Evangelho segundo São Marcos 12,18-27.
Naquele tempo, foram ter com Jesus alguns saduceus – que afirmam não haver ressurreição – e perguntaram-lhe:
«Mestre, Moisés deixou-nos escrito: "Se morrer a alguém um irmão, que deixe esposa sem filhos, esse homem deve casar-se com a viúva, para dar descendência a seu irmão".
Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem deixar descendência.
O segundo casou-se com a viúva e também morreu sem deixar descendência. O mesmo sucedeu ao terceiro.
E nenhum dos sete deixou descendência. Por fim morreu também a mulher.
Na ressurreição, quando voltarem à vida, de qual deles será ela esposa? Porque todos os sete se casaram com ela».
Disse-lhes Jesus: «Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?
Na verdade, quando ressuscitarem dos mortos, nem eles se casam, nem elas são dadas em casamento; mas serão como os anjos no Céu.
Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no Livro de Moisés, no episódio da sarça ardente, como Deus disse: "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob"?
Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vós andais muito enganados».
Tradução litúrgica da Bíblia
(295-373)
Bispo de Alexandria,
doutor da Igreja
Tratado sobre a encarnação do Verbo
10,14 ; PG 25,111-114, 119
A esperança da ressurreição
é-nos dada em Cristo
Porque foi o Verbo de Deus que teve de encarnar, e não outra Pessoa? As Escrituras dão-nos a razão nestas palavras: «Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação» (Heb 2,10). Isto significa que competia ao Verbo, que os tinha criado no princípio, e só a Ele, libertar os homens da ruína em que tinham caído.
Através do sacrifício do seu corpo, Ele pôs fim à lei que pesava sobre nós e renovou para nós o princípio da vida, dando-nos a esperança da ressurreição. Pois, se a morte triunfou sobre os homens por causa dos homens, foi pela encarnação do Verbo de Deus que a morte foi destruída e que a vida ressuscitou, como diz o Apóstolo, cheio de Cristo: «Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida» (1Cor 15,21-22).
Já não morremos como condenados; mas, na esperança de ressuscitar dos mortos, aguardamos a ressurreição universal que Deus, que é o seu autor e quem no-la concede, nos mostrará no tempo próprio.

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