terça-feira, 26 de maio de 2026

EVANGELHO DO DIA 26 DE MAIO

Evangelho segundo São Marcos 10,28-31. 
Naquele tempo, Pedro começou a dizer a Jesus: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras por minha causa e por causa do evangelho receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman 
(1801-1890) 
Teólogo, 
fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «Os apelos divinos», PPS, vol 8, n.º 2 
«Nós deixámos tudo para Te seguir» 
Não somos chamados uma só vez, mas muitas vezes; Cristo chama-nos ao longo de toda a nossa vida. Chamou-nos primeiro pelo batismo e continua a chamar-nos; quer Lhe obedeçamos, quer não, Ele chama-nos na sua misericórdia. Se faltarmos às promessas batismais, Ele chama-nos ao arrependimento. Se nos esforçarmos por responder à nossa vocação, Ele chama-nos para irmos sempre mais além, de graça em graça, de santidade em santidade, enquanto nos for sendo concedida vida para tal. Abraão foi chamado a deixar a sua casa e o seu país (cf Gn 12,1), Pedro as suas redes (cf Mt 4,18), Mateus o seu emprego (cf Mt 9,9), Eliseu a sua propriedade (cf 1R 19,19), Natanael o seu recolhimento (cf Jo 1,47). Todos somos chamados sem cessar de uma coisa a outra, para ir sempre mais longe, sem lugar de repouso, mas subindo para o nosso repouso eterno e obedecendo a um apelo interior que nos prepara para ouvir o seguinte. Cristo chama-nos sem cessar, para nos justificar sem cessar; sem cessar, cada vez mais, Ele quer santificar-nos e glorificar-nos. Devíamos compreendê-lo, mas somos lentos a dar-nos conta dessa grande verdade – que Cristo caminha de alguma forma no meio de nós e que, com a sua mão, os seus olhos, a sua voz, nos faz sinal para que O sigamos. Não percebemos que o seu apelo tem lugar neste preciso momento; pensamos que teve lugar no tempo dos apóstolos, mas não acreditamos nele, não o ouvimos verdadeiramente para nós próprios.

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