terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - COMPORTAMENTO -07- PADRE LIBÁRDI

PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI(+)
REDENTORISTA
Construir ou destruir... o que é melhor? 
Parece que há um instinto inato em cada pessoa que a leva a destruir. Há alguns prazeres que nos lembram os tempos de criança: atear fogo, destruir casa de abelhas, matar passarinhos, atirar pedras nos telhados. Hoje mais modernos: destruir telefones públicos, quebrar coisas em festas, danificar árvores em passeios públicos etc. Esse instinto sem dúvida cresce dentro de nós na proporção em que nos desenvolvemos e com manifestações funestas, como as brigas em estádios de futebol, as arruaças em festas, os quebra-quebras nas greves. Se procurarmos mais, vamos encontrar ramificações desse instinto no gosto de falar mal dos outros, difamações, o descuido com o bem comum. Não podemos pensar que isso seja normal em quem tem a mente equilibrada. Por outro lado jogar pesado em cima de nossos instintos também não é o caminho; eles não podem ser responsáveis por tudo o que acontece de ruim. Duas explicações cabem aqui: A falta de educação talvez seja o fator mais forte na produção desses fenômenos animalescos. Outro seria a falta de percepção da alteridade. Não perceber que os outros existem e têm direitos produz comportamento indesejável. Educação é toda a formação que o indivíduo recebe e faz agir pensada e responsavelmente. Além de mostrar o que é bom, a educação também desperta no indivíduo a sensibilidade. Quando nos deparamos com pessoa educada, fazemos nossos comentários bons. No caso contrário também os fazemos e nem sempre piedosos.A percepção da alteridade faz-nos perceber que não estamos sozinho no mundo e que o mundo é de todos, por isso o nosso direito termina onde começa o direito do outro. Isso faz com que a pessoa reflita e veja como ela é passageira e o mundo não existe só para ela. Então se completa o ciclo da educação; a partir disso, a pessoa tem de elaborar seus pensamentos, sentimentos e controlar seus instintos. Em qualquer situação, embora seja mais fácil destruir, temos de colocar em nossa cabeça que é melhor construir no respeito; é melhor dar o direito à vida para todos; é melhor limpar nossa mente e procurar no Evangelho o caminho certo do amor. Construir é realizar a vocação de responsável pelo mundo e pelas pessoas; é sentir-se útil; é fazer o bem. Construir vai desde o recolher um papel no chão, até trabalhar nos mais arrojados projetos. Mas o mais desafiante projeto é construir-se como pessoa humana, digna e imagem de Deus. Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. EDITORA SANTUÁRIO

REFLETINDO A PALAVRA - Viver à altura do Evangelho de Cristo

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
54 ANOS CONSAGRADO
46 ANOS SACERDOTE
Para mim, viver é Cristo
Paulo, nesta carta aos Filipenses, dá-nos o belo testemunho de uma vida completamente cristã, isto é, totalmente unida a Cristo. O quê ele não sofreu por Cristo?! Mas nada fez com que se separasse dEle. Ele é assim, porque foi conquistado por Cristo (Fl 3,12). Sua correspondência foi total, a ponto de dizer: “Para mim, viver é Cristo” (Fl 1,23). O apóstolo tem de onde tirar esta “loucura” por Cristo” (1Cor 2,14). É a sabedoria do Espírito: viver à altura de seu evangelho. Vivendo o Evangelho, vive a vida do Espírito e vive Cristo. Para Paulo, sua vida ele a expressa nesta frase: “Meu viver é Cristo”. Para ele, era a mesma coisa viver ou morrer, pois de qualquer modo estava unido a Cristo. A vida em Cristo é sempre muito rica pois Deus é abundante. Em Cristo Ele nos dá tudo. Sacia de tal modo a vida que não temos necessidade de nos desesperar porque nos falte alguma coisa. O que o mundo oferece é bom, mas não é necessário nem urgente. Passamos bem, unidos a Cristo, mesmo nas privações, como também nos diz Paulo. Viver em Cristo é a maior contribuição que podemos dar às pessoas, às instituições e à sabedoria do mundo. Em Cristo, Deus nos deu todas as coisas; oferecendo-O às pessoas através de nossa vida, estamos dando mais do que poderiam pedir. Nem sempre nosso modo de entender é como Deus pensa, pois pensamos no que é passageiro (Is 55,8-9). O testemunho que o cristão dá não está nas palavras ou mesmo em gestos magníficos, mas na densidade de vida de união que temos com Cristo. Dar a vida significa oferecê-la a partir de nossa vida de união a Ele.
O Senhor é amor, paciência e compaixão 
Nossa união a Cristo funda-se em um grande dom: “O Pai nos deu o Filho quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). Esse dom de Deus que é o Cristo vem a nós, carregado dos atributos de Deus: “Deus é misericórdia e piedade, amor, paciência e compaixão. Muito bom para com todos, a ternura de Deus abraça toda a criatura” (Sl 144). Cristo é a encarnação desta bondade de Deus. Paulo diz, referindo-se a sua entrada no mundo: “Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e seu amor para com os homens” (Tt 3,4). Estar à altura do evangelho de Cristo é refletir essa bondade. A pastoral que não se impregna desse modo de ser de Deus em Cristo, é programa falido. Isso podemos ver claramente nas pessoas que se bandeiam para outras religiões ou mesmo se afastam da Igreja. Na maioria das vezes isso aconteceu por nossa falta de acolhimento ou até por um mau trato. Faltou ir em busca dos abandonados. Uma igreja cheia de fiéis é uma ilusão. Se há mil dentro, há milhares distantes, necessitados da bondade de Deus. 
Deus é generoso demais 
Na parábola dos operários da última hora entendemos que Deus nos faz justiça e ainda mais, é maior do que nossas exigências. Tudo o que pensamos receber de Deus por termos feito o bem, por termos cumprido nosso dever, Deus nos faz justiça; e essa justiça é misericórdia e generosidade. Sobretudo, nos diz o sentido da parábola, que não devemos ficar enciumados pelos dons que Deus oferece a cada um, mesmo aos que pensamos que não merecem. Basta contemplar o que temos e vem de Deus e veremos que ultrapassou todas as nossas expectativas e vai mais longe do que merecemos. 
Leituras:Isaias55,6-9;Salmo144; 
Filipenses1,20c-24.27a;Mateus20,1-16a. 
Ficha: 1. Para Paulo, seu viver era Cristo. Para ele, viver nesse mundo ou viver com Cristo no Céu era a mesma coisa. Nas duas condições vivia em Cristo. É o fundamental de nossa vida. Viver em Cristo é a maior contribuição que podemos dar às pessoas, às instituições e à sabedoria do mundo. 
2. Nossa união a Cristo funda-se no dom que o Pai nos fez de Seu Filho, quando ainda éramos pecadores. Deus sempre se adianta. Deus é misericórdia, piedade, amor, paciência e compaixão. Cristo é a encarnação dessa bondade de Deus. Estar à altura do Evangelho é refletir essa bondade em nossa vida. 
3. Deus é generoso! A parábola dos trabalhadores da última hora faz perceber que Deus é abundante. Sua justiça é misericórdia e generosidade. O que temos vem de Deus e ultrapassa nossas expectativas. 
Homilia do 25º Domingo Comum
EM SETEMBRO DE 2005

EVANGELHO DO DIA 1 DE FEVEREIRO

Evangelho segundo São Marcos 5,21-43. 
Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-Se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: "Quem Me tocou?"». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se dele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talitha Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.
Tradução litúrgica da Bíblia 
São João Paulo II
(1920-2005)papa 
Discurso de 2/4/1987 
aos jovens do Chile,4.6 
«Levanta-te!» 
Amados jovens, só Cristo pode dar a verdadeira resposta a todas as vossas dificuldades! O mundo precisa da vossa resposta, uma resposta pessoal às palavras cheias de vida do Senhor: «Eu te ordeno: levanta-te». Nas situações mais penosas e difíceis, Jesus vem ao encontro da humanidade. O milagre realizado na casa de Jairo mostra-nos o seu poder sobre o mal. Ele é o Senhor da vida, o vencedor da morte. Buscai a Cristo! Contemplai a Cristo! Vivei em Cristo! É esta a minha mensagem: «Que Jesus seja a pedra angular (cf Ef 2,20) da vossa vida e da civilização nova que, em generosa e compartilhada solidariedade, haveis de construir. Não pode haver autêntico crescimento humano na paz e na justiça, na verdade e na liberdade, se Cristo não estiver presente com a sua força salvadora» [Mensagem para as II Jornadas Mundiais da Juventude, 30/11/1986, 3]. O que quer dizer construir a vida em Cristo? Quer dizer deixar-se comprometer pelo seu amor, um amor que exige coerência de comportamento e que a conduta de cada um se adapte à doutrina e aos mandamentos de Jesus Cristo e da sua Igreja; um amor que enche a nossa vida duma felicidade e duma paz que o mundo não consegue dar (cf Jo 14,27), apesar de tanto precisar dela. Não tenhais medo das exigências do amor de Cristo. Temei antes a pusilanimidade, a ligeireza, o comodismo, a procura do próprio interesse, o egoísmo, tudo aquilo que quer calar a voz de Cristo, que, dirigindo-Se a cada um e a cada uma de vós, insiste: «Eu te ordeno: levanta-te» (Mc 5,41). Contemplai a Cristo com valentia, meditando na sua vida através da leitura sossegada do Evangelho, dirigindo-vos a Ele com confiança na intimidade da vossa oração e nos sacramentos, em especial na Sagrada Eucaristia. Se vos dirigirdes a Cristo, ouvireis igualmente, no mais íntimo da vossa alma, os rogos e as solicitações do Senhor, que continua a dirigir-Se a vós, repetindo-vos sem cessar: «Eu te ordeno: levanta-te».

01 de fevereiro - Beato André Conti

André pertencia à nobre linhagem Conti de Segni, mas nasceu em Anagni em 1240. Essa família já tinha dado à Igreja vários papas, bispos e sacerdotes. Ele era parente próximo dos papas Inocêncio III, Gregório IX, Alexandre IV e Bonifácio VIII, dos dois últimos ele foi respectivamente tio e sobrinho. Sentindo-se desde a juventude atraído pelo espírito franciscano, renunciou a todos os bens e ingressou no convento de São Lourenço de Anagni, fundado pelo próprio São Francisco. Não lhe pareceu suficiente a austeridade de vida que ali reinava, e por isso pediu e obteve permissão para se retirar a uma gruta nas rochas dos Apeninos – uma gruta estreita e tão baixa, que lá dentro só podia estar inclinado e de joelhos. A sua vida girava entre a contemplação e a austeridade. Quando era assaltado pelo demônio com tentações, afugentava-o com o sinal da cruz e também libertava do tentador outras pessoas que vinham ter com ele em busca de libertação do inimigo.

01 de fevereiro - Beatos 109 Mártires Claretianos Espanhóis

A perseguição religiosa na Espanha no século passado deixou atrás de si um rastro de milhares de vítimas indefesas e inocentes. Ao mesmo tempo, fez emergir a coragem de milhares de mártires, homens e mulheres, cujo sangue tornou-se seiva vital para o dinamismo da Igreja espanhola hoje. Entre estes mártires, os 109 claretianos que reagiram às perseguições com a eficaz arma da caridade e do perdão. Àqueles que queriam aniquilar a presença cristã na Espanha, os mártires responderam perdoando, rezando e dizendo a alta voz: “Não temos medo!”. Eles foram beatificados em 21 de outubro de 2017, na Igreja da Sagrada Família em Barcelona. Os 109 Mártires Claretianos provinham das comunidades claretianas de Barcelona (8), Castro Urdiales (3), Cervera-Mas Claret (60), Sabadell (8), Vic-Sallent (15) e Valencia (4). À frente do grupo de mártires figuravam três nomes: Mateu Casals (sacerdote), Teófilo Casajús (estudante) e Ferran Saperas (irmão). Eles representam os 49 sacerdotes, 31 irmãos e 29 estudantes que foram beatificados. Catalães – em sua maioria –, navarros, aragoneses, castelhanos… todos compartilham a comum profissão religiosa e um grande amor por Jesus Cristo e pela Igreja.

01 de fevereiro - Beatos Mártires de Angers

Os numerosíssimos mártires que, na diocese de Angers, durante a Revolução francesa, aceitaram a morte porque queriam, "conservar a sua fé e a sua religião", firmemente apegados à Igreja católica e romana: sacerdotes, eles recusavam prestar um juramento considerado cismático, não queriam abandonar o seu encargo pastoral; leigos, eles permaneciam fiéis a estes sacerdotes, a missa celebrada por eles, aos sinais do seu culto a Maria e aos santos. Sem dúvida, num contexto de grandes tensões ideológicas, políticas e militares, pôde-se fazer pesar sobre eles suspeitas de infidelidade à pátria, tento sido, à espera das sentenças, acusados de compromissos com "as forças contrarrevolucionárias"; é, aliás, o que ocorre em quase todas as perseguições, de ontem e de hoje. Mas para os homens e as mulheres cujos nomes foram marcados — entre muitos outros sem dúvida de igual modo merecedores —, o que eles verdadeiramente viveram, o que responderam aos interrogatórios dos tribunais, não deixa dúvida alguma sobre a determinação de permanecerem fiéis — com o perigo da própria vida — ao que a fé exigia deles, nem sobre o motivo profundo da sua condenação, o ódio a esta fé que os seus juízes desprezavam como "devoção insustentável" e "fanatismo".

BEATA LUDOVICA ALBERTONI, VIÚVA ROMANA

"No passado, fui mais do meu marido do que de mim mesma, sem poder me dedicar a vós, Jesus. Agora, vivendo apenas por mim, deixo ser minha para ser totalmente vossa". Nem sempre é fácil pertencer a uma família nobre: é claro que a sobrevivência é garantida, mas há obrigações, às vezes muito onerosas, às quais é preciso se submeter. Isso Ludovica sabia muito bem. Nascida em 1474, era filha do patrício romano, Estêvão Albertoni, e de Lucrécia Tebaldi. Ao chegar à idade adulta, teve que renunciar à sua vocação para se casar, conforme o desejo da sua família.
Oração como escola da vida 
Mas vamos por ordem. Ludovica ficou órfã de pai com apenas dois anos de idade. Sua mãe casou-se novamente, mas ela foi criada pela avó e algumas tias, que lhe deram uma educação cultural e católica. Aos 20 anos, Ludovica teve que se casar, contra a sua vontade, com o nobre do bairro romano de Trastevere, Tiago de Cetera, de caráter rude e instável. Não obstante, a jovem foi uma esposa fiel e lhe deu três filhas.

São Tryfon de Nicéia, Mártir (†251), 1° de Fevereiro

São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes» (Prov. 3, 33b.-34). Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei.

SEVERO DE RAVENA Bispo, Santo data incerta

São Severo foi o 12º bispo de Ravena – cidade do norte da Itália, famosa por suas igrejas antigas repletas de belíssimos mosaicos. Sabe-se muito pouco de sua vida: sabemos que participou de um concílio em Sárdica (na actual Bulgária) entre os anos 342-343. Os escritores medievais dizem que são Severo morreu no dia 1º de Fevereiro, por volta do ano 343-344; segundo essa fonte, ele teria sido sepultado numa pequena capela na própria cidade de Ravena. As notícias relativas à veneração de sua pessoa são muito antigas. Fala-se de duas transladações de suas relíquias ainda no século IV. Também no século VI, os mosaicos da igreja de Santo Apolinário in Classe testemunham a grande estima que o povo tinha por seus bispos, particularmente são Severo; de facto, estão representados os bispos São Severo, Santo Urso, Eclésio e Ursicino, sendo que o adjectivo “santo” foi empregado nos mosaicos para designar os dois primeiros: sinal claro da grande devoção popular. As histórias desse santo que chegaram até nós, são do período medieval; elas traduzem certas tradições orais que dificilmente poderão ser comprovadas pela história. Em todo caso, se diz que Severo era um pobre trabalhador de lã na cidade de Ravena.

BRÍGIDA DE KILDARE Freira, Abadessa, Fundadora, Santa 453-524

Santa Brígida de Kildare ou Brígida da Irlanda era uma cristã irlandesa, freira, abadessa, e fundadora de diversos conventos, que é venerada como santa. Ela é considerada uma das santas padroeiras da Irlanda, juntamente com São Patrício e São Columba. O dia da sua festa é o 1º de fevereiro, o primeiro dia da Primavera, que é tradicional na Irlanda. 
Entre lenda e realidade... 
Tal como acontece com muitos santos antigos a biografia de Brígida tem sido dificultada pela passagem do tempo. Muita mudança ocorreu dentro do corpo de informação que agora existe. Muitas vezes os limites entre a tradição oral e escrita tornaram-se difíceis de distinguir. Segundo a tradição, ela nasceu em Faughart, Irlanda. Devido à lendária qualidade das primeiras contas da sua vida, não há muita discussão entre muitos estudiosos e mesmo fiéis cristãos quanto à autenticidade das suas biografias. Segundo elas seus pais eram Dubhthach, um pagão de Leinster, e Brocca, uma cristã de Pictos que havia sido baptizada por São Patrício. Algumas trechos da sua vida sugerem que a mãe de Brígida foi, de facto, portuguesa, raptada por piratas irlandeses e levada para a Irlanda para trabalhar como escrava da mesma maneira que Patricío. Brígida recebeu o mesmo nome de uma das mais poderosas deusas da religião pagã, que o seu pai Dubhthach praticava; Brígida era a deusa do fogo, cujas manifestações foram música, artesanato, e poesia, que os irlandeses consideravam a chama do conhecimento.

VERIDIANA DE FLORENÇA Franciscana, Santa 1182-1242

No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana. Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221. A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.

HENRIQUE MORSE Jesuíta, Mártir, Santo (1595-1645)

Henrique Morse nasceu em Brome (Suffolk), na Inglaterra no seio de uma família de pequena nobreza, em 1595. Após os seus estudos no Corpus Christ College, de Cambridge, Henrique Morse ingressou na Igreja católica a 5 de Junho de 1644, enquanto estudava no colégio inglês de Douai, em França. De volta ao país natal ele passou quatro anos na prisão por causa da sua adesão ao catolicismo. Quando foi libertado viajou para Roma e ingressou no Colégio Inglês da Cidade eterna, para ali prosseguir os estudos que o levariam ao sacerdócio. Henrique foi ordenado em 1624. No ano seguinte, em 1625, voltou para a Inglaterra, onde se fez jesuíta e começou a exercer o seu apostolado, sob o nome de Henrique Claxton, no nordeste do país. Pouco depois, foi preso em Newcastle em 1626 e encarcerado na prisão do Castelo de Iorque. Foi ali que o noviço jesuíta fez os “Exercícios espirituais” sob a direcção do Padre João Robinson, também jesuíta e seu companheiro de cela. Foi perante este sacerdote que Henrique fez os seus votos religiosos em 1627. Passou três anos nesta prisão, findos os quais foi expulso do país.

MARIA ANA VAILLOT Religiosa, Mártire, Beata 1734-1794

Nasceu em Fontainebleau (França) e foi baptizada a 13 de maio de 1734. Dois anos antes tinha nascido um irmão seu que morreu ao fim de uns meses, de tal forma que o nascimento de Maria Ana encheu de alegria toda a família. Mas o pai morreu no mês seguinte e, assim, Maria Ana conheceu o sofrimento desde muito pequena. Não se sabe nada dos anos que passou com a família nem da origem da sua vocação. Aos 27 anos começou o postulantado com as Filhas da Caridade e a 25 de Setembro de 1761 ingressou no Seminário de Paris. Desconhece-se a data em que chegou a Angers, para trabalhar no Hospital S. João. Provavelmente já lá estava quando ocorreu a Revolução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. 

ODILIA BAUMGARTEN Religiosa, Mártire, Beata 1750-1794

Nasceu a 19 de Novembro de 1750 em Gondescange, na Lorena (França). Foi baptizada no dia seguinte. Antes dela, tinham nascido duas irmãs e um irmão, mas os três faleceram no espaço de um ano. Odília — nome muito corrente na Lorena e na Alsácia — foi uma grande alegria para a família. Aos 24 anos deixou o moinho familiar para entrar no postulantado em Metz. Entrou no Seminário a 4 de agosto de 1775. Foi enviada para Brest em 1776, mas partiu para Angers no início do ano seguinte, onde lhe confiaram a responsabilidade da farmácia do hospital. Um pouco de história, para melhor compreendermos o porquê destes assassinatos massivos, praticados pelos revolucionários franceses de triste memória. A Revolução francesa que teve seu início verdadeiro a 14 de Julho de 1789, com a tomada da Bastilha. 

ANA MICHELOTTI Religiosa, Fundadora, Beata 1843-1888

A beata Ana Michelotti ficou mais conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres. Nasceu em Annecy (Alta Sabóia, França), filha de pai piemontês e de mãe saboiana, em 29 de Agosto de 1843. Ainda menina, conheceu o sofrimento por causa de uma doença e também a pobreza por causa da morte prematura do pai. Em 1858 se transferiu com a mãe e o irmão António para Almese (Turim, Itália), junto dos parentes paternos. O tio Pe. Jaime Michelotti e o pároco a encaminharam para a vida religiosa. Voltando para Annecy com a mãe, em Lião entrou para as aspirantes das Irmãs de São Carlos, voltadas para a instrução e educação da juventude. Mas o seu ideal desde a infância foi o da assistência aos pobres em domicílio. Com a morte da mãe, em 1864, retornou a Annecy. Dois anos depois morreu também o irmão, que tinha entrado entre os irmãos das escolas cristãs.

LUÍS VARIARA Sacerdote salesiano, Beato (1875-1923)

Luís Variara nasceu no dia 15-01-1875 em Viarigi (Ásti). Em 1856 Dom Bosco estivera ali, pregando uma missão. E foi a Dom Bosco que o pai confiou o filho, levando-o a Valdocco no dia 01-10-1887. O Santo morreu quatro meses depois. Mas o contacto que teve com ele foi suficiente para marcar Luís para toda a vida. Pediu que o admitissem como salesiano e entrou no noviciado no dia 17 de agosto de 1891. Variara estudou Filosofia em Valsalice, onde conheceu Padre André Beltrami. Em 1894 esteve ali o Padre Unia, o célebre missionário que há pouco havia começado a trabalhar na Colômbia, entre os leprosos de Agua de Dios. O mesmo Padre Variara contava: “Qual não foi o meu espanto e a minha alegria quando, no meio de 188 colegas meus que tinham a mesma aspiração, o Padre Unia fixou os olhos em mim e disse: Este é meu”. O jovem Variara chegou a Agua de Dios no dia 06 de agosto de 1894. O lazareto contava 2000 habitantes, dos quais 800 eram leprosos. Mergulhou totalmente na sua missão. Começou organizando uma banda musical, cuja inauguração se deu na presença do Presidente da República que, comovido, viu a "cidade da dor" animar-se pela primeira vez num impensável clima de festa. Em 1898 Luís foi ordenado sacerdote.

Beata Joana Francisca da Visitação, Virgem, Fundadora – 1º de fevereiro

      Na Turim do século XIX, abalada pelos ares belicosos da unificação italiana, o Senhor acendeu um dos grandes luminares da Igreja contemporânea: São João Bosco. Ele pode ser entendido como a estrela central de uma constelação de santos. Em sua órbita também se inscreve a Beata Joanna Francisca da Visitação, que nos oferece um suave lampejo de luz e espalha um calor suave, como brasas vivas e silenciosas. Ela sentia como ele o encanto produzido pela figura de São Francisco de Sales, modelo de bondade e mansidão. Se Dom Bosco fundou a Sociedade Salesiana, a nossa Beata pôde dar vida ao projeto original de São Francisco de Sales de fundar uma congregação de religiosas dedicadas a visitar e cuidar dos doentes pobres. Morreu com 44 anos de idade, um dia depois de São João Bosco, em 1º de fevereiro de 1888.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE FEVEREIRO

Oração da manhã para todos os dias
 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
1 – Terça-feira – Santos: Henrique Morse, Severo, Veridiana
Evangelho (Mc 5,21-43)Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa.”
Podemos aprender com essa mulher. Ela ouviu falar de Jesus e, sem ainda o ter visto, acreditou nele e em seu poder. Acreditou levada por seu coração, iluminado pela graça divina da fé. Ela se sabia pequena sem importância, nem tinha coragem de falar com Jesus. Apenas tocou em sua túnica. Se nos deixamos levar pela fé e reconhecemos nossa pobreza, nem precisamos dizer nada a Deus.
Oração
Senhor meu Deus, reconheço que sou pequeno e pobre, sem justiça nem bondade. Reconheço que nem mereço ser ouvido. Mas creio em vós, em vossa bondade infinita. Confio em vós e me entrego em vossas mãos. Sabei do que preciso, e melhor que eu sabeis o que é bom para mim. De vós espero a salvação e a felicidade de estar para sempre convosco. Senhor, cuidai de mim. Amém.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - COMPORTAMENTO -06- PADRE LIBÁRDI

PADRE HÉLIO DE PESSATO
LIBÁRDI(+)-REDENTORISTA


Em que consiste a prepotência? 
Das forças que dominam ou pelo menos tentam dominar o mundo, a que mais machuca e humilha é a do poder. É impressionante como as pessoas são levadas a procurar o poder e a querer dominar os outros. Parece até que se trata de uma luta pela sobrevivência. Os poderosos matam, roubam, dominam. Mas também o mais simples empregado, se sobrar brecha, em pouco tempo está mandando, oprimindo os demais companheiros. Se observarmos as crianças, podemos perceber rápido os líderes, mas também vemos logo os “donos da bola”. Até em casa, ninguém quer ficar rebaixado, quase sempre todos querem estar com a razão. E o que dizer daqueles que volta e meia nos interpelam: “Você sabe com quem está falando?” Essa prepotência é típica do ignorante que se impõe pelo título ou pelo dinheiro ou pela posição social. Ele não é capaz de se fazer ouvir de uma outra forma mais inteligente, então apela para esse chavão que merecia uma resposta bem malcriada. Essa vaidade e orgulho já foram condenados por Jesus ao se referir aos fariseus e doutores da Lei que se valiam de sua posição social e da Lei para se imporem ao povo. Será que vamos demorar muito para entender o valor de cada pessoa humana? Não negamos o mérito de quem construiu honestamente seu nome, sua autoridade e se tornou digno de respeito. Nem ensinamos o desrespeito à autoridade legitimamente constituída desde que ela seja digna. É impressionante como a pessoa simples não tem valor; isso é fácil de verificar nas filas de atendimento nos órgãos públicos, mesmo sabendo que quem nos está atendendo não tem a mínima condição de o fazer, pois está ali por proteção e apadrinhamento. Bem se diz que “pobre não tem vez”. Por outro lado já falou Jesus a respeito dos ricos: “Já receberam sua recompensa”. Nessas alturas falar para um desses tipos de prepotentes sobre o mandamento do amor é perder tempo, porque ele não vê além do seu próprio nariz. Se essa pessoa pudesse ver como ela é detestada no serviço, entre os pretensos amigos; perceber como ela é tolerada porque não há outro caminho; perceber como ela é ridícula. Amanhã é certeza que, ao necessitarmos dos outros, essa arrogância acaba pela própria necessidade de sobrevivência. O que fazer com essa prepotência na velhice, na solidão, na doença? Seria bom ler nos Evangelhos e se lembrar da festa do banquete onde os convidados não entraram, mas foram convidados os excluídos para ocuparem os lugares reservados. E o que diz a bênção final no casamento: “Abri vossas portas aos pobres e infelizes, que um dia vos receberão agradecidos na casa do Pai”. 
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R. 
EDITORA SANTUÁRIO

REFLETINDO A PALAVRA - “Traduzindo o amor”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
REDENTORISTA
53 ANOS CONSAGRADO
46 ANOS SACERDOTE
Amor que se traduz em fatos
 
São João escreve em sua bela carta: “Não amemos somente em palavras, mas em atos e verdade” (1Jo 3,18). Não bastam belas palavras e discursos sobre o amor. O amor que é amor se traduz em ações concretas para com as pessoas, sem distinção. A identidade do discípulo de Jesus está no amor, pois toda santidade consiste no amor. Jesus é muito claro: “Meu mandamento é que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34). Traduzir o amor nas diferentes situações é realizar o amor de Jesus. É o modo de encontrarmos Deus, pois “Deus é amor e quem ama permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4,16). Sem esse amor, ser cristão perde o sentido e esvazia o conteúdo da mensagem de Jesus. Cristianismo antes de ser uma doutrina é uma vida, e essa vida é o amor. É mais fácil saber a doutrina de cor, o que é bom, do que se comprometer com o irmão no gesto de amor e de serviço. Sobre os primeiros cristãos se dizia: “Vede como se amam”. Esse amor dava consistência a seu testemunho. Quem sabe a fragilidade do cristianismo na atualidade venha justamente da ausência do amor que Jesus põe como fundamento do novo povo de Deus. A Igreja sempre teve a preocupação de traduzir o amor em atos, como por exemplo, cuidando de crianças, doentes e ajudando os pobres de muitos modos. Cada comunidade deveria examinar-se se não gasta tempo demais com outras atividades da Igreja e não com o amor aos mais abandonados. Cada um veja bem sua vida de amor. 
Amar com o pensamento 
O amor não acontece somente em boas ações, mas também no pensamento. Em Jesus, tudo é completo. Um mestre da lei perguntou-lhe: “Mestre, qual é o maior mandamento?” Jesus respondeu: “O primeiro mandamento é: “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. O segundo é semelhante ao primeiro: amarás o próximo”. O amor ao próximo envolve a pessoa inteira, na intenção, no espiritual, no intelectual, no afetivo etc... Sabemos que Jesus insista em que o olhar de mau desejo já consistia em pecado. Do mesmo modo, um olhar de amor e o amor que acontece nos pensamentos são realização do mandamento do amor. Se os “maus pensamentos” são pecaminosos e até tidos como graves, os bons pensamentos são realização do mandamento do amor, são caminhos de santidade. O amor envolve todo nosso ser e agir. Quem ama de fato pensa bem sobre as pessoas. Podemos fazer julgamentos prejudiciais a nós e aos outros. Jesus explica que do interior procedem as maldades. É do interior que procedem também a vida de amor. Jesus exige a perfeição: “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste”. 
Amor é vida 
Jesus nos deu Sua vida através do amor. E diz que “não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”. Sua missão era a vida. Veio para que tenham vida e a tenham em abundância. A realização máxima do amor é dar a vida. Muitos, como Ele, deram a última gota de sangue pelo amor. Contudo, dar a vida gota a gota dia a dia é também a máxima doação. O segredo primeiro da fé cristã é sair de si para ser para os outros. Assim fizeram os santos, canonizados ou não, que se doaram a Deus e aos irmãos, saindo de si para que a vida fosse abundante em todos. Traduzir o amor é a realização do amor.
ARTIGO REDIGIDO E PUBLICADO
EM SETEMBRO DE 2005