sábado, 2 de julho de 2016

REFLETINDO A PALAVRA - “Um profeta não estimado”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Falando em nome de Deus
São João escreve no Apocalipse: “É necessário que continues a profetizar a muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10, 11). Mesmo em meio às perseguições. Essa foi a missão de Jesus. O discípulo continua sua missão e sofre a mesma recusa que recebeu de seus compatriotas. A recusa que sofre em Nazaré é provocada pela falta de aceitação da Palavra de Deus proclamada por alguém que é dali. Viram somente a pessoa que conheciam. Diziam: “Como conseguiu tanta sabedoria? E esses milagres realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, Filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão...?” (Mc 6,2-3), (cfr. nota). Seus conterrâneos não foram capazes de perceber o Deus que agia Nele. Esta atitude deles dá-nos a entender que Jesus não era uma estrela. Era como os demais. Já se diz: não se pode recusar  um livro só pela capa, sem antes abrir as páginas”. Eles diziam conhecer quem Ele era e por isso não podia ser tão bom assim. Mas... “Quem é de Deus ouve a Palavra de Deus” (Jo 8,47). Isto é, sabe encontrá-la. A recusa vem do ciúme. Conhecem os irmãos, mas não conhecem a profundidade de sua existência e de sua missão. O importante é querer ouvir Deus falar. A comunidade Marcos passa pelo mesmo problema de ver Jesus recusado porque era humano. Assim são recusados também eles. O profeta Ezequiel passou por essas dificuldades de ver recusada a palavra de Deus: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes... Eles e seus pais se revoltaram contra mim... Quer te escutem, quer não... ficarão sabendo que houve entre eles um profeta” (Ez 2,3.5). A recusa é a Deus que fala através do profeta. Por isso, é importante ouvir a verdade e não olhar por onde ela chega. É a história da mula de Balaão (Nm 24,22ss).
Recusa, atitude prejudicial
            Vivemos as mesmas dificuldades de Jesus e seus discípulos. Somos profetas combatidos. Por que é tão difícil aceitar a Palavra de Deus? Aceitar bobeiras é tão fácil! Jesus foi recusado por quem devia apoiá-lo. A recusa é o resultado da falta de fé. Paulo reclama a Deus de um espinho na carne que o incomoda muito. Não se trata de pecado, de doença ou tentação. Trata-se da recusa satânica dos falsos irmãos à obra apostólica. O profeta não pode esmorecer, pois a Palavra é de Deus e ela o faz forte: O poder se faz na fraqueza: “Quando me sinto fraco é que sou forte” (2Cor 12,10). Cumprimos a missão e entregamos a Deus o resultado. “Jesus se admirou com a falta de fé deles” (Mc 6,6). O pior deles é recusar ouvir a Palavra de Deus e se modificar. O problema não é a recusa ao profeta mas a falta de fé. Este é o mal do mundo moderno.
Basta-te minha graça
            Nós temos nossos espinhos na carne, isto é, dificuldades que nos perseguem a vida toda, ou tempos da vida. A fraqueza não é o mais importante. É preciso saber que se está com Deus na fragilidade. Rezamos no salmo: “Ele não dorme nem cochila, o guarda de Israel” (Sl 121,4). Em nossa fraqueza está a força de Deus. Isso basta. Jesus é o exemplo da fragilidade que vence. Ele tem tudo para não dar certo pela recusa de sua pessoa e de sua pregação. Aqui se encontra o grande mistério da espiritualidade cristã: força da fraqueza. Quando mais fracos, mais nos jogamos nos braços do Pai, pois é Dele que vem a força. Em minha ordenação sacerdotal senti medo, mas a palavra “basta-te minha graça”, me animou e me anima. Em cada Eucaristia ouvimos a Palavra, participamos da comunhão. Podemos, neste sacramento buscar a força e sanar o espinho que nos fere a carne.

EVANGELHO DO DIA 2 DE JULHO

Evangelho segundo S. Mateus 9,14-17.
Naquele tempo, os discípulos de João Baptista foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: «Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?». Jesus respondeu-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto, enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado: nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo repuxa o vestido e o rasgão fica maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, os odres rebentam, derrama-se o vinho e perdem-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos e assim ambas as coisas se conservam». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Catecismo da Igreja Católica - §772,773,796 
«O Esposo está com eles»
É na Igreja que Cristo realiza e revela o seu próprio mistério, como a meta do desígnio de Deus: «recapitular tudo nele» (Ef 1,10). São Paulo chama «grande mistério» (Ef 5,32) à união esponsal de Cristo e da Igreja. Porque está unida a Cristo como a seu esposo, a própria Igreja, por seu turno, se torna mistério (195). E é contemplando nela este mistério, que São Paulo exclama: «Cristo em vós — eis a esperança da glória!» (Col 1,27). [...] Maria precede-nos todos como «a Esposa sem mancha nem ruga» (Ef 5,27). E é por isso que «a dimensão mariana da Igreja precede a sua dimensão petrina» (João Paulo II). 
A unidade de Cristo e da Igreja, Cabeça e membros do Corpo, implica também a distinção entre ambos, numa relação pessoal. Este aspeto é, muitas vezes, expresso pela imagem do esposo e da esposa. O tema de Cristo Esposo da Igreja foi preparado pelos profetas e anunciado por João Batista (Jo 3,29). O próprio Senhor Se designou como «o Esposo» (Mc 2,19). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa «desposada» com Cristo Senhor, para formar com Ele um só Espírito. Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado (Ap 22,17) que Cristo amou, pela qual Se entregou «para a santificar» (Ef 5,26), que associou a Si por uma aliança eterna, e à qual não cessa de prestar cuidados como ao seu próprio Corpo. 
Eis o Cristo total, Cabeça e Corpo, um só, formado de muitos [...]. O próprio Senhor diz no Evangelho: «Já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19,6). Como vedes, temos, de algum modo, duas pessoas diferentes; no entanto, tornam-se uma só na união esponsal (Santo Agostinho). 

NOSSA SENHORA DO HORTO

A origem da devoção e do culto a Nossa Senhora do Horto provém de longa data, precisamente, do final de 1400. Primavera de 1493. Urna calamitosa epidemia atinge a cidade de Gênova. Chiavari, singela cidadezinha situada numa encosta voltada ao nascer do sol, mantinha comunicações diárias com Gênova e, portanto, não fica imune. Urna piedosa senhora dos subúrbios de Rupinaro, Maria, da família dos Quercio, chamada Turchina, iluminada por uma profunda fé, recorre à mãe de Deus. Promete-lhe um sinal de reconhecimento público, caso restasse imune do tremendo flagelo. Sua esperança não foi vã: restou imune à doença. Em sinal de gratidão à Maria Santíssima, mandou pintar sua imagem entre os dois santos protetores dos atingidos por doenças contagiosas: São Sebastião e São Roque. E, a fim de que os que por ali passassem pudessem ter uma ocasião mais fácil para louvar e invocar a Virgem Santíssima, pensou em mandar pintar um imagem, não em uma igreja, mas sim num lugar ainda mais público: num dos muros do horto que então se estendia da casa do capitão até a praia. Confiou o encargo a Benedetto Borzone. Isto parece ter sido pelo ano de 1493. Seguindo as indicações da Turchina, o pintor conseguiu exprimir de modo admirável a idéia da bondade e do poder de Maria. De fato, representa a Virgem Santíssima no gesto de, com a mão esquerda, estreitar ao colo o Menino Jesus que, por sua vez, se enlaça em seu pescoço, ao mesmo tempo em que, com a mão direita, segura a mão do Filho no gesto de abençoar a cidade e todo aquele que tivesse a dita de passar diante desta imagem. Ao redor da cabeça da Virgem lê-se as palavras da saudação angélica: "Ave, gratia plena"; e, mais para o alto, a frase bíblica: "Hortus conclusus".
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IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

A festa litúrgica do Coração de Maria passou por muitas vicissitudes. De acordo com a história, houve primeiramente uma devoção privada ininterrupta, que não chegou a formas públicas oficiais.
Efectivamente, a primeira festa litúrgica do Coração de Maria foi celebrada a 8 de Fevereiro de 1648, na diocese de Autun (França). Em 1864, alguns bispos pedem ao Papa a consagração do mundo ao Coração de Maria, aduzindo como justificativa e motivo a realeza de Maria.
O pedido decisivo partiu de Fátima e do episcopado português, após ter sido pedido por Jesus à Beata Alexandrina, em Balasar desde 1935. Importante notar igualmente que o documento enviado de Fátima para pedir ao Papa esta consagração foi redigido pelo sacerdote Jesuíta Padre Mariano Pinho, então Director espiritual da Alexandrina Maria da Costa, de Balasar.
É bom saber, para que a história seja fiel aos acontecimentos, que a Beata Alexandrina de Balasar, tinha ela mesma escrito ao Santo Padre fazendo esse pedido, como consta no documento oficial da beatificação, que diz o seguinte:
«No ano de 1936 [Alexandrina] pediu ao Sumo Pontífice a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, o que fez Pio XII no dia 31 de Outubro de 1942.»
Inesperadamente, a 31 de Outubro de 1942, Pio XII, na sua mensagem radiofónica em português, consagrava o mundo ao Coração de Maria. O Papa Paulo VI, a 21 de Novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, renovava, na presença dos padres conciliares, a consagração ao Coração de Maria feita por Pio XII. Mais recentemente, João Paulo II, no fim de sua primeira encíclica, “Redemptor Hominis” (4 de março de 1979), escreveu um significativo texto sobre o Coração de Maria. Ao tratar do mistério da redenção diz o Papa: “Este mistério formou-se, podemos dizer, no coração da Virgem de Nazaré, quando pronunciou o seu “fiat”. A partir de tal momento, este coração virginal e ao mesmo tempo materno, sob a ação particular do Espírito Santo, acompanha sempre a obra do seu Filho e dirige-se a todos os que Cristo abraçou e abraça continuamente no seu inesgotável amor. E por isso este coração deve ser também maternalmente inesgotável. A característica deste amor materno, que a mãe de Deus incute no mistério da redenção e na vida da Igreja, encontra sua expressão na sua singular proximidade do homem e de todas as suas vicissitudes. Nisso consiste o mistério da mãe”.
A Exortação Apostólica “Marialis cultus” (2/2/1974), do Papa Paulo VI inclui a memória do Coração Imaculado da bem-aventurada Virgem Maria entre as “memórias ou festas que ... expressam orientações surgidas na piedade contemporânea”, colocando-a no dia seguinte à solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus.
Essa aproximação das duas festas (Sacratíssimo Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria) faz-nos voltar à origem histórica da devoção: na verdade, São João Eudes, nos seus escritos, jamais separa os dois corações. Aliás, durante nove meses, a vida do Filho de Deus feito carne pulsou seguindo o mesmo ritmo da vida do coração de Maria. Mas os textos próprios da missa do dia destacam mais a beleza espiritual do coração da primeira discípula de Cristo.
Ela, na verdade, trouxe Jesus mais no coração do que no ventre; gerou-o mais com a fé do que com a carne! De acordo com textos bíblicos, Maria escutava e meditava no seu coração a palavra do Senhor, que era para ela como um pão que nutria o íntimo, como que uma água borbulhante que irriga um terreno fecundo. Neste contexto, aparece a fase dinâmica da fé de Maria: recordar para aprofundar, confrontar para encarnar, reflectir para actualizar.
Maria nos ensina como hospedar Deus, como nutrir-nos com o seu Verbo, como viver tentando saciar a fome e a sede que temos dele. Maria tornou-se, assim, o protótipo dos que escutam a palavra de Deus e dela fazem o seu tesouro; o modelo perfeito dos que na Igreja devem descobrir, por meio de meditação profunda, o hoje desta mensagem divina. Imitar Maria nesta sua atitude quer dizer permanecer sempre atentos aos sinais dos tempos, isto é, ao que de estranho e de novo Deus vai realizando na história por trás das aparências da normalidade; em uma palavra, quer dizer reflectir, com o coração de Maria, sobre os acontecimentos da vida quotidiana, destes tirando, como ela o fazia, conclusões de fé.
http://alexandrina.balasar.free.fr/coracao_de_maria_historia.htm

2 DE JULHO – MORREU A NOIVA, ELE FOI PARA O CONVENTO

São Bernardino Realino (+Lecce Itália, 1616) -Nasceu em Capri, de nobre família, doutorou-se em Direito, fez carreira. Foi noivo. Tinha 28 anos quando faleceu sua noiva. Desiludido das coisas do mundo, resolveu consagrar-se inteiramente a Deus. Ingressou na Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote. Recebia graças místicas, lia os segredos dos corações, profetizava, tinha o dom de curar doentes com sua bênção. Apóstolo do confessionário, tinha também o dom do conselho, sendo procurado até por bispos e príncipes que iam aconselhar-se com ele. O Papa Paulo V e diversos soberanos lhe escreviam, pedindo orações. Morreu aos 86 anos. Na hora da morte aconteceu uma cena inaudita. Os maiorais da cidade italiana de Lecce reuniram-se ao redor do leito mortuário, pedindo ao P. Bernardino que fosse o padroeiro da cidade, de geração em geração. E ele, com toda a humildade, aceitou esse honroso encargo. 
Outros santos: 
Oto, Monegundes, Pedro de Luxemburgo
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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EUGÉNIA JOUBERT Religiosa, Beata 1876-1904

Eugénia Joubert nasceu e foi baptizada em Yssingeaux, perto do santuário de Nossa Senhor do Puy, a 11 de Fevereiro de 1876. Aos dezanove anos entrou para a vida religiosa e pronunciou os seus votos a 8 deDezembro de 1896. A Obediência confiou-lhe as crianças e, as suas preferidas era as mais pobres, pelas quais sentia uma atracção particular.
Eugénia morreu, em odor de santidade, em Liège, na Bélgica, a 2 de Julho de 1904, com apenas vinte e oito anos. O Papa João Paulo II proclamou-a Bem-aventurada no dia 20 de Novembro de 1994.
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JULIÃO MAUNOIR Sacerdote Jesuíta, Missionário na Bretanha, Beato 1606-1683

Nascido em 1606, o Beato Julião Maunoir fez os estudos em Rennes, França, e depois entrou na Companhia de Jesus em Paris, em 1625. Em Quimper, o venerável Miguel Le Nobletz impeliu-o a continuar o apostolado na Baixa Bretanha, onde a assistência religiosa estava nessa época muito descuidada. Em três dias, segundo se diz, por intercessão da Virgem Maria, aprendeu o Padre Maunoir a língua bretã e consagrou-se imediatamente ao ensino do catecismo na região. De 1634 a 1638 terminou os estudos teológicos em Bourges e, quando se propunha ir para as missões do Canadá, foi atacado por doença grave. Nesse momento, fez o voto de se consagrar às missões da Bretanha, se recuperasse a saúde. Restabelecido, começou vasta obra de restauração religiosa da gente dessa região. Durante 42 anos, perseverou nesse trabalho, pregando, catequizando e dando retiros; estes, em Quimper, reuniam uns mil padres por ano. Pelos muitos que encaminhou para a vida sacerdotal na idade madura, segundo foi escrito, o Beato merecia ser tomado como padroeiro das vocações tardias. Julião Maunoir faleceu a 28 de Janeiro de 1683 e foi beatificado por Pio XII, a 20 de Maio de 1951. Reproduzimos parte do elogio que o mesmo Sumo Pontífice fez, a seguir, do novo Beato, diante dos peregrinos franceses que tinham vindo assistir à cerimónia na Basílica de S. Pedro: «Em consequência de que transformação chegou a Bretanha a merecer que a apontassem ao mundo como exemplo de vida ardorosa, moral e profundamente cristã? Ela própria atribui a honra disso ― depois de Deus, da Virgem Maria e dos Santos padroeiros ― aos seus missionários, na primeira linha dos quais ela venera o beato Julião Maunoir. Mas que fez ele e qual foi o seu segredo? Foi nada mais que apóstolo, mas foi-o em toda a extensão e toda a força do termo: apóstolo de Cristo, formado na sua escola, dócil aos seus princípios e às suas lições, penetrado pelo seu puro espírito... Acção intensa, adaptação às disposições e aos métodos do tempo. Bem nos parece que foram esses, entre outros, os traços da fisionomia e da actividade do Beato Julião Maunoir... No capítulo da acção intensa, Maunoir pode fácil e vitoriosamente ser comparado com seja quem for: trabalhos, fadigas, incómodos e sofrimentos, sem nunca descansar nem se poupar na sucessão ininterrupta das Missões, e que Missões! No continente e nas ilhas, pregações, procissões, catecismo, confissões, visita dos doentes e tudo mais. Quem lê a sua vida pergunta-se como um só homem pôde bastar para tantos trabalhos, como pôde a sua natureza aguentar tal cansaço... Homem de acção mais que ninguém, punha acima da acção o estudo, e acima do estudo a oração... Tinha, dizia ele próprio, recebido de Deus um dom de oração que o mantinha em contínua união com Ele... Foi para se colocar ao alcance de todos que ele aprendeu a difícil língua que falavam. Ensinava, por meio de grandes quadros figurados, a doutrina e a moral. E punha-as em estribilhos e estrofes, que tão bem se imprimiam na memória, que ainda hoje o povo os canta... 

JOÃO FRANCISCO RÉGIS presbítero, santo + 1640

Francisco Régis nasceu, em 31 de Janeiro de 1597, numa pequena aldeia de Narbona, na França. Filho de um rico comerciante, foi educado num colégio dirigido por sacerdotes jesuítas desde pequeno. Nada mais S. João Francisco Régis, Jesuítanatural que entrasse para a Companhia de Jesus quando, em 1616, decidiu-se pela vida religiosa. Desejava, ardentemente, seguir o exemplo dos jesuítas missionários que evangelizavam em terras pagãs estrangeiras. Tornou-se rapidamente respeitado e admirado pela dedicação na catequização que fazia directamente ao povo, auxiliando os sacerdotes, assim como nas escolas que a Companhia de Jesus dirigia. Aos trinta e três anos, ordenou-se sacerdote, tomando o nome de João Francisco. Só então o seu contagiante trabalho disseminou-se pela cidade, por meio das obras dedicadas aos marginalizados, necessitados e doentes. Essa era a missão importantíssima que o aguardava lá mesmo, na sua terra natal: atender aos pobres e doentes e converter os pecadores. Entre os anos 1630 e 1640, duas epidemias de pestes assolaram a comunidade. Francisco Régis era incansável no atendimento aos doentes pobres e suas famílias. Nesse período, conscientizou-se de que a França precisava da sua acção apostólica e não o exterior. Assim, tornou-se um valente missionário jesuíta, e o mais frequente sacerdote visitador de cárceres e hospitais. Os registros relatam às centenas os doentes que salvou e os pagãos que converteu ao mesmo tempo. Bispos de seu tempo relataram que ele era dotado de um carisma muito especial. Onde pregava os ensinamentos de Cristo, as pessoas, invariavelmente, se convertiam. Conseguiu, com o auxílio da Virgem Mãe, como ele mesmo dizia, converter aldeias inteiras com o seu apostolado. Foram dez anos empregados nesse fatigante e profícuo trabalho missionário. Francisco Régis foi designado para chefiar a missão enviada à La Louvesc, na diocese de Dauphine. Antes de iniciar a viagem, quis despedir-se dos companheiros jesuítas. Percebera, apesar da pouca idade, que sua morte estava muito próxima. A viagem até lá foi um tremendo sacrifício. Além de atravessar altas montanhas, o caminho foi trilhado debaixo de um rigoroso inverno. Chegou a La Louvesc doente e perigosamente febril. Mas, como havia uma enorme multidão de fiéis que desejavam ouvir os seus sermões, pregou por três dias seguidos. Os intervalos de descanso foram utilizados para o atendimento no confessionário. Finalmente, abatido por uma enorme fraqueza, que evoluiu para uma pneumonia fulminante, faleceu no dia 31 de Dezembro de 1640, aos quarenta e três anos de idade. www.derradeirasgracas.com

BERNARDINO REALINO Presbítero, Santo 1520-1616

Bernardino nasceu em Capri (Itália) em 1530. Profissional do Direito, à sólida competência unia extraordinária formação humanística. De temperamento optimista, alegre, respeitador dos outros e inclinado à beneficência, entrou para o noviciado dos jesuítas em Nápoles aos 34 anos. Trabalhou depois por 10 anos naquela cidade, pregando, catequizando, dedicando-se aos doentes, aos pobres e encarcerados. Com Bernardino Realino (1530-1616) aconteceu um facto talvez único na historia dos santos: ainda em vida foi nomeado padroeiro da cidade de Lecce. Ao espalhar-se a notícia de que o padre Bernardinho estava morrendo, o prefeito da cidade reuniu a câmara e dirigiu-se ao colégio dos jesuítas. Diante do leito do morimbundo, leu um documento que tinha preparado: "Grande é nossa dor, pai amado, ao ver que nos deixais, pois nosso mais ardente desejo seria que permanecêsseis sempre connosco. Não querendo, contudo, opor-nos à vontade de Deus, que vos convida para o céu, desejamos pelo menos encomendar-vos a nós mesmos e a toda esta cidade tão amada por vós e que tanto vos tem amado e reverenciado. Assim o fareis, ó pai, pela vossa inesgotável caridade, a qual nos permite esperar que queirais ser nosso protector e patrono no paraíso, pois já por tal vos elegemos desde agora e para sempre, seguros de que aceitareis por fiéis servos e filhos..." Com esforço respondeu o padre: "Sim, senhores". De facto, o padre Bernadino tinha dedicado mais de metade da sua longa vida, e a quase totalidade de sua acção apostólica como padre, à cidade de Lecce. Desde a mais alta nobreza até os últimos esfarrapados, encarcerados e escravos turcos, não havia quem não o conhecesse como apóstolo e benfeitor da cidade. Assim, sem grandes feitos exteriores, desenvolveu-se a santidade de Bernardino Realino. Apesar de ter sido chamado tarde à vida religiosa, sua vida apresenta-se como uma grande continuidade sempre em busca da verdade e do bem. Morreu aos 86 anos. Em 1947 foi canonizado por Pio XII.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 2 DE JULHO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado
2 – Sábado – Santos: Oto de Bamberga, Monegundes 
Evangelho (Mt 9, 14-17) “Os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: – Por que nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” 
A pergunta deve ter sido feita num dia tradicional de jejum para os fariseus e discípulos de João, quando Jesus e seus discípulos faziam uma refeição. Vemos logo que estes não se sentiam obrigados a práticas piedosas, que não podiam ser tomadas como obrigatórias para todos. Essa atitude continua válida. Nunca devemos impor a outros nossas práticas e devoções, ainda que boas e louváveis. 
Oração
Senhor Jesus, começo pedindo que me façais mais piedoso, generoso e austero, de modo que esteja sempre mais unido a vós. Cuidai, porém, que eu saiba distinguir entre devoção e obrigação. Que não condene quem tem outro modo de viver, e nunca tente impor-lhe minhas práticas piedosas. E a todos nós dai fidelidade a vossa palavra, e que tudo façamos que vosso amor exigir de nós. Amém.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS

O mês de julho foi estabelecido pela Igreja como o mês dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Jesus. A piedade cristã sempre manifestou, através dos séculos, especial devoção ao Sangue de Cristo derramado para a remissão dos pecados de todo o género humano, por ocasião da Paixão e Morte de Jesus e atravessando a história até hoje com Sua presença real no Sacramento da Eucaristia.
Desde tempos muito remotos, a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus sempre esteve presente e floresceu cada vez mais em meio ao clero e aos fiéis, através de solenidades, preces públicas e Ladainha própria, com o fim de pedir a Deus perdão dos pecados, afastar os fiéis dos justos castigos, implorar as bênçãos do céu sobre os frutos da terra, e prover nossas necessidades espirituais e temporais.No século passado, foi São Gaspar de Búfalo admirável propagador desta insigne devoção, tendo o merecimento da aprovação da Santa Sé e por isto até hoje é conhecido como o "Apóstolo do Preciosíssimo Sangue". Foi por ordem do Papa Bento XIV que foram com-postos a missa e o ofício em honra ao Sangue de Jesus para finalmente ser estendida à Igreja Universal por decreto do Papa Pio IX.O Papa João XXIII, cuja família desde a sua infância foi fiel devota ao Preciosíssimo Sangue, também perpetrou esta santa devoção, tendo logo no início de seu pontificado escrito a Carta Apostólica Inde a Primis, a fim de promover o seu culto, conforme fez menção o Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica Angelus Domini, onde frisa o convite de João XXIII sobre o valor infinito daquele sangue, do qual "uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa".Mais perto de nós, podemos e devemos lembrar a Beata Alexandrina de Balasar a quem Jesus, não só para benefício da alma, mas também do corpo frágil desta, deixava cair-lhe no coração uma gota do seu Preciosíssimo Sangue. Foi a primeira vez, na história dos Santos, que Jesus utilizou este “remédio” salutar para reavivar o corpo e a alma de uma das suas almas-vítimas.Sejamos, portanto, também devotos propagadores desta extraordinária e salutar prática da piedade cristã.

O MENINO QUER UMA BOLINHA

PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa
Venerável Padre Pelágio CSsR
Esta cena aconteceu muitos anos atrás. O dentista está “roendo” o dente do cliente, e não pode se distrair. Seu gabinete é uma sala ligada com a casa de moradia. De repente aproxima-se do pai um meninozinho de seus seis anos:
- Papai, eu quero um dinheiro para comprar uma bolinha? 
- Meu filho, agora estou ocupado. Não me perturbe. 
O menino abaixou a cabeça e voltou pensativo para a cozinha. Dali há pouco ele volta reforçando o pedido:
- Papai, mamãe pediu para o senhor me dar dinheiro para comprar uma bolinha. 
Desta vez o pai parou o serviço e disse bem devagar:
- Sim, meu filho. Mas espere eu terminar o serviço. 
O menino vai e volta puxando a mãe pelo vestido:
- Papai, minha mãe pediu para o senhor me dar logo o dinheiro. 
O pai deu um suspiro, desligou o motorzinho, pôs a mão no bolso e deu logo o que a criança queria. 
Lição: Assim devemos fazer em nossas precisões: Primeiro recorrer a Nossa Senhora, nossa intercessora junto do Pai. Seu pedido tem mais força.
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REFLETINDO A PALAVRA - “Santos, nossos irmãos”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
673. Santos, gente do povo
            No estudo sobre a devoção na espiritualidade encontramos os santos. João escreve no livro do Apocalipse, “vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 9,4.9). Que festa! Do jeito que o povo gosta! O Céu está aberto a todos. Quem é o santo? Aquele que vive o evangelho de Jesus, mesmo sem o conhecer. O amor não precisa ser lido nem conhecido, mas realizado. Mesmo não conhecendo a Deus, Deus nos conhece. Estamos falando dos que vivem na casa do Pai, onde há muitas moradas (Jo 14,2). Santos são gente do povo. A Igreja canoniza alguns poucos. Não que a Igreja faça os santos, mas indica alguns modelos que viveram intensamente o evangelho. Como o Papa sabe disso? O povo conta para ele: Esse homem ou mulher, viveu bem o evangelho, amou, procurou servir as pessoas e cumpriu os deveres de sua vida. Conta através de um processo, isto é, um grupo de pessoas que ouve as testemunhas que conheceram, analisa sua vida, reconhece os milagres. Depois de tudo isso, a pessoa é canonizada, isto é, colocada na lista (cânon) dos santos. Por que são diferentes de nós? São de outras épocas, vestiam diferentes, ou eram padres, bispos e freiras. Mas já temos santos de gravata, médica com estetoscópio, jovens universitários com camisa esporte e até crianças. Temos poucos leigos porque as pessoas pensavam que só santos eram os diferentes. Todos podem ser santos e muito santos. O Papa reconhece e não faz o santo. Por que o Papa? Antes era o povo, agora se organizou diferente. Para o futuro poderá ser diferente. Eu, pessoalmente, tenho a minha vó paterna, falecida, como grande santa. Que cuida muito bem de nós. Santo se fica em vida e não depois da morte. Você é santo!
674. Santos rezam pelo povo
            Alguns são implicados com o santo, negando o culto dos santos. Esse culto significa adorar a Deus que, de modo admirável foi amado e vivido nesta pessoa, por ex. S. Antonio. Não adoramos imagens, retratos de nossos santos. Veneremos; Chama-se culto de ‘doulia”. Para Deus prestamos o culto de “latria”, isto é, adoração. (Idolatria, quer dizer, adorar o que não é Deus). Rezamos a Deus, unidos ao santo que veneramos. Podemos rezar pedindo ao santo? A gente ouve as pessoas dizerem: vou rezar por você, vou fazer um milagre, tirar sua doença. E acontece! Quantos não fazem milagres em vida! Quando morrem, diante de Deus, rezam por nós, como rezavam quando estavam vivos entre nós. Podem rezar melhor ainda, pois estão unidos a Deus em perfeição, sem pecado. Os santos são nossos amigos e irmãos, unidos conosco no Corpo de Cristo.
675. O povo ama seus amigos santos

            O amor do povo de Deus aos santos vem desde os primórdios do cristianismo com o culto dos mártires e depois daqueles que não foram mártires, mas dedicaram sua vida a Deus e ao povo. Eles recolhiam o corpo do mártir e o sepultavam com honras e, anualmente, no dia de seu nascimento para Deus (morte) celebravam a Eucaristia em seu túmulo. Guardavam suas relíquias. Celebravam sua vida no Sacrifício de Cristo. Assim nasceu a devoção aos santos. É claro que ela deve ser sempre regulada pelos princípios da fé e pela justa compreensão de nossa união no mistério de Cristo. O povo desenvolveu muitas fórmulas, algumas exageradas outras exatas de venerar e cultuar os santos. Ele tem consciência de sua intercessão junto de Deus. Coibindo o exagero, saímos bem. 

EVANGELHO DO DIA 1 DE JULHO

Evangelho segundo S. Mateus 9,9-13.
Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus, muitos publicanos e pecadores vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos: «Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?». Jesus ouviu-os e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores». 
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia: 
Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo - Sermão 64 
«Ele levantou-se e seguiu Jesus.»
Nosso Senhor disse a São Mateus: «Segue-Me.» Este santo amável é um modelo para todos os homens. Tinha sido um grande pecador, de acordo com aquilo que o evangelho diz dele, mas tornou-se um dos maiores amigos de Deus. Porque Nosso Senhor falou-lhe no fundo do seu ser, e nessa altura ele abandonou tudo para seguir o Mestre. 
Seguir a Deus na verdade; para isso, temos de abandonar verdadeira e completamente todas as coisas que não são Deus, sejam elas quais forem. Deus ama os corações; não Lhe interessa aquilo que é exterior, mas quer de nós uma devoção interior viva. Esta devoção tem em si mais verdade do que se eu fizesse as orações de todos os homens, ou se cantasse com tal intensidade, que o meu canto subisse aos céus; tem mais verdade do que tudo o que eu possa fazer exteriormente, em jejuns, vigílias e outras práticas.

1º DE JULHO - ELE SE FEZ DE TOLO POR AMOR DE CRISTO E DIVERSOS SANTOS

- Simeão(+590) nasceu em Edessa, no Oriente. É um dos personagens mais estranhos do calendário santoral. Viveu 29 anos no deserto como eremita. Depois começou a levar uma vida de “bobo por amor de Cristo”. Protegido pela liberdade da qual os bobos gozam, tinha acesso junto aos altamente colocados e ricos como também junto aos excluídos e marginalizados. Evangelizou por toda a parte, quer pela palavra e pelo exemplo. Chamado louco, profeta, taumaturgo, excêntrico, escandaloso, palhaço - divide sua vida com os mendigos e as prostitutas, dejetos da sociedade, rindo-se de tudo e de todos fazendo-nos ver que a vida é uma grande mentira se não for vivida no amor de Deus e do próximo. 
- Teodorico (+533) – Filho de um salteador de estrada. Deu-se conta que tinha vocação religiosa justamente no dia do seu casamento. Combinou com a esposa e entrou no convento dos beneditinos. Ficou feliz quando seu pai, agora convertido, também procurou o convento. Curou, só com o toque, a vista de Teodorico I. 
- Servando (séc. VI ou VII) – Missionário na Escócia. Monge. Viveu na mais extrema pobreza com seus monges. 
- Justino Orona e Atilano Cruz (+1928) – Ambos párocos e mártires. Perseguidos. Surpreendidos quando dormiam no rancho de uma família de paroquianos, morreram crivados de balas. Canonizados em 2000. 
- Junipero Serra (1713-1784) – Padre franciscano. Missionário no México. Fundou mais de vinte missioes ou aldeias católicas. 
- Fernando M. Baccilieri (1821-1893) – Pároco na diocese de Bolonha durante cerca de quarenta anos. Bom Diretor espiritual e pregador. Fundador das “Servas de Maria de Galeazza” para jovens. Betificado em 1999.
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
Vice-Postulador da Causa-Venerável Padre Pelágio CSsR
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ANTÓNIO ROSMINI Sacerdote, Fundador, Beato 1797-1855

António Rosmini nasceu em Rovereto no dia 24 de Março de 1797 e faleceu em Stresa a 1 de Julho de 1855. Dedicou a sua vida aos estudos de filosofia, política, ascética e pedagogia. Ao terminar os estudos jurídicos e teológicos na Universidade de Pádua, recebeu a Ordenação sacerdotal em 1821. Imediatamente demonstrou grande interesse e inclinação para os estudos filosóficos, encorajado neste sentido pelo Papa Pio VIII, que lhe pedira para conduzir os homens à religião através da razão, e mais de uma vez colocou-se contra enganadores e falsos movimentos de pensamento como o sensismo e o iluminismo. Fundou o Instituto da Caridade e o das Irmãs da Providência, idealizados e queridos como ambientes propícios à formação humana, cristã e religiosa de quantos tinham partilhado o mesmo espírito, adaptando-se às contingências históricas, civis e culturais do seu tempo. Na audiência de 12 de Janeiro de 1972, Paulo VI definiu-o “profeta”, que em antecipação de um século sentiu e indicou problemas da humanidade e pastorais, debatidos depois no Concílio Vaticano II. A sua obra “As cinco chagas da Santa Igreja” é considerada precursora dos temas conciliares. Uma delas fazia António Rosmini sofrer demais: a separação entre fiéis e clero durante as funções litúrgicas, pela impossibilidade dos primeiros seguirem as orações formuladas em latim, adiantando a proposta de seguir as línguas próprias de cada povo. Devido à novidade de algumas suas ideias sobre a reforma da Igreja, a obra foi posta no Índex em 1849, com todas as polémicas que se seguiram. Somente com João Paulo II ocorreu a completa reabilitação da sua figura. Na carta encíclica Fides et ratio, o predecessor de Bento XVI colocou Rosmini "entre os pensadores mais recentes nos quais se realiza um fecundo encontro entre saber filosófico e palavra de Deus", concedendo a introdução da causa de beatificação. Precedentemente também João XXIII fez o retiro espiritual sobre as Máximas de perfeição cristã de Rosmini, idealizadas para definir o fundamento espiritual sobre o qual todos os cristãos pudessem garantir um caminho na perfeição, assumindo-a como própria regra de comportamento. Também Paulo VI não foi indiferente ao pensamento de António Rosmini: por ocasião do 150º aniversário de fundação do Instituto da Caridade, enviou uma mensagem ao então Padre-Geral, na qual elogiava a intuição rosminiana ao dar importância à missão caritativa já no nome que designava o instituto. O seu sucessor, João Paulo I, formou-se em Teologia Sagrada na Universidade Gregoriana de Roma com uma tese sobre "A origem da alma humana segundo António Rosmini". A Congregação do Instituto da Caridade foi fundada em 1828 no Santuário do Monte Calvário em Domodossola, com a aprovação pontifícia de Gregório XVI em 1839. Formado por sacerdotes e leigos com votos simples e perpétuos, mas também por religiosos e bispos “adscritos”, o organismo nasceu com uma finalidade muito precisa: o exercício da caridade universal, união daquelas formas que Rosmini enumera como “caridade espiritual”, “caridade intelectual” e “caridade temporal”. Uma ordem, contudo, susceptível de mudanças de acordo com as exigências expressas pelo próximo. Sucessivamente, em 1832, foram fundadas as Irmãs da Providência, cujo carisma é o mesmo do ramo masculino.

OLIVER PLUNKETT Bispo, Mártir, Santo 1625-1681

Oliver Plunkett, irlandês, nasceu no ano de 1625, em Loughcrew, numa família de nobres. Ele queria ser padre, mas para realizar sua vocação estudou particularmente e na clandestinidade. Devido à perseguição religiosa empreendida contra os católicos, seus pais o enviaram para completar o seminário em Roma, onde recebeu a ordenação em 1654. A ilha irlandesa pertence à Coroa inglesa e possuía maioria católica. Mas como havia rompido com a Igreja de Roma, o exército real inglês, liderado por Cromwel, assumiu o poder para conseguir a unificação política da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Obcecado pelo projecto, mandara até mesmo assassinar o rei Carlos I. E na Irlanda não fez por menos, todos os religiosos, sem excepção, foram mortos, além de leigos, militares e políticos; enfim, todos os que fossem católicos. Por isso o então padre Plunkett ficou em Roma exercendo o ministério como professor de teologia. Em 1669, o bispo da Irlanda, que estava exilado na Itália, morreu. Para sucedê-lo, o papa Clemente IX consagrou o padre Oliver Plunkett, que retornou para a Irlanda viajando como clandestino. Dotado de carisma, diplomacia, inteligência, serenidade e de uma fé inabalável, assumiu o seu rebanho com o intuito de reanimar-lhes a fé. Junto às autoridades ele conseguiu amenizar os rigores impostos aos católicos. Porém Titus Oates, que fora anglicano e depois conseguiu tornar-se jesuíta, ingressando num colégio espanhol, traiu a Igreja romana. Ele, para usufruir os benefícios da Coroa inglesa, apresentou uma lista de eclesiásticos e leigos afirmando que tentariam depor o rei Carlos II. Nessa relação estava o bispo Plunkett, que foi condenado à morte por decapitação pública. A execução ocorreu em Londres, no dia 1º de julho de 1681. Antes, porém, ele fez um discurso digno de um santo e mártir. Segundo registros da época, o seu heroísmo na hora do martírio, somado ao seu discurso, contribuiu para a glória da Igreja de Roma mais do que muitos anos do mais edificante apostolado. O seu culto foi confirmado no dia 1o de julho ao ser beatificado em 1920. Canonizado pelo papa Paulo VI em 1975, santo Oliver Plunkett possui duas sepulturas. O seu corpo esta na Abadia de Downside, em Londres, enquanto a sua cabeça esta na Abadia de Drogheda, na Irlanda. Ele foi o último católico condenado à morte na Inglaterra em razão de sua fé.

AARÃO Sumo Sacerdote judeu, Santo (século XIII a. J. C.)

Santo Aarão era filho de Amrão e irmão carnal de Moisés. Foi escolhido por Deus para ser o primeiro Sumo Sacerdote dos hebreus. Moisés consagrou-o e ungiu-o com o óleo santo. Constituiu uma aliança perene com ele e com os seus descendentes e enquanto durar o céu há-de presidir o culto e exercer o sacerdócio e abençoar o povo em nome do Senhor. Segundo o livro das Crónicas, Capítulos 35-38, são filhos de Aarão: Eleazar, Finéias, Abisué, Boci, Ozi, Zaraías, Meraiot, Amarias, Aquitob, Sadoc e Aquimaas. Homem frágil e pecador, como todos, Aarão é, todavia o modelo de colaboração com Deus para a realização de seu desígnio de amor. O seu perfil já foi magistralmente traçado pela Bíblia, que por outra parte é a única fonte para a sua biografia. Além, é claro, do amplo e articulado desenvolvimento dos cinco primeiros livros da Sagrada Escritura (o Pentateuco) há dois trechos na carta aos hebreus e no livro do Eclesiástico. “Ninguém, pois, se atribua esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,1-4). No Salmo 104,26 está: “Mas Deus lhes suscitou Moisés, seu servo, e Aarão, seu escolhido”. O livro do Eclesiástico enaltece a figura de Aarão inserindo-o nos primeiros lugares na galeria de Homens Ilustres, aos quais Jesus Ben Sirac dá importância singular. O sacerdócio de Aarão e dos seus sucessores, até ao contemporâneo Simeão, é dos mais qualificados. O Salmo 98-6 nos diz: “Entre seus sacerdotes estavam Moisés e Aarão e Samuel um dos que invocaram o seu nome: clamavam ao Senhor, que os atendia”.

01 de Julho - São Galo

Filho de pais nobres e ricos, descendente de família tradicional da corte da França, Galo nasceu no ano 489, na cidade de Clermont, na diocese de Auvergne. Foi tio e professor de outro santo da Igreja, o bispo Gregório de Tours. Na sua época era costume os pais combinarem os matrimônios dos filhos. Por isso ele estava predestinado a casar-se com uma jovem donzela de nobre estirpe. Mas Galo, desde criança, já havia dedicado sua alma à vida espiritual. Para não ter de obedecer à tradição social, ele fugiu de casa, refugiando-se no convento de Cournou, daquela mesma diocese. Após intensas negociações, seu pai acabou permitindo que ele ingressasse na comunidade monástica. Foi assim que Galo iniciou uma carreira totalmente voltada para a fé e aos atos litúrgicos. Ele era tão dedicado às cerimônias da santa missa que se especializou nos cânticos. Contam os escritos que, além do talento para a música, era também dotado de uma voz maravilhosa, que encantava e atraía fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento. Mas suas virtudes cristãs não se limitavam às liturgias. Sua atuação religiosa logo lhe angariou prestígio e, em pouco tempo, foi designado para atuar na corte de Teodorico, rei da Austrásia, atualmente Bélgica. Em 527, quando morreu o bispo Quinciano, Galo era tão querido e respeitado que o povo o elegeu para ocupar o posto. Se não bastasse sua humildade, piedade e caridade, para atender às necessidades do seu rebanho Galo protagonizou vários prodígios ainda em vida. Um dos mais citados foi ter salvado a cidade de um pavoroso incêndio que ameaçava transformar em cinzas todas as construções locais. As orações de Galo teriam aplacado as chamas, que se apagavam na medida em que ele rezava. Outro muito conhecido foi o que livrou os habitantes de morrerem vítimas de uma peste que assolava a região. Diante da bênção de Galo, o fiel ficava curado da doença. Ele morreu em 1o de julho de 554, causando forte comoção na população, que logo começou a invocá-lo como santo nas horas de dor e necessidade, antes mesmo de sua canonização ter sido decretada. Com o passar dos séculos, são Galo, foi incluído no livro dos santos da Igreja de Roma, cuja festa litúrgica foi mantida no dia da sua morte, como quer a tradição cristã. 
Conteúdo publicado em Comece o Dia Feliz. 
 Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS - 1 DE JULHO

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista
Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado
1 – Sexta-feira – Santos: Teodorico, Aarão, Domiciano 
Evangelho (Mt 9, 9-13) “Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: – Segue-me! Ele se levantou e seguiu a Jesus.” 
Mateus, ou Levi, era cobrador de impostos para os romanos. Era, pois, homem de posses, bem colocado na vida, ainda que fosse malvisto pelos conterrâneos. Pelas poucas palavras do evangelho, podemos imaginá-lo tranquila e solenemente sentado à sua escrivaninha, contente com a vida e tendo o futuro garantido. O inesperado foi Jesus (Levi já teria ouvido falar dele?), que passou e mudou tudo. 
Oração
Senhor Jesus, tudo por tudo posso considerar-me privilegiado, numa situação tranquila de vida. Agradeço por isso. Mas, devo pedir, Senhor, que isso não me transforme num acomodado. Ajudai-me a estar sempre pronto e disponível para seguir vossos convites, ainda que tenha de vencer algum receio. Não sei o que me reservais no futuro, mas confio em vós, e sei que quereis o meu bem. Amem