terça-feira, 2 de junho de 2026

Santos Marcelino e Pedro Mártires Dia de festa: 2 de junho † 304

Marcelino, um sacerdote, e Pedro, um exorcista, foram martirizados sob o reinado de Diocleciano (c. 303). O Papa Dâmaso, ainda criança, colheu do próprio carrasco o relato do martírio deles, ocorrido em Roma, na localidade de Torpignattara, às margens do rio Casilina. O sepultamento deles, em 2 de junho, é lembrado no martirológio de Jerônimo (século VI). 
Etimologia: Marcelino, diminutivo de Marco = nascido em março, sagrado para Marte, do latim Pi 
Emblema: Palmeira 
Martirológio Romano: Os santos mártires Marcelino, sacerdote, e Pedro, exorcista, que, como relata o Papa São Dâmaso, foram condenados à morte durante a perseguição do Imperador Diocleciano. Conduzidos através dos arbustos até o local de tortura, receberam a ordem de cavar suas próprias sepulturas para que seus corpos permanecessem ocultos de todos. Contudo, a piedosa mulher Lucila deu aos seus restos mortais um sepultamento digno em Roma, na Via Labicana, no cemitério ad Duas Lauros. Duas árvores de louro, uma floresta que muda de nome, um conjunto de catacumbas que hoje figuram entre as mais famosas do mundo. Vestígios de uma natureza agora extinta, que perduram na tradição escrita, e pedras que resistem aos séculos e conferem solidez a essa tradição. As raízes de dois mártires cristãos do século IV, o sacerdote Marcelino e o exorcista Pedro, emergem aqui, de antigos martirológios e redes subterrâneas escavadas no tufo vulcânico. 
O Grande Massacre. 
É o ano de 304, e Roma vivencia a grande perseguição anticristã ordenada por Diocleciano. É o último grande massacre ordenado pelas autoridades romanas antes da clemência de Constantino. O segundo dos quatro éditos com os quais Diocleciano planejou o extermínio dos cristãos ordenava especificamente a prisão de bispos, sacerdotes e diáconos. Muitos são executados, pois os tribunais têm o poder de proferir sentenças capitais. É durante esse período que o sacerdote Marcelino acaba na prisão. Como muitos outros, o sacerdote se recusa a renunciar à sua fé, e muitas prisões se transformam em pequenas comunidades de fiéis. 
O martírio oculto. 
Na prisão, Marcelino conhece Pedro, um exorcista. Juntos, eles proclamam Cristo, e muitos se convertem, buscando o batismo. Relatos hagiográficos, com detalhes mais ou menos lendários, narram milagres, como a cura da filha do carcereiro. Para o juiz, isso é evidentemente demais; os dois devem ser eliminados. Aqui, a história se torna mais precisa graças ao Papa Dâmaso I, que a reconta algumas décadas depois. Marcelino e Pedro são torturados, levados para uma floresta conhecida como Floresta Negra, forçados à humilhação suprema e cruel — cavar suas próprias sepulturas — e finalmente decapitados. Pela lei, a justiça é feita, e a escolha da floresta é uma artimanha adicional: ocultar para sempre o local da execução. Um erro de cálculo. A "pietas" de uma matrona. Porque uma matrona romana, Lucila, chega a conhecer o local do martírio algum tempo depois. A mulher localizou e transferiu os restos mortais de Marcelino e Pedro da Selva Nera — que mais tarde seria renomeada como a atual Selva Candida — para o cemitério conhecido como "ad duas lauros", hoje na Via Casilina, talvez por ser marcado pela presença de dois louros. O Papa Dâmaso compôs um poema que colocou no novo túmulo, e quando os godos o destruíram, o Papa Vigílio ordenou sua transferência e também inseriu os nomes dos dois mártires no Cânon da Missa. Transferências de relíquias mais ou menos legítimas ocorreriam posteriormente, mas as igrejas e catacumbas romanas, ainda abertas e em funcionamento hoje, perpetuam a memória de dois homens grandiosos demais para serem apagados por dois túmulos anônimos escondidos na mata fechada. 
(Vatican News) 
O relato mais antigo do martírio deles vem de Dâmaso (falecido em 384), que afirma tê-lo aprendido em sua juventude com o próprio carrasco. Segundo o testemunho do papa, o juiz ordenou que os dois mártires fossem decapitados no meio de uma floresta para que seus túmulos permanecessem desconhecidos. Uma vez levados ao local da execução, eles prepararam seus próprios túmulos, onde seus corpos permaneceram desconhecidos até que a piedosa matrona Lucila, ao saber do ocorrido, tomou providências para que fossem transferidos e sepultados em outro lugar. Seu local de sepultamento é, de fato, indicado no Martirológio de São Jerônimo, que atesta que Marcelino era sacerdote e Pedro exorcista, e os comemora em 2 de junho no cemitério ad duas lauros, no terceiro quilômetro da Via Labicana. Eles foram venerados ali por peregrinos no século XIII. VII, enquanto o dies natalis é unanimemente atestado por todos os livros litúrgicos (Sacramentários) e livros hagiográficos (martirológios históricos). Segundo o autor do Liber Pontificalis, Constantino construiu uma basílica em sua homenagem; O hino que o Papa Dâmaso havia colocado sobre o túmulo deles foi destruído pelos godos, mas o Papa Vigílio o reescreveu, inserindo também os nomes dos dois mártires no Cânon da Missa. Sua memória na liturgia ambrosiana e a dedicação de outra igreja em sua homenagem na atual Via Labicana (esquina com a Via Merulana) devem ser atribuídas ao mesmo período, assim como a dedicação de outra igreja com o mesmo nome na atual Via Labicana (esquina com a Via Merulana), já atestada no Sínodo Romano de 595. Por volta da mesma época, também foi composta uma Paixão segundo a qual (BHL, II, o. 776, n. 5230), que, em sua melhor parte, nada mais faz do que parafrasear o poema de Dâmaso, mas acrescenta informações fantásticas, segundo as quais nossos santos teriam tido relações com os mártires Artemio, Secunda e Paulina (ver BSS. II, col. 490). Eles foram mortos na altura do quilômetro 12 da Via Aurélia, em um lugar que, em sua memória, era chamado de Silva Candida (antiga Lorium), e o executor se chamava Doroteu, tendo se convertido ao cristianismo na velhice e recebido o batismo das mãos do Papa Júlio I. As relíquias dos dois mártires teriam sido transferidas para Seligenstadt, na Alemanha, no século IX, mas a história de Einhard levanta a suspeita, bem fundamentada, de que o infame diácono Deusdona, figura central e participante dessa transladação, teria, segundo seu costume, enganado os mensageiros do piedoso escritor e abade. 
Autor: Agostino Amore. 
ICONOGRAFIA. 
Esses dois mártires são geralmente representados como homens de meia-idade, com tonsura e um pergaminho ou coroa nas mãos. Nas catacumbas que levam seus nomes em Roma (séculos IV e V), um afresco os mostra identificados por seus nomes, sem auréola, com barbas curtas, ao lado do Cordeiro. Outro afresco do século V ou VI nas catacumbas de Pontiano, por sua vez, os retrata imberbes, ao lado de São Polião, sempre, porém, distinguidos por seu nome. 
Autor: Claudio Mocchegiani Carpano 
Fonte: Biblioteca Sanctorum

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