terça-feira, 28 de julho de 2015

REFLETINDO A PALAVRA - “Pode ser que venha dar fruto”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
Se não vos converterdes
            A cada ano litúrgico, no tempo da Quaresma, temos uma temática para o 3º, 4º e 5º domingos. No ano A temos a temática batismal; no ano B temos a temática da Aliança e no ano C, a temática da conversão. No evangelho deste 3º domingo lemos sobre a figueira estéril, no 4º, o filho pródigo (ou pai misericordioso) e no 5º a adúltera. Em cada domingo somos chamados à conversão porque o Pai é bom e misericordioso. Em nossa fragilidade, somos uma figueira, na comparação de Jesus. O jardineiro é Ele próprio. O dono é o Pai que cobra os frutos e não encontra já há três anos. Se não dá fruto deve ser cortada. Mas vinhateiro propõe: “Deixa mais esse ano, vou cavar em volta e colocar adubo. Pode ser eu venha a dar fruto, Se não der, então tu a cortarás” (Lc 13,8-9). Jesus conta a parábola após ouvir notícias de um massacre de Pilatos e da torre que caiu sobre 18 galileus. Na idéia das pessoas sofreram porque eram pecadores e pagaram por isso. Pagará se não se converter e não der frutos. Todos são chamados a serem, não uma árvore estéril, mas árvore que produza frutos. O vinhateiro, Jesus, dá os auxílios necessários, chega uma terrinha e assim a planta pode produzir. Ele quer nossa conversão e para isso oferece os meios. Se não nos resolvemos a mudar, converter e produzir frutos, Deus não tem nada mais a fazer nós. Assim nos condenamos a uma desgraça. Essa não será um acidente, mas a perda do Reino. A Quaresma é o tempo para esse questionamento sobre nossa situação diante do Pai que nos deu a vida e pede que produzamos frutos. A graça de Deus que nos vem pelos sacramentos e pelos dons que nos deu. Ele dá tempo, mas exige mudanças.
Eu sou o Senhor
             A conversão não é obra somente de um esforço pessoal, mas da presença de Deus que liberta de todos os males, sobretudo da esterilidade de nosso coração. O Deus que conhecemos da Escritura, que chamamos de Javé, não é um Deus nas alturas, mas o Deus que se compromete com seu povo. É um Deus que caminha conosco. Moisés clama: “Caminha conosco”! (  ). O compromisso que assume para conosco e nos estimula a sair de nossos egitos, é conseqüente como acontece na libertação do Egito, na libertação de todos os males na vinda de Jesus. Assim lemos na aparição de Deus a Moisés no Horeb: “Eu VI a aflição de meu povo que está no Egito e OUVI seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, eu CONHEÇO seus sofrimentos. DESCI para libertá-los das mãos dos egípcios, e FAZÊ-LOS sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel” (Ex 2,7-8). Deus tem para conosco uma ação conseqüente. Não nos ama por pedaços. A cobrança de conversão vem do fato de que Deus fez tudo por nós, e os frutos não aparecem. Deus não cobra, mas nós devemos nos cobrar a nós mesmos em vista da expectativa que Ele tem. A conversão é para que produzamos frutos que permaneçam.
Cuidado para não cair

            Na história da salvação temos muita coisa bonita. O povo viveu momentos de grande participação das maravilhas que Deus fez por ele: passar o mar Vermelho, comer o maná vindo do céu, beber água da rocha, receber a lei sob grandes sinais. Mas, a maioria desagradou a Deus. Foram assim de exemplo para nós, para não repetirmos o mesmo. “Portanto, escreve Paulo, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12). É correspondendo à graça da redenção, produzindo frutos que nos manteremos em pé. A conversão permanente é o caminho do cristão. 

S. Vítor I, papa, +199

Vítor I nasceu África. É algo incerta a cronologia deste papa. Alguns, seguindo o historiador Eusébio, fazem-no reinar até o ano 202. Teria morrido mártir na quinta perseguição, que foi movida nesse ano pelo imperador Sétimo Severo, ou então pouco antes, numa sublevação de pagãos. Declarou que água comum, de fonte, de poço, de chuva, do mar, etc... pode, no caso de necessidade, servir para a administração do babtismo. Isto prova que já era costume, em tempo de paz, usar-se a água benta com a celebração do baptismo. Sob S. Vítor a questão da data pascal, de novo agitada, deu mais brilho à supremacia do Bispo de Roma. A Igreja conservara do ritual judaico o uso de se consagrarem a Deus vários dias festivos. O sábado (a festa semanal judaica) foi cedo substituído pelo domingo em memória do dia da Ressurreição do Senhor. As festas hebraicas caíram em desuso, menos Pentecostes e Páscoa. Por esta é que se estabelecia todo o calendário judaico cristão. Na Ásia era a Páscoa celebrada no 14º dia do plenilúnio de março. Em Roma pretendia-se que a festa fosse sempre num domingo. O papa, examinando a opinião das demais Igrejas, fixou a Páscoa para o domingo seguinte ao 13º dia do plenilúnio de março. Mais tarde, 130 anos depois, o memorável Concílio de Nicéia (325) deu plena razão a S. Vítor.

Beata Maria Teresa Kowalska, virgem e mártir, +1941

Nasceu em Varsóvia em 1902. Desconhece-se o nome e a profissão dos seus pais. Recebeu a sua primeira Comunhão no dia 21 de Junho de 1915, e o sacramento da Confirmação no dia 21 de Maio de 1920. O seu pai, simpatizante socialista, foi para a União Soviética na década de 1920 com grande parte da família. Aos 21 anos, recebe a graça da vocação religiosa. Ingressou no Mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Przasnysz no dia 23 de Janeiro de 1923. Tomou o hábito no dia 12 de Agosto de 1923 e recebeu o nome de Maria Teresa do Menino Jesus. Emitiu a sua primeira profissão no dia 15 de Agosto de 1924 e a profissão perpétua no dia 26 de Julho de 1928. Era uma pessoa delicada e doente, mas disponível para todos e para tudo. No Mosteiro servia a Deus com devoção e piedade. Com o seu modo de ser conquistava o carinho de todos, diz uma das irmãs. Gozava de grande respeito e consideração por parte das superioras e das outras irmãs. Exerceu vários ofícios: porteira, sacristã, bibliotecária; Mestra de noviças e Conselheira. Maria Teresa vive a sua vida religiosa em silêncio, totalmente dedicada a Deus, com grande entusiasmo. Um dia este serviço a Deus foi posto a dura prova. No dia 2 de Abril de 1941, os alemães irromperam no Mosteiro e prenderam todas as irmãs, levando-as para o Campo de concentração de Dzialdowo. Entre elas estava a Irmã Maria Teresa, doente com tuberculose. As 36 irmãs ficaram presas no mesmo local e suportaram umas condições de vida que ofendiam a dignidade humana: ambiente sujo, fome terrível, terror contínuo. As irmãs observavam com horror a tortura a que eram submetidas outras pessoas ao mesmo tempo, entre as quais se encontravam o Bispo de Plock, A. Nowowiejski e L. Wetmanski, e muitos outros sacerdotes. Depois de passar um mês naquelas condições de vida, a saúde das irmãs debilitou-se. A Irmã Maria Teresa foi uma das que mais se ressentiu, que pelo menos se mantinha de pé. Sobreveio-lhe uma hemorragia pulmonar. Faltava não só o serviço médico mas também a água para matar a sede e para a higiene. Suportou o sofrimento com coragem e, até onde lhe foi possível, rezou junto com as restantes irmãs. Outras vezes rezava ela sozinha. Durante a prova, e consciente da proximidade da morte, dizia: “Eu, daqui, não sairei; entrego a minha vida para que as irmãs possam regressar ao Mosteiro”. Isso mesmo dizia à abadessa: “Madre, ainda falta muito?”. Morreu na noite de 25 de Julho de 1941. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

NAZÁRIO E CELSO Mártires, Santos (século I)

Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era um pagão e chamava-se Africano. A mãe, de nome Perpétua, era uma católica fervorosa. Enquanto ele desejava tornar o filho um sacerdote a serviço de um dos muitos deuses pagãos, ela o queria temente a Deus, no seguimento de Cristo, por isso o educou dentro da religião católica. Assim, com apenas nove anos de idade, o menino pediu para ser batizado, definindo a questão e sendo atendido pelo pai, que algum tempo depois também se converteu. Nazário foi batizado pelas mãos do próprio papa são Lino, o primeiro sucessor de são Pedro, que fez dele um dos seus auxiliares diretos. Ingressou no exército romano e com ele percorreu toda a Itália, onde também pregava o Evangelho. Mas, ao ser descoberto, foi levado à presença do imperador, que o mandou prender. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante, até que, durante um sonho, Deus lhe disse para sair da Itália. Assim, foi para a Gália, hoje França, sempre pregando a palavra de Cristo. Em Cimiez, próximo de Nice, depois de converter uma nobre e rica senhora e seu filho, um adolescente de nome Celso, ela confiou o jovem a Nazário, que o fez seu discípulo inseparável. Juntos, percorreram os caminhos da Gália, deixando para trás cidades inteiras convertidas, pois, durante as suas pregações, aconteciam muitos milagres na frente de todos os presentes. Depois, foram para Treves, atualmente Trier, na Alemanha, onde fundaram uma comunidade cristã que se tornou tão famosa que os dois acabaram sendo denunciados e presos. Condenados à morte, foram jogados na confluência dos rios Sarre e Mosel. E novo milagre ocorreu: em vez de afundar, os dois flutuaram e andaram sobre as águas. Assustados, os pagãos não tentaram mais matá-los, apenas os expulsaram do país. Nazário e Celso foram, então, para Milão, onde mais uma vez viram-se vítimas da perseguição pagã, imposta pelo imperador Nero. Presos e condenados, desta vez foram decapitados em praça pública. Passados mais de dois séculos, em 396, os corpos dos dois mártires foram encontrados pelo próprio bispo de Milão, Ambrósio, também venerado pela Igreja. Durante suas orações, teve uma visão, que lhe indicou o local da sepultura de Nazário. Mas, para surpresa geral, a cabeça do mártir estava intacta, com os cabelos e a barba preservados, e ainda dela escorria sangue, como se fora decapitado naquele instante. A revelação foi mais impressionante porque, durante as escavações, também encontraram o túmulo do jovem discípulo Celso, martirizado junto com ele. Também foi por inspiração de santo Ambrósio que esta tradição chegou até nós, pois ele a contou a são Paolino de Nola, seu discípulo e biógrafo. As relíquias de são Nazário e são Celso foram distribuídas às igrejas de várias cidades da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla. Dessa maneira, a festa dos dois santos difundiu-se por todo o mundo católico, sendo celebrados no dia em que santo Ambrósio teve a revelação: 28 de julho.

INOCÊNCIO I Papa e Santo + 417

Inocêncio I era italiano, nasceu em Albano, uma província romana do Lazio. Ele foi eleito no ano 401 e governou a Igreja por dezasseis anos, num período dos mais difíceis para o cristianismo. A sua primeira actividade pastoral foi uma intervenção directa no Oriente, exortando a população de Constantinopla a seguir as orientações do seu bispo, são João Crisóstomo, e assim viver em paz. Mas um dos maiores traumas de seu pontificado foi a invasão e o saque de Roma, cometidos pelos bárbaros godos, liderados por Alarico. Roma estava cercada por eles desde o ano 408 e só não tinha sido invadida graças às intervenções do papa junto a Alarico. Pressionado pelo invasor, e tentando salvar a vida dos cidadãos romanos, Inocêncio viajou até a diocese de Ravena, onde se escondia o medroso imperador Honório. O papa tentava, há muito tempo, convencê-lo a negociar e conceder alguns poderes especiais a Alarico, para evitar o pior, que ele saqueasse a cidade e matasse a população. Não conseguiu e o saque teve início. Foram três dias de roubo, devastação e destruição. Os bárbaros respeitaram apenas as igrejas, por causa dos anos de contacto e mediação com o papa Inocêncio I. Mesmo assim, a invasão foi tão terrível que seria comentada e lamentada depois, por santo Agostinho e são Jerónimo. Apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, conseguiu manter a disciplina e tomou decisões litúrgicas que perduram até hoje. Elas se encontram na inúmera correspondência deixada pelo papa Inocêncio I. Aliás, com essas cartas se formou o primeiro núcleo das colecções canónicas, que faz parte do magistério ordinário dos pontífices, alvo de estudos ainda nos nossos dias. Também foi ele que estabeleceu a uniformidade que as várias Igrejas devem ter com a doutrina apostólica romana. Além disso, estratificou em forma e conteúdo a doutrina dos sacramentos da penitência, da unção dos enfermos, do baptismo e do casamento. Durante o seu pontificado difundia-se a heresia pelagiana, condenada no ano 416 pelos concílios regionais de Melevi e de Cartago, convocados por iniciativa de santo Agostinho e com aprovação do papa Inocêncio I, que formalmente sentenciou Pelágio e seu discípulo Celestino. O papa Inocêncio I morreu no dia 28 de julho de 417, sendo sepultado no cemitério de Ponciano, na Via Portuense, em Roma.

PEDRO POVEDA CASTROVERDE Sacerdote, Fundador, Mártir, Santo 1874-1936

Nasceu em Linares (Jaén) em 3 de Dezembro de 1874, onde recebeu o Baptismo uma semana depois e a Confirmação em 5 de Abril de 1875. Era ainda muito novo quando sentiu a atracção pelo sacerdócio e, aos dez anos, manifestou o seu desejo de entrar no Seminário, mas só o conseguiu depois de terminar o segundo curso de Bacharelato e com a condição de ter, ao mesmo tempo, estudos civis e eclesiásticos. Em 1893 obteve o Bacharelato, mas nele ia crescendo, também, a caridade para com os pobres dos arredores da cidade e pelos numerosos emigrantes que trabalhavam nas minas da região. Por dificuldades económicas da famíla, aliadas à enfermidade do pai, transferiu-se para o Seminário de Guadix (Granada), onde lhe foi concedida uma bolsa de estudos pelo Bispo da Diocese. Ali terminou os seus estudos e em 17 de Abril de 1897, Sábado Santo, foi ordenado sacerdote na capela da Paço Episcopal. Ocupou diversos cargos na Diocese, ao mesmo tempo que continuava os seus estudos, tendo obtido a Licenciatura em Teologia no ano de 1900. Dedicou-se à pregação e a uma acção social em favor da população local, promovendo humana e cristãmente várias actividades que a libertassem do desemprego, fome, analfabetismo e solidão. Foi ajudado pela entidades públicas e particulares para construir as "Escolas do Sagrado Coração de Jesus", para pagar aos Professores, dar de comer a alguns alunos, criar cursos nocturnos, oficinas para os adultos, numa grande tarefa humanitária, educativa e de formação profissional e cristã. Guadix reconheceu este trabalho, nomeando-o "Filho adoptivo predilecto" e dando o seu nome a uma rua da cidade. Perante as dificuldades encontradas, transferiu-se para Madrid, sempre a pensar nos mais pobres e nas crianças da rua, mas também ali não pôde desenvolver a sua acção. Nomeado Cónego da Basílica de Santa Maria de Covadonga, aí permaneceu durante sete anos. Preocupou-se com o atendimento dos peregrinos, escreveu livros sobre a vida cristã e a oração para orientar a vida espiritual dos mesmos e, aí, descobriu uma nova vocação, a que ia dar novo sentido à sua vida: a importância da função social da educação e que os mestres estivessem bem preparados profissionalmente e fossem coerentes e responsáveis, solidários e cooperadores. Transferiu-se para Jaén, onde foi professor do Seminário e de Escolas Normais. Aí conheceu a Serva de Deus Maria Josefa Segóvia, que foi sua principal colaboradora e, depois, primeira Directora-Geral da Instituição Teresiana, Obra que se desenvolveu e, em 1914, fundou a primeira residência universitária feminina da Espanha. Era uma instituição laical complexa, com um núcleo plenamente comprometido na entrega a Jesus Cristo e em missão de colaboração com outras instituições e que colocou sob o patrocínio de Santa Teresa de Jesus. Mestre de oração, pedagogo da vida cristã e das relações entre a fé e a ciência, Pedro Poveda soube oferecer a sua Instituição para a formação integral da mulher-estudante, convencido de que os cristãos podiam e deviam dar à sociedade do seu tempo pontos de vista, valores e compromissos para a construção de um mundo mais justo e solidário. Nos anos difíceis da perseguição à Igreja na Espanha, tornou-se um grande defensor da não-violência, dizendo que "a mansidão, a afabilidade e a doçura são as virtudes que conquistam o mundo". Apesar disso, foi preso depois de ter celebrado a Santa Missa em 27 de Julho de 1936, declarando aos que o procuravam: "sou sacerdote de Jesus Cristo". Na manhã seguinte, encontraram o seu cadáver junto da capela de um cemitério, com sinais de que tinha sido baleado. Foi beatificado por João Paulo II em Roma, a 10 de Outubro de 1993 e canonizado pelo mesmo Papa em Madrid, no dia 4 de Maio de 2003.

AFONSA DA IMACULADA CONCEIÇÃO a primeira indiana canonizada 1910-1946

Annakutty (diminutivo de Ana) Muttathupadathu nasceu em uma aldeia de Kudamalur, na Índia, a 19 de agosto de 1910. Seu batismo foi feito no rito católico siro-malabar. Foi ela a última de cinco filhos, em uma família cristã de origem nobre. Tendo ficado órfã de mãe aos três meses de idade, foi criada por uma tia materna, recebendo a educação de um tio sacerdote. A avó materna a iniciou na fé, incutindo-lhe o amor pela oração já na primeira infância, pois com a idade de 5 anos já conduzia aos orações nocturnas em sua casa, costume do rito oriental ao qual a família pertencia. Aos sete anos recebeu a Primeira Eucaristia, e gostava de comentar com as amigas: “sabem por que estou tão feliz hoje? É porque tenho Jesus no coração”. A irmã de sua falecida mãe, que a criava, insistia com ela para que se casasse aos 13 anos com um notário (na Índia eram — e continuam sendo — muito comuns os casamentos programados por familiares sem que os nubentes participem da decisão). Porém seu coração já estava entregue a Deus: queria tornar-se religiosa. Chegou a pôr o pé sobre brasas incandescentes (queimando-se gravemente) ao concluir que tornando-se parcialmente desfigurada o nenhum homem se interessaria por ela. O incidente teve o resultado esperado: sua tia desistiu da intenção de casá-la. Ajudada pelo Pe. James Muricken, que a introduziu na espiritualidade franciscana, ingressou Annakutty no noviciado das religiosas clarissas em 1927, e em 1936 fez a profissão perpétua, tendo por nome religioso Afonsa da Imaculada Conceição (alusão a Santo Afonso Maria de Ligório cuja festividade se comemorava no dia). Sua constituição orgânica frágil levou-a a passar por muitos sofrimentos físicos, os quais enfrentava com resignação. Um dos calvários pelos quais passou foi o desejo de suas superioras para que ela voltasse para casa, já que sua delicada saúde era considerada um obstáculo para a vida religiosa, mas com a ajuda celeste esse problema foi superado. A despeito de suas limitações físicas, a penitência era-lhe motivo de admiração: “para cada pequena falta pedirei perdão ao Senhor e a expiarei com uma penitência; sejam quais forem os meus sofrimentos, não me lamentarei jamais, e quando tiver de enfrentar qualquer humilhação procurarei refúgio no Sagrado Coração de Jesus”, registrou Afonsa em seus escritos. A pequena via de Santa Teresinha do Menino Jesus foi o caminho que seguiu, porém em meio a grandes sofrimentos orgânicos que se abateram sobre sua frágil saúde. Faleceu em 28 de julho de 1946 em Bharananganam (Kerala), no convento das clarissas, pronunciando os nomes de Jesus, Maria e José. Foi ela beatificada por João Paulo II em 8 de fevereiro de 1986 e canonizada por Bento XVI em 12 de outubro de 2008. No momento da canonização, ocorrida no Vaticano, numerosos cristãos, hindus e muçulmanos reuniram-se junto a seu túmulo em Bharananganam. 

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 28 DE JULHO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.  
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
28 − Terça-feira – Santos Sansão, Eustádio, Décio 
Evangelho (Mt 13,36-43) “Jesus deixou as multidões e foi para casa.” 
Hoje essa frase chamou minha atenção, e nem vou adiante na leitura do texto. Vemos, pelo evangelho, que a atividade de Jesus era intensa, tanto que às vezes nem havia tempo para comer (Mc 6, 31). Ele, porém, sabia quando era tempo de deixar a multidão e voltar para casa, para estar com os seus, para orar, para viver. Todos me incitam à ação. Tudo bem, mas também preciso para um pouco. 
Oração

Senhor Jesus, alguma coisa tenho feito por vós e pelos irmãos. Agradeço por isso, e peço que me ajudeis a continuar ajudando. Agora, porém, quero pedir que me ensineis a parar de vez em quando. Tenho de aprender que não sou indispensável e que não posso fazer tudo. Tenho de ser humilde e reconhecer que preciso de descanso, de tempo para pensar e orar, e ficar mais convosco. Amém.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um título conferido a Maria, mãe de Jesus, representada em um ícone de estilo bizantino. Na Igreja Ortodoxa é conhecida como Mãe de Deus da Paixão, ou ainda, a Virgem da Paixão. Um ícone célebre é venerado desde 1865 em Roma, na Igreja de Santo Afonso de Ligório no Esquilino, dos redentoristas, na Via Merulana. Tendo vindo da ilha de Creta e estado antes na Igreja de S. Mateus, igualmente em Roma, onde tinha sido solenemente entronizado no ano de 1499, e do qual se contam muitos milagres e histórias1 . A tipologia da Mãe de Deus da Paixão está presente no repertório da pintura bizantina desde, no mínimo, o século XII, apesar de rara. No século XV, esta composição que prefigura a paixão de Jesus, é difundida em um grande número de ícones. Andreas Ritzos, pintor grego do século XV, realizou as mais belas pinturas neste tema. Por esta razão, muitos lhe atribuem este tipo iconográfico. Na verdade a tipologia é bizantina, e quase acadêmica a execução do rígido panejamento das vestes; mas é certamente novo o movimento oposto e assustado do menino, de cujo pé lhe cai a sandália, e ainda a comovente ternura do rosto da mãe. O ícone é uma variante do tipo hodigítria cuja representação clássica é Maria em posição frontal, num braço ela porta Jesus que abençoa e, com o outro, o aponta para quem, olha para o quadro, aludindo no gesto à frase “é ele o caminho”. Na representação da Virgem da Paixão, os arcanjos Gabriel e Miguel , na parte superior, de um lado e do outro de Maria, apresentam os instrumentos da paixão. Um dos arcanjos segura a cruz e o outro a lança e a cana com uma esponja na ponta ensopada de vinagre e bile (João 19:29). Ao ver estes instrumentos, o menino se assusta e agarra-se à mãe, enquanto uma sandália lhe cai do pé. Sobre as figuras no retrato, estão algumas letras gregas. As letras “IC XC” são a abreviatura do nome “Jesus Cristo” e “MP ØY” são a abreviatura de “Mãe de Deus”. As letras que estão abaixo dos arcanjos correspondem à abreviatura de seus nomes.

HIST. DO DIA - A FLOR QUE NAO FOI CUIDADA

PADRE CLÓVIS DE JESUS
BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
Havia uma jovem muito bonita, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que pagava muitíssimo bem, uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.Se o trabalho consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido...E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois... Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um exemplar apenas em todo o mundo. E disse a ela: 
-“Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, às vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.” 
A jovem ficou emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor. Ela chegava de volta, olhava a flor e as folhas ainda estavam lá, não mostravam nenhum sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto.Mas um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou a casa e levou um susto! Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas. A jovem chorou muito e contou a seu pai o que havia acontecido. Seu pai então respondeu:
- “Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela. Cuide das pessoas que você ama!" 
Lição: E você? Tem cuidado com pessoas que Deus te deu? Principalmente dos seus familiares, amigos e benfeitores? Ele no-los dá, mas nós é que temos que cuidar deles. Só o amor preserva e conserva.

27 DE JULHO - UMA VIDA PELOS POBRES

Raimundo Zanfogni (+1200) tinha ido à Terra Santa com sua mãe. Ela morre no caminho e ele volta sozinho e triste. Estava com 15 anos. E agora? Retomou seu oficio de artesão. Pouco depois se casou. Os primeiros cinco filhos morreram. Veio mais um, o Geraldo. Este vingou. Mas a mãe morreu. Raimundo ficou sozinho de novo. Recomeçou suas peregrinações. Talvez para esquecer tanto sofrimento.Numa dessas peregrinações recebeu aviso do alto: Vá cuidar dos pobres da sua cidade. Lá existem poucos ricos e muitíssimos pobres. Começou a fazer assim. Era analfabeto, mas pregava, perturbava os ricos, insistia, brigava com as autoridades e até com o bispo para que se mexessem mais a favor da pobreza. Enfrentou quem podia mas não fazia, quem tinha e não dava. Fazia passeatas gritando nas ruas de Placencia: Cristãos frios e cruéis, ajudem! Foi aos tribunais para defender os pobres. Foi preso numa luta pela pacificação de duas cidades, mas foi solto quando o povo gritou: 
- Vocês prenderam um santo. Soltem-no! 
Por fim morreu no meio dos pobres.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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REFLETINDO A PALAVRA - “Preparando o pão da Palavra”

PADRE LUIZ CARLOS
DE OLIVEIRA CSsR
1600. O caminho da homilia
            Como um bom pastor que conhece suas ovelhas, Papa Francisco conhece a situação dos pregadores da Palavra. Sua sabedoria vai ao prático da vida e apresenta o caminho da homilia. Escreve que “a preparação é uma tarefa tão importante que convém dedicar-lhe um tempo logo de estudo, oração, reflexão e criatividade pastoral” (EG 145). Temos experiência que o tempo é pouco para tudo o que se tem que fazer numa comunidade. Mas o Papa diz: “atrevo-me a pedir que toda as semanas se dedique a esta tarefa... o tempo suficientemente longo, mesmo que tenha que dar menos tempo a outras tarefas” (id). Pelo visto isso é uma experiência pessoal que apresenta como modelo. Essa proposta não é nova. Podemos lembrar que os apóstolos pensaram o mesmo quando estabeleceram os diáconos (At 16,1-7). Para exercer seu ministério deveriam estar livres para a oração e a pregação. As outras atividades podem ser realizadas por outros. O ministério do padre concentrou em si todas as atividades da paróquia. Insiste que “a confiança no Espírito Santo que atua na pregação não é meramente passiva, mas ativa e criativa” (EG 145). Não se pode dizer: Deixo o Espírito Santo falar! Temos nossa parte. Milagres não se fazem toda hora. É irresponsabilidade. O primeiro passo na preparação é o culto da verdade. Depois de invocar o Espírito Santo, se deve prestar atenção ao texto bíblico procurando compreendê-lo. A humildade diante da Palavra exprime-se no estudo feito com o santo temor de manipulá-la. A preparação requer amar o Deus que deseja falar.
1601. Estudo feito com carinho
            Para Papa Francisco, a pregação durante a celebração é algo muito importante que vai além de uma comunicação de verdades. Primeiramente ela exige que nos comuniquemos com Aquele que a pronunciou. A seguir, como a Palavra foi escrita há dois ou três milênios, além dos estudos e a observação nos diversos sentidos, ela nos leva a uma mensagem principal que dá a estrutura ao texto e o efeito que o autor quis provocar (EG 147). O sentido principal deve estar em consonância com o ensinamento da Bíblia inteira transmitido pela Igreja. Assim se transmite com a força própria do texto proclamado. Sem isso a proclamação perde seu poder de transmissão (EG 148). O pregador deve ser o primeiro a desenvolver uma grande familiaridade pessoal com a Palavra de Deus. Deve ter um coração dócil e orante. Em síntese, o pregador deve ser o primeiro ouvinte da Palavra para comunicar aos outros o que foi contemplado (Santo Tomás). A mensagem deve passar pelo pregador. O Espírito age nos evangelizadores (EG 151).
1602. Deixar-se transformar

            O pregador deve ser transformado pelo Espírito na leitura da Palavra, procurando o que está direcionado para sua vida. Além da Palavra, deve também escutar o povo e descobrir o que precisa ouvir, relacionando a mensagem do texto bíblico com a situação. Paulo VI escreveu: “ter uma sensibilidade espiritual para saber ler a mensagem de Deus nos acontecimentos” (EN 43). É convocado para fazer o discernimento evangélico para saber o apelo de Deus para o momento (EG 154). Há métodos e recursos a serem usados: Uma homilia tem uma idéia, um sentimento, uma imagem (EG 157). Por isso é importante partilhar a vida do povo. O texto do Papa é muito bom. Por isso sugiro a leitura do mesmo que é ampla e rica.

EVANGELHO DO DIA 27 DE JULHO

Evangelho segundo S. Mateus 13,31-35.
Naquele tempo, Jesus disse ainda à multidão a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Papa Francisco 
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho» §§111-114 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.) 
«O Reino do Céu é semelhante ao fermento»
Todo o povo de Deus anuncia o evangelho. A evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica; é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. […] 
A salvação, que Deus realiza e a Igreja jubilosamente anuncia, é para todos, e Deus criou um caminho para Se unir a cada um dos seres humanos de todos os tempos. Escolheu convocá-los como povo, e não como seres isolados (Lumen Gentium 9). Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem pelas suas próprias forças. Deus atrai-nos, no respeito pela complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana pressupõe. Este povo, que Deus escolheu para Si e convocou, é a Igreja. Jesus não diz aos Apóstolos para formarem um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28,19); e São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, «não há judeu nem grego […], porque todos sois um só em Cristo Jesus» (Gal 3,28). Gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo e aos indiferentes: o Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor! 
Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projecto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, que dêem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viver segundo a vida boa do Evangelho. 

Santa Natália e companheiros, mártires, +852

Estes santos sofreram o martírio durante a perseguição muçulmana, em 852. Natália, ou Sabagota, como era chamada, havia-se convertido à fé cristã juntamente com o marido, Aurélio. Félix e Liliana eram seus parentes. Todos viviam a fé na clandestinidade até que foram descobertos e presos. Contam que, certo dia, S. Aurélio presenciou um espectáculo humilhante em que um cristão amarrado a um jumento, com a cara voltada para a causa do animal, era conduzido debaixo de grande gritaria ao lugar da execução. A partir daquele momento, professou abertamente sua fé. Pressentindo que chegava a sua hora, distribuiu os bens aos pobres e necessitados. Félix e Liliana fizeram o mesmo. Presos, bem como Jorge, que era monge, foram todos condenados à morte.

PANTALEÃO DE NICOMÉDIA Médico, Mártir, Santo Séculos III e IV

Pantaleão da Nicomédia viveu no Séc. III e IV da era cristã, durante um período de intensa perseguição aos cristãos que não podiam professar a própria fé, pois o que predominava naquela época era o culto aos deuses pagãos. Pantaleão era filho de Eustóquio, gentio e de Êubola, cristã. Sua mãe encaminhou-o na fé cristã. Após o falecimento desta, Pantaleão foi aplicado pelo pai aos estudos de retórica, filosofia e medicina. Durante a perseguição, travou amizade com um sacerdote, exemplo de virtude, Hermolau, que o persuadiu de Nosso Senhor Jesus Cristo ser o autor da vida e o senhor da verdadeira saúde. Um dia que se viu diante duma criança morta por uma víbora, disse para consigo: “Agora verei se é verdade o que Hermolau me diz”. E, segundo isto, diz ao menino: “Em nome de Jesus Cristo, levanta-te; e tu, animal peçonhento, sofre o mal que fizeste”. Levantou-se a criança e a víbora ficou morta; em vista disso, Pantaleão converteu-se e recebeu logo o santo Batismo. Acabou sendo convocado pelo imperador Maximiano como seu médico pessoal. As milagrosas curas que em nome de Jesus Cristo realizava suscitaram a inveja de outros médicos, que o acusaram de cristão perante o imperador que, por sua vez, o mandou ser amarrado a uma árvore e degolado. Desta forma, assumindo a coroa do martírio, São Pantaleão passou desta vida para a vida eterna.

CELESTINO I Papa e Santo + 432

O papa Celestino I, eleito em 10 de setembro de 422, nasceu na Campânia, no sul da Itália. Considerado um governante de atitude, foi também um pioneiro em muitos aspectos. Enfrentou as graves questões da época de tal maneira que passou para a história, embora o seu mandato tenha durado apenas uma década. Era um período de reconstrução para Roma, que fora quase destruída pela invasão dos bárbaros, liderados por Alarico. O papa Clementino I participou activamente restaurando numerosas basílicas, entre elas a de Santa Maria, em Trastevere, a primeira dedicada a Nossa Senhora, e construiu a de Santa Sabina. Além disso, entendia que o papa tinha o direito de responder pessoalmente a correspondência enviada pelos cristãos leigos e não apenas das autoridades e dos clérigos. E ele o exerceu por meio de suas cartas, as quais chamava de decretais, e que se tornaram a semente do direito canónico. Também foi vigoroso o intercâmbio de correspondência que manteve com seu amigo e contemporâneo, santo Agostinho, o bispo de Hipona, do qual foi ferrenho defensor. Foi ele o primeiro a determinar que os bispos não deveriam nunca negar a absolvição a alguém que estivesse morrendo. Também proibiu que os bispos vestissem cintos e mantos como os monges. Combateu as heresias, ajudou a esclarecer dúvidas doutrinais e combateu os abusos que se instalavam nas sedes episcopais. Seus actos pareciam acertar todo alvo escolhido. Enviou são Patrício à Irlanda e são Paládio à Escócia e, como se sabe, ambos se tornaram, histórica e espiritualmente, ligados a esses países para todo o sempre. Outro evento importantíssimo realizado sob sua direcção foi o Concílio de Éfeso, em 431. A importância desse Concílio, o segundo realizado pela Igreja e do qual participaram apenas cento e sessenta bispos, foi que nele se confirmou o dogma de Maria como "Mãe de Deus" e não apenas "mãe do homem", como pregava o arcebispo de Constantinopla, Nestório. Ele defendia a tese de que Jesus não era Deus quando nasceu e, portanto, Maria era apenas a mãe do homem Jesus e não de Deus feito homem. O papa Celestino I, para acabar com a confusão que se generalizara no mundo cristão, determinou que são Cirilo, bispo de Alexandria, dirigisse o Concílio, que se iniciou em 22 de junho de 431. Ao seu final, foi restabelecida a verdade bíblica do nascimento do Cristo. O papa enviou comunicados a todas as autoridades do mundo não só explicando a decisão, mas informando a destituição e condenação do bispo Nestório, que foi poupado da excomunhão. Este foi seu último documento oficial, expedido na data de 15 de março de 432, que fechou com chave de ouro seu pontificado, pois morreria alguns meses depois, em 27 de julho. São Celestino I foi sepultado numa capela do cemitério de Priscila. Em 817, suas relíquias foram colocadas na basílica de Santa Praxedes, e uma parte delas enviadas para a catedral de Mantoa.

RAIMUNDO ZANFOGNI Viúvo, Fundador, Santo 1140-1200

Raimundo Zanfogni voltava com sua mãe da Terra Santa quando esta morreu. Tinha quinze anos quando retornou à sua terra natal, depois dessa viagem. Ele nasceu em Placência, Itália, no ano de 1140. Mais tarde, casou-se e teve cinco filhos, porém todos morreram no mesmo ano. Nasceu então um outro, Geraldo, forte e sadio, mas a esposa adoeceu e morreu quando o menino ainda era muito pequeno. Por isso decidiu deixar o filho com os sogros, que o educaram no seguimento de Cristo, e tornou-se um peregrino. Primeiro foi à Santiago de Compostela, depois a Roma, de onde seguiu para Jerusalém e voltou novamente para Roma. Mas aconteceu algo que o reconduziu a Piacenza. Dizia ter recebido um aviso divino de que deveria retornar e cuidar dos pobres de sua cidade. E ali, imediatamente, iniciou a sua obra. Raimundo passou a cuidar dos doentes e moribundos, num tempo em que não existia assistência aos necessitados. Fundou uma espécie de hospedaria-albergue, onde tratava a todos com dedicação e dignidade, enxergando em cada um deles a face de Cristo. Como não tinha muitas posses, tornou-se esmoler para manter suas obras. Freqüentava todos os dias as igrejas, pregava pelas ruas e fazia procissões com seus pobres, solicitando a caridade das pessoas. Logo ele passou a abrigar também as crianças abandonadas, que se tornaram a grande razão de sua vida. Além de dar abrigo e cuidado, afeto e carinho, ele catequizava a todos na doutrina cristã. Era um simples leigo, tinha pouca instrução, mas possuía o dom da sabedoria e pregava com autoridade. Por isso ele tomou a iniciativa de advertir publicamente o próprio bispo, que não se posicionava com firmeza diante dos problemas da cidade. Na época, Placência e Cremona passavam por constantes lutas, resultando em mortos inocentes. Servindo de mediador, Raimundo conseguiu solucionar o conflito. Tornou-se o protetor dos pobres e das vítimas dos abusos de todos os gêneros, que ele mesmo acompanhava aos tribunais defendendo-os na frente dos juízes insensíveis e prepotentes. As autoridades do governo, por fim, passaram a consultá-lo em todas as questões que envolviam os pobres. Faleceu no dia 27 de julho de 1200, entre seus pobres, e exortando ao filho Geraldo que se tornasse sacerdote, o que de facto ocorreu pouco tempo depois. Com fama de santidade em vida, foi sepultado próximo à capela dos Doze Apóstolos. Logo as notícias de graças e prodígios se espalharam pela região e a casa dos seus pobres, passou a ser chamada de Hospedaria de São Raimundo Zanfogni. Mas ele só foi canonizado em 1602, pelo papa Clemente VIII, que designou o dia de sua morte para a celebração litúrgica. 

MARIA MADALENA MARTINENGO Religiosa Capuchinha, Beata 1687-1737

Nasceu em Bréscia em 4 de outubro de-1687, filha de Leopardo, Conde Martinengo de Barco, e Margarida, da família dos condes Secchi de Aragão. Ficou órfã de mãe com um ano. Foi educada pela madrinha e por uma humilde mulher, empregada da casa, que teve uma grande influência sobre ela, principalmente sobre sua vocação religiosa. Aplicou-se com grande paixão aos estudos de maneira a poder ler o latim e recitar o breviário com apenas 10 anos. Completou a sua educação nos melhores colégios de Bréscia, No seu amadurecimento, no entanto, uma firme vocação religiosa com acentuada propensão para a ascética e a mística. Com 13 anos fez voto de virgindade, mas depois padeceu um período de aridez espiritual e fortes tentações, que só superou em 1709. Venceu a resistência paterna e a sua própria oscilação entre o Carmelo e a ordem das capuchinhas, decidindo-se por esta última, e em 1705 vestiu o hábito franciscano no Mosteiro de Santa Maria das Neves. No ano seguinte, ao fazer a profissão religiosa, trocou o nome de baptismo de Margarida por Maria Madalena. Viveu 32 anos na clausura. No convento fez de tudo, e também foi mestra das noviças e vice-abadessa. Mas o que caracterizou a sua vida foram os fenómenos místicos como a impressão dos estigmas, êxtases, aparições, ciência infusa, telepatia, profecia, milagres, luminosidade e outros. Só por esse elenco pode-se perceber que a sua vida não deve ter sido compreendida por confessores e superioras. De fato, sofreu fortes perseguições por parte dos confessores e das outras freiras, todos admirados desse acúmulo de fenómenos inexplicáveis para o senso comum e quase que quotidianos. Escreveu uma autobiografia, que é uma obra-prima de espiritualidade e de vida mística. Deixou também, outros escritos. Morreu em Bréscia em 27 de julho de 1737 e logo foi tida como santa pelas demais freiras e pela população da cidade. Foi beatificada por Leão XIII em 1900. 

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 27 DE JULHO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.  
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
27 − Segunda-feira – Santos Pantaleão, Natália 
Evangelho (Mt 13,31-35) “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda ... Embora ela seja a menor de todas, quando cresce, fica maior do que as outras plantas.” 
O Reino de Deus, seu reinado, sua ação no mundo nem sempre chama nossa atenção. Geralmente é uma ação humilde e discreta; só prestando atenção nós a percebemos. Deus está agindo no coração das pessoas ao nosso redor, ajudando-as a crescer no amor e na bondade. Age até no coração de quem ainda não conhece Jesus, mas procura o bem e a verdade. É a força mais atuante. 
Oração
Senhor meu Deus, eu vos bendigo e adoro pela vossa ação no mundo. Sem barulho guiais o caminho da humanidade, e vossa ação se mostra onde menos esperamos. Renovo minha confiança em vossa bondade poderosa e espero, Senhor, o dia em que se completará vosso projeto de salvação. Não tendes pressa, porque sois onipotente. Ensinai-nos a esperar, fazendo o que podemos. Amém.

domingo, 26 de julho de 2015

26 DE JULHO - OS PAIS DE NOSSA SENHORA

Joaquim e Ana, que casal privilegiado! A tradição lhes concede a honra de ser os pais de Maria Santíssima. Sobre este casal, porém, nada nos fala a Sagrada Escritura. Segundo uma antiga tradição, Joaquim e Ana formavam um casal distinto, possuidor também de alguma fortuna. Seu dinheiro era utilizado para cobrir as próprias necessidades, ajudar o culto e os pobres. Supõe-se que Joaquim era pastor de ovelhas. Casou-se com Ana aos 20 anos de idade, indo fixar residência em Jerusalém. Ambos eram tementes a Deus e generosos com os pobres. Pareciam felizes. Apenas uma sombra encobria esta felicidade: Os anos foram passando e os filhos não vinham alegrar o casal.-Naquele tempo, não ter filhos era considerado castigo divino. Com esse espinho e angústia no coração, retirou-se para junto de seus pastores e suas ovelhas no deserto, sem mesmo avisar a esposa. Permaneceu lá pelo espaço de quarenta dias, entre jejuns e penitências. Por fim chegou a notícia tão esperada: Sua esposa havia concebido uma menina. Era a menina prefigurada no Antigo Testamento, destinada a ser a “bendita entre todas as mulheres”. Sant’Ana é a única santa invocada sob o título de Senhora, i.é, “Senhora Sant’Ana”. 
AVÓS: AMIGOS MADUROS:
Você já experimentou observar amorosamente a árvore de sua família, a seiva que lhe dá vitalidade, as flores e frutos que ela produz e imaginar as raízes que lhe dão sustento? Ainda bem próximas de você, há quatro pessoas que acumulam sabedoria e ternura, carinho e compreensão e têm muitas histórias para contar. São os avós, maternos e paternos, pessoas que, revendo o passado com gratidão e abraçando o presente com serenidade, ajudam a vislumbrar o futuro para seus filhos e netos. [...] Parabéns aos nossos avós, amigos maduros, cheios de escuta e compreensão... -Ir Zuleides Andrade
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre pelágio CSsR
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