Evangelho segundo São João 6,51-58.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»
Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?».
Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1786-1859)
Presbítero,
Cura de Ars
Sermão para o 6.º domingo
depois do Pentecostes
A grande felicidade de receber Jesus!
Qual de nós, meus irmãos, poderia ter jamais concebido que Jesus levaria o seu amor pelas suas criaturas ao ponto de lhes dar o seu adorável Corpo e o seu precioso Sangue para alimento da alma, se não fosse Ele próprio a dizer-no-lo? Meus irmãos, uma alma alimentar-se do seu Salvador!... E quantas vezes quiser!... Ó abismo de bondade e de amor de Deus pelas suas criaturas!...
Diz-nos São Paulo, meus irmãos, que o Salvador, ao assumir a nossa carne, ocultou a sua divindade e levou a humilhação até à aniquilação. Mas, ao instituir o adorável sacramento da Eucaristia, velou a sua humanidade, revelando apenas as suas entranhas de misericórdia. Meus irmãos, vede aquilo de que é capaz o amor de Deus pelas suas criaturas!... Não, meus irmãos, de todos os sacramentos, nenhum pode ser comparado ao da Eucaristia.
Diz-nos São João que Jesus, tendo amado os seus até ao fim (cf Jo 13,1), descobriu maneira de subir aos céus sem deixar a Terra: tomou o pão nas suas santas e veneráveis mãos, abençoou-o e transformou-o no seu Corpo; tomou o vinho e transformou-o no seu precioso Sangue; e deu a todos os padres, na pessoa dos seus apóstolos, o poder de fazerem o mesmo milagre sempre que pronunciassem as mesmas palavras, para que, através deste milagre de amor, Ele pudesse permanecer connosco, alimentar-nos, consolar-nos e fazer-nos companhia.
Meus irmãos, que felicidade é para um cristão aspirar à sublime honra de ser alimentado pelo pão dos anjos!... Ah, meus irmãos, se compreendêssemos a grandeza da felicidade que temos em receber Jesus Cristo, não trabalharíamos continuamente para a merecer?

Nenhum comentário:
Postar um comentário