Evangelho segundo São Lucas 16,1-8.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens.
Mandou chamá-lo e disse-lhe: "Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar".
O administrador disse consigo: "Que hei de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho forças, de mendigar tenho vergonha.
Já sei o que hei de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa".
Mandou chamar, um por um, os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: "Quanto deves ao meu senhor?".
Ele respondeu: "Cem talhas de azeite". O administrador disse-lhe: "Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta".
A seguir disse a outro: "E tu, quanto deves?". Ele respondeu: "Cem medidas de trigo". Disse-lhe o administrador: "Toma a tua conta e escreve oitenta".
E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz no trato com os seus semelhantes».
Tradução litúrgica da Bíblia
(1873-1897)
Carmelita, doutora da Igreja
Carta 142, 6/7/1893, a sua irmã Celina
(trad. ed. Carmelo, 1996)
A banca do amor
«Os meus pensamentos não são os vossos
pensamentos», diz o Senhor (Is 55,8).
O mérito não consiste em fazer e em dar muito, mas em receber e amar muito. Está dito que há mais alegria em dar do que em receber (cf At 20,35), e é verdade, mas se Jesus quer reservar para Si a doçura de dar, não seria delicado recusar. Deixemo-lo receber e dar tudo o que quiser. A perfeição consiste em fazer a vontade dele, e a alma que se Lhe entrega por inteiro é chamada pelo próprio Jesus sua mãe, sua irmã e toda a sua família (cf Mt 12,50); e noutro lugar: «Se alguém Me ama, guardará a minha palavra [isto é, fará a minha vontade], meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (Jo 14,23). Ó Celina!… Como é fácil agradar a Jesus, encantar o seu coração: basta amá-lo sem olhar para nós mesmas, sem examinar demasiadamente os nossos defeitos.
Neste momento, a tua Teresa não se encontra nas alturas, mas Jesus ensina-a a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si. Ensina-a a jogar à banca do amor, ou antes, joga por ela sem lhe dizer como se faz, porque isso é assunto dele e não de Teresa; o que ela tem de fazer é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar para si, nem sequer a alegria de saber quanto lhe rende a banca.
Com efeito, os diretores [espirituais] fazem avançar na perfeição mandando praticar um grande número de atos de virtude, e têm razão; mas o meu diretor, que é Jesus, não me ensina a contar os meus atos, ensina-me a fazer tudo por amor, a não Lhe recusar nada, a ficar contente quando Ele me dá uma ocasião de Lhe provar que O amo, e isto na paz e no abandono: é Jesus que faz tudo e eu não faço nada.

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