aos sagrados espólios.
O esqueleto foi recomposto em uma urna de vidro em Nápoles, perto da Casa dos Doutrinários de São Nicolau de Caserti, e o corpo da jovem mártir foi transportado para Somma Vesuviana em 1º de outubro de 1839, para a igreja dos padres redentoristas. Acolhido com grande entusiasmo pelos fiéis, no dia seguinte foi transladado para a igreja dos padres reformados em São Gennaro de Palma.
Desta igreja, em 3 de outubro, em solene procissão com grande participação do povo, a urna foi transferida para a igreja paroquial de São Miguel Arcanjo. Com o breve de 31 de janeiro de 1841, o Papa Gregório XVI concedia indulgência plenária a todos que visitassem as relíquias da Santa no dia de Pascoa, no dia do nascimento de Maria Ssma. (8 de setembro) e no dia da festividade da Santa Sé.
O martírio de Faustina é ligado ao de Evilásio, ambos de Cizico, antiga cidade do Mar Negro. Evilásio, primeiro ministro, foi tocado pelos prodígios que se manifestaram durante o suplício de Faustina, e se converteu à fé cristã. O prefeito que por sua vez foi mandado a condenar o ministro Evilásio, mandou torturar ambos inutilmente, porque todos os suplícios aumentavam ainda mais o fervor de sua fé, até que uma voz vinda do céu os chamou e assim entregaram o espírito.
Em Palma, a festa litúrgica de Santa Faustina é celebrada em 10 de junho e 3 de outubro (para recordar o dia da chegada dos sagrados espólios).
Etimologia: Faustina, diminutivo de Faustus, Fausto = “feliz, venturoso, ditoso”
Fonte: www.santiebeati.it
“Em Cízico, na Propôntides (Ásia Menor), o natal dos santos mártires Fausta, virgem, e Evilásio, sob o imperador Maximiliano. Fausta foi suspensa e atormentada pelo próprio Evilásio, sacerdote dos ídolos, tendo sido despojada dos cabelos e raspada por humilhação. Em seguida, querendo serrá-la pelo meio e não conseguindo os algozes ofendê-la, Evilásio, surpreso com isso, converteu-se a Cristo; e enquanto ele, por ordem do imperador, era duramente atormentado, Fausta, ferida na cabeça, traspassada com pregos por todo o corpo e colocada num tacho ardente, finalmente, junto com Evilásio, chamada por uma voz celeste, passou ao Senhor”.
Assim o Martirológio Romano fixa a memória da santa de hoje. Como acontece frequentemente, estas informações foram tiradas exclusivamente das Atas, ou melhor de uma Paixão, à qual os historiadores atuais atribuem valor quase nulo, sobretudo por causa de algumas extravagâncias. Por outro lado a narração não ficou isenta de correções e variantes mais ou menos contemporâneas. O documento foi utilizado também pelo célebre historiador são Beda, o Venerável, no seu Martirológio, onde se leem mais ou menos as mesmas notícias já referidas. É interessante até como ele tenha acolhido juntamente duas variantes. O primeiro suplício de santa Fausta, “despojada dos cabelos e raspada por humilhação”, foi ampliado por ele, sintetizando dois documentos diferentes, um dos quais atestava somente que a mártir tinha sido “despojada dos cabelos”. Este suplício era evidentemente um dos números preferidos pelos verdugos, pois é recordado também no caso de outras santas virgens mártires, e o mesmo se diga da tentativa (fracassada no caso de Fausta) de serrá-la pelo meio, “como se fosse um pedaço de madeira”, acrescenta Beda.
As próprias Atas, lembrando o suplício dos pregos, dizem com certa gozação que o corpo de Fausta, todo pregado, ficou parecido com “a sola de uma bota”. A mártir de Cízico consumou o seu máximo sacrifício quando a chamou “uma voz celeste”. As relíquias de Fausta de Cízico foram objeto de dupla trasladação: na metade do século VI para Narni e depois no século IX para Luca. Em Narni, de fato, o bispo de 537 a 558, são Cássio, edificou para sua queridíssima esposa falecida também de nome Fausta, um sepulcro. Posteriormente quis enriquecê-lo com as relíquias da santa homônima de Cízico. Começou assim a veneração de uma santa Fausta de Narni.
Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

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