sábado, 23 de maio de 2026

EVANGELHO DO DIA 23 DE MAIO

Evangelho segundo São João 21,20-25. 
Naquele tempo, Pedro, ao voltar-se, viu que o seguia o discípulo predileto de Jesus, aquele que, na Ceia, se tinha reclinado sobre o seu peito e Lhe tinha perguntado: «Senhor, quem é que Te vai entregar?». Ao vê-lo, Pedro disse a Jesus: «Senhor, que será deste?». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu quiser que ele fique até que Eu venha, que te importa? Tu, segue-Me». Divulgou-se então entre os irmãos o boato de que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro que ele não morreria, mas sim: «Se Eu quiser que ele fique até que Eu venha, que te importa?». É este o discípulo que dá testemunho destes factos e foi quem os escreveu; e nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Jesus realizou muitas outras coisas. Se elas fossem escritas uma a uma, penso que nem caberiam no mundo inteiro os livros que era preciso escrever. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Bento XVI 
Papa de 2005 a 2013 
Audiência geral de 09/08/2006 
O ensinamento do apóstolo São João 
Se existe um assunto característico que sobressai nos escritos de João, é o amor. João não é, evidentemente, o único autor das origens cristãs que fala do amor; sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo que com acentuações diferentes. Se nos detemos a refletir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras. Uma coisa é certa: ele não reflete de modo abstrato, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico. De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência direta, concreta e verificável, a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus, mostra-nos quais são as componentes, ou melhor, as fases do amor cristão, um movimento que é caracterizado por três momentos. O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando a afirmar que «Deus é amor» (1Jo 4,8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definições de Deus, dizendo, por exemplo, que «Deus é Espírito» (Jo 4,24) ou que «Deus é luz» (1Jo 1,5); aqui, proclama com intuição resplandecente que «Deus é amor». Observe-se que não é simplesmente afirmado que «Deus ama», ou sequer que «o amor é Deus»! Por outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas vai até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor até Deus, mas dirige-se diretamente a Deus, para definir a sua natureza com a dimensão infinita do amor. Com isto, João deseja dizer que a componente essencial de Deus é o amor e, portanto, que toda a atividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor: tudo o que Deus faz é por amor, mesmo que nem sempre possamos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.

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