Evangelho segundo São Marcos 10,46-52.
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim».
Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.
Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.
Tradução litúrgica da Bíblia
(1300-1361)
Dominicano de Estrasburgo
Sermão 10
«Logo ele recuperou a vista e
seguiu Jesus pelo caminho»
«Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12).
Ele é a luz que dá brilho a todas as luzes da Terra: às luzes materiais, como o Sol, a Lua, as estrelas e os sentidos físicos do homem; e à luz espiritual, à inteligência do homem, graças à qual todas as criaturas devem refluir para a sua origem. Sem este refluxo, estas luzes criadas são, em si mesmas, verdadeiras trevas, comparadas com a luz autêntica por essência, que é luz para todo o mundo.
O Senhor recomenda-nos: «Renuncia à tua luz, que é trevas em comparação com a minha luz, e que Me é contrária, porque Eu sou a verdadeira luz e quero dar-te, em troca das tuas trevas, a minha luz eterna, a fim de que ela te pertença como Me pertence a Mim mesmo, e de que tu tenhas o meu ser, a minha vida, a minha felicidade e a minha alegria».
Qual é, então, o caminho mais curto que conduz a verdadeira luz? Tal caminho consiste em renunciar verdadeiramente a si mesmo, em amar só a Deus e só a Ele ter em vista, em não querer em coisa alguma o próprio interesse, mas desejar e procurar somente a honra e a glória de Deus, em esperar tudo imediatamente de Deus e, sem desvio nem intermediário, a Ele remeter todas as coisas, venham de onde vierem, a fim de que haja entre Deus e nós um fluxo e um refluxo imediatos: eis o verdadeiro caminho, o caminho reto.

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