Evangelho segundo São Lucas 4,24-30.
Naquele tempo, Jesus veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga, dizendo: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a Terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-no até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.
Tradução litúrgica da Bíblia
Monge beneditino,
depois cisterciense
A Contemplação de Deus, 12; SC 61 bis
«Havia em Israel muitas viúvas»
Senhor, a minha alma miserável está nua, gelada e transida; ela deseja ser aquecida ao calor do teu amor. Na imensidade do meu deserto, na vastidão da vaidade do meu coração, não apanho ramos como a viúva de Sarepta, mas apenas uns galhos, a fim de preparar a minha comida com um punhado de farinha e a vasilha de azeite, e depois entrar em minha casa e morrer (cf 1Rs 17,10ss) – ou melhor, não, não morrerei assim tão depressa; não, Senhor, «não morrerei, mas hei de viver para anunciar as obras do Senhor» (Sl 118,17).
Permaneço, pois, na minha morada solitária e abro a boca para Ti, Senhor, procurando alento. Por vezes, Tu pões-me qualquer coisa na boca do coração, mas não permites que eu saiba o que é. É certo que sinto um sabor tão doce e tão delicioso, tão reconfortante que já não quero mais nada. Mas Tu não permites que eu compreenda, nem com a vista, nem com a inteligência; gostaria de retê-la, de a ruminar, de a saborear, mas ela passa depressa. Aprendo pela experiência o que dizes sobre o Espírito no Evangelho: «Não sabes de onde vem nem para onde vai. O Espírito sopra onde quer» (Jo 3,8). Descubro em mim que Ele não sopra quando eu quero, mas quando Ele quer.
Devo elevar os olhos somente para Ti, para Ti que és a «fonte de vida», e «na tua luz, verei a luz» (cf Sl 36,10). Para Ti, Senhor, é para Ti que os meus olhos se voltam. Mas quanto tempo mais tardarás, durante quanto mais tempo se inclinará a minha alma para Ti, miserável, ansiosa, sem fôlego? Peço-Te: esconde-me ao abrigo da tua face, guarda-me das maquinações dos homens; esconde-me no teu tabernáculo das línguas provocadoras (cf Sl 31,21).

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