terça-feira, 19 de maio de 2026

EVANGELHO DO DIA 19 DE MAIO

Evangelho segundo São João 17,1-11a. 

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a Terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com a glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu Mos deste, e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti». 
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman 
(1801-1890) 
Teólogo, 
fundador do Oratório em Inglaterra 
PPS, vol.6, n.º 10 
Eu estou sempre convosco até 
ao fim dos tempos» (Mt 28,20) 
O regresso de Cristo a seu Pai é simultaneamente uma fonte de pesar, por ser sinónimo da sua ausência, e uma fonte de alegria, por significar a sua presença. Estes paradoxos cristãos, que brotam da doutrina da ressurreição e da ascensão, são mencionados com frequência nas Escrituras: afligimo-nos, mas sem deixarmos de rejubilar, «como não tendo nada, mas possuindo tudo» (2Cor 6,10). Na verdade, é esta a nossa condição presente: perdemos a Cristo, e encontramo-lo; não O vemos e, apesar disso, podemos discerni-lo; estreitamos-Lhe os pés (cf Mt 28,9) e Ele diz-nos «Não Me detenhas» (Jo 20,17). Mas como? Tendo perdido a perceção sensível e consciente da sua pessoa, já não nos é possível vê-lo, ouvi-lo, falar-Lhe, segui-lo de terra em terra; no entanto, usufruímos espiritual, imaterial, interior, mental e realmente da sua visão e da sua posse, uma posse que tem maior realidade e maior presença do que os apóstolos jamais tiveram, precisamente por ser espiritual e invisível. Todos nós sabemos que, neste mundo, quanto mais perto de nós está um objeto, menos conseguimos aperceber-nos dele e compreendê-lo. Na Igreja, Cristo está tão perto de nós que não somos capazes sequer de O fixar com o olhar, ou de O distinguir. Apesar disso, Ele instala-Se em nós e, desse modo, toma posse da herança por Ele adquirida; não Se nos apresenta, e todavia atrai-nos a Si e faz de nós seus correligionários. Não O vemos; no entanto, pela fé, sentimos a sua presença, porque Ele está ao mesmo tempo acima de nós e em nós. Por conseguinte, sentimos pesar, porque não temos consciência dessa presença, e ao mesmo tempo alegria, porque sabemos quem possuímos: «Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais nele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1Pe 1,8-9).

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