Evangelho segundo São Lucas 13,18-21.
Naquele tempo, disse Jesus: «A que é semelhante o Reino de Deus, a que hei de compará-lo?
É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta. Cresceu, tornou-se árvore e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos».
Jesus disse ainda: «A que hei de comparar o Reino de Deus?
É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».
Tradução litúrgica da Bíblia
(345-407)
Presbítero de Antioquia,
bispo de Constantinopla,
doutor da Igreja
Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, n.° 20
Ser o fermento na massa
Haverá coisa mais ridícula que um cristão que não se preocupa com os outros? Não tomes como pretexto a tua pobreza: a viúva que deitou duas moedas na caixa das esmolas do Templo (cf Mc 12,42) insurgir-se-ia contra ti; assim como Pedro, que disse ao coxo: «Não tenho ouro nem prata» (At 3,6); e Paulo, que era tão pobre que muitas vezes passava fome. Não recorras à tua condição social, pois os apóstolos também eram humildes e de baixa condição. Não invoques a tua ignorância, porque eles eram homens iletrados. Mesmo que fosses escravo ou fugitivo, poderias sempre fazer o que está ao teu alcance, como Onésimo, que é elogiado por Paulo (cf Flm; Col 4,9). A tua saúde é frágil? Também a de Timóteo o era. Sim, independentemente do que somos, todos podemos ser úteis ao nosso próximo, se quisermos verdadeiramente fazer o que está dentro das nossas possibilidades.
Vês como as árvores da floresta são vigorosas, belas, elegantes? E, no entanto, preferimos ter no nosso jardim árvores de fruto ou oliveiras cobertas de frutos. As primeiras são belas, mas estéreis, tal como os homens que apenas têm em conta os seus próprios interesses.
Se a levedura não faz levedar a massa, não é verdadeiro fermento. Se um perfume não inebria os que se aproximam, poderemos dizer que é realmente um perfume? Não digas que é impossível exercer boa influência nos outros, porque, se fores verdadeiramente cristão, é impossível que nada aconteça; isto faz parte da própria essência do ser cristão. Seria tão contraditório dizer que um cristão não pode ser útil ao seu próximo como negar ao Sol a possibilidade de iluminar e aquecer.

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