Evangelho segundo São João 16,23b-28.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará.
Até agora não pedistes nada em meu nome: pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
Tenho-vos dito tudo isto em parábolas mas vai chegar a hora em que não vos falarei mais em parábolas: falar-vos-ei claramente do Pai.
Nesse dia, pedireis em meu nome; e não vos digo que rogarei por vós ao Pai,
pois o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que Eu saí de Deus.
Saí de Deus e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e vou para o Pai».
Tradução litúrgica da Bíblia
(354-430)
Bispo de Hipona (norte de África),
doutor da Igreja
Carta 130 a Proba, 27-28: PL 33, 505-506
Orar no Espírito com gemidos inefáveis
Aquele que pede a Deus a única coisa que realmente importa e a procura (cf Sl 26,4) pode fazê-lo com certeza e confiança. Este bem único, a paz que excede todo o entendimento, não sabemos pedi-lo adequadamente na nossa oração. Pois aquilo que podemos imaginar da sua realidade não o conhecemos verdadeiramente; por outro lado, sabemos que tudo o que nos vem à mente e que rejeitamos, recusamos e condenamos não é o objeto da nossa busca, mesmo que ainda não tenhamos consciência do que esse objeto realmente representa.
Portanto, existe em nós aquilo a que eu chamaria uma douta ignorância, instruída pelo Espírito de Deus, que sustenta a nossa fraqueza. Porque, depois de dizer: «Esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança», o Apóstolo acrescenta: «É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, pois é em conformidade com Deus que o Espírito intercede pelos cristãos» (Rm 8,25-27).
Isto não deve ser entendido como se o Espírito Santo de Deus, que é o Deus imutável na Trindade e um só Deus com o Pai e o Filho, intercedesse pelos santos como alguém que não é Deus. Dizemos que Ele ora pelos santos porque os leva a orar: leva-os a orar com gemidos inefáveis, inspirando-lhes o desejo daquele grande bem, ainda desconhecido, que aguardamos com paciência.

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