sexta-feira, 6 de março de 2026

Santo Olegário bispo, +1136

Olegário nasceu em Barcelona, no ano de 1060, filho de Olegário e Gila, ambos muito ilustres pela nobreza e pela piedade que lhe proporcionaram sábios mestres, que o instruíssem, tanto nas letras corno na virtude. Ainda jovem, o Olegário manifestou desejo entregar-se inteiramente ao serviço do Senhor e os seus pais ofereceram-no a Deus por intercessão da ilustre mártir santa Eulália, na catedral de Santa Cruz, à qual fizeram doação duma rica propriedade que possuíam no condado de Vich. Admitido entre os cónegos da referida catedral, aos dezassete anos de idade, foi nomeado pouco depois deão daquele cabido. Porém, Olegário resolveu entrar para o mosteiro de Santo Adrião fundado pouco tempo antes para os cónegos regulares de Santo Agostinho. Devido às suas qualidades, pouco tempo depois tornou-se prior do mosteiro. Quando o bispo de Barcelona, D. Raimundo, morreu sucedeu-lhe Olegário o que foi muito aplaudido tanto pelo clero como pelo povo. Só Olegário reprovou tão aplaudida eleição e, resolvido a não aceitar aquela alta dignidade, fugiu secretamente para França durante a noite. O sentimento que em Barcelona causou a fuga do santo cobriu a cidade de luto. De imediato o conde Barcelona partiu para Roma a fim de que o papa obrigasse Olegário a aceitar o bispado. Tal não aconteceu e o cardeal Bosso substituiu D. Raimundo sendo-lhe cometido o encargo especial de sagrar bispo o santo prior. O cardeal soube que Olegário estava oculto no mosteiro de S. Rufo e fê-lo comparecer à sua presença, intimou-lhe o preceito do papa e sagrou-o imediatamente, sem atender aos seus rogos e lágrimas. Olegário foi modelo perfeito de prelados. Olegário visitou todo o bispado para apagar inteiramente a memória dos bárbaros, que em muitos pontos da sua diocese tinham deixado um rasto de relaxação nos costumes dos cristãos, dando origem a uma transformação completa. Tendo o conde Berengário recuperado Tarragona, dominada pelos mouros, e convencido do zelo de Olegário, que o podia auxiliar muito na reedificação da cidade, doou-lha em 1 de fevereiro de 1117 e Olegário tornou-se arcebispo da mesma. Assim, Olegário seguiu de imediato para Roma, a fim de obter de Gelásio II a confirmação daquela nova promoção. O papa recebeu-o com demonstração do maior apreço, e confirmando a eleição, condecorou-o com o pálio, insígnia dos metropolitas. Ao regressar a Espanha, restabeleceu a destruída igreja, criou cónegos e dispôs o necessário para a defesa dos cidadãos. Morto o papa Gelásio II, o seu sucessor Calisto II convocou um concílio geral em Roma, que foi o primeiro de Latrão, no qual se tratou da Cruzada para a reconquista da Terra Santa. Olegário assistiu ao concilio onde o sumo pontífice nomeou seu legado apostólico o santo bispo, para que com a sua autoridade favorecesse as expedições de Tortosa, Lérida e muitas outras terras que os bárbaros ocupavam. Posteriormente fez uma viagem a Jerusalém e quando regressou estabeleceu a Ordem dos Templários. Apesar da sua avançada idade, acedeu ao convite de Inocêncio II para assistir ao concilio em Clairmont. Celebrou dois Sínodos diocesanos, um depois duma grave enfermidade que o acometeu, e o outro no ano seguinte, durante o qual, recaindo enfermo, recebeu os últimos sacramentos com grande edificação de todos os que assistiram, e dando-lhes a sua bênção descansou no Senhor no dia 6 de março do ano de 1136, tendo 76 anos de idade. O seu corpo foi trasladado para Barcelona. Foi Olegário canonizado por Inocência XI em 1675.
Santos de Cada Dia – Editorial A.O. - Braga

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